Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Domingo, 11 de Setembro de 2016
A INQUISIÇÃO EM OURÉM

A Âncora Editora acaba de publicar o livro “A Inquisição em Ourém”, da autoria do Dr. Jorge Martins, conceituado historiador, autor nomeadamente de obras de ficção e ensaio sobre história contemporânea, história local e estudos judaicos e inquisitoriais. O livro também traz a chancela da Câmara Municipal de Ourém.

capa_inquisicaoourem_730499666 (1).jpg

A obra teve hoje apresentação pública na Pousada Conde de Ourém em cerimónia que contou com a intervenção da Senhora Embaixadora de Israel em Portugal, Tzipora Rimon, e do Presidente da Direcção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt.

A apresentação feita no site da editora descreve o seguinte: “A Inquisição actuou em todo o território continental e Ourém não escapou à sua acção, que viu os seus habitantes – cristãos-novos e cristãos-velhos – serem perseguidos, condenado e até executados. O presente estudo permitiu-nos concluir que a maioria dos quarenta e um processos inquisitoriais sobre naturais e moradores da antiga vila de Ourém e seu Termo se referem a cristãos-novos acusados de judaísmo. A partir da análise destes processos, ficámos a conhecer os nomes de todas as vítimas, as profissões da maioria, a data da sua prisão, a idade, a naturalidade, a morada, a filiação, os cônjuges, as acusações e as sentenças. Trata-se de um primeiro contributo para a caracterização dos cristãos-novos de Ourém”

Colocando de parte a forma despudorada com que é afirmado que se trata de “um primeiro contributo para a caracterização dos cristãos-novos de Ourém”, interrogamo-nos até que ponto existe alguma relação do seu conteúdo com alguns artigos publicados em 2012 – já lá vão 4 anos! – no blogue AUREN, nomeadamente este que a seguir se republica, podendo ser acedido pelo link http://auren.blogs.sapo.pt/1005936.html

TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO JULGOU QUARENTA E SEIS OUREENSES ACUSADOS DE JUDAÍSMO, FEITIÇARIA, BIGAMIA E SODOMIA

A Inquisição foi estabelecida em Portugal, em 23 de Maio de 1536, a pedido do rei D. João III, em princípio destinada a combater a heresia no seio da Igreja Católica. Pelos tribunais do Santo Ofício passaram muitos oureenses, acusados dos mais diversos crimes, entre os quais a prática de judaísmo, mas também feitiçaria, bigamia e sodomia. Entre os acusados contam-se alguns de idade bastante jovem como é o caso de um réu, com apenas treze anos, acusado de judaísmo. E também membros do próprio Clero.

Estes processos encontram-se à guarda da Direcção-Geral de Arquivos e trata-se de uma matéria que nos ajuda a compreender, entre outros aspetos, a importância da comunidade judaica em Ourém, a problemática das divisões então existentes entre cristãos-novos e cristãos-velhos, os fenómenos migratórios que aqui se registaram e, sobretudo, o papel desempenhado pelo Santo Ofício. Trata-se, pois, de conhecer a História e o papel desempenhado pelas instituições no respetivo contexto e a mentalidade social da época, sem procurar fazer qualquer espécie de julgamento.

Lembramos que a comunidade judaica teve sempre uma assinalável presença em Ourém da qual ainda se guardam numerosos vestígios, entre os quais a entrada da Sinagoga. De resto, foi nela e no médico oureense Braz Luiz de Abreu que o escritor Camilo Castelo Branco se inspirou quando escreveu o seu romance “O Olho de Vidro”.

À exceção de dois processos que decorreram na Inquisição de Évora, todos os demais tiveram lugar no Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa.

 

Nome

Isabel Antunes

Data do Processo

22/3/1630

Conteúdo da acusação

Acusação -fuga ao Santo Oficio

Naturalidade –Ourém

Morada –Lisboa

Idade -60 anos

Filiação -José Antunes e Catarina Martins

Estado Civil -casado com Paulo de Serpa

 

Nome

Maria Jorge

Data do Processo

24/5/1633-21/5/1635

Conteúdo da acusação

Maria Jorge ou Maria Vieira, é natural e moradora na Ribeira do Olival, termo de Ourém, acusada de bigamia, tem mais de 50 anos de idade, filha de Domingos Fernandes e de Maria Vieira, casou primeira vez com Dionísio Malho, tendo casado segunda vez com António João. Foi sentenciada em Auto de Fé, no dia 20 de Maio de 1635.

 

Nome

Francisca Lopes

Data do Processo

24/11/1562-29/07/1563

Conteúdo da acusação

Acusada de feitiçaria, mourisca forra que foi de João Lopes, cónego de Ourém, é natural de Cafim e moradora em Lisboa, é casada com Diogo Dias. Não contém sentença, tendo sido solta a 29 de Julho de 1563.

 

Nome

Beatriz Álvares

Data do Processo

8/6/1558 - 15/6/1558

Conteúdo da acusação

Cristã-nova, acusada de Judaísmo, natural de Lisboa e moradora em Ourém, de 16 anos de idade, filha de Pêro Álvares e de Filipa Fernandes, solteira e sentenciada em Auto no dia 15 de Maio de 1558

 

Nome

Frei Manuel de Aveiro (Padre)

Data do Processo

24/6/1767 - 8/7/1787

Conteúdo da acusação

Denúncia. Acusado de proposições heréticas, religioso da Ordem de Santo António em Ourém

  

Nome

António Correa Girão

Data do Processo

14/4/1634-5/5/1648

Conteúdo da acusação

Acusação –Judaísmo

Profissão -vive de sua fazenda

Naturalidade -Torres Novas

Morada - Torres Novas

Idade -30 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Jerónimo Correa Girão, natural Ourém e Maria de Sousa que antes se chamava Maria Duarte, natural da Castanheira

Estado Civil –solteiro

Observação - Preso em 18 de Março de 1635 com cama e mais fato necessário uso e a seu confisco de dinheiro para seus alimento e despesas do Santo Oficio

Avós Paternos - Diogo Afonso Correa e Catarina ou Isabel Girão

Devido ao facto do réu mostrar nas sessões que não tem o juízo perfeito e que é confirmado pelo termo de capacidade do médico que não pode ser curado nos cárceres nem no hospital del Rei de Lisboa e também pelas diligências sobre a sua limpeza de sangue, estar muito duvidosa a Mesa em 9 de Maio de 1638 decide entregá-lo a algum parente seu sobre fiança de 500 cruzados para que o cure, e tornando a seu juízo perfeito será trazido aos cárceres e se correrá com seu processo até final conclusão, ordenando-se ao parente para entregar de 4 em 4 meses na Mesa certidão do estado do réu
Em 5 de Maio de Maio de 1648 ainda continuam a diligências para se confirmar se o réu é cristão ou como ele diz ser cristão velho

 

Nome

Francisco Correa da Silva

Data do Processo

10/9/1703-21/9/1706

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Profissão -caixeiro de Diogo Soares

Naturalidade - Vila de Ourém, Bispado de Leiria

Morada - Abrantes, Bispado da Guarda

Idade -28 anos

Filiação com a naturalidade dos pais - Pedro da Silva Correa, natural de Alter do Chão e Joana Frois, natural da Vila de Ourém

Estado Civil –solteiro

Sentença - Abjure seus heréticos erros em forma, terá cárcere a arbítrio dos inquisidores, será instruído nos mistérios da fé necessários para salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que excomunhão maior em que incorreu seja absoluto in forma ecclesia

