Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Sábado, 28 de Maio de 2016
HÁ 90 ANOS, TEVE INÍCIO EM BRAGA A REVOLUÇÃO NACIONAL QUE DERRUBOU A PRIMEIRA REPÚBLICA E ABRIU CAMINHO À INSTAURAÇÃO DO ESTADO NOVO

Passam precisamente 90 anos sobre a data em que um levantamento militar, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caraterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910 e que apostavam agora na regeneração do próprio regime. Pese embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as atuais circunstâncias não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.

“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.

Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.

A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).

A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.

A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.

A 28 de Maio, uma Sexta-feira é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.

Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.

No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas desde o Porto pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.

Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.

No Domingo, 30 de Maio o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.

O governo em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.

Na Segunda-feira dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.

Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.

O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.

No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.

No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.

A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.

O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.

No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”

Fonte: http://www.areamilitar.net

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publicado por Carlos Gomes às 00:44
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Domingo, 28 de Fevereiro de 2016
BRAGA OFERECE FARRICOCO AO PRESIDENTE DO MUNICÍPIO DE OURÉM

Presidente do Município de Ourém visita espaço de Braga no workshop internacional que se realizou em Fátima

Paulo Fonseca, presidente da Câmara Municipal de Ourém, foi presenteado com um farricoco de Braga, mostrando-se empenhado em continuar o estreitar de relações para contribuir para o reforço da notoriedade e atractividade dos dois Concelhos, nomeadamente no âmbito do turismo religioso, mostrando-se também aberto a outras parcerias para o desenvolvimento de Ourém e de Braga.

António Barroso e Paulo Fonseca

No espaço promocional de Braga estava em destaque a Semana Santa, o São João, a Sé Catedral, a mais antiga de Portugal, os Caminhos de Santiago, a cruz da primeira missa realizada no Brasil que se encontra no tesouro-museu da Sé, o Bom Jesus, o Mosteiro de Tibães e o segundo maior santuário mariano nacional depois de Fátima, o do Sameiro.

A Câmara Municipal de Braga marcou presença no IV Workshop Internacional de Turismo Religioso, que se realizou em Fátima. A presença deveu-se a um convite endereçado pela Câmara Municipal de Ourém e a ACISO (Associação Empresarial de Ourém-Fátima).

O workshop teve como principais objectivos a promoção de uma bolsa de contactos de negócio entre os participantes, a divulgação internacional de Portugal enquanto destino privilegiado de Turismo Religioso, a potenciação da importância do Turismo Religioso no contexto do sector turístico mundial e a reflexão sobre as novas tendências para melhor atrair turistas.

Este evento contou com mais de 500 participantes, com destaque para os operadores turísticos provenientes de mercados como: Brasil, Espanha, França, Irlanda, Itália, Polónia, Alemanha, Coreia do Sul, Indonésia, Israel, Filipinas, Colômbia, Canadá, Estados Unidos da América, Uruguai, Bolívia, Vietname, Argentina, Bélgica, Senegal, República Checa, India e Hungria, entre outros.

António Barroso, em representação do Município Bracarense, afirmou que ´existe um potencial enorme nos roteiros internacionais do turismo religioso onde Braga tem que reforçar a sua notoriedade´. “Esta nossa acção deve-se a um trabalho que temos vindo a executar com responsáveis de Fátima para que Braga e Fátima se afirmem como destinos complementares. Aqui há um papel preponderante que cabe também aos nossos agentes privados e à Arquidiocese para articularmos a nossa oferta para conseguirmos através deste género de turismo combatermos a sazonalidade e incrementarmos cada vez mais a nossa relevância nos circuitos turísticos internacionais”, disse..

Segundo António Barroso, apesar de, relativamente ao ano transacto, já serem evidentes novas operações turísticas em Braga, ainda existe muito mercado turístico a conquistar, nomeadamente no circuito do turismo religioso. “O facto de estarmos estrategicamente no meio do percurso entre Fátima e Santiago de Compostela, e vice-versa, tem que ser constantemente promovido e divulgado para que se consiga atrair e cativar todo o fluxo turístico e de peregrinação que estes dois grandes centros religiosos têm”, afirmou.

Com todos os atractivos culturais, patrimoniais e cultuais, Braga é um destino ímpar. “Temos o património e a história que Fátima, sendo um local de peregrinação com apenas 99 anos, não oferece. Estamos assim empenhados em trabalhar conjuntamente para aumentarmos a permanência de turistas nos nossos territórios.”

Operadores estrangeiros visitam Braga

Durante este fim-de-semana e na Segunda-feira, operadores estrangeiros inscritos no IV Workshop Internacional de Turismo Religioso fazem uma visita a Braga, onde terão oportunidade de ver e sentir in loco as riquezas turísticas, a localização e acessibilidades, o atraente comércio e o acolhimento que os Bracarenses proporcionam.

Para António Barroso, estas acções inserem-se na estratégia do Município de estimular e desenvolver a economia do Concelho através do turismo. “A nossa afirmação internacional e o estabelecimento de parcerias com parceiros estratégicos são fundamentais para fortalecer a nossa atractividade a todos os níveis”, salientou.

