Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Quinta-feira, 28 de Julho de 2016
TRAJO POPULAR DESFILA EM SANTO TIRSO

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Quinta-feira, 16 de Junho de 2016
RANCHO FOLCLÓRICO ROSAS DO LENA, DA REBOLARIA – BATALHA, LANÇA LIVRO SOBRE MEMÓRIAS FOTOGRÁFICAS

O lançamento do livro “Rancho Rosas do Lena – Memórias Fotográficas”, tem lugar no próximo dia 18 de Junho, às 17h30, na sede do Rancho Folclórico, na Rebolaria, em sessão que será presidida pelo Presidente da Câmara Municipal da Batalha, Dr. Paulo Baptista dos Santos. Esta obra, coordenada pelo Dr. Adélio Amaro, insere-se na coletânea “Etnografia e Tradição”

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Colecção "Etnografia e Tradição"

Em pleno século XXI, surge, cada vez mais, a necessidade de vincar as nossas raízes, através da música, da dança, da linguagem, dos usos, dos costumes, dos brinquedos, dos utensílios e principalmente da transmissão via oral e escrita da Etnografia e da Tradição.

Já em pleno século XIX, 1893, surgiu essa preocupação, através do punho de Teófilo de Braga (1843-1924) que obrigou a sua pena escrever os prefácios dos três volumes do Cancioneiro de Musicas Populares, que tiveram a coordenação de Cesar das Neves (1841-1920) e Gualdino de Campos (1847-1919): ... estes aspectos da Vida são um documento scientifico para penetrar o genio dos povos. Hoje mais do que nunca, convém a Portugal estes estudos; porque na decandencia que por toda a parte nos ameaça, a revivescencia do genio nacional depende da vitalidade da sua tradição.

É nesse sentido que nasce a colecção Etnografia e Tradição que pretende, de forma muito humilde, apresentar as Memórias Fotográficas dos Ranchos / Grupos Folclóricos e Bandas Filarmónicas.

Não se trata de uma colecção de recolhas de época nem de um manual onde se relata a história de um grupo. É sim, um conjunto de livros que pretende dar a conhecer o percurso de um grupo através da fotografia. É um simples registo fotográfico da actividade desenvolvida desde o dia da fundação até aos nossos dias.

Embora algumas fotografias apresentem uma qualidade débil, pela sua antiguidade, é crucial, no presente, recolher, dar a conhecer e conservar através de um livro algumas das passagens que fizeram e fazem a história do grupo.

É uma possível antecipação para trabalhos de investigação, mais profundos...

O terceiro número é dedicado ao Rancho Folclórico Rosas do Lena, Rebolaria, concelho de Batalha. Tem sido um verdadeiro embaixador da região, como se pode verificar na muito resumida apresentação dos mais de 50 anos de actividade.

Este segundo volume é uma homenagem a todos os elementos, desde a fundação até aos dias de hoje, que fizeram do Rancho Folclórico Rosas do Lena uma referência de reconhecimento nacional.

Fica, nestas linhas, um agradecimento especial ao Rancho Folclórico Rosas do Lena e aos seus elementos, pela forma como colaboraram na coordenação do presente volume. Foram incansáveis e dedicados, para que nestas páginas fosse possível ficar um pequeno testemunho de Memóias Fotográficas da grande actividade que têm desenvolvido em prol do Folclore.

Adélio Amaro

Coordenador

Prefácio

Através, sobretudo, das imagens e de pequenos textos, esta publicação, da iniciativa e edição de Adélio Amaro, que à Cultura da Região da Alta Estremadura vem prestando serviços relevantes quer pela sua obra literária e artística, quer pela sua acção editorialista, quer ainda pelas suas iniciativas na área do Associativismo, tem como finalidade registar e divulgar a intensa e ininterrupta actividade do Rancho Folclórico Rosas do Lena, com sede na Rebolaria, aldeia com bastantes ligações ao Mosteiro de Santa Maria da Vitória, de que está à vista, distando cerca de um quilómetro da Vila da Batalha.

Trata-se sem dúvida duma narrativa da sua história, contudo feita dum modo dinâmico sem aprofundar as matérias nem pormenorizar os intervenientes.

O agrupamento, aparecido em 23 de Fevereiro de 1963, nasceu de uma marcha organizada por um grupo de jovens da aldeia.

Por acção do saudoso folclorista Mestre António Pereira Marques (1915-2001), a marcha haveria de transformar-se no Grupo de Folclore que hoje é.

Ao longo dos seus cinquenta e três anos construiu todo um valioso património material e salvaguardou e soube aproveitar um precioso património imaterial, herança cultural que identifica o Povo da Região e o seu País. Em muitos aspectos, o Rosas do Lena foi um pioneiro, sendo uma das suas características a capacidade para lançar e organizar iniciativas, diversas a inovar as práticas folclóricas e todas a prestigiá-las.

Obra colectiva é, necessariamente, também uma obra de anónimos, a que muitos intervenientes deram, com modéstia e generosidade, o seu contributo. Por esta expressiva edição, o nosso reconhecimento ao Adélio Amaro.

A Direcção

Rancho Folclórico Rosas do Lena

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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016
RANCHO FOLCLÓRICO “MOLEIROS DA RIBEIRA”, DO OLIVAL, ATUA AMANHÃ EM LOURES

Rancho “Moleiros da Ribeira” canta e dança no FolkLoures'16 e será recebido pelos autarcas do Município de Loures nos Paços do Concelho

O Rancho Folclórico “Os Moleiros da Ribeira”, de Olival, do concelho de Ourém, vai amanhã representar as tradições da Alta Estremadura no XXIII Encontro de Culturas Verde Minho que se realiza na cidade de Loures.

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O festival tem como cenário a magnífica réplica das ruínas de S. Paulo, em Macau, a qual serviu de fachada ao Pavilhão de Macau na Expo’98. Naquele local vão desfilar os usos e costumes das nossas gentes, exibindo as suas tradições, as danças e cantares, ao som da concertina e do cavaquinho e ao ritmo dos bombos e dos reco-recos, das castanholas e dos ferrinhos, mostrando como se canta e dança o vira e o malhão, a chula a rusga e a cana-verde.

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Pelas 16 horas no Parque da Cidade, serão abertos os pavilhões, com artesanato e gastronomia do Minho, animados por vários grupos de tocadores em concertina.

Às 17,30 horas terá lugar a entrega de lembranças e imposição de insígnias nos estandartes dos grupos, em cerimónia solene a ter lugar nos Paços do Concelho onde serão recebidos pelos autarcas do município de Loures. Às 18,00 horas, dar-se-á início ao Desfile Etnográfico a partir do largo fronteiro aos Paços do Concelho, rumo ao Jardim da Cidade. Às 19,00 horas, os grupos realizam um Jantar convívio no Restaurante CopaCabana. E, finalmente, às 21,00 horas, ocorrerá a exibição em palco, no Jardim da Cidade, dos grupos participantes.

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Além do Rancho Folclórico “Os Moleiros da Ribeira”, de Olival, participam ainda no evento o Grupo de Bombos Zés Pereiras os Baionenses – Baião (Alto Douro); o Grupo de Bombos da Associação de Melhoramentos das Mercês – Mem Martins, Sintra (Região Saloia); o Rancho Folclore da Aguçadoura - Póvoa de Varzim (Douro Litoral); o Rancho Folclórico As Vendedeiras Saloias de Sintra – Mem Martins, Sintra (Região Saloia); o Rancho Folclórico D. Nuno Alvares Pereira -Leça do Balio – Matosinhos (Douro Litoral) e, naturalmente, o anfitrião Grupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho – (Minho), sediado em Loures.

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Constituído por minhotos e seus descendentes, o Grupo Folclórico e Etnográfico Verde Minho conta mais de duas décadas de existência a representar na região de Lisboa os usos e costumes das gentes do Minho, contribuindo simultaneamente para a preservação da sua identidade.

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Sediado na Freguesia do Olival – atual União das Freguesias da Gondemaria e Olival – em Ourém, o Rancho Folclórico “Moleiros da Ribeira” preserva as tradições das gentes da localidade, com especial relevo para as artes e ofícios dos moleiros. Refira-se que os moinhos ou azenhas constituem um dos elementos mais emblemáticos desta localidade, tendo o próprio Rancho Folclórico preservado a azenha que outrora pertenceu ao escritor Acácio de Paiva e aí instalado um museu etnográfico.

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Terça-feira, 10 de Maio de 2016
MÁSCARA IBÉRICA ENCANTOU A BAIXA LISBOETA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI). Mostra das Regiões e da Cultura Tradicional

A XI Edição do Festival Internacional da Máscara Ibérica voltou a trazer a Lisboa a cultura popular que envolve a máscara ibérica e nem a chuva que se fez sentir este fim-de-semana demoveu os muitos caretos e mascarados de marcarem presença na Praça do Rossio.

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Ao longo dos quatro dias de FIMI a programação variada, a grande diversidade cultural, as máscaras e trajes típicos da Península Ibérica, assim como os produtos regionais, artesãos, tertúlias, workshops, exposições, concertos, entre várias outras atrações encantaram o público e surpreenderam os turistas que passaram pelo centro histórico de Lisboa.

A XI Edição do FIMI fica marcada pela vontade, empenho e inabalável dedicação dos grupos de mascarados vindos de Portugal, Espanha e Itália, que brindaram o público com divertidas performances e encantaram pequenos e graúdos.

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O adiamento do XI Desfile da Máscara Ibérica levou ao agendamento de uma concentração de máscaras, que decorreu na Praça do Rossio durante a manha de domingo. Esta alternativa superou as expectativas da organização, garantiu uma forte adesão nesse dia e agradou bastante ao público e aos vários grupos de mascarados, chegando mesmo a ser pedido que esta concentração se mantivesse em edições futuras, a par do grande Desfile da Máscara Ibérica.

Na sexta-feira e no Domingo decorreram também os habituais concertos no Palco Ibérico, com três bandas que surpreenderam o público com a sua versatilidade, talento e original sonoridade. Sexta-feira ficou a cargo da banda mirandesa Trasga e no domingo o palco foi dividido pelos espanhóis Rarefolk e pelos portugueses Fanfarra Kaústika.

O Festival Internacional da Máscara Ibérica é cada vez mais uma referência na mostra da cultura popular ibérica, um evento diferenciado a nível nacional e internacional. Para o próximo ano voltaremos a surpreender e a revelar muitas novidades, tentando sempre superar as expectativas do público, procurando fazer do FIMI uma marca não só a nível ibérico mas também internacional.

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Segunda-feira, 9 de Maio de 2016
FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA TERMINOU EM APOTEOSE

A concentração de máscaras anunciada para a manhã de ontem no Rossio traduziu-se numa autêntica turba de diabos, diabinhos e diabretes aos pulos, a chocalhar e a fazer toda a sorte de diabruras. Ao intenso colorido das máscaras e demais indumentária dos caretos misturou-se uma grande barulheira produzida por chocalhos e o bater de ferros nas enxadas, que por vezes nos remetia para ancestrais ritmos musicais quando a melodia ainda era praticamente inexistente.

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O homem identifica-se e confunde-se com a natureza que o rodeia, seja ela do mundo animal ou vegetal. E, vai ainda mais longe ao acreditar que através dos ritos assegura o processo de criação e a continuidade da vida, nomeadamente através de rituais de fertilidade como os dos cardadores ou o chocalhar das moças. Constitui na realidade um exercício de magia através do qual – o rito – procura celebrar o mito ou seja, a ação criadora dos deuses.

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Este festival procura preservar as tradições pagãs dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem. Galiza, Leão, Zamora, Cáceres, Astúrias, Salamanca e Guadalajara são as regiões do país vizinho que se fazem representar este ano no XI Grande Desfile da Máscara Ibérica.

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E, por pagão – do latim paganus – entenda-se o aldeão, nossos antepassados mais remotos, vendo na natureza que o rodeia e envolve a manifestação suprema do divino, a universalidade de todas as coisas e seres com a qual se deveria estar em comunhão plena. As máscaras e todo o ruído envolvente destinavam-se a afastar os demónios do inverno e a assegurar o perpétuo renascimento da vida, dos vegetais e de toda a criação. Uma crença que persiste através da tradição e em celebrações dissimuladas do Cristianismo cujos ritos absorveu conferindo-lhe nova roupagem.

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Para o próximo ano, as máscaras tradicionais voltam ao Rossio, esperando que então S. Pedro revele maior benevolência de modo a permitir a realização do grandioso cortejo de mascarados.

Fotos: Manuel Santos

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Sábado, 7 de Maio de 2016
FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA DÁ A CONHECER AS INFLUÊNCIAS PAGÃS DA NOSSA CULTURA TRADICIONAL

Apesar da desagradável partida que S. Pedro resolveu pregar-nos em plena Primavera e que levou ao cancelamento do Grande Desfile da Máscara Ibérica pela qual milhares de pessoas ansiavam, o Festival continua no Rossio e amanhã, a partir das 11 horas, haverá concentração dos grupos participantes. E, nem o diabo vai faltar à festa!

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As tendas continuam a receber inúmeros visitantes que aproveitam para apreciar as especialidades gastronómicas de Portugal e Espanha, o seu artesanato, doçaria, vinhos, licores e, como não podia deixar de ser, a tão variada oferta turística cultural.

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Amanhã, prevê-se que o sol venha a irromper de novo triunfante por entre as pesadas nuvens e realce o colorido de um dos mais alegres eventos que todos os anos se realiza em Lisboa – o Festival Internacional da Máscara Ibérica!

Fotos: Manuel Santos

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publicado por Carlos Gomes às 17:17
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016
O QUE É O FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA?

O Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) é um dos diferentes projetos desenvolvidos pela Progestur – Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo em Portugal, que tem em vista a preservação e divulgação das manifestações de cariz popular associadas à tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem.

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A Progestur é uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo lema se baseia na “afirmação da identidade cultural Portuguesa”. Fundada em 2003, tem desde então dedicado o trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa, operando no seu registo, promoção e divulgação.

Esta entidade tem como objetivos Preservar o património cultural português, promover a cultura, artes e tradições nacionais e dinamizar o turismo cultural no país e no estrangeiro, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos de turismo cultural, consultoria e estruturação da oferta turística e cultural, preservação e promoção do património imaterial e turismo cultural, organização de eventos, atividades lúdicas, científicas e pedagógicas como workshops, exposições, debates e congressos, produção de conteúdos e edição de livros.

Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.



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ALTERAÇÃO NA PROGRAMAÇÃO – XI FIMI

A Progestur e a EGEAC informa que devido às más condições climatéricas que se vão fazer sentir neste sábado, dia 7 de Maio, seremos obrigados a cancelar o XI Desfile da Máscara Ibérica, agendado para as 16h30.

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Será no entanto realizada uma concentração com os grupos convidados para o desfile, que decorrerá domingo, na Praça do Rossio pelas 11h00 da manha.

O Palco Ibérico também terá algumas alterações, ficando o concerto dos Rarefolk reagendado para domingo às 16h00, seguindo-se a banda portuguesa Fanfarra Káustika às 18h00.

Não perca Domingo, dia 8 de Maio, na Praça do Rossio a grande concentração de máscaras de Portugal e Espanha.



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FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA É UM GRANDIOSO EVENTO DE CARIZ ETNOGRÁFICO

Amanhã realiza-se o tradicional desfile da Máscara Ibérica, com partida da Praça do Município às 16h30

Até ao próximo dia 8 de maio, encontra-se instalada na Praça D. Pedro IV, vulgo Rossio, uma autêntica feira a promover a nossa gastronomia tradicional das mais diversas regiões de Portugal e Espanha, nomeadamente queijos, doçaria, fumeiro, licores e compotas. A isto acrescenta-se o artesanato e a promoção turístico-cultural, com música à mistura, tertúlias, concertos musicais e muita animação de rua.

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Amanhã regista-se o momento alto do Festival Internacional da Máscara Ibérica. Cerca de 30 grupos de Portugal e Espanha, reunindo mais de meio milhar de mascarados, vão desfilar desde a Praça do Município até ao Rossio, atraindo à baixa lisboeta muitos milhares de pessoas. É o Grande Desfile da Máscara Ibérica que já vai na 11ª edição.

