Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Quarta-feira, 22 de Junho de 2016
PAN PRETENDE AVANÇAR NAS PRIORIDADES E DESAFIOS DA BIOÉTICA EM PORTUGAL
  • Propõe que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida possa integrar um médico veterinário
  • Acompanha a proposta da Associação Portuguesa de Bioética para a criação de um Conselho Nacional de Experimentação Animal
  • Medidas contribuem para a reflexão sobre problemas éticos suscitados pelos progressos científicos e para prossecução dos objetivos da União Europeia

O PAN – Pessoas – Animais – Natureza apresenta hoje duas iniciativas legislativas que pretendem contribuir para o debate acerca dos problemas éticos suscitados pelos progressos científicos nos domínios da biologia, da medicina ou da saúde em geral e das ciências da vida. O primeiro projeto de lei “altera a composição do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida” - CNECV - e propõe que esta entidade, cuja constituição tem vindo a ser progressivamente alargada, por forma a incluir cada vez mais pessoas de reconhecido mérito no domínio das questões da bioética, possa integrar um médico veterinário com vista a permitir novos contributos, essenciais para a prossecução das competências atribuídas ao CNECV.

A medicina veterinária constitui uma das mais importantes matérias de investigação e conhecimento na área da saúde, com grande proximidade aos cidadãos. O papel do médico veterinário é cada vez mais importante na sociedade, existindo um interesse crescente do público pelas questões de bem-estar animal. Ao mesmo tempo, a profissão reveste-se de grandes desafios éticos, estando continuamente em mutação, por consequência da inovação tecnológica.

A etimologia do conceito de Bioética, por si só, justifica a integração destes profissionais, constituída por duas palavras de origem grega: Bios que significa “Vida” e Ethos que significa “Ética”. Originalmente, o termo Bios era aplicado à vida humana e não animal. Posteriormente, generalizou-se e passou a significar a vida como um fenómeno, ou seja, o biológico, como hoje o entendemos: englobando todos os seres vivos, desde a sua expressão mais simples (unicelular) à mais complexa (como se apresenta no homem).

A segunda iniciativa legislativa apresentada pelo PAN acompanha a proposta da Associação Portuguesa de Bioética levada recentemente Assembleia da República para a criação de um Conselho Nacional de Experimentação Animal, que seja um regulador independente dos centros onde se realizam experiências com animais em Portugal.

A investigação científica tem evoluído nas suas várias vertentes e é hoje indiscutível que os animais têm capacidade para sentir e manifestar dor, sofrimento, angústia e dano duradouro. Por conseguinte, e tendo em vista o objetivo de deixar de utilizar definitivamente animais nestes procedimentos científicos, importa até alcançar esta meta melhorar o seu bem-estar, reforçando as normas mínimas relativas à sua proteção de acordo com a evolução mais recente dos conhecimentos científicos. Embora seja indispensável substituir, num futuro próximo, a utilização de animais vivos em procedimentos por outros métodos que não impliquem a sua utilização, a verdade é que atualmente ainda se continua a recorrer a este tipo de experimentação, por motivos que alegadamente se prendem com a proteção da saúde humana e animal.

O Conselho Nacional para a Experimentação Animal será uma entidade reguladora independente, para além das governamentais com poderes nesta matéria que funcionaria junto da Assembleia da República, mas também prestando apoio e resolvendo conflitos éticos junto dos investigadores que nos seus projetos utilizem animais, com total independência e isenção e seria constituído por especialistas de diferentes ramos do conhecimento.

Esta entidade terá competência para certificar que a investigação em animais decorre nos termos da lei e de acordo com as normas éticas universais de proteção do bem-estar animal mas, principalmente, para assegura que estamos a caminhar para o objetivo principal que é o de deixar de utilizar animais neste tipo de procedimentos. Para além disso, o Conselho deve ter como missão estatuária a coordenação dos comités de ética das diferentes instituições de ensino e de investigação que ainda utilizam animais. A acrescer que a criação deste Conselho se afigura essencial na prossecução dos objetivos da União Europeia no que diz respeito a esta matéria, mas principalmente, é fundamental na evolução das consciências e efetiva proteção dos animais.



publicado por Carlos Gomes às 22:23
link do post | favorito
|

Quinta-feira, 4 de Junho de 2015
A PESCA DA SARDINHA NA COSTA PORTUGUESA

A qualidade da sardinha depende em grande medida do começo da nortada

No S. João, a sardinha pinga no pão” – diz o povo imbuído na sua sabedoria empírica. Com efeito, é por esta altura que a sardinha é mais gorda, devendo-se tal facto a circunstâncias de ordem climática e geofísica únicas na costa portuguesa que fazem desta espécie um exemplar único em toda a Península Ibérica.

nazaré.jpg

De origens remotas, a sardinha era tradicionalmente pescada por meio da arte xávega, método que consistia numa forma de pesca por cerco. Deixando uma extremidade em terra, as redes são levadas a bordo de uma embarcação que as vai largando e, uma vez terminada esta tarefa, a outra extremidade é trazida para terra. Então, o saco é puxado a partir da praia, outrora recorrendo ao auxílio de juntas de bois, atualmente por meio de tração do guincho ou de tratores. Entretanto, as modernas embarcações de arrasto vieram a ditar a morte da arte xávega e, simultaneamente, a ameaçar a sobrevivência das próprias espécies piscícolas, colocando em causa o rendimento familiar dos próprios pescadores.

A sardinha constitui um das suas principais fontes de rendimento, representando quase metade do peixe, calculado em peso, que passa nas lotas portuguesas. Matosinhos, Sesimbra e Peniche são os principais portos pesqueiros de sardinha em todo o país.

Quando, no início da Primavera, o vento sopra insistentemente de norte durante vários dias, os pescadores adivinham um verão farto na pesca da sardinha, do carapau, da cavala e outras espécies que são pescadas na costa portuguesa. A razão é simples e explica-se de forma científica: esta época do ano é caracterizada por um sistema de altas pressões sobre o oceano Atlântico, vulgo anticiclone dos Açores, o qual se reflete na observância de elevadas temperaturas atmosféricas, humidade reduzida e céu limpo. Verifica-se então uma acentuada descida das massas de ar que resultam no aumento da pressão atmosférica junto à superfície e a origem de ventos anticiclónicos que circulam no sentido dos ponteiros do relógio em torno do centro de alta pressão, afastando os sistemas depressionários. Em virtude da situação geográfica de Portugal continental relativamente ao anticiclone, estes ventos adquirem uma orientação a partir de norte ou noroeste, habitualmente designado por “nortada”.

Sucede que, por ação do vento norte sobre a superfície do mar e ainda do efeito de rotação da Terra, as massas de água superficiais afastam-se para o largo, levando a que simultaneamente se registe um afloramento de águas de camadas mais profundas, mais frias e ricas em nutrientes que, graças à penetração dos raios solares, permite a realização da fotossíntese pelo fito plâncton que constitui a base da cadeia alimentar no meio marinho. Em resultado deste fenómeno, aumentam os cardumes de sardinha e outras espécies levando a um maior número de capturas. E, claro está, o peixe torna-se mais robusto e apetecível.

