Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015
D. CARLOS I, CONDE DE OURÉM E REI DE PORTUGAL FOI ASSASSINADO HÁ 107 ANOS – MONÁRQUICOS EVOCAM REGICÍDIO

A Real Associação de Lisboa promove no próximo dia 26 de Janeiro pelas 17h30m no Salão Nobre da Sociedade Histórica da Independência de Portugal uma sessão evocativa dos 107 anos sobre o trágico assassinato de Sua Majestade o Rei Dom Carlos e de Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe.

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Nessa ocasião será proferida uma alocução pelo Tenente-coronel João Brandão Ferreira. José Campos e Sousa apresentará a exposição "Monumento Fúnebre d'El-Rei Dom Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe - Da ideia à inauguração: um ano de mobilização da Pátria reconhecida” e interpretará algumas peças musicais sobre o tema.

A exposição estará patente ao público no Palácio da Independência de 27 a 30 de Janeiro, das 15h às 18h.

A 1 de fevereiro de 1908, quando o Rei D. Carlos I regressava de Vila Viçosa, ao atravessar de landau o Terreiro do paço, os carbonários Alfredo Costa e Manuel Buíça dispararam à queima-roupa sobre a Família Real, logrando assassinar o soberano e o Príncipe Real D. Luís Filipe, respetivamente 23º e 24º condes de Ourém.

O plano do atentado envolvia mais cúmplices e fazia parte de uma plano mais vasto que tinha como objetivo o derrube do próprio regime, tendo entretanto sido gorado, acabando por se concretizar em 5 de outubro de 1910.

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publicado por Carlos Gomes às 22:35
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2014
SAR D. DUARTE PIO, DUQUE DE BRAGANÇA E CONDE DE OURÉM VISITA A VILA MEDIEVAL DE OURÉM

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A imagem regista a visita recentemente efetuada de SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e Conde de Ourém e o Dr. Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, à Réplica da Casa de Nossa Senhora do Loreto, na vila medieval de Ourém.



publicado por Carlos Gomes às 16:49
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Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2013
MENSAGEM AOS PORTUGUESES DE S.A.R. O DUQUE DE BRAGANÇA POR OCASIÃO DO DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

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Portugueses, Monárquicos…, Republicanos…,

São apenas adjectivos. Portugueses é o que somos e como, agora mais do que nunca, nos devemos sentir! Na véspera do 1º dia de Dezembro de 1640, algumas dezenas de portugueses corajosos, reuniram-se para combinar os últimos detalhes da revolução que iria devolver a liberdade a Portugal ou, caso falhassem, os levaria ao degredo ou à decapitação.

No momento presente, Portugal encontra-se sob dependência de credores e burocratas estrangeiros, devido à irresponsabilidade de governantes que endividaram o País, gastando o que tínhamos em investimentos que não produziram riqueza mas que permitiram ganhos a um número reduzido de privilegiados e que lançaram muitos para o desemprego e pobreza. Muitos sofrem agora as angustiantes consequências de algumas políticas irresponsáveis ou desonestas que conduziram esta 3ª República a uma situação de quase falência financeira. Já a 1ª República tinha terminado na mesma situação…

A minha Família e eu acompanhamos com muita preocupação as situações dramáticas de tantas famílias, mas, como tenho dito em muitas ocasiões, há mais de 100 anos que a Família Real foi afastada dos cargos que desempenhava em Portugal. E contudo, fazemos o possível para dar o nosso contributo para minorar esta dramática situação.

Dirijo-me aos mais idosos, os mais indefesos, cujo esforço de uma vida se vê ameaçado pela injusta quebra de rendimentos; aos desempregados, cujo salário era o único sustento de suas famílias; aos novos pobres cujo número aumenta arrastando famílias inteiras; e aos jovens em cuja educação o nosso País investiu e que hoje outras nações aproveitam, por força da emigração. Que magnífico exemplo que os portugueses têm dado no campo da resistência à adversidade e na preocupação com os que precisam de apoio!

Que seria de centenas de milhares de pessoas que são ajudadas pelas organizações civis e religiosas, se dependessem só do Estado? Nesse sentido recomendo que leiam com atenção a notável Carta Apostólica “Evangelium Gaudium”, do Papa Francisco I. Católicos ou não católicos, temos todos muito a aprender com ela.

Infelizmente o País não tem grande margem de manobra se o bom senso prevalecer… Dos responsáveis, em qualquer quadrante político, se espera que façam também um esforço para dialogarem de boa fé, superarem divergências, chegando a consensos com base numa ética do interesse nacional e do desinteresse pessoal e partidário, que tão arredada tem estado do funcionamento da nossa vida colectiva.

Acompanho em todo o País, extraordinários exemplos de criatividade e eficácia no campo científico, no campo empresarial e nos trabalhadores por conta de outrem. A minha Mulher faz tenção de criar um Prémio Príncipe da Beira que promova a criatividade científica. No estrangeiro somos particularmente apreciados, como tenho observado na Europa, nas Américas, e em países asiáticos onde as minhas deslocações me têm conduzido para promover os interesses nacionais.

A adopção de crianças é em Portugal um processo excessivamente difícil e demorado, mas seria uma excelente solução para evitar algumas situações dramáticas.

Já há um consenso nacional de que a nossa muito baixa natalidade compromete gravemente a sustentabilidade económica. Sem renovação das gerações, o Estado não conseguirá pagar as reformas de quem descontou para a Segurança Social: mas são poucos os que ousam falar de uma das causas deste problema, a nossa lei do “aborto a pedido” que tem provocado um genocídio encorajado pelo Estado e pago com os nossos impostos.

Enquanto no ano de 2012 nasceram menos de 90 mil crianças, nos últimos 5 anos foram mortas legalmente mais de 100 mil. Já é mais do que tempo de revermos esta lei aprovada por um referendo “não vinculativo”, após ter sido rejeitada por um referendo anterior.

Tive este ano a oportunidade de revisitar Angola e verificar o notável desenvolvimento económico e social que tem acontecido após o fim da trágica guerra civil. Fiquei muito bem impressionado com o estado de espírito que encontrei entre alguns governantes e, muito particularmente, entre as autoridades tradicionais, quando fui amavelmente convidado pelo Governador da província do Cuando Cubango. Espero poder vir a colaborar ainda mais activamente com esse magnífico País!

Tive também a felicidade de poder regressar a Timor-Leste e de trocar impressões com alguns dos seus governantes, em particular com o Senhor Presidente da República, General Taur Matan Ruak, cuja sabedoria política e humanismo muito me impressionaram. O mesmo posso dizer de outros governantes, em particular do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. José Luís Guterres.

Tenho encontrado em todos os países nossos irmãos da CPLP uma grande vontade em aprofundar os laços que nos unem, caminhando mesmo para a criação de uma união lusófona. Creio que temos de aproveitar este momento histórico para avançar nesse sentido. A criação de uma União Lusófona não iria pôr em causa a nossa pertença à União Europeia, como se pode ver com o exemplo dado pelo Reino Unido e a Commonwealth e até, noutra medida, com o exemplo francês.

A União Europeia é sobretudo uma união de interesses económicos, que têm de ser regulados por compromissos políticos, difíceis de sustentar sem uma nova solidariedade europeia. Na presente encruzilhada em que a Europa se encontra, em que tem de dar mais atenção às pessoas do que aos bancos, chegou a hora de nós, cidadãos, dizermos à Europa que esta não se pode fechar sobre si mesma, mas tem de olhar e estabelecer acordos com os Estados de todos os continentes que prosseguem os ideais europeus de humanismo e liberdade.

Para esses ideais pan-europeus muito contribuiu meu tio, e deputado ao Parlamento europeu, o Arquiduque Otão de Habsburgo. E num ano em que haverá eleições europeias, creio que temos todos nós, cidadãos portugueses, a obrigação de dar à Europa um exemplo de dignidade nacional. Ainda há muito para fazer no sentido de tornar mais eficaz o nosso relacionamento com os nossos vizinhos espanhóis. Na agricultura e indústria o relacionamento tem sido de agressiva concorrência, por vezes desleal, quando seria preferível e possível uma sã cooperação. Mas há que começar por criar um melhor conhecimento mútuo. Isso já acontece em algumas localidades fronteiriças, que desenvolveram excelentes iniciativas, exactamente por existir esse conhecimento mútuo.

A CPLP é ainda, e sobretudo, uma união de afectos, mas deveria evoluir no sentido político e económico, como tem defendido o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, o Presidente da República de Cabo Verde, vários dirigente brasileiros e numerosos pensadores políticos em vários países lusófonos.

Na base dos problemas portugueses está em grande parte o nosso sistema educativo. Como disse um Primeiro-Ministro de Singapura “se acham que a educação custa caro ao País, façam as contas aos custos da ignorância”. E contudo, o problema principal não é falta de dinheiro, mas os programas. Quando o método de ensino se baseia em memorizar fórmulas e conceitos em vez de ensinar o raciocínio e desenvolver as capacidades intelectuais dos alunos, não nos podemos admirar com o dramático declínio do nível cultural da sociedade e com as opções incoerentes que tomam as novas gerações de políticos.

Um exemplo é a supressão do feriado do 1º de Dezembro, instituído pelo primeiro Governo republicano assim como o corte de apoios dados à Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que promove as celebrações desta data. Apelo por esse motivo a que apoiemos a subscrição nacional para a recolha de fundos que permitam a sobrevivência desta centenária e utilíssima instituição.

Sei que estamos a terminar um ano difícil. Foi um ano em que as famílias empobreceram, em que as empresas atravessaram dificuldades e em que o Estado cortou nas pensões e vencimentos dos funcionários públicos mas não diminuiu significativamente os outros custos da própria máquina estatal. Aliás sempre me surpreendeu negativamente que os concursos públicos não sejam desenhados de forma a favorecer os produtos nacionais, como sucede em toda a Europa …

Mas quero e creio que o ano que se avizinha seja um ano de esperança, um ano de renovada afirmação dos valores que a Família Real procura seguir. Valores de solidariedade. Valores de honestidade. Valores de integridade e nobreza de carácter. Valores de liberdade contra os opressores das nossas vidas e dos nossos bens. Valores que foram erguidos bem alto em 1640 e que hoje gritam por uma nova Aclamação.

Viva Portugal!

O Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte, Duque de Bragança

30 de Novembro de 2013

Fonte: Real Associação de Lisboa

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publicado por Carlos Gomes às 11:48
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Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013
D. DUARTE PIO, DUQUE DE BRAGANÇA E CONDE DE OURÉM, PARTICIPOU NA CRIMEIA NAS COMEMORAÇÕES DO 400º ANIVERSÁRIO DA CHEGADA DOS ROMANOV AO TRONO DA RÚSSIA

SAR Senhor D. Duarte presente nas comemorações dos 400 anos da Família Imperial da Rússia

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Maria Nikolaevna da Rússia e seu filho George do Grão-Duque da Rússia realizaram uma cerimônia comemorativa e festividades para comemorar o 400º aniversário dos Romanov no trono da Rússia. A cerimónia teve lugar no Palácio de Livadia, perto cidade de Ialta, na Criméia, local das últimas férias da família imperial. Nicolau II, projetou ele mesmo, em parte, este palácio pelo qual os Romanovs sentiram particular carinho. Este palácio guarda, hoje, as últimas memórias da família imperial, assassinada pelos bolcheviques.

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Pode-se contemplar uma imagem tão de Nicolas II e Alexandra Fedorovna, emoldurado pelo cuidado de seus filhos, como um presente de Natal para os pais e oferecido em janeiro de 1917.

Entre outras, as autoridades ucranianas, foram diversas as famílias reais e principescas que estiveram representadas. O Rei Fouad II do Egipto, o Arquiduque Maximiliano e Joseph-Charles de Áustria com sua esposa, nascida Princesa Margareth Hohenberg, D. Duarte de Portugal, Duque de Bragança, Leka dos albaneses acompanhado de sua noiva, Miss Elia Zaharia e dois representantes das famílias albanesas Vrioni e Frashëri, a Princesa Marie Gabrielle de Sabóia (filha do Rei Umberto), os príncipes de Leiningen e Margraves de BadenPríncipe Michel e Wladimir da Iugoslávia, acompanhado de sua esposa, a princesa Brigitte, o Conde de Thorring e Condessa nascida Arquiduquesa da Áustria, honraram as cerimónias com a sua presença.

Um panichide, ofício de requiem em rito bizantino, foi comemorado no sábado, 22 de setembro de manhã para o repouso da alma de Nicolas II e família imperial, na capela privada do Palácio de Livadia pelo Arcebispo ortodoxo russo de Kiev.

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Em cima, o príncipe Léka, o Duque de Bragança, senhor Stanislaw Dumin, Chanceler das ordens russas e Miss Elia Zaharia.

Depois de uma visita guiada do Palácio Vorontsov, em Ialta, os hóspedes foram oficialmente recebidos pela família imperial no Palácio de Livadia, à noite para um jantar de gala, que terminou com um fogo-de-artifício.

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Aqui está a foto dos convidados de Gotha nos 400 anos dos Romanov em Livadia, na Crimeia. Da esquerda para a direita, primeira fileira: contagem o Conde von Toerring-Jettenbach, o Príncipe de Leiningen, Maria Nikolaevna da Rússia, Condessa von Toerring-Jettenbach, rei Fouad, Mademoiselle Elia Zaharia, Príncipe Duarte de Portugal, Príncipe Wladimir e a Brigitte Princess da Jugoslávia. Segundo: a Maximilien Arquiduque da Áustria, o Arquiduque Joseph Karl da Áustria, a Arquiduquesa Margareth do Príncipe da Áustria, princesa de Baden, Michel da Iugoslávia, a princesa de Leiningen (em vermelho), o margrave de Baden, a Princesa Maria Gabriella da Itália, príncipe Leka.

Fonte: http://www.noblesseetroyautes.com/ Via: http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.pt/



publicado por Carlos Gomes às 09:26
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Sábado, 10 de Agosto de 2013
SANTA BEATRIZ DA SILVA DESCENDIA DO PRIMEIRO CONDE DE OURÉM

Beatriz da Silva. A beleza dela impressionava na corte de Lisboa do século XV. Mas esta filha do primeiro governador português de Ceuta optou pela vida religiosa, desiludindo os pretendentes. Esta santa portuguesa, canonizada em 1976 pelo Papa Paulo VI, era filha do primeiro alcaide de Campo Maior Rui Gomes da Silva, que combateu na conquista de Ceuta em 1415 e casou com D. Isabel de Menezes, filha do governador daquela praça, D. Pedro de Menezes, conde de Vila Real.

Deste casamento nasceu Santa Beatriz da Silva, provavelmente em Ceuta, em 1424.

Na corte de Lisboa, a beleza de Beatriz impressionou, sendo feita dama de D. Isabel de Portugal (neta de D. João I e mãe da rainha Isabel, a católica), quando esta casou com o rei João II de Castela, em 1447.

Beatriz da Silva acompanhou a jovem rainha para Toledo. Conta a história que por ciúme da sua beleza, a rainha terá fechado Beatriz numa arca, de onde, por milagre, sobreviveu rezando a Nossa Senhora.

Professou e mais tarde fundou a Ordem da Imaculada Conceição, franciscana, dedicada à contemplação, que conta hoje com cerca de cento e vinte conventos em todo o mundo, um dos quais se situa em Campo Maior.

Santa Beatriz morreu em Toledo a 9 de Agosto de 1492.

O seu referido avô materno, D. Pedro de Menezes, distinguido com o título de conde de Vila Real, foi almirante do Reino, capitão e governador de Ceuta, filho herdeiro de D. João Afonso Telo de Menezes, primeiro conde de Viana do Alentejo e de sua mulher Maior de Portocarreiro, senhora de Vila Real.

Era neto de D. João Telo de Menezes primeiro conde de Ourém, quarto conde de Barcelos, quarto almirante de Portugal e tio da rainha D. Leonor Teles, e de D. Guiomar Lopes Pacheco, da casa dos senhores de Ferreira de Aves. Este conde de Ourém era bisneto por varonia do segundo senhor de Albuquerque, D. João Afonso, filho de D. Afonso Teles, senhor de Menezes e de Albuquerque e de sua mulher D. Teresa Sanches, filha do rei D. Sancho I e da belíssima cortesã D. Maria Pais Ribeira, "a Ribeirinha".

A avó materna de Santa Beatriz da Silva, tal como a neta, também primava pela beleza: Isabel Domingues, "a Pixegueira", não era casada com o conde de Vila Real, mas dele teve, pelo menos, quatro filhos reconhecidos pelo pai que lhes passou entretanto o seu nome e, ao mais velho, D. Duarte de Menezes, transmitiu os seus títulos e a representação das suas poderosas casas.

Foram avós paternos de Santa Beatriz, Aires Gomes da Silva, o velho, alcaide de Guimarães e aio de D. Fernando I, por cuja morte tomou o partido legítimo, recusando-se a entregar o castelo da sua cidade ao rei D. João I, fundador da dinastia de Aviz, e Senhorinha Martins Redondo, da casa dos senhores de Melo.

D. Paio Guterres da Silva, oitavo-avô por varonia de Santa Beatriz, nascido cerca do ano 1000, casou com Adozinda Ermigues, bisneta de Lovezendo Ramires, filho do rei Ramiro II de Leão e de Zayda Ibn Zaida.

Esta moura era bisneta do terceiro califa de Córdova, Addallah ibn Muhammed, do clã dos omíadas, e de Onega Fortunes, filha do rei Fortuna Garcês de Pamplona e de Auria, neta de Musa al Qasaw governador de Saragoça, em sucessão a seu pai e seu avô Fortuna ibn Qasaw, casado com Aiasha.

Esta última era bisneta por varonia do califa omíada Yazif e de Kuttum Umm Kashim, filha do profeta Maomé, que por esta linha é 23.º avô de Santa Beatriz.

Fonte: Diário de Notícias, 22 de Março de 2008



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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013
D. DUARTE PIO, CONDE DE OURÉM, VISITA AMANHÃ A FEIRA NACIONAL DA AGRUCULTURA EM SANTARÉM



publicado por Carlos Gomes às 00:07
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Sábado, 8 de Junho de 2013
FEIRA NACIONAL DA AGRICULTURA ABRE HOJE EM SANTARÉM E CONTA COM A VISITA DE D. DUARTE PIO, CONDE DE OURÉM, NO PRÓXIMO DIA 15



publicado por Carlos Gomes às 08:08
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Quarta-feira, 5 de Junho de 2013
D. DUARTE PIO, CONDE DE OURÉM, VISITA A FEIRA NACIONAL DA AGRUCULTURA EM SANTARÉM



publicado por Carlos Gomes às 08:04
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013
CONDES DE OURÉM VISITAM O ALTO MINHO

As Reais Associações da Viana do Castelo e de Braga, com o apoio da Causa Real, juntam-se à Associação Empresarial de Viana do Castelo e à CEVAL – Confederação Empresarial do Alto Minho para celebrar o melhor do Alto Minho na presença da Família Real Portuguesa. Suas Altezas Reais os Duques de Bragança estarão no Alto Minho no fim-de-semana de 8 e 9 de Junho para participar nos festejos "Portugal Real - 100% Alto Minho", com as chancelas da Associação Empresarial de Viana do Castelo e da Causa Real, e em benefício da Casa dos Rapazes de Viana do Castelo.

A Associação Empresarial da Viana de Castelo, que também comemora os seus 161 anos de existência, na pessoa do seu Presidente, recebe os Duques de Bragança na sua sede no Sábado às 10h15, após o qual a Família Real traçará um percurso pelo centro histórica da cidade, onde será recebida, no Museu do Traje, pelo Presidente da Câmara de Viana de Castelo. Segue uma visita à Casa dos Rapazes de Viana do Castelo e depois um almoço de beneficência na Quinta de São João (Restaurante Camelo - Santa Marta de Portuzelo) onde estará patente um mostra do melhor que o Alto Minho produz. A festa será acompanhada por vários conjuntos musicais de referência do Minho, dos mais tradicionais aos mais modernos.

No Domingo, os Duques de Bragança estarão em Arcos de Valdevez. Às 13h00, O Senhor Dom Duarte depositará uma coroa de flores junto do monumento do famoso Torneio, onde seu 21º avô, Dom Afonso Henriques, ganhou o direito de negociar o Tratado de Zamora e a independência de Portugal. Os Duques de Bragança serão depois recebidos pelo Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez num almoço em sua honra.

O cartaz do evento que hoje foi apresentado em conferência de imprensa na sede da Associação Empresarial de Viana do Castelo, reproduz uma das imagens de marca da localidade.

Sobre o evento o Eng.º Luís Ceia, Presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo declarou: “esta iniciativa pretende evidenciar neste momento particularmente complexo, a qualidade das nossas empresas e dos produtos por ela produzidos. Simultaneamente tem um carácter solidário, já que a receita do almoço a realizar no Sábado reverterá a favor da Casa dos Rapazes de Viana do Castelo. Temos a honra da presença e de a esta iniciativa se associarem os Duques de Bragança.

De acordo com o Dr. José Aníbal Marinho, Presidente da Direcção da Real Associação de Viana do Castelo, os Duques de Bragança são os primeiros a defender tudo aquilo que é de produção nacional e como tal, nos vários dos eventos previstos no âmbito desta deslocação, vão marcar presença alguns produtos e algumas das empresas de topo da região minhota. Referiu ainda que a música vai fazer parte da animação prevista para o dia 8 de Junho.

Reais Saudações

Real Associação do Médio Tejo



publicado por Carlos Gomes às 23:38
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Sábado, 3 de Novembro de 2012
BARCELOS INAUGURA ESTÁTUA A S. NUNO DE SANTA MARIA

Barcelos inaugurou hoje uma estátua a S. Nuno de Santa Maria – o Santo Condestável – prestando deste modo homenagem a uma das grandes figuras da História de Portugal e da Igreja. A iniciativa pertenceu à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos e contou com o apoio da Câmara Municipal de Barcelos.

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A cerimónia teve a presidir a Subsecretária de Estado, Vânia Dias da Silva, em representação do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e contou com a presença de D. Duarte de Bragança e esposa, do Núncio Apostólico, do Arcebispo Primaz de Braga, de deputados eleitos pelo círculo de Braga e vereadores, da Câmara Municipal de Barcelos.

Durante esta cerimónia foram prestadas honras militares ao Condestável do Reino, como às Forças Armadas Portuguesas e a todos quantos morreram pela Pátria. A estátua, a primeira em território nacional após a canonização, ocorrida em abril de 2009, foi construída em bronze, mede 2,20 metros e pesa 800 quilos.

Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/

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publicado por Carlos Gomes às 22:56
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012
BARCELOS HOMENAGEIA S. NUNO DE SANTA MARIA

Santa Casa da Misericórdia inaugura estátua no dia 3 de novembro

Barcelos homenageia no próximo dia 3 de novembro uma das grandes figuras da História de Portugal e da Igreja: S. Nuno de Santa Maria. A Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, com o apoio da Câmara Municipal, vai erigir uma estátua em honra do Santo, a primeira em território nacional após a canonização, ocorrida em abril de 2009.

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Na conferência de imprensa de apresentação do programa da homenagem a S. Nuno de Santa Maria, o Provedor da Santa Casa explicou os motivos desta iniciativa: “cultivar a feição e culto por parte dos barcelenses ao homem e ao santo”. António Pedras evocou o papel do Condestável na defesa da pátria, durante a crise dinástica de finais do século XIV e a importância de D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431) na fundação da dinastia brigantina – foi 7.º Conde de Barcelos (1385-1401). Acresce a sua vocação religiosa que culminou no recolhimento, nos últimos anos de vida, no Convento do Carmo. Para S. Nuno de Santa Maria, “a pátria compagina com a religião que abraçou”, referiu ainda António Pedras.

Na conferência de imprensa, o Presidente da Câmara manifestou a satisfação pela associação do Município a esta homenagem. Miguel Costa Gomes referiu os apoios prestados a esta iniciativa da Santa Casa – a cedência do espaço e todos os trabalhos necessários à implantação da estátua, bem como o apoio logístico e financeiro.

“Esta é uma obra importante para a Igreja, para a Santa Casa e para o Município”, disse ainda Miguel Costa Gomes.

A estátua será localizada numa envolvente patrimonial nobre da cidade – no jardim junto ao edifício da Câmara Municipal, da Igreja Matriz, do antigo Paço dos Condes e da estátua de uma outra importante figura da Igreja: D. António Barroso.

A conceção da estátua pertence a um grupo de escultores e arquitetos, entre 30 propostas apresentadas a concurso. É feita de bronze e tem cerca de dois metros de altura. O seu custo está estimado em 56 mil euros, acrescido de IVA, e será pago por subscrição pública.

A Santa Casa pretende dar uma importância nacional à homenagem, fazendo justiça a vontades anteriores de levar a cabo uma “condigna comemoração” do Santo. Para isso, elaborou um programa a decorrer nos dias 2 e 3 de novembro.

No dia 2, às 18h00, realiza-se uma conferência sobre S. Nuno de Santa Maria, proferida por Jaime Nogueira Pinto, no auditório da Câmara Municipal de Barcelos.

No dia 3, as cerimónias serão presididas pelo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e contarão com a presença de D. Duarte de Bragança e esposa, do Núncio Apostólico, do Arcebispo Primaz de Braga, de deputados eleitos pelo círculo de Braga, da Câmara Municipal de Barcelos, entre outros.

Haverá uma missa solene na Igreja Matriz de Barcelos, às 11h00. A cerimónia de inauguração da estátua terá lugar às 15h00. Durante esta cerimónia serão prestadas honras militares ao Condestável do Reino, como às Forças Armadas Portuguesas e a todos quantos morreram pela Pátria.

Às 18h00, na Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, realiza-se um concerto musical pela Banda do Exército, com o Coral da Madalena.

Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/



publicado por Carlos Gomes às 19:03
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012
EM 1949, BOTELHO MONIZ PROPÕE NA ASSEMBLEIA NACIONAL QUE SE TERMINE O BANIMENTO DO TERRITÓRIO PORTUGUÊS IMPOSTO AO CONDE DE OURÉM, D. DUARTE NUNO DE BRAGANÇA

Na sessão de 24 de fevereiro de 1949, o deputado Botelho Moniz apresentou um projeto de lei que visou por termo ao banimento do território português de D. Duarte Nuno de Bragança e sua família. Tratava-se de uma lei promulgada em 1834, na sequência das guerras liberais, a qual obrigava ao exílio o rei D. Miguel e seus descendentes, tendo a partir do estabelecimento do regime republicano sido alargada a todos os ramos da Casa Real. A Assembleia Nacional veio em 1950 a revogar a referida lei, tendo D. Duarte Nuno de Bragança, Duque de Bragança e Conde de Ourém, regressado a Portugal em 1952.

Transcreve-se do Diário das Sessões a intervenção do deputado Botelho Moniz respeitando-se a grafia da época.

 

O Sr. Botelho Moniz: - Sr. Presidente: um seguimento a considerações que produzi antes e durante a última campanha eleitoral, e como sua consequência inevitável, vou entregar a V. Ex.ª, dentro de alguns minutos, um projecto de lei que reputo representar um primeiro passo no sentido da conciliação da família lusitana.

Creio que o artigo 3.º deste documento só encontra perfeitamente de acordo com o sentido de uma moção que, em sessão legislativa anterior, tive a honra de ver aprovada, por unanimidade, pela Assembleia Nacional.

Por sua vez, os artigos 1.º e 2.º desse projecto concedem amnistia completa para as faltas disciplinares e crimes políticos cometidos por pessoas cujos altos serviços à Pátria tenham merecido galardão especial. Os artigos 3.º e 6.º pretendem reparar algumas injustiças e desigualdades flagrantes.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Botelho Moniz: chamo a atenção de V. Ex.ª para a disposição regimental que não permite anunciar-se qualquer projecto de lei sem prévia observância do § 1.º do artigo 11.º do Regimento.

O Orador: - Conforme declarações públicas amiudadamente formuladas, sou partidário de uma amnistia geral, de que beneficiem monárquicos e republicanos condenados por crimes exclusivamente políticos.

No entanto, o meu projecto de lei é muito mais limitado. Porquê? Porque nos encontramos a menos de dois meses do início de novo período presidencial e me parece que só ao Poder Executivo compete ser juiz da oportunidade duma amnistia de tão grande vastidão, naturalmente condicionada pelas emergências políticas e pela atmosfera em que a vida pública se desenvolver. Se esta primeira étape obtiver aprovação da Assembleia, aplaudirei de todo o coração as decisões mais largamente generosas que o Chefe do Estado e o Governo entenderem por bem tomar.

O artigo 3.º do meu projecto visa a colocar em situação de igualdade com os amnistiados alguns portugueses de alto valor pessoal e profissional que viram as suas carreiras militares destroçadas por motivo de ferimentos em combate e os seus direitos legais diminuídos como efeito de aplicação demasiado genérica de disposições retroactivas.

O último artigo pretende terminar com uma desigualdade tão odiosa que foi condenada, em duas notas sensacionais, pelo próprio órgão pessoal de S. Ex.ª o ex-candidato oposicionista.

Refiro-me ao banimento do território português do Sr. D. Duarte Nuno de Bragança e de sua família. Nenhuns outros exilados existem, legalmente ou forçadamente.

Como republicano, educado em princípios de tolerância e igualdade, repugnam-me todas as leis de excepção.