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Este festival procura preservar as tradições pagãs dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem. Galiza, Leão, Zamora, Cáceres, Astúrias, Salamanca e Guadalajara são as regiões do país vizinho que se fazem representar este ano no XI Grande Desfile da Máscara Ibérica.

 

A iniciativa é da Progestur – Associação para a Promoção, Gestão e Desenvolvimento do Turismo Cultural em Portugal, em parceria com a EGEAC e a Câmara Municipal de Lisboa.

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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016
FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA COMEÇA AMANHÃ EM LISBOA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016. Mostra de produtos regionais, artesanato e animação

Lisboa vai andar de máscara de 5 a 8 de Maio! Venham descobri-la no Rossio!

O XI Festival Internacional Máscara Ibérica (FIMI) regressa às ruas de Lisboa entre 5 e 8 de Maio com um programa dinâmico e variado, que inclui uma mostra de artesanato e produtos regionais, promoção turístico-cultural, concertos, música, tertúlias, concurso de fotografia e muita animação de rua.

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Esta iniciativa da PROGESTUR - Associação para o Desenvolvimento do Turismo Cultural - em parceria com a EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural - e Câmara Municipal de Lisboa, decorre na Praça do Rossio e atrai visitantes de várias nacionalidades à baixa lisboeta.

O ponto alto do FIMI 2016 é o XI Desfile da Máscara Ibérica, que este ano decorre no dia 7 de Maio às 16.30h e conta com a participação de 28 grupos de mascarados, vindos de várias regiões da Península Ibérica, e com mais de 500 participantes.

A organização do XI Festival Internacional da Máscara Ibérica têm o prazer de convidar a comunicação social a estar presente na conferência de imprensa, que se realiza no dia 6 de Maio às 11.30h, após a abertura evento. Agradecemos a sua confirmação.

A cultura ibérica – património e tradição – a desfilar por Lisboa! De 5 a 8 de Maio a partir das 11h com entrada livre!



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Terça-feira, 3 de Maio de 2016
FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA ARRANCA EM LISBOA NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) realiza-se de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016

Começa já no próximo dia 5 de Maio o Festival Internacional da Máscara Ibérica. O blogue AUREN entrevistou o Dr. Hélder Ferreira, Presidente da Progestur, entidade organizadora do evento.

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A Progestur é uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo lema se baseia na “afirmação da identidade cultural Portuguesa”. Fundada em 2003, tem desde então dedicado o trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa, operando no seu registo, promoção e divulgação. Esta entidade tem como objetivos Preservar o património cultural português, promover a cultura, artes e tradições nacionais e dinamizar o turismo cultural no país e no estrangeiro, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos de turismo cultural, consultoria e estruturação da oferta turística e cultural, preservação e promoção do património imaterial e turismo cultural, organização de eventos, atividades lúdicas, científicas e pedagógicas como workshops, exposições, debates e congressos, produção de conteúdos e edição de livros.

Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

Este ano o Desfile da Máscara Ibérica está marcado para o dia 7 de Maio às 16h30 e vai contar com 27 grupos e 500 participantes.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.

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AUREN Como surgiu a ideia do FIMI e quais os principais objectivos a que então se propuseram?

Hélder Ferreira (Progestur) – O Festival Internacional da Máscara Ibérica, FIMI, acontece pela primeira vez em Lisboa a convite da CML após o lançamento do I volume de “Máscara Ibérica”, no Teatro D. Maria II. Hoje, podemos dizer, que foi após esse dia que se estabeleceu uma parceria entre a CM de Lisboa e a Progestur, que levou a que viéssemos a preparar no ano seguinte, o primeiro desfile e uma grande exposição, sobre o tema da Máscara, que decorreu na estação do Rossio, quando esta se encontrava em obras, e assim disponibilizou o piso térreo para várias exposições, entre elas, a da "Máscara Ibérica" que teve mais de 250.000 visitantes. Depois foi crescendo ano após ano, até atingirmos a dimensão que o FIMI alcançou nos dias de hoje.  

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AUREN – Apesar de se tratar de um Festival da Máscara Ibérica o que pressupõe uma abrangência limitada aos países que fazem parte da Península Ibérica, têm participado nas várias edições representações de outros países europeus. Pretendem com isso alargar a área de representação a tradições semelhantes em toda a Europa?

Hélder Ferreira (Progestur) – Temos convidados em algumas edições alguns (poucos) grupos de fora da Península Ibérica, porque pensamos que veem acrescentar mais valor ao desfile e na maior parte das vezes tratam-se de grupos com quem estamos a desenvolver projetos internacionais. E possível que no futuro o festival, e o desfile em particular, possa vir a apresentar mais grupos de outras proveniências que não só a Península Ibérica, mas para já pensamos em manter este figurino, sendo que estamos nesta altura a debater com a EGEAC o futuro do FIMI. Queremos continuar a crescer, continuar a surpreender mas também cada vez mais a ser uma referência internacional na divulgação do tema "rituais com máscara" e das regiões envolvidas.

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AUREN – Existe um claro predomínio da região de Trás-os-Montes no que à divulgação destas tradições diz respeito no nosso país. Não existirão vestígios de costumes semelhantes noutras regiões do país, mormente no Minho?

Hélder Ferreira (Progestur) – Vestígios sim, mesmo noutras zonas do País, contudo atualmente no Minho não temos conhecimento de rituais que ainda hoje aconteçam, com exceção do "Pai Velho" no Lindoso, que tem características distintas dos rituais presentes no nosso projeto, mas não deixa de ser uma encenação baseada numa máscara. Claro que num enquadramento mais antropológico, podíamos ir bastante mais longe quanto as festividades que nas suas encenações fazem uso da máscara, e nesse caso iriamos falar por exemplo dos farricocos da semana santa de Braga, mas são contextos muito diferentes daqueles que estão na origem dos rituais que trabalhamos que estão mais ligados a cultos agrários, de fertilidade, etc.  

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AUREN – Tem vindo a ser realizados estudos ou pesquisas etnográficas a este respeito?

Hélder Ferreira (Progestur) – A Progestur está mais centrada nesta altura nos estudos e pesquisa que dizem respeito aos rituais que referi anteriormente. É natural que após a conclusão e apresentação dos próximos dois livros sobre a Máscara Ibérica, em parceria com entidades académicas, possamos começar a desenvolver projetos que alarguem todo este campo dos rituais com máscara que há mais de 12 anos temos vindo a trabalhar.

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AUREN – Como encaram as tradições dos cabeçudos e gigantones comparativamente à máscara ibérica?

Hélder Ferreira (Progestur) – Antes de convidarmos os "cabeçudos e gigantones" para participarem no FIMI, tivemos o cuidado de fazer uma análise sobre a origem destas personagens e tive ainda a oportunidade de falar com alguns investigadores, pedindo-lhes mesmo a opinião sobre como viam a participação dos "cabeçudos e gigantones" no desfile da máscara ibérica. De uma forma quase unanime todos estamos de acordo, que apesar de origens distintas, ambas as tradições tem muito em comum, sendo representações que partilham no seu mundo simbólico muitos dos objetivos a que se propõem alcançar.

E um tema que certamente a Progestur irá brevemente debater, se possível inserindo na programação do novo Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, recentemente inaugurado em Lazarim, Lamego.

AUREN – Quais as principais novidades que esperam apresentar este ano?

Hélder Ferreira (Progestur) – Tentamos sempre surpreender na programação, tanto no desfile como no palco ibérico e nas atividades que acontecem ao longo dos quatro dias na Praça do Rossio. O FIMI este ano alargou a sua presença ao Teatro da Garagem, onde poderemos ver duas exposições, uma com 30 imagens selecionadas do concurso de fotografia do FIMI16 e outra sobre máscaras originais de artesãos portugueses e que pertencem ao Carlos J. Pessoa. Também no Museu da Marioneta teremos atividades ligadas a máscara. Claro que a força do FIMI continua concentrada na Praça do Rossio, e aqui como disse anteriormente, temos uma forte e variada programação que estou certo vai fazer com que quem venha disfrutar do evento, dê o tempo por bem empregue.

Hélder Ferreira

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publicado por Carlos Gomes às 10:52
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016
MÁSCARAS TRADICIONAIS DESFILAM EM LISBOA

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publicado por Carlos Gomes às 21:58
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016
FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA DIVULGA TRADIÇÕES PORTUGUESAS

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) realiza-se de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016

A escassos dias da realização de mais uma grandiosa edição do Festival Internacional da Máscara Ibérica, o bloque AUREN entrevistou o Dr. Hélder Ferreira, Presidente da Progestur, entidade organizadora do evento.

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A Progestur é uma associação cultural sem fins lucrativos, cujo lema se baseia na “afirmação da identidade cultural Portuguesa”. Fundada em 2003, tem desde então dedicado o trabalho ao que de mais genuíno e autêntico existe na cultura portuguesa, operando no seu registo, promoção e divulgação. Esta entidade tem como objetivos Preservar o património cultural português, promover a cultura, artes e tradições nacionais e dinamizar o turismo cultural no país e no estrangeiro, nomeadamente através do desenvolvimento de projetos de turismo cultural, consultoria e estruturação da oferta turística e cultural, preservação e promoção do património imaterial e turismo cultural, organização de eventos, atividades lúdicas, científicas e pedagógicas como workshops, exposições, debates e congressos, produção de conteúdos e edição de livros.

Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

Este ano o Desfile da Máscara Ibérica está marcado para o dia 7 de Maio às 16h30 e vai contar com 27 grupos e 500 participantes.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.

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AURENComo surgiu a ideia do FIMI e quais os principais objectivos a que então se propuseram?

Hélder Ferreira (Progestur) – O Festival Internacional da Máscara Ibérica, FIMI, acontece pela primeira vez em Lisboa a convite da CML após o lançamento do I volume de “Máscara Ibérica”, no Teatro D. Maria II. Hoje, podemos dizer, que foi após esse dia que se estabeleceu uma parceria entre a CM de Lisboa e a Progestur, que levou a que viéssemos a preparar no ano seguinte, o primeiro desfile e uma grande exposição, sobre o tema da Máscara, que decorreu na estação do Rossio, quando esta se encontrava em obras, e assim disponibilizou o piso térreo para várias exposições, entre elas, a da "Máscara Ibérica" que teve mais de 250.000 visitantes. Depois foi crescendo ano após ano, até atingirmos a dimensão que o FIMI alcançou nos dias de hoje.  

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AUREN Apesar de se tratar de um Festival da Máscara Ibérica o que pressupõe uma abrangência limitada aos países que fazem parte da Península Ibérica, têm participado nas várias edições representações de outros países europeus. Pretendem com isso alargar a área de representação a tradições semelhantes em toda a Europa?

Hélder Ferreira (Progestur) – Temos convidados em algumas edições alguns (poucos) grupos de fora da Península Ibérica, porque pensamos que veem acrescentar mais valor ao desfile e na maior parte das vezes tratam-se de grupos com quem estamos a desenvolver projetos internacionais. E possível que no futuro o festival, e o desfile em particular, possa vir a apresentar mais grupos de outras proveniências que não só a Península Ibérica, mas para já pensamos em manter este figurino, sendo que estamos nesta altura a debater com a EGEAC o futuro do FIMI. Queremos continuar a crescer, continuar a surpreender mas também cada vez mais a ser uma referência internacional na divulgação do tema "rituais com máscara" e das regiões envolvidas.

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AUREN – Existe um claro predomínio da região de Trás-os-Montes no que à divulgação destas tradições diz respeito no nosso país. Não existirão vestígios de costumes semelhantes noutras regiões do país, mormente no Minho?

Hélder Ferreira (Progestur) – Vestígios sim, mesmo noutras zonas do País, contudo atualmente no Minho não temos conhecimento de rituais que ainda hoje aconteçam, com exceção do "Pai Velho" no Lindoso, que tem características distintas dos rituais presentes no nosso projeto, mas não deixa de ser uma encenação baseada numa máscara. Claro que num enquadramento mais antropológico, podíamos ir bastante mais longe quanto as festividades que nas suas encenações fazem uso da máscara, e nesse caso iriamos falar por exemplo dos farricocos da semana santa de Braga, mas são contextos muito diferentes daqueles que estão na origem dos rituais que trabalhamos que estão mais ligados a cultos agrários, de fertilidade, etc.    

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AUREN – Tem vindo a ser realizados estudos ou pesquisas etnográficas a este respeito?

Hélder Ferreira (Progestur) – A Progestur está mais centrada nesta altura nos estudos e pesquisa que dizem respeito aos rituais que referi anteriormente. É natural que após a conclusão e apresentação dos próximos dois livros sobre a Máscara Ibérica, em parceria com entidades académicas, possamos começar a desenvolver projetos que alarguem todo este campo dos rituais com máscara que há mais de 12 anos temos vindo a trabalhar.

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AUREN – Como encaram as tradições dos cabeçudos e gigantones comparativamente à máscara ibérica?

Hélder Ferreira (Progestur) – Antes de convidarmos os "cabeçudos e gigantones" para participarem no FIMI, tivemos o cuidado de fazer uma análise sobre a origem destas personagens e tive ainda a oportunidade de falar com alguns investigadores, pedindo-lhes mesmo a opinião sobre como viam a participação dos "cabeçudos e gigantones" no desfile da máscara ibérica. De uma forma quase unanime todos estamos de acordo, que apesar de origens distintas, ambas as tradições tem muito em comum, sendo representações que partilham no seu mundo simbólico muitos dos objetivos a que se propõem alcançar.

E um tema que certamente a Progestur irá brevemente debater, se possível inserindo na programação do novo Centro Interpretativo da Máscara Ibérica, recentemente inaugurado em Lazarim, Lamego.

AUREN – Quais as principais novidades que esperam apresentar este ano?

Hélder Ferreira (Progestur) – Tentamos sempre surpreender na programação, tanto no desfile como no palco ibérico e nas atividades que acontecem ao longo dos quatro dias na Praça do Rossio. O FIMI este ano alargou a sua presença ao Teatro da Garagem, onde poderemos ver duas exposições, uma com 30 imagens selecionadas do concurso de fotografia do FIMI16 e outra sobre máscaras originais de artesãos portugueses e que pertencem ao Carlos J. Pessoa. Também no Museu da Marioneta teremos atividades ligadas a máscara. Claro que a força do FIMI continua concentrada na Praça do Rossio, e aqui como disse anteriormente, temos uma forte e variada programação que estou certo vai fazer com que quem venha disfrutar do evento, dê o tempo por bem empregue.

Hélder Ferreira

Progestur



publicado por Carlos Gomes às 18:26
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016
HÁ ÍNDIOS EM OURÉM… DO PARÁ!

Povo Tembé Tenetehara comemora hoje Dia do Índio

Em Ourém do Pará – o município homónimo de Ourém, de Portugal – habita o povo tembé, indígenas brasileiros que constituem um subgrupo dos tenetearas. Este povo comemora hoje o seu dia com tradicionais festejos.

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Os índios tembé encontram-se fixados no nordeste do Pará, nas reservas indígenas do Alto Rio Guamá onde se situa o município de Ourém e Turé-Mariquita; no noroeste do Maranhão e no Estado de Minas Gerais, respetivamente nas áreas indígenas do Alto Turiaçu e em Luísa do Vale. As fotos são de Arlindo Matos, animador cultural e proprietário da Eco-Pousada Luar Lindo.

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Histórico do contato

Em meados do século XIX, uma parte dos Tenetehara dos rios Pindaré e Caru, no Maranhão, rumaram na direção do Pará, para os rios Gurupi, Guamá e Capim, dando origem aos hoje conhecidos como Tembé (deixando no Maranhão os Guajajara). Nesses rios, ficaram sob o novo regime indigenista que acabara de ser criado, em 1845, em que cada província tinha um diretor geral (não havia um órgão indigenista encarregado de todos os índios do Império), sob cuja jurisdição ficavam os diretores de aldeia. Engajaram-se então na extração do óleo de copaíba, que era negociado com os regatões (comerciantes que percorrem os rios de barco) conforme o sistema de aviamento, isto é, de adiantamento de mercadorias a serem pagas com produtos florestais. Os regatões também se valiam dos índios para a busca de ouro, borracha, madeira de lei e como remeiros. Na extração do óleo de copaíba, a unidade de produção era a família extensa. A extração se fazia na mata, acima do nível anual de inundação, em árvores que eram poucas e dispersas, que não podiam ser sangradas na estação seguinte, o que provocava uma constante necessidade de deslocamento das famílias extensas para novas áreas ainda não exploradas. As aldeias Tembé, conseqüentemente, ou eram pequenas com localização mais ou menos permanente, ou temporariamente grandes com forte tendência à cisão.