O mês de Junho, altura em que outrora se celebrava o solstício de Verão e agora se festejam os chamados "Santos Populares" – Santo António, São João e São Pedro – é, por assim dizer, a altura em que a sardinha é mais apreciada e faz as delícias do povo nas animações de rua. Estendida sobre um naco de pão, a sardinha adquire um paladar mais característico, genuinamente à maneira portuguesa.

Por esta altura, muitos são os estrangeiros que nos visitam e, entre eles, os ingleses que possuem a particularidade de a fazerem acompanhar com batata frita, causando frequente estranheza entre nós. Sucede que, o “fish and chips” ou seja, peixe frito com batatas fritas, atualmente bastante popular na Grã-Bretanha, teve a sua origem na culinária portuguesa, tendo sido levado para a Inglaterra e a Holanda pelos judeus portugueses, dando mais tarde origem à tempura que constitui uma das especialidades gastronómicas mais afamadas do Japão.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com

Fotos: Arquivo Fotográfico da C.M.L.

ART002836.jpg



publicado por Carlos Gomes às 11:40
link do post | favorito
|

Terça-feira, 19 de Março de 2013
OURÉM PRETENDE PRESERVAR A LAMPREIA DO NABÃO

A lampreia do Nabão: um património a preservar

O Município de Ourém e a Quercus vão realizar, no próximo dia 22 de março, uma palestra para assinalar o Dia Mundial da Água e sensibilizar para a preservação da lampreia do Nabão existente em ribeiras do norte do concelho.

lampreia_quercus

Investigadores de várias instituições portuguesas identificaram três novas espécies de lampreia que existem apenas em território nacional. As três novas espécies de lampreia foram identificadas nas bacias hidrográficas do Vouga, Sado e Nabão, por investigadores do Centro de Oceanografia e do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), em colaboração com investigadores da Universidade de Évora e do Museu Nacional de História Natural e da Ciência.

A lampreia de Ourém, ou lampreia do Nabão (Lampetra auremensis), é exclusiva de algumas ribeiras da bacia do Nabão. Esta espécie apresenta uma área de distribuição muito restrita e com populações diminutas nas ribeiras do norte do Concelho de Ourém, devendo como tal ser classificada como "Criticamente em Perigo" de extinção.

Com vista à divulgação desta «nova espécie para a Ciência» e à sensibilização dos cidadãos para a sua preservação, o Município de Ourém e a Quercus promovem uma palestra no Museu Municipal de Ourém, no dia 22 de março, pelas 21h00 (Dia Mundial da Água), tendo como convidados os investigadores Catarina Mateus (EU/ CO, MNCHN) e aAna Filipa Ferreira(UE / CO) e Pedro Raposo de Almeida (EU / CO).

Para mais informações, poderá contactar o Museu Municipal atravésdos contactos museu@mail.cm-ourem.pt e 919 585 003, ou a Quercus através do número 249 544 500. A entrada na iniciativa é livre.



publicado por Carlos Gomes às 18:58
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013
VINHO REGIONAL LISBOA HUMUS DA ENCOSTA DA QUINTA DISTINGUIDO COM MEDALHA DE OURO NO CONCURSO INTERNACIONAL DOS VINHOS BIOLÓGICOS

O vinho Regional Lisboa Reserva 2010 HUMUS foi premiado muito recentemente com uma Medalha de Ouro no Concurso Internacional dos Vinhos Biológicos - Challenge Millésime Bio 2013.

Fotografia Humus Reserva 2010

Este Concurso destina-se a dar a conhecer a qualidade dos vinhos biológicos junto dos profissionais e do grande público, encorajando os produtos numa permanente procura de qualidade de excelência.

Todos os vinhos apresentados neste Concurso têm de ser obrigatoriamente certificados em Agricultura Biológica de acordo com o regulamento europeu em vigor.

Nesta edição de 2013, estiveram presentes cerca de 700 produtores da África do Sul, Alemanha, Áustria, Chile, Egipto, Espanha, França, Itália, Portugal, Suíça, Estados Unidos….

Os grandes nomes da viticultura biológica marcaram presença e os vinhos biológicos portugueses estão a ganhar cada vez mais notoriedade interna e externa.

É o caso do Vinho HUMUS Reserva tinto 2010, da Encosta da Quinta.

Este vinho, oriundo de uvas produzidas em modo de produção biológica, é vinificado e engarrafado na quinta.

A Encosta da Quinta desfruta de condições de solo e clima únicas que “dão aos seus vinhos carácter e personalidade”. “Tentamos manter o vinho o mais natural possível, 99 por cento da qualidade do vinho vem da vinha” – enólogo da Encosta da Quinta, Rodrigo Filipe.

ENCOSTA DA QUINTA

Quinta do Paço

2500-346 Alvorinha

Tel. 917 27 60 53

Fax. 262 877 906

mail@encostadaquinta.com



publicado por Carlos Gomes às 19:45
link do post | favorito
|

Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012
AGRICULTURA BIOLÓGICA AUMENTOU 20 VEZES A ÁREA EM APENAS DÉCADA E MEIA

Entre 1994 e 2011, o número de pessoas que estão a produzir de forma biológica cresceu de 234 para quase 6000. Volume de negócios do sector já ronda os 20 milhões de euros por ano

27738_115617565135028_3786335_n

A Quinta do Montalto, em Ourém, é um dos maiores produtores de vinho biológico

A agricultura biológica ocupou, no ano passado, quase 220 mil hectares de terra em Portugal, o valor mais alto desde 2007. E o número de produtores dedicados a produzir alimentos ou pastagens neste modo de produção disparou de uns escassos 234 em 1994 para 5938 no ano passado, o número mais elevado dos últimos 17 anos.

De acordo com dados fornecidos ao PÚBLICO pelo Ministério da Agricultura, em termos globais a área já representa 5,5% da superfície agrícola utilizada, "situando-se um pouco acima da média europeia". As estimativas do sector, citadas pelo gabinete de Assunção Cristas, apontam para um volume de negócios que rondará os 20 a 22 milhões de euros, com taxas de crescimento de 20% ao ano.

Há 15 anos, o território ocupado pela produção biológica - que não recorre a pesticidas, adubos químicos de síntese ou organismos geneticamente modificados - pouco ultrapassava os 12 mil hectares. O crescimento foi contínuo até 2007, mas mudanças de política, que, segundo o ministério, "orientaram parte da produção para a produção integrada", travaram a evolução positiva e fizeram recuar o número de hectares. As quedas foram expressivas até 2009, mas a curva do crescimento voltou a romper no ano seguinte.

De nicho de mercado, a agricultura biológica espalhou-se à grande distribuição e generalizou-se nos formatos especializados, supermercados e mercados de rua. Mas ainda há muito por explorar. "Temos muito para fazer relativamente à produção para o mercado nacional e sobretudo nas exportações", diz Jaime Ferreira, presidente da direcção da Agrobio, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, que representa seis mil consumidores e produtores. Os portugueses procuram cada vez mais este tipo de produtos mas, para ganhar dimensão, são precisos "mais agricultores e área plantada" e acções de divulgação sobre os benefícios para a saúde destes alimentos, defende.