Como português, julgo que Portugal não tem o direito de continuar negando esta reparação elementar ao nobilíssimo e abnegado representante da dinastia de Bragança, à qual a Pátria deve a salvação da sua independência, a conservação de grande parte do seu Império e muitos séculos de civilização cristã, de progresso da grei e de paz social.

Propositadamente apresento este projecto de lei sem haver consultado quem quer que seja. Trata-se de uma iniciativa individual cuja responsabilidade me pertence ùnicamente.

Entretanto, ao terminar estas considerações, julgo útil narrar ura pequeno episódio: há dias, no decurso de conversa com um republicano ilustre da oposição, embora não entrasse em pormenores ou pedisse opiniões, anunciei-lhe a minha intenção de pugnar pela revogação do banimento da família real portuguesa. Disse-me achar justa a medida, sob condição de que o pretendente ao trono não efectuasse propaganda dos seus ideais políticos.

Respondi-lhe simplesmente: porque há-de um português monárquico ter direitos inferiores aos que a oposição republicana pede para si?

O meu interlocutor, pessoa muito culta, inteligente, sincera e compreensiva, meditou um instante, sorriu e respondeu-me em duas palavras: tem razão.

Nenhum outro apoio ou comentário poderia ser mais expressivo.

Em vista da advertência de V. Ex.ª, o meu projecto de lei vai ser entregue na Mesa para seguir os trâmites regimentais.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi cumprimentado.

(Foi mandado para a Mesa o projecto).

O Sr. Presidente: - Nos termos do Regimento, o projecto do Sr. Deputado Botelho Moniz vai ser submetido à apreciação das comissões respectivas, que terão de pronunciar-se sobre a sua conveniência ou inconveniência, se antes não for afastado por inconstitucionalidade, e só então o Sr. Deputado Botelho Moniz poderá fazer a sua apresentação à Assembleia.



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Terça-feira, 22 de Maio de 2012
A FIGURA DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA FOI EM 1961 EXALTADA POR AIRES MARTINS, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL

Em 1961, por ocasião da peregrinação das relíquias do Santo Condestável por terras de Portugal, o deputado Aires Martins proferiu na sessão de 1 de fevereiro da Assembleia Nacional um eloquente discurso no qual traçou o perfil de D. Nuno Álvares Pereira.

Aires Fernandes Martins era natural de Sever do Vouga. Foi militar e professor, tendo exercido as funções de Vice-presidente da Câmara Municipal de Nova Lisboa, atual Huambo, em Angola, além de deputado eleito pelo círculo do Porto.

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São do deputado Aires Martins as palavras que a seguir se transcrevem do referido discurso: 

Sr. Presidente: Portugal fora designado para as grandes realizações. Por cumprimento do imperativo geográfico, procurou e definiu as fronteiras do reino e, quando as circunstâncias o permitiram, ultrapassou os limites do território e exibiu significado de presença em todos os azimutes do globo t na maioria dos arranjos da humanidade, descobrindo terras e divulgando pormenores de civilizações ignoradas. Os Portugueses de outrora dilataram a fé e o império na prática, sublime do princípio de colaboração rigorosa, e perfeita do exercício de adoração da cruz e do manejo da espada. Toda a narrativa, mais ou menos longa, referida ao passado histórico e à epopeia gloriosa dos Portugueses utiliza o traço simbólico da verdadeira união entre a cruz e a espada.

O pensamento circunscreve a tarefa prodigiosa das viagens marítimas e das descobertas; explica, sobretudo, a obra colonizadora realizada nos espíritos, nos homens e nos bens, conseguida por esforços abnegados, sacrifícios admitidos, religiosidade praticada, conhecimentos ensinados, costumes exibidos, trabalhos realizados e progressos introduzidos, numa afirmação extraordinária do sentido com que os habitantes interpretaram, por vocação própria, a missão determinada para Portugal. Não admitiram receios, dúvidas ou desfalecimentos quando se lançaram na descoberta dos mares imensos, não respeitaram a ideia do sacrifício ou da descrença quando se orientaram para as terras distantes ou contactaram com os povos desconhecidos e atrasados do Mundo, não vacilaram nem desanimaram ao iniciarem a grande obra de aproximação dos homens que os ambientes, os costumes, a língua e o nível de cultura determinavam em condições de hostilidade; não desviaram o rumo por efeito de contemplação dos resultados alcançados e não hesitaram também no uso da força quando se tornara necessária para o benefício dos povos. Os Portugueses actuaram sempre com o coração perante os quadros necessitados e com energia em relação aos exaltados, numa prática reflectida e apropriada da bondade e da força.

Foi o princípio normal da actividade dos Portugueses.

Mal definidas ainda as fronteiras e não completadas as medidas de valorização e de estruturação da política, numa convergência difícil da história em que as circunstâncias comprometiam a condição de independência alcançada com sacrifícios em tempos anteriores, exactamente quando tudo parecia contribuir para a perda da liberdade e para o regresso à situação de povo subalterno, um mesmo homem, desdobrado em manifestações diferentes, por favor do destino e por influência de espírito superior, opera verdadeiros milagres, no jogo consciente da oração a da espada: Nuno Álvares Pereira foi fervoroso na oração, identificado no alcance da crença, valoroso na luta e herói no campo de batalha.

Muito novo demonstrou o poder das suas características de alma, precisamente quando D. Fernando decidiu entregar a responsabilidade do cargo de fronteiro de Lisboa ao prior do Crato, D. Pedro Álvares, que se fez acompanhar de seus valorosos irmãos, um dos quais seria o futuro condestável do reino. Na maneira como corresponderam às frequentes correrias tios Castelhanos os Portugueses criaram a situação de calma e de confiança, praticaram atitudes e decisões corajosas e demonstraram superior espírito do patriotismo: D. Nuno Álvares Pereira foi figura central da cena. lusitana aio período de constante agitação e de evolução incerta que D. Fernando dispusera em condição delicada para a tranquilidade do povo e altamente perniciosa para o tesouro nacional; sòmente as instituições militares puderam beneficiar, por efeito de reformas extensas que resultaram da experiência obtida em circunstâncias movimentadas anteriores que tinham evidenciado a necessidade de efectivos e aconselhado medidas que, então adoptadas, fizeram entrar no serviço militar todas as classes populares, incluindo a mais inferior, que, par princípio estabelecido, era dispensada de o prestar, instituindo-se pela primeira vez em Portugal uma forma, de serviço militar obrigatório, que hoje constitui sistema generalizado de responsabilidade dos homens relativo ao programa de defesa e de soberania dos estados constituídos.

Por princípio de conveniência, as providências militares adoptam uma linha de evolução paralela com o desenvolvimento da política; ou elas não devessem assegurar o apoio da política, e significar, até, o seu prolongamento quando o recurso à guerra é a decisão obrigatória.

Falecia D. Fernando, D. Leonor manifestava inclinação condenável, D. João de Castela mostrava interesse decidido pelo governo de Portugal e, entretanto, o mestre de Avis era nomeado defensor e regente do reino; simultaneamente, as instituições militares experimentaram as transformações para determinarem a organização das forças combatentes e o ensino da arte militar. Foi na conjuntura desenhada da política e da actividade militar que se desenvolveu a movimentação intensa do quadro político da Península, considerada possível pelo propósito definido e pela insistência demonstrada pelo rei de Castela, que pretendia, firmar a condição de dependência do povo português, patrocinada por parte da nobreza; mas firmemente repudiada pela alma nacional. Verdadeiramente, a interpretação mais ajustada foi realizada por D. Nuno quando o mestre de Avis, em hora de feliz inspiração, lhe confiou a responsabilidade de fronteiro-mor do Alentejo, em circunstâncias que faziam incidir sobre esta região as maiores preocupações, devidas ao movimento de invasão que os Castelhanos realizavam, com o objectivo determinado da conquista de Lisboa.

O cumprimento desta missão difícil e honrosa, caracterizada por riscos e dignidades, ofereceu oportunidade para consagração merecida do talento de N uno Alvares, plenamente evidenciado na, batalha dos Atoleiros, que, simultaneamente, foi uma demonstração de fé praticada no ambiente de emergência da batalha, do verdadeiro sentido das circunstâncias traduzido em medidas de ordem táctica, de espírito de confiança na ética dos Portugueses, de particular conceito de comando e de devotado sentimento patriótico. Quando o inimigo avançava sobre o dispositivo instalado dos Portugueses, definido em condição de manifesta, inferioridade em relação aos efectivos adversários, D. Nuno apeou-se, ajoelhou e rezou; adoptou providências reflectidas para melhoria do dispositivo, determinando inesperada atitude aos cavaleiros, que deveriam apear-se, apoiar as lanças no solo e incliná-las para a frente a fim de receberem, nesta posição, os cavalos inimigos. O desfecho significou a vitória dos Portugueses e as consequências confirmaram o prestígio do valoroso chefe, que ocupa, sem dúvida, a posição da figura mais evidente e grandiosa da Idade Média portuguesa e do mais notável capitão do seu tempo.

Elas asseguraram a condição de confiança pelo futuro, firmaram os alicerces da posição de independência e representaram também argumentos de valor real, sob o ponto de vista táctico, para ajustamento das instituições políticas mundiais, contribuindo para a decadência da cavalaria e para o alvorecer da infantaria, já ensaiada em Crécy e Poitiers e, depois, confirmada em Granson e Marat.

Não se satisfez com os louros alcançados o glorioso comandante. Por fecunda intuição do seu génio, reflectiu sobre as condições do momento e pôs em prática providências convenientes para acautelar o resultado futuro. Nomeado condestável e empenhado na adesão de algumas praças que se mantinham opostas à causa do mestre de Avis, que era a causa de Portugal, recebe com serenidade impressionante a notícia de nova invasão do reino, concretizada pelo avanço de numeroso exército, bem equipado e possuído de modernos engenhos de guerra, que constituíam surpresa para os exércitos mais modestos da época. Foi difícil o encontro de ideias do rei e do condestável e tardou o estabelecimento do plano de luta que se tornava aconselhado contra os Castelhanos.

Todavia, estabelecida, a concordância de ideias numa prática que constitui imagem distante do sistema actual da unidade do comando, o chefe glorioso recuperou o tempo perdido no desenvolvimento de um plano que assombra: marchou ao encontro do inimigo no sentido de aproveitar da iniciativa das operações, procedeu ao reconhecimento do terreno, decidiu pela escolha de um quadro geográfico que garantia a segurança dos flancos e impedia, a actuação simultânea de todo o efectivo adversário, decidiu pela utilização de dispositivo apropriado e, de forma superior, fortaleceu a coragem e exaltou a disposição moral dos combatentes, cuja estrutura tem o significado de constante, que é a principal razão do valor dos exércitos.

Estavam tomadas as disposições necessárias quando as hostes inimigas apareceram no horizonte geográfico dos Portugueses. O choque seria uma realidade. Entretanto, por uma manobra de movimento do inimigo, que procurava desta maneira atenuar as circunstâncias de vantagem derivadas das características de posição dos Lusitanos, os Castelhanos contornaram o dispositivo nacional e procuraram atacar a retaguarda do conjunto português. D. Nuno Álvares Pereira, porém, observou o inimigo, seguiu o desenvolvimento da sua manobra e pressentiu os seus propósitos; correspondeu com nova atitude que determinava a mudança da frente. As direcções de combate tinham sido alteradas e o esquema dos exércitos tinha mudado as frentes num estilo pouco corrente de batalha que adoptou a designação de frentes invertidas. Efectivamente, a batalha de Aljubarrota travou-se no choque violento dos dois exércitos, que combateram com redobrada energia e desmedidos esforços dirigidos em sentido oposto àquele que tinham seguido nos movimentos de aproximação.

É sobejamente conhecida a representação descritiva desta batalha, que consolidou a posição de independência nacional e que foi possível por razão do glorioso chefe que providenciou em pormenor, comandou com coragem e que exibiu o quadro significativo de comandante destemido e de exemplo perfeito. Poderia, sem favor, situar-se o acontecimento como expoente último da sua virtuosa carreira das armas, mas o condestável queria completar a sua tarefa e definir em realidade a posição de Portugal: não hesitou em medir forças com o inimigo de novo, indo procurá-lo no seu próprio território. Com igual sentido militar e o mesmo espírito patriótico derrotou os Castelhanos em Valverde.

D. Nuno Álvares Pereira conquistou, muito justamente, a consideração de herói, defendeu o prestígio adquirido projectou-se como figura de primeira grandeza nas dimensões dos conceitos militares do tempo; em paralelo com todas as virtudes militares que beneficiavam o verdadeiro cavaleiro medieval, abrigava na alma, os sentimentos generosos e cristãos que lhe alcançaram a consagração da Igreja. Soube manejar a espada no campe de batalha e dedicou à cruz o melhor sentido no ambiente de oração e no recolhimento do claustro.

No último domingo as relíquias do glorioso condestável iniciaram o movimento pelas terras de Portugal, numa manifestação de fé e de reconhecimento confiada ao patrocínio das autoridades eclesiásticas. Ficaria bem, certamente, no momento um apontamento de natureza militar.

Com o significado de indiscutível simbolismo, as relíquias vão percorrer as mesmas terras que, em épocas anteriores, constituíram cenário para as práticas maravilhosas do herói e do santo precisamente em circunstâncias delicadas da vida portuguesa. A ideia é grande. O argumento de presença destes símbolos impressionantes e a contemplação reflectida dos cenários maravilhosos da cena portuguesa oferecem o quadro indispensável para o exercício de raciocínio dedicado ao julgamento do passado, ao exame do futuro e à consagração dos valores supremos.

Outrora, os dados referiam sòmente as fronteiras do território nacional europeu, os valores populacionais eram modestos, os meios possuíam valores limitados; hoje. os perigos e as ameaças estão localizados na proximidade imediata das vastíssimas fronteiras dos territórios portugueses distribuídos por todos os ambientes da terra, a população adquiriu nível de dezenas de milhões de almas e a luta actual mobiliza variedade grande cê meios e pratica variados progressos. Portugal saiu victorioso nas contingências do passado e justificou plano de prestígio reconhecido no confronto com as outras unidades do esquema político mundial.

Os quadros são diferentes em proporções. Todavia, possuem as mesmas características determinadas pelas dificuldades, pelas preocupações e pelas ameaças. Portugal recebeu do passado a honrosa herança de uma actuação de nobreza e interpreta-a com o argumento seguro

A história exalta os factos e a alma guarda admiração pelos homens.

Ora, nenhum outro quadro poderia representar melhor argumento do que a passagem das relíquias do português glorioso que definiu posição de evidência no plano de valores dos tempos distantes medievais pelas terras do Portugal perante o sentido recolhido dos homens.

Certamente, símbolo tão maravilhoso constitui, por significado de presença, um convite à meditação dos Portugueses, exacta mente no momento em que perigos e ameaças de toda a ordem comprometem o estado de calma e o espírito de confiança lusitano e estabelecem coordenadas variadas para situações possíveis de cataclismo ou de epopeia. Tudo depende da maneira como os homens assimilarem a lição que vai ser ministrada em todos os quadros geográficos nacionais. Esperanças justificadas admitem resultados compensadores do pensamento posto em prática, se todos os portugueses dedicarem especial reflexão ao exame das virtudes e dos traços morais daquela figura gigantesca, procurando adoptá-la como padrão das suas atitudes e manifestações; se cada casa ponderar o alcance das práticas de família que distinguem um lar por manifestações de nobreza, e dignidade; sobretudo, se a geração dos novos, que muito tem a beneficiar, dedicar raciocínio interessado sobre os feitos do jovem português que foi I). Nuno e atentar na formação de uma consciência nacional elevada e nos efeitos de uma linha de procedimento bem definida, em rectidão e verticalidade, perfeitamente exemplificada na vida primorosa do vulto glorioso que se exalta, sem exagero, perante os acontecimentos tristes do momento que se condenam, sem, limitações. D. Nuno Álvares Pereira representa o significado perfeito do exemplo que importa seguir e que a Igreja oferece à meditação dos homens, para efeito de uma lição viva que realiza a identificação de todos os portugueses para o movimento de recuperação do sentido histórico e garantia da eternidade de Portugal grande, digno e prestigiado no Mundo.

Tenho dito.”



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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
EM 1944, DEPUTADO NUNES TEIXEIRA EVOCA NA ASSEMBLEIA NACIONAL A FIGURA DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA

O deputado Salvador Nunes Teixeira foi muito provavelmente aquele que, na tribuna parlamentar, mais pugnou pela consagração de D. Nuno Álvares Pereira, pela sua canonização e pela construção de um monumento na capital em sua homenagem.

Salvador Teixeira era natural de Cernache de Bonjardim, no Concelho da Sertã, localidade que se atribui ter sido onde nasceu o Santo Condestável. Oficial do Exército onde atingiu o posto de Tenente-coronel, integrou o Corpo Expedicionário Português durante a Primeira Grande Guerra. Foi Presidente da Câmara Municipal de Bragança e Governador Civil do Distrito de Bragança. Era Vice-presidente da Comissão Distrital de Bragança da União Nacional, professor no Liceu Emídio Garcia e Comandante da Legião Portuguesa.

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Na sessão de 30 de março de 1944, da Assembleia Nacional, sob a presidência de José Alberto dos Reis, profere o seguinte discurso:

“Sr. Presidente: prosseguem as comemorações nacionais condestabrianas, cuja iniciativa partiu da Ala do Santo Condestável, organismo orientado pelo são amor da Pátria, «não movido de prémio vil», e cujos fins são: só propaganda e intensificação de tudo que tenda a veneração de Nuno Alvares como Santo e como Herói, no empenho de que todo o povo português volte a admirar e honrar o maior dos seus filhos e o conhecimento das suas grandes virtudes e benemerências sirva de estímulo e lição eficazes as modernas gerações.

As referidas comemorações são acompanhadas, pelo menos em espirito, por todos os Portugueses que se honram de o ser.

Sr. Presidente: estou certo de que a Assembleia Nacional, legitima representante da Nação, a elas se associa, porque elas visam a exaltar um dos maiores Portugueses de todos os tempos.

E que D. Nuno Álvares Pereira, como condutor de homens, tinha o prestigio que atrai; o conhecimento das pessoas que sabem insinuar-se tocando cada um a tecla respectiva, a sagacidade, a correcção, as boas maneiras, que desarmam os contraries e frustram incompatibilidades. Como patriota tinha a fé inabalável na vitalidade da Pátria, na sua finalidade histórica e nos seus altos destinos.

de armas as imensas riquezas dadas pela magnificência régia em recompensa dos seus grandes serviços militares.

Como general, tinha a visão nítida, rápida, enérgica, genial, que desconcerta o inimigo e o vence pelo ineditismo dos seus pianos, atraindo-lhe partidários, envolvendo-lhe a memória na lenda sugestiva da invencibilidade. E, para completar, tinha a auréola da santidade conferida pela voz publica, mais tarde sancionada pela Igreja, que o levou a desprezar as maiores honras e riquezas que o mundo pode conceder, amortalhando-se em vida na pobre cela de um convento, onde desempenhou os mais rudes mesteres, como se fosse o mais obscuro dos frades, sem nunca aceitar cargo algum de mando!

Sintetizando direi, com Camões: s0 grande Pereira, em quem se encerra todo o valor»

Sr. Presidente: por isso foi escolhido para patrono da infantaria e da mocidade portuguesa masculina.

Em 23 de Janeiro de 1918 o Sumo Pontifica Bento XV deu a sua concordância ao rescrito da Sagrada Congregação dos Ritos, segundo o qual devia ser confirmado o culto prestado pelos Portugueses e pela Ordem Carmelita, em todo o mundo, ao Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

$E o que fez a Nação Portuguesa para homenagear condignamente tam grande herói, apesar de volvidos já mais de cinco séculos após a sua morte terrena?

É Já lhe foi erigido monumento condigno, que estimulasse os Portugueses a servir devotadamente a sua Pátria?

E de feriado nacional algum dia dos muitos que ele inscrevem na história?

Na toponímia das nossas cidades e vilas figura profusamente o sen nome?

A resposta a estas preguntas é de molde a avivar os nossos brios patrióticos.

Acontece que a lei n.º 1:012, de 13 de Agosto de 1920, determinava que anualmente fossem celebradas, em 14 de Agosto, aniversário da batalha de Aljubarrota, os feitos de Nuno Álvares Pereira, festa do patriotismo, e que fosse levantado em sua honra e por subscrição pública um monumento com a seguinte legenda: «A Nuno Alvares Pereira-Defensor da independência nacional- A Pátria reconhecida, e, em 14 de Agosto de 1925, com toda a possível solenidade, se realizou a cerimónia do lançamento da primeira pedra para o referido monumento, sob a presidência do Chefe do Estado, com discursos, leitura e assinatura do auto, depósito de moedas em circulação, desfile de tropas, etc., e a mencionada lei ficou letra morta.

Quase mais nada se tem feito do que as comemorações promovidas pela extinta Cruzada de Nuno Alvares, pela Ala do Santo Condestável e pela infantaria de Portugal no dia da sua arma, justamente em coincidência com o aniversário do sen aparecimento nos campos de Aljubarrota.

Ao meu conhecimento só chegou a existência de ruas com o nome do Herói e Santo na terra da sua naturalidade - Cernache do Bom jardim- e em Bragança, sendo nesta cidade apenas desde 20 de Novembro de 1943.

Sr. Presidente: por tudo isto e por muito mais que e escusado dizer, julgo interpretar o desejo da Assembleia Nacional e traduzir uma verdadeira aspiração de to dos os Portugueses ao solicitar agora ao Governo da Nação, que, sob a égide do Estado Novo, vem realizando, nos domingos espiritual e material, uma transformação miraculosa de Portugal, que, com a maior urgência possível, faça:

Erigir na capital do Império um monumento condigno ao grande Herói e Santo D. Nuno Álvares Pereira;

Providenciar por que o local do seu nascimento, nos Paços do Bomjardim, seja assinalado com um paços ou obelisco;

Rever os feriados nacionais por forma que neles seja incluído o dia 14 de Agosto.

E aos municípios de Portugal dirijo rum apelo no sentido de incluírem, sem demora, na toponímia dos principais aglomerados populacionais das suas áreas o nome daquele egrégio português.”



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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
OURÉM NO BLOGUE DA REAL ASSOCIAÇÃO DA BEIRA LITORAL

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Ourém foi desta vez referência no Blog da Real Associação da Beira Litoral, em http://realbeiralitoral.blogspot.pt/.O artigo publicado no AUREN “Ourém é terra nobre de velhos pergaminhos que honra a História e respeita a tradição”, é transcrito naquele blogue monárquico.

A Real Associação da Beira Litoral é a organização da Causa Real que agrupa localmente os monárquicos dos concelhos da região, mormente de Ourém. A Causa Real é, conforme se menciona nos seus estatutos, “uma associação de direito civil, dotada de personalidade e capacidade jurídica e tem por missão a defesa do ideal monárquico, da Instituição Real e no limite a Restauração da Monarquia em Portugal, reconhecendo que os direitos dinásticos da Coroa Portuguesa pertencem à pessoa de Sua Alteza Real O Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, e a quem legitimamente lhe venha a suceder como Chefe da Casa Real.”



publicado por Carlos Gomes às 09:07
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Sábado, 12 de Maio de 2012
OURÉM: BOTICA DE SÃO JOÃO FOI RESTAURADA

A Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira tem a sua Sede em Ourém, na antiga Botica de São João fundada em 1392 por Dom Nuno, quando Prior da Ordem Hospitalária de São João (Priorado do Crato). A Botica de São João foi recentemente restaurada, ocasião escolhida para a realização de uma exposição dedicada a S. Nuno.

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Anteriormente, a Sociedade Beato Nuno esteve instalada na Casa Alta situada no Castelo de Ourém, que foi antiga Ermida da Santíssima Trindade (Espírito Santo), fundada pela Rainha Santa Isabel e mais tarde, albergue real. Trata-se de “um local onde, segundo a tradição, o Santo Condestável passou algum tempo com sua mãe e sua filha e séculos mais tarde por ali passou a Rainha D. Catarina de Bragança antes e depois de ser Rainha Consorte de Inglaterra”.

A Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira foi “fundada pelo Santo Condestável no Carmo para auxiliar os Pobres e que mais tarde se tornou na Ordem Terceira Carmelitana”. Trata-se de um Laicado Carmelitano destinado a promover “a Santificação pessoal através da actos corporais de misericórdia, e a promoção da Adoração Eucarística, da devoção Mariana e do Culto ao Santo Condestável”.

Com a devida autorização que desde já agradecemos, o AUREN publica esta série de fotos pertencentes à Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira e transcreve a respetiva descrição, proporcionando aos seus leitores um melhor conhecimento da História e do património do Concelho de Ourém.

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Botica de São João, (Século XIV - XV) Sede da Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira

“A Real Confraria do Santo Condestável tem origem numa obra de caridade fundada pelo próprio São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, no ano de 1422, pouco tempo após ter Professado no Carmo como Irmão Carmelita “Donato” e de se ter dedicado quase em exclusivo aos pobres e sem abrigo da cidade de Lisboa.

Esta Confraria originalmente conhecida por “Confraria de Nossa Senhora do Carmo”, mas popularmente conhecida por “Confraria do Condestável”, “Confraria dos Pobres” ou “Confraria do Caldeirão” (em recordação do caldeirão de ferro usado por Dom Nuno para alimentar as tropas do exército e mais tarde os pobres), procurava aliviar a fome e sofrimento dos pobres através da recolha de dádivas junto dos Confrades que incluíam, como membros fundadores o próprio Rei D. João I e uma parte da Nobreza da Corte.

A Obra Carmelita da Confraria de Frei Nuno que procurava desenvolver nos Confrades leigos o espírito da Fraternidade Cristã de devoção ao Santíssimo Sacramento, a Nossa Senhora do Carmo e a Caridade e Serviço para com os pobres, foi exemplar na Europa e com o tempo as Delegações que se espalharam por Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Itália, transformaram-se na Ordem Terceira Carmelita, que acabou por esquecer a sua origem e Fundador.

Em 1895 e novamente em 1918, alguns membros da Ordem Terceira, conscientes do papel fundamental que Frei Nuno teve na Fundação do Laicado Carmelitano, tentaram dar o espírito da Confraria original a uma outra “Obra do Caldeirão” que durou até meados do Século XX.

Em 1946, o antigo Irmão Donato Carmelita Americano e Co-fundador do “Exército Azul”, John Mathias Haffert, aquando da publicação da biografia do Santo Condestável The Peacemaker that went to War, também organizou um Apostolado semelhante que editava uma revista mensal intitulada Scapular (Escapulário) e que durou várias décadas.

Em 1985, aquando do 600º Aniversário da Vitória de Aljubarrota, o então Presidente do “Exército Azul”, o Bispo Missionário Constantino Luna, com a ajuda do grande Missionário da Consolata e escritor de Fátima, Padre Giovanni Demarchi e do grande devoto do Beato Nuno, Timothy Richard Heinan, recriou uma obra de apóio aos pobres com a mesma espiritualidade da original fundada pelo Santo Condestável e que teve o nome de “The Count Nuno Society” (Sociedade do Conde Nuno), sedeada na Casa Alta, no Castelo de Ourém.

Pouco tempo mais tarde, esta organização foi reconhecida pelo governo Americano como uma associação sem fins lucrativos dedicada à angariação de fundos para os pobres e órfãs com presença e actividade em Portugal e também em muitos países do Terceiro Mundo.

A mesma organização foi depois Canonicamente Erecta na Diocese de Duluth, no Minnesota, (E.U.A.) com o nome de “Blessed Nuno Society” (Sociedade do Beato Nuno) sendo mais tarde Canonicamente reconhecida noutras Dioceses em vários países latino – americanos como no México, na Guatemala, em Cuba e na Colômbia.

Esta Obra levada hoje a cabo em países de língua Castelhana em memória do São Nuno relembra os muitos actos de caridade praticados por D. Nuno Álvares Pereira em favor até dos Castelhanos, durante o conflito entre Portugal e Castela.

Em 2008, aquando do 90º Aniversário da Beatificação do III Conde de Ourém por Decreto do Papa Bento XV, a Real Confraria do Santo Condestável foi reestabelecida pelo Promotor de Beato Nuno, Carlos Evaristo, sob a responsabilidade da Vice-Postulação para a Causa da Canonização de Frei Nuno de Santa Maria, contando desde então com o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa na pessoa de Sua Alteza Real o Duque de Bragança e Conde de Ourém, Dom Duarte Pio, descendente directo do Fundador da Casa de Bragança, Grã-Prior Honorário da Real Confraria, da Casa Ducal de Cadaval (representantes oficiais dos “Pereiras”) e de várias Casas Reais que descendem do próprio Santo.

A 26 de Abril de 2009, por ocasião da Canonização de São Nuno, no Vaticano, por Bento XVI e após a celebração de vários Protocolos, foi Canonicamente conferida à Confraria pelas Dioceses onde a Sociedade Beato Nuno tem Erecção Canónica e actividade legal civil, a Representação Oficial reciprica em Portugal e Espanha podendo a referida Sociedade Missionária também se chamar de Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, III Conde de Ourém e vice-versa.

A Sede original da Sociedade Beato Nuno, foi, a Casa Alta situada no Castelo de Ourém, antiga Ermida da Santíssima Trindade (Espírito Santo), fundada pela Rainha Santa Isabel e mais tarde, albergue real. É um local onde, segundo a tradição, o Santo Condestável passou algum tempo com sua mãe e sua filha e séculos mais tarde por alí passou a Rainha D. Catarina de Bragança antes e depois de ser Rainha Consorte de Inglaterra.