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publicado por Carlos Gomes às 18:07
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Sábado, 21 de Junho de 2014
A “VACA DE FOGO” E O SOLSTÍCIO DE VERÃO

A Vaca de Fogo constitui uma das mais ancestrais tradições populares da região de Entre-o-Douro-e-Minho, intimamente ligada aos cultos solares praticados nomeadamente por ocasião do solstício de verão. Trata-se de uma manifestação de natureza pagã que, com o decorrer do tempo, foi sendo associada a festas da liturgia Cristã tais como as que se realizam em honra de São Sebastião, vulgo sebásticas. Em Cunha, no concelho de Braga, a Vaca de Fogo aparece associada à festa em honra de Nossa Senhora do Carmo que se realiza no segundo domingo de agosto.

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Popularizada pelo grupo musical “Madredeus”, a tradição da Vaca de Fogo apresenta surpreendentes semelhanças com a corrida da “Vaca das Cordas” que se realiza em Ponte de Lima, as corridas à corda dos Açores e as largadas de toiros e que se realizam num pouco por todo o país.

A Vaca de Fogo consiste numa espécie de corrida à volta da capela na qual, um rapaz transporta às suas costas uma armação pirotécnica em forma de vaca, afugentando o rapazio à sua volta que se diverte enxotando o animal.

Através do ritual do fogo, o homem celebra o renascimento da vida e do seu elemento purificador, precisamente quando ocorre o solstício de verão ou seja, o momento em que o sol atinge o seu ponto mais alto no Hemisfério Norte, constituindo o dia mais longo do ano. Por seu turno, a vaca constitui um dos animais que se encontra simbolicamente associado aos ritos de fertilidade.

Com a conversão dos povos da Península Ibérica ao Cristianismo, estes ritos foram sendo incorporados nomeadamente nas festas são-joaninas – ou juninas – com as suas fogueiras, muito populares nomeadamente em Braga e no Porto. Em Espanha, a tradição da Vaca de Fogo toma a designação de “Toro de Fuego”, constituindo um número imprescindível nas festas populares que se realizam na região de Valencia.

Os ritos pagãos celebram a ação criadora dos deuses, encarando a vida e a morte num ciclo ininterrupto de perpétuo renascimento, inscrevendo o solstício apenas como um local de passagem através do qual e por meio da ação purificadora do fogo, a vida renasce – é a ressurreição pagã!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Vídeo: Filipe Vilaça

Vaca de Fogo - Festa de Nossa Senhora do Carmo (2013) – Cunha. Braga

Foto: http://www.panoramio.com/



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Terça-feira, 13 de Maio de 2014
HÁ 88 ANOS, TROPAS SUBLEVADAS EM BRAGA ACAMPARAM ÀS PORTAS DE LISBOA

A imagem mostra as forças militares lideradas pelo General Gomes da Costa, sublevadas em Braga em 28 de maio de 1926, acampadas junto ao rio Trancão, em Sacavém, antes do seu avanço sobre Lisboa.

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Este golpe militar, também designado por “Revolução Nacional”, instaurou uma ditadura militar que acabou por colocar termo á Primeira República e abrir caminho à construção do Estado Novo que haveria de perdurar até ao 25 de abril de 1974. Na sua origem encontrava-se a profunda crise económica e financeira em que o país se encontrava, a desordem social, a corrupção e a permanente instabilidade política causada pelas disputas partidárias.

Qualquer semelhança com a atualidade é mera coincidência!

A foto pertence à Fundação Mário Soares.



publicado por Carlos Gomes às 09:00
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014
A “VACA DE FOGO” E O SOLSTÍCIO DE VERÃO

A Vaca de Fogo constitui uma das mais ancestrais tradições populares da região de Entre-o-Douro-e-Minho, intimamente ligada aos cultos solares praticados nomeadamente por ocasião do solstício de verão. Trata-se de uma manifestação de natureza pagã que, com o decorrer do tempo, foi sendo associada a festas da liturgia Cristã tais como as que se realizam em honra de São Sebastião, vulgo sebásticas. Em Cunha, no concelho de Braga, a Vaca de Fogo aparece associada à festa em honra de Nossa Senhora do Carmo que se realiza no segundo domingo de agosto.

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Popularizada pelo grupo musical “Madredeus”, a tradição da Vaca de Fogo apresenta surpreendentes semelhanças com a corrida da “Vaca das Cordas” que se realiza em Ponte de Lima, as corridas à corda dos Açores e as largadas de toiros e que se realizam num pouco por todo o país.

A Vaca de Fogo consiste numa espécie de corrida à volta da capela na qual, um rapaz transporta às suas costas uma armação pirotécnica em forma de vaca, afugentando o rapazio à sua volta que se diverte enxotando o animal.

Através do ritual do fogo, o homem celebra o renascimento da vida e do seu elemento purificador, precisamente quando ocorre o solstício de verão ou seja, o momento em que o sol atinge o seu ponto mais alto no Hemisfério Norte, constituindo o dia mais longo do ano. Por seu turno, a vaca constitui um dos animais que se encontra simbolicamente associado aos ritos de fertilidade.