À Agrobio têm chegado pedidos de potenciais clientes estrangeiros que procuram grandes quantidades. Mas só os agricultores de grande dimensão "conseguem escala" para responder a essa necessidade. "Contam-se pelos dedos das mãos os produtores com capacidade de produção", lamenta Jaime Ferreira.

Mais procura externa

Na Quinta do Montalto, em Olival, concelho de Ourém, a intenção é chegar aos 100 mil quilos de uvas. Os 15,5 hectares de vinha são dedicados em exclusivo à produção de vinho biológico, com as marcas Vinha da Malhada e Cepa Pura a assumirem o rosto de um negócio que já vai na quinta geração. André Gomes Pereira espera vender este ano 90% da produção para o estrangeiro (mais 13% face a 2011), com destaque para Holanda - que absorve 20% das vendas -, Alemanha e Estados Unidos.

Quinta do Montalto

André Gomes Pereira é o gestor e proprietário da Quinta do Montalto

"Começámos este movimento de encontrar clientes lá fora em 2007 e agora conhecemos bem o mercado", sintetiza André Gomes Pereira. Em Portugal, as vendas são residuais, mas, se pudesse, vendia todo o vinho no mercado interno. "Lá fora tem mais aceitação. Por cá, o vinho biológico tem uma carga negativa, no início foram vendidos produtos com defeito. Hoje já não é assim", diz ao PÚBLICO, por telefone. O Cepa Pura tinto da Quinta do Montalto foi distinguido na Alemanha entre mais de 4500 vinhos (biológicos e não biológicos) e ficou entre os 13 melhores. "O único português e à frente dos vinhos convencionais", acrescenta.

O mercado externo exige qualidade e tem poder de compra. Andreas Bernhard, que dirige a Risca Grande juntamente com a família Zehnder, começou a cultivar olival em 2002 numa propriedade de 92 hectares em Serpa. Toda a produção de azeite, cerca de 100 mil garrafas, é destinada à exportação. Suíça, Alemanha, Suécia e Japão absorvem o produto, considerado um dos melhores do mundo na sua categoria. "São mercados que têm muito poder de compra e conhecem a produção mundial muito bem. Em Portugal, não há poder de compra e no estrangeiro procuram coisas especiais", diz Andreas Bernhard. É pela qualidade que o azeite Risca Grande se quer distinguir entre gigantes.

Apesar da maioria dos produtores de agricultura biológica se dedicar à cultura do olival (representam 22% de um total de 1299), quase 60% da superfície ocupada com este tipo de produção destina-se a pastagens para alimentação animal. Segue-se a floresta (10%), o olival (8,4%) e as culturas forrageiras (prados). Na produção de carne, a evolução também tem sido positiva: em 2011, o número de animais cresceu de 58 mil para 242.359 e há 1240 produtores (mais 4% face a 2010). Contudo, Jaime Ferreira diz que há problemas para resolver. É difícil encontrar no mercado oferta suficiente, não só porque há "produtores dispersos", mas porque a centralização do abate dos animais dificulta o aumento da produção. "Na agricultura biológica, para haver certificação, o animal não pode entrar no mesmo circuito do abate convencional. Há muito poucos matadouros que façam abate de modo biológico e muita da carne [criada desta forma] acaba na produção convencional", explica.

A Agrobio aguarda pela reforma da Política Agrícola Comum (PAC) para que haja diferenciação nos apoios concedidos aos agricultores. Além disso, para fazer crescer o sector, "tem de haver uma aposta do próprio país", defende.

Fonte: http://economia.publico.pt/



publicado por Carlos Gomes às 00:04
link do post | favorito
|

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011
QUINTA DO MONTALTO PARTICIPA NA FEIRA DE AGRICULTURA BIOLÓGICA

A Quinta do Montalto marcou presença na edição de 2011 da Terra Sã, Feira Nacional de Agricultura Biológica que teve lugar no Palácio de Cristal, no Porto, durante este fim-de-semana. O certame foi organizado pela AGROBIO e teve como finalidade divulgar o único modo de produção sustentável de” alimentos saudáveis, nutritivos e suficientes para satisfazer as necessidades da população portuguesa”

IMG_3337

Com esta iniciativa, a organização, procurou “dar a conhecer o único modo de produção sustentável de “alimentos saudáveis, nutritivos e suficientes para satisfazer as necessidades da população portuguesa”, naquele que é um “contexto nacional de emergência social, gerada pela crise da dívida soberana, mas também de crise global à escala planetária, com alterações climáticas, perda da Biodiversidade, preço elevado e crescente dos combustíveis fósseis, procura crescente por energia e alimentos, especulação financeira no mercado dos alimentos e de utilização de culturas para a produção de energia”.

Desse modo, visou fomentar “o desenvolvimento de uma nova agricultura em Portugal, a Agricultura Biológica, envolvendo mais pessoas e acesso facilitado à terra em meio urbano, periurbano e rural”, que “pode ser decisivo para diminuir uma crise alimentar potencial, contribuindo para a auto-suficiência e segurança alimentar” nacional.

A exposição incluiu a realização de seminários e palestras acerca de aspectos relacionados com a horticultura biológica e a alimentação, provas de produtos biológicos como vinho, doces, azeite e mel e ainda a venda dos mais variados produtos de agricultura biológica.

IMG_3338



publicado por Carlos Gomes às 00:22
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011
QUINTA DO MONTALTO PARTICIPA NA FEIRA NACIONAL DE AGRICULTURA BIOLÓGICA

A Quinta do Montalto vai participar na edição de 2011 da Terra Sã, Feira Nacional de Agricultura Biológica que vai ter lugar no Palácio de Cristal, vulgo Pavilhão Rosa Mota, no Porto, a partir do próximo dia 7 de Outubro. O certame é organizado pela AGROBIO e decorre até Domingo, dia 9 de Outubro, e “pretende dar a conhecer o único modo de produção sustentável de” alimentos saudáveis, nutritivos e suficientes para satisfazer as necessidades da população portuguesa”

CartazTerraSa2011_180

Segundo a organização, “a Feira pretende dar a conhecer o único modo de produção sustentável de “alimentos saudáveis, nutritivos e suficientes para satisfazer as necessidades da população portuguesa”, naquele que é um “contexto nacional de emergência social, gerada pela crise da dívida soberana, mas também de crise global à escala planetária, com alterações climáticas, perda da Biodiversidade, preço elevado e crescente dos combustíveis fósseis, procura crescente por energia e alimentos, especulação financeira no mercado dos alimentos e de utilização de culturas para a produção de energia”.

Procura desse modo fomentar “o desenvolvimento de uma nova agricultura em Portugal, a Agricultura Biológica, envolvendo mais pessoas e acesso facilitado à terra em meio urbano, periurbano e rural”, que “pode ser decisivo para diminuir uma crise alimentar potencial, contribuindo para a autossuficiência e segurança alimentar” nacional.