Data da sentença -12 de Setembro de 1706, lida em Auto

Nome

Martim Pinto

Data do Processo

15/2/1638-17/9/1638

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade - Vila de Ourém

Morada –Lisboa

Idade -21 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Pedro Fernandes de Oliveira e Isabel Pinta, naturais de Loulé

Estado Civil –solteiro

Sentença - Abjure publicamente seus heréticos erros em forma e em pena e penitência deles lhe assinam cárcere e hábito penitencial perpétuo onde será bem instruído nas coisas da fé necessárias para salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que da dita excomunhão maior em que incorreu seja absoluta informa ecclesia

Data da sentença - 5 de Setembro de 1638, lida em Auto

Observação - Preso 23 de Maio de 1638

Avó Paterno - Pedro Fernandes de Oliveira

 

Nome

Maria Vaz

Data do Processo

7/4/1641-11/8/1642

Conteúdo da acusação

Acusada de bruxaria e feitiçaria, é natural de Peniche e moradora em Ourém, tem 23 anos de idade e por ser menor de 25 foi-lhe nomeado Curador Agostinho de Góis, alcaide dos cárceres, filha de Sebastião Gomes, homem do mar, e de Mécia Gomes, moradores em Peniche, que os seus avós paternos se chamavam Antão Guisado e Maria Tomás, e os maternos, António Vaz e Mécia Gomes, é solteira, foi presa a 29 de Junho de 1641, faleceu nos cárceres a 20 de Novembro de 1641. Não contém sentença.

 

Nome

Bernardo Lopes Pereira

Data do Processo

4/1/1727-7/8/1728

Conteúdo da acusação

Acusado de Judaísmo, é médico, natural de Mogadouro e morador em Ourém, tem 45 anos de idade, filho de Domingos Pereira, cristão-novo, sem ofício, natural de Bragança, e de Clara Lopes, cristã-nova, natural de Mogadouro, onde foram moradores, é casada com Teresa Maria, cristã-nova, contém inventário de bens, foi preso a 21 de Outubro de 1726, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, realizado na igreja do Convento de São Domingos, em Lisboa, no dia 25 de Julho de 1728, com as penas de ir ao Auto de Fé na forma costumada, onde abjure em forma os seus erros heréticos, tenha cárcere e hábito penitencial perpétuo, sem remissão, tenha penas e penitências espirituais, instrução na Fé e da excomunhão de que incorre seja absolvido. A 26 de Agosto de 1728 recebeu termo de licença para se ausentar para Ourém.

  

Nome

Joana de Sousa

Data do Processo

15/4/1562-8/1/1564

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade -Vila de Ourém

Morada –Lisboa

Idade - 60 anos

Estado Civil -viúva de Mestre Jorge Lião

Sentença - Abjure publicamente seus heréticos erros em forma e em pena e penitência deles lhe assinam cárcere e hábito penitencial perpétuo, no qual cárcere será bem instruída nas coisas da fé necessárias para a salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que seja absoluta in forma ecclesia da excomunhão maior em que incorreu

Data da sentença - 16 de Maio de 1563, lida em Auto

Observação - Presa em 20 de Abril de 1562

Entregou uma petição para lhe ser perdoado o cárcere e o hábito penitencial, alegando estar bem doutrinada nas coisas da fé e ser pobre, o que teve um despacho favorável em 8 de Janeiro de 1564, sendo-lhe comutada a pena mas mantendo as penas e penitências espirituais que lhe foram impostas

 

Nome

Gracia Rodrigues

Data do Processo

21/7/1612

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade -Vila de Tomar

Morada -Oseixe, termo da Vila de Ourém

Idade -80 anos

Filiação-Gaspar Roiz i Isabel Roiz

Estado Civil -casada com Miguel Roiz

Data da sentença -11 de Março de 1640, lida em Auto

Data do óbito - 26 de Novembro de1613

 

Nome

Gançalo Picanço

Data do Processo

29/7/1631

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade –Leiria

Morada -Quinta de Nossa Senhora da Olalha termo da Vila de Ourém

Idade -24 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Mateus Lopes Ferreira, natural da Quinta da Olalha e Simoa de Oliveira, natural de Leiria

Estado Civil –solteiro

Data da sentença -25 de Março de 1636, lida em Auto

 

Nome

Onofre Rodrigues

Data do Processo

16/8/1636-18/10/1747

Conteúdo da acusação

Cristão-novo, acusado de Judaísmo, é criado de servir, natural de Avis e morador em Ourém, tem 13 anos de idade, filho de Manuel Rodrigues, natural de Avis, e de Catarina Gonçalves, natural das Gáveas, é solteiro, contém inventário de bens, tendo sido sentenciado em Mesa, no dia 14 de Outubro de 1747.

Nome

Jorge Dias Ribeiro

Data do Processo

20/11/1645-16/12/1647

Conteúdo da acusação

Acusado de bigamia, é trabalhador, natural de Outeiro de Seiça, termo de Ourém, e morador na Torre, termo de Alenquer, tem 56 anos de idade, filho de Pedro Anes, natural de Outeiro de Seiça, e de Maria Dias, natural do Furadouro, termo de Tomar, casou primeira vez com Mécia Jorge, tendo casado segunda vez com Maria Fialha, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, no dia 15 de Dezembro de 1647.

 

Nome

Joaquina

Data do Processo

21/01/1786 - 27/01/1786

Conteúdo da acusação

Crime/Acusação: fingimento de visões, proposições heréticas

Morada: Peras Ruivas, freguesia de Ourém

Estado civil: viúva

Cônjuge: António Vieira

 

Nome

Manuel António Aranha

Data do Processo

12/12/1761 - 27/09/1768

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Francisco Alvares Bandeira

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 34 anos

Crime/Acusação: fingir-se passar por oficial do santo ofício, perturbar o recto ministério do santo ofício

Cargos, funções, actividades: lavrador e depois tratante

Naturalidade: Cabeça de Pederneira, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: Silves, Algarve

Pai: Manuel Gomes, trabalhador

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 04/01/1762

Sentença: auto-de-fé de 27/10/1765, ser açoutado publicamente, condenado por cinco anos a trabalhar sem soldo nas obras públicas da cidade, penitências espirituais, pagamento de custas.

O réu não têm domicilio certo.

 

Nome

Filipa Nunes

Data do Processo

15/08/1556 - 15/04/1561

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 70 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Viseu

Morada: Ourém

Pai: António Nunes

Mãe: Isabel Rodrigues

Estado civil: casada

Cônjuge: Jorge Veloso

Data da prisão: 15/08/1556

Sentença: auto-de-fé de 24/09/1559. Ser agravado o cárcere perpétuo e hábito penitencial, cárcere a arbítrio.

  

Nome

Simão Ribeiro

Data do Processo

15/03/1624 - 13/02/1625

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: António Pereira

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 17 anos

Crime/Acusação: bruxaria e feitiçaria

Cargos, funções, actividades: curandeiro

Naturalidade: Alqueidão, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: termo de Castelo Branco, bispado da Guarda

Pai: Francisco Jorge, cristão-velho, carpinteiro

Mãe: Maria Ribeiro, cristã-velha

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 15/03/1624

Sentença: auto-de-fé de 05/05/1624. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, degredo para o Brasil, por quatro anos.

Por despacho de 13/02/1625, foi-lhe tirado o hábito penitencial e levantada a pena de degredo.