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Os abusos e extorsões dos regatões provocaram um conflito em 1861, no alto Gurupi, em que sete Tembé mataram nove regionais. O policial encarregado de apurar os fatos espancou os índios e lhes tomou nove crianças, remetidas a Vizeu. Os índios fugiram e abandonaram sua aldeia. O governo provincial retirou os regatões da área e reuniu os moradores dispersos da aldeia de Trocateua na nova aldeia de Santa Leopoldina. Em 1862, só no alto Gurupi, havia 16 aldeamentos e, no último decênio do século XIX, havia notícia de numerosos grupos Tembé não contatados.

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A assistência aos Tembé do Gurupi por parte do SPI parece ter sido conseqüência da atividade de atração dos Ka'apor. Entre 1911 e 1929 o SPI criou três postos de atração. Em 1911, instalou o posto Felipe Camarão, junto à foz do Jararaca, afluente da margem direita do Gurupi. Parte dos Tembé do alto curso deste rio desceram para viver junto ao posto e trabalhar como intermediários na atração dos Ka'apor. Por falta de recursos, a atividade do posto cessou em 1915, embora ele só tenha sido extinto em 1950. Entre 1927 e 1929, o SPI criou mais dois postos. O Posto Pedro Dantas foi instalado na ilha Canindé-Açu, próxima ao local onde os Ka'apor costumavam atravessar o Gurupi; e o Posto General Rondon, no rio Maracassumé. Este último foi fechado em 1940, enquanto o Pedro Dantas, onde finalmente foram contatados os Ka'apor em 1928, tornou-se o atual PI Canindé. Com a instalação dos postos do SPI, os Tembé foram paulatinamente abandonando as cabeceiras do Gurupi e se instalando no curso médio do mesmo rio. Serviram ao SPI como guias, remeiros, trabalhadores nas roças e na fabricação de farinha. Mas o SPI também favoreceu na década de 50 a entrada de regionais para trabalhar nas roças do posto. A falta de cidades próximas e a dificuldade de escoamento da produção agrícola levaram o SPI a estimular o comércio dos índios com os regatões, aos quais forneciam couros de onça, enormes quantidades de jabutis, de aves e resinas diversas.

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Na década de 70, já no tempo da Funai, boa parte dos homens Tembé do Gurupi em idade adulta foram levados a trabalhar na Transamazônica, em frentes de atração de outros grupos Tupi, como os Parakanã e os Asurini do médio Xingu, desfalcando as aldeias de elementos masculinos, provocando escassez de alimentos com base na carne e no peixe e um esvaziamento das práticas rituais. Em 1971, a Funai ordenou a transferência dos Tembé do Gurupi para o rio Guamá, mas eles se recusaram a migrar.

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Quanto aos Tembé do rio Guamá, eles permaneceram sob a exploração dos regatões, dedicando-se sobretudo ao corte de madeiras. Em 1945, quando já mantinham intensos contatos com os civilizados, o SPI instalou o primeiro e único posto na região. O posto operou num regime de produção para venda e para o próprio consumo, engajando os índios nos serviços de lavoura, e também na abertura de uma estrada, nunca concluída, que deveria ligar o Guamá ao Gurupi. Uma cantina fornecia gêneros alimentícios, roupas e ferramentas aos índios, descontando-lhes as despesas na folha de pagamentos. Por volta de 1960, um chefe de posto, para aumentar a produção, facilitou a entrada de colonos oriundos de uma frente camponesa que alcançava a região, o que trouxe uma intensificação dos casamentos interétnicos e do uso da língua portuguesa. Esse regime durou até a extinção do SPI em 1967. Paralelamente às tarefas promovidas pelo posto, os índios extraíam e comercializavam madeira por conta própria, descendo com jangadas de toras até Ourém. Por outro lado, a presença de caçadores de peles, madeireiros e criação de gado fez decair a caça e a pesca.

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Em 1970, o posto já não mantinha nenhum dos antigos projetos e estava abandonado, o que levou os Tembé a voltarem a plantar suas próprias roças numa área bastante desmatada. A Terra Indígena foi invadida por empresários, fazendeiros e posseiros. Houve várias negociações para retirada dos invasores, mas todas frustradas. Em 1978, a Funai propôs o loteamento de parte da Terra Indígena para os posseiros. Auxiliados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Igreja Católica, os Tembé do rio Guamá fizeram uma reunião com os do Gurupi em 1983, quando fizeram um abaixo-assinado contra a redução da Terra Indígena. Simultaneamente, foram convidados pela Funai a mudarem-se para o Gurupi. Alguns migraram, mas parte deles retornou depois de serem atacados pela malária e o sarampo.

Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/

Fotos: Arlindo Matos

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publicado por Carlos Gomes às 15:22
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016
LISBOA RECEBE FESTIVAL INTERNACIONAL DA MÁSCARA IBÉRICA

XI Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) realiza-se de 5 a 8 de Maio | Lisboa, 2016

O FIMI (CM Lisboa/ Progestur/ EGEAC) leva a efeito o XI Festival Internacional da Máscara Ibérica, no Rossio, de 5 a 8 de Maio.

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Considerado um dos maiores eventos de cultura ibérica em Portugal e com forte contribuição para a promoção turística, o FIMI é reconhecido como um evento de interesse turístico internacional.  

Nos quatro dias do festival mais de 500.000 visitantes de várias nacionalidades visitam o recinto, num evento que desperta forte cobertura mediática, onde se destacam transmissões ao vivo de televisões portuguesas e espanholas.

Este ano o Desfile da Máscara Ibérica está marcado para o dia 7 de Maio às 16h30 e vai contar com 27 grupos e 500 participantes.

O FIMI tem muitas mais atrações e atividades que convidam o público a visitar a Praça do Rossio, podendo ainda assistir a concertos de bandas vindas de Portugal e Espanha, que vão atuar no Palco Ibérico.

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publicado por Carlos Gomes às 22:37
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015
ASSOCIAÇÃO PARA A DEFESA DA CULTURA TRADICIONAL PROMOVE DEBATE SOBRE ETNOGRAFIA E FOLCLORE

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publicado por Carlos Gomes às 23:19
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2015
FESTIVAIS INATEL COM CASA CHEIA NO TEATRO ARMANDO CORTEZ EM LISBOA

Nos dias 7 e 8 de novembro, foram eleitos os vencedores de um programa alargado de festivais, organizados pela Fundação INATEL, perante uma plateia com lotação esgotada, em cada iniciativa.

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O Teatro Armando Cortez (Casa do Artista), em Lisboa, foi o local escolhido para a realização das finais nacionais das iniciativas “Festival INATEL da Canção”, “Os Melhores Talentos Portugueses” e o “Festival INATEL”, que reuniram trabalhos apresentados por Centros de Cultura e Desporto associados da Fundação.

Perante uma sala com lotação esgotada durante as três iniciativas, subiram ao palco um total de 300 artistas, apresentando espetáculos de etnografia, música, teatro, dança e variedades, numa viagem pelos diferentes distritos e regiões de Portugal.

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A ACAFE - Associação de Cantares de Alfândega da Fé, sagrou-se vencedora do “Festival INATEL da Canção”, pelo distrito de Bragança, que apresentou o “Hino a Alfândega da Fé”.

Já na iniciativa “Os Melhores Talentos Portugueses”, o primeiro prémio foi entregue ao Sport Operário Marinhense, de Leiria, com a peça teatral “Gota de Mel”, numa adaptação de Norberto Barroca e tradução de António Pedro.

Por último, no “Festival INATEL” o Coro de Câmara do Conservatório de Música de Ourém e Fátima, em representação do distrito de Santarém, conquistou o primeiro prémio com “September”, da autoria de Martin Carbow.

Para além dos grupos referidos, participaram ainda Centros de Cultura e Desporto em representação da Região Autónoma dos Açores e dos distritos de Aveiro, Bragança, Évora, Guarda, Lisboa, Portalegre, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

Em cada uma das iniciativas, a apreciação dos trabalhos em palco foi realizada por votação, por três painéis de jurados convidados para o efeito, compostos por, respetivamente, António Pinto Basto, Rui Baeta e Yola Dinis, Carlos Quintas, Cláudio Hochman e Dulce Guimarães, e, por último, Fernando Pereira, Ludgero Mendes e Wanda Stuart.

Foram considerados critérios como o conteúdo, a criatividade da apresentação, a coerência do espetáculo no âmbito de cada festival, a cenografia, o guarda-roupa/figurinos, a encenação/dramatização e a caracterização do elenco.

De acordo com a Fundação INATEL, deseja-se, com estas iniciativas, envolver a participação de grupos regionais numa mostra singular de talentos locais, valorizando-se o trabalho cultural das coletividades, assim como o incentivo de atividades representativas das características populares de cada zona/região em competição.

Reconhecido o grande valor artístico e cultural de qualquer dos trabalhos apresentados em palco, é de valorizar, sobretudo, o grande empenho e a dedicação com que todos os grupos se apresentaram em Lisboa e se envolveram nos projetos.

Fotos: José Frade

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publicado por Carlos Gomes às 11:31
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Sábado, 7 de Novembro de 2015
ARTE POPULAR E NAÇÃO NO ESTADO NOVO – A POLÍTICA FOLCLORISTA DO SECRETARIADO DE PROPAGANDA NACIONAL

- Um livro da investigadora Vera Marques Alves que se recomenda a todos quantos se decidam ao estudo do folclore e etnografia

“A generalidade da investigação tem olhado para o conjunto das práticas e dos discursos etnográficos promovidos pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) entre 1933 e 1950 como um epifenómeno da ideologia conservadora e ruralista, dominante no pensamento de Salazar.

Este livro mostra-nos como tais análises deixam de fora aspetos decisivos da intervenção folclorista do SPN/SNI.

A partir das teorias desenvolvidas pela antropologia e outras ciências sociais em torno dos usos nacionalistas da cultura popular, Vera Marques Alves relaciona os contornos de tal política com os caminhos que a etnografia portuguesa vinha seguindo nas décadas anteriores à institucionalização do Estado Novo, ao mesmo tempo que revela que o seu desenho deve muito ao próprio trajeto modernista e cosmopolita do primeiro diretor do SPN, António Ferro.

A autora defende, ainda, que é impossível explicar a campanha etnográfica do SPN, sem dar atenção ao contexto internacional de circulação de ideias em que as mesmas se enquadram. De resto, este livro torna bem patente a insistência de Ferro na exibição da «arte rústica portuguesa» em palcos internacionais, revelando assim que as iniciativas folcloristas desenvolvidas por este organismo não podem ser compreendidas sem considerarmos a sua configuração enquanto instrumento de reafirmação simbólica das fronteiras da nação, num período em que os processos de utilização identitária do folclore e da cultura popular são comuns” *

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Vera Marques Alves, a autora, é Investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e Professora Auxiliar Convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Nasceu em Lisboa, no dia 16 de Maio de 1969 e, em 1993, licenciou-se em Antropologia Social no ISCTE. Em 2008, doutorou-se em Antropologia pelo mesmo Instituto. Fez investigação sobre os usos nacionalistas da «arte popular portuguesa» durante o Estado Novo e continua a estudar a construção moderna desta categoria de objetos.

Colaborou nas obras coletivas “Vozes do povo. A folclorização em Portugal” (2003), ”Enciclopédia da música em Portugal no século XX” (2010) e “Como se faz um Povo” (2010).

É autora de”Arte popular e nação no Estado Novo. A política folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional, (Imprensa de Ciências Socais (2013).

* https://www.imprensa.ics.ulisboa.pt/



publicado por Carlos Gomes às 14:08
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015
CENTRO DE PATRIMÓNIO DA ESTREMADURA APRESENTA EM OURÉM ATAS DAS CONFERÊNCIAS DO "CICLO RURAL"



publicado por Carlos Gomes às 14:27
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INATEL LEVA ETNOGRAFIA, MÚSICA E TEATRO À CASA DO ARTISTA

Conservatório de Música de Ourém e Fátima atua no Teatro Armando Cortez

Teatro Armando Cortez recebe festivais de talentos nacionais | Fim-de-semana cultural, de 7 a 8 de novembro, que reúne etnografia, música e teatro em palco. Festivais INATEL elegem melhores trabalhos

O Teatro Armando Cortez receberá, no próximo fim-de-semana, um programa alargado de festivais, organizado pela Fundação INATEL, que conta com 14 distritos/regiões autónomas em competição.

No próximo sábado, dia 7 de novembro, o Teatro Armando Cortez (Casa do Artista), em Lisboa, receberá as Finais Nacionais das iniciativas “Os Melhores Talentos Portugueses” e “Festival INATEL da Canção”, nas quais participam grupos culturais e recreativos de Centros de Cultura e Desporto filiados da Fundação INATEL.

No dia 8, decorrerá ainda a 3ª edição do “Festival INATEL”, que apresenta uma mostra de costumes e tradições dos distritos e regiões de Portugal, nas mais diferentes áreas de expressão.

Em competição estão os distritos/regiões de Aveiro, Bragança, Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu e ainda São Miguel (Açores).

Os espetáculos, de carácter amador, incluem-se em, pelo menos, uma das seguintes áreas temáticas: Etnografia, Música/Canto; Teatro; Dança e Variedades.

A seleção dos premiados será feita através de votação de um painel de júris nomeado para o efeito, composto por Fernando Pereira, Carlos Quintas, Wanda Stuart, Dulce Guimarães, Cláudio Hochman e Ludgero Mendes, entre outros agentes das áreas da produção e criação cultural.

Serão considerados critérios como o conteúdo, a criatividade/originalidade da apresentação, a coerência do espetáculo no âmbito do festival, a cenografia, o guarda-roupa/figurinos, a encenação/dramatização e a caracterização do elenco.

Estão apurados para as finais dos festivais os seguintes grupos concorrentes:

Os Melhores Talentos Portugueses: D’orfeu Associação Cultural (Aveiro), Associação de Amigos Unidos pelo Escoural (Évora), Casa do Povo de Canaviais (Évora), Sport Operário Marinhense (Leiria), Grupo Etnográfico de Areosa (Viana do Castelo).

Festival INATEL da Canção: Rancho Folclórico S.Tiago de Lobão (Aveiro), Acafe - Associação de Cantares de Alfândega da Fé (Bragança), Sociedade Recreativa e Dramática Eborense (Évora), Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores da Imprensa Nacional Casa Da Moeda (Lisboa), Orfeão de Portalegre (Portalegre), Grupo Cultural Recreativo de Santo Amaro de Azurara (Viseu).

Festival INATEL: Associação Unojovens de Ponta Garça (Açores), Tuna Popular de Arganil (Coimbra), Associação da Orquestra Ligeira de Gouveia (Guarda), Associação Cultural e Recreativa Vallis Longus (Porto), Conservatório de Música de Ourém e Fátima (Santarém), Centro Desportivo, Recreativo e Cultural de Moreira (Viana do Castelo), Casa do Povo de Barqueiros (Vila Real).

De acordo com a Fundação INATEL, a iniciativa pretende envolver a participação de grupos regionais numa mostra singular de talentos locais, valorizando-se espetáculos considerados como representativos das características culturais de cada zona/região em competição.

Com o objetivo de envolver as comunidades locais na iniciativa, foram criadas viagens com saída prevista a partir de todas as capitais de distrito.

Um euro do valor pago por viagem reverterá a favor do projeto social “Mealheiro Solidário



publicado por Carlos Gomes às 11:07
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015
OURÉM PROMOVE COLÓQUIO SOBRE “O CULTO MARIANO NO RIBATEJO”

Colóquio “O Culto Mariano no Ribatejo”

No âmbito do Centenário das Aparições de Fátima, o Município de Ourém e o Fórum Ribatejo estão a promover o colóquio “O Culto Mariano no Ribatejo”, iniciativa que acontece no próximo dia 14 de novembro, às 10.00h, no Auditório do Edifício dos Paços do Concelho.