A exposição inclui a realização de seminários e palestras acerca de aspectos relacionados com a horticultura biológica e a alimentação, provas de produtos biológicos como vinho, doces, azeite e mel e ainda a venda dos mais variados produtos de agricultura biológica.

Esta constitui uma excelente oportunidade nomeadamente para os nossos conterrâneos que vivem na região do Porto visitarem o certame e contactarem de perto com os produtos biológicos do Concelho de Ourém ali representado através da Quinta do Montalto.

pontinha 019.JPG

pontinha 009.JPG



publicado por Carlos Gomes às 10:20
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
ALUNA DE OURÉM REPRESENTA PORTUGAL NAS OLIMPÍADAS DA BIOLOGIA

Beatriz Madureira, aluna do 12º ano do Colégio de S. Miguel, obteve o primeiro lugar nas Olimpíadas Nacionais de Biologia que decorreram na passada Quarta-feira no Pavilhão do Conhecimento Ciência-Viva e segue agora rumo à Costa Rica onde vai participar na competição ibero-americana que decorre de 4 a 9 de Setembro. A campeã Beatriz Madureira vai representar Portugal numa competição que reunirá os 60 melhores alunos de Biologia de 15 países.

IMG_3050

Beatriz Madureira afirma estar “muito feliz” e pronta para lutar por um bom resultado. “Vou preparar-me e depois lá dou o meu melhor para representar correctamente o nosso país”, prometeu a aluna, que destacou ainda a viagem à Costa Rica como uma oportunidade de conhecer novas culturas e fazer novas amizades. Com ela, vão também viajar outros três alunos portugueses que obtiveram melhor classificação nas Olimpíadas Nacionais.

A competição envolve 15 países, colocando em disputa os 60 melhores alunos em Biologia, precisamente aqueles que obtiveram melhores resultados nas provas nacionais e que participaram nas Olimpíadas, realizadas este ano pela primeira vez.

De salientar que as Olimpíadas Nacionais da Biologia contaram com a participação de mais de quatro mil alunos de 170 escolas do país, incluindo dos Açores e da Madeira.

IMG_3069



publicado por Carlos Gomes às 12:57
link do post | favorito
|

Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Decorre na Biblioteca Municipal Mostra Bibliográfica sobre a Biodiversidade

Fora da Estante: Biodiversidade

02 a 31 de Maio

Biblioteca Municipal de Ourém

Mostra bibliográfica de publicações sobre Biodiversidade que integram o acervo documental da Biblioteca Municipal.

De segunda a sexta, das 9h00 às 18h00. Ao sábado, das 9h30 às 13h00.

Entradas gratuitas



publicado por Carlos Gomes às 08:28
link do post | favorito
|

Sábado, 18 de Dezembro de 2010
QUINTA DO MONTALTO VENDE PRODUTOS BIOLÓGICOS EM LISBOA

O-Montalto 001

A Quinta do Montalto encontra-se sempre presente com os seus produtos na Feira de Produtos de Agricultura Biológica que tem lugar semanalmente, aos Sábados, no Jardim França Borges, vulgo Jardim do Príncipe Real, em Lisboa. Trata-se de uma iniciativa da Direcção Municipal de Actividades Económicas da Câmara Municipal de Lisboa e realiza-se entre as 9horas e as 15 horas. A tenda da Quinta do Montalto é a quarta a contar da entrada para quem se desloca a partir da Praça do Príncipe Real.

Desse modo, os oureenses que vivem na região de Lisboa, podem facilmente encontrar ali os produtos de agricultura biológica do Concelho de Ourém, desde os vinhos às alfaces e compotas, dispondo de toda uma variedade que seguramente será do seu agrado. Mais ainda, constituirá uma forma de promover os produtos da nossa região e afirmar as potencialidades do Concelho de Ourém.

O AUREN foi hoje à Feira de Produtos de Agricultura Biológica e mostra-lhe aqui a frescura dos produtos biológicos criados na Quinta do Montalto a prestigiar em Lisboa o nome de Ourém. E, fica aqui o convite para que não deixe de visitar a tenda da Quinta do Montalto, aos Sábados, no Jardim do Príncipe Real.

O-Montalto 004

Os produtos biológicos de Ourém podem ser encontrados em Lisboa, no Jardim do Príncipe Real.

O-Montalto 005

Os melhores apreciadores podem obter uma grande variedade de vinhos produzidos pela Quinta do Montalto, incluindo o Medieval de Ourém.

O-Montalto 007

A doçaria é um dos produtos bastante apreciados por quem ali faz as suas compras semanais.

O-Montalto 013

A Feira de Produtos de Agricultura Biológica regista uma grande afluência de público.

O-Montalto 014

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 12:59
link do post | favorito
|

Domingo, 21 de Novembro de 2010
Fernando Mangas Catarino: um biólogo oureense (IV)

Quantos professores nos marcam ao longo de uma vida? Poucos, muito poucos. Mas há alguns que não esquecemos, nunca. [...] Da passagem pela faculdade, onde já cheguei tarde depois de um atribulado e kafkiano percurso para desistir do curso de Medicina e abraçar o de Biologia, ficou-me, entre muitos, a recordação de um professor. Das suas aulas. Das vezes que com ele saí para o campo. E da cumplicidade que nos permitiu voltar a trabalhar juntos mais tarde, já eu era jornalista a tempo inteiro e ele apresentador de televisão por uns dias.

Para mim, não foi apenas um professor. Foi, talvez, "o" professor. O que era capaz de manter em silêncio, como que hipnotizada pelas suas palavras, a assembleia de alunos que enchia o velho anfiteatro de Botânica da Faculdade, nas instalações meio ardidas, meio recuperadas, da Rua da Escola Politécnica. O que nos apresentava a taxonomia levando-nos pelos caminhos da ecologia - ainda hoje guardo, em lugar de honra da biblioteca, o compêndio que seguia, "Botany: An Ecological Approach" - e fazendo-nos ver como e porquê as espécies tinham evoluído. O que nos levava ao Jardim Botânico, mostrando-nos o segredo de cada planta, revelando o mistério de cada árvore, entusiasmando-se em cada aula como se fosse a primeira que dava na vida, transmitindo-nos o calor com que vivia cada descoberta - e por mais de mil vezes que percorresse o secular jardim, havia sempre algo de novo que ele descobria, algo que não estava lá na véspera, algo que quase o distraía do que estava ali a fazer, à frente de um bando de alunos com um bloco na mão

Mais tarde, quando o voltei a ter como professor em anos adiantados do curso, foi a Arrábida que nos levou a conhecer como poucos conhecem. Fora das estradas. Pelo meio das matas onde tínhamos de abrir caminho para seguir as regras do trabalho prático. Na sombra acolhedora, cativante, misteriosa, da Mata Coberta. Ou trepando pela "cascalheira", ele sempre à frente, impondo um ritmo que poucos eram capazes de seguir. Essa energia contagiante, ao mesmo tempo física e intelectual, a capacidade de comunicar, de encontrar o exemplo certo para explicar o fenómeno mais complexo, de partilhar com os alunos o seu entusiasmo, de impor uma disciplina serena a par com uma exigência firme, tudo isso faz de Fernando Mangas Catarino, o Catarino para os alunos, o Mangas, para os amigos, o paradigma do professor.