 

Nome

Maria Caetana da Silva

Data do Processo

27/05/1705 - 11/09/1705

Conteúdo da acusação

Estatuto social: 1/2 cristã-nova

Idade: 22 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Ourém

Morada: Lisboa

Pai: Pedro da Silva, mercador

Mãe: Joana Fróis

Estado civil: Solteira

Data da prisão: 28/05/1705

Sentença: auto-de-fé de 06/09/1705. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio, penitências espirituais

 

Nome

Pedro Álvares

Data do Processo

01/07/1556 - 15/05/1558

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: mercador

Naturalidade: Torres Novas

Morada: Ourém

Pai: Simão Álvares, cristão-novo

Mãe: Margarida Álvares, cristã-nova

Estado civil: casado

Cônjuge: Filipa Fernandes

Sentença: auto-de-fé de 15/05/1558. Confisco de bens, excomunhão maior, relaxado à justiça secular.

  

Nome

Garcia Barbosa

Data do Processo

28/08/1600 - 02/01/1604

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 21 ou 22 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: sirgueiro

Naturalidade: Ourém

Morada: Tomar

Pai: Bartolomeu Barbosa, sirgueiro

Mãe: Isabel Lopes

Estado civil: casado

Cônjuge: Páscoa Ferreira, cristã-nova

Data da prisão: 28/08/1600

Sentença: auto-de-fé de 03/08/1603. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, penitências espirituais, instrução na fé católica.

 

Nome

Catarina Lopes

Data do Processo

06/11/1760 - 26/11/1761

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-velha

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: proposições heréticas

Naturalidade: Cabeça da Pederneira, termo da vila de Ourém

Morada: lugar de Chãs, freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Fátima, bispado de Leiria

Pai: Manuel Domingues, lavrador, natural de Cabeça da Pederneira

Mãe: Maria Jorge, natural de Ramila, termo de Ourém

Estado civil: viúva

Cônjuge: António Lopes, trabalhador

Data da prisão: 19/11/1760

Sentença: auto-de-fé de 20/09/1761. Degredo, por cinco anos, para fora do bispado de Leiria, penitências espirituais, pagamento de custas.

 

Nome

Bartolomeu Barbosa

Data do Processo

6/3/1611 - 8/8/1612

Conteúdo da acusação

Meio cristão-novo, acusado de Judaísmo, sirgueiro, natural de Leiria e morador em Ourém, de 60 anos de idade, filho de Vicente Girão, natural de Ourém e de Gracia Ferreira, casado com Ágeda Antunes e sentenciado na Mesa no dia 8 de Agosto de 1612.

 

Nome

Luís Lopes de Oliveira (Padre)

Data do Processo

20/9/1741-24/10/1743

Conteúdo da acusação

Acusado de solicitação, sacerdote do hábito de S. Pedro e confessor, natural e morador em Setúbal de 63 anos de idade, filho de Bento Lopes, natural de Ourém e de Maria de Oliveira, natural de Palmela e sentenciado na Mesa no dia 20 de Novembro de 1742.

Acusação –Solicitação

Profissão -Sacerdote do hábito de S. Pedro e confessor

Naturalidade –Setúbal

Morada –Setúbal

Idade -63 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Bento Lopes, natural da vila de Ourém e Maria de oliveira, natural da vila de Palmela

Estado Civil –

Sentença - Faça abjuração de leve suspeito na fé e por tal o declaram e o privam para sempre de poder confessar e o suspendem do exercício das suas ordens por tempo de 8 anos e pelos mesmos o degradam para fora deste Patriarcado e não entrará mais na vila de Setúbal, será instruído nos mistérios da fé necessários para a salvação de sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e pague as custas.
Data da sentença -20 de Novembro de 1742, lida na Mesa
Observação - Preso a 27 de Setembro de 1741 e com cama e mais fato necessário a seu uso e confisco de dinheiro para seus alimento e despesas do Santo Oficio

Nome

Diogo Nabo Pessanha

Data do Processo

23/05/1657 - 05/12/1657

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 22 anos

Crime/Acusação: sodomia

Naturalidade: Lisboa

Morada: Ourém

Pai: Manuel Gomes Cardoso, licenciado, advogado

Mãe: D. Maria de Alcáçova

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 23/05/1657

Sentença: auto-de-fé de 19/11/1657. Degredo por cinco anos para Angola, penitências espirituais, confisco de bens.

 

 

 

  

Nome

José Luís de Azevedo

Data do Processo

11/06/1740-10/11/1742

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: José Vaz Paixão

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 36 anos

Crime/Acusação: fautoria em judaísmo, revogar de acusações feitas no primeiro processo

Cargos, funções, actividades: criado de servir, feitor de Francisco Rouxinol

Naturalidade: Avis, arcebispado de Évora

Morada: Moçomedia, termo de Ourém

Pai: Manuel Vaz, almocreve

Mãe: Maria Dias

Estado civil: casado

Cônjuge: Maria da Conceição

Data da prisão: 10/11/1741

Sentença: auto-de-fé de 04/11/1742. Cárcere e hábito penitencial perpétuo sem remissão, ser açoitado publicamente, penitências espirituais, degredo por oito anos para Cabo Verde, pagamento de custas.

O réu era assistente em Coimbra.

  

Nome

Miguel Rodrigues

Data do Processo

27/07/1611 - 12/05/1614

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Miguel Rodrigues de Castro

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 80 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: vivia de sua fazenda

Naturalidade: Tancos

Morada: Seiça, termo de Ourém

Pai: Fernão Rodrigues, cristão-novo

Mãe: Susana de Castro

Estado civil: casado

Cônjuge: Grácia Rodrigues, cristã-nova

Data da prisão: 27/07/1611

Sentença: auto-de-fé de 16/02/1614. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito perpétuo, penitências espirituais.

 

Nome

José de Oliveira de Miranda

Data do Processo

29/12/1670 - 14/05/1671

Conteúdo da acusação

Idade: 35 anos

Crime/Acusação: bigamia

Naturalidade: Lisboa

Morada: Rua de São Boaventura, Bairro Aito, Lisboa

Pai: João de Oliveira de Miranda, ouvidor

Estado civil: casado

Cônjuge: D. Mariana de Meireles

Data de apresentação: 29/12/1670

O réu esteve em Cádiz, nas Canárias, na Galiza e em Ourém, casou pela segunda vez com Tomásia de Medina, sendo ainda viva a sua primeira mulher. O processo não tem sentença.

 

Nome

António de Oliveira

Data do Processo

16/08/1595 - 10/02/1598

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 55 anos

Crime/Acusação: Proposições heréticas

Cargos, funções, actividades: juíz dos órfãos em Ourém

Naturalidade: vila de Ourém

Morada: vila de Ourém

Pai: Álvaro de Oliveira, cristão-velho

Mãe: Margarida Nunes, cristã-velha

Estado civil: casado

Cônjuge: Joana Pereira, cristã-velha

Data da apresentação: 21/10/1595

Sentença na Mesa em 10/02/1598. Desdizer perante o prior de Ourém e pessoas diante de quem disse as ditas proposições, dar-lhes a satisfação necessária para ter certidão do dito prior, penas e penitências espirituais.

  

Nome

Maria de Sousa

Data do Processo

20/04/1562 - 20/09/1563

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Ourém

Morada: Lisboa

Pai: Henrique de Sousa, cristão-novo

Mãe: Isabel de Sousa, cristã-nova

Estado civil: solteira

Data da prisão: 20/04/1562

Sentença: auto-de-fé de 15/05/1562. Abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuos.