Hoje, a sede Internacional da Confraria está localizada em frente à Casa Alta, na antiga Botica de São João fundada em 1392 por Dom Nuno, quando Prior da Ordem Hospitalária de São João (Priorado do Crato) e que faz parte integrante do complexo do Museu Nacional do Santo Condestável da Fundação Histórico - Cultural Oureana (A Fundação para a Pesquisa Religiosa), obra que conta com o Alto Patrocínio de várias personalidades da Igreja Católica entre elas Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Grão – Mestre da Ordem de São João de Malta e Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de São Tomé e Príncipe.

Em Portugal, a direcção espiritual da Confraria está a cargo do Capelão - Mór, Vice-Postulador emérito da Causa da Canonização, Frei Francisco Rodrigues, O. Carm. sendo parte estrutural activa do Laicado Carmelitano.

Os Confrades são admitidos nas tradicionais categorias de “Irmão Professo”, “Irmão Nobre Professo” ou “Irmão Honorário”, nos graus de “Confrade, Alcaide e Condestável”.

Os membros da Confraria, além de usarem o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de recitarem o Terço do Rosário por Portugal, nutrirem e promovem devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo, a São João Baptista e a São Nuno, devendo participar nas Missas Festivas e contribuir no acto de admissão e anualmente com donativos para a “Obra do Caldeirão” que remete a favor da obra dos Pobres do Laicado Carmelitano e das Missões no antigo ultramar português.

Dias de Festa da Real Confraria ou de especial Observação ou Missas

15 de Janeiro - Aniversário da Beatificação em 1918

1 de Abril - Aniversário do Falecimento em 1431

26 de Abril - Aniversário da Canonização em 2009

24 de Junho - Aniversário do Nascimento em 1360

14 de Agosto - Aniversário da Vitória de Aljubarrota em 1385

6 de Novembro - Festa Litúrgica Universal de São Nuno”

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D. Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe visita a Botica de São Nuno, na companhia do Conde de Ourém e Real Patrono da Real Confraria, SAR Dom Duarte de Bragança, 6 de Novembro de 2011.

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Bênção e Inauguração da Botica

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A Botica de São João foi recentemente restaurada.

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Enxerga na Botica de São João.

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Compendio de "Pharmacopea Lusitana".

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D. Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe, na companhia do Conde de Ourém e Real Patrono da Real Confraria, SAR Dom Duarte de Bragança e do Dr. Carlos Evaristo.

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D. Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe, na companhia do Conde de Ourém e Real Patrono da Real Confraria, SAR Dom Duarte de Bragança e do Dr. Carlos Evaristo.

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Receção na Casa Alta, para D. Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe e o Conde de Ourém e Real Patrono da Real Confraria, SAR Dom Duarte de Bragança, 6 de Novembro de 2011.

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Receção na Casa Alta, para D. Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe.

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A imagem regista um momento da receção na Casa Alta, para D. Manuel dos Santos, Bispo de São Tomé e Príncipe.

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Original Artifacts discovered during the restoration of the building

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O nosso colaborador, Sr. José Santos (ao centro), na cerimónia de inauguração da Botica de São João. 

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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Vianna e os Condes de Ourém na “Corografia Portugueza” em 1706

Como era descrita Viana há 306 anos atrás.

No ano de 1706 o padre António Carvalho da Costa, na sua obra “Corografia Portugueza e Descripçam Topografica…” refere-se a Viana nos seguintes termos:

“Dez legoas da Cidade do Porto para o Norte, na fóz do cristalino Lima em huma vistosa e alegre planície tem seu assento a notável Villa de Viana, fundada pelos Gallos Celtas 296 annos antes da vinda de Christo em hum alto monte para a parte do Norte, onde hoje está a Ermida de Santa Luzia, de que se mostrão ainda ruínas de edifícios, e casas nobres: chamarãolhe Viana em memoria de sua pátria Viena, antiga Cidade de França, situada nas margens do rio Rodano. He cercada de fortes muros com cinco portas, a saber, a porta de Santiago, a de S. Pedro, com huma Capella deste Santo, a de S. Felippe com huma Capella de Saõ Crispim, & S. Crispiano, a de Nossa Senhora da Vitoria com sua Capella pela parte de fora, & a de S. Joaõ com huma Capella deste Santo da parte de fora.

Tem esta Villa três mil vizinhos, & divide-se (à imitação de Lisboa) em os bairros seguintes, a saber, a Villa cercada de muros, o bairro da Bandeira, o da Carreira, o de Monserrate, o da Ribeira, o de S. Bom Homem, o do Postigo, o de S. Bento, & o do Campo do Forno. Todos estes bairros estaõ bem povoados de casas nobres, & tem de comprido meya legoa, que começa da rua do Loureiro até S. Vicente de fora. Tem hum cães de pedraria, que começa no fim da Villa no sitio, que chamaõ o Papanata, & acaba junto da barra no mar largo, co hum reducto no fim, aonde se vão recrear os moradores. Tem na boca da barra huma inexpugnável fortaleza, respeitada das Naçoens estrangeiras, com hum letreiro na porta, que diz: Todo o mundo temerá, & só o tempo me vencerá: tem muitas peças de artilharia, & hum fosso de lodo à roda, que sorve tudo o que nelle cahe, & fora desta fortaleza tem huma obra exterior muito bem fabricada.

Foy esta Villa antigamente Cidade Episcopal atè o anno de 610 no qual se unio ao Bispado de Tuy, & depois ao Arcebispado de Braga. Pelo tempo adiáte se arruinou de todo, & de suas ruínas se fundou no anno de 1260 a segunda Vianna por ElRey Dom Affonso o Terceiro no sítio, em que hoje está, o qual lhe deu grandes fóros, & privilégios, sendo sempre favorecida dos Reys de Portugal com grandes liberdades, & isençoens, & na natureza (demais de outras excelências) na capacidade de seu porto, que chegou a ter mais de cem navios próprios, que navegavaõ a diversas partes. Goza de voto em Cortes com assento no banco quinto, & tem por Armas huma Não. Foy antigamente cabeça de Condado, cujo título deu ElRey Dom Pedro o Primeiro a Dom Joaõ Affonso, filho de Dom Joaõ Affonso, Conde de Ourem: depois ElRey Dom Fernando deu o mesmo titulo a Dom Joaõ Affonso Telles de Menezes, pay de Dõ Pedro de Menezes, primeiro Capitaõ de Ceuta…”

Fonte: http://olharvianadocastelo.blogspot.pt/



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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
OURÉM NO BLOGUE DA REAL ASSOCIAÇÃO DO MÉDIO TEJO

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Ourém é mais uma vez referência no Blog da Real Associação do Médio Tejo, em http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.pt/.O artigo publicado no AUREN “Ourém é terra nobre de velhos pergaminhos que honra a História e respeita a tradição”, é transcrito naquele blogue monárquico.

A Real Associação do Médio Tejo é a organização da Causa Real que agrupa localmente os monárquicos dos concelhos da região, mormente de Ourém. A Causa Real é, conforme se menciona nos seus estatutos, “uma associação de direito civil, dotada de personalidade e capacidade jurídica e tem por missão a defesa do ideal monárquico, da Instituição Real e no limite a Restauração da Monarquia em Portugal, reconhecendo que os direitos dinásticos da Coroa Portuguesa pertencem à pessoa de Sua Alteza Real O Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança, e a quem legitimamente lhe venha a suceder como Chefe da Casa Real.”

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D. NUNO ÁLVARES PEREIRA, O SANTO CONDESTÁVEL, RECENTEMENTE CANONIZADO, CONTINUA HÁ MAIS DE MEIO SÉCULO A AGUARDAR A HOMENAGEM QUE LHE É DEVIDA NA CAPITAL DE PORTUGAL

O pedestal que, em Lisboa, estava destinado à estátua do Santo Condestável, foi destruído e transformado num amontoado de calhaus. Trata-se agora de uma alegada obra escultórica que dizem em homenagem ao 25 de abril, existente ao cimo do Parque Eduardo VII e em relação à qual os lisboetas batizaram de “pirilau”. Entretanto, D. Nuno Álvares Pereira continua sem que a capital do país se lembre de prestar-lhe a devida homenagem, erguendo-lhe uma estátua numa das suas praças apesar da sua canonização recente e ainda de, ao que tudo indica, a referida estátua se encontrar construída desde 1946.

Estátua de D. Nuno Álvares Pereira em Ourém

A este propósito, em 17 de dezembro de 1946, o deputado Salvador Teixeira proferiu na Assembleia Nacional a seguinte intervenção:

“Sr. Presidente: li, com sincero júbilo, no Diário da Manhã que estavam em execução as estátuas dos navegadores portugueses Gonçalves/arco, Gil Enes, Nuno Tristão, Pedro da Sintra, João de Santarém, Diogo Cio, Pêro de Alenquer. Nicolau Coelho, Gaspar Corte-Real, António de Abreu e Pedro Escobar, destinadas ao futuro plano urbanístico da zona da Torre de Belém, e outras estátuas, como as de D. Dinis e D. João III para a cidade de Coimbra e de D. Nuno Alvares Pereira, D. João I e D. João II para a cidade de Lisboa, estas em locais a estudar com a Câmara Municipal.

Confesso o meu contentamento por esta iniciativa, que é expressão da política de espírito, e que vem dar-nos unia grande lição, lição que é o reconhecimento da dívida que temos para com todos os construtores do Império; e digo simplesmente reconhecimento porque o pagamento dessa dívida impende sobre a nossa geração o sobre as futuras, que têm sobre si o imperativo dever de trabalhar afincadamente pelo engrandecimento espiritual da Nação e assegurar a sua eternidade.

E porque é assim, e porque tive a honra, de já nesta sala por duas vezes me dirigir ao Governo solicitando que a estátua a Nuno Alvares Pereira fosse erigida na capital do Império, deixo aqui o testemunho do meu reconhecimento a S. Exª. o Ministro das Obras Públicas e Comunicações, engenheiro Cancela de Abreu, que foi ilustre membro desta Câmara e, de uma maneira geral, ao Governo, reconhecimento que é muito vivo como manifestação de aplauso à política de espírito.

A imagem mostra o pedestal (à esquerda) que estava destinado a receber a estátua de D. Nuno Álvares Pereira

Porém, à semelhança do que sucedeu com o próprio Parque Eduardo VII cujos planos nunca chegaram a ficar concluídos, também o monumento a erigir ao foi envolvido em polémica, a saber se o Santo Condestável deveria ser representado a pé ou a cavalo... e assim permaneceu o pedestal durante muitos anosa aguardar a colocação da estátua!

Decorrida meia dúzia de anos, o deputado Salvador Teixeira volta a intervir na Assembleia Nacional, proferindo na sessão de 18 de abril de 1952 as seguintes palavras:

“Sr. Presidente: terminado há muito o fragor da rija peleja travada nesta lídima representação nacional, na imprensa e na opinião pública, entre os partidários da representação equestre e da pedestre, para a estátua a erigir na capital do Império ao Santo Condestável, esbateram-se já mesmo os ecos desse vivíssimo prélio, de que não perdura mais do que o sentido alto da divida - ou, melhor, do seu reconhecimento- que permanece aberta para com aquele que, à parte raros topónimos em muito raros agregados populacionais, apenas, possui, do meu conhecimento, um modesto, mas notável, monumento, cuja fotografia tenho aqui presente e à disposição dos Srs. Deputados, lá para as bandas do planalto geresiano, em Salto, e um pequenino obelisco, a sul do Reboludo, na cerca do Colégio das Missões Ultramarinas em Cernache do Bonjardim, com a seguinte legenda:

«Local em que existiam os Paços do Bomjardim Solar da Família de Nuno Alvares Pereira que aqui nasceu em 24 de Junho de 1360»

Em Lisboa há muito tempo que, no alto do Parque de Eduardo VII, em frente ao local destinado ao Palácio da Cidade, se encontra, triste e esquecido, guardado à vista por duas altas colunas, o pedestal destinado à estátua do Herói.

Dar-se-á o caso de ir repetir-se a demora havida para a conclusão dos monumentos que foram acabados de erigir pelo Estado Novo nos topos das Avenidas da Liberdade e da República?

Ou, como dizia há bastantes meses ao microfone da Rádio Renascença, o intemerato lutador Zusarte de Mendonça: «foi abandonada a ideia dessa homenagem, que todos os bons e sinceros nacionalistas reclamam como imperioso dever da Pátria a uma das suas mais gloriosas figuras»?

Não quero acreditar que possa ser afirmativa a resposta a qualquer destas perguntas.

Porque assim é, e porque várias vezes e desde há bastantes anos, venho tratando deste assunto nesta Assembleia, apelo para o Governo, mais uma vez e sempre confiante, no sentido de que este, por si ou pela Câmara Municipal de Lisboa, rapidamente efetive a conclusão e a inauguração do monumento e que nessa ocasião se faça uma romagem patriótica ao local onde nasceu o Herói e Santo, local que deve ficar assinalado por forma adequada.”

- É altura de Portugal prestar a homenagem que é devida a São Nuno Álvares Pereira erguendo-lhe um monumento condigno numa das praças mais emblemáticas da capital, porventura no local que lhe estava originalmente destinado ao cimo do Parque Eduardo VII, virado para o rio Tejo e o Convento do Carmo onde passou os seus últimos dias e foi sepultado!



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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
OURÉM NO BLOGUE DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA

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Ourém é mais uma vez referência no Blog da Família Real Portuguesa, em http://realfamiliaportuguesa.blogspot.pt/. Desta vez, é citado o artigo publicado no AUREN sob o título “Ourém é terra nobre de velhos pergaminhos que honra a História e respeita a tradição”.

Como é sabido, os Duques de Bragança, descendentes dos nossos reis e herdeiros do trono de Portugal, são também detentores do título de Condes de Ourém. As origens históricas do Concelho de Ourém cruzam-se com a própria história da Nação e encontram-se intimamente ligadas à Família Real Portuguesa desde os alvores da nacionalidade.



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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
OURÉM É TERRA NOBRE DE VELHOS PERGAMINHOS QUE HONRA A HISTÓRIA E RESPEITA A TRADIÇÃO

Em pleno burgo medieval de Ourém, à sombra do imponente Castelo, encontra-se sediada a Real Associação de Guardas de Honra dos Castelos, Panteões e Monumentos Nacionais e ali também funciona também o Museu Nacional do Santo Condestável que mantém uma exposição permanente dedicada a São Nuno.

Com antecedentes na Guarda Real e Guarda Tudesca da Casa Real de Bragança no século XVI, a Real Associação de Guardas de Honra dos Castelos, Panteões e Monumentos Nacionais tem por missão “apoiar, dinamizar e difundir a antiquíssima tradição portuguesa das guardas reais” seguindo a “tradição da salvaguarda das Pessoas Reais em território nacional ou fora dele”.

Conta esta organização com o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa, sob a pessoa do Chefe da Casa, Sua Alteza Real Dom Duarte Pio de Bragança, Conde de Ourém e Duque de Bragança.

Com a devida autorização que desde já agradecemos, o AUREN publica esta série de fotos pertencentes à Real Associação de Guardas de Honra dos Castelos, Panteões e Monumentos Nacionais e transcreve a respetiva descrição, proporcionando aos seus leitores um melhor conhecimento da História e do património do Concelho de Ourém.

“São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira e Santa Maria Egypciaca, Protectora da antiquíssima Irmandade dos soldados da Guarda Real, são os Patronos Protectores da Real Guarda de Honra.

Com antecedentes na Guarda Real e Guarda Tudesca da Casa Real de Bragança mo século XVI, e à semelhança do instituto Italiano homólogo a Associação Portuguesa forma Guardas de Honra para prestarem serviço memorial junto dos túmulos de ilustres Portugueses, em regime de voluntariado, não remunerado, contribuindo assim para o enriquecimento do “Culto da Pátria Gloriosa”, da história e da Cultura Portuguesa, e o sentido patriótico e de honra que é devido à memória dos nossos Reis e Heróis nacionais. Seguimos ainda a tradição da salvaguarda das Pessoas Reais em território nacional ou fora dele, como tem acontecido diversas vezes.

A Sede da Real Guarda de Honra Museu é no Núcleo bélico (antigo Museu Militar de São Jorge) do Museu Nacional do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira (Propriedade da Fundação Histórico-Cultural Oureana).

Sediado desde 24 de Junho de 2009, Festa de São João Baptista e aniversário do nascimento de São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira e criado através de um Protocolo entre a Fundação Batalha de Aljubarrota e a Fundação Histórico-Cultural Oureana, o Museu do Santo Condestável ou Núcleo Museológico Bélico do Santo Condestável é um complexo que integra não só o espólio do antigo Museu Militar de São Jorge, como também vários artefactos, documentos e relíquias preciosas ligadas à vida, culto e processo Canónico do Santo Condestável. Fala também da vida em Portugal e na Europa no seu tempo e com especial destaque para o Castelo de Ourém do qual D. Nuno foi 3º Conde.

O espólio inclui uma Sala de Armas com réplicas das armas da época, importantes artefactos arqueológicos encontrados na zona histórica e que estiveram anteriormente no Museu Etnográfico e Arqueológico Municipal da Fundação em protocolo com a Câmara Municipal de Ourém e extinto em 2000. As relíquias insignes do novo Santo Português encontram-se num catafalque com o simulacro do corpo de D. Nuno tal como foi sepultado na campa rasa no Mosteiro do Carmo em Lisboa e vários objetos pessoais.

No museu existe também uma réplica da Santa Casa de Loreto em tamanho natural constituida por vontade de John Haffert, relíquia que era venerada na Idade Média por muitos devotos tal como D. Nuno e dentro da réplica da qual é demonstrado a devoção que D. Nuno tinha pela Beata Virgem Maria e o que fez pelo Seu Culto em Ourém e em Portugal.

A atual exposição que pretende complementar e incentivar as pessoas a visitarem o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, é composta por três salas divididas em cerca de vinte e cinco áreas temáticas.

O Coronel Vítor Valente Portugal dos Santos, Diretor Emérito do Museu Militar de São Jorge e Comandante do Panteão da Dinastia de Avis no Mosteiro da Batalha é o Diretor Honorário do Complexo.

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O Dr. Carlos Evaristo junto das peças do museu

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Memorial a SAI Dom Pedro Luís Maria José Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Ligne (1983 — 2009), Príncipe do Brasil e Príncipe de Orléans e Bragança, filho mais velho de D. Antônio João de Orléans e Bragança, Príncipe do Brasil e Príncipe de Orléans e Bragança, e de D. Christine de Ligne, Princesa de Ligne falecido no desastre aéreo Air France 447 de 31 de Maio de 2009.

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Armas utilizadas à época de D. João I e do Santo Condestável

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Sala de armas

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Coleção de Relíquias de São Nuno

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Caldeirão que foi de São Nuno, da Obra do Caldeirão e diversas relíquias do Santo Condestável

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Monumento a D. Afonso, IV Conde de Ourém, oferecido ao novo edifício dos Paços do Concelho de Ourém

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Monumento a São José que relembra a Antiga Ermida de São José que existiu no local

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Sala de armas

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Coleção de imagens diversas do Santo Condestável.

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Baixos-relêvos representando símbolos nacionais

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Espadas e Elmos atribuídos a D. João I e ao Santo Condestável

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Espadas de D. Nuno Àlvares Pereira

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Um aspeto do Museu

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Os elementos de um Castelo

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Réplica da Santa Casa de Loreto (Nazaré) relíquia favorita de São Nuno, uma pedra da qual o acompanhava sempre num relicário de Batalha ao pescoço

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Instrumentos náuticos à época das primeiras navegações dos Descobrimentos. O astrolábio e a balestilha.

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Fotos: Real Associação de Guardas de Honra dos Castelos, Panteões e Monumentos Nacionais



publicado por Carlos Gomes às 10:49
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
ESTÁTUA DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA JUNTO AO MOSTEIRO DA BATALHA FOI INAUGURADA HÁ 45 ANOS!

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Passam precisamente 45 anos desde a data da inauguração da estátua de D. Nuno Álvares Pereira, III Conde de Ourém e Condestável do Reino, frente ao Mosteiro da Batalha.

Trata-se de uma obra da autoria do escultor Leopoldo de Almeida e a cerimónia contou com a presença de numerosas individualidades entre as quais o Presidente da República, Almirante Américo Tomaz, o Presidente do Conselho de Ministros, Professor Dr. António de Oliveira Salazar, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o Ministro do Ultramar, Dr. Joaquim da Silva Cunha e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Vitorino França Borges.

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Fotos: Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa



publicado por Carlos Gomes às 00:13
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
FALECEU HOJE AOS 100 ANOS DE IDADE, D. MARIA ADELAIDE DE BRAGANÇA, FILHA DE D. MIGUEL II, 25º CONDE DE OURÉM

D. Maria Adelaide de Bragança van Uden, neta do rei D. Miguel, morreu hoje com 100 anos de idade. Filha de D. Miguel II e de Maria teresa de Löwenstein-Wertheim-Rosemberg, D. Maria Adelaide de Bragança é tia de D. Duarte Pio, atual Duque de Bragança e Conde de Ourém.

Ainda recentemente fora-lhe prestada homenagem pelo Presidente da República que lhe atribuiu a medalha de Grande Oficial da Ordem de Mérito Civil. Ao longo da sua vida foram numerosos os exemplos de abnegação demonstrados como a resistência aos nazis na Áustria que lhe valeu a prisão e ainda a criação da Fundação Nun'Álvares Pereira para apoio aos carenciados.

As cerimónias fúnebres decorrerão em ambiente familiar e, na próxima quinta-feira, pelas 20h, terá lugar no Mosteiro dos jerónimos a celebração da missa do sétimo dia.



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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
REVISTA "FLASH" ENTREVISTA CONDES DE OURÉM

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A propósito da quadra festiva que se aproxima, a última edição da revista Flash entrevista D. Duarte Pio e D. Isabel de Bragança, num extenso trabalho jornalístico que inclui destaque de capa. Refira-se que os Duques de Bragança são também Condes de Ourém.



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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011
D. DUARTE PIO, CONDE DE OURÉM, PRESIDIU ÀS CERIMÓNIAS DE CONSAGRAÇÃO DE CONFRADES, GUARDAS E CAVALEIROS DA REAL CONFRARIA DO SANTO CONDESTÁVEL QUE SE REALIZARAM EM OURÉM

Teve lugar no passado dia 5 de Novembro, na Real e Insigne Sé da Colegiada e no Castelo de Ourém, a cerimónia de consagração de Confrades, Guardas e Cavaleiros da Real Confraria do Santo Condestável que constitui um Laicado Carmelitano. As celebrações da Festa de São Frei Nuno de Santa Maria contaram com a presença de SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e Conde de Ourém, que presidiu às cerimónias. Na ocasião, foi celebrada missa por D. Manuel dos Santos, Bispo de S. Tomé e Protector da Real Confraria e Reais Irmandades, tendo decorrido a cerimónia de investidura de Irmãos Confrades, Alcaides e Condestáveis.

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As cerimónias incluíram uma visita aos monumentos ligados a S. Nuno e à Botica, a realização da Assembleia de Confrades e o apadrinhamento de obras sociais.

No dia 30 de Outubro, foi celebrada missa em língua inglesa, pelo Capelão Padre Mariani, na Capela Latina, “Domus Pacis”, em Fátima, como Memorial de Homenagem a assinalar o 10º Aniversário Falecimento de John Mathias Haffert.

As imagens que publicamos registam vários aspectos das cerimónias que decorreram em Ourém, durante a visita à Botica dos Castelos, à celebração da missa e ao jantar realizado, eventos que contaram com a participação da Federação das Reais Irmandades de São Miguel e da Real Guarda de Honra.

De referir que, de acordo com documentos históricos, D. Nuno Álvares Pereira faleceu em 1 de Abril de 1431, com 71 anos de idade, apesar da sua festa litúrgica se realizar a 1 de Novembro em virtude dos frades carmelitas lhe terem consagrado esse dia.

Texto e fotos: José Santos

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publicado por Carlos Gomes às 14:38
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
TÚMULO DE NUNO ÁLVARES PEREIRA, III CONDE DE OURÉM, NO PANTEÃO NACIONAL

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O Panteão Nacional, na Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, exibe o túmulo de D. Nuno Álvares Pereira. Trata-se, como é evidente, de uma representação simbólica e homenagem a uma das maiores figuras da nossa História Pátria.

Como é sabido, nem todos os grandes vultos que construíram Portugal ao longo de quase nove séculos se encontram no Panteão Nacional. Nem tal poderia suceder pois a ideia de construir um monumento com estas características é relativamente recente.

A começar pela Igreja de Santa Cruz, em Coimbra e a terminar no Mosteiro dos Jerónimos, passando pelo Mosteiro da Batalha, Alcobaça, Leça do Balio, S. Vicente de Fora e na própria Igreja da Colegiada de Ourém, é demasiado grande o panteão nacional que, todos reunidos, decerto não caberiam em Santa Engrácia. Não admira, pois, que nos últimos tempos ali tenham entrado algumas figuras controversas a preencher os lugares vagos deixados pelos que foram realmente as grandes figuras da nossa História.



publicado por Carlos Gomes às 00:05
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
D. NUNO ÁLVARES PEREIRA, 3º CONDE DE OURÉM, FALECEU HÁ 580 ANOS

S. Nuno Alvares Pereira

Passaram ontem precisamente 580 anos sobre a data do falecimento de D. Nuno Álvares Pereira, 3º Conde de Ourém. Canonizado em 26 de Abril de 2009, São Nuno de Santa Maria foi uma figura central na resolução da crise dinástica que Portugal atravessou em 1383-1385 a qual, entre outros aspectos, colocou então em causa a soberania nacional.



publicado por Carlos Gomes às 05:56
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
ICONOGRAFIA DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA, III CONDE DE OURÉM, NA IGREJA DO SANTO CONDESTÁVEL EM LISBOA

A Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, foi projectada pelo arquitecto Vasco Regaleira, então considerado o arquitecto oficiais das “novas igrejas”. Até à altura da sua inauguração, em 14 de Agosto de 1951, a paróquia do Santo Condestável encontrava-se instalada na Igreja de Nossa Senhora das Dores.

O templo apresenta vários conjuntos escultóricos da autoria de Leopoldo de Almeida e Soares Branco, um fresco de Severo Portela e dois magníficos vitrais que Almada Negreiros criou para as janelas ogivais que se encontram sobre os altares laterais.

Consagrada ao Santo Condestável, a iconografia representada neste monumento não podia deixar de se centrar na figura de D. Nuno Álvares Pereira. São disso exemplo os elementos artísticos que a seguir nos referimos.

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O fresco, da autoria dos pintores Portela Júnior e Joaquim Rebocho, representa a glorificação do Beato Nuno de Santa Maria. Juntamente com o coro dos anjos, de um lado está o rei, um cavaleiro e um legista; do outro, um soldado e um frade. À esquerda da imagem, a bandeira de D. João I. À direita vê-se a bandeira de Nun'Álvares, que inclui a representação do Calvário e de S. Tiago; logo a seguir, o pendão dos Carmelitas.

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A imagem destaca a figura de D. Nuno Álvares Pereira do conjunto escultórico existente sobre o pórtico de entrada da igreja.

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Sobre o pórtico de entrada da Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, apresenta-se um conjunto escultórico da autoria de Leopoldo de Almeida, no qual aparecem, ladeando a figura de D. Nuno, do lado esquerdo, o Anjo de Portugal e, do lado direito, S. Miguel Arcanjo.

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A Cruz da Ordem de Avis.

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Na cripta da Igreja do Santo Condestável encontra-se o túmulo contendo as suas relíquias.



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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
RESTOS MORTAIS DE D. NUNO ÀLVARES PEREIRA, III CONDE DE OURÉM, REPOUSAM DESDE 1951 NA IGREJA DO SANTO CONDESTÁVEL EM LISBOA

Numa das colinas de Lisboa, um pouco acima da Basílica da Estrela e do antigo mosteiro beneditino onde actualmente funciona a Assembleia da República, surgiu nos começos do século XX um bairro de aspecto agradável com ruas ortogonais a que foi dado o nome de Campo de Ourique, estendendo-se desde os Prazeres até São João dos Bem-casados, agora erradamente referenciado como Amoreiras. Constituída como paróquia desde 1934 por decisão do Cardeal Cerejeira, viria em 7 de Fevereiro de 1959 a ser elevada a Freguesia com o nome de Santo Condestável, tendo o seu território sido desmembrado da centenária Freguesia de Santa Isabel.

Em 1946 começou ali a ser construída a Igreja do Santo Condestável destinada a receber as relíquias do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, tendo a mesma sido inaugurada em 14 de Agosto de 1951. Nessa altura, teve lugar um aparatoso cortejo desde o Convento do Carmo para a transladação das relíquias, tendo comparecido à cerimónia numerosas individualidades entre as quais o Presidente do Conselho de Ministros, Professor Dr. Oliveira Salazar, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Álvaro Salvação Barreto.

Desde então, as relíquias do Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, III Conde de Ourém, encontram-se na cripta da Igreja que em Lisboa foi erguida em sua memória.

A igreja apresenta um traçado simples, assentando numa cruz latina com três naves. A traça arquitectónica é da autoria do arquitecto Vasco Morais Palmeiro (Regaleira), tendo seguido o estilo gótico, inspirado na Igreja da Graça, em Santarém, e na Igreja do Convento do Carmo, em Lisboa, ambas do século XV.