A lei impõe que se jubile, mas a última vez que estive com ele percebi como se mantêm intactas todas as suas qualidades. Não sei, nem lhe perguntei, se gostaria de continuar. Mas sei - sei mesmo - que ao deixar de dar aulas deixa a Universidade de Lisboa, todas as Universidades, mais pobres. Porque são raros os grandes professores. Como ele sempre foi.

 

JOSÉ MANUEL FERNANDES, in Jornal Público Domingo, 10 de Novembro de 2002

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 00:05
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Fernando Mangas Catarino: um biólogo oureense (III)

biologo

Por tudo o que tem feito pela Biologia em Portugal, mais precisamente pela Botânica e Fisiologia Vegetal, foi uma das personalidades escolhidas para integrar a lista de figuras portuguesas do programa de entretenimento da RTP1 "Os Grandes Portugueses".

Fernando Pereira Mangas Catarino nasceu em Vila Nova de Ourém no dia 9 de Novembro de 1932. Aos 14 anos completa o curso comercial. Nos anos seguintes faz o curso industrial de carpinteiro, revelando-se porém um péssimo artesão. Após terminar o liceu ingressa na FCUL em 1952, terminando o curso em 1958, devido a uma interrupção para cumprir o serviço militar obrigatório. O doutoramento em Biologia é obtido em 1969.

Após 50 anos de docência na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, foi jubilado em 2002.

A vida deste grande biólogo funde-se com a Biologia da 2.ª metade do século XX e do início do século XXI. Segundo o próprio Fernando Catarino, o que tem de mais interessante é, desde que se lembra, "ter sido marcado por uma enorme curiosidade pelo saber, um enorme gozo em perceber as coisas". Além da sua imensa actividade como professor e autor, foi director do Museu e Jardim Botânico da Universidade de Ciências ao longo de 20 anos. Foi um mestre na arte de ensinar. Muitos ex alunos e amigos apontam-no como um marco e uma referência nas suas vidas.

in http://aoalcancedavida.blogspot.com/

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 00:05
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
Fernando Mangas Catarino: um biólogo oureense (II)

A Paixão de Ensinar

Fernando Catarino

Após 50 anos de discência e docência na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o Professor Fernando Mangas Catarino foi jubilado, em 2002.

Director do Jardim Botânico daquela Universidade, na Rua da Escola Politécnica, ao longo de 20 anos, a sua vida confunde-se com a da Biologia em Portugal na 2ª metade do século XX.

Muitos ex-alunos apontam-no como um marco e uma referência nas suas vidas mas, na verdade, quem é Fernando Mangas Catarino?

“A coisa que eu tenho mais interessante, como pessoa, é, desde que me lembro, ter sido marcado por uma enorme curiosidade pelo saber, um enorme gozo em perceber as coisas.

Eu venho de uma origem rural e habituei-me a considerar normal que, ao plantar uma batata, ao fim de um tempo sai uma batateira e, no tempo certo, saem batatas; o feijão, a germinar; o porco, mandava-se a marrã ao varrasco e ao fim de um cer8 to tempo vinha uma ninhada… portanto, eu vivi isto, cresci com isto, enquanto os miúdos hoje andam nos ATL’s a ver estas coisas, a minha vida era um ATL! Ainda hoje vivo em ATL.

Penso que consegui transmitir aos meus alunos alguma desta atitude e noto isto porque me entusiasmo com as coisas, e fico contente quando as coisas correm muito bem com uma experiência, mas não fico triste nem desanimo quando a hipótese que nós pusemos é completamente ingénua e mal conduzida e o resultado é perfeitamente negativo.

Mas eu fui capaz de me rir e até de “gozar” com os meus próprios falhanços. Porque nós aprendemos com os erros e as derrotas. A outra qualidade que penso ter é a de ser curioso, mas essa curiosidade tem que ser disciplinada, temos que fazer bem as coisas, temos que transmitir com o máximo de segurança e de veracidade o conteúdo das aulas, com uma verdade absoluta, porque nós só conhecemos aquilo que trabalhamos muito bem e mesmo assim há sempre falhas.

E quando estamos a transmitir conhecimento ou novas formas de abordar os conhecimentos, temos que estar constantemente “de pé atrás”.

Eu dei-me conta, nos 40 anos que dei aulas aqui, que em cada ano eu ia descobrindo uma coisa nova que alterava a forma como eu ia dando as matérias.

De facto, foi uma longa carreira de 50 anos, foi muito compensador! Tenho uma visão alargada da Ecologia, não digo à escala mundial, mas europeia, em parte por causa dos meus interesses mediterrânicos (o tema principal da minha investigação foi, durante muito tempo, os problemas da vegetação mediterrânica, que se repetem no Chile, na Califórnia, na Austrália, na Africa do Sul – regiões que visitei, à excepção da Africa do Sul).

E dou por muito bem empregues todos estes 50 anos que passei aqui, foi uma sorte bestial ter escolhido uma área onde não dá para a gente se aborrecer de forma alguma.”

 

Como vê a Biologia em Portugal nos nossos dias?

“Eu tenho defendido a ideia de que ser biólogo hoje é possuir competências para outras áreas como a gestão, a gestão de pessoal e outras, em que surgem situações inopinadas. Além disso, nas várias actividades económicas há hoje imensos campos para os biólogos trabalharem e desenvolverem a sua actividade. Sem soluções mágicas nem panaceias, somos hoje capazes de corresponder àquilo que a sociedade nos está a pedir.

A biologia hoje ganhou um estatuto, já tem uma Ordem! Já há páginas nos jornais a falar de biologia…, já é notícia! E é-o cada vez mais!

Entretanto, é importante que quem ensina esteja cada vez mais esclarecido e saiba seleccionar aquilo que de facto vale a pena aprender, porque não podemos aprender tudo: É preciso apontar o que foi importante no século passado, há 50 anos, há 10, o que é hoje importante (e há coisas gravíssimas como o aquecimento global, problemas de doenças, os cancros, coisas novas que apareceram e continuarão a aparecer, a gripe das aves…).

De facto, um biólogo deve andar no terreno, mas não precisa de estar, por exemplo, na Arrábida para saber o que é que lá está a acontecer agora. Nós lidamos constantemente com fenómenos que são naturalmente complexos, que não são completamente previsíveis devido à ocorrência de perturbações como as secas, os fogos, etc. E nós vamos acumulando essa informação, de tal maneira que quando acontecem perturbações graves como os últimos fogos, dizemos: ”Ahh!, mas o que é que aconteceu… onde é que está…”. E, quando vamos analisar a informação: “Claro! Não está porque…, aconteceu porque …” e isso é importante até para o futuro do emprego dos biólogos.”.

 

Há hoje um novo enfoque da Biologia?