 

Nome

Lucas Barbosa

Data do Processo

17/04/1732

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 21 anos

Crime/Acusação: feitiçaria

Cargos, funções, actividades: ex-soldado

Naturalidade: Ourém

Morada: Lumiar, Lisboa

Pai: António Barbosa Ferraz, que vivia de sua fazenda

Mãe: Maria Inácia de Carvalho

Estado civil: solteiro

Data da apresentação: 17/04/1732

 

Nome

António Pereira Leitão

Data do Processo

16/02/1761 - 16/03/1763

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 36 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: lavrador

Naturalidade: Pêra Ruiva, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: São Luís do Maranhão, Brasil

Pai: Miguel Fernandes, homem de negócio

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: casado

Cônjuge: Mariana da Silva

Data da prisão: 16/02/1761

Sentença: auto-de-fé privado de 20/09/1761. Abjuração de leve, ser açoitado publicamente, degredo para as galés, por cinco anos, instrução na fé católica, penitências espirituais, pagamento de custas.

O réu foi casado pela segunda vez com D. Ângela Perpétua da Silva.

Por despacho de 16/03/1763, foi comutado ao réu o degredo nas galés para a vila de Torres Novas

Nome

Henrique da Silva Nunes

Data do Processo

04/11/1726 - 06/08/1728

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 32 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: advogado

Naturalidade: Portalegre

Morada: Ourém

Pai: Tomé da Silva Nunes, cristão-novo, mercador

Mãe: Antónia Bernarda, cristã-nova

Estado civil: casado

Cônjuge: Beatriz Nunes, cristã-nova

Data de apresentação: 04/11/1726

Sentença: 25/07/1728. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere a arbítrio, penitências espirituais.

Data do Processo

09/07/1727 - 06/08/1728

Conteúdo da acusação

Crime/Acusação: impedir o recto ministério do Santo Ofício

Sentença: Asperamente repreendido e advertido a não reincidir.

 

Nome

Diogo Pacheco de Mendonça

Data do Processo

13/02/1667-15/02/1667

Conteúdo da acusação

Estatuto Social: Cristão-Velho

Crime/Acusação: Sacrilégio; Impedir o recto ministério do stº ofício

Estatuto Profissional: Almoxarife; Juiz Dos Direitos Reais; Sargento-Mor

Naturalidade: Ourém

Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Leiria

Morada: Chão de Couce

Situação Geográfica (Morada): Bispado de Coimbra

Pai: Pedro Moniz Mascarenhas, Vivia de Sua Fazenda

Mãe: Maria Sodré

Estado Civil: Casado

Nome do Cônjuge: Catarina Raposo Bacelar

Data da Apresentação: 02/11/1665

Data da Prisão: 26/01/1666

Data da Sentença: 13/02/1667

Data do Auto de Fé: 13/02/1667

Outros Dados: M.C.; EM 1665-11-04, FOI DADA AO RÉU LICENÇA PARA IR PARA A SUA TERRA; EM 1667-02-15, FOI-LHE PASSADO TERMO DE SOLTURA E SEGREDO.

  

Nome

Manuel de Andrade

Data do Processo

02/01/1598 - 21/02/1598

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 43 anos

Crime/Acusação: blasfémia

Cargos, funções, actividades: vendeiro

Naturalidade: Penela

Morada: Ourém

Pai: Gaspar de Andrade, cristão-velho

Mãe: Maria, negra cativa

Estado civil: casado

Cônjuge: Domingas Malha, mulata

A mãe do réu era cativa de Martim Pires e de Joana Carvalho.

O réu foi enviado para Ourém e viria à Inquisição sempre que fosse chamado.

 

Nome

Manuel António de Évora

Data do Processo

07/11/1729 - 24/11/1730

Conteúdo da acusação

Idade: 19 anos

Crime/Acusação: feitiçaria, bruxaria

Cargos, funções, actividades: vive de sua fazenda

Naturalidade: Tomar

Morada: Nossa Senhora de Ceissa, Ourém

Pai: António de Évora Heitor, escrivão de prelasia de Tomar

Mãe: D. Guiomar da Fonseca Gameiro

Estado civil: casado

Cônjuge: D. Bernarda Joana Montarroio

Sentença: asperamente repreendido e advertido a não reincidir.

O réu foi repreendido asperamente pelos inquisitores em 1730-11-24, apresentação: 23-11-1730.

 

Nome

António Pereira Leitão

Data do Processo

04/01/1778 - 15/08/1779

Conteúdo da acusação

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: bigamia/poligamia

Cargos, funções, actividades: lavrador de engenho de canas

Naturalidade: Ourém

Morada: Vila Real de Santa Luzia, Baía, Brasil

Pai: Miguel Fernandes, negociante

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: casado

Cônjuge: Mariana da Silva; 2ª Ângela Perpétua

Data de prisão: 24/01/1778

Data da Sentença: 06/06/1778

Sentença: auto-de-fé de 06/06/1778 abjuração de veemente, ser açoitado publicamente, degredo por 10 anos para as galés, instruído na fé católica, penitências espirituais, pagamento de custas. Três casamentos, 2ª esposa: Ângela Perpétua ,3ª esposa: Francisca Teresa de Jesus.

  

Nome

Francisco de Santiago

Data do Processo

28/04/1704-12/09/1706

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Francisco Santiago e Castro

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 40 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: tecelão, fabricante de meias

Naturalidade: Bragança

Morada: Lisboa

Pai: António de Santiago, boticário

Mãe: Isabel Rodrigues

Estado civil: casado

Cônjuge: Isabel de Morais, cristã-nova

Data da prisão: 28/04/1704

Sentença: auto-de-fé de 12/09/1706. Confisco de bens, ir ao auto-de-fé, abjuração em forma, cárcere e hábito penitêncial a perpétuo, instruído da fé católica, penitências espirituais.

O réu aparece também como morador em Ourém

 

Nome

Filipa Fernandes

Data do Processo

01/07/1556 - 02/03/1559

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: fanqueira

Naturalidade: Ourém

Morada: Ourém

Pai: João Fernandes

Mãe: Beatriz Vaz

Estado civil: casada

Cônjuge: Pedro Álvares

Data da prisão: 20/07/1556

Sentença: auto-de-fé de 28/02/1558. Abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuos, instruído na fé católica.

 

Nome

António Fernandes

Data do Processo

17/03/1616 - 20/06/1617

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 40 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: sapateiro e lavrador

Naturalidade: lugar do Sumo

Morada: Casinheira, freguesia das Casiandas, termo de Ourém, bispado de Leiria

Pai: Domingos Simão, lavrador

Mãe: Antónia Fernandes

Estado civil: casado

Cônjuge: Beatriz Dias, primeira mulher

Data da prisão: 17/03/1616

Sentença: auto-de-fé de 12/02/1617. Abjuração de leve, degredo por cinco anos para as galés, pagamento de custas, ser açoutado publicamente

  

Nome

António Nunes

Data do Processo

06/04/1627 - 28/09/1644

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: oleiro

Naturalidade: lugar do Cidral, Ourém

Morada: Abrantes

Pai: António Nunes, lavrador

Mãe: Isabel Lopes

Estado civil: casado

Cônjuge: Maria Natália

Data da apresentação: 12/07/1627

Sentença: auto-de-fé de 10/07/1644. Abjuração de leve, degredo para o Brasil, por quatro anos, penitências, pagamento de custas.

O réu casou segunda vez com Isabel Fernandes.