Com o objetivo de refletir sobre a realidade ribatejana e intervir na defesa e divulgação da sua identidade, pretende-se que este colóquio vá ao encontro dos interessados na curiosidade e no estudo do culto mariano na região, proporcionando, simultaneamente, abordagens mais integradoras à escala nacional.

A participação é livre e gratuita, limitada à lotação do auditório, com inscrições obrigatórias através do e-mail cultura@mail.cm-ourem.pt e dos contactos 914 096 385 e 914 485 527.

Colóquio “O Culto Mariano no Ribatejo”

14 de novembro de 2015

Auditório dos Paços do Concelho de Ourém

PROGRAMA

10.00h: Sessão de abertura

Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Dr. Paulo Fonseca

Coordenador do Fórum Ribatejo, Professor Doutor Aurélio Lopes

10.20h: Doutor Marco Daniel Duarte

Fátima, micro e macro-história: a construção de um dos mais importantes lugares do catolicismo contemporâneo

10.40h: Professor Doutor Aurélio Lopes

Do céu à terra: A construção de um santuário: persistências, resistências e resiliências

11.00h: Debate

11.30h: Coffee break

11.45h: Dr. José Manuel Dias Poças Neves

Entre a “loucura dos homens” e a “bondade divina”: o confronto político-religioso à volta da Cova da Iria durante a Primeira República

12.05h: Dr. Matias Coelho

O Senhor do Bonfim da Chamusca e a Senhora da Boa Viagem de Constância: desistências e persistências face ao fenómeno de Fátima

12.25h: Dr.ª Rita Pote

O culto a Nossa Senhora da Glória

12.45h: Debate

13.15h: Pausa para almoço

15.00h: Atuação do Coro CRAMOL | Oeiras

e do Chorus Auris | Ourém

15.20h: Professora Dr.ª Lucília - José Justino:

Da "Senhora dos Mil Nomes": Invocações e Performatividades

15.40h: Dr. Pedro Penteado:

Nossa Senhora da Nazaré

16.00h: Dr. Marto da Cunha Alves e Professora Doutora Marina Pignatelli

O Círio dos Marítimos de Alcochete: um estudo para proposta e inventário nacional de PCI

16.20h: Debate

16.50h: Coffee break

17.05h: Mestre Nuno Domingues

Nossa Senhora da Saúde – Santarém

17.25h: Dr. Hélio Duarte Antunes

Nossa Senhora do Pranto/Círios a Dornes

17.45h: Debate

18.05h: Sessão de encerramento

Presidente da Assembleia Municipal de Ourém, Dr.ª Deolinda Simões

18.35h: Visita livre ao Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador

Contactos para esclarecimentos e confirmação:

cultura@mail.cm-ourem.pt

Tlm. 914096385 / 914485527



publicado por Carlos Gomes às 17:00
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015
OURÉM PARTICIPA NA MOSTRA DE TRAJE TRADICIONAL DA ALTA ESTREMADURA

Vai ter lugar no próximo dia 5 de setembro, em Leiria, a Mostra de Traje Tradicional da Alta Estremadura, evento no qual vão também participar dois grupos folclóricos do concelho de Ourém, o Rancho Folclórico Os Moleiros da Ribeira e o Rancho Folclórico da Casa do povo de Fátima.

Leiria - Costumes

A iniciativa pretende dar a conhecer a história da região da Alta Estremadura, ou seja de todo o distrito de Leiria e ainda do concelho de Ourém à população local e aos turistas.

Uma espécie de “passagem de modelos” muito especial está marcada para este sábado à noite, na frente do antigo Banco de Portugal. A IV Mostra do Trajo Etnográfico vai mostrar como se vestia na Alta Estremadura.

A apresentação estará a cargo de Travaços Santos e Maria Emília Francisco e nela participam, a partir das 21 horas, vários ranchos e grupos do distrito de Leiria e concelho de Ourém.

A iniciativa tem entrada livre e é organizada pela Associação Folclórica da Região de Leiria - Alta Estremadura.



publicado por Carlos Gomes às 18:15
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015
O FOLCLORE E AS MARCHAS POPULARES

- O Estado Novo e as marchas são-joaninas

A celebração do Solstício de Verão que ocorre no dia 21 de Junho marca as tradições são-joaninas – ou juninas – que levam o povo a festejar os chamados “santos populares”. Nas regiões mais a norte, os festejos são predominantemente dedicados a São João enquanto as comunidades piscatórias, por afinidade de ofício, celebram a São Pedro. Em Lisboa, terra onde nasceu Fernando de Bulhões que haveria de ficar consagrado como Santo António, a devoção popular adquiriu tal dimensão que S. Vicente, padroeiro da cidade, acabou por ser remetido ao esquecimento.

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As marchas populares de Lisboa, tal como actualmente as conhecemos, datam a sua origem de 1932, altura em que desfilaram na avenida da Liberdade os primeiros “ranchos” como então se diziam. Porém, pelo menos desde o século XVIII que as mesmas se realizavam, inserindo-se nas tradições são-joaninas que têm lugar um pouco por todo o país, com as suas características fogueiras e festões, manjericos e alho-porro. À semelhança de outras festividades que ocorrem noutras épocas do ano, a escolha do dia 24 para celebrar o S. João é devido ao calendário juliano.

As marchas populares foram naturalmente influenciadas pelas quadrilhas que geralmente tinham lugar por ocasião dos festejos a Santo António e que se formavam de pequenos grupos constituídos por cerca de quarenta participantes que percorriam as ruas da cidade e se detinham em frente aos palácios aristocráticos ou de outras famílias abastadas onde, ao som do apito do marcador, se exibiam de forma ruidosa e sem grandes preocupações em relação à coreografia. Este ritual que também nos remete para a “marche aux flambeaux” ou seja, a marcha dos archotes que ocorria em França, foi levado pelos portugueses para o Brasil onde, sobretudo nas regiões do nordeste, se popularizou e veio a misturar com as danças brasileiras já existentes à época

São precisamente as quadrilhas que, de um modo geral, com as modificações que lhe foram introduzidas, acabariam por dar a forma às marchas populares e aos próprios corsos carnavalescos que antecedem a chegada da Primavera. Caracterizada originalmente como uma dança a quatro pares, a quadrilha constituiu uma adaptação dacountrydance inglesa, impropriamente traduzida para o francês como “contredance” e, finalmente, vertida para a Língua portuguesa como “contradança”.

No entanto, tais celebrações possuem origens bem mais remotas e perdem-se nos confins dos tempos. Desde sempre, o Homem procurou celebrar através do rito a acção criadora dos deuses, constituindo um ritual mágico destinado a perpetuar o gesto primordial da sua criação. Desse modo, ao celebrar a chegada do Verão por altura do solstício, o Homem assegurava que o ciclo da Natureza jamais seria interrompido, dando continuidade à vida num perpétuo ciclo de constante renascimento. E, à semelhança do que sucedia com a generalidade das celebrações pagãs, esta constitui a essência das festividades solsticiais que entretanto foram cristianizadas e, nesse contexto, dedicadas a São João Baptista.

Conta uma velha lenda cristã que, por comum acordo das primas Maria e Isabel, esta terá acendido uma enorme fogueira sobre um monte para avisar Maria do nascimento de São João Baptista e, desse modo, obter a sua ajuda por ocasião do parto. E, assim, pode a tradicional fogueira que os povos pagãos da Europa acendiam nomeadamente por ocasião do solstício de Verão ser assimilada pela nova religião então emergente. Na realidade, era também habitual acender fogueiras por altura da Páscoa e do Natal, tendo dado origem ao madeiro que se queima no largo da aldeia e ao círio pascal, bem assim às numerosas representações feitas nomeadamente na doçaria tradicional.

É ainda nas fogueiras de São João que têm origem as exuberantes exibições de fogo-de-artifício e os balões iluminados com que se enfeitam as ruas dos bairros e se penduram nos arcos festivos que são levados pelos marchantes que desfilam na noite de Santo António. Era ainda usual, na noite de São João, atarem-se aos balões, antes de os elevarem nos céus, pequenos papéis contendo desejos e pedidos, à semelhança das quadras feitas a Santo António que se colocam sobre os vasos de manjericos, tradição que remete para rituais ancestrais ligados à fertilidade e à vida. Estes festejos celebram-se também em diversos países europeus e, por influência da cultura portuguesa, no nordeste brasileiro onde tem lugar o casamento fictício no baile daquadrilha. Entre nós, este costume veio em 1958 a dar origem aos chamados “casamentos de Santo António”.

De um modo geral, pelo simbolismo que as caracterizam e a coreografia a que estão associadas, as festas solsticiais estão ligadas às chamadas “danças de roda” representadas desde a mais remota antiguidade. Perfilando-se geralmente em torno da fogueira ou do mastro de São João, a mocidade dá as mãos, canta e dança em seu redor, num ritual que denuncia o seu misticismo primordial. Esta constitui, aliás, uma das tradições mais arreigadas entre os povos germânicos e, sobretudo, na Suécia onde chega a ser considerada a sua maior festa nacional. O hábito de inicialmente nele se suspenderem coroas ou ramos de flores veio a dar origem a outros divertimentos como opau ensebado no cimo do qual é colocado uma folha de bacalhau para premiar aquele que o consiga alcançar.

À semelhança do que se verificou com outras manifestações da nossa cultura tradicional, também os festejos são-joaninos da cidade de Lisboa registaram a intervenção dos teóricos do Estado Novo e vieram a adquirir formas estilizadas, mais de acordo com o género da revista à portuguesa que já então animava os teatros do Parque Mayer. Foi então que, sob a batuta de Leitão de Barros e Norberto de Araújo, passou em Lisboa a realizar-se o concurso das denominadas “marchas populares”. Envergando o traje à vianesa, o bairro de Campo de Ourique foi o vencedor da primeira edição, facto que o levou a repetir o tema em 1997.

Organizados pelas colectividades de cultura e recreio, as “marchas populares” passaram a escolher preferencialmente temas relacionados com os aspectos pitorescos e a História dos seus bairros, dando ênfase a uma vivência predominantemente urbana e associada ao ambiente boémio e fadista. Nalguns casos, porém, era dado um particular realce ao elemento etnográfico como sucedia com as tradições saloias dos bairros de Benfica e Olivais ou então, ao carácter peculiar da colónia ovarina que habita o pitoresco bairro da Madragoa. Em relação à coreografia e à indumentária, caracterizam-se invariavelmente pela fantasia e a teatralidade, não revelando em qualquer dos casos quaisquer preocupações de natureza folclórica e etnográfica, pelo menos na sua perspectiva museológica ou seja, de preservação da sua autenticidade.

Possuindo as suas raízes mais próximas nas tradições joaninas, as “marchas populares” depressa obtiveram a adesão popular. Em 1936, quatro anos após o primeiro desfile organizado em Lisboa, saíram à rua na cidade de Setúbal para, com o decorrer dos anos, iniciativas semelhantes se estenderem a todo o país

Em Lisboa, a “marcha popular” é constituída por vinte e quatro pares de marchantes a que se juntam quatro aguadeiros e um “cavalinho” composto por oito elementos, tocando um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo e uma caixa. Para além daqueles, podem ainda ser incorporados o porta-estandarte, duas crianças como mascotes, um par de padrinhos e dois ensaiadores. Todas as marchas devem incluir o festão e o balão ou o manjerico e exibir o “Trono de Santo António” ou o “Arraial”.

Constituindo o folclore o saber do povo, é este que cria a sua própria festa e constrói o saber à maneira do seu carácter, à sua feição e modo de entender o mundo que o rodeia, adaptando-o sempre a novas realidades. Embora influenciado através da intervenção feita em determinadas épocas históricas, a criação popular não cristaliza porquanto o povo ainda não constitui um objecto fossilizado – ela renasce sempre que reacende a fogueira de São João!

Fotos: Arquivo Municipal de Lisboa

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/index.html

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publicado por Carlos Gomes às 17:06
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015
FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO DILATA PRAZOS DE ENTREGA

O cinANTROP - Festival Internacional de Cinema Etnográfico, continua deixar sementes de motivação, em gerações que vão ter uma palavra a dar no futuro do património cultural da nossa região. Para corresponder às muitas solicitações o PRAZO de entrega dos filmes para as produções regionais, com atribuição de prémios no valor até 600€, foi ADIADO para dia 31 de maio.

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A admissão ao Festival de Curtas-Metragens é realizado através do preenchimento completo do formulário online, https://docs.google.com/…/19WZkwCJLEvhNW3gebIZsByo…/viewform, e do envio de uma cópia em DVD da curta-metragem para visionamento, cartaz do filme, caso exista, e EPK (Electronic Press-Kit), também opcional, para a seguinte morada: (Cinantrop: Rua Santa Maria Madalena, nr. 17, Torrinhas, 2440-221 Batalha) até ao dia 18 de Maio.

A Competição Regional contará com filmes com duração não superior a 25 minutos, relacionados com os Concelhos da Batalha, de Leiria e de Ourém (terminados após 1 de Agosto de 2014), em película ou vídeo.

Prémio Competição Regional
- Categoria “Melhor Curta-Metragem do Concelho da Batalha (350€);
- Categoria “Melhor Curta-Metragem do Concelho de Leiria" (350€);
- Categoria “Melhor Curta-Metragem do Concelho de Ourém” (350€);
- “Grande Prémio Regional António Campos” (600€).

O Júri poderá ainda atribuir, sempre que se justifique, Menções

Honrosas.

A inscricão no festival é gratuita.
Em caso de dúvida, deve contactar a direccão do Festival,através do seguinte e-mail: cinantrop@gmail.com ou então para museu@mail.cm-ourem.pt



publicado por Carlos Gomes às 18:12
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Sábado, 9 de Maio de 2015
MÁSCARAS TRADICIONAIS LEVAM O ENTRUDO À CAPITAL

O Festival Internacional da Máscara Ibérica (FIMI) fez desfilar em Lisboa máscaras tradicionais portuguesas de Trás-os-Montes e Beira Litoral e ainda da Galiza, Leão, Astúrias e Andaluzia no país vizinho.

Termina amanhã em Lisboa mais uma edição do Festival Internacional Máscara Ibérica. Dezenas de grupos oriundos do norte e centro de Portugal e ainda da Galiza, Leão, Astúrias e Andaluzia desfilaram hoje entre a Praça do Município e o Rossio. Do nosso país estiveram representados os concelhos de Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Vinhais, Lamego, Mira e Ílhavo.

A Mostra das Regiões apresentou-se mais uma vez em Lisboa, transformando durante quatro dias o Rossio consecutivos numa montra de produtos regionais, artesanato e destinos turísticos. Os visitantes tiveram oportunidade de descobrir e adquirir algumas das mais tradicionais iguarias como o fumeiro, a doçaria regional e peças artesanais nacionais e das mais diversas regiões do país vizinho.

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A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, tem por objetivo a divulgação de um dos elementos mais característicos do folclore dos povos, concretamente as máscaras tradicionais, ajudando a compreender todo o ritual que lhe está associado, desde as suas origens pagãs às festividades do Entrudo tradicional. O costume da máscara é comum a todos os povos e a todas as regiões, embora em muitos casos tenha caído no esquecimento. A título de exemplo, no Minho perdura ainda a tradição dos cabeçudos e gigantones, fazendo-se acompanhar pelas arruadas dos zés-pereiras, dando alegria e colorido às romarias.

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A utilização tradicional das máscaras está associada à religiosidade primitiva que encarava o ciclo da vida e dos vegetais num perpétuo renascimento. O rito celebra o mito e assegura a interrupção do ciclo da natureza e da vida. Assim, como á morte sucede a vida, também ao Inverno e à morte dos vegetais sucede invariavelmente o seu renascimento. Ao Inverno estão associados um conjunto de rituais que se iniciam com o culto dos mortos em Novembro, na crença de que estes podem interferir favoravelmente no ciclo da natureza, culminando com a Serração da Velha a anunciar o regresso da Primavera. Pelo meio fica o Entrudo celebrado com as suas máscaras e os seus instrumentos ruidosos como as sarroncas e os zaquelitraques com vista a expulsar os demónios do Inverno.