Com a conversão dos povos da Península Ibérica ao Cristianismo, estes ritos foram sendo incorporados nomeadamente nas festas são-joaninas – ou juninas – com as suas fogueiras, muito populares nomeadamente em Braga e no Porto. Em Espanha, a tradição da Vaca de Fogo toma a designação de “Toro de Fuego”, constituindo um número imprescindível nas festas populares que se realizam na região de Valencia.

Os ritos pagãos celebram a ação criadora dos deuses, encarando a vida e a morte num ciclo ininterrupto de perpétuo renascimento, inscrevendo o solstício apenas como um local de passagem através do qual e por meio da ação purificadora do fogo, a vida renasce – é a ressurreição pagã!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Vídeo: Filipe Vilaça

Vaca de Fogo - Festa de Nossa Senhora do Carmo (2013) – Cunha. Braga

Foto: http://www.panoramio.com/



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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013
CORPO NACIONAL DE ESCUTAS FOI CRIADO EM BRAGA HÁ NOVENTA ANOS

Passam hoje precisamente 90 anos sobre a data da constituição em Portugal de Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português (CNE). Foram seus fundadores o então Arcebispo Primaz de Braga, D. Manuel Vieira de Matos e o Dr. Avelino Gonçalves, depois de no ano anterior terem assistido em Roma ao desfile de vinte mil escuteiros no âmbito do Congresso Eucarístico Internacional que ali se realizou.

As principais celebrações da comemoração da efeméride têm lugar na cidade de Braga, tendo-se iniciado com a realização, no passado dia 25 de maio, do Conselho Nacional Plenário no Seminário de Nossa Senhora da Conceição e ainda, no Campo Escola de Fraião, de um Fogo de Conselho que contou com a presença de todos os conselheiros. Ontem foi celebrada missa de ação de graças, presidida pelo Arcebispo de Braga, na Sé, seguida de romagem ao túmulo de D. Manuel Vieira de Matos.

Hoje, em Lisboa, terá lugar na Sede Nacional do Corpo Nacional de Escutas o lançamento do livro “O Sonho Comandou a Vida” que relata a história do escutismo português, cerimónia que contará com a presença do Cardeal D. José Policarpo, Patriarca Emérito de Lisboa, do autor Vasco Reis e do Chefe Nacional do CNE, Carlos Alberto Pereira.

Numa mensagem dirigida ao CNE e difundida através do site oficial na internet da Arquidiocese de Braga, D. Jorge Ortiga pede “fidelidade” aos objetivos originais do movimento lembrando que “urge ir sempre às raízes: aí encontramos o caminho para o presente com garantias de continuidade no futuro”.

O escutismo foi criado em 1907 por Lor Robert Baden-Powell como um movimento educacional, voluntário, à escala mundial e sem fins lucrativos, preconizando o desenvolvimento da juventude através de um mode de vida saudável em contato com atividades ao ar livre, em trabalho de equipa, um sistema de valores que privilegia a honra, fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e a disciplina.

Com sede em Genebra, na Suíça, calcula-se que existam atualmente cerca de 30 milhões de escuteiros espalhados por todo o mundo. Em Portugal, o CNE é a maior organização juvenil, contando com cerca de 65 mil escuteiros, encontrando-se o Distrito de Braga como o mais representado com mais de 15 mil escuteiros recenseados.

Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/

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publicado por Carlos Gomes às 14:02
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ARCEBISPO DE BRAGA, D. JORGE ORTIGA, APELA À “FIDELIDADE AO MOVIMENTO” NAS COMEMORAÇÕES DOS 90 ANOS DO CORPO NACIONAL DE ESCUTAS (CNE)

D_ Jorge Ortiga

Fidelidade ao Movimento

O pensamento hodierno está dominado por uma certa tendência de relativismo, numa vontade de se adaptar ao mais conveniente ou ao que poderá proporcionar maior satisfação pessoal. Daí que algumas palavras estejam a ser “retiradas” dos comportamentos quotidianos das pessoas e das instituições.

Situo neste contexto a “fidelidade” por aquilo que ela significa e, particularmente, por aquilo que ela supõe e exige. Só que, importa reconhecê-lo, não é a sua maior ou menor aceitação que permite o aquilatar da sua importância para a sociedade e para a Igreja. Talvez o prestar-lhe pouca atenção explique a situação de muitos setores da vida humana.

Daí que, ao celebrar os 90 anos do C.N.E., me atreva a solicitar um acolhimento efetivo duma fidelidade ao Movimento, para que ele seja aquilo que motivou a sua fundação. Urge ir sempre às raízes: aí encontramos o caminho para o presente com garantias de continuidade no futuro.

Reconheço ser necessário um conhecimento do contexto social e eclesial que possa justificar um enquadramento marcado pela inovação pedagógica. Fundamental é que, na linha do Fundador, a dimensão religiosa não seja esquecida, de modo a que o “Escuta se orgulhe da sua fé”, conscientes de que, no C.N.E., é a fé católica como a Igreja a propõe.