 

Nome

João da Mota da Guarda

Data do Processo

23/03/1658-26/10/1664

Conteúdo da acusação

Estatuto Social: 1/8 de Cristão-Novo

Crime/Acusação: Judaísmo; Heresia; Apostasia

Estatuto Profissional: Escrivão da Almotaçaria de Vila Viçosa

Naturalidade: Ourém

Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Leiria

Morada: Vila Viçosa

Situação Geográfica (Morada): Arcebispado de Évora

Pai: Manuel da Guarda, Moço de CÂmara do Duque

Mãe: Isabel Nobre

Estado Civil: Casado

Nome do Cônjuge: Ângela Monteiro

Data da Prisão: 23/03/1658

Data da Sentença: 26/10/1664

Data do Auto de Fé: 26/10/1664

Nome

Pedro Afonso

Data do Processo

Sem data

Conteúdo da acusação

Naturalidade: Ourém

Outros Dados: DENÚNCIA

 

 

 

 

Nome

Pedro Gonçalves

Data do Processo

Sem data

Conteúdo da acusação

Naturalidade: Ourém

Outros Dados: TRATA-SE DE UMA DENÚNCIA

Fonte: Direcção-Geral de Arquivos (Torre do Tombo), em http://ttonline.dgarq.gov.pt/



publicado por Carlos Gomes às 21:21
link do post | favorito
|

Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
OURÉM: OS MISTÉRIOS DA SINAGOGA QUE ESTA SEMANA INSPIRA O FESTIVAL JUDAICO

12027698_1197746446907864_130601623784209795_n.jpg

Cláudia Gameirohttp://www.mediotejo.net/

Os vestígios de uma antiga sinagoga em Ourém começaram a ser referidos por historiadores locais há cerca de 30 anos e chegaram a estar incluídos nos roteiros turísticos. O atual executivo municipal decidiu agora apostar no seu estudo, expropriando o terreno para fins públicos de investigação e dedicando o Festival de Setembro deste ano à diáspora e cultura judaica. Mas há mais dúvidas que certezas em torno destas ruínas, bem como da comunidade que a usaria, na antiga vila medieval.

IMG_4711.jpg

Edifício em ruínas evidencia a existência prévia de dois arcos em ogiva. Terá sido uma antiga sinagoga? Foto: mediotejo.net

 

São dois arcos ogivais incrustados num edifício em ruínas, que poderão fazer ter feito parte de uma antiga sinagoga. Os vestígios encontram-se por trás da Pousada Conde de Ourém e são há muito conhecidos de historiadores e instituições locais, mas não existem referências históricas sólidas da sua existência na vila medieval. Em tempos, alertou o historiador e blogger Carlos Gomes ao mediotejo.net, o Turismo chegou a ter uma brochura em que estes arcos vinham mencionados, mas o património foi completamente esquecido nas rotas turísticas, sem qualquer tipo de promoção.

Na sua segunda edição, o Festival de Setembro decidiu apostar na cultura judaica. Questionado a respeito da escolha deste tema, o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, explicou ao mediotejo.net ter-se devido à identificação recente de “uma antiga sinagoga em ruínas”, tendo-se decidido avançar na sua promoção e estudo. Na reunião camarária de 2 de setembro, sexta-feira, todo o elenco votou favoravelmente a expropriação do terreno para fins públicos.

Para Paulo Fonseca, esta será uma forma de fomentar a “valorização patrimonial” da vila e o turismo judaico. “Tínhamos indicação histórica da existência de uma sinagoga”, explicou, e quer-se agora apostar neste novo factor de atratividade, que conta com o apoio da Fundação Oureana.

Mas, apesar de serem recentes na memória do atual executivo municipal, estes vestígios foram descobertos por Carlos Evaristo, presidente da Fundação Oureana, há perto de 30 anos. Arqueólogo de formação, o responsável contou ao mediotejo.net que se apercebeu da importância das ruínas quando começaram a fazer as obras no antigo Hospital (do outro lado da mesma rua), para o converter na Pousada. As marcações e os movimentos de terras fizeram cair o estuque do edifício degradado próximo, que formava aparentemente uma porta quadrada, e surgiram os arcos.

“Ando a lutar por isto há mais de 25 anos”, comenta Carlos Evaristo, mas na época, inícios dos anos 90, reconhece que não foi levado a sério. Ainda assim, procurou consultar comunidades judaicas e a associação dos sefarditas nos EUA, em busca de apoios para a investigação, e adquirir o imóvel. Mas os proprietários, narra Carlos Evaristo, nunca quiseram vender. O projeto foi morrendo e caiu no esquecimento coletivo.

“Fui fortemente criticado porque diziam que não havia indícios de judiarias em Ourém”, explica. Segundo o arqueólogo, eram necessárias 10 famílias para que a comunidade fosse considerada uma judiaria e em Ourém (saliente-se, a comunidade que vivia junto ao Castelo) só existiriam sete. Pessoas que foram apadrinhadas por D. Afonso, IV Conde de Ourém (1400-1460), ao tornar-se senhor das judiarias, que estiveram ligadas, afirma Carlos Evaristo, à construção da Colegiada e ao Paço dos Condes (estrutura anexa ao Castelo medieval). “Sabemos que [D.Afonso] esteve envolvido na Sinagoga de Tomar e que albergava judeus foragidos de Castela”, relata, devido à perseguição pelos Reis Católicos. “Os judeus sentiam-se tão protegidos por ele que construíram a cripta, inspirada na sinagoga de Tomar”, relata.

Mas a existência desta comunidade judaica terá sido curta. No reinado de D.Manuel I (1495-1521), o Rei mandou expulsar os judeus e muitos foram obrigados a converter-se ao cristianismo (os chamados cristãos-novos). Uma das ações do reino foi destruir e/ou esconder os símbolos religiosos, sendo essa a razão, aponta Carlos Evaristo, para o segundo arco ogival estar emparedado (o primeiro é uma porta).

Carlos Evaristo está convicto da existência de uma judiaria, ainda que com poucas famílias, em Ourém. Um dos seus argumentos é uma antiga Botica (um dispensário ou farmácia) na entrada secundária da vila medieval. Num velho edifício em ruínas, encontrou vestígios de loiças ligadas a estas antigas farmácias e plantas que não são naturais de Ourém. Conhecedora de especiarias e ervas medicinais, terá sido a comunidade judaica fugida de Castela a trazer aquelas espécies. “No século XVII haviam Cristãos-Novos com a profissão de ‘Idiotas’ que eram barbeiros, sangradores, curandeiros e boticários”, adianta.

IMG_4722.jpg

Num velho edifício em ruínas, Carlos Evaristo encontrou artefatos de uma antiga farmácia. Reconstruiu o espaço e criou um museu com os seus achados na vila medieval de Ourém. Foto: mediotejo.net

 

No local, o arqueólogo reconstruiu o edifício e criou um museu com os seus achados na vila medieval. Um dos elementos mais interessantes é uma pedra esculpida com a Cruz de Cristo, que afirma ter encontrado perto dos vestígios da sinagoga, onde por trás descobriu uma estrela de David.

IMG_4730.jpg

Numa pedra com a Cruz de Cristo, Carlos Evaristo descobriu por trás a estrela de David. Foto: mediotejo.net

 

A Fundação Oureana é uma instituição criada por John Haffert (fundador do Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima e grande amigo da Irmã Lúcia), que nos anos 40 se fixou na vila e procurou promover o seu património histórico. Presidente da instituição, Carlos Evaristo mostra-se satisfeito por a Câmara de Ourém ter finalmente decidido apostar na sinagoga.