Hoje a Biologia está constantemente a descobrir coisas, e isso dá-me um gozo enorme. Por exemplo, eu não estou com “a mão na massa” há 7, 8 anos e não posso dizer que o que sabia na altura é tudo o que há para saber, porque neste tempo houve progressos extraordinários. Por exemplo, sabe-se agora oficialmente que algumas árvores gimnospérmicas – muito mais antigas do que estas de folha larga – possuem umas células, uns tecidos, que facilitam a chegada da água ao topo da árvore.

Já viram que a força de bombagem necessária para uma árvore com 50 metros de altura é algo impressionante! E a água não falta lá em cima! Ora, há mais de 50 anos que se sabia que haveria diferenças de fisiologia entre estas espécies, mas só agora, finalmente, os mecanismos foram identificados. E a nossa reacção é: “Claro! Tinha que ser assim!”, só que ninguém o tinha conseguido demonstrar.

Entretanto, há outro aspecto, que actualmente povoa a imprensa escrita, o facto de Portugal ir aderir ao cultivo de plantas transgénicas, ao abrigo da revisão da moratória que os regulava. É claro que eu sou muito cuidadoso em relação a este assunto, mas não posso, constantemente, ver o mundo a passar: com cuidado, temos que ir abrindo caminho. São coisas que ainda não estão totalmente estudadas (ainda não há tempo suficiente decorrido).

Em princípio, com o milho transgénico não há o perigo de infectar outros milhos, devido à distância mínima imposta pelas directivas da moratória. No entanto, há outros aspectos que nós ainda não sabemos. Por exemplo, até que ponto os genes que foram obtidos no milho transgénico para ele se defender das lagartas (o milho produz o seu próprio “insecticida”), até que ponto é que esse mecanismo não passa para os microrganismos do solo, o que é muito complicado e não sabemos que consequências pode ter, talvez daqui a uns anos. De qualquer forma isto é levantar problemas onde eles não existem… ainda! Há pessoas que são contra tudo e, por elas não se faz nada. Não! Nós temos é que arriscar, o risco em Biologia é hoje uma área extremamente importante, tal como na Economia, mas temos que ter a noção de que estamos a mexer com a nossa saúde, o ecossistema, a biodiversidade, a biosfera. Daí o cuidado.

O cuidado, que é um conceito muito actual, enquanto responsabilidade ética, moral e social: Cuidado como precaução e cuidado como protecção, zelo (cuidar das coisas). Isto tudo são desafios novos que a Biologia está hoje a preparar para o amanhã.”

 

Falou há pouco, de passagem, mas gostaríamos que especificasse, relativamente às aplicações da Biologia a outras áreas profissionais.

“Eu penso que há 3 áreas nas quais os biólogos estão perfeitamente aptos a trabalhar: Primeiro, a biomedicina, não propriamente a medicina das plantas (que é claramente um campo possível), mas o facto de que um biólogo, pelo seu treino na abordagem integrada do mundo, das moléculas para as células, organismos e ecossistemas, o biólogo tem boa capacidade de discernimento das particularidades que parecem ínfimas, ao contrário do médico, que integra: o biólogo vai à análise, à célula, vai ver coisas que os outros não vêem. E põe questões como: “será que não estou enganado?”, “será que estatisticamente, vi o número de células adequado?”.

Por exemplo, na questão da reprodução assistida, dizem-me que os biólogos desempenham certas tarefas delicadíssimas no geral, melhor do que os médicos, porque têm uma sensibilidade, um treino, objectivos, diversos dos médicos. O biólogo é treinado para ser muito preciso, para trabalhar com o infinitamente pequeno, e saber discernir as consequências da sua acção.

Outra área que eu penso ser importante, e quando eu entrei na Universidade não havia ligação entre a teoria e a prática, os cursos eram esmagadoramente teóricos, aprendiam-se áreas cuja aplicação directa à Biologia não era evidente, como a Matemática. Hoje em dia, os projectos de investigação são conduzidos por grupos de investigadores que incluem muitas vezes gestores, psicólogos, sociólogos, matemáticos, físicos, químicos, biólogos, etc). Do grupo todo, é frequente o biólogo ser quem melhor consegue comunicar com os outros elementos do grupo. Cada um só olha para o seu campo de saber.

O biólogo assegura a inter-conectividade do grupo ao formular questões ao químico, ao estatístico, a que eles têm que responder. Finalmente, o biólogo mexe muito mais nas coisas e aprende a pôr questões e a interrogar a natureza como um investigador. No 1º ano nós pomos logo os miúdos a pôr questões e a participar em discussões. Quando eles vêm bem preparados, reagem de uma forma fascinante e progridem a olhos vistos. Às vezes, o sistema pode ser castrador para eles, especialmente se houver fragilidades emocionais ou temperamentais. E neste caso, à Universidade falta uma certa “surveillance”, um certo acompanhamento dos alunos que nos liceus existe, em maior ou menor grau, mas existe. Por causa de não haver na Universidade, às vezes perdem-se alunos que poderiam ter sido brilhantes, mas que desaparecem no primeiro ou segundo semestre e nunca mais se sabe deles.

Todos os anos recebemos fornadas de jovens, alguns perdidos que não sabem bem do que é que gostam quando vêm para aqui, outros que queriam ir para medicina e vêm para aqui como 2ª escolha. Quando eu entrei na Faculdade, éramos cerca de 30 e saíam, no final dos 4 anos, cerca de 18-20 licenciados. O que é facto é que, actualmente entram aqui (FCUL), cerca de 200 alunos. É certo que 25% desaparecem ao fim de 1 ano, o que é grave. Nós não sabemos deles. Desaparecem.”

 

Mas essa informação devia existir. O que lhes aconteceu?

“Bem, a faculdade está agora a tentar fazer esse trabalho, mas é muito difícil, pela falta de meios.

De qualquer forma, quando eles não têm capacidade, nem treino, nem experiência de trabalho, isto custa muito. Aliás, mesmo com essas competências custa, e por isso tem que haver também gosto no que se está a estudar e a aprender. Em simultâneo, pode haver um relatório para apresentar, um artigo para acabar e uma experiência para realizar… isto é muito intenso! No entanto, muitas vezes via-os a dormir – tinham ido para a “night”, para os copos –, eu tentava despertá-los por meios tradicionais, mas nada. Ora isto não é muito compatível com a dedicação e a disciplina que a Biologia requer.

As pessoas deviam ser mais treinadas a trabalhar e a assumir responsabilidades. O trabalho, em vez de ser um peso, deve ser uma ocasião de obter satisfação, e o nosso trabalho, dos Biólogos, é giríssimo!

E eu tentava ensinar-lhes biologia, ecologia, pôr-lhes uns óculos para que eles vissem o mundo com um olhar de biólogo ou de ecólogo e isto foi extremamente compensador para mim, porque às vezes encontrava miúdos excelentes, com quem ia trabalhar para o campo vários dias e eles telefonavam constantemente, o que me confundia muito. Quando eu lhes perguntava quanto é que gastavam em telemóveis por mês, muitos não sabiam, eram os pais que tinham essa preocupação! Miúdos com vinte e três, vinte e quatro anos, não sabiam quanto é que gastavam nos seus telefones: isto é perigoso!