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O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira benze a primeira pedra da construção da Igreja do Santo Condestável, em Lisboa. 

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Lançamento da primeira pedra para a construção da Igreja do Santo Condestável, em Lisboa.A27310

A imagem regista o momento em que Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Gonçalves Cerejeira, acompanhado de outros membros do clero, se dirige para o local onde vai ser construída a Igreja do Santo Condestável.

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Um aspecto da cerimónia do lançamento da primeira pedra na qual toma parte o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Gonçalves Cerejeira.

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A cerimónia do lançamento da primeira pedra incluiu missa campal e parada militar.

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As cerimónias revestiram-se de grande solenidade.

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Um aspecto da parada militar no local onde veio a ser erguida a Igreja do Santo Condestável.

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A imagem regista a parada militar que teve lugar aquando da inauguração da Igreja do Santo Condestável.

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A inauguração da Igreja do Santo Condestável contou com a presença de numerosas individualidades entre as quais, distinguem-se na foto, o Presidente do Conselho de Ministros, Prof. Dr. Oliveira Salazar, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira e o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Álvaro Salvação Barreto. 

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A imagem regista o momento em que, na cerimónia de inauguração, eram transportadas as relíquias do Santo Condestável.

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Sobre o pórtico de entrada da Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, apresenta-se um conjunto escultórico da autoria de Leopoldo de Almeida, no qual aparecem, ladeando a figura de D. Nuno, do lado esquerdo, o Anjo de Portugal e, do lado direito, S. Miguel Arcanjo. À entrada, exposta na parede exterior, pode ver-se ainda uma réplica da sua espada.

Fotos: Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa



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Domingo, 2 de Outubro de 2011
COMPANHIA “ROSAS & BRAZÃO” REPRESENTOU A PEÇA “O ALFAGEME DE SANTARÉM” DE ALMEIDA GARRETT

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As imagens mostram cenas da peça “O Alfageme de Santarém”, de Almeida Garrett, representada pelos actores Augusto Rosa, João Rosa e Eduardo Brazão. Refira-se que, este grupo de actores fundou em 1893 a famosa empresa teatral Rosas & Brazão.

Nesta peça, o actor Augusto Rosa desempenha o papel de D. Nuno Álvares Pereira enquanto Eduardo Brazão encarna a figura do alfageme Fernão Vaz. Por sua vez, o actor João Rosa representa o padre Froitão.

Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa

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O actor Augusto Rosa no papel de D. Nuno Álvares Pereira

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O actor Eduardo Brazão representando o alfageme Fernão Vaz

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O actor João Rosa no papel de padre Froitão



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OURÉM E A LENDA DO ALFAGEME DE SANTARÉM

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A história tradicional do Alfageme de Santarém, que o povo conta de várias maneiras — mas sempre à sua maneira — foi conservada para a posteridade através da Crónica do Condestabre, atribuída a Fernão Lopes, e deu origem, além de outros trabalhos novelísticos, poéticos e jornalísticos, ao bem conhecido drama teatral de Almeida Garrett, que se representou pela primeira vez em público no velho teatro da Rua dos Condes, em 1842.

Porém, para a evocação que vou fazer, mais do que nessas duas preciosas fontes, baseio-me na narrativa que dela ouvi, quando ainda menino, a um velho campino do Ribatejo. Foi essa a primeira vez que aos meus ouvidos chegou a história do Alfageme. E lá diz o povo, na sua terna sabedoria: «Não há amor como o primeiro…»

Ele chamava-se Fernão Vaz e era considerado, pelos entendedores, o melhor alfageme das redondezas. Já seu pai fora também um grande artífice. À custa de muito trabalho e de alguns sacrifícios, Fernão Vaz juntara fortuna que lhe dava uma certa independência. E também uma certa soberba. Dizia-se até que fora por via dessa fortuna que com ele casara a jovem e linda Alda Gonçalves, a qual, em tempos, andara enamorada de D. Nuno Álvares Pereira.

Ora aconteceu que, certo dia, D. Nuno Álvares Pereira, cavalgando de longe, veio parar à porta de Fernão Vaz.

D. Nuno saltou em terra e dirigiu-se ao homem que continuava a trabalhar, como que indiferente ao que se passava em seu redor.

— Eh, mestre alfageme!... Podeis correger-me esta espada?

O outro suspendeu o trabalho que tinha entre mãos. Olhou para D. Nuno. Olhou para a espada. E só então falou.

— Senhor, por hoje cheguei ao fim do meu trabalho... E bem preciso de descansar...

Olhou-o de novo e rematou com ênfase:

— Mas, enfim, como se trata de vós, ordenai. Farei o que desejardes.

D. Nuno Álvares Pereira sorriu.

— Obrigado, mestre alfageme... Disseram-me que ninguém possui habilidade igual à vossa...

No silêncio que se fez, olharam-se melhor. D. Nuno Álvares Pereira reparou então mais atentamente no homem que tinha diante de si.

— Céus, de onde conheço eu o vosso rosto?... Onde vi eu já esses vossos olhos... irónicos e indiscretos?

Fernão Vaz inclinou-se levemente, numa vénia.

— Senhor D. Nuno Álvares Pereira...

Novo espanto. Maior e mais profundo.

— Pois... conheceis-me?

Foi a vez do alfageme sorrir.

— E quem não vos conhece?

Depois, avançou um pouco e disse em tom pausado:

— Vou ajudar a vossa memória, senhor. Eu sou o marido de Alda Gonçalves... agora Dona Alda Vaz!

Seguiu-se uma pausa. Pausa feita de recordações. De alegres e tristes recordações. Quando voltou a falar, a voz de D. Nuno Álvares Pereira era menos firme.

— O quê? Sois vós?... Bem me lembro agora, afinal... Principalmente dos vossos olhos, irónicos e indiscretos...

Mudando o tom da voz, continuou, com aquela segurança de ânimo que lhe dava uma irresistível autoridade:

— Mas aqui vos deixo a espada, mestre alfageme... Quando a dareis pronta?

O outro segurou a arma e mediu-a longamente com o olhar.

Longamente e abstractamente. Pensava decerto noutras coisas. Mas a sua voz soou igualmente segura, como quem acaba de tomar uma grande resolução.

— Amanhã de manhã podereis vir buscá-la, senhor D. Nuno… Não me deitarei sem que a deixe corregida e afiada, como desejais!

D. Nuno sorriu cortesmente.

— Obrigado, mestre... Até amanhã!

Tal como prometera, Fernão Vaz passou a noite inteira trabalhar a espada de D. Nuno Álvares Pereira. Era já manhãzinha quando recolheu aos seus aposentos. Apesar de todas as recomendações, Alda ainda estava desperta.

— Só agora, Fernão Vaz?

Ele estacou à porta do quarto ao escutar aquela voz doce mas autoritária. E foi ainda dominado pela surpresa que balbuciou uma pergunta:

— Pois não dormistes?... Ficastes toda a noite à minha espera?

Um sorriso bonito e amoroso envolveu a resposta.

— Sim, meu bom marido... Eu poderia lá adormecer sem a vossa companhia!...

E, num ar de ternura, acrescentou entre dois breves suspiros:

— Sozinha, tive tanto susto, senhor meu marido! Felizmente, ouvia-vos a trabalhar na oficina...

Suspendeu-se um momento. E, num reflexo de curiosidade recalcada, acabou por perguntar:

— Mas, afinal, que trabalho foi esse que vos fez esquecer a vossa mulher?

Fernão Vaz olhou-a, sorrindo. Sorriso com mistura de carinho e de altivez.

— Sabeis lá!... Estive a afiar e a correger uma espada... para quem talvez não o devesse fazer...

Ela soergueu-se do leito. Intrigada. Desconfiada. Perplexa.

— Que tamanho segredo é esse, senhor meu marido?... De quem se trata?

Fernão Vaz fitou-a bem de frente.

— Pois escutai, senhora... Estive a trabalhar... para D. Nuno Álvares Pereira!

Ela não pôde disfarçar o choque. A sua voz tornou-se nervosa e trémula.

— Como? Que dizeis?... D. Nuno esteve aqui?... E que vos desejava ele?

O sorriso do marido alargou-se, estendeu-se, acentuou-se, deixando-a mais tranquilizada.

— Já vos disse... Estive a correger e a afiar a sua espada.

Um suspiro escapou-se dos lábios de Alda Vaz.

— Oh, meu Deus!

O marido inclinou-se imediatamente para ela, ávido de revelações.

— Vedes?... Vedes como ainda gostais dele?... Eu sempre temi este momento!

As mãos dele caíram, num desânimo sincero, ao longo do corpo.

— O vosso coração não me pertence!

Mas logo as mãos dela correram a segurar as mãos do marido, apertando-as, puxando-as para si, aquecendo-as com amor.

— Calai-vos, senhor meu marido!... Não deveis dizer tontices... O meu coração é vosso, desde que casei convosco...

Ele ainda quis aproveitar, para insistir na sua suspeita de ciúmes.

— Mas ficastes impressionada, confessai!

Alda Vaz riu-se. Riso meigo, tranquilizador.

— Ora, apenas porque receei por vós... Às vezes, acreditai, o despeito transtorna os mais sensatos...

O tom da sua voz adquiriu ainda maior sinceridade.

— E embora eu confie plenamente na nobreza de sentimentos de D. Nuno, tive medo, muito medo!

Suspirou profundamente, sentidamente, e rematou:

— Felizmente que ele veio por bem!

Fernão Vaz endireitou-se, numa postura altiva.

— Eu disse-lhe que era vosso marido!

Por instantes, a curiosidade bailou no olhar alvoroçado de Alda Vaz.

— E ele?... Que disse ele?

A resposta veio com um sorriso. Sorriso tocado de ironia.

— Nada disse, senhora!... Nem sequer perguntou por vós...

Alda Vaz pestanejou. Nem pareceu reparar na ironia do sorriso. Limitou-se a concluir, em voz baixa e despida de emoção:

— Já me esqueceu, decerto... como eu também já o esqueci...

Depois estendeu as mãos ao marido, num gesto de carinhosa chamada.

— Sinto-me feliz, tal como sou!

Ele ajoelhou junto do leito e beijou-lhe as mãos. Suavemente. Amorosamente.

— Como vos adoro, senhora!... Hoje mais que nunca!

Na manhã seguinte, conforme ficara combinado, D. Nuno Álvares Pereira veio à oficina logo ao romper do sol. O alfageme já o esperava. Mal o viu, correu para ele.

— Aqui tendes a vossa espada, senhor.

D. Nuno Álvares Pereira examinou-a atentamente, como um conhecedor. E o seu rosto reflectiu alegria e satisfação.

— Belo trabalho, mestre alfageme... Está perfeitíssima!

Voltou-se então para trás, gritando a um dos seus acompanhantes.

— Eh, escudeiro, pagai ao mestre alfageme o que ele vos pedir!

Mas Fernão Vaz, nessa altura, adiantou-se um pouco e interpôs-se entre ambos.

— Perdão, senhor D. Nuno... Se mo permitis, eu por ora não quero de vós nenhum pago.
O outro olhou-o. Surpreendido. Desconfiado. E gritou:

— Mas porquê?... Estais louco, decerto!

Sem alterar a voz, o alfageme confirmou:

— É o que vos digo, senhor... Nada quero receber.

E emoldurando então as suas palavras firmes num sorriso de confiança, acentuou:

— Ide embora, que em breve voltareis conde de Ourém... E então me pagareis o que eu merecer, senhor conde!

O semblante de D. Nuno desanuviou-se um pouco. Um breve sorriso nasceu ao canto dos lábios.

— Não me chameis conde, porque eu não o sou, mestre alfageme...

A sua voz tornou-se menos dura e autoritária.

— Deixai que vos paguem tudo o que quiserdes...

Fernão Vaz cruzou os braços numa obstinada recusa.

— Não é preciso, senhor... Eu só vos disse a verdade... E assim será cedo, se Deus quiser!

E Deus quis, na verdade, que a profecia do alfageme de Santarém depressa se realizasse. Mercê dos seus feitos de valentia e de heroísmo, fazendo frente a inimigos muito superiores em número e vencendo-os sem remissa, D. Nuno Álvares Pereira foi agraciado por el-rei D. João I com o honroso título de conde de Ourém.

Entretanto, em redor da vida de Fernão Vaz, o alfageme de Santarém, tinham-se amontoado muitas nuvens de tormenta, que ameaçava desencadear-se com terríveis consequências. De facto, invejas e intrigas minavam o prestígio de Fernão Vaz, até que os seus inimigos pessoais, arrastados pelo despeito e pela maldade, resolveram acusá-lo publicamente como traidor à Pátria.

Fernão Vaz sentiu-se desamparado. O cerco apertava-se cada vez mais. Os fregueses desapareceram, apavorados. E ele acabou por ser preso, vergado às infames acusações que lhe faziam.

Triste, desesperada, Dona Alda Vaz chorou a sua dor. A sua dor e o seu protesto.

— É falso! É mentira! Meu marido está inocente, mil vezes inocente! São os outros que nos querem mal, porque somos ricos e felizes... Socorrei-nos, meu Deus! Valei-nos!... Livrai meu marido da forca!

Mas de nada serviam as palavras e as lágrimas de Dona Alda Vaz. O alfageme de Santarém continuou preso e os seus bens foram totalmente confiscados. Vinha próxima a hora da morte!

Como último recurso, não vendo qualquer outra possibilidade, a jovem esposa decidiu procurar pessoalmente D. Nuno Álvares Pereira, o novo conde de Ourém.

Ele não a fez esperar. Mas quedou-se boquiaberto, quando a viu surgir na sua frente.

— Senhora! Vós aqui... e nesse estado? Por Deus!... Porque chorais, senhora?... Que vos aconteceu?

Entre duas novas crises de lágrimas que a faziam tremer, Dona Alda Vaz conseguiu explicar.

— Senhor D. Nuno, sabei que prenderam meu marido... Imaginai senhor! Acusam-no de traidor!

Parou, já sem fôlego. Exausta. Deprimida. Prestes a desmaiar. Porém, num novo impulso de coragem e de revolta, ainda soluçou baixinho:

— Sim, acusam-no de traidor… mas ele está inocente!... Absolutamente inocente!

E como que a lembrar-se do passado, ergueu para D. Nuno os lindos olhos inundados de lágrimas.

— Senhor... ainda acreditais em mim?

Um suspiro incontido saltou do peito de D. Nuno Álvares Pereira e escapou-se-lhe por entre os lábios.

— Ainda acredito em vós, sim!...

Semicerrou os olhos e as suas mãos cruzaram-se.

— Houve tempo em que talvez não acreditasse... Foi muito forte a desilusão de amor que me fizestes sofrer...

Ela baixou a cabeça. Como que vencida. Mais do que vencida, humilhada. Expiando a sua própria culpa.

— Senhor... por tudo vos peço que esqueçais esses tempos!...

Ele amparou-a docemente, obrigando-a a sentar-se. Depois sentou também diante dela e falou calmamente.

— Bem sei, Dona Alda Vaz... Tendes medo que o despeito me domine o coração, não é verdade?...

A voz tornou-se mais austera.

— Descansai!... Eu não posso nem devo olvidar que a profecia do vosso marido saiu certa... Infalivelmente certa!... Hoje sou conde Ourém, tal como ele me disse certo dia, em que eu não sonhava ainda sequer com esse título...

Levantou-se, deu alguns passos e voltou a parar em frente da desolada e lacrimejante Dona Alda Vaz. Depois sorriu, a acompanhar qualquer reflexão que lhe vinha do íntimo.

— Tem graça, Dona Alda Vaz... Lembro-me agora que vosso marido me disse também, nessa altura, que depois de eu ser conde de Ourém lhe pagaria o trabalho, conforme ele merecesse...

A sua voz soou como um clarim de combate.

— Pois muito bem: vou pagar-lhe!

A medo, tremendo mais, D. Alda Vaz perguntou:

— Senhor! Que ides fazer?... Matá-lo?

Sorrindo de novo, com ar resoluto e voluntarioso, ele respondeu apenas:

— Não. Vou salvá-lo!

Foi fácil a D. Nuno Álvares Pereira conseguir o seu intento. Tendo narrado tudo a D. João I, depressa ele conseguiu o perdão real para Fernão Vaz. E, montando o seu corcel mais ligeiro, meteu-se velozmente a caminho, chegando bem a tempo de salvar da forca o alfageme de Santarém, que mal podia acreditar em tamanha felicidade.

Mas D. Nuno Álvares Pereira foi ainda mais além. Juntou Fernão Vaz e sua esposa num abraço de amor, dizendo:

— Assim se cumpriu a vossa profecia, mestre alfageme!

Fernão Vaz soltou um suspiro, fantasma de atroz recordação.

— É verdade, senhor... Já sois conde e afinal pagastes muito melhor do que eu esperava!...

Então, D. Nuno Álvares Pereira avançou para ele. O seu semblante tornou-se mais sério.

— E agora sabeis que mais, Fernão Vaz?... Quero também armar-vos cavaleiro, para vos compensar das injustiças que vos foram feitas!

Surpreendido, o alfageme fitou D. Nuno bem de frente. A sua testa salpicou-se de reflexões. E concluiu, abanando a cabeça lentamente:

— Não, senhor D. Nuno, não posso aceitar a honra que me ofereceis. Vós sois um honrado e digno fidalgo... Não deveis descer de onde chegastes... Eu sou filho de alfageme, de um alfageme que sempre colocou o seu carácter acima de todas as coisas da vida... Por isso, D. Nuno, eu não quero subir, porque também não quero descer...

Por momentos quedaram-se em silêncio. Por fim, D. Nuno concordou.

— Aprovo as vossas palavras, embora elas contrariem um desejo que me seria muito grato. Já que nada mais posso fazer, desejo-vos muitas felicidades, para vós e para vossa esposa.

O mesmo sorriso de sempre abriu-se no rosto de Fernão Vaz.

— Obrigado, senhor... Eu bem sabia que podíamos confiar em vós!

Do alto da sua montada, D. Nuno Álvares Pereira ergueu o braço, num gesto de saudação.
— Ide, amigos!... Ide, e que Deus vos proteja!

Com um último adeus, mas sem dizer mais palavra, o alfageme e sua mulher seguiram de abalada, caminho de Santarém.

D. Nuno ficou afagando a sua espada de combate. O amor abalava para sempre da vida do herói. Mas ficava a espada que daí em diante seria a sua companheira e a sua dama!

Fonte: MARQUES, Gentil, Lendas de Portugal. Lisboa, Círculo de Leitores, 1997



publicado por Carlos Gomes às 10:04
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Sábado, 3 de Setembro de 2011
SANTA BEATRIZ DA SILVA TINHA RAÍZES OUREENSES

Santa Beatriz da Silva descendia do primeiro Conde de Ourém. D. João Teles de Menezes, encontrando-se os seus restos mortais na cidade espanhola de Toledo. Neste momento, a Diocese de Viseu celebra os 500 anos da aprovação da Regra de Santa Beatriz da Silva.

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Beatriz da Silva. A beleza dela impressionava na corte de Lisboa do século XV. Mas esta filha do primeiro governador português de Ceuta optou pela vida religiosa, desiludindo os pretendentes.

Esta santa portuguesa, canonizada em 1976 pelo Papa Paulo VI, era filha do primeiro alcaide de Campo Maior Rui Gomes da Silva, que combateu na conquista de Ceuta em 1415 e casou com D. Isabel de Menezes, filha do governador daquela praça, D. Pedro de Menezes, conde de Vila Real.

Deste casamento nasceu Santa Beatriz da Silva, provavelmente em Ceuta, em 1424.

Na corte de Lisboa, a beleza de Beatriz impressionou, sendo feita dama de D. Isabel de Portugal (neta de D. João I e mãe da rainha Isabel, a católica), quando esta casou com o rei João II de Castela, em 1447.

Beatriz da Silva acompanhou a jovem rainha para Toledo. Conta a história que por ciúme da sua beleza, a rainha terá fechado Beatriz numa arca, de onde, por milagre, sobreviveu rezando a Nossa Senhora.

Professou e mais tarde fundou a Ordem da Imaculada Conceição, franciscana, dedicada à contemplação, que conta hoje com cerca de cento e vinte conventos em todo o mundo, um dos quais se situa em Campo Maior.

Santa Beatriz morreu em Toledo a 9 de Agosto de 1492.

O seu referido avô materno, D. Pedro de Menezes, distinguido com o título de conde de Vila Real, foi almirante do Reino, capitão e governador de Ceuta, filho herdeiro de D. João Afonso Telo de Menezes, primeiro conde de Viana do Alentejo e de sua mulher Maior de Portocarreiro, senhora de Vila Real.

Era neto de D. João Telo de Menezes primeiro conde de Ourém, quarto conde de Barcelos, quarto almirante de Portugal e tio da rainha D. Leonor Teles, e de D. Guiomar Lopes Pacheco, da casa dos senhores de Ferreira de Aves. Este conde de Ourém era bisneto por varonia do segundo senhor de Albuquerque, D. João Afonso, filho de D. Afonso Teles, senhor de Menezes e de Albuquerque e de sua mulher D. Teresa Sanches, filha do rei D. Sancho I e da belíssima cortesã D. Maria Pais Ribeira, "a Ribeirinha".

A avó materna de Santa Beatriz da Silva, tal como a neta, também primava pela beleza: Isabel Domingues, "a Pixegueira", não era casada com o conde de Vila Real, mas dele teve, pelo menos, quatro filhos reconhecidos pelo pai que lhes passou entretanto o seu nome e, ao mais velho, D. Duarte de Menezes, transmitiu os seus títulos e a representação das suas poderosas casas.

Foram avós paternos de Santa Beatriz, Aires Gomes da Silva, o velho, alcaide de Guimarães e aio de D. Fernando I, por cuja morte tomou o partido legítimo, recusando-se a entregar o castelo da sua cidade ao rei D. João I, fundador da dinastia de Aviz, e Senhorinha Martins Redondo, da casa dos senhores de Melo.

D. Paio Guterres da Silva, oitavo-avô por varonia de Santa Beatriz, nascido cerca do ano 1000, casou com Adozinda Ermigues, bisneta de Lovezendo Ramires, filho do rei Ramiro II de Leão e de Zayda Ibn Zaida.

Esta moura era bisneta do terceiro califa de Córdova, Addallah ibn Muhammed, do clã dos omíadas, e de Onega Fortunes, filha do rei Fortuna Garcês de Pamplona e de Auria, neta de Musa al Qasaw governador de Saragoça, em sucessão a seu pai e seu avô Fortuna ibn Qasaw, casado com Aiasha.

Esta última era bisneta por varonia do califa omíada Yazif e de Kuttum Umm Kashim, filha do profeta Maomé, que por esta linha é 23.º avô de Santa Beatriz.

in Diário de Notícias, 22 de Março de 2008



publicado por Carlos Gomes às 15:05
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Viseu: Diocese iniciou celebração dos 500 anos da aprovação da Regra de Santa Beatriz da Silva

Evocação da religiosa descendente de pais portugueses prossegue este mês na cidade, antes do congresso internacional sobre as Concepcionistas.

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Viseu, 02 Set. 2011 (Ecclesia) – A diocese de Viseu iniciou esta quinta-feira a celebração dos 500 anos da aprovação da regra da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por santa Beatriz da Silva, religiosa descendente de pais portugueses.

A evocação iniciou-se com uma missa na igreja do Convento de Santa Beatriz, na cidade viseense, presidida pelo bispo local, D. Ilídio Leandro, revela um comunicado do gabinete de informação da diocese enviado à Agência ECCLESIA.

“Tudo passa e só Deus permanece – eis o segredo para que qualquer vocação se torne caminho de santidade, pessoal e comunitária e de ação para a transformação e a salvação do mundo”, afirmou o prelado na homilia

As celebrações dos cinco séculos da Ordem da Imaculada Conceição prosseguem a 17 de Setembro em Viseu, com uma representação teatral de homenagem a Santa Beatriz da Silva, marcada para as 15h00 no auditório do Centro Sócio-Pastoral.

O encontro, que inclui intervenções sobre a “Presença das Concepcionistas na Diocese de Viseu” (Custódio Costa) e acerca do “Carisma Contemplativo” daquela ordem (padre Abílio Ribeiro), termina às 18h30 com missa presidida por D. Ilídio Leandro.

Santa Beatriz da Silva nasceu em Ceuta cerca do ano de 1426, viajando para Campo Maior ainda jovem, transitando depois para a corte de Castela em 1447, como dama de honor da Infanta D. Isabel de Portugal.

Retirou se da corte para um mosteiro de Toledo, onde permaneceu mais de 30 anos, e em 1484 fundou o instituto que mais tarde tomou o título da Imaculada Conceição de Nossa Senhora (Concepcionistas), aprovado pelo Papa Inocêncio VIII em 1489.

Depois de fazer a profissão religiosa faleceu em 1492 com fama de santidade, tendo sido canonizada pelo Papa Paulo VI a 3 de Outubro de 1976.

De 14 a 16 de Outubro decorre em Fátima um congresso internacional dedicado à Ordem da Imaculada Conceição, congregação de vertente contemplativa que tem 148 mosteiros na Europa, Ásia e América, 74 dos quais em Espanha e dois em Portugal (Viseu e Campo Maior).

GIDV/RM

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/



publicado por Carlos Gomes às 14:59
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011
SS.AA.RR. OS DUQUES DE BRAGANÇA E CONDES DE OURÉM NO CASAMENTO DO PRÍNCIPE DA PRÚSSIA

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POTSDAM, ALEMANHA - 27 de Agosto: D. Duarte Pio, Duque de Bragança e esposa Duquesa Isabel de Bragança participam da cerimónia de casamento religioso, de Georg Friedrich Ferdinand Príncipe da Prússia com a princesa Sophie da Prússia na Friedenskirche Potsdam em 27 de Agosto de 2011, em Potsdam, Alemanha.

Via: Real Associação do Médio Tejo, em  http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.com/



publicado por Carlos Gomes às 01:20
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011
OS TÍTULOS QUE S.A.R., O SENHOR DOM DUARTE PIO DE BRAGANÇA OSTENTA

1121-21[1]

Rei de Portugal e dos Algarves

Infante de Portugal

Príncipe Real de Portugal

Príncipe da Beira

Duque de Barcelos

Duque de Bragança

Duque de Guimarães

Marquês de Vila Viçosa

Conde de Arraiolos

Conde de Barcelos

Conde de Neiva

Conde de Ourém

Como Chefe da Casa Real Portuguesa, Sua Alteza Real, O Senhor Dom Duarte Pio de Bragança é também Grão-Mestre da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, da Real Ordem de São Miguel da Ala, Juiz da Real Irmandade de São Miguel da Ala, Bailio Grã-Cruz da Ordem Soberana de Malta, membro do Conselho Científico da Fundação Príncipes de Arenberg.

Sua Alteza Real, o Senhor Duque De Bragança está ligado por laços familiares a várias Casas Reais da Europa, nomeadamente: Luxemburgo, Áustria-Hungria, Bélgica, Liechenstein, Itália, Espanha, Roménia, Sérvia, Bulgária Thurn e Taxis, Bourbom Parma, Loewenstein etc. Ler aqui.

Quando Lhe perguntam algo em que seja mencionada a sua condição de «pretendente ao trono», S.A.R., O Senhor Dom Duarte, responde que não quer assemelhar-se ao candidato a uma eleição e portanto recusa as «pretensões». Ele é, antes de mais, o representante de uma tradição monárquica e Chefe de uma Casa Real, e é nessa qualidade que procura desenvolver uma acção cívica que permita dar a conhecer as vantagens da Monarquia, em que acredita verdadeiramente. A independência do Chefe de Estado só pode conseguir-se, em Sua opinião, através da Instituição Real, que arbitra os destinos de um país, sem interesses particulares e pessoais, e que representa todos os cidadãos. O ideal monárquico, é profunda convicção de Dom Duarte, promove a união e não a dissensão, sendo por natureza suprapartidário para que o Rei possa desempenhar bem este seu papel de moderador. - O mantodorei.

Fonte: Família Real Portuguesa in http://realfamiliaportuguesa.blogspot.com/

Via: Real Associação do Médio Tejo, in http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.com/



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Sábado, 30 de Julho de 2011
D. FERNANDO I, V CONDE DE OURÉM, FOI O FUNDADOR DA CIDADE DE BRAGANÇA

Bragança 095

Estátua a D. Fernando, V Conde de Ourém, junto à cidadela de Bragança.

 

Em virtude do IV Conde de Ourém, D. Afonso de Bragança, ter falecido antes do seu pai, o Condado de Ourém passou para a posse do seu irmão mais novo, D. Fernando que também veio a ser II Duque de Bragança entre muitos outros títulos que recebeu.

Em face da sua bravura nas expedições organizadas por D. Afonso V ao norte de África, o rei recompensou-o com a elevação de Bragança à categoria de cidade em 1446.

D. Fernando foi ainda governador da praça de Ceuta e Regente do Reino quanto D. Afonso V partiu para a conquista de Arzila.