Já Carlos Gomes refere que a sinagoga terá sido destruída no terremoto de 1755, e novamente nas invasões francesas, razão pela qual ambos os arcos ficaram totalmente escondidos. Indica inclusive dois livros que mencionam a existência da sinagoga e de uma comunidade judaica em Ourém: o “Olho de Vidro”, novela de Camilo Castelo Branco, e “Ourém – Três contributos para a sua história”, editado pelo município em 1988.

O historiador reflete sobre a importância dos judeus em Ourém e Portugal: “Os judeus constituíam uma comunidade, vivendo no burgo medieval, e integrada com êxito entre a população de cristãos-velhos. Hoje nada a distingue. São os Oliveiras, que há muito em Ourém, os Silvas, Pereiras, castelões, etc”.

Já o Professor universitário Paulo Mendes Pinto, especialista em Ciência das Religiões e coordenador do projeto “Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses”, mostra algumas reticências em comentar os vestígios, uma vez que desconhece o local e as suas características. “Há indícios de uma comunidade medieval” em Ourém, referiu ao mediotejo.net, e até processos de pessoas levadas ao Tribunal do Santo Ofício por “judaísmo”. Pelo que “é plausível que tenha havido” uma comunidade judaica na localidade, constata.

Há características que só podem ser identificadas conhecendo os vestígios pessoalmente, frisa o especialista. “O espaço de Tomar não levanta dúvida nenhuma”, afirma, uma vez que há vários documentos e inscrições que atestam ser aquela uma antiga sinagoga. Já em Castelo de Vida, comenta, é apenas um armário onde se guardaria a Torá. “Há coisas muitos variadas”, explica.

Não havendo estudos aprofundados em torno dos vestígios de Ourém, coloca dúvidas. “Na Península Ibérica, todos os espaços de antigas sinagogas não tinham essas portas”, refere. Além disso, “muitas das casas do século XV tinham uma porta grande e uma pequena”.

O mediotejo.net contactou a Rede de Judiarias de Portugal para pedir um comentário sobre o Festival de Setembro e a sinagoga de Ourém, mas a instituição informou que não tinha conhecimento nem dos vestígios nem da iniciativa.

Fundação Rothschild quer estudar vestígios judaicos

Durante a reunião de 2 de setembro, no momento da votação da expropriação, um morador da vila medieval, David Pereira, veio em nome da Fundação Rothschild apresentar a disponibilidade da instituição para estudar os vestígios. “É apenas uma proposta que ainda terá que ser discutida”, explicou ao mediotejo.net.

rc-ourém-2-set-4.jpg

Durante reunião camarária de 2 de setembro foi aprovada a expropriação para interesse público do imóvel onde se encontram vestígios de uma antiga sinagoga. Foto: mediotejo.net

 

Paulo Fonseca manteve a mesma postura, referindo que ainda é uma questão a ser analisada.

O nome Rothschild é de origem alemã e está associado a uma das mais poderosas famílias da revolução industrial, tendo no século XIX chegado a alcançar a maior fortuna privada do mundo e o título de Barão no Reino Unido. É neste país que a Fundação Rothschild está atualmente sediada, apesar de haver braços da família espalhados por toda a Europa, dedicada à filantropia e caridade. Considerada uma autêntica dinastia, os Rothschild estiveram também ligados ao movimento sionista que promoveu a criação do Estado de Israel.

Festival de Setembro traz Rodrigo Leão

Em 2014 a Fundação Casa de Bragança, na ocasião presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, passou a gestão do Castelo de Ourém para o município, procurando-se assim apostar na sua promoção. Foi ainda anunciada uma requalificação do Castelo, que está ainda a aguardar investimento comunitário. Das iniciativas nascidas deste protocolo está o Festival de Setembro.

O cabeça de cartaz deste ano é o compositor Rodrigo Leão, que vai atuar no palco do Castelo de Ourém às 21h30 de 11 de setembro, domingo. Mas o Festival vai decorrer ao longo do fim-de-semana, com uma conferência sobre a herança judaica a decorrer às 15h30 de dia 10, sábado, na Galeria da vila medieval, e os Melech Mechaya e Pás de Probléme a atuarem a partir das 22 horas. Música sefardita, gastronomia, o lançamento do livro “Inquisição em Ourém”, ou mostras de cinema com documentários são outras das propostas, todas gratuitas.



publicado por Carlos Gomes às 21:20
link do post | favorito
|

Domingo, 4 de Setembro de 2016
AUTORIDADES DE OURÉM FELICITARAM AS CORTES DE 1821

Em 1821, as autoridades do Concelho de Ourém endereçaram às Cortes Geraes e Extraordinárias da Nação Portugueza, instituídas pela revolução liberal ocorrida no ano anterior, uma carta de felicitação e prestação de homenagem, a qual foi lida na sessão do sai 18 de abril e publicada no respetivo Diário em 24 de abril desse ano.

zourespos (1).jpg

Senhor. = A Camera da Villa de Ourém, juntamente com o Doutor Corregedor da mesma Comarca, levados dos sentimentos do respeito e gratidão, de que Vossa Magestade por tão relevantes Titulos se faz digno, vamos por este meio, como fieis, e gratos tributar a Vossa Magestade os nossos deveres. Não somos nós Cidadãos ineptos, que não conheçamos as vantagens, que vão cercar-nos, nem por outra parte assim inertes, que ignoremos a obrigação de o confessarmos. O desastroso quadro do passado, confrontado com os bens, que já sentimos, e que a illustrada intelecção de Vossa Magestade nos promette a mais e mais para o futuro, mediante as sabias Leys, que vai cimentando, fornece-nos invenciveis argumentos para convencer-nos, e põem-nos na estreita obrigação de reconhecello. Homens ha pouco só no nome, peores nos nossos direitos que as mesmas féras, nós éramos o alvo do poder, e do fanatismo, e quaes puros automatos sem ser algum, corriamos forçados a todo o instante para onde o capricho, e a ignorancia queria arrastar-nos. Agora porém já somos gente; já recuperámos os direitos de homem até aqui perdidos; já somos iguaes, somos já livres, e já não prendem nossas consciencias tantas algemas. E aquem Supremo Congresso, deve a Nação, devemos nós tantas venturas! He esta huma verdade mais que, quem sabida, huma questão, que descobre a mais curta esféra, o mais rude engenho. Sim he Vossa Magestade o nosso Bemfeitor, o que nos levanta do abysmo, e da sepultura. Quem por meio de novas Leys tão adequadas, de reformas, de Cortes tão necessarias, e sobre tudo por meio de huns principios de Constituição tão luminosos, tão sãos, tão proprios do homem civil, tão naturaes ha feito, e continúa a fazer a nossa dita. Mil graças pois vos sejão dadas por todo o homem: o Natural, e Estrangeiro vos bem diga, e louve; em quanto nós certos de tanto bem, e a elle gratos, confessamos reconhecidos nossa ventura, e tributamos assim reverentes a Vossa Magestade os nossos deveres. Ourém em Camera 12 de Abril de 1821. = O Corregedor da Comarca, Manoel da Fonceca Coelho - O Juiz de Fóra, Presidente, Antonio Gomes Ribeiro = O Vereador primeiro, Antonio Pereira Jorge. = O Vereador segundo, Vicente José Henriques de Oliveira Roza - O Vereador terceiro, Manoel Antonio Almeida = O Procurador, Joaquim da Silva de Frias.



publicado por Carlos Gomes às 10:38
link do post | favorito
|

Sábado, 3 de Setembro de 2016
DEPUTADO MENDES CORREIA EXALTOU EM 1956, NA ASSEMBLEIA NACIONAL, AS VIRTUDES DO FOLCLORE PORTUGUÊS, REFERINDO-SE AO CONGRESSO REALIZADO EM BRAGA

Na sessão de 29 de junho de 1956 da VI Legislatura da Assembleia Nacional, o deputado Mendes Correia falou sobre o Congresso de Etnografia e Folclore que se realizou em Braga naquele ano, exaltando as suas virtualidades e qualidades artísticas. A sessão foi presidida por Albino dos Reis Júnior e secretariada por José Paulo Rodrigues e Alberto Pacheco Jorge.

capture2

O Sr. Mendes Correia: - Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo naquela província.

Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do cientifico- de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos finais ali adoptados.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do Pais.

Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas tendências e as suas capacidades.

Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas adequados, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo antigo, por coleccionadores

a esmo, por simples amadores sem preparação, por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário, maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou quase, de espirito cientifico. Há ainda quem suponha que etnografia e folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida popular.

Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações. Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história, a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia, etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.

E a todos foi grato verificar que, a par das contribuições mais singelas sobre um ou outro facto local ou regional, surgiram naquela assembleia teses de conjunto ou de carácter genérico e doutrinário, como as de metafísica, do folclore e da ética dos provérbios populares, tratados pelos reverendos Drs. Bacelar e Oliveira e Craveiro da Silva, da Faculdade Pontifícia de Filosofia, de Braga.

Não faltaram outros elementos universitários e académicos, participantes do Brasil, Espanha e México, os temas mais variados. Mas desejo aqui congratular-me, sobretudo, com o apoio e interesse manifestados ao Congresso, não só por corpos administrativos, como as Camarás Municipais de Braga -a autora da iniciativa e sua grande realizadora-, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto, e algumas juntas de província, mas também por organizações como o Secretariado Nacional da Informação e Cultura Popular, a Mocidade Portuguesa, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, etc.

O Governo da Nação, o Governo de Salazar, dispensou ao Congresso o apoio mais expressivo, sendo notáveis os discursos proferidos no mesmo pelos ilustres Ministro das Corporações e Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Verificou-se, assim, este facto altamente consolador: é que de sectores os mais variados da vida nacional, de todos os planos hierárquicos, dos domínios directamente ligados ao assunto como de outros, do Governo ao próprio povo - como o de Braga e como o que participou nos festivais folclóricos então realizados-, houve geral concordância no reconhecimento do vasto e profundo significado da bela iniciativa da Câmara de Braga, e especialmente do seu extraordinário presidente.

Como ó oportuna e confortante tal verificação, precisamente quando nesta Assembleia se está discutindo o Plano de Formação Social e Corporativa, marcando-se o desejo de, abrindo os braços a todos os progressos reais e fecundos, conservar as melhores e mais sãs tradições nacionais!

O Congresso emitiu numerosos votos, como em matéria de ensino, investigação, propaganda, museus, protecção, etc., de assuntos etnográficos e folclóricos. Sublinharei apenas, neste instante, os que dizem respeito às actividades ultramarinas nesse domínio e à recusa ao fado do título, tão correntemente usado, de canção nacional por excelência.
O estudo da etnografia e folclore das populações ultramarinas mereceu ao Congresso uma atenção especial, salientando-se a necessidade dessa matéria nos centros de estudos sociais e políticos e nos novos institutos de investigação cientifica de Luanda e Lourenço Marques, entre as ciências humanas ou sociais.

Quanto ao fado, proclamou-se o inconveniente nacional e folclórico da sua difusão excessiva, quer pela sua proveniência, quer pelo pessimismo e desanimo que traduz, em contradição com as fontes e as manifestações mais autenticas e construtivas da inspiração popular. O fado lembra as guitarras plangentes de Alcácer, não um brado de vitória ou de fé.

Não pretendo negar a beleza de alguns fados, das toadas mais melancólicas, de versos profundamente tristes. Mas não se chame canção nacional por excelência a uma canção folclòricamente tão discutível e tão distinta, em tudo, das belas, joviais e empolgantes canções de que é felizmente tão rico. O autentico folclore nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Vi um dia, num festival folclórico, no Porto, centenas de visitantes estrangeiros, como um só homem, perante uma exibição de ranchos de Viana, erguerem-se a aplaudir e a gritar: «Viva Portugal»! Em vez do fado depressivo, como não hão-de ser estimulantes e gratas para nós, Portugueses, essas manifestações da nossa música popular que tom assim o dom de arrebatar os próprios estrangeiros?

Sem recusar a possibilidade de introdução e adopção de factos novos, ou seja do processo chamado de aculturação pelos etnógrafos e sociólogos, o Congresso pronunciou-se pela definição do facto etnográfico e folclórico como caracterizado por serem tradicionais e de origem espontânea e anónima na alma popular.

A aculturação só pode dar-se quando esta alma lhe é favorável, quando nesta encontra eco, aceitação, concordância psicológica. Nos nossos territórios ultramarinos é do maior interesse o estudo da aculturação das populações nativas sob a influência da cultura que tenho chamado luso-cristã.

Por estas singelas considerações creio ter dado uma ideia da importância nacional e científica do Congresso de Braga. Mas o que sobretudo desejei sublinhar, usando da palavra, foi a gratíssima impressão que congressistas nacionais e estrangeiros trouxeram do convívio, da hospitalidade, da afabilidade, da cortesia, do trato, da doçura, do irradiante poder de simpatia, da boa gente de Braga e do Minho, daquele admirável povo em que se conservam e florescem tantas virtudes tradicionais de suavidade de alma, de bondade, de apego ao lar, de dedicação pelo trabalho, de amor pelo seu berço e de fidelidade aos altos valores espirituais que garantem a perenidade da Pátria e da civilização.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Posso depor com firmeza que na multidão que em avalancha jovial festejava o S. João, na noite de 23, em Braga, não vi senão atitudes simpáticas e dignas. Quem dava involuntariamente um encontrão pedia desculpa.

Ausência de palavrões, de qualquer grosseria, de brutalidade. Bom povo, admirável povo, que a dissolução tendenciosa de outros meios ainda não inquinou nem perverteu.

Tenho a certeza de que a acção de organizações como as que citei manterá indemnes a sua alma e as suas tradições sãs contra a vaga cosmopolita ou exótica de materialismo pretensamente científico e humano que ameaça subverter o que há de melhor e mais luminoso no património moral da nossa civilização. Bom povo de Portugal, porque creio em ti e nos valores espirituais que te animam, creio na eternidade da Pátria.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.



publicado por Carlos Gomes às 15:20
link do post | favorito
|

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016
QUANDO VISITA OFICIALMENTE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA O TERRITÓRIO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA?

À semelhança do que se verificou com as recentes celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, estas comemorações deverão ocorrer no futuro junto das comunidades portuguesas radicadas noutros países. Existe, porém, um território que, não obstante pertencer de jure a Portugal, encontra-se desde há mais de dois séculos sob administração de Espanha – trata-se do concelho de Olivença, Tálega incluída – que até ao momento não recebeu a visita oficial do Presidente da República.

