Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.
Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
MUSEU DE ARTE POPULAR REABRE AO PÚBLICO

museu

O Museu de Arte Popular, em Lisboa acaba de reabrir ao público, inaugurando uma exposição alusiva ao próprio museu e à concepção que presidiu à sua instalação: “Os construtores do MAP – Um Museu em Construção”. Deste modo, o povo português continua a dispor de um espaço museológico na capital do país através do qual dá a conhecer as suas tradições mais genuínas, o seu artesanato e os seus trajes característicos, enfim os seus usos e costumes.

Após décadas de abandono e intensa agonia, chegou a estar pensada a sua demolição e, mais recentemente, a sua conversão no projectado “Museu da Língua Portuguesa”, dentro do plano de reordenamento e instalação de museus na frente ribeirinha de Lisboa. Entretanto, após um movimento cívico bastante participado que se gerou na sociedade portuguesa reclamando contra o seu encerramento, a actual ministra da Cultura veio a público garantir que aquele espaço continuaria a alojar o Museu de Arte Popular, entretanto renovado e em moldes mais actuais, embora garantindo a manutenção dos conceitos museológicos que lhe estão na origem e que marcaram uma época no domínio da museologia.

Constituído em 1948, no âmbito da Exposição do Mundo Português, então com a designação de “Pavilhão da Vida Popular”, o seu acervo reunia um conjunto de peças que foi apresentado na Exposição de Arte Popular Portuguesa que teve lugar em Genebra, em 1935. O seu espólio repartia-se por diferentes salas dedicadas às mais diversas regiões do país e ainda um espaço para exposições temporárias, nelas predominando as cerâmicas e as alfaias agrícolas, os trajes e instrumentos musicais tradicionais, a joalharia e as artes de pesca, as carroças e a cestaria, a maioria das quais recolhida nos começos do século passado.

Como complemento do Museu de Arte Popular, funcionava no espaço exterior uma feira de artesanato denominada por “Mercado da Primavera”, tendo mais tarde mudado o nome para “Mercado do Povo”. Constituía um espaço de animação e divulgação da cultura tradicional, acorrendo àquele local numerosos artesãos vindos de todo o país, incluindo a célebre Rosa Ramalho, criadora dos galos de Barcelos.

A decisão de ali instalar o Museu de Arte Popular coube ao ministro António Ferro e o edifício foi originalmente concebido pelo arquitecto Veloso Reis, tendo posteriormente sido sujeito a remodelação com vista a acolher o museu, tendo o projecto de adaptação pertencido ao arquitecto Jorge Segurado. O Museu de Arte Popular constituiu seguramente o exemplar mais representativo das concepções museológicas e ideológicas do Estado Novo, facto que só por si justificaria a sua continuidade e preservação. Porém, não foi esse o entendimento das entidades governamentais, a começar pela anterior ministra da Cultura que preconizava inclusivamente a sua demolição. Ao que tudo indica, o seu espólio foi transferido para o Museu de Etnologia, do qual ultimamente fazia parte como “Núcleo de Arte Popular”.

Mais recentemente, sentindo incapacidade conceberem de raiz, em tempo útil, um edifício adequado ao projectado Museu da Língua Portuguesa e para não ficarem atrás do Brasil que já concebeu uma iniciativa idêntica, o Ministério da Cultura intentou o aproveitamento para esse fim de uma obra que não apenas do ponto de vista histórico, como arquitectónico e escultórico nos remete para a estética defendida pelo Estado Novo. Na realidade, à excepção do Mosteiro dos Jerónimos, quase toda a área de Belém foi concebida nessa época para a realização da Exposição do Mundo Português, incluindo a fonte luminosa e o Padrão das Descobertas. E, não tivesse o Pavilhão de Honra e de Lisboa da referida exposição sido construído em material perecível, não teríamos entretanto assistido às polémicas estéreis que envolveram a construção do Centro Cultural de Belém.

Na realidade, o Museu de Arte Popular nunca foi visto com agrado pelas entidades responsáveis que quase sempre o deixaram ao abandono e a necessitar de obras de restauro. O Mercado da Primavera foi extinto e o seu espaço vandalizado, praticamente nada restando da sua decoração original. No entanto, apesar da sua escassa divulgação, sempre atraiu visitantes nacionais e estrangeiros e os seus responsáveis acarinharam vários grupos folclóricos que ali se deslocavam ou procuravam apoio.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 19:35
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