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Domingo, 26 de Junho de 2011
CONDES DE OURÉM REPOUSAM NO PANTEÃO DOS REIS DA DINASTIA DE BRAGANÇA NO MOSTEIRO DA IGREJA DE S. VICENTE DE FORA

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Possuindo a Dinastia de Bragança ascendência na Dinastia de Avis, passaram os Duques de Bragança a ostentar o título de Conde de Ourém. Estes repousam agora no Panteão dos Reis existente no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

O Panteão foi criado em 1885 por iniciativa do Rei D. Fernando II que mandou transferir para este espaço que foi refeitório dos cónegos, os túmulos que antes se encontravam numa pequena dependência junto à capela-mor da igreja.

Alguns monarcas não se encontram ali sepultados. São eles D. Maria I que jaz na Basílica da Estrela, D. Pedro IV que foi transladado para o Brasil e D. Maria Pia que se encontra no Panteão dos Sabóias, em Turim.

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Sobre os túmulos estão colocadas as respectivas coroas reais que simbolizaram os seus reinados.

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A Pátria chora os seus mártires. Junto os túmulos do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe, assassinados no atentado republicano de 1908.

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Um aspecto do panteão dos reis da Dinastia de Bragança que também foram Condes de Ourém, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

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Túmulo de D. João IV, em mármore.

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Túmulo de D. Manuel II, último Rei de Portugal.

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Túmulo de D. Amélia, Rainha no Trono, na Caridade e na Dor.

Panteão-SVicenteFora 011

Um aspecto do altar existente no panteão dos reis da Dinastia de Bragança.

 

Citações: http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.com/2011/06/condes-de-ourem-repousam-no-panteao-dos.html



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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA EM CONSTRUÇÃO NO ATELIER DO ESCULTOR LEOPOLDO DE ALMEIDA

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A imagem que se publica pertence ao Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa e regista a visita do Presidente daquela autarquia, António Vitorino França Borges, ao atelier do escultor Leopoldo de Almeida na altura em que este criava a estátua equestre de D. Nuno Álvares Pereira que viria a ser erigida em frente ao Mosteiro da Batalha.



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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
D. Afonso, 4º Conde de Ourém (2ª Parte)

(continuação)

Conde de Ourém

Até Itália não é feita referência descritiva a mais nenhum local ou edifício. Já em Siena é referida a porta da Sé e em Roma os paços de S. João de Latrão, onde ficaram alojados os noivos e que D. Afonso visitou, para além da antiga Catedral de S. Pedro, onde foram realizadas as cerimónias de casamento e unção dos imperadores, e das igrejas de S. Paulo e S. João e outros logares sagrados intra e extra muros da Cidade[59], que o narrador diz terem sido visitados pelo Marquês de Valença e respectiva comitiva. O texto de Pedro de Sousa acrescenta que D. Afonso terá querido expressamente visitar Assis, com o objectivo de prestar homenagem junto dos túmulos de S. Francisco e Santa Clara que estavam nas respectivas igrejas, o que obrigou a um desvio do caminho entre Siena e Roma, para poder fazê-lo. Não nos parece que o Conde de Ourém tenha seguido para Nápoles com o casal imperial após a coroação, mas há indicações em como se juntou, mais tarde a D. Leonor, para a acompanhar à Alemanha, em Junho de 1452.

Poderão colocar-se várias dúvidas: onde e quando se terá de novo juntado D. Afonso à Imperatriz para seguir depois viagem com ela? Sabendo que D. Leonor chegou a Neustat a 19 de Junho e que a comitiva portuguesa, que não a acompanhou, embarcou para Lisboa a 25 de Julho, será que D. Afonso regressou de novo a Pisa, passado pouco mais de um mês, para vir junto para Portugal? A resposta a esta questão parece-nos afirmativa pois esta seria a única justificação para que a comitiva portuguesa permanecesse em Itália, entre Abril e Julho de 1452, esperando assim o regresso do seu senhor. Verdadeiramente, nenhum dos registos escritos nos esclarece sobre o que se terá passado nestes três meses, bem como nos tempos seguintes, pois não conseguimos encontrar a data de regresso ao reino do 4º Conde de Ourém.

Mas a hipótese de D. Afonso ter aproveitado novamente para viajar ganha alguma plausibilidade atendendo a que, data de 1453 aencomenda que realizou, cujo registo o designa por Marchese di Valença, à oficina de Lucca della Robia em Florença, de um conjunto de peças que foram embarcadas no ano seguinte para Lisboa e que se destinavam, segundo Rafael Moreira, à Igreja da Colegiada de Ourém que por aquele tempo andava em construção[60]. Aliás, aquele autor, a este propósito, refere que D. Afonso passou por Florença em 1453. Terá permanecido na Alemanha durante alguns meses e regressado de novo a Itália? Ou teria alguém de confiança em Itália, através de quem fez as referidas encomendas?

Os dados que recolhemos da vida do 4º Conde de Ourém apenas nos permitem localizá-lo com toda a certeza em Portugal a 25 de Junho de 1455, quando o pequeno D. João II foi jurado herdeiro. Há portanto um hiato de tempo, razoavelmente  dilatado, em que não sabemos o que terá feito D. Afonso. Saiu de Portugal, em missão para Itália, no final de 1451; em Março de 1452 estava em Roma e em Junho do mesmo ano na Alemanha; e, enquanto o casal imperial esteve em Nápoles (partiu de Roma no final de Março e regressou a Veneza a meio de Maio), D. Afonso não o acompanhou. Não sabemos quando voltou a Portugal. Mas para quem tinha tão importantes obras em curso nos seus domínios atrevemo-nos a adiantar que ele terá regressado logo que foi dada como terminada a missão diplomática de que ia incumbido – Julho de 1452 – , pois as empresas que tinha iniciado – obras em Ourém e Porto de Mós – necessitavam da sua presença para a conclusão. E quanto às encomendas que se efectivaram quase um ano depois, embarcadas para Lisboa em Maio de 1454, terá tratado delas enquanto D. Leonor esteve em Nápoles, aproveitando assim os meses de Abril e Maio de 1452 para estadear mais uma vez pela península itálica, talvez novamente por Florença onde, agora sim, poderia ter tido a oportunidade de ver as escultura e cerâmicas polícromas de Luca della Robbia aplicadas na Catedral e respectiva sacristia (1445/1451) e na Sacristia Velha de S. Lorenzo (1443). Daqui ter-lhe-á ficado certamente a vontade de possuir peças cerâmicas da oficina daquele artista, embarcadas para Portugal em 1454, cuja encomenda terá sido efectivada em 1453, possivelmente através de um encarregado de negócios que sabemos D. Afonso tinha em Florença[61].

A última viagem de D. Afonso foi, como referimos, feita no âmbito da missão militar da tomada de Alcácer Ceguér. A frota que organizou no Porto reuniu-se em Lagos à do monarca e daí seguiu para a costa marroquina onde, no início de Outubro de 1458, aportou a Alcácer. Uma vez que o rei foi depois a Ceuta é provável que o Conde de Ourém o tenha acompanhado, avistando, assim, pela segunda vez aquela cidade.

Por tudo quanto dissemos, parece-nos claro que D. Afonso terá contactado com o que de melhor, mais interessante e original se fazia na época que, curiosamente, tomava feição diferente, caso se tratasse da Flandres ou de Itália, tendo estado frente a estes dois mundos, cujas realizações, com intenções semelhantes, se materializaram nestas duas culturas que marcaram a vanguarda artística do século XV, de forma completamente diversa.

Ainda em Portugal, o 4º Conde de Ourém deverá ter conhecido Jan van Eyck, que acompanhou a embaixada borgonhesa a Lisboa em 1428-29. O célebre pintor esteve em Avis, junto da corte, nos primeiros meses de 1429, com a missão de retratar a Infanta D. Isabel[62]. D. Afonso também lá se encontrava. É portanto quase certo que se terão cruzado. Será que o viu trabalhar? Terá visto obras suas? Na Flandres terá tido essa oportunidade. Lá van Eyck era um artista reconhecido – era já pintor da corte – e iniciava as primeiras experiências que o levariam à liderança do movimento de inovação pictórica da pintura flamenga. E das inúmeras personalidades que D. Afonso contactou no âmbito desta embaixada, destacamos as figuras de Baudoin de Lannoy, Senhor de Molembaiz e governador de Lille, um dos embaixadores que vieram a Lisboa em 1428-29 para negociar com D. João I o acordo de casamento, a quem Van Eyck pintou um retrato em 1432 (Retrato de Boudoin de Lannoy – Fig. 14)[63] e Nicolas Rolim, destacado nobre próximo de Filipe-o-Bom – foi uma das suas testemunhas de casamento – que chegou a chanceler da Borgonha e que patrocinou o famoso retábulo A Virgem do Chanceller Rolim (Fig. 15), também pintado por van Eyck em 1451, destinado à capela da sua família na Igreja de Notre Dame-du-Chastelem Autum. Estes nobres terão sido talvez dos primeiros a encarnar o espírito mecenático que se generalizou mais tarde no meio aristocrático. De facto, o Papa Nicolau V, em 1450, nomeou Rolim patrono oficial daquela igreja, tantas tinham sido as dádivas artísticas feitas pelo chanceler. É assim muito provável que o Conde de Ourém tenha visto o retrato do embaixador flamengo que data precisamente de 1432 e, apesar da efectivação da encomenda do Chanceler Rolim se ter verificado muito posteriormente à sua estada na Borgonha, cremos que a sensibilidade, o espírito e o ambiente que se vivia na Flandres nos anos 30 de quatrocentos, terão marcado definitivamente o seu gosto.

Fig. 13 – Cópias dos presumíveis desenhos realizados por Van Eyck de D. Isabel de Portugal
Fig. 14 – Jan van Eyck, Retrato de Baudoin de Lannoy. 1432. Gemaldegalerie, Berlin.
Fig. 15 – Jan van Eyck, A Virgem do Chanceller Rolim, c. 1435. Museu do Louvre, Paris.

Quanto à arquitectura, a Flandres apresentava nos seus edifícios uma feição semelhante à que se usava em Portugal (já tardo-gótica) mas com algumas diferenças significativas: de escala, muito maior, e de tipologia dado que, para além dos edifícios religiosos, muitos eram os de carácter civil igualmente grandiosos e belos que marcavam Gant ou Bruges, de entre os quais já deveriam destacar-se as sedes comunais, situadas na praça principal ou paços régios e nobres, luxuosamente decorados com panos e argentarias várias.

Nos alvores de um novo tempo D. Afonso esteve precisamente nas principais cidades dos dois territórios – Flandres e península itálica – onde novas ideias e formas começavam a florescer. As viagens que empreendeu, foram feitas em anos de clara mudança, difíceis até de classificar – 1430 na Flandres, 1436 na Toscânia ou 1452 em Roma, constituem precisamente pontos de viragem estéticos. Recordemos a este propósito que o Cordeiro Místico de Van Eyck foi colocado na Catedral de S. João (actual S. Bavão) em 1432; que a cúpula do Duomo de Florença foi inaugurada pelo Papa Eugénio IV em 1436; que data de 1450 a decisão do Papa Nicolau V de reformular a Basílica de S. Pedro em Roma, fazendo a encomenda do projecto a Leon Batista Alberti, remodelação aliás integrada no grande projecto de modernização da cidade; e que no ano de 1452 aquele arquitecto publicou o tratado De re aedificatoria. Fácil é fazer corresponder estes factos às passagens que o 4º Conde de Ourém fez pela Flandres, Florença e Roma, que nestes momentos cruciais, como é característico de tempos de mudança, deveriam fervilhar de novidades, contestação e discussão. Feliz coincidência ou talvez não, o facto é que 100 anos antes da divulgação de um novo ideário estético que só chegou a Portugal ia já avançado o século XVI, D. Afonso conheceu-o, observou-o. E, tal fortuna que só o acaso pode explicar, proporcionou-lhe o enriquecimento visual e estético que, junto à cultura e erudição de que era detentor e que soube cultivar e desenvolver, possibilitaram a edificação nos seus domínios de uma obra inovadora e marcante, digna da sua estatura intelectual e do seu singular estatuto nobre.

 

Índice das Imagens e respectiva legenda

 

 

Fig. 1 – Painel dos Cavaleiros (pormenor). Painéis de S. Vicente. Nuno Gonçalves. Segunda metade do século XV. D. Afonso, 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença é a segunda figura de opa verde com colar – identificação avançada por José de Figueiredo, seguindo a observação de Virgílio Correia em 1924, da semelhança com o respectivo jacente (1485-87). >> VER

Fig. 2 – Fonte pública de Ourém – fachada e vista lateral (acesso à bica) >> VER

Fig. 3 – Paço de Ourém –torres baluarte, fachada sul e norte do edifício do paço >> VER

Fig. 4 – Paço de Porto de Mós (postal editado pelo IPPAR) >> VER

Fig. 5 – Relicário oferecido por D. Afonso, 4º Conde de Ourém, à Colegiada da sua vila condal. Prata dourada. Museu Nacional de Arte Antiga. Lisboa. (“Nos confins da Idade Média: arte portuguesa séculos XII-XV”, Catálogo da Europália, ob. cit., p. 249) >> VER

Fig. 6 – Beccatelli do Paço de Ourém – na fachada oeste e pormenor >> VER

Fig. 7 – Mapa com o roteiro das viagens de D. Afonso, 4º Conde de Ourém (RIBEIRO, Gonçalo Morais, “Viagens do Conde de Ourém”, Actas do Congresso Histórico D. Afonso 4º Conde de Ourém e a sua época, ob. cit., p. 222) >> VER

Fig. 8 – Cripta da antiga Colegiada de Ourém (actual Igreja de Nª Sª das Misericórdias). Vista interior >> VER

Fig. 9 – Arca funerária de D. Afonso, 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença (postal editado pelo IPPAR) >> VER

Fig. 10 – Retrato presumível de D. Isabel de Portugal chamado “Sibyla Persica”, Malibu, Museu J. Paul Getty (LEMAIRE, Claudine e HENRY, Michéle, Isabelle de Portugal Duchesse de Bourgogne, ob. cit., capa) e Filipe-o-Bom,, recebe a “Crónica de Hainnaut”. Miniatura da mesma; desenho de Rogier van der Weyden, séc. XV. (História de Arte, Vol. 4, Ed. Planeta De Agostini, 1996, p. 155) >> VER

Fig. 11 – “Carlos IV, o Belo, acolhe em Paris a sua irmã Isabel, rainha de Inglaterra, 1325. Miniatura extraída das Chroniques de Sir Jean Froissart, sé. XIV, Paris, Biblioteca Nacional de França. As «entradas» reais e dos príncipes glorificavam a função de encontro, de acolhimento e de festa, cujo lugar principal, material e simbólico é a porta da capital.” (In: LE GOFF, Jacques, Por Amor das Cidades, Lisboa, Editorial Teorema, 1999, p. 22) >> VER

Fig. 12 – Pinturicchio, Libreria Piccolomini, Catedral de Siena. Este fresco representa o encontro entre Frederico III e D. Leonor. Afirma-se que o personagem masculino que se encontra à esquerda, em primeiro plano, de costas é D. Afonso, Marquês de Valença. (FRASSI, Sílvia, Lo Sbarco dell´Imoeratrice Eleonora (1452): Documenti Inediti Sulle Relazioni Fra Pisa e il Portogallo nel Quattrocento, Tesi di Laurea in Lettere, Università Degli Studi di Pisa, Facoltà di Lettere e Filosofia, 2001/02, p. 90) >> VER

Fig. 13 – Cópias dos presumíveis desenhos realizados por Van Eyck de D. Isabel de Portugal (LEMAIRE, Claudine e HENRY, Michéle, ob. cit., pp. 168 e 182) >> VER

Fig. 14 – Jan van Eyck, Retrato de Baudoin de Lannoy. 1432. Gemaldegalerie, Berlin. (FERRARI, Simone, ob. cit., p.56) >> VER

Fig. 15 – Jan van Eyck, A Virgem do Chanceller Rolim, c. 1435. Museu do Louvre, Paris. (História da Arte, Vol. 5, Planeta de Agostini, p. 190) >> VER

 


[1] Os pais casaram em Novembro de 1401 e deste matrimónio nasceram 3 filhos, pela seguinte ordem: D. Afonso, D. Isabel e D. Fernando, conhecendo-se apenas o ano de nascimento do último dos irmãos – 1403. Cf. Lita Scarlatti, Os homens de Alfarrobeira, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1980, p.165; e António Caetano de Sousa, História genealógica da casa real portuguesa, Livro VI, Coimbra, Atlântida, 1946-1955, Cap. I, p. 7 e Cap. III, p. 62.

[2] D. Afonso, Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança era filho natural de D. João I, nascido quando este tinha 14 ou 15 anos, “em tempo em que ElRey (...) ainda não tinha empunhado o Sceptro, e era Mestre da insigne Ordem de Cavallaria de S. Bento de Aviz” ( in António Caetano de Sousa , op. cit, Livro VI, Cap. I, p. 3). Foi educado por Gomes Martins de Lemos, no círculo dos frades franciscanos de Convento de Leiria. Durante os anos da crise D. João manteve-o, junto com uma irmã, D. Beatriz, oculto, mas depois de aclamado rei, viveu sempre próximo da corte. Acompanhou o pai nas lutas pela independência, e foi armado cavaleiro pelas mãos do novo monarca, em Tui, no ano de 1398. D. João I sempre o protegeu e teve por ele especial afeição – “... se não era o mais herdado, era o mais querido” (in  Frei Rafael de Jesus, Monarchia lusitana, Tomo I, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1958). Ao casar foi perfilhado e nobilitado sendo-lhe atribuído o título de Conde de Barcelos, até aí pertença do sogro que o transfere para o novo genro, com o acordo régio. O título de Duque de Bragança foi-lhe atribuído bastante mais tarde pelo Infante D. Pedro, em 1442, durante o período de regência após a morte de D. Duarte. Cf. J.T. Montalvão Machado, D. Afonso, primeiro duque de Bragança, Edição do autor, Lisboa, Depositária: Livraria Portugal, 1964, p. 103  e D. Afonso 8º conde de Barcelos e fundador da Casa de Bragança, Separata da Revista Guimarães, Vol. LXXIII, Guimarães, 1963, p. 10; e Joel Serrão e A. H. Oliveira Marques, “Portugal na crise dos séculos XIV e XV”, Nova história de Portugal, Vol. IV, Lisboa, Editorial Presença, 1987, p. 553. 

[3] Filha única de D. Nuno Álvares Pereira e de D. Leonor Alvim, cujo casamento foi determinado pelo pai do futuro condestável, que decidiu unir o filho, com 16 anos, a uma distinta viúva possuidora, na região de Entre Douro e Minho, de uma das mais avultadas fortunas do norte do país. Desta união nasceram 3 filhos – dois rapazes e uma rapariga, tendo apenas sobrevivido D. Beatriz. Cf. Mafalda Soares da Cunha, A Casa de Bragança, 1383-1483, Trabalho de síntese para as provas de aptidão pedagógica e científica ao Departamento de História e Arqueologia da Universidade de Évora, Évora, 1988, p. 36.

[4] “...que o levaram a ser apelidado pelo professor Pedro Dias, de “mais um membro da Ínclita Geração.” in José Manuel Poças das Neves, “Entre Fernando Pessoa e Miguel Torga – Uma abordagem à história de D. Afonso”, Actas do congresso histórico D. Afonso, 4º conde de Ourém e a sua época, Câmara Municipal de Ourém, 2004, p. 243.

[5] Lita Scarlatti, op. cit. pp.166 e 167.

[6] D. Duarte nasceu em 1392, D. Pedro em 1394, D. Henrique em 1396, D. Isabel em 1397, D. João em 1400 e D. Fernando em 1402.

[7] Cf. Augusto Vieira da Silva, “Os paços dos duques de Bragança em Lisboa, (Reconstituição topográfica dum trecho da Lisboa desaparecida)”, Separata de Olissipo, Nº 20 e 21 Boletim do grupo amigos de Lisboa, 1942.

[8] “Tinha em Lisboa, os paços antes pertencentes ao avô, situados no Rossio, ao Paço dos Estaus” in  Lita Scarlatti, op. cit., p. 168.

[9] D. Pedro era Duque de Coimbra e D. Henrique, Duque de Viseu;  D. João foi Mestre da Ordem de Santiago e D. Fernando da Ordem de Avis.

[10] Pela mão dos três filhos, o Conde de Barcelos exercia a sua influência junto do poder régio: D. Isabel casou com o Infante D. João em 1422, passando a fazer parte da família real; D. Fernando, Conde de Arraiolos (título também concedido pelo avô em 1420) foi direccionado para a área militar tendo desempenhado o cargo de fronteiro-mor e sido responsável por várias missões deste âmbito.

[11] Notável peça da ourivesaria portuguesa do século XV, “é de tipo invulgar, pois alia a existência da habitual arca a um pé mais próprio de custódia que de qualquer outro objecto de culto” (in Pedro Dias, O gótico, História da arte, Edições Alfa, Lisboa, Vol. IV, p. 150). Cf. Maria Antónia Pinho de Matos (coord.), Nos confins da Idade Média: arte portuguesa séculos XII-XV, Catálogo para o Festival Europália Portugal 91, Lisboa, Instituto Português de Museus, 1992, p. 248.

[12] A antiga vila de Ourém é actualmente uma das freguesias do Concelho de Vila Nova de Ourém – Nossa Senhora das Misericórdias. O antigo aglomerado, situado no alto de um morro com 328m de altura, perdeu importância a partir do final do século XVIII, pois o terramoto de 1755 quase que o destruiu por completo, obrigando a população a mudar-se para a freguesia mais próxima, a Aldeia da Cruz, situada no sopé do monte e que a partir de1841 passou a ser a nova sede do concelho. O perímetro da antiga Ourém, praticamente inalterado desde então e cuja definição ficou estabelecida desde as obras levadas a cabo por D. Afonso, permite ter uma ideia muito aproximada de como era esta singular vila no século XV. A Fonte pública apresenta-se muito bem conservada e ainda hoje da sua bica jorra abundante e fresca água. O edifício da Colegiada ruiu por completo em 1755, tendo o actual sido construído entre 1760 e 1770, com projecto de Carlos Mardel. Da construção original apenas restou a Cripta, onde o 4ª Conde de Ourém foi sepultado em 1487 (Fig. 8), num túmulo de autoria de Diogo Pires-o-Velho (Fig. 9). O Paço que D. Afonso mandou edificar junto ao primitivo castelo da vila, constituído pelo edifício de habitação propriamente dito e duas torres baluarte que assentam na muralha, apesar de bastante danificado revela uma imagem de grandiosidade que marca a paisagem. As torres foram restauradas durante os anos 40-50 do século XX e apresentam-se num razoável estado de conservação; o mesmo não se pode dizer de significativos troços da muralha. Quanto ao edifício do paço, não tem cobertura e o interior está quase totalmente esventrado. Resta apenas um pavimento, a que se pode aceder, com algumas paredes interiores onde é ainda possível ver algumas portas com o respectivo aro, paredes exteriores com a marcação dos respectivos vãos, algumas conversadeiras e vestígios de lareiras. No conjunto sobressai um original e razoavelmente bem conservado friso decorativo, aposto na fachada norte do edifício, assim como uma varanda e respectivos apoios que o rematam. Quanto ao paço que D. Afonso mandou edificar em Porto de Mós, remodelando o interior da primitivocastelo românico, estava no início do século XIX quase completamente caído por terra. Foi alvo do interesse da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais que nele levaram a cabo, a partir dos anos 30 do século XX, obras de restauro que se prolongaram por mais de 50 anos. Algumas intervenções, nos anos 40-50 fizeram desaparecer para sempre muito do que tinha resistido à degradação que o tempo e os homens exerceram. Da obra quatrocentista podemos ainda ver a grande varanda voltada a sul e o pátio interior, originalmente porticado, de que restam alguns elementos de suporte de desenho muito original, assim como é possível ter ainda uma ideia global da intervenção levada a cabo no século XV.

[13] Devido ao progressivo assoreamento do Zwin, a partir do sinal do século XV, Éclusa foi perdendo importância como porto exterior que servia Bruges, levando a que Antuérpia passasse a ser, no início do século XVI, a nova capital  do comércio flamengo. Desde meados do século XIX, Éclusa ficou isolada do mar para sempre; situada junto à fronteira da Bélgica, pertence actualmente ao território holandês e é designada por Sluis que em flamengo também quer dizer éclusa/comporta.

[14]“After a full week of celebration, Phillip and Isabel left January 16 for a rigorous tour of all his terrirorial possessions. Among other cities her itinerary included Ghent, Lille, Arras, Perone, Noyon, Brussels, and Malines.”in  Aline Bercume Taylor, The diplomatic career of Isabel de Portugal. 1435 to 1437, Tese de doutoramento em Filosofia, Universidade do Colorado, Michigan, Ad. Ann Arbor, 1978, p.6.

[15] Cf. Domingos Maurício Gomes dos Santos, “O Infante D. Fernando na Flandres e na Alemanha?”, Separata da Revista Brotéria, Vol. LXXXVIII, Lisboa, Edições Brotéria, 1968.

[16] A 24 de Outubro de 1430, o 4º Conde de Ourém solicitou ao Papa um indulto para absolvição de todos os pecados e indulgência plenária, a que se juntou o mesmo pedido de D. Beatriz, condessa de Arrundel e D. Constância, segunda mulher do seu pai. Julgamos que este pedido terá sido expedido já de Portugal – “ O Conde de Ourém D. Afonso, sobrinho do rei de Portugal, pede o indulto para qualquer confessor o absolver de todos os pecados em artigo de morte e de lhe conceder a indulgência plenária, continuando o efeito de absolvição, mesmo que não morra. Solicitam o mesmo indulto D. Beatriz, viúva e condessa de Arundel, filha do rei de Portugal, e a mulher do Conde de Barcelos Dona Constânça.” in António Domingues de Sousa Costa, Monumenta portugaliae vaticana, Vol. IV, Braga, Editorial Franciscana, 1970, p. 586.

[17] Jacques Paviot, Portugal et Bourgogne au XVeme siécle (1384-1482), Centre culturel Calouste Gulbenkian, Commission Nationale pour les Comémorations des Découvertes Portugaises, Lisbonne-Paris, 1995, Doc. 92, pp.205-218.

[18] “...e fez adornar as ruas com panos da Flandres preciosidades d´aquelas com que ainda hoje os nossos olhos se maravilham” in  Domingos Maurício Gomes dos Santos, op. cit., p. 88.

[19] En icelluy hostel docques oultr les sales, chambres et logiez par-avant y edifiéz, dont il y a largement, fut faire une haulte, longue et largue sale de bois, tout de neuf, pour servir seulement le temps de la feste dudit mariage. in Jacques Paviot, op. cit., p. 215.

[20] Desta importante residência dos Duques da Borgonha, em Brujes, hoje praticamente nada resta. Constituída por um vasto conjunto de edifícios sofreu vários incêndios. As sucessivas reconstruções alteraram profundamente a sua feição medieval. Actualmente, 3 edifícios já do século XIX, ocupam o recinto. Uma operação de reabilitação do local motivou a realização de sondagens arqueológicas, durante o ano de 2004, que trouxeram à luz do dia estruturas de suporte, fundações e sistemas de esgotos, bem como conseguiram identificar ainda de pé, parte de uma parede do donjon do antigo palácio ducal e um pequeno edifício daquele conjunto.

[21] Bebida quente, composto de canela e amêndoa moídas, misturado com aguardente e açucar.

[22] D. Afonso possuía inúmeras relíquias que estavam na Colegiada de Ourém. Após o terramoto, as que foi possível recuperar dos escombros da igreja foram distribuídas pelas igrejas das freguesias de Ourém.

[23] No dia 1 de Novembro desse ano – 1431 – morreu D. Nuno Álvares Pereira, avô de D. Afonso. Apesar de não existirem referências quanto à sua presença durante as exéquias, cujos relatos de Fernão Lopes e do anónimo biografo da Crónica do Condestável são pouco detalhados, parece-nos provável que, se estava ausente, quando soube da notícia, tudo tenha feito para regressar o mais depressa possível a Portugal, portanto, ainda no final de 1431.

[24] O edifício medieval foi totalmente remodelado no final do século XVIII: no piso térreo foi instalada a bolsa da cidade e nos andares superiores funcionou, entre 1849 e1970, a Escola de Belas Artes de Barcelona, que Picasso e Miró frequentaram; alberga actualmente a Biblioteca Pública e repartições do estado.

[25] Cf. José Custódio Vieira da Silva, A arquitectura gótica catalã e a arquitectura do tardo-gótico alentejano: estudos e influências, Porto, Instituto da Cultura e da Língua Portuguesa, 1989, p. 6.

[26] O ano da saída de Portugal, nas fontes que consultámos não recolhe unanimidade. Uns consideram  1435 – Duarte Nunes de Leão, Caetano de Sousa e Montalvão Machado – enquanto outros, o ano seguinte – António Pereira de Figueiredo, Damião Peres, Lita Scarlati , Aida Dias e Joel Serrão no Dicionário de história de Portugal, aponta as duas datas, em 2 artigos diferentes: no relativo a Diogo Mangancha, afirma ter este estado no Concílio em 1436-37; mas no de Vasco de Lucena diz que este célebre jurista acompanhou aquela embaixada em 1435. A razão para apontarmos com toda a certeza o ano de 1436, como ano da partida de Lisboa, prende-se com o seguinte facto devidamente documentado: o Conde de Ourém pediu a D. Duarte para hir fora do regno, a veer tera onde se entom for[a] como ficou registado no texto de Frei João Álvares (Obras, edição crítica com introdução e notas de Avelino de Almeida Calado, Coimbra, 1960, p.19). A mesma obra situa a data deste pedido por alturas da chegada do Abade D. Gomes, a Portugal, com a Bula da Cruzada (obtida do Papa pelo 4º Conde de Ourém, na sua passagem por Bolonha onde se encontrava a corte pontifícia, antes de integrar os trabalhos do Concílio em Basileia, e que foi expedida a 8 de Setembro de 1436), que ocorreu “em princípios de 1437 em pleno período de preparativos para expedição de Marrocos” (in Damião Peres, História de Portugal, p. 51). Fica assim clara a cronologia da viagem: saída de Lisboa em Janeiro de 1436; estada em Bolonha para negociações com o Papa, entre 24 de Julho e 10 de Outubro do mesmo ano; expedição da bula a 8 de Setembro; chegada do Abade D. Gomes no início de 1437.