E depois têm a sorte de arranjar um emprego (nós ainda funcionamos muito segundo a cunha ou os nomes das famílias) e depois, entram por aí fora, muito engravatados ao volante de um topo de gama, a comer nos melhores restaurantes, vão subindo na vida, e o sistema aguenta-os..., mas o sistema não os pode aguentar…

Uma empresa tem que analisar constantemente a performance, tem que pôr metas, objectivos, e nós temos essa dificuldade: formamos aqui uns meninos que queremos que aprendam e saibam, então se disserem aquilo que nós dissemos, ou se compreenderam aquele truque que nós ensinámos, nós ficamos todos contentes... Mas, atenção: nós não estamos aqui a fazer papagaios, nem macaquinhos de imitação. Temos que fazer criadores e criativos, pessoas que sejam melhores do que nós!

Eu sou capaz de fazer uma visita guiada ao Jardim Botânico sem dizer uma palavra acerca das plantas ou da biologia, só pela estética, pelo prazer estético de ver um sistema agradável, que é a função dos jardins e parques, o aspecto estético, espiritual … Em resumo, temos que ter a capacidade de transmitir as nossas ideias, transmitir o gosto pela descoberta.

Eu tive estudantes que tinham estado lá fora, no estrangeiro, em faculdades e laboratórios de grande desenvolvimento científico que, ao fim do dia, tinham feito experiências espantosas, mas que não vibravam com elas. Eu entusiasmava-me efectivamente com as experiências deles e eles lidavam com elas com uma frieza que me chocava, às vezes experiências que demoravam 8, 15 dias e no fim eles só diziam: ”Mm… Está bem, sim, era isto que esperava…”. Para mim, uma coisa muito importante é nós envolvermo-nos afectivamente naquilo que fazemos.

Há dias encontrei os pais de uma ex-aluna a quem perguntei se ela praticava a biologia. Muito tristes, disseram-me que não, que estava a trabalhar num banco, mas que gostava muito de peixes e que era uma pena nunca ter conseguido trabalhar na área. Porquê? Empregou-se como estudante no banco (fez muito bem!), quando se licenciou ascendeu no organigrama do banco e aí tem feito a sua carreira. Hoje, está no topo do ranking hierárquico do banco.

Eu dei-lhes os meus parabéns e fiquei, sinceramente, satisfeito por ver que os biólogos podem ser empresários e financeiros de sucesso, que estão a começar uma nova classe, não tão uniforme como antigamente, mas estão a afirmar-se.

A nova biologia, os novos biólogos, não se enquadram num tipo único, e nós não podemos desperdiçar a mínima oportunidade para que esta estrutura, que não é propriamente um sindicato e que tem uma aceitação a nível jurídico para encartar o biólogo, tenha cada vez mais força. A Ordem é boa para os biólogos, não para nos virarmos contra os agrónomos ou contra os engenheiros que agora também fazem estudos de impacto ambiental, mas há campos de actividade onde nós estamos a aparecer, como o da gestão, do risco (onde os biólogos estão muito bem preparados e activos) e temos que antever, antecipar o que vem aí.

 

Para além da Biologia, o que é que o move?

“Move-me a cidadania.”

 

Activa?

Sim! Bem, actualmente, a nível político, só com os votos e pouco mais. Mas, ao nível da rua, do bairro, ao nível local, eu estou sempre disposto e estou atento. Sou muito conhecido e interactivo no meu bairro, no café, dou-me muito bem com as pessoas, e tento contrariar um bocadinho este anonimato a que a vivência urbana condena as pessoas hoje em dia, e que se torna impossível, opressivo. As cidades, como nós as conhecemos, vão rebentar, não se aguentam, porque geram estes imensos movimentos que levam as pessoas a juntarem-se em grupinhos fechados que nem olham para o lado.

Uma vez, em Bombaim, onde fui com a minha mulher em ‘84, estávamos num hotel excelente que disponibilizava uma carrinha para levar os clientes ao mercado, ao centro da cidade, e aquilo era uma coisa impressionante, uma miséria extrema, com gente a morrer fisicamente ali, na rua, à nossa vista! Eu estava extremamente incomodado e queria ir-me embora dali o mais depressa possível. Voltei para a carrinha, onde estava um grupo de espanhóis, contentíssimos porque tinham uma loja de roupas em Espanha e estavam encantados com as coisas que tinham comprado, baratíssimas, giríssimas, para levar para a boutique. Eufóricos! Eu perguntei-lhes: “Mas já viram esta miséria, isto não vos faz impressão?”. Um deles, aí, ficou mais sério e segredou-me: “A gente não olha, porque senão não goza.”

E no nosso país isto acontece, a gente fecha-se no nosso grupinho e não olha, porque senão não goza. E a cidadania também é olhar e fazer os outros olhar! Além de que não podemos deixar a política só para os políticos, porque é uma coisa séria demais. O cidadão tem que estar sempre a pau, tem que intervir e castigar. E o povo vai dando umas dicas. Isto não vai ser assim como se pensa.

É verdade que é um bocado repetitivo, já não há comícios, mas, de vez em quando, acontece algo de novo. Por exemplo, já viram aquela publicidade dos bigodes, do presidente honesto? É uma coisa interessantíssima, uma forma de mostrar que há pessoas atentas e despertas.

Nos graffitis também se vêem coisas giríssimas e muito incisivas.

Outra coisa que me ocupa, para lá da cidadania, é estar atento ao que se está a passar à escala das paisagens do país, das montanhas, das pradarias, o Alentejo, porque um pouco da nossa identidade, da pátria, como diz o Alegre, vem daí, e nós temos vindo a desintegrar, a “comer” a nossa paisagem. Eu sou muito ligado ao nosso património cultural real, aos saberes e ofícios ancestrais.” “... sou muito ligado.

 

O que gostaria de dizer a um rapaz de 18 anos que queira entrar para a Faculdade de Ciências para tirar uma licenciatura em Biologia?

“Primeiro: “awareness”. É uma palavra inglesa que quer dizer: estar a pau. Des-de o momento em que a pessoa entra, tem que perceber o que se está a passar à sua volta. Não pode vir como uma esponja que absorve tudo. Ele tem que vir de pé atrás e desperto para fazer as suas próprias escolhas e opções. Não tem mal nenhum se mudar de curso ou de especialização. Ele deve vir preparado para escolher aquilo que for vendo que é melhor para ele.

A sua história deve ser escrita por ele, e só por ele, num papel branco, e não vir com ela já escrita, porque aí vai ter muitas decepções. Ele tem que ler os curricula como um cardápio de um restaurante, em que ele escolhe e organiza, ao seu ritmo, a sua própria alimentação intelectual. As pessoas devem investir mais naquilo que acham que lhes dará mais prazer ou que lhes será mais importante.

Agora, com Bolonha, há uma coisa espantosa que é a possibilidade de sair daqui e ir para um Erasmus em Barcelona, ou para o Porto, ou para Aveiro, Inglaterra, França, República Checa. Com a Internet, podemos integrar e colaborar com projectos de investigação à escala europeia ou mundial. Eu posso estudar aqui os passarinhos e enviar para França o meu trabalho, em minutos. Claro que isto também requer envolvimento! Além disso, voltando à questão da cidadania, as pessoas que estão na Universidade são responsáveis, perante o resto do país.