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Toda a representação se destina a exorcizar os maus espíritos do Inverno e incidem no universo rural, desde a representação de figuras demoníacas aos animais que fazem parte do quotidiano do lavrador. As máscaras são construídas a partir dos materiais disponíveis no espaço rural e concebidas com base no imaginário popular.

Os chocalhos prendidos à cinta do careto, símbolo da virilidade e da posse demoníaca, destinam-se a chocalhar as raparigas que se perdem pelos caminhos da aldeia. Os mascarados estão autorizados a invadir as casas e tomar para si alvíssaras, em regra uma peça do fumeiro.

Trata-se de costumes que seguramente eram comuns a todas as regiões do nosso país mas cuja memória e tradição se foi perdendo. Cabe às personalidades e entidades culturais que se dedicam ao estudo e investigação na área da etnografia a revelação de tais tradições já esquecidas.

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publicado por Carlos Gomes às 22:42
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2015
OS MAIOS E AS MAIAS: ORIGENS E SIGNIFICADO DE UMA TRADIÇÃO!

Com a entrada do mês de Maio, enfeitam-se de giestas floridas as janelas das casas nas vilas e aldeias do Minho anunciando a chegada da Primavera em todo o seu esplendor e, com ela as flores que contribuem para alegrar a nossa existência, perfumar e dar colorido ao ambiente que nos rodeia. São as maias feitas de ramos de giestas com as suas flores amarelas as quais, por tradição, são colocadas nas portas e carros agrícolas, constituindo este costume uma forma de celebrar o renascimento da vida vegetal.

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Atualmente pouco divulgada, a festa das maias foi noutras épocas celebrada em todo o país, tendo caído em desuso devido a sucessivas proibições devidas a rixas originadas pelo despique entre localidades ou ainda por motivos religiosos, como sucedeu em 1402 por imposição régia a qual determinava "nõ cantassem mayas, ne Janeiras, e outras cousas q eram contra a ley de deus". A sua origem perde-se nos tempos e corresponde às Florálias celebradas entre os romanos e dedicadas a Flora, deusa das flores e da Primavera, a quem consagravam os jogos florais. Durante três dias consecutivos, as mulheres dançavam ao som de trombetas, sendo coroadas de flores as que logravam ganhar os jogos, adornando-se desse modo à semelhança da própria divindade a que prestavam culto. Aliás, é precisamente aos romanos que se atribui a implantação de tal costume na Península Ibérica, tendo a mesma alcançado especial aceitação na região do Algarve.

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Também entre nós houve em tempos idos o costume de, por esta ocasião, coroar-se de flores uma jovem vestida de branco, prestes a entrar na primavera da vida, qual maia adornada de joias, fitas e flores que nos trazem à lembrança as fogaceiras de Santa Maria da Feira e as moças que levam à cabeça os característicos tabuleiros das festas de Tomar. E, tal como Flora entre os romanos, a jovem maia sentava-se num trono florido a cujos pés o povo dançava durante todo o dia, venerando desse modo a esbelta divindade pagã e celebrando os seus atributos que se permitiam o retorno dos vegetais. Conta ainda uma lenda antiga que em Lagos, no Algarve, tal costume incidia sobre um homem da terra que era adornado com as melhores joias, o qual percorria as ruas da cidade montado num asno. Sucedeu que, em certa ocasião, terminada que foi a volta pela cidade, o maio dirigiu-se para os campos junto da cidade e desapareceu para nunca mais ser visto. Em virtude do ocorrido, o povo que ainda espera o seu regresso com as joias que consigo levou passou a designar o Maio como "o mês que há-de vir…

E, enquanto o Maio não chega para as gentes de Lagos, é altura de festejarmos as maias, alegrando as janelas com ramos de giestas floridas. Em breve virá a celebração do Corpus Christi e a Vaca das Cordas em Ponte de Lima, as festas do Espírito Santo e a Coca em Monção, a festa das fogaceiras em terras de Santa Maria da Feira e as fogueiras pelo S. João a evocar o solstício do Verão. A seu tempo chegarão as colheitas e as malhadas, as vindimas e as adiafas e, pelo S. Miguel as desfolhadas ou descamisadas. Para trás fica o entrudus e as festas equinociais e pascais, a Serração da Velha e a Queima do Judas.

Assegurámos através do rito a ininterrupção do ciclo da natureza, participando desse modo na ação criadora dos deuses. Pela tradição, preservamos usos e costumes que chegaram até aos nossos dias e fazem parte do nosso folclore. Festejemos, pois, as maias, fazendo-as ressurgir com o mesmo colorido, alegria e pujança como nos tempos antigos!

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publicado por Carlos Gomes às 08:57
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Domingo, 26 de Abril de 2015
OURÉM RECEBE FESTIVAL INTERNACIONAL DO CINEMA ETNOGRÁFICO

cinANTROP - Festival Internacional de Cinema Etnográfico

28, 29 e 30 de abril e 02 de maio, com sessões às 14h30 e 18h00

Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador.

Ourém recebe a terceira edição do cinANTROP – Festival Internacional de Cinema Etnográfico, de 28, 29 e 30 de abril e 02 de maio. Com sessões às 14h30 e 18h00.

Venha assistir a este evento, que é um projeto pioneiro de Bruno Gaspar e que remonta a 2013, sendo o primeiro festival de cinema etnográfico na Península Ibérica!

O Festival nasceu com o objetivo de elevar o cinema documental e etnográfico, com especial enfoque para o Festival de Curtas Metragens, com o Prémio António Campos para ser atribuído aos melhores projetos apresentados por qualquer participante. Consulte o regulamento e saiba como pode participar: (link do facebook ou página net do cinANTROP).

As sessões decorrerão em simultâneo com os concelhos da Batalha, Leiria e Marinha Grande para criar uma região que se quer como capital do cinema etnográfico de Portugal e pretende preservar e promover a identidade dos municípios através do cinema.

Os filmes abordarão  temáticas como a dimensão turística, o património natural e edificado, a história, as tradições, a cultura material e imaterial dos concelhos envolvidos.

São muitas as parcerias do festival, que lhe darão inclusive projeção internacional a partir da colaboração com outros festivais.

 28 de abril – 14h30 | M/12

PASTORPOLIS

Joaquim Dâmaso e Manuel Leiria – 12m

DO MAR AO FADO

Silvio Espalha – 20m:29s

29 abril – 14h30 | M/12

MORCELA DE ARROZ

Ricardo Portela, Sofia Mota, Joel Rainho - 12 minutos

CURA

Pedro Alves – 17 m_25s

30 abril – 18h00 | M/12

QUE ESTRANHA FORMA DE VIDA

Pedro Serra – 108 m

2 maio – 18h | M/12

NAS TRIBOS DO VALE DE OMO - Etiópia

Érico Hiller - 3 minutos

MANUEL LIMPINHO

Silvino Espalha – 9m:30s

GENTES DA PRAIA DA VIEIRA

fotos da ECO – 1m:29s

UMA VIDA MAIS SIMPLES

Inês Alves – 39 minutos

A VIDA QUE SÓ A GENTE OUVE FALAR

Júlia Tami Ishikawa – 20min

Acesso gratuito

Museu Municipal de Ourém: terça-feira a domingo – das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Contactos: Tel.: 249540900 (6831) | tlm: 919585003 | 910502917 | museu@mail.cm-ourem.pt | www.museu.cm-ourem.pt



publicado por Carlos Gomes às 10:42
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Domingo, 29 de Março de 2015
MUSEU MUNICIPAL DE OURÉM EXPÕE FOTOGRAFIAS DE CARLOS RELVAS SOBRE TRAJES TRADICIONAIS

“Traje encenado” é o tema da exposição temporária que o Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador inaugurou hoje, mostrando fotografias produzidas em ambiente de estúdio retratando diversos trajes tradicionais portugueses, mormente na região de Ourém.

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A Chefe da Divisão de Ação Cultural do Município de Ourém, Drª Ana Saraiva, fez a apresentação da exposição e seus objetivos, realçando a riqueza patrimonial do concelho de Ourém dada a sua localização privilegiada na confluência de diferentes regiões geo-etnográficas, anunciando ainda a realização próxima de novas iniciativas a envolver os agrupamentos folclóricos do concelho.

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Além das fotografias, encenados e fotografados em estúdio por Carlos Relvas entre finais do século XIX e inícios do século XX a exposição inclui representações nacionais de trajes que comunicam com indumentárias de trajes de Ourém, recriados por oito grupos de ranchos folclóricos do concelho, exibidos nas suas atuações.

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A exposição conta com a participação da Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã, e de todos os ranchos folclóricos ativos em Ourém, concretamente o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Fátima, Rancho Folclórico Lírios do Nabão – Freixianda, Rancho Folclórico Rosas de Portugal – Freixianda, Rancho Folclórico Lírios do Campo – Nossa Senhora da Piedade, Rancho Folclórico Os Moleiros da Ribeira – Olival, Grupo de Danças e Cantares Lagoense – Nossa Senhora das Misericórdias, Rancho Folclórico Os Camponeses – Ribeira do Fárrio e o Rancho Folclórico Verde Pinho – Rio de Couros.

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A exposição poderá ser visitada de terça a domingo das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, na Casa do Administrador - Museu Municipal de Ourém.

Nascido na Golegã em 1838, Carlos Relvas foi além de agricultor, desportista e toureiro um notável fotógrafo que se distinguiu em Portugal e no estrangeiro, possuindo muitos dos seus trabalhos publicados em revistas da época como “O Occidente”, “Branco e Negro” e “Boletim Fotográfico”. Era pai do político José Relvas a quem coube a proclamação do regime republicano, na varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa, em 5 de outubro de 1910.

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publicado por Carlos Gomes às 22:44
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015
MUSEU MUNICIPAL DE OURÉM EXPÕE TRAJES TRADICIONAIS DA REGIÃO

Casa do Administrador apresenta “Traje Encenado”

“Traje encenado” é a próxima proposta para a exposição temporária do Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador.

De 29 de março a 28 de junho, o visitante terá acesso a representações nacionais de trajes - encenados e fotografados em estúdio por Carlos Relvas entre finais do século XIX e inícios do século XX – que comunicam com indumentárias de trajes de Ourém, recriados por oito grupos de ranchos folclóricos do concelho, exibidos nas suas atuações.

A exposição, que conta com a participação da Casa-Estúdio Carlos Relvas, na Golegã, e de todos os ranchos folclóricos ativos em Ourém.

Inauguração no dia 29 de março, pelas 16h00 na Casa do Administrador - Museu Municipal de Ourém.

A exposição poderá ser visitada de terça a domingo das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.



publicado por Carlos Gomes às 11:59
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Domingo, 20 de Julho de 2014
JUDAÍSMO E CRISTÃOS-NOVOS NO CONCELHO DE OURÉM

Ourém e o seu concelho é uma das localidades do país onde a influência judaica mais teima em resistir nomeadamente nos hábitos das suas gentes. Da antiga Sinagoga não restam mais do que as ruínas que sobreviveram ao terramoto de 1755 e às mãos criminosas das tropas de Massena que incendiaram a vila medieval de Ourém. Mas, imortalizou o escritor Camilo Castelo Branco, na sua novela “Olho de Vidro”, a vida da comunidade judia de Ourém, retratando a vida do famoso médico oureense Braz Luiz de Abreu.

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De acordo com documentos á guarda da Direção-Geral de Arquivos, foram entre 1561 e 1787 julgados pelo Tribunal do Santo Ofício quarenta e seis pessoas residentes em Ourém, de entre as quais contam-se 23 cristãos-novos, quase todos acusados da prática de judaísmo.

Apesar das perseguições de que foram alvo, conservam ainda muitos oureenses nomes de família que denunciam claramente as suas origens judaicas e a respetiva conversão forçada ao cristianismo, tornando-se cristãos-novos, na sequência do édito que o rei D. Manuel I publicou em 1496. Albuquerque, Castelão, Esteves, Fernandes, Ferraz, Freire, Furtado, Gonçalves, Mendes, Pereira, Oliveira, Saraiva e Silva são apenas alguns dos inúmeros apelidos adotados pelos cristãos-novos bastante usuais na nossa região. De resto, segundo reza a tradição, os cristãos-novos adotaram como apelidos, na maior parte dos casos, nomes associados a árvores, flores e outros vegetais.

Também a nossa cozinha tradicional onde pontificam os enchidos como as chouriças, farinheiras e a morcela de arroz, forma expedita empregue pelos judeus de fingir o consumo de carne de suíno, constitui um traço de identidade de uma comunidade que foi culturalmente assimilada ao longo de vários séculos e encontra-se plenamente integrada.

Porém, uma das marcas mais visíveis da influência judaica encontra-se patente nas constantes inscrições que surgem nas paredes de casas e barracões agrícolas constituídas por cruzes e pentagramas frequentemente acompanhados por ferraduras. Tidos geralmente como simples amuletos, trata-se de representações que nos remetem para cultos ancestrais que vieram a ser adotados pelas diferentes religiões, como sucede com a cruz inicialmente associada a ritos pagãos em torno de divindades solares.

Geralmente mais utilizada em regiões onde a presença islâmica foi mais acentuada como sucede no Alentejo, a ferradura encontrava-se mais associada aos cultos em torno da lua. No entanto, alguns investigadores sugerem que o símbolo que a ferradura representa é originário da Fenícia, tendo sido adotado pelos árabes e por estes transmitido aos judeus, encontrando-se relacionado com o chamsa que representa os cinco dedos de uma mão estendida, também identificado com a “mão de Miriam” ou “olho de Fátima”.

Não obstante, o pentagrama é talvez o mais curioso de todos os símbolos que aparecem no concelho de Ourém na medida que é menos usual ver-se noutras regiões do país. Trata-se de um símbolo de origem pagã que representa os cinco elementos da Natureza – Ar, Fogo, Terra, Água e Espírito – associado a uma cosmogonia do universo. Porém, o pentagrama é aqui invariavelmente identificado como sendo o Signo de Salomão, o que pode indicar uma forma disfarçada de identificar os membros de uma comunidade sem correr o risco que a sua representação correta naturalmente acarretaria, pois trata-se da Estrela de David, claramente identificada com o Judaísmo e presentemente com o Estado de Israel.

O que parece não restar dúvidas são as referências históricas e as marcas culturais que atestam a identidade de uma comunidade de cristãos-novos que se confunde com o próprio concelho de Ourém.

Carlos Gomes: http://www.folclore-online.com/

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publicado por Carlos Gomes às 20:52
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014
OURÉM REALIZA FESTIVAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO

CinANTROP – Festival Internacional de Cinema Etnográfico - MMO

19 de Julho na Casa do Administrador - Museu Municipal de Ourém (sábado)

20 de Julho no Torreão do Castelo na Vila Medieval de Ourém (domingo),

A partir das 15 horas.

O cinANTROP traz o Festival Internacional Etnográfico a Ourém.

Se gosta de cinema, participe!

Este festival visa contribuir para a preservação e divulgação da identidade das comunidades, procedendo a uma recolha e desenvolvimento de projetos de interesse etnográfico.

ENTRADA LIVRE

Museu Municipal de Ourém, de terça a domingo das 09.00H às 13.00H e das 14.00H às 18.00H

Contatos: tel: 249 540 900 (6831) / tlm: 919 585 003 / 910 502 917 / museu@mail.com-ourem.pt / www.museu.com-ourem.pt



publicado por Carlos Gomes às 12:55
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014
OURÉM ACOLHE FESTIVAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO

Cinantrop - Festival Internacional de Cinema Etnográfico em Ourém

O Município de Ourém recebe nos dias 19 e 20 de julho, o Cinantrop - Festival Internacional de Cinema Etnográfico. Este festival, com sessões a decorrer no Museu Municipal (Casa do Administrador e Torreão do Castelo, na Vila Medieval de Ourém), estimula a exibição pública de curtas-metragens originais e visa contribuir para a preservação e divulgação da identidade das comunidades, com vídeos de interesse etnográfico.

O Cinantrop chega a Ourém depois de passagens por Leiria e Lisboa e pretende promover temas relacionados com a identidade cultural do concelho. Serão exibidas curtas-metragens, em película ou vídeo, submetidas a concurso e avaliadas por um júri. As curtas-metragens apresentadas a concurso passam a fazer parte do arquivo audiovisual do município, possibilitando a sua utilização para fins educativos e de sensibilização sobre o património material e imaterial.