[27] Existem três transcrições deste texto: a primeira está inserida na História genealógica da casa real portuguesa de António Caetano de Sousa; a segunda, no estudo de Lita Scarlati, Os homens de Alfarrobeira (1980); Diário da jornada do conde de Ourém ao concílio de Basileia (apresentação e leitura de Aida Dias), editado pela Câmara Municipal de Ourém em 2003, é a mais recente.

[28] ho Conde d´Ourem, nom teendo esperança de aver affecto sua mais estada, se despedio do Concilio e com sua companhia foy visitar ho Sepulcro Santo de Jerusalem, e ho Bispo Dom Antam e os outros Embaixadores se tornáram em Italia, a despedir com ho Papa Eugenio as cousas que em nome d´ElRey lhe tinha concedidas; (...) e  os outros Embaixadores se vieram para Portugal. in Crónicas de Rui de Pina, Introdução e revisão de M. Lopes de Almeida, Porto, Lello e Irmão, 1977, p. 508

[29] E em esto chegou a estes regnos, por delegado do Santo Padre Eugenyo quarto, aaquele tenpo prosidente na egreja de Roma, frey Gomez, abade de Florença, (...). E considerando ElRey sobre a licença que lhe este Ifante [D. Fernando] tiinha pedida pera se hir a Ingraterra e como o Conde d´Areolos, seu sobrinho, isso mesmo lhe pedia licença pera hir em companhia delRey de Castela aa conquista de Graada, e o Conde d´Ourem lhe pedia também licença pera se hir fora do regno, a veer tera onde se entom for[a], ... in , Frei João Álvares, Obras, edição crítica com introdução de Avelino de Almeida Calado, Coimbra, 1960, p. 19.

[30] Cf. António Machado de Faria, Crónica do condestável de Portugal D. Nuno Álvares Pereira, Lisboa, Academia Portuguesa de História, MCMLXXII, p. 232.

[31] Em Veneza he Airas Ferreira, Gonçalo de Soussa, Diego Gil, vedor do conde dOurem; querem pasar ao Sepulcro em galle que passa este mês de setembro, com que o conde he hj pera pasar. in António Domingues de Sousa Costa, O infante D. Henrique na expansão portuguesa, Braga, 1960, Doc. XXIII, pp. 147-8.

[32] Dez dias foi o tempo que demorou a viagem entre Lisboa e Ceuta da embaixada que levou D. Leonor a Itália, quando ali fez a sua primeira paragem.

[33] Consulte-se sobre este assunto o estudo de Ana Maria Alves, As entradas régias portuguesas – uma visão de conjunto, Colecção Horizonte Histórico, Lisboa, Livros Horizonte, 1986.

[34] A sua imagem ficou imortalizada numa estátua de Donatello, erguida em 1453, na Praça da Basílica de Stº António de Pádua, a primeira estátua equestre esculpida depois da Antiguidade.

[35] Bispo de Cartagena e Burgos – R. Selemoh Helevi, judeu convertido, grande erudito e escritor – e seus filhos: Gonzalo de Santa Maria, Bispo de Astorga, Plasencia e Sigenza, conselheiro do rei e auditor apostólico e D. Afonso de Cartagena, mais tarde sucessor do pai na mitra de Burgos, autor de várias obras filosóficas e teológicas. Cf. I, Litta Scarlatti, op. cit., pp. 172-73.

[36] DIAS, Aida, op. cit., p. 20.

[37] E assi entrou o Conde honradamente em Florença e foi pousar em huns paços que som do Marquês de Ferrara, ... Ibidem, p. 37.

[38] Ibidem, p. 40. Presumimos que seja a Torre Asinelli, construída em 1109, com cerca de100 m de altura, a mais alta da cidade

[39] E sabei que a See que tem, que he muy grande e muy larga e bem fermosa, se for acabada. Ibidem, p. 47. Curiosamente a Catedral de Milão só foi definitivamente concluída no século XIX.

[40] Ibidem, p. 79.

[41] Ibidem, p. 80.

[42] Ibidem, p. 83.

[43] Ibidem, p. 26.

[44]  E a Rainha estava assentada em hum estrado (...) e o Conde lhr fez huma muy grande mesura (...) e fêllo assentar a cabo de si em huma almofada muito fermosa e estiverom assentados per espço de duas oras fallando. (...) E foi o Conde fallar à Iffante em hma camara que estava a paar da camara da Rainha (...) e  estiverom fallando per espaço de três oras. Ibidem, p. 27.

[45] “The project for Brunellechi´s most important and most revolutionary work, the cupola of the Cathedral, dates from 26 May 1417; on 7 August 1420 the supporting wall was in course of construction, and on 30 August 1436 the completed cupola was blessed.” in John Pope-Hennessy,  Italian renaissance sculpture, Vol. II, London, Phaidon, 2002, p. 344.

[46] “Par ailleur, il est historiquement certifié que cette machine est restée sur la place de Florence prés de soixante-dix ans aprés la construction de la coupole: elle a pu donc être object d´étude pour Leonard, ou pour d´autres.” in António Manetti, Filippo Brunellechi 1377-1446, Paris, École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, 1985, p. 28.

[47] Filho de um fidalgo de D. João I, de nome João Martins, D. Gomes estudou Direito em Pádua; em 1412/13 aderiu à Ordem de S. Bento  fazendo o noviciado em Stª Justina, um mosteiro dirigido pelo Abade Ludovico dos Barbos de Veneza e ao qual também pertencia Gabriel Condulmer, futuro Papa Eugénio IV. O mosteiro começou a ganhar fama e expandiu-se tendo Dom Gomes sido um dos noviços que integrou o primeiro grupo que se instalou em        S. Fortunato de Bassano, tendo voltado a Stª Justina para professar no início de 1414. A partir de 1418, foi encarregue de governar 16 monges, ao ser nomeado prior e reformador da Badia Florentina que estava em decadência havia alguns anos, tendo sido a mesma por ele dirigida até 1439, data em que Eugénio IV o nomeou Geral da Ordem Camaldulense. Em 1441 regressou definitivamente a Portugal, tendo sido feito Prior de Santa Cruz de Coimbra, que governou até à morte. Cf. Eduardo Nunes, Dom Frey Gomes, Abade de Florença (1420-1440), Dissertação de doutoramento em História apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Vol. I, Braga, Edição do autor, 1963.

[48] “...em virtude da entrada para o mosteiro, no ano anterior [1426], de Tommaso di Ser Brunelescho. (...) Tommaso era irmão do genial Filippo di Ser Brunelescho (ou Filippo Bruneleschi).” in Eduardo, Nunes, Ibidem., pp. 139-140.

[49] Dom Gomes esteve em Portugal, em missão pontifícia entre Março de 1436 e o início da Primavera do ano seguinte; sabemo-lo já em Florença em Maio de 1437. Cf. António Domingos de Sousa Costa, “D. Gomes, reformador da Abadia Florentina de Florença e as tentativas de reforma dos mosteiros portugueses no século XV”. Studia monastica, Vol. 5, Fasc. 1, Abadia de Montserrat (Barcelona), 1963, pp.83-87.

[50] “Foi também ele [Abade Dom Gomes] que deu hospedagem ao Infante D. Pedro, quando este veio a Florença”. in, Guido Batelli, A Crasta das Laranjas (uma lembrança de Portugal), Porto, Prometeu, 1950, p. 4.

[51] Em 1425, quando Dom Gomes esteve em missão em Portugal e Espanha, deixou à frente do mosteiro Frei Álvaro, prior claustral e quando este teve que se ausentar, designou para o mesmo cargo Frei João, ambos portugueses. Cf. Eduardo Nunes, op. cit.,  p. 80.

[52] “... claustro pequenino e verdadeira jóia da Renascença, que se chama a Crasta das Laranjeiras, porque na sua origem as arcadas eram ornadas com grandes vasos de laranjeiras. (...) É preciso ter presente que “laranja”, em italiano, chama-se vulgarmente “portugal”.in Guido Batelli, ob. cit., p.4.

[53] Cf. Eduardo Nunes, op. cit., pp. 243-48.

[54] Aos tres dias do mez de Setembro o Doutor Diogo Affonço Mangaancha leo a ostentação, e teve humas Conclusões em Direito na Igreja de S. Petronio da mesma Cidade de Bolonha, que estava pegada com o Sacro Palacio, ... ( in António Pereira de Figueiredo, e António Gomes, Portuguezes nos concilios geraes, Lisboa, 1787, p. 51).  Junto à Catedral existem, actualmente, dois edifícios: um do século XVI e o Palácio dos Notários do século XIV-XV, pelo que é provável que neste último, tivesse funcionado a residência papal, na altura em que o Conde de Ourém esteve em Bolonha.

[55] Um conjunto de 4 cartas enviadas, respectivamente  de Siena, Roma, Nápoles e Veneza a D. Afonso V, de Lopo d´Almeida (Cartas de Itália, editadas por Rodrigues Lapa, Imprensa Nacional, Lisboa, 1935), que integrava a comitiva portuguesa, escritas entre Fevereiro e Maio de 1452; uma carta dirigida  a D. Jaime, 4º Duque de Bragança, como resposta a um pedido deste, sobre a maneira como se tinham desenrolado aqueles acontecimentos, escrita entre 1496 e o início do século XVI, por Pedro de Sousa, também acompanhante da embaixada portuguesa (texto publicado por Caetano de Sousa na História genealógica da casa real portuguesa e também na obra de Lita Scarlatti,  Os homens de Alfarrobeira); e o relato Jornadas de Nicolau Lanckermann (texto traduzido por Luciano Cordeiro e está inserido na sua obra Uma sobrinha do Infante, Emperatriz da Allemanha publicada pela Imprensa Nacional, em 1894), escrito em 1503 por este emissário, enviado a Portugal como representante de Frederico III para a celebração do casamento por procuração. É de todas, a descrição mais desenvolvida que narra o que foi presenciado, desde a sua saída da Alemanha em Março de 1451 até à chegada da infanta àquele território, em Junho de 1452.

[56] Relato de Nicolau de Lanckermann, op. cit., p.125.

[57] Ibidem, p. 126

[58] Ibidem.

[59] Ibidem, p. 137.

[60] “O que tem sido ignorado, é que o mais antigo testemunho conhecido da exportação dessas obras em terracota vidrada de Florença destinou-se a Portugal, e precisamente ao Conde de Ourém. Uma anotação referente ao carregamento de 7 caixas (7 chasse di lavorj de terrachotta envetriata del Marchese di Valença) surge ao lado de embalagens de salitre e brocado de carmesim, numa lista de bens entregues a 28 de Maio de 1454 em Pisa a um Bernardo de Évora, a fim de serem embarcadas para Lisboa (che lo mãdasi a Lisbona).

Embora Sir Pope-Hennessy pense tratar-se de um medalão com escudo de armas, não podemos deixar de aproximar essa encomenda – que não seria grande a julgar pelo escasso número de peças (um retábulo podia conter de 80 a200, como os de La Verna) – de outra recentemente revelada por Mendes Atanázio: a de duas “histórias” começadas a pagar a Lucca della Robbia a 9 de Fevereiro de 1453 pelos mesmos banqueiros Cambini por conta dum “Marquês” que não identifica (sono per parte di 2 storie envetriate che fa per il marchese di portoghallo), sendo incerto se uma imagem da Virgem (Madonna Maria) mencionada a seguir tinha o mesmo destinatário. Não temos qualquer dúvida de que este era o Conde de Ourém, já que usava o título de marquês ao conduzir para a Itália a futura imperatriz, e que os dois dados documentais completam-se: as peças embarcadas em Pisa em 1454 são obviamente as mesmas que ele havia encomendado ao passar por Florença no ano anterior. Essas duas “histórias” (medalhões, sobreportas ou retábulos) destinavam-se provavelmente à sua igreja de Ourém, que o terramoto de 1755 arruinou.” in Rafael Moreira, A arquitectura do Renascimento no sul de Portugal – a encomenda régia entre o moderno e o romano, p. 16.

[61] “Ao regressar a Portugal, o Marquês de Valença deixara várias encomendas aos Cambini.”, mercadores-banqueiros florentinos através de quem, por meio dos seus procuradores em Lisboa, Bartolomeu Di Iacopo di Ser Vanni, D. Afonso recebeu, pelo menos em 1452, pagamentos para os gastos da embaixada que chefiou Cf. RAU, Virgínia, “Bartolomeo Di Iacopo Di Ser Vanni Mercador-Banqueiro Florentino «Estante» em Lisboa nos Meados do Século XV”, Separata da revista Do Tempo e da História, IV, Lisboa, 1971, pp. 99-117. “Muitas individualidades ou mercadores faziam operações mercantis e financeiras de que necessitavam, tanto em Bruges como no “levante” e na “Corte” de Roma através e por intermédio da companhia Cambini, bem como das suas filiais e correspondentes.” in Virgínia Rau, “Alguns estudantes e eruditos portugueses em Itália no século XV”, Separata da revista Do tempo e da história, V, Lisboa, 1972, p. 43.

[62]Há conhecimento de que foram realizados dois registos da princesa mas o paradeiro dos mesmos é desconhecido. Conhecem-se hipotéticas reproduções daqueles desenhos (Fig. 13), não se sabendo se terá sido pintado algum retrato a óleo. Cf. Claudine Lemaire, Michéle Henry, Anne Rouzet, Isabelle de Portugal, Duchesse de Bourgogne, 1397-1471, Bibliotèque Royale Albert Ier, Bruxeles, 1991, pp. 141 e 146 e J. Cardoso Gonçalves, O casamento de Isabel de Portugal com Filipe-o-Bom duque da Borgonha e a Ordem do Tosão de Ouro, Lisboa, Imprensa Moderna, 1930, p. 21.

[63] Cf. Claudine Lemaire, Michéle Henry, Anne Rouzet, op. cit., p. 28 e Simone Ferrari, Van Eyck El maestro flamenco de la luz, Barcelona, Electa Bolsillo, 2005, pp. 56-7.

 

In Medievalista, Ano 2, Nº. 2, 2006. em http://www.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/medievalista2/medievalista-afonso.htm



publicado por Carlos Gomes às 00:30
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D. Afonso, 4º Conde de Ourém (1ª Parte)

Túmulo Conde Ourém

D. Afonso, 4º Conde de Ourém
viagens, cultura visual e formação de um gosto*

Alexandra Leal Barradas
FCSH-UNL

(*) O presente texto corresponde a uma síntese dos Capítulos 2.4, 2.5 e 2.6 da Dissertação de Mestrado Ourém e Porto de Mós – a obra mecenática de D. Afonso, 4º Conde de Ourém, realizada sobre a orientação do Professor Doutor José Custódio Vieira da Silva e defendida no Departamento de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em Dezembro de 2005.

D. Afonso, 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença (1402/3[1] ?- 1460), filho de D. Afonso, Conde de Barcelos e 1º Duque de Bragança (1370 ? – 1460) [2] e de D. Brites Pereira (1378 ? – 1408/9 ou 1414 ?)[3], foi uma das figuras mais importantes da primeira metade do século XV.  E, por ser neto por via paterna de D. João I e por via materna de D. Nuno Álvares Pereira, os dois homens mais importantes de Portugal, no início de quatrocentos, foi considerado por Pedro Dias, mais um dos membros da Ínclita Geração[4]. (Fig.1).
Fig. 1 – Painel dos Cavaleiros (pormenor). Painéis de S. Vicente. Nuno Gonçalves. Segunda metade do século XV. D. Afonso, 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença é a segunda figura de opa verde com colar – identificação avançada por José de Figueiredo, seguindo a observação de Virgílio Correia em 1924, da semelhança com o respectivo jacente (1485-87)

Apesar dos primeiros anos da sua vida terem sido passados em Chaves, localidade onde o pai, Conde de Barcelos, tinha à época a sede da sua casa, terá sido educado com grande esmero, conhecendo-se o nome do seu educador – mestre Fernão d´Álvares, “que passava por ser um dos maiores latinistas do seu tempo[5], formado em Salamanca e que foi professor de Gramática e Filosofia, no Porto e em Lisboa. Vivendo próximo do círculo da corte e uma vez que era neto do rei, D. Afonso, decerto, contactou com os melhores mestres, pois pelo que se conhece é legítimo afirmar que foi um dos mais cultos da sua geração. Tinha formação literária – não só aprendeu latim, como sabia falar o suficiente para estabelecer um diálogo, sem necessitar de intérprete – , formação militar – era adestrado na arte das armas e da cavalaria, que exercitou em inúmeras ocasiões – e formação cortesã – aprendeu as mais finas regras de etiqueta e do protocolo, sabia dançar, prosar e escrever. Teve pois, uma educação de príncipe, a par dos filhos de D. João I, seus tios, que eram praticamente da sua idade.[6]

Mas, não só em educação ombreou com os tios; também em bens e fortuna se lhes pode equiparar. Em 1422, teria D. Afonso 19 ou 20 anos, o avô materno decidiu distribuir pelos netos todos os bens que lhe restavam, antes de se retirar para o Convento do Carmo, cabendo ao primogénito, herdeiro da casa iniciada pelo Conde de Barcelos, mas cujo património pertencia originalmente a D. Nuno Álvares Pereira, receber o título de Conde de Ourém e os bens situados na zona da Estremadura, neles estando incluída a vila de Porto de Mós, assim como uns paços em Lisboa, situados nas imediações da cerca do Convento de S. Francisco, junto à muralha fernandina[7], ou perto dos Estaus[8], que seriam provavelmente, a residência do Condestável, junto da corte. Assim, o jovem D. Afonso passou a deter, desde muito novo, património considerável e um título, podendo iniciar casa, sendo um homem independente, situação pouco comum, só vivida pelos filhos de D. João I, a quem o monarca concedeu ducados ou a direcção de ordens militares[9].

Próximo da corte, neto do rei e pertencendo à geração dos infantes, D. Afonso decerto revelou qualidades pessoais que terão levado D. João I a iniciá-lo nos assuntos diplomáticos, acção a que não terá sido alheio o Conde de Barcelos, seu pai.[10]

O 4º Conde de Ourém realizou ao longo da sua vida cinco grandes viagens – quatro no âmbito de missões diplomáticas e a última em missão militar:

- em 1429-30 viajou pela Flandres e pela Alemanha, fazendo parte da comitiva que acompanhou a Infanta D. Isabel aos países baixos, para casar com Filipe-o-Bom, Duque da Borgonha;

- em 1431 esteve no reino de Aragão, possivelmente a negociar o acordo de paz entre Navarra, Aragão e Portugal, assinadoem Torres Novasa 11 de Agosto de 1432;

- em 1436-38 foi o responsável pela embaixada portuguesa ao Concílio de Basileia, tendo viajado por Itália e ido, finda a missão, até à Terra Santa;

- em 1451-52, estadeou novamente por Itália, tendo sido o responsável da comitiva que foi até Roma com a Infanta D. Leonor, irmã de D. Afonso V, casar com o Imperador do Sacro Império Germânico, Frederico III; ao que tudo indica, terá depois acompanhado a noiva até à Alemanha;

- e em 1458, foi o responsável pela organização, no Porto, de uma das armadas da expedição a Marrocos, tendo tomado parte da conquista de Alcácer Ceguér, ao lado de D. Afonso V, seu primo e último rei que serviu.

A razão pela qual considerámos importante estudar as viagens que o 4º Conde de Ourém realizou, prende-se como facto deste nobre ter edificado entre 1436 e 1455, nos seus domínios, uma notável e singular obra mecenática, numa acção irrepetível em grandeza e originalidade para a época, que se materializou na remodelação urbana de Ourém, sua vila condal, com a redefinição do perímetro muralhado, a construção de uma fonte pública (Fig. 2), um paço (Fig. 3) e uma colegiada, da edificação de um outro paço em Porto de Mós (Fig.4), remodelando para tal o primitivo castelo românico, e a encomenda e aquisição de obras de arte, nomeadamente um Relicário[11] em prata dourada (Fig.5), destinadas a embelezar e engrandecer as obras de arquitectura por ele edificadas[12].

Fig. 2 – Fonte pública de Ourém – fachada e vista lateral (acesso à bica)
Fig. 3 – Paço de Ourém –torres baluarte, fachada sul e norte do edifício do paço
Fig. 4 – Paço de Porto de Mós
Fig. 5 – Relicário oferecido por D. Afonso, 4º Conde de Ourém, à Colegiada da sua vila condal. Prata dourada. Museu Nacional de Arte Antiga. Lisboa.
Fig. 6 – Beccatelli do Paço de Ourém – na fachada oeste e pormenor

No panorama da arquitectura doméstica portuguesa aqueles dois paços, edificados na mesma região, quase que em simultâneo, são peças únicas, jamais repetidas ou sequer imitadas, tanto no que respeita ao seu modelo global, como aos curiosos elementos – os beccatelli  (Fig. 6) –  que singularmente as identificam e que constituem uma espécie de imagem de marca do seu proprietário. É certo que encontrámos alguns exemplos posteriores que parecem de alguma forma ter recebido influência destas obras. Mas nunca mais foram vistas mísulas piramidais a apoiar varandas/balcões ou a coroar construções, pátios interiores com colunas e capitéis jónicos ou uma acção arquitectónica global sobre um pequeno aglomerado urbano. A acção do 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença, é no século XV excepção à regra – enquanto a nobreza portuguesa continuava a construir as suas torres ou modestos paços sobradados, D. Afonso, nos seus domínios ergueu dois edifícios de feição e estilo gótico erudito que se afirmaram na paisagem e se impuseram no local, repletos de novos elementos, curiosas novidades que o seu cosmopolitismo e cultura permitiu apreciar e a sua fortuna adquirir.

O Conde de Ourém conheceu boa parte da Europa, o Próximo Oriente e algumas das recém conquistadas praças portuguesas do norte de África. E se atendermos que estadeou em Londres, em várias cidades da Flandres (Brujes, Gant) e talvez noutras da Borgonha, dos reinos ibéricos (Toledo, Valência, Barcelona), de Itália (Pisa, Florença, Bolonha, Milão, Siena, Roma, Veneza) e do norte da Europa (Basileia, Estrasburgo, Bona, Colónia) tendo chegado a Jerusalém (com passagem pelo Cairo e Damasco), certo é concluirmos que conhecia as mais importantes, desenvolvidas e influentes cidades do mundo civilizado de então. (Fig. 7)

Fig. 7 – Mapa com o roteiro das viagens de D. Afonso, 4º Conde de Ourém

Fig. 8 – Cripta da antiga Colegiada de Ourém (actual Igreja de Nª Sª das Misericórdias). Vista interior

Fig. 9 – Arca funerária de D. Afonso, 4º Conde de Ourém e Marquês de Valença

Fig. 10 – Retrato presumível de D. Isabel de Portugal chamado “Sibyla Persica”, Malibu, Museu J. Paul Getty e Filipe-o-Bom, recebe a “Crónica de Hainnaut”. Miniatura da mesma; desenho de Rogier van der Weyden, séc. XV.

Pelos dados e documentos relativos às viagens que D. Afonso realizou foi-nos possível definir, relativamente a cada uma delas, o respectivo roteiro, encontros e contactos estabelecidos, bem como a cronologia dos périplos realizados. E dos relatos que chegaram até nós, de dois deles – ida a Basileia em 1436/7 e a Itália em 1452 – poderemos inclusivamente presumir interesses, gostos e temperamento, até.

A primeira viagem que o 4º Conde de Ourém realizou levou-o à Flandres, para o casamento de sua tia, a Infanta D. Isabel com o Duque da Borgonha (Fig.10). A viagem foi feita por mar e o percurso, entre Lisboa e os territórios de Filipe-o-Bom passou por Vigo, Ribadeo (um pequeno porto no Golfo da Biscaia) e Plymouth. Em Inglaterra D. Afonso terá estadeado, pelo menos em Londres. Seguiu depois para a Flandres aportando a Éclusa[13], mesmo no final de 1429. Depois da cerimónia do casamento que se realizou naquele porto no dia 7 de Janeiro de 1430 e dos festejos que se realizaram em Brujes, a comitiva portuguesa que o Conde de Ourém integrava, terá viajado durante os primeiros meses daquele ano, ao que parece com os duques pelos seus territórios, num périplo que terá passado por Gant, Lille, Arras, Perone, Noyon, Bruxelas e Malines[14]. Não se sabe mesmo se não terá chegado a ir até à cidade de Nuremberga[15].

Desconhecemos o tempo que demorou esta viagem, mas há indícios que indicam que talvez em Setembro/Outubro de 1430 o seu regresso se tenha verificado[16], quase um ano depois sobre a data da partida.

Esta primeira viagem do Conde de Ourém e tudo o que aconteceu em volta dela – contactos diplomáticos, participação em recepções, cortejos régios, banquetes e festas, visitas a cidades, consideradas na época, as mais cosmopolitas e desenvolvidas tanto comercial como artisticamente – permitiram-lhe a visualização de um mundo, para ele totalmente novo, diferente, admirável que, decerto, lhe terá despertado interesses artístico-culturais. Beleza, grandiosidade, requinte e luxo eram características da corte borgonhesa. O relato da entrada em Bruges[17], descreve um monumental cortejo, que demorou duas horas a atravessar a cidade que estava toda engalanada – das janelas dos edifícios pendiam tapeçarias e panos coloridos[18] – e onde os intervenientes se apresentavam ricamente vestidos com fatos de seda, veludo, cetim, damasco e os servidores do duque, com o seu emblema bordado nas vestes, todos os dias, enquanto duraram as festas comemorativas do enlace, vestiam roupas de cor diferente. Filipe-o-Bom tinha mandado ampliar e redecorar a sua residência especialmente para aquela ocasião[19]. O palácio de Prinsenhof[20], no coração de Bruges, deveria apresentar-se mais belo do que nunca: uma nova sala, em madeira, foi propositadamente construída para as festas e não faltariam novidades artísticas, tanto em termos arquitectónicos como do respectivo recheio – tapeçarias, peças de ourivesaria, talvez mesmo pinturas. O banquete foi servido em baixela de ouro e prata. No exterior da residência régia foi montada uma fonte, em forma de leão – o leão da Flandres – , de onde jorrava vinho à descrição; dentro do pátio do palácio, junto à nova sala onde se realizou o banquete, de outras duas, um cervo e um unicórnio respectivamente, jorravam, da primeira, alternadamente, vinho e licor de hipocráz[21] e da segunda água de rosas para quem se quisesse refrescar. D. Isabel assistiu de uma das varandas do Groote Markt ou Beffroi des Halles, na praça principal de Brujes, às justas e torneios, feitos em sua honra para comemorar o casamento.

Brujes, no início do século XV, era ainda uma importantíssima cidade mercantil. Nela se cunhava moeda e tinha residência a corte. Artisticamente era também muito desenvolvida. Em 1430 D. Afonso deverá ter visto nesta sua estada uma bela e curiosa cidade, atravessada por canais bordejados de casas de feição completamente diversa da que estava habituado a ver. Na praça principal da cidade situavam-se inúmeros edifícios civis cuja imponência muito devem ter impressionado o 4º Conde de Ourém: o já referido Beffroi, construído por volta de 1300, aque faltava ainda a torre quadrangular que o rematou, e os edifícios, sede das numerosas guildas, que rodeavam a praça, elementos fundamentais da vida económica, política e social da urbe. Também o palácio comunal estava já edificado. Bela peça de arquitectura gótica do século XIV é actualmente um dos mais antigos edifícios da cidade. A Igreja de Nossa Senhora estava também já erguida, mas decerto, a que maior curiosidade despertou em D. Afonsoterá sido a Basílica do Santo Sangue, o mais antigo edifício religiosos de Bruges, construída no século XII e que albergava a referida relíquia[22].

D. Afonso e parte da comitiva portuguesa presidida pelo Infante D. Fernando, terão acompanhado os duques na viagem pela Flandres. E nas cidades e castelos visitados, não deverão ter faltado recepções e festas, onde a magnificência da corte borgonhesa se continuou a afirmar. A este propósito convém realçar que o Duque da Borgonha possuía em Gant, primeira paragem daquele périplo, um imponente castelo fundado no século X e ampliado no século XII –  Gravensteen – , onde, decerto, D. Isabel e o marido devem ter ficado alojados e onde novas festas se realizaram. Nesta cidade estava já erguida a magnífica catedral gótica, dedicada a S. João – mais tarde consagrada a S. Bavão – e o Lakenhalle – mercado das lãs – situado na praça da catedral, que em 1430, andavaem construção. O deslumbramento deve ter sido total pelo que, mesmo sem qualquer referência documental que o confirme, não é difícil ajuizarmos que D. Afonso nunca mais deverá ter esquecido os dias passados na Borgonha e de tudo quanto, nesta que foi a sua primeira saída de Portugal, lhe foi proporcionado ver e admirar.