A coincidência deste aniversário com a celebração do Ano da Fé não pode ser desconsiderada. Para mim, indica um sentido a percorrer, aceitando como inquestionável o serviço à Fé que poderá dar um sentido à juventude e fazer com que esta cresça na liberdade de se sentir Igreja Católica, com as implicações teóricas e práticas que isto possa trazer. A hora atual não se pode contentar com as ambiguidades. Deve aceitar a autenticidade e não percorrer caminhos que desvirtuem um itinerário percorrido por milhares de escuteiros.

É neste sentido que, neste aniversário, louvo a Deus por quantos se disponibilizam por servir a juventude em nome e como Igreja. Peço, ao mesmo tempo, que ousemos não fugir da rota ainda que possa ser exigente.

Fazendo isto, estaremos a homenagear D. Manuel Vieira de Matos e a dizer-lhe que a sua obra está a produzir os frutos da semente que ele colocou em Portugal. Esta é a verdadeira homenagem!

Cantemos hinos de ação de graças pelo trabalho incansável de tantos que nos antecederam. Saibamos ser dignos continuadores. Estejamos “alerta” de modo que nos “orgulhemos” de ser, verdadeiramente, Corpo Nacional de Escutas. Como sucessor de D. Manuel Vieira de Matos, presto a minha homenagem a esta peleia de homens-novos marcados pelo ideal Escutista. A todos um bem-baja e que o entusiasmo nunca esmoreça!

Uma canhota escutista,

† Jorge Ortiga, A.P



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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013
MONÁRQUICOS REALIZAM EM BRAGA JANTAR DE REIS

Recebemos da Real Associação do Médio Tejo o ofício que a seguir se publica:

Venho convidá-los para o Jantar de Reis que se realizará no dia 19 de Janeiro de 2013, sábado, no Sameiro Eventos, em Braga.

Iniciativa já com tradição na cidade de Braga assenta numa vontade transversal a associações monárquicas e individualidades com relevância política e social na região.

Uma oportunidade para promover a cultura e património da nossa terra, nomeadamente a gastronomia, o vinho e o artesanato e um momento solidário, com a receita do jantar a reverter a favor da Associação Famílias.

As inscrições encontram-se limitadas à capacidade da sala pelo que deverão ser efectuadas com a maior brevidade possível, para o e-mail manuel.beninger@gmail.com, sendo bastante a indicação do nome, ou nomes dos participantes e um telefone de contacto, acompanhadas do respectivo comprovativo de depósito ou transferência bancária para o nosso NIB 003503850000167700076, da Caixa Geral de Depósitos, impreterivelmente até ao dia 15 de Janeiro.

Despeço-me, respeitosamente, na expectativa de poder contar com a vossa presença.

Atenciosamente

Manuel Beninger

Pela Comissão Organizadora (969.685.260 / 918.566.110)

Contributo Solidário para o Jantar de Reis:

25 € (vinte e cinco euros) / pessoa

Coordenadas GPS:

Latitude: +41° 32' 31.05"

Longitude: -8° 22' 24.30"



publicado por Carlos Gomes às 20:04
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
EM 1956, MENDES CORREIA, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL, EXALTOU AS QUALIDADES DO NOSSO FOLCLORE

Na sessão de 29 de junho de 1956 da VI Legislatura da Assembleia Nacional, o deputado Mendes Correia falou sobre o Congresso de Etnografia e Folclore que se realizou em Braga naquele ano, exaltando as suas virtualidades e qualidades artísticas. A sessão foi presidida por Albino dos Reis Júnior e secretariada por José Paulo Rodrigues e Alberto Pacheco Jorge.

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António Augusto Esteves Mendes Correia de seu nome completo era natural do Porto. Doutorado em Medicina, exerceu a profissão de Professor Catedrático na Universidade do Porto. Foi Procurador à Câmara Corporativa na I e II Legislaturas e Presidente da Câmara Municipal do Porto entre 1936 e 1942. Porém, o conhecimento dos costumes do Homem sempre exerceu em si uma especial atração. Em 1912, introduz o estudo da Antropologia, em 1919 torna-se Professor ordinário de Geografia e Etnologia da efémera Faculdade de Letras da Universidade do Porto; em 1921 é nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto da qual viria a ser Diretor; em 1923 é Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Universidade do Porto; Diretor da Escola Superior Colonial em 1946 e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa em 1951. Foi por três vezes eleito deputado à Assembleia Nacional pelo círculo do Porto tendo integrado a Comissão de Educação Nacional, Cultura Popular e Interesses Espirituais e Morais.

Transcreve-se a sua intervenção, respeitando-se a grafia da época.

O Sr. Mendes Correia: - Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo naquela província.

Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do cientifico- de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos finais ali adoptados.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do Pais.

Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas tendências e as suas capacidades.

Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas adequadas, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo antigo, por colecionadores a esmo, por simples amadores sem preparação, por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário, maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou quase, de espirito científico. Há ainda quem suponha que etnografia e folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida popular.

Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações. Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história, a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia, etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.