O programa do festival tem início ás 15h00 de sábado (19 de julho) na Casa do Administrador, com a exibição de várias curtas-metragens que viajam por Guiné-Bissau, Moçambique, Espanha, Sahara Ocidental e Brasil. Destaque para a estreia europeia de "A vida que a gente só ouve falar" de Júlia Tami e de documentários sobre o concelho: “Pelos cantos de Ourém” (21h30), o retrato de um casal de agricultores residente em Lagoa do Furadouro com realização de Pedro Marques, Rui Gaspar e Telmo Soares e “Contra cena”, a visão de Marco Maurício sobre o mundo do teatro após acompanhar durante um ano o percurso de uma companhia amadora (Grupo de Teatro Apollo – Peras Ruivas, Ourém).
No domingo, a ação passa para o Torreão do Castelo de Ourém que recebe a partir das 15h00 uma curta-metragem passada em Angola e outras cinco sobre diferentes realidades portuguesas. O festival termina com outra exibição oureense: “Ser um Peorth” da autoria de Pedro Dias Reis.  

PROGRAMA CINANTROP

Festival Internacional De Cinema Etnográfico

Ourém

SÁBADO

Casa do Administrador – Museu Municipal de Ourém

15h00 – “Kora”

Portugal/Guiné-Bissau, 70 min.

Realização: Jorge Carvalho

Na ficha de catalogação do Museu Nacional de Etnologia de Lisboa resume-se o invulgar objeto mas não se faz ouvir o seu som e toda a história, misticismo, querelas geográficas e percurso etnográfico de um dos mais importantes instrumentos musicais da África Ocidental. O kora é tão importante para esta região africana quanto desconhecido por nós, ocidentais. E enquanto um dos mais importantes repositórios destas culturas, a sua importância continua a ser transmitida pela oralidade, pela palavra do djidiu.

Motivo de orgulho de nações que nasceram de tribos sem fronteiras, existem discrepâncias sobre a origem deste instrumento, com os diferentes países a reclamarem-no como seu. Mas é durante o apogeu do Reino de Kaabú que muitas das lendas sobre a invenção do kora se cruzam. E Kansala, a cidade berço deste imponente reino, localizava-se numa área que atualmente pertence à Guiné-Bissau.

http://www.youtube.com/watch?v=QjSGnG_jUEs

16h10 – “Uma vida mais simples”

Portugal/Moçambique, 39 min.

Realização: Inês Alves

Uma Vida Mais Simples é a vida de uma família em África contada a partir dos filmes em 8mm que o avô da realizadora fez em Moçambique e na África do Sul entre 1954 e 1978; enquanto as imagens passam, os avós recordam aqueles momentos e as muitas histórias que eles encerram.

https://www.youtube.com/watch?v=fzQd3LDdeZc

17h00 – “Western Sahara”

Espanha/Sahara ocidental, 45 min.

Realização: Colectivo Left Hand Rotation

“Western: Sahara” documenta o processo de produção de um trabalho audiovisual participativo nos acampamentos de refugiados saharauis em Tinduf (Argélia). Partindo da elaboração de um trailer como peça de difusão mediática, os participantes imaginam um filme western sobre a criação do estado saharaui.

https://www.youtube.com/watch?v=8G-bB8VkMX0

17h45 – “A vida que a gente só ouve falar” (ESTREIA EUROPEIA)

Brasil, 21 min

Realização: Júlia Tami

Sioneide e António não sabem ler nem escrever. A ex-vereadora e o zelador de uma escola transformam a percepção da linguagem, quando o saber depende de ouvir. De Manari, em Pernambuco, a Franco da Rocha, em São Paulo, ouvimos histórias que nunca foram escritas. Narrativa sensorial sobre linguagem escrita e comunicabilidade no espaço urbano. Locais pacatos e o universo da oralidade contrastam com a dinâmica de grandes cidades, onde há um fluxo intenso de informações. O filme investiga a vida de quem transita entre os dois mundos e a maneira como se dão a comunicação e as relações das personagens com a sua própria língua. Registos pessoais e subjetivos relativizam a linguagem, a grafia, e a convivência do indivíduo neste universo.

 18h10 – “Xilunguine”

Moçambique, 30 min.

Realização: Inadelso Cossa

Há muitas gerações que os Tsongas, em Moçambique, têm migrado das suas terras de origem para a capital, a que chamam Xilunguine. Muitos pastores abandonaram os seus rebanhos para se instalarem na grande cidade e com eles trouxeram a sua língua, as suas crenças e os seus costumes para a nova terra que amanhã será a dos seus filhos e netos.

https://www.youtube.com/watch?v=2TwTsQpGzC0

21h30 – “Pelos cantos de Ourém”

Portugal, 8 min.

Realização: Pedro Marques, Rui Gaspar e Telmo Soares

Na freguesia Lagoa do Furadouro, concelho de Ourém, vive um casal de agricultores juntamente com os seus dois filhos. Estes dedicam-se ao trabalho no campo e à criação de gado como principal sustento familiar.

A mãe fala-nos da sua paixão pela vida que leva no campo, mas também das dificuldades que esta acarreta.

21h40 – “Contra cena”

Portugal, 2h00

Realização: Marco Maurício

O mundo do teatro, quando se apagam as luzes e atrás da cortina. Acompanha-se, durante um ano, o percurso de uma companhia amadora, aqui se revelam as relações individuais entre as pessoas que o compõem, o que os impele e o que os motiva. Num cenário em que cada vez menos se investe na cultura, são estas as pessoas que mantêm a chama acesa.

DOMINGO

Torreão do Castelo de Ourém – Vila Medieval

15h00 – “De Angola à contracosta”

Angola, 100 min.

Realização: Álvaro Romão

Às 9 horas da manhã do dia 6 de janeiro de 1884, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens embarcam a bordo do vapor S. Tomé e dão início à última das grandes aventuras de Portugal. Como destino, Luanda. Como objetivo, ligar, por terra, as províncias de Angola e Moçambique.

A expedição de Capelo e Ivens vivida e contada, nos dias de hoje, “in loco”, pelo ilustrador João Catarino.

https://www.youtube.com/watch?v=25X1kfBkO_Q#t=344

17h00 – “Pastor Polis”

Portugal, 12 min.

Realização: Joaquim Dâmaso e Manuel Leiria

"Pastor Polis" é um dia na vida de António Neves, o pastor que quotidianamente passeia o seu rebanho no percurso que mudou o rosto de Leiria e revolucionou a vida e os hábitos da cidade e dos seus habitantes.

Vencedor do Prémio António Campos 2014 - Município de Leiria

http://vimeo.com/92250587

17h15 – “Morcela de arroz”

Portugal. 12 min.

Realização: Ricardo Portela e Sofia Mota

Vencedor do Prémio António Campos 2014 - Município da Batalha

http://vimeo.com/92263578~

17h30 – “Lugar da Quinta Nova”

Portugal, 9 min.

Realização: Bruno Carnide

Um casal habita o lugar da Quinta Nova (na concelho da Batalha, Portugal) há mais de três décadas. Os filhos cresceram e saíram de casa. Marido e mulher vivem, agora, sozinhos, com os seus animais domésticos, ocupando o tempo na agricultura, cozinha e artesanato. Uma visita à rotina de duas pessoas, que mantêm viva a memória das tradições. http://vimeo.com/91003028

17h40 – “Doces do reguengo do Fetal”

Realização: Rancho Folclórico do Reguengo do Fetal

Portugal, 10 min.

Vencedor do Grande prémio António Campos 2014

17h50 – “Cura”

Portugal, 12 min.

Realização: Pedro Alves

Desde sempre que o Homem tenta contornar as doenças que o atormentam. O recurso a métodos de cura pouco científicos vem de longe e perdura sobretudo nas aldeias de Portugal.

18h00 – “Ser um Peorth”

Portugal, 40 min.

Realização Pedro Dias Reis



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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014
OURÉM REALIZA FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO

O prazo para entrega das curtas-metragens foi alargado, sendo que poderão entregar as mesmas até ao dia 13 de julho.

CinANTROP - Festival Internacional Etnográfico em Ourém a realizar nos dias 19 e 20 de julho de 2014, no Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador.

O cinANTROP traz o Festival Internacional Etnográfico em Ourém

Se gosta de cinema, participe!

Envie as curtas-metragens até ao dia 30 de Junho que não devem ultrapassar os 25 minutos.

Prémios:

1º 500€

2º 150€

3º 100€

(CRITÉRIOS DE SELEÇÃO)

Os elementos do Júri considerarão, como fundamental na apreciação dos documentos, critérios gerais de qualidade das curtas-metragens submetidas a concurso, designadamente:

− relação das obras produzidas com a dimensão concelhia de Ourém.

− relação das obras com temáticas relacionadas com a Etnografia,Tradições, Património (natural e construído), População, Gastronomia, Cultura, espaços/locais característicos, entre outros domínios materiais e imateriais das realidades geográficas atrás referidas;

− Originalidade das obras.



publicado por Carlos Gomes às 18:45
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014
OURÉM PROMOVE CINEMA ETNOGRÁFICO

Se gosta de cinema, participe!

Envie as curtas-metragens até ao dia 30 de Junho que não devem ultrapassar os 25 minutos.

Prémios:

1º 500€

2º 150€

3º 100€

(CRITÉRIOS DE SELEÇÃO)

Os elementos do Júri considerarão, como fundamental na apreciação dos documentos, critérios gerais de qualidade das curtas-metragens submetidas a concurso, designadamente:
− relação das obras produzidas com a dimensão concelhia de Ourém.

− relação das obras com temáticas relacionadas com a Etnografia,Tradições, Património (natural e construído), População, Gastronomia, Cultura, espaços/locais característicos, entre outros domínios materiais e imateriais das realidades geográficas atrás referidas;

− Originalidade das obras



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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014
RANCHO DA REGIÃO DE LEIRIA REALIZA EXPOSIÇÃO SOBRE LENÇOS TRADICIONAIS DE MULHER



publicado por Carlos Gomes às 00:59
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014
RANCHO DA REGIÃO DE LEIRIA REALIZA EXPOSIÇÃO SOBRE LENÇOS TRADICIONAIS DE MULHER



publicado por Carlos Gomes às 22:58
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Domingo, 23 de Março de 2014
EM 1997, JORNAL “CORREIO DA MANHÔ REGISTOU A PARTICIPAÇÃO DOS TRÊS PASTORINHOS DO RANCHO DA CASA DO POVO DE FÁTIMA NA “FESTA DE PORTUGAL”

O jornal “Correio da Manhã” na sua edição de 24 de março de 1997, registou a participação no dia anterior de três pastorinhos do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Fátima na Festa de Portugal, evento que foi organizado pela Casa do Concelho de Ponte de Lima, em Lisboa.

img422-2

A iniciativa decorreu no Pavilhão Carlos Lopes e no Parque Eduardo VII, tendo contado com a participação de perto de duas dezenas de representações folclóricas e etnográficas de todo o país.

A foto que realça a reportagem possui a seguinte legenda: “Um momento de pausa para os três pastorinhos no desfile etnográfico”.

Fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/



publicado por Carlos Gomes às 01:50
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Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014
ETNOGRAFIA PORTUGUESA: COMO ESTUDAR O PASSADO NA ATUALIDADE?

A partir de meados do século XIX, a mecanização da produção e o progresso dos meios de transporte e das comunicações produziram uma profunda alteração dos hábitos e das mentalidades. As atividades artesanais entraram em declínio, as populações dos meios rurais deslocaram-se para as cidades e certos costumes foram caindo em desuso face às modas burguesas quase sempre importadas do estrangeiro.

O trabalhador rural trocou a enxada pela picareta e a liberdade do campo pela clausura fedorenta da fábrica. O ruído ensurdecedor das máquinas sufocou os alegres cantares com que marcava o ritmo da lavoura. O linho deixou de ser semeado e os teares caseiros perderam o uso. As moças deixaram de bordar e até as concertinas passaram a tocar rapsódias mais dolentes a fazer lembrar as notas tristes do fado.

Em Braga, terra de velhos santeiros, surgiu uma fábrica de chapelaria que passou a cobrir a cabeça dos homens no Minho. Para um canto da lareira ficava o velho barrete de malha, a partir de então considerado indigno de ser apresentado à sociedade. E, com a indústria, veio o restante vestuário, a alimentação, os instrumentos musicais e, por fim, a memória dos tempos outrora vividos.

Os novos tempos trouxeram consigo novos gostos: a saia curta, o penteado de franja, o verniz e as unhas postiças, a maquilhagem e toda a sorte de bijutaria de adorno para as mulheres. Os sapatos de verniz e o chapéu “à toureiro” para os homens, com faixa á cinta a pender quase até aos tornozelos. Surgiu o plástico e a borracha vulcanizada. A viola braguesa cedeu o lugar à guitarra clássica. E a sua influência foi de tal ordem que nem o folclore escapou, frequentemente apresentado como tendo feito parte de um universo que o antecedeu.

 Ao mesmo tempo surgiu a música gravada e, com ela, os altifalantes que com o seu ruído estridente puseram fim à pacatez das aldeias.

Vendo acabar as antigas formas de vida de um mundo que desaparecia sob os alicerces de uma nova sociedade industrializada, eis que surgiram os estudiosos que procuraram inventariar tão precioso património. Recolheram as lendas e os contos tradicionais, as receitas de cozinha e as curas das maleitas, os provérbios e as superstições, os trajes e instrumentos musicais, utensílios domésticos e ferramentas de trabalho. E, para que o próprio povo não se esquecesse da sua própria identidade, criaram grupos de folcklore, recorrendo paradoxalmente a um estrangeirismo para designar aquilo que, afinal de contas, era genuinamente português.

Em meados do século passado, o gravador de fita magnética e o filme “super 8 mm” possibilitaram o registo do som e das imagens, dando assim um enorme impulso à recolha etnográfica. O seu aparecimento verificou-se a tempo de obter o testemunho da última geração que vivera uma época cuja memória se pretendia preservar. A partir de então, o estudo teria de passar a ser feito com base em fotografias antigas, documentos escritos, peças de interesse museológico e, sobretudo, no levantamento entretanto efetuado pelos investigadores no domínio da etnografia, antropologia e etnomusicologia.

A recolha etnográfica não é feita nas lojas de artigos de turismo, quais lojas de pronto-a-vestir “ranchos folclóricos” com trajes de lavradeira de todas as cores e feitios, quais deles os mais bizarros. De igual forma, o método de plagiar outros grupos folclóricos, por mais antigos e conceituados que sejam, não constitui um trabalho sério, porquanto acabam por copiar os erros de que enfermam muitos daqueles que foram criados sob a influência dos folcloristas do Estado Novo.

Sem outra forma de investigação para além do acesso ao material recolhido, o trabalho do investigador requer atualmente o estudo comparado das fontes documentais e das peças museológicas, exigindo-se a compreensão da evolução histórica dos usos e costumes, tanto no que se refere às suas manifestações exteriores como ainda em relação às ideias que marcam cada época. Sem esforço não haverá trabalho sério e honesto!

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/

Fotos: José Carlos Vieira / https://www.facebook.com/jose.c.vieira.9?hc_location=timeline



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Terça-feira, 8 de Outubro de 2013
EM 1997, JORNAL “CORREIO DA MANHÔ REGISTOU A PARTICIPAÇÃO DO RANCHO FOLCLÓRICO DA CASA DO POVO DE FÁTIMA NA “FESTA DE PORTUGAL”

O jornal “Correio da Manhã” na sua edição de 24 de março de 1997 registou a participação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Fátima na Festa de Portugal, evento que foi organizado pela Casa do Concelho de Ponte de Lima, em Lisboa.

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A iniciativa decorreu no Pavilhão Carlos Lopes e no parque Eduardo VII, tendo contado com a participação de perto de duas dezenas de representações folclóricas e etnográficas de todo o país.

A foto que realça a reportagem possui a seguinte legenda: “Um momento de pausa para os três pastorinhos no desfile etnográfico”.