A segunda missão diplomática levou-o, ao que tudo indica, a um território mais próximo, sendo segura a sua presença em Aragão, provavelmente em Barcelona, no Verão de 1431, como o atestam cartas do respectivo monarca dirigidas a D. Duarte e D. João I datadas de 22 de Setembro e 20 de Outubro, respectivamente. O secretismo da missão de que ia incumbido impede-nos de saber mais: em que data partiu, que caminho tomou, onde estadeou, com quem se encontrou e quando regressou a Portugal[23]. Barcelona era no início do século XV, um importante entreposto comercial e do seu porto saíam regularmente embarcações que atravessavam o Mediterrâneo estabelecendo a ligação à costa francesa e à península itálica. A viagem Barcelona-Livorno por mar era a forma mais rápida de atingir aquele destino. Barcelona era portanto uma cidade bastante desenvolvida, possuidora de notáveis edifícios. Nesta altura D. Afonso poderá ter visto o Palácio comunal (Palau de la Generalitat), cuja feição gótica é actualmente apenas visível no pátio interior, que data de 1416 e tem traça de Marc Safont, o Palácio Real (Palau Reial Major), residência dos condes-reis da cidade desde o século XIII e que foi construído incorporando a antiga muralha romana, sendo o actual campanário parte de uma torre de vigia. Outro edifício de carácter civil que muito provavelmente D. Afonso viu foi a Llotja (bolsa de mercadorias), construída no final do século XIV como sede do Consolat de Mar[24]. Próximo situava-se a Igreja de Stª Mª del Mar, eregida também no século XIV com planos de Bérenguer de Montagut[25]. A Catedral, apesar de só ter sido concluída no século XIX, já estaria globalmente edificada, uma vez que o início da sua construção, que assentou sobre os vestígios de um templo romano e de uma mesquita mourisca, remonta ao início do século XIV pelo que deverá ter sido visitada pelo 4º Conde de Ourém.

A viagem mais longa que o 4º Conde de Ourém realizou, não só pelo percurso efectuado como pelo tempo que demorou, na que foi a sua terceira saída de Portugal, foi a primeira missão em que aparece oficialmente nomeado para a chefiar: a ida ao Concílio de Basileia.

A comitiva, que era extensa – 124 ou 125 pessoas – saiu de Lisboa no dia 11 de Janeiro de 1436[26] e o 4º Conde de Ourém só deve ter regressado a Portugal nos primeiros dias de Novembro de 1438, tendo estado, portanto, em viagem, durante quase três anos. Julgamos mesmo possível, que tencionasse estar fora mais tempo, mas a morte de D. Duarte a 9 de Setembro de 1438 terá, talvez, antecipado o regresso. Desta viagem existe um relato, escrito por um anónimo que decerto integrou a comitiva: Diário da Jornada que fez o Conde de Ourem ao Concílio de Basilea. Como o Conde d´Ourem foy ao Concilio de Basilea e o que passou no caminho, e assi ao Papa[27], texto curioso e muito rico em pormenores que tem como protagonista D. Afonso. Esta narrativa informa-nos sobre o périplo, a distância percorrida em cada jornada, os locais de pernoita, as paragens e visitas mais demoradas e faz a descrição de algumas localidades, da sua organização social, hábitos, costumes, episódios e acontecimentos.

O itinerário, cujo destino era Basileia mas que o levou até Colónia, passou por 140 localidades: atravessou a Península Ibérica, com paragens de dois ou três dias, no máximo uma semana, em Ávila, Toledo, Álcalá de Henares, Valência e Tortosa. A meio de Abril D. Afonso e a sua comitiva entraram em Barcelona, onde se detiveram 6 semanas, decerto à espera de ventos favoráveis e organizando os preparativos para a viagem de barco que os levaria a Livorno. A chegada àquele porto ocorreu a 18 de Junho de 1436. A viagem por Itália prosseguiu a um ritmo mais lento por Pisa, onde esteve cinco dias, Florença, onde estadeou catorze e Bolonha onde se demorou, dez semanas. A saída daquela cidade ocorreu a 10 de Outubro, rumo a Basileia. Passou por Parma, Modena, com uma estada de nove dias e Milão onde esteve quinze. A 13 de Novembro entrava na primeira localidade dos domínios do Duque de Saboia – Vercelli. Depois de atravessar os Alpes e de ter passado por Lausane, no dia 2 de Dezembro o 4º Conde de Ourém chegou a Basileia, onde esteve cinco meses e onze dias. Depois de abandonar o Concílio, a viagem prosseguiu no dia 13 de Maio em direcção ao norte da Europa: entre 22 e 23 de Maio esteve em Bona e no dia 30 do mesmo mês, o relato da viagem termina em Colónia. Não conhecemos, nem a data nem o caminho de regresso. Parte da comitiva voltou a Itália para se despedir do Papa[28] em Bolonha e pensamos que daí tenha regressado a Portugal. Quanto a D. Afonso sabemos que pediu autorização a D. Duarte para se separar dela[29], para ir aos lugares santos. Temos até a na Crónica do Condestável parte do roteiro desta viagem: Cairo, Damasco, Jerusalém[30]. Assim, na península itálica ter-se-á dirigido para Veneza, de onde sabemos que embarcou em Setembro de 1437, com destino à cidade santa, como disso deu notícia uma carta do Doutor João Beleágua escrita em Bolonha em 31 de Agosto, daquele ano[31].

Como terá sido o regresso? Decerto pelo Mediterrâneo, em direcção à Península, rota aliás muito comum e frequentemente seguida pelas cruzadas. Pena é não sabermos este percurso. Onde estaria D. Afonso quando soube da morte de D. Duarte? Tendo em conta que o monarca morreu no início de Setembro de 1438 e que passados praticamente dois meses, o Conde de Ourém já estava em Portugal, fácil é depreender que deveria estar próximo da Península Ibérica, talvez no norte de África (em Ceuta?), de onde se chegava a Portugal, se os ventos o permitissem, em poucos dias[32].

Esta terá sido de facto, pela extensão do percurso, pelo tempo que demorou e pelo que viu, a mais importante e interessante viagem que D. Afonso empreendeu. O relato do anónimo acompanhante assinalou, nas paragens mais demoradas, as visitas e contactos, que terá considerado mais interessantes e notáveis pelo que é possível depreender dos seus interesses, gostos e personalidade.

Quando chegava a qualquer localidade, a comitiva era sempre recebida pelas autoridades locais com presentes, geralmente vinho e/ou comida, e em cidades de maior importância como Valência, Barcelona, Florença, Bolonha, Vercelli, Lausane, Basileia ou Estrasburgo, a descrição narra recepções que se revestiam de grande importância: eram usados os melhores fatos e a comitiva seguia em cortejo pelas principais ruas das cidades, com arautos, charamelas e trombetas. Verdadeiras entradas régias[33], organizadas provavelmente à semelhança do que, cinco anos antes, D. Afonso tinha visto na Borgonha. (Fig.11) O destaque e dignidade destas entradas revelam a importância e consideração que as mais diversas cortes tinham por Portugal e pelo seu embaixador, que se apresentava acompanhado de grande comitiva – sinal de poder e riqueza – e cujos sinais exteriores – vestuário luxuosos, aparato, grandiosidade – eram sinónimo de requinte e singularidade.

Fig. 11 – “Carlos IV, o Belo, acolhe em Paris a sua irmã Isabel, rainha de Inglaterra, 1325. Miniatura extraída das Chroniques de Sir Jean Froissart, sé. XIV, Paris, Biblioteca Nacional de França. As «entradas» reais e dos príncipes glorificavam a função de encontro, de acolhimento e de festa, cujo lugar principal, material e simbólico é a porta da capital.”

Os contactos pessoais descritos no relato, revelam ligações ao mais alto nível: o 4º Conde de Ourém esteve com o Rei de Castela, que visitou em Alcalá de Henáres; em Barcelona encontrou-se com a Rainha de Castela que estava acompanhada da irmã, tendo as duas senhoras sido recebidas por D. Afonso às portas da cidade, tendo depois, sido recebido nos paços onde pousavam, para novo encontro, em que se despediu. Em Bolonha foi recebido, pessoalmente, na corte pontifícia pelo Papa Eugénio IV e contactou com os mais altos representantes cardinalícios. Conheceu também Francisco Sforza, genro do Duque de Milão e Gattamelata, um importante condotiero[34]. Visitou as cortes dos duques de Milão e de Saboia, onde foi faustosamente recebido com jantares, caçadas e festas realizadas em sua homenagem. E no Concílio encontrou-se com inúmeros representantes das diversas delegações presentes, de entre os quais destacamos os embaixadores do rei de Castela[35].

Das visitas que fez a edifícios e monumentos notáveis, o relato assinala que o 4º Conde de Ourém terá privilegiado sobretudo paços régios ou castelos de nobres e edifícios religiosos; poucos são os referidos de carácter civil. Assim, em Valência, cuja estada demorou oito dias, D. Afonso viu os Paços do rei, fora da cidade, respectiva capela e horto, os Paços de um cónego e o orto d´El-Rey, que he dentro na dita cidade, a que chamão Terecena, (...) e dentro estão duas capelas e dous preguatoiros, (...) e outros edificios como de See[36]. Em Tarragona visitou a Sé e perto de Barcelona o Mosteiro de Stª Mª de Montserrat. Em Pisa, onde esteve cinco dias, é assinalada a respectiva Catedral e Baptistério, bem como são feitas apreciações quanto à beleza das pinturas, pavimento e portas da catedral; no baptistério foi admirada a respectiva pia bem como o púlpito. Em Florença destacam-se os Paços do Marquês de Ferrara onde D. Afonso terá pousado[37], o conjunto monumental do Duomo, sublinhando a beleza e singularidade das portas do Baptistério e os dois hospitais da cidade (um para homens e outro para mulheres). Em Bolonha impressionaram as altas torres, muito comuns na cidade, destacando-se especialmente uma delas, a Torre da Guarda, que a vêm a dez legoas e deziam que aquella era a mais alta torre que avia em Italia[38]. Em Milão viu a Catedral, ainda em construção[39], e visitou não só o Castelo do Duque na cidade, mas também um outro, afastado da urbe, onde foi recebido por Carlo Maria Visconti e nele foi feita montaria em sua honra. Naquela região visitou ainda o Mosteiro de S. Pedro Martel. No caminho para Basileia há referência ao Mosteiro de São Bernardo, em Sam Remy, local de extrema importância como ponto de apoio na passagem dos Alpes e os paços do Duque de Saboia e do Príncipe do Piemonte, seu filho, em Lausane. Curiosamente em Basileia onde a estada se prolongou por mais tempo e cujo relato também ocupa a maior parte do texto, apenas é assinalada a catedral onde decorriam os trabalhos do Concílio. Em território do Sacro Império, é destacada, em Ruão huma igreja mui boa[40], que não é identificada. Em Estrasbourgo, o relato fala das vinte e seis pontes da cidade, da sua Sé e respectivos orgãos, que dezia o Conde de quantos elle vira que aquelle erão os melhores[41]. Em Bona é feita referência à Sé e em Colónia, onde o relato é interrompido, de novo se destacam edifícios religiosos: a Sé muito grande e boa e, se for acabada, será muy formosa[42], como os túmulos dos três reis magos que aí se encontravam e os mosteiros de São Francisco e das Onze Mil Virgens.

Esta viagem pela península itálica que levou o Conde de Ourém até Basileia permitiu-lhe contactar com um ambiente completamente diferente daquele que tinha visto na Flandres. Frequentemente, o relato assinala conflitos latentes e situações de insegurança, demonstrativos do ambiente instável que se vivia nalgumas cidades-estado. E esta luta travava-se não só no campo de batalha, mas também nos edifícios públicos de reunião e administração comunal, cuja construção era promovida e paga pelas associações comerciais e/ou artesanais – e nos que o senhor patrocinava – paços, capelas privadas ou outras construções, ricamente decoradas com pinturas e esculturas. Naqueles territórios, no início do século XV, uma cultura mecenática estava em germinação e dava já passos seguros no sentido de uma atitude de valorização e enriquecimento cultural e artístico que foi levada a cabo, a partir do início do século XV, por inúmeros encomendadores privados, naquela zona tão particular da Europa mediterrânica.

Tudo o que ficou assinalado nos texto e que expressamente é referenciado, constitui um conjunto bastante interessante de obras de arquitectura que o Conde de Ourém viu: vários paços régios (10) e outros de natureza mais modesta (6), estaus (8), castelos (14) e alcáçovas (2) e edifícios de carácter religioso: Catedral de Tarragona, Mosteiro de Montserrat em Barcelona, Catedral e Baptistério de Pisa, Catedral, Torre e Baptistério de Florença, Basílica de S. Petrónio em Bolonha, Catedral de Milão, Mosteiro de São Bernardo nos Alpes e as catedrais de Basileia, Ruão, Estrasburgo, Colónia e Mosteiro de São Francisco e das Onze Mil Virgens, na mesma cidade.

Mas, certamente, outros edifícios igualmente importantes e que o texto não assinala, devem ter sido observados. Esta afirmação fundamenta-se no facto de, sendo as estadas do 4º Conde de Ourém por vezes prolongadas e sendo aqueles edifícios marcos significativos nas cidades, decerto foram vistos. Podemos afirmar que em Valencia D. Afonsoterá, pelo menos, visto a respectiva Catedral, construída entre meados do século XIV e o início do seguinte, que já apresentava o seu campanário – el Miquelete, uma torre octogonal que se erguia a mais de 51m, concluída em 1429.

Barcelona onde esteve seis semanas não seria uma novidade para ele. O relato assinala o local onde terá ficado instalado: ... na praçaa de Santa Anna, que era a paa[*r] donde pousava o Conde ...[43]. No actualmente denominado Bairro Gótico, a toponímia regista uma Rua de Santa Ana, junto à Praça da Catalunha. Decerto esta é uma designação recente, pelo que se apresenta provável que D. Afonso tenha pousado num edifício desta praça, que no século XV deveria evocar o nome da mãe de Nossa Senhora. O relato descreve com pormenor os encontros que     D. Afonso teve com a Rainha de Castela que estava acompanhada da irmã, no paço onde pousavam. O texto não assinalou o nome pelo qual era conhecido, mas pela importância e posição de quem nele se hospedou só poderia tratar-se do palácio real, localizado próximo da catedral,  confirmando assim que D. Afonso conheceu, com algum detalhe (a passagem do relato do encontro descreve-o demorado[44]) este importante paço de Barcelona e teve oportunidade de admirar novamente a magnífica arquitectura gótica daquela cidade.

Relativamente à estada em Florença que ocorreu entre 8 e 21 de Julho, julgamos que se terá revelado muito significativa, não tanto pelas questões relacionadas com a missão diplomática do Conde de Ourém mas porque nesta tão importante cidade da Toscânia se vivia um singular momento: no final do mês seguinte ou seja a 30 de Agosto de 1436 seria sagrada a cúpula do Duomo[45], ainda não rematada pelo lanternim que mais tarde a coroou, em 1461. Por estes tempos, a fama de Brunelleschi deveria ecoar pela cidade e com ela a renovação da arquitectura florentina. Sabemos que o estaleiro da catedral, onde estariam algumas das máquinas concebidas/inventadas por aquele arquitecto e que possibilitaram o fecho da cúpula, passados mais de sessenta anos sobre a conclusão das obras, ainda era ponto de atracção e passagem obrigatória de viajantes curiosos[46]. O que não seria em1436 a um mês da inauguração da grande obra?

Florença decerto esperou e recebeu com algum entusiasmo e até curiosidade a presença de tão importante nobre, neto do famoso rei D. João I e do não menos conhecido e já com fama de santo, D. Nuno Álvares Pereira. Aliás, os florentinos bem conheciam e consideravam um outro português que naquela cidade era prior do mais célebre mosteiro beneditino, a Abadia de S. Bartolomeu de Fiesole, mais conhecida pela Badia di Firenze: Dom Gomes Ferreira (1383/5?- 1459)[47], homem muito considerado e que mantinha relações de amizade com alguns dos mais notáveis intelectuais e artistas locais. Um dos seus conversos era até irmão de Filippo Brunelleschi[48], pelo que não seria de estranhar que aquele religioso conhecesse até o famoso arquitecto. Apesar de Dom Gomes não estar em Florença[49] quando o Conde de Ourém por lá passou a caminho de Basileia, é muito natural que D. Afonso tenha tido vontade de visitar a sede da congregação dirigida por um seu compatriota que sabia ser muito considerado tanto na corte portuguesa, já desde o tempo do seu avô[50], como também pelo Papa Eugénio IV de quem Dom Gomes era amigo pessoal desde os tempos do noviciado. Provavelmente o Conde de Ourém terá sido guiado por outro monge, talvez mesmo um português[51], que lhe terá mostrado as obras já concluídas no primeiro piso da Badia que se encontrava em fase de remodelação total. Em 1436 estavam já prontos o Oratório e o Claustro inferior – o célebre Claustro das Laranjas[52] – e o Refeitório, estando em fase de conclusão o segundo piso (claustro superior e dormitório novo), terminado no ano seguinte[53].

Sem bases documentais, mas relacionando factos, acontecimentos e datas, julgamos que é possível afirmar que o Conde de Ourém esteve em Florença, num dos anos mais importantes para a cidade que festejava efusivamente a conclusão da sua bela catedral, cujo fecho da respectiva cúpula, tinha demorado tantos anos e que alguns julgavam até ser impossível. Mesmo em frente, D. Afonso terá certamente admirado a bela Loggia dei Lanzi, famoso pórtico destinado a cerimónias públicas construído entre 1376-81 e terá passeado pela Piazza della Signoria e entrado no Palácio Vecchio (1429-1314), com desenho de Arnolfo di Cambio. Deve ter também visitado a residência da Potestade (ou Palácio del Bargello), edifício cuja construção se iniciou no século XIII e cuja loggia e grande sala datam do século XIV. E viu com quase toda a certeza, para além da Catedral que o relato assinala, as obras de Brunelleschi, que nesta altura estavam já edificadas em Florença: a Igreja de São Lorenço, cujos trabalhos tinham sido iniciados em 1423, o Hospital dos Inocentes, construído em 1420 e talvez a Capela dos Pazzi, em construção, uma vez que, iniciada em 1430 só foi concluída em 1444. E se não conheceu o famoso arquitecto, terá talvez tido oportunidade de contactar possivelmente com o irmão que, possivelmente elucidou D. Afonso sobre as novidades arquitectónicas e estilísticas concebidas por Filippo Brunellechi. O Conde de Ourém esteve pois em Florença num ano importantíssimo, talvez mesmo, no preciso momento que constituiu o ponto de viragem e afirmação de uma nova estética que acabava de nascer com a conclusão da emblemática e grande opera da cidade, a Catedral de Santa Maria del Fiore. Pena é não termos registos mais completos desta passagem por Florença que nos elucidariam sobre o que de facto D. Afonso viu, e sobretudo, com quem contactou na capital da Toscânia.

Em Bolonha, importante cidade pontifícia, são inúmeros os edifícios notáveis que na terceira década do século XIV já estavam construídos e que o Conde de Ourém também terá visto, tendo até entrado muito provavelmente num deles: na praça principal situavam-se os palácios comunal, iniciado no século XIII, o chamado do rei Enzo, do mesmo século, e o dos Notários também do século XIV-XV, onde julgamos estava alojado o Papa[54], e onde D. Afonso foi recebido. Um outro edifício, a Mercanzia ou Loggia dos Mercadores, estava já erguido uma vez que tinha sido concluído no final do século anterior. O edifício que albergava a universidade (a mais antiga da Europa que no século XIII tinha já 10 000 estudantes), também deve ter sido visitado. Quanto a edifícios religiosos, para além da catedral de S. Petrónio, podiam já ser vistas as igrejas Dei Servi (séc. XIV), com uma Madona de Cimabue, a de San Stefano, constituída por um complexo conjunto de edifícios medievais, e a de S. Domingos, onde está o túmulo daquele santo. Em Modena, onde a comitiva esteve nove dias, D. Afonso terá tido oportunidade de ver a respectiva catedral, de feição lombarda, tendo o mesmo acontecido, certamente em Lausane.

Sobre a ida a Jerusalém, não existem quaisquer registos sobre a viagem, o itinerário e o que terá visto. De concreto apenas temos as sumárias referências da Crónica do Condestável e a carta, a que já fizemos referência, que noticía que em Setembro de 1437, D. Afonso estava em Veneza. Fundadasobre 117 ilhas no século IX, gozando de uma situação geográfica invejável entre o Oriente e o Ocidente que lhe possibilitou alcançar um enorme poder económico e político, Veneza era, a mais importante potência comercial e marítima da Europa, sendo o Adrático “mar veneziano” de Corfu ao Pó, vivendo, nesta primeira metade do século XV, o seu período de maior apogeu Decerto que a imagem desta tão singular cidade seria bem diversa da actual,  pois muitos dos seus mais notáveis edifícios datam do século XVI, XVII e XVIII. No entanto a Basílica de S. Marcos marcaria já a praça com o mesmo nome, assim como o Palazzo Ducale – residência do dodge, sede do governo, palácio de justiça e prisão, edificado no século XII, cuja feição seria então ainda completamente medieval pois as grandes transformações que sofreu, apesar de iniciadas no século XIII, decorreram sobretudo no século XVI. Mas o Ca´d´Oro, o mais elegante palácio veneziano do século XV andaria em construção (concluído em 1440, D. Afonso deve tê-lo visto com a imagem dourada que lhe deu nome, quando voltou a passar por Veneza em 1452), estando já edificado o Ca´Foscari outra notável residência quatrocentista. Quanto a edifícios religiosos destacamos a Igreja de S. João e S. Paulo (1234-1430),  a  Igreja de Stª Maria Gloriosa dei Frari,  dos franciscanos e a maior de Veneza e a Igreja de S. Zacarias, cuja imagem actual é da renascença, mas originalmente medieval mantendo-se deste tempo o campanário do século XIII e a Igreja de S. Michele com o seu claustro do século XIV.

Em Jerusalém, a ida ao Santo Sepulcro seria paragem obrigatória, destino de viagem até. Quanto ao que mais terá sido visto apenas poderemos presumir que a passagem pelo Cairo e Damasco e outras terras lhe terá proporcionado contactos com uma cultura que, apesar de não ser sua desconhecida, pois era muito forte a presença muçulmana na Península Ibérica, foi naqueles locais apreciada de forma plena e autêntica.

A quarta missão diplomática do Conde de Ourém levou-o novamente a Itália. Realizada no âmbito do casamento de D. Leonor com Frederico III, Imperador da Alemanha (Fig.12), a embaixada portuguesa saiu de Lisboa no dia 25 de Novembro de 1451, por via marítima e fez a sua primeira paragem em Ceuta, no final de Novembro. Na costa francesa, deteve-se para abastecimento na actual Monte Carlo e em Marselha, onde parte da tripulação foi visitar a gruta de Stª Madalena e os túmulos de Stª Marta e S. Lázaro. Em Itália as cidades que os relatos assinalam como locais que D. Afonso visitou e estadeou são: Livorno/Pisa, onde chegou no início de Fevereiro, Siena, Assis, para visitar ao túmulo de S. Francisco e Stª Clara nos respectivos mosteiros e Roma, onde entrou no dia 8 de Março de 1452, para assistir ao casamento e coroação dos imperadores nos dias 15 e 19 do mesmo mês, respectivamente.

Fig. 12 – Pinturicchio, Libreria Piccolomini, Catedral de Siena. Este fresco representa o encontro entre Frederico III e D. Leonor. Afirma-se que o personagem masculino que se encontra à esquerda, em primeiro plano, de costas é D. Afonso, Marquês de Valença.

Os documentos escritos que chegaram até nós relatando estes acontecimentos[55] não são muito explícitos quanto à identificação de locais visitados pelo Conde de Ourém. Debruçam-se, sobretudo, sobre os actos relacionados com o enlace, deixando para um plano quase esquecido o cenário que os enquadrou. O documento mais extenso e que nos dá mais informações, sob este ponto de vista, é o relato de Nicolau Lanckerman. Relativamente a Ceuta, primeira paragem da comitiva portuguesa, na viagem que levou D. Leonor a Itália, o relato tece considerações sobre a cidade: Oh que grandes Palacios e enormes, fortes e admiráveis construções de torres e baluartes! (...) Ceuta é uma grande cidade, o dobro maior que Vienna no Ducado da Austria[56]. Acrescenta que existem três igrejas cristãs, situadas em edifícios originalmente pagãos: no maior, foi instalada a catedral, consagrada à Virgem Maria; uma segunda, situava-se fora dos muros maiores da cidade e era dedicada a Stª Mª da Graça, tendo nela sido celebrado missa, pelo narrador, a que assistiu D. Leonor; na terceira igreja cristã de Ceuta, cujo orago era S. Tiago, tinham instalado os frades menores um convento. Quanto aos palácios é feita referência específica àquele onde a  princesa se alojou: um grande Palacio em que outr´ora habitaram o Rei d´Africa e Annibal[57]. Constituído por um amplo edifício e um belo jardim onde cresciam espécies da flora local, este palácio é ainda caracterizado como tendo parte das paredes e os pavimentos formados com admiravel belleza, de diversas pedras polidas, de varias côres, como as paredes da Igreja de São Marcos em Veneza e três casas de banho lindissimas e dispostas de uma maneira admiravel e deliciosa[58]. Foi aliás no jardim deste palácio que D. Leonor plantou um arbusto como sinal de despedida de Portugal, que certamente sabia, não mais voltaria a ver.

 

 

In Medievalista, Ano 2, Nº. 2, 2006. em http://www.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/medievalista2/medievalista-afonso.htm



publicado por Carlos Gomes às 00:02
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Domingo, 6 de Março de 2011
DUQUES DE BRAGANÇA E CONDES DE OURÉM

OS DUQUES DE BRAGANÇA

 

D. Afonso, 1º duque de Bragança (Cabeço de Vide 10.08.1377 – Chaves 15.12.1461).
 
D. Fernando, 2º duque de Bragança (Chaves 1403 – Vila Viçosa 1.04.1478).

Seu avô D. Nuno Álvares Pereira doou-lhe, em 1422, o condado de Arraiolos e as terras que possuía no Alentejo. Participou nas expedições a África em 1437, como condestável da armada na expedição a Tânger, 1458 e 1463. Foi governador de Ceuta entre 1445 e 1450. D. Afonso V fê-lo marquês de Vila Viçosa (1455). Em 1461 tornou-se no 2º duque de Bragança, fazendo-lhe o monarca a mercê de elevar Bragança a cidade. Em 1471, D. Afonso V ausentou-se para a conquista de Arzila, nomeando D. Fernando regente do Reino.

D. Fernando, 3º duque de Bragança (1430 – Évora 1483).

Acompanhou D. Afonso V, de quem era amigo, nas expedições a África em 1458, 1463 e 1471. Fronteiro-mor no Norte de Portugal (1462), tornou-se conde (1462-1463) e duque de Guimarães (1470). Por morte de seu pai, veio a ser, em 1478, 3º duque de Bragança. Conselheiro de D. Afonso V, foi o senhor mais poderoso de Portugal. No ano de 1483, D. Fernando, foi degolado sumariamente em Évora, por ordem de D. João II, que se fundamentou na alegada prova de participação em conspirações politicas e alianças secretas com Castela. O Rei desta forma eliminou o primeiro e mais poderoso nobre do País e viabilizava o robustecimento da centralização e pessoalização do poder real, pelo que os descendentes do duque de Bragança se viram obrigados a fixarem-se em Castela.

 

 

D. Jaime, 4º duque de Bragança(1479 – Vila Viçosa 20.09.1532).

Filho dos terceiros duques, D. Fernando e D. Isabel, e sobrinho de D. Manuel I. com a restauração da Casa de Bragança, em 1496, D. Manuel I propiciou a seu sobrinho o duque D. Jaime o início de uma nova época de engrandecimento, que treze anos de suspensão e exílio tinham interrompido, sendo a devolução vista, segundo o Rei, não «como cousas perdidas a que nos hora novamente tornamos, mais que usem dellas como de cousas que nunca perderão». Em contrariedade ao expresso no testamento de D. João II, D. Manuel I restituiu, a todos os níveis, as antigas prerrogativas do ducado e demonstrou tal proximidade a D. Jaime que no ano seguinte lhe conferiu o estatuto de herdeiro presuntivo da Coroa. Propôs a D. Manuel I a conquista de Azamor. Comandando uma poderosa armada de 400 velas, que levaram 2500 cavaleiros e 18000 infantes, apoderou-se dessa praça marroquina. Em 1520, voltou a casar, dando inicio, no ano seguinte, à construção do Palácio Ducal de Vila Viçosa. D. Jaime em muito contribuiu para alargar a influência da Casa de Bragança.

 

D. Teodósio, 5º duque de Bragança

desde 1532 (morreu em Vila Viçosa a 20 de Setembro de 1563).