E a todos foi grato verificar que, a par das contribuições mais singelas sobre um ou outro facto local ou regional, surgiram naquela assembleia teses de conjunto ou de carácter genérico e doutrinário, como as de metafísica, do folclore e da ética dos provérbios populares, tratados pelos reverendos Drs. Bacelar e Oliveira e Craveiro da Silva, da Faculdade Pontifícia de Filosofia, de Braga.

Não faltaram outros elementos universitários e académicos, participantes do Brasil, Espanha e México, os temas mais variados. Mas desejo aqui congratular-me, sobretudo, com o apoio e interesse manifestados ao Congresso, não só por corpos administrativos, como as Camarás Municipais de Braga -a autora da iniciativa e sua grande realizadora-, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto, e algumas juntas de província, mas também por organizações como o Secretariado Nacional da Informação e Cultura Popular, a Mocidade Portuguesa, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, etc.

O Governo da Nação, o Governo de Salazar, dispensou ao Congresso o apoio mais expressivo, sendo notáveis os discursos proferidos no mesmo pelos ilustres Ministro das Corporações e Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Verificou-se, assim, este facto altamente consolador: é que de sectores os mais variados da vida nacional, de todos os planos hierárquicos, dos domínios directamente ligados ao assunto como de outros, do Governo ao próprio povo - como o de Braga e como o que participou nos festivais folclóricos então realizados-, houve geral concordância no reconhecimento do vasto e profundo significado da bela iniciativa da Câmara de Braga, e especialmente do seu extraordinário presidente.

Como ó oportuna e confortante tal verificação, precisamente quando nesta Assembleia se está discutindo o Plano de Formação Social e Corporativa, marcando-se o desejo de, abrindo os braços a todos os progressos reais e fecundos, conservar as melhores e mais sãs tradições nacionais!

O Congresso emitiu numerosos votos, como em matéria de ensino, investigação, propaganda, museus, protecção, etc., de assuntos etnográficos e folclóricos. Sublinharei apenas, neste instante, os que dizem respeito às actividades ultramarinas nesse domínio e à recusa ao fado do título, tão correntemente usado, de canção nacional por excelência.

O estudo da etnografia e folclore das populações ultramarinas mereceu ao Congresso uma atenção especial, salientando-se a necessidade dessa matéria nos centros de estudos sociais e políticos e nos novos institutos de investigação científica de Luanda e Lourenço Marques, entre as ciências humanas ou sociais.

Quanto ao fado, proclamou-se o inconveniente nacional e folclórico da sua difusão excessiva, quer pela sua proveniência, quer pelo pessimismo e desanimo que traduz, em contradição com as fontes e as manifestações mais autênticas e construtivas da inspiração popular. O fado lembra as guitarras plangentes de Alcácer, não um brado de vitória ou de fé.

Não pretendo negar a beleza de alguns fados, das toadas mais melancólicas, de versos profundamente tristes. Mas não se chame canção nacional por excelência a uma canção folclòricamente tão discutível e tão distinta, em tudo, das belas, joviais e empolgantes canções de que é felizmente tão rico. O autêntico folclore nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Vi um dia, num festival folclórico, no Porto, centenas de visitantes estrangeiros, como um só homem, perante uma exibição de ranchos de Viana, erguerem-se a aplaudir e a gritar: «Viva Portugal»! Em vez do fado depressivo, como não hão-de ser estimulantes e gratas para nós, Portugueses, essas manifestações da nossa música popular que tom assim o dom de arrebatar os próprios estrangeiros?

Sem recusar a possibilidade de introdução e adopção de factos novos, ou seja do processo chamado de aculturação pelos etnógrafos e sociólogos, o Congresso pronunciou-se pela definição do facto etnográfico e folclórico como caracterizado por serem tradicionais e de origem espontânea e anónima na alma popular.

A aculturação só pode dar-se quando esta alma lhe é favorável, quando nesta encontra eco, aceitação, concordância psicológica. Nos nossos territórios ultramarinos é do maior interesse o estudo da aculturação das populações nativas sob a influência da cultura que tenho chamado luso-cristã.

Por estas singelas considerações creio ter dado uma ideia da importância nacional e científica do Congresso de Braga. Mas o que sobretudo desejei sublinhar, usando da palavra, foi a gratíssima impressão que congressistas nacionais e estrangeiros trouxeram do convívio, da hospitalidade, da afabilidade, da cortesia, do trato, da doçura, do irradiante poder de simpatia, da boa gente de Braga e do Minho, daquele admirável povo em que se conservam e florescem tantas virtudes tradicionais de suavidade de alma, de bondade, de apego ao lar, de dedicação pelo trabalho, de amor pelo seu berço e de fidelidade aos altos valores espirituais que garantem a perenidade da Pátria e da civilização.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Posso depor com firmeza que na multidão que em avalancha jovial festejava o S. João, na noite de 23, em Braga, não vi senão atitudes simpáticas e dignas. Quem dava involuntariamente um encontrão pedia desculpa.

Ausência de palavrões, de qualquer grosseria, de brutalidade. Bom povo, admirável povo, que a dissolução tendenciosa de outros meios ainda não inquinou nem perverteu.

