Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.
Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
Museu Municipal de Ourém

Museu Municipal de Ourém 

Reflectindo o seu grau de desenvolvimento económico, social e cultural, o Concelho de Ourém dispõe actualmente de vários espaços museológicos como sucede com o Museu Municipal de Ourém, o Museu de Aljustrel, o Museu de Arte Sacra e Etnologia e o Museu de Cera de Fátima.

Concretamente em relação ao Museu Municipal de Ourém e de acordo com a apresentação feita através do seu site oficial, constitui este uma “instância coordenadora de onde irradiam resoluções de implementação para as unidades expositivas e interpretativas”.

Com efeito, o Museu Municipal de Ourém integra o Núcleo da Casa do Administrador, situado no Largo Dr. Vitorino de Carvalho, e ainda o “Núcleo da Cidade Velha” constituído pelo antigo burgo medieval.

O espólio do Museu Municipal de Ourém inclui uma colecção de arqueologia, peças relacionadas com actividades laborais e a habitação tradicional, brinquedos, material escolar, postais e fotografias. Como entidade museológica, cumpre funções de investigação, documentação, conservação e, naturalmente, expositivas.

Os museus regionais e municipais inserem-se numa estratégia de valorização do património local e de preservação das identidades, exercendo funções de pedagogia junto das suas populações e contribuindo para a promoção das regiões onde se inserem. A sua acção é essencial na formação da cidadania pelo que deve sempre estimular-se a participação cívica em torno da sua actividade e divulgação.

 

O Panorama museológico português

         Quando, em 1772, o Marquês de Pombal aprovou os Estatutos da Universidade de Coimbra e simultaneamente referiu que “…muitas pessoas particulares por gosto, e curiosidade tem ajuntado muitas Collecções deste género, que fechadas nos seus Gabinetes privados não produzem utilidade alguma na Instrucção pública”, determinando a criação junto daquela Instituição “huma collecção de productos, que pertencem aos três Reinos da mesma natureza”, revelava já a preocupação pedagógica traduzida na transmissão de novos conhecimentos através da exposição de peças que, conforme também é dito, “deve ser o Thesouro público da História Natural, para a Instrucção da Mocidade”.

         Na realidade, a prática do coleccionismo constituiu o germe da museologia e da construção do museu enquanto local de exposição permanente ou temporária de um conjunto de objectos devidamente ordenados de uma forma temática, relacionados entre si, classificados e ordenados, transmitindo informação e até dialogando com o visitante. Não obstante, os primeiros museus não passavam de um amontoado de curiosidades sem qualquer lógica científica, ordenamento ou estrutura temática nem preocupação de conservação ou catalogação das peças expostas ou guardadas.

         Em Portugal, encontram-se nesta primeira fase, além do mencionado Museu da Universidade de Coimbra, o Real Museu da Ajuda, o Museu de História Natural que viria a ser devassado pelas tropas de Napoleão, a colecção de numismática na Casa da Moeda, o Museu Sisenando Cenáculo Pacense, o Museu Mayense e o Museu Nacional criado pela Academia das Ciências de Lisboa e, finalmente, o Museu Real do Rio de Janeiro.

         A museologia conhece uma segunda fase a que se encontra associada a implantação do liberalismo e se prolonga até 1910, altura da implantação do regime republicano. Para além das preocupações de natureza cultural e científica, de transmissão de ideias e novos conhecimentos, não é por certo também alheio o encerramento de muitos conventos, mosteiros e casas particulares contendo inúmeras obras de arte. A criação em 1833 do Museu Portuense marca precisamente o início de uma nova época na qual já se revela a preocupação de um ordenamento temático, no caso vertente pinturas e estampas e, simultaneamente, com a natureza de museu público por oposição ao museu privado, com a intenção deliberada de espalhar “até nas últimas classes do Povo o gosto do bello, o amor e o sentimento das Artes”. O museu, qual templo dedicado às musas, deixava assim de constituir um mero repositório de colecções de obras de arte, de objectos científicos e outras curiosidades para passar a ser um local de estudo e de transmissão de conhecimentos ao mesmo tempo que assegura a sua salvaguarda e preservação. São deste período entre muitos outros, incluindo diversos museus regionais, o Museu Arqueológico do Carmo, o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu Etnográfico Português e o Museu dos Coches Reais.