Foi seu mestre o humanista Diogo Sigeu. Em Dezembro de 1540 foi nomeado Fronteiro-mor das províncias de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes. Concluiu o Palácio de Vila Viçosa e nessa vila fundou o Convento da Graça, onde, obtida a aprovação pontifica, em 13 de Julho de 1560, começou os trabalhos para a instalação de uma universidade com os mesmos privilégios da de Coimbra. Dotado de grande cultura era muito dado às artes e em especial à pintura e à escultura. Tinha agentes por toda a Europa: os elementos por eles enviados constituem vários volumes, aos quais deu o título «Os Livros de Muitas Cousas».

 

D. João, 6º duque de Bragança(morreu em Vila Viçosa a 22 de Fevereiro de 1583).

Em 1563 casou com D. Catarina, sua prima, filha do infante D. Duarte e de D. Isabel, irmã de seu pai. Quando D. Sebastião realizou a primeira ida a África quis que o duque o acompanhasse, ficando o governo do ducado a D. Catarina (1574). O duque foi a essa expedição, levando 600 cavaleiros e 2.000 infantes das suas terras; preparava-se também para ir com o Rei à segunda e desastrosa expedição de 1578 quando febres violentas o obrigaram a ficar. Enviou por isso, para acompanhar o Rei, seu filho D. Teodósio, futuro duque de Bragança.

 

D. Teodósio, 7º duque de Bragança(Vila Viçosa 28.04.1568 – Vila Viçosa 29.11.1630).

Em virtude de seu pai se encontrar doente, apenas com 10 anos de idade acompanhou as 800 pessoas, entre soldados e criados, com que a Casa de Bragança contribuiu para a Batalha de Alcácer Quibir. Apesar da pouca idade nela tomou parte, tendo ficado ferido na cabeça e feito prisioneiro até Agosto de 1579. Viria a ser libertado por ofícios pessoais de Filipe II, de Espanha, e das instâncias do cardeal D. Henrique. Foi um dos pretendentes mais empenhados na crise de sucessão dinástica (1578-1580) por morte de D. Henrique, reivindicando o direito ao trono português, acabando por se ver envolvido no velado contencioso político existente entre Portugal e Castela, que lhe valeu a «retenção» prolongada em casa do duque de Medina-Sidónia, só regressando a Vila Viçosa em 1580. Em 1583, com a morte de seu pai, e contando apenas 15 anos de idade assumiu o ducado, sendo a sua gestão inicial tutelada por sua mãe D. Catarina, a quem Filipe II propõe casamento, ao que a duquesa manifestou recusa frontal, que ficou célebre e que, politicamente, ressalvava os interesses de seu filho D. Teodósio, à coroa usurpada. Sendo já duque defendeu Lisboa, em 1589, do ataque dos ingleses, comandados por Drake. Foi pai de D. João IV.

 

D. João IV, Rei de Portugal, 8º duque de Bragança(Vila Viçosa 18.03.1604 – Lisboa 06.11.1656).

 

 

D. Teodósio, 9º duque de Bragança(Vila Viçosa 8.02.1634 – morreu a 6 de Dezembro de 1653).

Primogénito do Rei de Portugal, D. João IV e da Rainha D. Luísa de Gusmão. Herdeiro da coroa portuguesa e 1º Príncipe do Brasil, título especialmente criado em sua honra, enquanto herdeiro do trono, por carta de seu pai de 27 de Outubro de 1645.


D. Afonso VI, Rei de Portugal, 10º duque de Bragança (Lisboa 21.08.1643 – Sintra 12.09.1683).


D. João V, Rei de Portugal, 11º duque de Bragança (Lisboa 22.10.1689 – Lisboa 31.07.1750).

D. José I, Rei de Portugal, 12º duque de Bragança (Lisboa 06.06.1714 – Lisboa 24.02.1777).

D. Maria I, Rainha de Portugal, 13ª duquesa de Bragança (Lisboa 17.12.1734 – Brasil, Rio de Janeiro 20.03.1816).


D. José, 14º duque de Bragança (Lisboa 20.08.1761 – Lisboa 11.09.1788).

Filho primogénito da Rainha D. Maria I e de seu consorte, D. Pedro III, foi titulado 1º Príncipe da Beira por seu avô materno ao nascer. Herdeiro da coroa portuguesa, faleceu prematuramente.

D. João VI, Rei de Portugal, 15º duque de Bragança (Lisboa 13.05.1767 – Lisboa 10.03.1826).


D. Pedro IV, Rei de Portugal, 16º duque de Bragança (Queluz 12.10.1798 – Queluz 24.09.1834).

 

D. Miguel I, Rei de Portugal, 17º duque de Bragança (Queluz 26.10.1802 – Áustria, Bronnbach 14.11.1866).


D. Maria II, Rainha de Portugal, 18ª duquesa de Bragança (Rio de Janeiro 04.04.1819 – Lisboa 15.11.1853).


D. Pedro V, Rei de Portugal, 19º duque de Bragança (Lisboa 16.09.1837 – Lisboa 11.11.1861).

 

D. Carlos I, Rei de Portugal, 20º duque de Bragança (Lisboa 28.09.1863 – Lisboa, assassinado no Terreiro do Paço 01.02.1908).


D. Luiz Filipe, 21º duque de Bragança (Lisboa 21.03.1887 – Lisboa, assassinado no Terreiro do Paço 01.02.1908).

Primogénito do Rei D. Carlos e de D. Amélia. Jurado príncipe herdeiro em 1901. Príncipe da Beira e duque de Bragança e de Saxónia, em 1907, acompanhado do ministro da Marinha, Aires de Ornelas, visitou os territórios portugueses em África.

D. Miguel (II), 22º duque de Bragança (Kleinheubach 19.09.1853 – Áustria, Seebenstein 11.10.1927).

Foi o único filho varão de D. Miguel I e de sua consorte, D. Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg.


D. Duarte Nuno, 23º duque de Bragança (Seebenstein 23.09.1907 – Lisboa 24.12.1976).

Filho de D. Miguel II de Bragança e de D. Maria Teresa de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg. Casou com D. Maria Francisca de Orleães e Bragança, bisneta do Imperador D. Pedro II do Brasil. É pai do actual duque de Bragança.


D. Duarte Pio, 24º duque de Bragança (Berna, Legação de Portugal 15.05.1945)

(Texto adaptado do livro Reis e Rainhas de Portugal)

 

Fonte: Real Associação do Médio Tejo, in http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.com/



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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
Juan Fernandes Andeiro, 2º Conde de Ourém

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Com o falecimento do primeiro Conde de Ourém, D. João Afonso Telo de Menezes, tio de D. Leonor Teles, em 1381, o título ficou vago para a Coroa. Entretanto, foi o mesmo pelo Rei D. Fernando concedido a Juan Fernandes Andeiro, em reconhecimento dos serviços que este lhe prestou quando invadiu a Galiza e também nas negociações com o Duque de Lencastre, em Inglaterra, que culminariam no Tratado de Tagilde. De referir que, Juan Fernandes era um fidalgo galego, natural de Andeiro, na Comarca da Corunha e à época, era frequente os fidalgos galegos tomarem o partido dos reis portugueses, aspirando à união política com a Galiza.

Por outro lado, João de Gante, Duque de Lencastre, ambicionava a coroa de Castela pelo que interferiu sempre nos seus destinos, nomeadamente quando disputou com Henrique de Trastâmara o direito à sucessão do sogro, D. Pedro I, de Castela.

Conhecedor dos meandros da política que se desenrolava em torno das disputas ao trono castelhano e conhecendo as ambições do Duque de Lencastre de quem foi, aliás, seu genro, é de crer que as suas ambições passassem sobretudo pelo trono de Portugal através da sua eventual ligação amorosa à viúva do Rei D. Fernando.

Prevalece actualmente a versão que nos foi deixada por Fernão Lopes na sua “Crónica de D. João I” sobre a qual se edificaram as mais diversas teorias. Na realidade, o cronista era pago para escrever e, tendo o partido nacionalista encabeçado pelo Mestre de Avis saído triunfante, a narrativa não podia ser muito diferente.

Em 6 de Dezembro de 1383, Juan Fernandes Andeiro é morto no Paço das Alcáçovas, em Lisboa. O Mestre de Avis fere-o de morte e Rui Pereira aplica-lhe a estocada final.

O título de Conde de Ourém veio posteriormente a ser atribuído ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, tornando-se o terceiro a ostentar o título.

Limoeiro

Palácio do Conde Andeiro onde durante muitos anos funcionou a Cadeia do Limoeiro e actualmente se encontra o Centro de Estudos Judiciários.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011
D. João Afonso Telo de Meneses, 1º Conde de Ourém

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O Condado de Ourém foi criado por volta de 1370, pelo Rei D. Fernando, em favor de D. João Afonso Telo de Menezes, tio de sua mulher, a rainha D. Leonor Teles. Almirante do Reino e Mordomo-mor, D. João Telo de Menezes foi o primeiro a ostentar o título de Conde de Ourém, com direito a todas as suas rendas, igrejas e padroados.

A ele se deve a fundação da igreja e do mosteiro da Graça, em Santarém, tendo ordenado a sua construção em 1380 com o propósito de ali albergar os eremitas de Santo Agostinho.

O 1º Conde de Ourém encontra-se sepultado na capela-mor da Igreja da Graça, juntamente com sua esposa, D. Guiomar Lopes Pacheco.

Também naquela igreja que constitui o ex-líbris da cidade de Santarém, se encontra o navegador Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, o qual jaz ao lado de D. Isabel de Castro, quarta neta do 1º Conde de Ourém.

Quando D. João Afonso Telo de Menezes faleceu, em 1381, deixou como descendentes D. Pedro Telo de Menezes que foi o 1º Conde de Viana do Alentejo, D. Leonor de Menezes que casou com D. Pedro de Castro, Senhor do Cadaval e ainda D. Afonso Telo de Menezes que foi o 5º Conde de Barcelos.

Não obstante ter deixado descendentes directos, o título de Conde de Ourém não veio a ser confirmado naquela família, tendo ficado vago para a Coroa. Após a morte do Rei D. Fernando, em 1383, D. Leonor Teles, durante a sua curta regência, concedeu-o a seu valido D. Fernando Anes Andeiro. Ou terá sido concedido por D. Fernando por serviços a si prestados? 

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011
Rei D. Carlos, Duque de Bragança e 23º Conde de Ourém foi homenageado em Lisboa

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Conforme o AUREN oportunamente noticiou, teve lugar no passado dia 1 de Fevereiro, na Igreja da Encarnação, em Lisboa, a celebração de uma missa em memória de D. Carlos I, penúltimo Rei de Portugal, Duque de Bragança e 23º Conde de Ourém e de seu filho, o Príncipe real D. Luís Filipe.

A cerimónia religiosa foi celebrada pelo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada e contou com a presença de um público bastante numeroso. Entre as individualidades presentes, salientamos SARR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e 27º Conde de Ourém e D. Isabel de Bragança.

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A imagem mostra os actuais Condes de Ourém, D. Duarte Pio e D. Isabel de Bragança entre a assistência.

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Foram muitas as pessoas que participaram nas celebrações religiosas em memória de D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe.

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D. Duarte Pio é o 27º Conde de Ourém. Na imagem, ao lado de sua espôsa, D. Isabel de Bragança.

 

Fotos: http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.com/



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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010
Restaurante Medieval reabre no Castelo de Ourém

Restaurante Medieval no Castelo de Ourém re-inagurado no 40º aniversário da primeira restauração

Apesar da chuva que caia em abundância, centenas de pessoas concentraram-se no velho burgo de Ourém para participarem nos festejos do 40º aniversário da 1º Restauração do Restaurante Medieval.

Na Missa de Acção de Graças celebrada na antiga Real e Insigne Sé-Colegiada de Santa Maria da Misericórdia foi recordado também o facto que este ano celebra-se o 650º aniversário do nascimento de D. Nuno Álvares Pereira, III Conde de Ourém e o 550º aniversário da morte de D. Afonso, IV Conde de Ourém, fundador da Colegiada.

Inauguração

A imagem regista o momento do descerramento da placa alusiva à re-inauguração do Restaurante Medieval de Ourém. Na foto, o Dr. Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal e SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e Conde de Ourém.

 

Asistitram à Missa presidida por Sua Exa. Reverendíssima Dom Nicolas Thevenin, Pronotário Apostólico di numero participante, Prelato de Antecamera de Sua Santidade o Papa Bento XVI, o Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Paulo Fonseca e o actual Conde de Ourém, o Duque de Bragança, Dom Duarte Pio.

Monsenhor Nicolas Thevenin que disse estar feliz por ter tido o privilégio de celebrar a Missa comemorativa recordou na sua homilia que a Vidente de Fátima havia afirmado que a razão pela qual Nossa Senhora escolheu Fátima para as suas aparições em 1917, foi por ter sido terra do Santo Condestável. Ao recordar o grande apóstolo de Fátima, John Haffert, este antigo Secretário do Secretário de Estado, referiu também que foi graças ao Precursor de Fátima, Dom Nuno, que Haffert conheceu  e espalhou a Mensagem de Fátima pelo Mundo. Disse ainda o Monsenhor que o Santo Padre, teve uma especial alegria em ter tido a oportunidade de Canonizar tão grande Santo e de o dar ao Mundo como modelo a seguir e que os Ourienses por isso deviam de sentir orgulho pela história e memória de tão grande e tão humilde herói estar ligada a estas terras.

Meia dúzia de Monsenhores vindos da Itália, da Espanha, da Bélgica e dos Estados Unidos juntaram-se à celebração dos 40 anos da 1ª Restauração do Restaurante Medieval onde também foi recordado Dom João Pereira Venâncio, Bispo de Leiria, amigo pessoal de Haffert que foi Presidente do Exército Azul e que benzeu a Pedra de Armas da Fundação Oureana em 1970, tendo depois inagurado o Restaurante Medieval juntamente com o Ministro do Turísmo, a15 de Agosto de 1971.

Depois da Missa que juntou membros das Reais Ordens Dinásticas, várias Associações e Irmandades, teve lugar uma comovente Consagração a Nossa Senhora de Fátima, Rainha de Portugal e do Mundo, cantada por Roberto Leal que também foi o responsável pela animação musical durante a Missa e no final da celebração, cantou o Avé de Fátima deixando muitos dos fieis a assistir comovidos e em lágrimas.

Homenageados pelo Chefe da Casa Real Portuguesa neste ano comemorativa de São Nuno de Santa Maria foram cerca de 50 beneméritos, nacionais e estrangeiros investidos com a Ordem da Asa de São Miguel, entre eles o falecido John Haffert, o Tenor José Carreras e a Primeira Dama da Televisão Brasileira Hebbe Camargo.

Já no Restaurante Medieval foi descerrada pelo Presidente da Câmara, pelo Duque de Bragança e pelo Patrono da Fundação Oureana, Roberto Leal, a  lápide comemorativa da 2ª Restauração e que recorda todos os responsáveis pela criação do Restaurante e do seu programa Medieval e ainda os actuais responsáveis pela restauração e continuidade.

Antes do Banquete Medieval Monsenhor Thevenin  ainda proferiu algumas palavras de gratidão a Haffert e à Fundação pelo Programa que foi visto por quase 3 milhões de pessoas e que foi apadrinhado pela Rainha do Fado, Amália Rodrigues no 25º aniversário da sua inaguração em 1995.

Iniciado em parceria com a TAP Air Portugal, o Ministério do Turísmo e a RTP, o programa que ensinava a História de Portugal à luz da Mensagem de Fátima aos visitantes através de um teatro de pantomina e uma projecção de slides fez parte do itinerário de milhares de peregrinação ao Altar do Mundo e ainda hoje é recordado por muito devotos de Nossa Senhora, tendo agora sido substituído por um vídeo documentário de grandee qualidade produzido por uma equipa da BBC.

Carlos Evaristo, actual Presidente Executivo e Administrador Vitalício da Fundação Oureana que é proprietária do famoso Restaurante disse sentir-se orgulhoso com o restauro e a remodelação do antigo Paço dos Cónegos e do mesmo estar agora equipado com aparelhos de climatização  e uma nova decoração. Evaristo agradeceu a generosidade da víuva de John Haffert, a D. Patricia Margaret, da Fundação Dom Manuel II, da Firma MADECA e ainda da Fundação Batalha de Aljubarrota que ajudaram a transformar o Restaurante no Núcleo II do Museu Nacional do Santo Condestável a ser inaugurado no próximo dia 6 de Novembro, Festa de São Nuno. Evaristo agradeceu também o apoio da Câmara Municipal e da Região de Turismo de Leiria – Fátima e informou que os festejos comemorativos de D. Nuno iriam prolongar-se até 22 de Agosto de 2011 altura em que se vai celebrar o 40º aniversário da abertura do Restaurante Medieval e o 10º aniversário do falecimento de John Haffert.

O Presidente da Fundação explicou ainda que ao abrigo do Protocolo com o CIBA, o salão agora reproduz a Sala do Trono e Salão Medieval de D. João I e independentemente de funcionar como Salão de Banquetes para grupos e de poder ser disponibilizado para eventos com serviço de catering externo, o mesmo pode agora também ser visitado como Museu.

No mesmo edifício ficará aberto ao público um espaço museu dedicado a John Haffert e à história do Restaurante e também uma loja de recordações medievais e alusivas a São Nuno, o II Conde de Ourém que operou, no mesmo edifício, a 8 de Dezembro de 2000, o milagre confirmado pela Santa Sé e apresentado para a sua Canonização.

Inauguração Restaurante Medieval

As imagens registam o momento solene da re-inauguração do restaurante Medieval de Ourém.

Inauguração Restaurante Medieval

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/ http://nucleomonarquicoabrantes.blogspot.com/ http://realfamiliaportuguesa.blogspot.com/2010/10/homenagem-dom-afonso-de-braganca-iv.html http://realbeiralitoral.blogspot.com/2010/10/ourem-sar-dom-duarte-presente-em-actos.html http://causamonarquica.com/2010/10/15/ourem-s-a-r-dom-duarte-presente-em-actos-comemorativos/ http://www.facebook.com/posted.php?id=119085119255 



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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
Homenagem a D. Affonso de Bragança, IV Conde de Ourém (III)

Para além da Homenagem realizada aos oureenses que morreram na Guerra do Ultramar, cerimónia em relação à qual ontem nos referimos, tiveram ainda lugar, no passado dia 3 de Outubro, diversos Actos Comemorativos em Honra de D. Nuno Álvares Pereira, III Conde de Ourém e de seu Neto - D. Afonso d’ Ourém, IV Conde de Ourém, Primogénito da Casa de Bragança, o AUREN regista a celebração da missa na Sé da Colegiada de Ourém e ainda as cerimónias realizadas no castelo e no Restaurante Medieval.

Homenagem

Um Coronel do Exército dos estados Unidos da América, cidadão luso-americano, participa nas cerimónias que tiveram lugar na Sé da Colegiada.

Homenagem

Um aspecto da celebração da missa, vendo-se SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e Conde de Ourém.

Homenagem

SAR D. Duarte Pio e o Dr. Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, no momento em que procederam ao descerramento de uma placa alusiva à reabertura do restaurante Medieval.

Homenagem

O Dr. Narana Coissoró e o Vice-Presidente da Casa de Goa, em Lisboa, participaram nas cerimónias.

Homenagem

Na imagem, o Sr. José Santos, responsável pelo Protocolo das celebrações, a quem o AUREN agradece as imagens cedidas e a colaboração gentilmente dispensada.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/ http://realbeiralitoral.blogspot.com/



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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
D. Duarte Pio, 27º Conde de Ourém

27ºCondeDeOurém

A D. Affonso de Bragança, IV Conde de Ourém, sucedeu no título D. Fernando I, 5º Conde de Ourém e 1º Duque de Bragança. Com a Restauração da Independência de Portugal em 1640 e a proclamação de D. João IV, 12º Conde de Ourém, como Rei de Portugal, deu-se início à Dinastia de Bragança dos Reis de Portugal os quais, como se sabe, passaram a acumular o título de Conde de Ourém.

 
Actualmente, o sr. D. Duarte Pio de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa, é o herdeiro do título de Conde de Ourém, sendo o 27º pela linha de sucessão.

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



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Homenagem a D. Affonso de Bragança, IV Conde de Ourém (II)

D. Affonso de Bragança

Sob o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa, S.A.R. Dom Duarte de Bragança Duque de Bragança e Conde de Ourém, o Museu Nacional do Santo Condestável da Fundação Histórico-Cultural Oureana vai levar a efeito, em Ourém, diversos actos comemorativos do 650º Aniversário do Nascimento do Santo Condestável, São frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, III Conde de Ourém e do 550º Aniversário do Falecimento de D. Affonso, IV Conde de Ourém, Primogénito da Casa de Bragança.

 

Participam da sua realização a Fundação Oureana, a Real Confraria Enófila – Gastronómica Medieval, o Instituto D. Afonso, IV Conde de Ourém, a Real Guarda de Honra, a Real Ordem da Asa de São Miguel, a Real Confraria do Santo Condestável São frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira e o Istituto Nazionale perl a Guardia d’Onore (Itália).

Monumento aos Combatentes

Programa de Actos Comemorativos

Ourém, Domingo, 3 de Outubro de 2010

 

1ª Parte – Em Honra de D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino

HOMENAGEM AOS COMBATENTES. Monumento aos Combatentes de Ourém – Praça da República, Ourém Real Associação de Guardas de Honra dos Castelos, Panteões e Monumentos Nacionais / Istituto Nazionale per la Guardia D’ Onore alle Reali Tombe del Pantheon / R.I.S.M.A American Military Commandry / Liga dos Combatentes / Câmara Municipal de Ourém.

11:45 h - Palavras de Acolhimento e Introdução - Momento de Reflexão e Oração pelo Capelão Mór - Invocação dos Militares mortos no ex-Ultramar - Descerramento de Placa por: - S.A.R. O Conde de Ourém, D. Duarte de Bragança (ex - combatente) - S.E. O Presidente da C.M. Ourém, Dr. Paulo Fonseca - Guarda de Honra Junto ao Monumento aos Combatentes - Deposição de Flores no Monumento - Toque aos “Mortos”, seguido de um minuto de silêncio - Toque de “Alvorada”.

Traje / Dress code para a Missa e Almoço: Fato escuro com Miniaturas e Capas Guarda de Honra e R.I.S.M.A. / Business suit with Miniatures Honor Guard R.I.S.M.A Capes.

 

2ª Parte – Em Honra de D. Nuno Àlvares Pereira, III Conde de Ourém e de seu Neto - D. Afonso d’ Ourém, IV Conde de Ourém, Primogénito da Casa de Bragança

MISSA SOLENE Antiga Real e Insigne Sé-Colegiada de Santa Maria – Castelo de Ourém Real Ordem da Asa de São Miguel / Real Confraria do Santo Condestável São Frei Nuno.

13:00 h. - Acto de Consagração a Santa Maria, São Miguel e São Nuno - Missa Capitular de Investidura da Real Ordem da Asa de São Miguel - Participação de Reais Irmandades, Corporações e demais Associações - Guarda de Honra e Deposição de Flores no Túmulo do IV Conde de Ourém.

BANQUETE REAL

Paço Novo dos Cónegos – Restaurante Medieval, Castelo de Ourém Real Confraria Enófila e Gastronómica Medieval – Instituto D. Afonso, IV Conde de Ourém

14:00 h. - Descerramento da Lápide Comemorativa da 2ª Restauração do antigo Paço - Abertura do Núcleo II do Museu Nacional do Santo Condestável

- Almoço Medieval* (40º aniversario do Programa Medieval).

 

3ª Parte - Em Honra de São Frei Nuno de Santa Maria, O Santo Condestável

PASSEIO - “A ROTA DO SANTO CONDESTÁVEL” Visita Guiada Centro Histórico – Castelo de Ourém / Fátima / Batalha / C.I.B.A. Vilarclássicos – Real Clube de Veículos Antigos D. Carlos

16:30 h. - Partida para o Passeio Histórico. Traje/Dress code: Traje de passeio

Antigos Combatentes

A foto documenta a cerimónia realizada em 2008, junto ao Monumento dos Antigos Combatentes, em Ourém. Da esquerda para a direita, o Dr. Mário Catarino, Director da Divisão Sócio-Cultural da Câmara Municipal de Ourém, o Comendador Carlos Evaristo, Coronel Vitor Portugal dos Santos, SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e Conde de Ourém, ex-Furriel Miliciano José Santos, Frei Francisco Rodrigues e ex-Alferes Miliciano Comando Luís Castro Santos.

 

Foto: Dos Combatentes da Guerra do Ultramar http://ultramar.terraweb.biz/

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/ http://ultramar.terraweb.biz/



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Domingo, 26 de Setembro de 2010
Homenagem a D. Affonso de Bragança, IV Conde de Ourém (I)

Desde o início da sua actividade que o blog AUREN vem alertando para o facto de, presentemente, se assinalarem os 550 anos sobre a data do falecimento de D. Affonso de Bragança, IV Conde de Ourém, tendo inclusive lançado o repto com vista à realização de uma homenagem condigna. Nesse sentido, resolvemos também contactar S.A.R. D. Duarte Pio, Duque de Bragança e actual Conde de Ourém. Em seu nome, obtivémos a resposta que nos foi transmitida através do Dr. Carlos Evaristo,  Vice-Chanceler/Secretário-Geral da R.I.S.M.A e Presidente da Fundação Oureana/Instituto D. Afonso, IV Conde de Ourém, cujo teor transcrevemos. 

 

 

IV Conde de Ourém

Caro amigo Carlos Gomes,

 
Muito obrigado pelo vosso email dirigido ao Secretariado e ainda pela mensagem enviada ao Secretariado pessoal de Sua Alteza Real o Senhor Duque de Bragança e que passo a responder.

 


Primeiro; começo por esclarecer que o Senhor Duque de Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa, nada tem a ver com a Fundação da Casa de Bragança criada pelo Estado para preservar os bens do antigo Morgadio.

  


Quanto ao 550º aniversário da morte de D. Afonso d’ Ourém , IV Conde de Ourém, posso dizer que o mesmo não passou despercebido. A Fundação Histórico – Cultural Oureana que conta com o Alto Patrocínio da Casa Real na pessoa do ilustre membro que é o Duque de Bragança, já incorporou actos alusivos nos festejos anuais.

  


Além da Missa anual que a Fundação já premove, desde 2005, no Dia do Conde de Ourém, 29 de Agosto, a Fundação este ano promoveu uma Missa / Memorial especial, no altar da Cripta do IV Conde de Ourém. Se quiser fotos destas celebrações podemos enviar.

 
A Fundação, através do seu Instituto Dom Afonso, IV Conde de Ourém, no mesmo dia, e mediante Auto, devolveu à Paróquia de Nossa Senhora das Misericórdias, a colecção insigne de relíquias que pertenceu ao IV Conde de Ourém e isto após 10 anos de restauro e estudo. Agora o mesmo Instituto está prestes a publicar o estudo exaustivo sobre estes misteriosos artefactos e o que representavam para o Conde. Irá ser também descerrada uma lápide alusiva ao aniversário.

  


A Confraria Enófila e Gastronómica Medieval do IV Conde de Ourém, além de renovar, na pessoa do actual Conde de Ourém, o Alvará para a DIVINIS produzir Vinho e Azeite com a marca Conde de Ourém e brasão do IV Conde(anteriormente concedido à Cooperativa), vai também promover uma Missa, Guarda de Honra com deposição de flores no túmulo e um Banquete Medieval no renovado Restaurante Medieval, dia 3 de Outubro.

  


O traje dos Confrades da Confraria do IV Conde de Ourém, é igual ao que aparece na imagem jacente do IV Conde no seu túmulo.

 


Como poderá ver, tudo isto será realizado em honra do IV Conde de Ourém e também do seu avô São Nuno, III Conde de Ourém, que este ano celebra 650 anos do seu nascimento.

 


Todos os eventos serão presididos pelo Senhor Duque de Bragança e Conde de Ourém.

 


Pelo Secretariado,
Com amizade,
Carlos Evaristo
Vice-Chanceler / Secretário – Geral R.I.S.M.A
Presidente da Fundação Oureana / Instituto D. Afonso, IV Conde de Ourém

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/

 



publicado por Carlos Gomes às 19:14
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010
D. Afonso, 4º Conde de Ourém
viagens, cultura visual e formação de um gosto
Conde de Ourém
Pormenor do painel dos Cavaleiros. Painéis de S. Vicente, de Nuno Gonçalves, da segunda metade do século XV. Segundo teoria avançada por José de Figueiredo, seguindo a observação de Virgílio Correia em 1924, da semelhança existente com a respectiva estátua jazente que se encontra na Colegiada de Ourém, a segunda figura de opa verde com colar é identificada com D. Afonso de Bragança, IV Conde de Ourém e Marquês de Valença. 
   
O nº2 do Ano 2 da Revista "Medievalista" do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, referente a 2006, publicou uma síntese dos Capítulos 2.4, 2.5 e 2.6 da Dissertação de Mestrado Ourém e Porto de Mós – a obra mecenática de D. Afonso, 4º Conde de Ourém, realizada pela Drª Alexandra Leal Barradas, sobre a orientação do Professor Doutor José Custódio Vieira da Silva e defendida no Departamento de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em Dezembro de 2005.
Pelo interesse que possui, sugerimos aos leitores deste blog a sua leitura, o que poderão fazê-lo acedendo ao link:
http://www.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/medievalista2/medievalista-afonso.htm
 
Em 2007, a autora publicou "Ourém e Porto de Mós: A obra mecenática de D. Afonso, 4º Conde de Ourém", com a chancela da Editora Colibri.
 
Conde de Ourém
 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 05:00
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