Tenho a certeza de que a acção de organizações como as que citei manterá indemnes a sua alma e as suas tradições sãs contra a vaga cosmopolita ou exótica de materialismo pretensamente científico e humano que ameaça subverter o que há de melhor e mais luminoso no património moral da nossa civilização. Bom povo de Portugal, porque creio em ti e nos valores espirituais que te animam, creio na eternidade da Pátria.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.



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Quarta-feira, 14 de Março de 2012
SANTUÁRIOS DO MINHO DEVIAM DAR-SE A CONHECER JUNTO DOS PEREGRINOS QUE VÃO A FÁTIMA

O BLOGUE DO MINHO publica hoje o artigo em http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/231008.html que a seguir se transcreve, no qual se preconiza formas de divulgação daquela região que incluem a promoção dos santuários minhotos junto dos peregrinos que vão a Fátima.

O Minho deve equacionar a possibilidade de instalar representações condignas em Lisboa, Fátima e noutros locais para se dar a conhecer e encaminhar para a nossa região muitos dos turistas que visitam o nosso país.

Desde o Bom Jesus do Monte em Braga à Senhora da Peneda em Arcos de Valdevez, de S. Bento da Porta Aberta em Terras de Bouro ao S. João d’Arga em Caminha, a nossa região possui muitos dos magníficos santuários que existem em Portugal. Acresce a isso o fato do Minho ser a terra das grandes festas e romarias, de celebrações religiosas plenas de devoção e grandiosidade como as que se realizam por altura da Páscoa.

Todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros afluem ao Minho para assistirem às Gualterianas em Guimarães e às festas da Senhora d’Agonia, em Viana do Castelo. Com efeito, este constitui um dos principais segmentos turismo da nossa região que, não obstante o desenvolvimento de outras áreas como a gastronomia e o turismo rural e de habitação, jamais pode ser descurado. Antes pelo contrário, o turismo religioso deve ser inserido no contexto de uma oferta diversificada que uma região como o Minho tem condições para proporcionar.

Sendo Lisboa a principal porta de entrada no país da maior parte do turismo estrangeiro e constituindo o Santuário de Fátima um dos principais pontos turísticos do país para onde se dirige a esmagadora maioria dos peregrinos, deve ser equacionada a possibilidade de nesses locais serem instaladas representações condignas que possam informar e encaminhar para a nossa região muitos daqueles que nos visitam. Provavelmente, muitos peregrinos teriam o maior interesse em visitar alguns dos santuários existentes na nossa região se para tal fossem convenientemente orientados. O mesmo se passa em relação aos cidadãos estrangeiros que chegam a Lisboa com um destino limitado aos pontos turísticos mais divulgados.

Pese embora as sub-regiões que por vezes se pretendem artificialmente estabelecer à semelhança da tradicional divisão da propriedade rústica, o Minho possui uma identidade própria que deve ser mantida e divulgada de uma forma integrada, não apenas como forma de rentabilizar os recursos disponíveis mas sobretudo pela sua eficácia. O Minho necessita de se dar a conhecer fora de portas e isso passa também pelo estabelecimento de representações que, de uma forma profissional, promovam a nossa região nas mais variadas vertentes. A constituição de tais representações só será possível com a conjugação de esforços das mais diversas entidades, desde as autarquias e as empresas às regiões de turismo e organismos culturais e religiosos.

Carlos Gomes

http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/231008.html

Bom-Jesus

A imagem mostra o Santuário de Bom Jesus do Monte, em Braga.



publicado por Carlos Gomes às 12:39
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
PADRE JOSÉ FRAZÃO CORREIA APRESENTA EM FÁTIMA A CONFERÊNCIA “FÉ, O DOM FRÁGIL”

O sacerdote jesuíta José Frazão Correia, da Universidade Católica Portuguesa, de Braga, apresenta no próximo dia 8 de Janeiro, em Fátima, a conferência “Fé, o dom frágil”.A iniciativa tem lugar na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, a partir das 16 horas, a que se seguirá um momento de actuação musical pela Associação Coral Calçada Romana, Alqueidão da Serra, de Porto de Mós.



publicado por Carlos Gomes às 11:24
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Domingo, 11 de Dezembro de 2011
PORQUE É O FOLCLORE TÃO MALTRATADO ?

CONGRESSO DE ETNOGRAFIA E FOLCLORE DE BRAGA, EM 1956, FOI ANALISADO PELOS DEPUTADOS DA ASSEMBLEIA NACIONAL

É frequente, nos dias que correm, o termo folclore ser empregue depreciativamente por parte de quem mais responsabilidade possui na defesa do nosso património cultural. Mas nem sempre foi assim…

Em 1956, o conceituado antropólogo António Augusto Esteves Mendes Correia, docente da Faculdade de Ciências do Porto e deputado à Assembleia Nacional, na sessão de 29 de Junho daquele ano, sob a presidência de Albino dos Reis Júnior, pronunciou um brilhante discurso acerca do Congresso de Etnografia e Folclore realizado em Braga, o qual foi feito na sequência da intervenção feita na sessão do dia anterior, pelo deputado Alberto Cruz, a respeito do mesmo tema.