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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013
A ARTE DE MARINHEIRO E O OFÍCIO DOS MOLEIROS DOS MOINHOS DE VENTO

Quem já alguma vez teve a felicidade de contactar de alguma forma com o labor do moleiro, num moinho de vento, certamente se apercebeu da extraordinária semelhança de numerosos vocábulos empregues neste ofício relativamente à linguagem das gentes do mar. Com efeito, existem muitos termos que são comuns às duas atividades, em grande medida resultante da identidade de processos utilizados em ambas as atividades.

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À semelhança das naus e, em geral, de todas as embarcações à vela, também os moinhos de vento aproveitam a mesma fonte de energia, recorrendo a uma técnica semelhante para assegurarem o seu próprio funcionamento. Tal como o marinheiro, também o moleiro deve saber medir a direção e intensidade do vento e manobrar as velas para dele tirar o máximo rendimento. Para tal, utiliza o cata-vento estrategicamente colocado sobre o capelo do moinho e os búzios atados na extremidade das vergas. Na realidade, o moinho de vento é como um veleiro a navegar em terra firme que requer a sabedoria do seu marinheiro – o moleiro!

Quando os portugueses se fizeram ao mar, a tripulação das naus partiu de terra e era naturalmente constituída por gente que, nas suas lides quotidianas, se dedicava aos mais variados ofícios. Entre ela encontravam-se certamente os moleiros cuja arte foi seguramente determinante para as atividades de manobra uma vez que, à semelhança dos moinhos, as naus e as caravelas navegavam à vela, sendo necessários marinheiros experimentados na arte de marinharia que era, afinal de contas, a arte dos próprios moleiros.

Não admira, pois, que ambas as linguagens se confundam em grande medida. De resto, é bastante sintomática a expressão outrora utilizada pelos navegadores quando, ao constatarem a evolução demasiado lenta da nau, a ela se referiam dizendo que “a nau ia moendo”, numa clara alusão ao ritmo pachorrento com que o moinho procede à moagem do grão.

O estudo dos moinhos é de uma extraordinária riqueza e elevado interesse cultural, sob todas as suas variantes, desde o ponto de vista tecnológico como ainda etnográfico, histórico e linguístico. Refira-se, a título de exemplo, que os construtores de moinhos eram outrora apelidados de engenheiros por se tratarem, na realidade, de construtores de engenhos.

Desde que o Homem sentiu necessidade de recorrer a processos mais eficazes para moer os grãos que utilizava na sua alimentação, ultrapassando a forma primitiva de os esmagar à mão com o emprego de duas pedras, os moinhos acompanharam a evolução do seu conhecimento e refletiram a sua própria organização social. Aproveitando os mais diversos recursos naturais e apresentando-se sob variadas formas, incluindo as azenhas e os moinhos de maré, eles encontram-se presentes nas novas tecnologias para captação da energia eólica ou ainda para bombagem de água como sucede na captação de água dos poços ou na manutenção dos diques da Holanda.

Atendendo ao valor cultural que o estudo dos moinhos representa, junta-se um pequeno dicionário comparado da linguagem utilizada pelos moleiros que trabalham nos moinhos de vento relativamente à empregue no meio náutico

Andadeira –Mó de cima. Corredor.

Bolacho – Diz-se quando a vela tem três voltas em torno da vara.

Braços – Varas, Vergas.

Búzio – Alcatruz. Pequeno objeto de barro, por vezes com a forma de uma cabaça, contendo um só orifício, que se coloca na ponta das vergas das velas dos moinhos de vento e que, com o girar destas, produz uma espécie de assobio que permite ao moleiro calcular a intensidade do vento e a velocidade adquirida pelas velas.

Cabrestante – Sarilho. Dispositivo para fazer rodar o capelo do moinho. – Nos navios, refere-se ao sarilho para manobrar e levantar a âncora e outros pesos.

Cabresto – Corda comprida que segura as varas e que serve para efetuar a amarração das velas no exterior. – Cada um dos cabos que, da ponta do gurupés vem à proa do navio, junto ao couce do beque. O gurupés é o mastro oblíquo situado na proa dos navios.

Calha – Peça que leva o grão da tremonha para o olho da mó. Ligação entre o tegão e o olho da mó. Quelha.

Canoura - Vaso de madeira donde o grão vai caindo para a mó. Moega. Tremonha.

Capelo – Parte superior do moinho que roda em função da direção do vento. Existem, contudo, moinhos que são rodados a partir da base, com a utilização de rodados. – Em linguagem náutica, diz-se da volta da amarra na abita que constitui a peça de madeira ou ferro, existente na proa dos navios, para fixar a amarra da âncora. Esta peça, apresenta-se geralmente de forma retilínea e liga ao “pé de roda” e termina na roda de proa. Nos barcos rabões, embarcações da família dos rabelos durienses, indica a sua extremidade superior. Nos valvoeiros, refere-se à parte superior da caverna.

Carreto – Roda colocada na parte superior do eixo central do moinho e ligado à entrosa.

Corredor – Mó de cima, com raio idêntico ao poiso, mas com altura inferior a esta.

Eixo – Mastro.

Entrosa – Rosa dentada existente no mastro do moinho, com os dentes na lateral engrenando noutra roda dentada.

Frechal – Calha onde assenta a cúpula móvel sobre a torre do moinho.

Forquilha – Vara comprida e com a ferragem em ponta em forma de “V”. – No meio náutico também se designa por forqueta e é constituído por duas hastes de madeira onde os pescadores arrumam o mastro, a verga e a palamenta enquanto pescam. A forquilha de retranca é uma cruzeta de madeira ou de ferro colocada na borda do navio, à popa, a meia-nau, para descanso da retranca.

Mastro – Eixo do moinho de vento. – Numa embarcação designa cada uma das peças altas constituídas por vergônteas de madeira que sustentam as velas.

Meia-ponta – Diz-se quando a vela tem cinco voltas em torno da vara.

Meia-vela – Diz-se quando a vela do moinho tem uma volta em redor da vara.

– Pedra cilíndrica em forma de anel que serve para moer o grão.

Moageiro – Aquele que produz moagem.

Moagem – Acto ou efeito de moer. Moedura

Moedura – Moagem.

Moega – Canoura. Tremonha.

Moenda – Mó. Acto ou efeito de moer. Maquia que o moleiro retribui em géneros. Moinho. Moenga.

Moenga – Moenda

Moer – acto ou efeito de transformar o grão em farinha – Em linguagem antiga de marinha, “a nau ir moendo” referia-se à evolução demasiado lenta de um navio.

Olho da mó – Parte vazia no centro da mó.

Pano – Diz-se quando a vela do moinho se encontra toda aberta. – Os marinheiros referem “navegar a todo o pano” quando se pretende que o navio obtenha a sua velocidade máxima, aludindo ao completo desfraldar das velas.

Pião – Eixo do moinho de vento. Mastro.

Picadeira – Ferramenta usada para picar a mó a fim de criar novos sulcos. Picão.

Picão – Picadeira.

Poiso – A mó que fica por debaixo, estática.

Ponta – Diz-se quando a vela tem quatro voltas em torno da vara.

Quelha – Calha.

Sarilho – Dispositivo para fazer rodar o capelo. Cabrestante. – Nos navios consiste na máquina onde se enrola o cabo ou cadeia do cabrestante.

Segurelha – Suporte metálico regulável que fixa o corredor ao eixo vertical. Peça onde entra o ferro que segura a mó inferior ou poiso para tornar uniforme o movimento da superior ou andadeira.

Taleiga – Saco pequeno para condução de farinha.

Tegão – Peça por onde o grão passa para moer.

Traquete – Diz-se quando a vela do moinho tem duas voltas em redor da vara. – Nos navios, é a maior vela do mastro da proa.

Tremonha – Canoura. Moega.

Varas – Hastes de madeira de auxílio à amarração. Vergas. – Nos navios, constituem peças longas de madeira colocadas horizontalmente sobre os mastros para nelas se prenderem as velas.

Vela – Pano forte e resistente que se prende aos braços dos moinhos para os fazer girar sob a ação do vento. – Nos navios e embarcações, é o pano que se prende aos mastros para as fazer navegar.

Vela fechada – Diz-se quando a vela tem seis voltas em torno da vara.

Vela latina – Vela de formato triangular geralmente utilizada nos moinhos e nos navios.

Velame – Conjunto das velas de um moinho ou de um navio.

Vergas – Varas de auxílio à amarração. – Na linguagem náutica, existe uma grande variedade de designações, as quais remetem para as velas que nelas envergavam. De sublinhar, aliás, a proveniência do verbo envergar.

Bibliografia: LEITÃO, Humberto; LOPES, J. Vicente. Dicionário da Linguagem de Marinha Antiga e Actual. Edições Culturais de Marinha. Lisboa. 1990.

Fonte: Carlos Gomes. Folclore de Portugal - O Portal do Folclore Português, http://www.folclore-online.com



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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013
O TRAJE DOS RANCHOS FOLCLÓRICOS NA ERA DO PRONTO-A-VESTIR

Até finais do século XIX, era ainda usual entre nós, no meio rural, ser a maior parte do vestuário produzida artesalmente no ambiente doméstico. O agricultor produzia o linho ou comprava na feira o pano. E, não faltavam em muitas aldeias os teares e as pessoas mais hábeis para os manusear, processar o linho ao longo de todo o ciclo que vai até ao produto acabado e bordar. Em “As Farpas”, o escritor Ramalho Ortigão elogiou como ningém a sensibilidade artística da bordadeira de Viana do Castelo.

A industrialização no nosso país faz-se sentir a partir de meados do século XIX que corresponde ao período chamado do “fontismo”, fazendo surgir alguns pólos industriais nalgumas regiões do país, correspondendo em certa medida às principais cidades que vieram a tornar-se capitais de distrito. Em Braga, por exemplo, estabeleceu-se então a industria chapeleira, daí irradiando para toda a região sob a sua influência, através do comércio, o célebre chapéu braguês que, com uma certa imaginação e fantasia, muitos ranchos folclóricos do Alto Minho foram alterando-lhe as formas. Esquecidos, no baú da memória, ficaram os velhos barretes de confeção caseira, naturalmente mais tosco e, por essa razão, indevidamente excluído da apresentação pública, por muitos grupos apenas reservada aos trajes mais vistosos, geralmente domingueiros.

O desenvolvimento tecnológico industrial e a produção em série deu origem ao comércio de “pronto-a-vestir”, formatando hábitos e ideias e submetendo a criatividade do indivíduo ao “criador da moda” contratado pela indústria têxtil. Paralelamente, o receio do desaparecimento de antigos costumes e modos de viver levaram ao aparecimento dos grupos folclóricos que se destinaram a preservar de uma forma algo museológica tais tradições, preservando dessa forma a memória da identidade e fazendo reviver as velhas usanças. Mas, também estes não ficaram imunes às influências do seu tempo, refletindo em cada época as respetivas mentalidades e hábitos de vida.

Com o advento do turismo associado ao folclore, tão intensamente explorado e nem sempre da malhor maneira durante o período do Estado Novo, surgiu um novo segmento de mercado constituído pelo comércio de artesanato e “fatos regionais”, com implantação sobretudo nos principais centros turísticos e de influência do folclore como sucede com Viana do Castelo. Trata-se de uma atividade que vão vive exclusivamente do turista que pretende um “souvenir” mas dos próprios grupos folclóricos que aí fazem as suas compras. Com a chegada do verão e, com ele, as férias dos nossos emigrantes, aumentam as encomendas de “fatos regionais” para vestir de uma assentada todos os componentes de um grupo a formar algures, no seio de uma qualquer associação portuguesa. Trata-se de uma prática que, no entanto, não é exclusiva dos nossos compratiotas que vivem no estrangeiro, porquanto é extensível a muitos grupos folclóricos sediados nas próprias regiões de origem que dizem representar.

Convém lembrar que, as lojas de artigos regionais que comercializam “fatos” para ranchos folclóricos fazem-no sobretudo com interesse comercial e sem qualquer preocupação ou responsabilidade de natureza etnográfica, vendendo aquilo que “os ranchos da região usam” e não propriamente aquilo que deveriam usar… ao contrário do que sucede com as farmácias, estes estabelecimentos comerciais não dispõem de um “diretor-técnico” especializado na matéria!

Entretanto, o desenvolvimento das novas tecnologias tem vindo a criar novas possibilidades de mercado com a alteração dos hábitos de consumo também no domínio do vestuário. E, se até há relativamente pouco tempo era frequente vermos todas as pessoas vestidas de igual forma segundo os padrões impostos pela moda, eis que surgem as tendências individuais da moda dando emprego aos novos designers, termo que actualmente se emprega para designar aquelas que outrora eram tratadas por “modistas” ou costureiras. Estes criam um novo design para uso exclusivo do cliente numa ocasião especial e de acordo com as suas próprias caraterísticas e personalidade. Daí, também as “novas tendências da moda” surgem nos grupos folclóricos onde determinados componentes introduzem novas cores e estilos ao traje, conferindo-lhe foros de autenticidade que, com o decorrer do tempo, conquistarão espaço nos figurinos e manequins das lojas de “fatos regionais” com a garantia de que são os fatos que “os ranchos da região usam”. E, assim, perpetuam um erro que acabará com o tempo por adquirir “certificação” de autenticidade.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/



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Terça-feira, 11 de Junho de 2013
LEIRIA E LISBOA RECEBEM FESTIVAL DE CINEMA ETNOGRÁFICO



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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013
ALVAIÁZERE: RANCHO FOLCLÓRICO DE PUSSOS DEBATE FOLCLORE E ETNOGRAFIA PERANTE AS EXIGÊNCIAS DA MODERNIDADE

pussos

O Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos leva a efeito o Colóquio “Folclore e Etnografia - Percurso e Exigências da Modernidade”.

Esta iniciativa pretende promover a reflexão sobre questões de maior relevância num mundo em constante mudança em que urge apelar à preservação da identidade das nossas gentes.



publicado por Carlos Gomes às 11:30
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012
INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR TEM ABERTAS INSCRIÇÕES PARA FREQUÊNCIA DO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM “PATRIMÓNIO CULTURAL E ESTUDOS ETNOGRÁFICOS APLICADOS”

Encontram-se abertas, até ao próximo dia 1 de Outubro, as candidaturas para a Pós-graduação em «Património Cultural e Estudos Etnográficos Aplicados», promovida pelo Instituto Politécnico de Tomar.

pos-graduacao-patrimonio-cultural

Esta pós-graduação é dirigida “a candidatos que visem aprofundar conhecimentos numa via profissional avançada e de aprendizagem ao longo da vida no domínio do Património Cultural e dos Estudos Etnográficos Aplicados e que desempenhem ou pretendam desempenhar funções nestes domínios de actividade.

A formação para o empreendedorismo, para o apoio à criação de empresas e para o estudo de viabilidade de actividades etnográficas e folclóricas dirige-se a quem pretenda desenvolver o seu próprio projecto ou trabalhar em projectos desenvolvidos em parceria e, naturalmente, em actividades realizadas no âmbito das atribuições das Associações de Património, dos Grupos Etnográficos e dos Grupos de Folclore.

As componentes científicas e técnicas são asseguradas por um corpo docente próprio e por especialistas de reconhecida experiência e competência profissional.”

Objetivos

As unidades curriculares são organizadas de forma a contribuírem para a formação de novos actores, como futuro capital humano qualificado para os desafios do sector da cultura e da cultura popular intervindo, nomeadamente, nas formas de:

- conceber e coordenar, estruturar e avaliar acções de intervenção, actuando no sistema cultural em geral e na perspectiva pública, empresarial privada e  público-privada, como agentes especializados e pós-graduados;

- saber-ser, saber-fazer e saber-estar, em domínios de inserção profissional em qualquer contexto real e no relacionamento individual ou em equipa exercidos em trabalho no âmbito do património cultural, etnografia e folclore;

- saber investigar e aplicar o conhecimento para desenvolver actividades de acordo com instrumentos, processos, experimentações e ensaios, maximizando a sua prestação profissional e ética e dirigidos à comunidade onde actua;

- saber intervir com o objectivo de:

  • contribuir para a sustentabilidade das artes e ofícios tradicionais;
  • agir para qualificar a defesa dos valores das culturas locais e as representações de natureza etnográfica;
  • cooperar com as organizações que operam no campo do folclore, do turismo, da cultura e do património;
  • actuar com sentido de responsabilidade, deontologia e ética;
  • integrar-se no sector, cultivando-se e actualizando conhecimentos e procedimentos, numa visão de formação contínua e ao longo da vida;

Fonte: http://portal.ipt.pt/portal/portal/posgradPCEEA/objetivos



publicado por Carlos Gomes às 20:14
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
EM 1956, MENDES CORREIA, DEPUTADO À ASSEMBLEIA NACIONAL, EXALTOU AS QUALIDADES DO NOSSO FOLCLORE

Na sessão de 29 de junho de 1956 da VI Legislatura da Assembleia Nacional, o deputado Mendes Correia falou sobre o Congresso de Etnografia e Folclore que se realizou em Braga naquele ano, exaltando as suas virtualidades e qualidades artísticas. A sessão foi presidida por Albino dos Reis Júnior e secretariada por José Paulo Rodrigues e Alberto Pacheco Jorge.