         A implantação da República em 1910 veio a traduzir-se num verdadeiro movimento de renovação dos espaços museológicos, procedendo a um ordenamento territorial e reconhecendo os mesmos como um “complemento fundamental do ensino artístico e elemento essencial da educação geral”. Tal como sucedera com o estabelecimento do liberalismo, foram durante esse período criado inúmeros museus municipais e regionais, em grande parte utilizando os edifícios de antigos conventos, e paços episcopais expropriados à Igreja, bem assim o seu recheio de obras de arte. Aliás, no processo de criação de museus durante o período da Primeira República esteve a Lei de separação do Estado das Igrejas promulgada em 1911 e que estabelecia nomeadamente as expropriações necessárias à instrução pública, incluindo bibliotecas e museus, e ainda a “salvaguarda do património artístico” quando estes se encontrassem na posse de entidades que não cuidassem da sua preservação.

         Uma das decisões produzidas pelo novo regime consistiu em transformar o então já existente Museu Nacional de Belas Artes em dois museus nacionais – o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Nacional de Arte Contemporânea. De igual modo, também ao novo regime deve o Museu da Cidade de Lisboa a sua constituição, apesar da sua criação ter sido pensada durante os últimos anos da monarquia. Mais de uma dúzia de museus regionais foram criados em todo o país durante a sua vigência. Porém, a criação do Museu da Revolução, tendo na realidade sido o primeiro museu constituído pela Primeira República, dadas as suas características, antecipa já uma certa ideia de utilização do museu não apenas como complemento pedagógico mas ainda como veículo de transmissão de uma ideologia através do qual se pretende doutrinar mais do que esclarecer. Essa viria a ser, aliás, uma das preocupações do Estado Novo no que concerne à gestão do património cultural do país e, mormente, dos espaços museológicos.

         Preconizando o Professor Dr. António de Oliveira Salazar a “restauração material, restauração moral e restauração nacional”, o Estado Novo encetou um processo de recuperação e restauro de castelos, catedrais, conventos e outros edifícios de grande valor simbólico. Instituiu e promoveu uma série de celebrações patrióticas, entre as quais se salientam as comemorações da Fundação e da Restauração de Portugal, que culminaram com a Exposição do Mundo Português, a criação do Museu de Arte Popular e a requalificação da área de Belém com o Padrão das Descobertas, a fonte luminosa, os seus espaços ajardinados e motivos escultóricos. Para o Estado Novo, o museu passa a constituir um instrumento de propaganda e veiculação ideológica, um tanto aliás à semelhança do que o anterior regime já fizera ao instituir o chamado “Museu da Revolução”.

         Contudo, a política do Estado Novo vai mais longe e, a partir dos anos sessenta, reflectindo uma certa abertura para as realidades externas, o panorama museológico começa a registar algumas mudanças, privilegiando a exposição de peças de real valor histórico ou artístico, ordenadas de forma sistematizada e atraente, implementando meios de atrair os visitantes e exercer acção pedagógica nomeadamente através da edição de publicações e organização de visitas guiadas. Em regra e salvo poucas excepções, quase todos os museus foram instalados em edifícios já existentes adaptados para esse fim, revelando invariavelmente limitações de toda a ordem que vão desde a segurança das instalações e do espólio existente às condições ambientais, nem sempre as mais indicadas à preservação das peças expostas.

Esta situação contraria os mais modernos preceitos da museologia, mormente no que respeita aos critérios que devem presidir à construção e disposição do espaço museológico, às condições que possibilitem a valorização do espólio, proporcionem ao visitante o conforto que lhe permita apreciar nas melhores condições os objectos expostos, assegurem a sua longevidade e permita dispor de espaços de apoio nomeadamente à catalogação, acondicionamento, restauro e conservação das peças, bem assim como a utilização de novas tecnologias necessárias ao cumprimento da missão do museu que consiste na transmissão de conhecimentos.

Não obstante, embora timidamente, ainda antes de 1974 começaram a surgir os primeiros museus em edifícios expressamente construídos com essa finalidade, como aliás se verifica com o Museu Calouste Gulbenkian. Também em 1965 se verifica o aparecimento da Associação Portuguesa de Museologia que se destina essencialmente a agrupar conservadores de museus, historiadores, restauradores e críticos de obras de arte, promovendo simultaneamente o conhecimento das mais modernas técnicas de museologia através de conferências e publicações. Com efeito, estas mutações prenunciam já o final de um ciclo que se vem a verificar naturalmente com a mudança de regime político, após o derrube do Estado Novo em 1974.

As últimas décadas caracterizaram-se nomeadamente pelo aparecimento de numerosos museus locais, ligados a empresas e conferindo a estas também uma importância cultural associada à sua função económica e social, a utilização dos audiovisuais e das novas tecnologias e ainda a criação da chamada Rede Portuguesa de Museus.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 05:00
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