As intervenções então proferidas ajudam-nos a compreender o enquadramento do folclore na política cultural do Estado Novo. Pelo seu interesse, nomeadamente do posto de vista histórico, transcrevemos seguidamente as duas intervenções então realizadas, começando pela do deputado Alberto Cruz, na Sessão nº. 159, da VI Legislatura da Assembleia Nacional realizada no dia 28 de Junho.

 

“Sr. Presidente: acaba de realizar-se na minha terra, na capital desse alegre Minho, e em época de festas e romarias, mais um congresso, que chamou a Braga um seleccionado e numeroso grupo de cultores do folclore e da etnografia e onde também se exibiram ranchos folclóricos da França, Espanha e Portugal continental e insular.

Esse congresso, presidido pelo nosso colega nesta Câmara Sr. Prof. Mendes Correia, teve a honrá-lo a presença de dois membros do Governo, quo presidiram às sessões de abertura e encerramento, o Sr. Ministro das Corporações e Previdência Social e o Subsecretário de Estado da Educação Nacional, que tiveram ensejo de proferir notáveis e muito apreciadas orações.

Foram apresentadas e discutidas teses do mais alto valor e foram emitidos votos, que serão apreciados por quem de direito e pura os quais me permito chamar a esclarecida atenção das entidades competentes.

Sr. Presidente: ouvi tecer hinos de louvor às belezas incomparáveis das terras minhotas, mas muito especialmente à estância paradisíaca do Bom Jesus do Monte, enquadrada nos pequenos campos de cultura que a rodeiam, semelhantes a canteiros de floridos jardins, amorosamente tratados e onde, a cantar e a rezar, aquele bom povo semeia, planta e colhe o pão e o vinho necessários à sua sustentação.

Ouvi ainda louvores também à hospitalidade dos seus habitantes e fiquei com a certeza de que todos os congressistas farão nas suas terras a propaganda do que os seus olhos viram, e que deve traduzir-se em desenvolvimento crescente da quase única indústria que nos resta - o turismo. Mas, para isso, é indispensável que o Governo, pelo seu departamento de propaganda e turismo, auxilie aquela terra, pletórica de encantos naturais, mas pobre de recursos materiais, a apetrechar-se de tudo que é necessário para atrair e fixar aqueles que futuramente podem vir a ser factores da sua riqueza e que pelo Mundo andam à procura de repouso para o espírito e deslumbramento para os olhos!

A natureza prodigalizou-nos belezas sem par, mas temos de dar u quem nos visita o conforto que quase por completo nos falta. A estância do Bom Jesus do Monte necessita de hotéis condignos, e, a exemplo do que se tem dado, e muito bem, a outras terras, eu peço também, e com a maior urgência, o estudo, seguido da realização, de tudo o que possa contribuir para o desenvolvimento do turismo, indústria de que Braga pode, por mercê de Deus, que lhe deu excepcionais condições, tirar os maiores proveitos.

Atrevo-me a continuar a pedir ao Governo, pelos departamentos competentes, auxilio para as suas indústrias, e, se puder ser, no próximo plano de fomento industrial, a criação doutras novas também, para dar ocupação a tantos braços que dia a dia vão surgindo para a labuta da vida e ao mesmo tempo contribuir para o engrandecimento desta Pátria, a que tanto queremos e pela qual tudo sacrificaremos.”

Dr. António Mendes Correia

Na Sessão nº. 160, da VI Legislatura da Assembleia Nacional realizada no dia 29 de Junho, o deputado António Mendes Correia toma a palavra e fala sobre o Congresso de Etnografia e Folclore de Braga, nos seguintes termos:

“Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo naquela província.

Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do científico - de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos finais ali adoptados.

Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do Pais.

Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas tendências e as suas capacidades.

Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas adequados, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo antigo, por coleccionadores

a esmo, por simples amadores sem preparação, por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário, maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou quase, de espírito cientifico. Há ainda quem suponha que etnografia e folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida popular.

Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações. Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história, a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia, etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.

E a todos foi grato verificar que, a par das contribuições mais singelas sobre um ou outro facto local ou regional, surgiram naquela assembleia teses de conjunto ou de carácter genérico e doutrinário, como as de metafísica, do folclore e da ética dos provérbios populares, tratados pelos reverendos Drs. Bacelar e Oliveira e Craveiro da Silva, da Faculdade Pontifícia de Filosofia, de Braga.

Não faltaram outros elementos universitários e académicos, participantes do Brasil, Espanha e México, os temas mais variados. Mas desejo aqui congratular-me, sobretudo, com o apoio e interesse manifestados ao Congresso, não só por corpos administrativos, como as Câmaras Municipais de Braga -a autora da iniciativa e sua grande realizadora, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto, e algumas juntas de província, mas também por organizações como o Secretariado Nacional da Informação e Cultura Popular, a Mocidade Portuguesa, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, etc.