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António Augusto Esteves Mendes Correia de seu nome completo era natural do Porto. Doutorado em Medicina, exerceu a profissão de Professor Catedrático na Universidade do Porto. Foi Procurador à Câmara Corporativa na I e II Legislaturas e Presidente da Câmara Municipal do Porto entre 1936 e 1942. Porém, o conhecimento dos costumes do Homem sempre exerceu em si uma especial atração. Em 1912, introduz o estudo da Antropologia, em 1919 torna-se Professor ordinário de Geografia e Etnologia da efémera Faculdade de Letras da Universidade do Porto; em 1921 é nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto da qual viria a ser Diretor; em 1923 é Diretor do Instituto de Investigação Científica de Antropologia da Universidade do Porto; Diretor da Escola Superior Colonial em 1946 e Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa em 1951. Foi por três vezes eleito deputado à Assembleia Nacional pelo círculo do Porto tendo integrado a Comissão de Educação Nacional, Cultura Popular e Interesses Espirituais e Morais.

Transcreve-se a sua intervenção, respeitando-se a grafia da época.

O Sr. Mendes Correia: - Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo naquela província.

Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do cientifico- de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos finais ali adoptados.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do Pais.

Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas tendências e as suas capacidades.

Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas adequadas, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo antigo, por colecionadores a esmo, por simples amadores sem preparação, por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário, maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou quase, de espirito científico. Há ainda quem suponha que etnografia e folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida popular.

Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações. Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história, a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia, etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.

E a todos foi grato verificar que, a par das contribuições mais singelas sobre um ou outro facto local ou regional, surgiram naquela assembleia teses de conjunto ou de carácter genérico e doutrinário, como as de metafísica, do folclore e da ética dos provérbios populares, tratados pelos reverendos Drs. Bacelar e Oliveira e Craveiro da Silva, da Faculdade Pontifícia de Filosofia, de Braga.

Não faltaram outros elementos universitários e académicos, participantes do Brasil, Espanha e México, os temas mais variados. Mas desejo aqui congratular-me, sobretudo, com o apoio e interesse manifestados ao Congresso, não só por corpos administrativos, como as Camarás Municipais de Braga -a autora da iniciativa e sua grande realizadora-, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto, e algumas juntas de província, mas também por organizações como o Secretariado Nacional da Informação e Cultura Popular, a Mocidade Portuguesa, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, etc.

O Governo da Nação, o Governo de Salazar, dispensou ao Congresso o apoio mais expressivo, sendo notáveis os discursos proferidos no mesmo pelos ilustres Ministro das Corporações e Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Verificou-se, assim, este facto altamente consolador: é que de sectores os mais variados da vida nacional, de todos os planos hierárquicos, dos domínios directamente ligados ao assunto como de outros, do Governo ao próprio povo - como o de Braga e como o que participou nos festivais folclóricos então realizados-, houve geral concordância no reconhecimento do vasto e profundo significado da bela iniciativa da Câmara de Braga, e especialmente do seu extraordinário presidente.

Como ó oportuna e confortante tal verificação, precisamente quando nesta Assembleia se está discutindo o Plano de Formação Social e Corporativa, marcando-se o desejo de, abrindo os braços a todos os progressos reais e fecundos, conservar as melhores e mais sãs tradições nacionais!

O Congresso emitiu numerosos votos, como em matéria de ensino, investigação, propaganda, museus, protecção, etc., de assuntos etnográficos e folclóricos. Sublinharei apenas, neste instante, os que dizem respeito às actividades ultramarinas nesse domínio e à recusa ao fado do título, tão correntemente usado, de canção nacional por excelência.

O estudo da etnografia e folclore das populações ultramarinas mereceu ao Congresso uma atenção especial, salientando-se a necessidade dessa matéria nos centros de estudos sociais e políticos e nos novos institutos de investigação científica de Luanda e Lourenço Marques, entre as ciências humanas ou sociais.

Quanto ao fado, proclamou-se o inconveniente nacional e folclórico da sua difusão excessiva, quer pela sua proveniência, quer pelo pessimismo e desanimo que traduz, em contradição com as fontes e as manifestações mais autênticas e construtivas da inspiração popular. O fado lembra as guitarras plangentes de Alcácer, não um brado de vitória ou de fé.

Não pretendo negar a beleza de alguns fados, das toadas mais melancólicas, de versos profundamente tristes. Mas não se chame canção nacional por excelência a uma canção folclòricamente tão discutível e tão distinta, em tudo, das belas, joviais e empolgantes canções de que é felizmente tão rico. O autêntico folclore nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Vi um dia, num festival folclórico, no Porto, centenas de visitantes estrangeiros, como um só homem, perante uma exibição de ranchos de Viana, erguerem-se a aplaudir e a gritar: «Viva Portugal»! Em vez do fado depressivo, como não hão-de ser estimulantes e gratas para nós, Portugueses, essas manifestações da nossa música popular que tom assim o dom de arrebatar os próprios estrangeiros?

Sem recusar a possibilidade de introdução e adopção de factos novos, ou seja do processo chamado de aculturação pelos etnógrafos e sociólogos, o Congresso pronunciou-se pela definição do facto etnográfico e folclórico como caracterizado por serem tradicionais e de origem espontânea e anónima na alma popular.

A aculturação só pode dar-se quando esta alma lhe é favorável, quando nesta encontra eco, aceitação, concordância psicológica. Nos nossos territórios ultramarinos é do maior interesse o estudo da aculturação das populações nativas sob a influência da cultura que tenho chamado luso-cristã.

Por estas singelas considerações creio ter dado uma ideia da importância nacional e científica do Congresso de Braga. Mas o que sobretudo desejei sublinhar, usando da palavra, foi a gratíssima impressão que congressistas nacionais e estrangeiros trouxeram do convívio, da hospitalidade, da afabilidade, da cortesia, do trato, da doçura, do irradiante poder de simpatia, da boa gente de Braga e do Minho, daquele admirável povo em que se conservam e florescem tantas virtudes tradicionais de suavidade de alma, de bondade, de apego ao lar, de dedicação pelo trabalho, de amor pelo seu berço e de fidelidade aos altos valores espirituais que garantem a perenidade da Pátria e da civilização.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Posso depor com firmeza que na multidão que em avalancha jovial festejava o S. João, na noite de 23, em Braga, não vi senão atitudes simpáticas e dignas. Quem dava involuntariamente um encontrão pedia desculpa.

Ausência de palavrões, de qualquer grosseria, de brutalidade. Bom povo, admirável povo, que a dissolução tendenciosa de outros meios ainda não inquinou nem perverteu.

Tenho a certeza de que a acção de organizações como as que citei manterá indemnes a sua alma e as suas tradições sãs contra a vaga cosmopolita ou exótica de materialismo pretensamente científico e humano que ameaça subverter o que há de melhor e mais luminoso no património moral da nossa civilização. Bom povo de Portugal, porque creio em ti e nos valores espirituais que te animam, creio na eternidade da Pátria.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.



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Segunda-feira, 9 de Julho de 2012
RANCHO FOLCLÓRICO LÍRIOS DO NABÃO ANIMA FESTAS DA ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA DE FORMIGAIS

As festas da Associação Desportiva de Formigais, terminaram hoje de madrugada com baile ao ritmo do conjunto Manuel Bráz. Ontem, ao final da tarde, a animação esteve a cargo do Rancho Folclórico Lírios do Nabão, de S. Jorge, Freixianda, apresentando uma mostra bem viva e colorida das danças, cantares, usos e costumes das gentes da nossa terra nos começos do século XX.

 

As suas danças, alegres e joviais, denotam as influências próprias de uma região de transição entre a Beira Litoral, a Alta Estremadura e o Ribatejo, onde não faltam sequer as “saias” bem caraterísticas do Alto Alentejo. Uma alusão especial na sua atuação é feita ao trabalho do resineiro evocando as origens e referências etnográficas do Rancho Folclórico Lírios do Nabão.

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Para além da sua importância como fator de identidade do povo e preservação das suas raízes culturais, a defesa do folclore constitui um elemento integrador a facilitar o convívio intergeracional e de sensibilização dos mais jovens para a o contato com a etnografia, a música e a dança.

Por outro lado, à semelhança do que se verifica noutras regiões do país, o folclore pode constituir um meio de projeção nacional e internacional do Concelho de Ourém através da realização de permutas com outros agrupamentos folclóricos, a realização de festivais, desfiles etnográficos e outros eventos associados mormente à gastronomia, artesanato tradicional e outros componentes da nossa cultura popular. Porém, a afirmação do associativismo folclórico passa inevitavelmente pela conjugação de esforços entre todos os grupos existentes no Concelho de Ourém e a sensibilização das autarquias locais para a sua importância.

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publicado por Carlos Gomes às 10:20
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012
ETNOGRAFIA E ARTES GRÁFICAS

Não existe praticamente festa ou romaria, feira tradicional ou festival folclórico que não tenha o seu próprio cartaz a anunciar o evento e a divulgar o respectivo programa. Desde os mais simples aos melhores elaborados do ponto de vista gráfico, todos revelam uma preocupação de natureza publicitária que consiste em dar a conhecer a iniciativa e garantir o seu êxito em termos de participação do público. Alguns, porém, acrescentam também a inclusão de uma elevada quantidade de anúncios como forma de garantir os patrocínios que vão suportar as despesas da realização da festa.

Para além do cartaz propriamente dito, existem organizações que produzem outros suportes publicitários em papel como folhetos e pequenos opúsculos contendo o programa dos festejos. Toda esta divulgação deve ser ponderada do ponto estético como financeiro a fim de que possam corresponder da melhor forma aos objectivos pretendidos.

Antes de mais, deve atender-se a que o cartaz, destinado a ser afixado em locais públicos, para além de constituir um meio de publicidade visual, possui um valor estético e artístico, adquirindo por essa via também interesse histórico. Ele traduz formas de representação que têm a ver com as formas artísticas de cada época, traduzindo a visão do artista acerca do objecto publicitário e da própria comunicação ao exprimir ideias e sensações através da representação gráfica. Como exemplo, inúmeros cartazes produzidos em meados do século XX alusivos ao turismo ou a determinadas festas e romarias que contavam com um especial patrocínio do Estado Novo, revelam uma notória preferência pelas formas geométricas que caracterizaram o modernismo.

Nos casos em que o excesso de publicidade e a falta de bom gosto prejudicam a concepção gráfica da publicidade, é o próprio evento que sai desfavorecido ao ser transmitida uma imagem de uma iniciativa que em nada o valoriza. Em tais situações, para além de prejudicial, a divulgação que é feita apenas se traduz em encargos financeiros que a organização tem de suportar e que nem sempre são compensados com os patrocínios. Por outro lado, a sua afixação indiscriminada apenas resulta em poluição visual a contribuir para a degradação da localidade onde tal forma de divulgação ocorre.

Em regra, a produção gráfica é feita por meios litográficos ou seja, através de offset. Este meio de impressão possui custos fixos com fotocomposição, revelação de películas, montagem e transporte para a chapa e os respectivos materiais pelo que os seus custos apenas diminuem na medida em que as tiragens são mais elevadas. A isto acresce o facto da generalidade do material publicitário ser feito a cores, o que implica a selecção de cores – ciao, amarelo, magenta e preto – e a sua impressão em quadricomia, o que aumenta consideravelmente os seus custos globais. Não considerando eventuais casos de inclusão das designadas “cores directas” ou “suplementares” que mais não fazem do que onerar os seus custos. Por conseguinte, este meio de produção gráfica apenas é vantajoso para grandes tiragens, o que em muitos casos representa um desperdício e um gasto desnecessário.

Como alternativa, a impressão digital possui maior interesse para a produção de tiragens reduzidas, como convém a pequenas localidades onde a impressão de uma ou duas centenas de cartazes se revela suficiente. Neste caso, os custos são constantes e, não existindo custos fixos à priori, apenas entram em desvantagem em relação à impressão em offset a partir dos trezentos exemplares aproximadamente. Trata-se, como é evidente, de um processo de produção que mais convém a organizações que não necessitam de recorrer à utilização de grandes quantidades de publicidade em suporte de papel, tanto mais que é cada vez mais recorrente a utilização da Internet para o efeito

Outro dos aspectos que nem sempre é tido em consideração reside no tipo de papel que é escolhido para o meio de divulgação pretendido, tanto no que respeita às suas características como à própria gramagem. É frequente depararmos com os mais variados géneros, alguns dos quais claramente não favorecem a divulgação que é feita enquanto, noutros casos, traduzem-se em esbanjamento e gastos desnecessários em material mais dispendioso. Procurando um ponto de equilíbrio entre critérios de qualidade e economia, o tipo de papel geralmente mais adequado na produção de cartazes para divulgação de festivais de folclore ou de romarias é o couché brilhante, com 115grs/m2, podendo eventualmente ser substituído pelo couché mate, aconselhando-se neste caso a aplicação de verniz de máquina que, para além do realce, contribui para a fixação das cores.

No que respeita às dimensões do cartaz, ele não deve ser definido de uma forma aleatória sob pena de perder a sua utilidade ou constituir uma maneira de esbanjar verbas que seguramente fazem falta à organização. Assim, importa antes de mais ter presente os locais públicos onde os cartazes vão ser afixados, existindo espaços que não se coadunam com cartazes de grandes dimensões. Por outro lado, deve ter-se em consideração as medidas padronizadas do papel uma vez que estas respeitam as dimensões das máquinas de impressão concebidas pelos fabricantes. Qualquer pequena diferença nos formatos pretendidos pode representar a duplicação dos custos em consequência do desperdício de matérias-primas.

A produção em separado de programas sob um formato de caderno possui como vantagens, além da inclusão da publicidade dos patrocinadores, a divulgação de conteúdos de natureza cultural relacionados com a localidade ou o evento, possibilitando que os mesmos sejam guardados como outra publicação de interesse.

Em regra, as organizações tendem a adoptar um modelo gráfico ou seja, um determinado estilo que as identifica nomeadamente pelas cores empregues, o tipo de letra e eventuais logótipos ou dísticos emblemáticos. O grafismo usado na divulgação em suporte de papel deve ser tanto quanto possível semelhante ao que é utilizado através da Internet, traduzindo-se em uniformidade e economia de meios e gastos.

Por fim, as organizações de eventos culturais que de alguma forma se identificam com a preservação do património cultural ou dos valores de uma determinada região, jamais devem contribuir para uma imagem de degradação da terra e de si mesmos, transformando-se em elementos repulsivos e indesejáveis a essa mesma causa que alegadamente dizem defender.

Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/



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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
ASSOCIAÇÃO DE FOLCLORE DA ALTA ESTREMADURA ORGANIZA DESFILE ETNOGRÁFICO EM LEIRIA



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Sábado, 14 de Abril de 2012
MÁSCARAS TRADICIONAIS DESFILAM EM LISBOA



publicado por Carlos Gomes às 12:01
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Quinta-feira, 1 de Março de 2012
EXPOSIÇÃO "AI ALECRIM!" TERMINA NO PRÓXIMO FIM-DE-SEMANA

Exposição Multidisciplinar “Ai Alecrim”

Até 04 de março

Uma abordagem científica, artística e histórico-cultural de uma planta muito comum no concelho de Ourém.

Nesta exposição, o visitante poderá ver destilar os óleos essências do alecrim e o corte transversal de uma folha, aprender sobre os benefícios e utilidades em termos de saúde e culinária e conhecer as lendas e crenças populares desta planta.

 

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