É verdade que temos bons técnicos, cada vez melhores, mas que só percebem do que estudaram, não têm uma perspectiva global ou pessoal da realidade. Os gestores, muitas vezes, só vêem números quando olham para as pessoas, não percebem a complexidade que caracteriza qualquer vida humana: só interessa que a pessoa devia estar naquela reunião muito importante e faltou. Portanto, estar na universidade é uma responsabilidade social, mas também económica, porque custa muito ao Estado manter as Universidades. Quanto à questão do emprego, eu digo muitas vezes à malta nova: “Olha, não te preocupes se há emprego. Preocupa-te com o trabalho. Trabalho há. O emprego vem depois”. Nós fomos sempre um país de mangas-de-alpaca, conservador e clientelista. Tivemos uma ou outra excepção, no tempo das caravelas, e pouco mais. Fizemos a evolução das ideias políticas e somos dinâmicos em criatividade e nas artes. Aqui não precisamos de ter vergonha de dar meças a qualquer povo do mundo. Em termos de desenvolvimento sócio-económico, a verdade é que estamos no fim do mundo e isso também é um desafio para quem entra na universidade. Agora, quem vem para Biologia, não pense que vai ficar rico. A actividade científica é suficientemente rica para dar satisfação às pessoas e contribuir para a realização pessoal, a par de uma vida familiar, social e cultural equilibrada. É uma actividade de tal forma compensadora que muitos cientistas são ou se tornam pessoas materialmente desprendidas e despretensiosas.

Eu gosto muito de viajar, de conhecer outras gentes, outras culturas, e a ciência permite isto. E com uma grande liberdade! Se nós formos bons, se investirmos, vamos sempre avançando com grande satisfação. Por fim, temos que pensar que pertencemos a um exército, a nível mundial (algo desorganizado) mas nós somos peões e soldados desse exército que faz, continuamente, avançar o conhecimento. E como peões, sabemos que demos o nosso contributo para o conhecimento actual ou futuro.”

 

Em jeito de balanço…

“A maior satisfação que tive devo-a à maior parte dos alunos que eu tive a sorte de ter nos últimos 10 anos. Essas pessoas deram-me o enorme prazer de ficarem associadas à minha pessoa enquanto formador ou orientador, muitos deles foram muito além de onde eu tinhaconseguido ir.

Eu não acredito em heranças, mas a responsabilidade ficou entregue com eles, e estão a trabalhar muito bem, muito melhor do que eu e isso dá-me muito prazer. É verdade que muitos professores e chefes nas empresas não têm esta capacidade de se afastar e dar lugar aos novos e bons. Quando às vezes encontro exalunos que me dizem: “Professor, eu fui seu aluno e o professor marcou-me muito”, eu respondo que não marquei nada, até foi uma sorte não os ter estragado ou desencaminhado. Eles fizeram o seu percurso, alguns brilhantes, que escrevem na “Nature” como quem escreve no Diário de Notícias. O último conselho para um jovem aluno é: ser humilde. Antigamente perguntava-se a um miúdo o que é que ele queria ser quando fosse grande e muitos diziam: “cientista”.

Hoje, já poucos o dizem, porque o consumismo e o ter dinheiro, e o status que dá ter dinheiro, nem que seja a vender drogas, isso é mais importante do que a satisfação pessoal. E nós, cientistas, não fomos capazes de passar para a sociedade a ideia de que isto é uma coisa penosa, lenta, falível e que se vai fazendo aos poucos, com pertinácia, organização e método.”

 

E é gratificante?

“É gratificante! Eu acho que não há nenhuma actividade, seja na arte, na indústria, na informática, tão gratificante como a científica. É verdade que temos muito pouca gente na ciência, mas temos a mesma rentabilidade por cientista que a Alemanha, a França ou a Inglaterra. Simplesmente, o investimento total em investigação e o número de cientistas é brutalmente inferior. É verdade que partimos com uma “décalage” significativa, mas nos últimos anos começaram a aparecer publicações e projectos que deram um bom impulso a isto. Os intercâmbios com outras universidades estrangeiras também ajudam a que um cientista se sinta um pouco um cidadão do mundo, supranacional, o que também é compensador.

Bem, já chega, vamos ver o jardim?”

Fernando Catarino

Entrevista conduzida por Nuno Campos e publicada no site da Ordem dos Biólogos, em http://www.ordembiologos.pt/

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 00:05
link do post | favorito
|

Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
Fernando Mangas Catarino: um biólogo oureense (I)

O professor Dr. Fernando Catarino é natural de Ourém e foi professor de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A revista “Visão”, na sua edição especial “Visão Verde” do dia 25 de Outubro de 2007 publicou o artigo que a seguir se transcreve.

Fernando Catarino

Uma voz consensual

No mundo de Fernando Catarino, todos têm lugar na primeira fila

Não há alma que tenha passado pelo curso de Biologia da Faculdade de Ciências de Lisboa e não recorde o "professor Catarino ". De passos rápidos pela serra da Arrábida, o biólogo, jubilado em 2002, aos 70 anos, mostrava plantas, animais e o que mais houvesse, em memoráveis saídas de campo. "É importante sair da escola, da universidade, pôr os conhecimentos em prática. Foi assim que passei o bichinho da ecologia a muita gente", diz.

Natural de Ourém, os fenómenos naturais nunca foram segredo para Fernando Catarino. "Tive sempre essa vantagem relativamente aos meus colegas de curso. Mas é preciso ir ao fundo das questões, não se fi car pelo deslumbramento." Até meados do século XX, a Biologia consistia apenas em descrever, conhecer.

A partir daí, os biólogos começaram a preocupar-se também com a Fisiologia e o estudo das funções vitais dos seres vivos. "Tive a sorte de poder fazer parte da transição." Ainda hoje faz por atender os pedidos de associações, universidades, empresas, comandando saídas de campo.

Porque, acredita, o conhecimento é a chave para a preservação. "Se não cuidarmos da natureza, ela não se aguenta e a graça do mundo vem, sobretudo, da biodiversidade." Palavra de sábio.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 21:14
link do post | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


posts recentes

PAN PRETENDE AVANÇAR NAS ...

A PESCA DA SARDINHA NA CO...

OURÉM PRETENDE PRESERVAR ...

VINHO REGIONAL LISBOA HUM...

AGRICULTURA BIOLÓGICA AUM...

QUINTA DO MONTALTO PARTIC...

QUINTA DO MONTALTO PARTIC...

ALUNA DE OURÉM REPRESENTA...

Decorre na Biblioteca Mun...

QUINTA DO MONTALTO VENDE ...

Fernando Mangas Catarino:...

Fernando Mangas Catarino:...

Fernando Mangas Catarino:...

Fernando Mangas Catarino:...

arquivos

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

tags

todas as tags

links
Twitter
blogs SAPO
subscrever feeds