O Governo da Nação, o Governo de Salazar, dispensou ao Congresso o apoio mais expressivo, sendo notáveis os discursos proferidos no mesmo pelos ilustres Ministro das Corporações e Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Verificou-se, assim, este facto altamente consolador: é que de sectores os mais variados da vida nacional, de todos os planos hierárquicos, dos domínios directamente ligados ao assunto como de outros, do Governo ao próprio povo - como o de Braga e como o que participou nos festivais folclóricos então realizados, houve geral concordância no reconhecimento do vasto e profundo significado da bela iniciativa da Câmara de Braga, e especialmente do seu extraordinário presidente.

Como ó oportuna e confortante tal verificação, precisamente quando nesta Assembleia se está discutindo o Plano de Formação Social e Corporativa, marcando-se o desejo de, abrindo os braços a todos os progressos reais e fecundos, conservar as melhores e mais sãs tradições nacionais!

O Congresso emitiu numerosos votos, como em matéria de ensino, investigação, propaganda, museus, protecção, etc., de assuntos etnográficos e folclóricos. Sublinharei apenas, neste instante, os que dizem respeito às actividades ultramarinas nesse domínio e à recusa ao fado do título, tão correntemente usado, de canção nacional por excelência.

O estudo da etnografia e folclore das populações ultramarinas mereceu ao Congresso uma atenção especial, salientando-se a necessidade dessa matéria nos centros de estudos sociais e políticos e nos novos institutos de investigação científica de Luanda e Lourenço Marques, entre as ciências humanas ou sociais.

Quanto ao fado, proclamou-se o inconveniente nacional e folclórico da sua difusão excessiva, quer pela sua proveniência, quer pelo pessimismo e desanimo que traduz, em contradição com as fontes e as manifestações mais autênticas e construtivas da inspiração popular. O fado lembra as guitarras plangentes de Alcácer, não um brado de vitória ou de fé.

Não pretendo negar a beleza de alguns fados, das toadas mais melancólicas, de versos profundamente tristes. Mas não se chame canção nacional por excelência a uma canção folclòricamente tão discutível e tão distinta, em tudo, das belas, joviais e empolgantes canções de que é felizmente tão rico. O autêntico folclore nacional.

Vi um dia, num festival folclórico, no Porto, centenas de visitantes estrangeiros, como um só homem, perante uma exibição de ranchos de Viana, erguerem-se a aplaudir e a gritar: «Viva Portugal»! Em vez do fado depressivo, como não hão-de ser estimulantes e gratas para nós, Portugueses, essas manifestações da nossa música popular que têm assim o dom de arrebatar os próprios estrangeiros?

Sem recusar a possibilidade de introdução e adopção de factos novos, ou seja do processo chamado de aculturação pelos etnógrafos e sociólogos, o Congresso pronunciou-se pela definição do facto etnográfico e folclórico como caracterizado por serem tradicionais e de origem espontânea e anónima na alma popular.

A aculturação só pode dar-se quando esta alma lhe é favorável, quando nesta encontra eco, aceitação, concordância psicológica. Nos nossos territórios ultramarinos é do maior interesse o estudo da aculturação das populações nativas sob a influência da cultura que tenho chamado luso-cristã.

Por estas singelas considerações creio ter dado uma ideia da importância nacional e científica do Congresso de Braga. Mas o que sobretudo desejei sublinhar, usando da palavra, foi a gratíssima impressão que congressistas nacionais e estrangeiros trouxeram do convívio, da hospitalidade, da afabilidade, da cortesia, do trato, da doçura, do irradiante poder de simpatia, da boa gente de Braga e do Minho, daquele admirável povo em que se conservam e florescem tantas virtudes tradicionais de suavidade de alma, de bondade, de apego ao lar, de dedicação pelo trabalho, de amor pelo seu berço e de fidelidade aos altos valores espirituais que garantem a perenidade da Pátria e da civilização.

Posso depor com firmeza que na multidão que em avalancha jovial festejava o S. João, na noite de 23, em Braga, não vi senão atitudes simpáticas e dignas. Quem dava involuntariamente um encontrão pedia desculpa.

Ausência de palavrões, de qualquer grosseria, de brutalidade. Bom povo, admirável povo, que a dissolução tendenciosa de outros meios ainda não inquinou nem perverteu.

Tenho a certeza de que a acção de organizações como as que citei manterá indemnes a sua alma e as suas tradições sãs contra a vaga cosmopolita ou exótica de materialismo pretensamente científico e humano que ameaça subverter o que há de melhor e mais luminoso no património moral da nossa civilização. Bom povo de Portugal, porque creio em ti e nos valores espirituais que te animam, creio na eternidade da Pátria.

Tenho dito."

Fototeca0133

A imagem regista o almoço realizado em Viana do Castelo no âmbito do Congresso de Etnografia e Folclore de Braga. Identificam-se o Coronel Mário Cardozo e Alberto Vieira Braga, respectivamente o segundo e o quarto a contar da esquerda. (Foto: Casa de Sarmento – Centro de Estudos do Património)

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/ via http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/



publicado por Carlos Gomes às 13:01
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