Olivença (34) (2).JPG

Apesar do tempo já percorrido desde a ridícula “guerra das laranjas” e das gerações que entretanto se sucederam ao longo de mais de duzentos anos, os oliventinos de origem portuguesa guardam com nostalgia a sua identidade como podem na esperança de que um dia a terra que os viu nascer regresse à Pátria a que verdadeiramente pertence: Portugal. A comprovar tal sentimento patriótico, basta referir o grande número de pedidos de atribuição da nacionalidade portuguesa que ultimamente se vem verificando, pese embora as alterações demográficas que se registaram ao longo do tempo.

Com uma área superior a 430 quilómetros quadrados – correspondendo ao triplo da área das cidades de Lisboa e Porto juntas! – Olivença faz parte de Portugal desde a celebração do tratado de Alcanizes celebrado em 1297.

À altura da ocupação, integravam o concelho de Olivença as freguesias de Santa Maria do Castelo, Santa Maria Madalena, São Jorge da Lor, São Domingos de Gusmão e Tálega. Vila Real, entretanto anexada a Olivença, fazia até então parte do concelho de Juromenha, localidade que agora integra o município do Alandroal.

O território português de Olivença, situado na margem esquerda do rio Guadiana, permanece ocupado por Espanha desde 1801. Em 1817, ao abrigo do Tratado de Viena, Espanha reconheceu a soberania portuguesa e comprometeu-se a devolver o território à soberania portuguesa, compromisso que nunca honrou até ao momento.

O Estado Português não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença, razão pela qual falta ainda demarcar a fronteira entre os dois países entre entre as confluências do Guadiana com o rio Caia (a norte) e a ribeira de Cuncos (a sul), não estando colocados os marcos fronteiriços entre o 801 e o 900, na zona adjacente ao território histórico de Olivença.

Não faltam as razões que fundamentem do ponto de vista jurídico a reclamação de Portugal relativamente a Olivença nem tão pouco os argumentos de ordem moral que lhe assistem: a Espanha deve honrar os seus compromissos e respeitar um país cujo relacionamento sempre se pautou pela amizade e boa vizinhança. E, em nome de Portugal, o Presidente da República jamais se deveria inibir a efetuar uma visita oficial a Olivença e ali celebrar o Dia de Portugal, levando aos oliventinos – Portugueses de Olivença! – uma palavra de afeto e esperança!

Olivença (10) (2).JPG

Olivença (48) (2).JPG

Olivença (44) (2).JPG

Olivença (41) (2).JPG

Olivença (39) (2).JPG

Olivença (26) (2).JPG

Olivença (21) (2).JPG

Olivença (16) (2).JPG

Olivença (11) (2).JPG

Olivença (9) (2).JPG

Olivença (4) (2).JPG



publicado por Carlos Gomes às 19:14
link do post | favorito
|

OURÉM EVOCA DIÁSPORA E CULTURA JUDAICA

Fora da Estante: Diáspora e Cultura Judaicas

01 a 30 de Setembro

Biblioteca Municipal de Ourém

No mês em que o Município de Ourém realiza o “Vila Medieval em Setembro” a Biblioteca Municipal destacará, durante todo o mês, obras sobre a Diáspora e a Cultura Judaicas (tema da edição de 2016) que integram o seu acervo bibliográfico.

De segunda a sexta-feira das 9h00 às 17h00 (horário ininterrupto)

14202672_1164880660252465_5962495212198697680_n.jpg



publicado por Carlos Gomes às 10:24
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016
O ZOROASTRISMO E A SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO E NO CRISTIANISMO

O zoroastrismo é a religião monoteísta viva mais antiga (apareceu entre 1550 AEC e 1200 AEC, numa altura em que o judaísmo tinha um caráter muito politeísta) e influenciou muito o islamismo (em especial o xiita), o judaísmo e o cristianismo.

14088596_1064072330306488_8648671017140449137_n (1).jpg

Dele provém por exemplo o conceito de paraíso (pairidaeza) e influenciou muito a religião judaica, durante o exílio na Mesopotâmia como por exemplo a proibição da adoração de imagens sagradas (todo o texto de Isaías na Bíblia é de raiz zoroastriana),o monoteísmo rigoroso (até então o judaísmo era confusamente politeísta) e o puritanismo austero (a purificação dos judeus apregoada por Esdras ter-se-á dado a partir da Pérsia) uma vez que o zoroastrismo era a religião oficial do império persa, sendo o imperador persa Ciro II visto como o “Messias de Jeová” ou o “ungido de Jeová”. O paradoxo é que o título é concedido a um soberano estrangeiro, que não conhece Jeová (“Embora não me conheças, eu te cinjo”, no Deuteronómio de Isaías).

Adotaram então a crença zoaroastrista da vida após a morte, os conceitos de céu e inferno e do julgamento final e do apocalipse muito diferentes do judaísmo de antes da invasão persa. O princípio dualista do zoroastrismo manifesta-se na doutrina das duas eras, uma era presente (de impiedade) que se opõe a uma era futura (de justiça). Com a invasão alexandrina e o helenismo, o judaísmo absorve novos conceitos: o conceito grego da imortalidade da alma e a ideia da ressurreição corporal do zoroastrismo.

Hoje em dia há duas seitas, geograficamente delimitadas (sem contar com os zoroastristas na diáspora, que devem ser tantos como o total dos que existem no Irão e na Índia, um dos quais era o vocalista dos Queen, Freddie Mercury, um zoroastrista parsi, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. No Irão há 35.000 zoroastristas – segundo o governo iraniano – ou 60.000 segundo as autoridades religiosas zoroástricas.

Os zoroastristas iranianos, (cuja cidade sagrada é Yazd, se bem que haja muitos também em Teerão e Kerman) são mais abertos, aceitam casamentos com não-zoroastristas e tentam ativamente converter outras pessoas. Os zoroastristas indianos, concentrados no no Estado do Gujarate, chamados Parsis (de Persa), são mais fechados, só aceitam casamentos endógenos, porque se consideram uma raça “pura” e desencorajam o proselitismo e a conversão de estranhos. Isto é curioso: o ramo que procura conversões está num país onde 99% da população é muçulmana, na maioria xiitas duodecimanos, religião que não permite a saída para outra religião; o ramo parsi, que não admite a conversão de outros, está na Índia, país onde a conversão para outras religiões é livre, exceto para os muçulmano. Dá Ahura Mazda nozes a quem não tem dentes…

No Irão, além dos muçulmanos de várias confissões (incluindo os bahá’is, ramo divergente do xiismo, considerado herético e proibido mas que mesmo assim tem cerca de 350.000 fiéis), são reconhecidas pelo Estado e protegidas (com direito a um assento no parlamento cada uma, as religiões judaica (com 25.000 praticantes, a maior comunidade judaica num país muçulmanos), cristã (300.000, sendo 200.000 da igreja apostólica arménia, sendo os restantes protestantes e da igreja assíria; também são considerados cristãos, e como tal protegidos pela lei, os gnósticos mandeístas que porém não se reconhecem a si próprios como cristãos e por isso se consideram discriminados pelo governo – que não liga nenhuma às suas queixas e continua a classifica-los como cristãos; note-se uma coisa interessante: considera-se que o conceito de diabo nas igrejas cristãs provém do islamismo iraniano e não do judaísmo) e os zoroastristas.

Nuno Miranda

14183708_1065408910172830_5286837344506556604_n (1).jpg



publicado por Carlos Gomes às 11:41
link do post | favorito
|

Domingo, 28 de Agosto de 2016
OURÉM REGRESSA À IDADE MÉDIA E EVOCA PRESENÇA JUDAICA

Diáspora e cultura judaica é o tema que inspira a próxima edição do Festival de Setembro de 2016,” que decorre nos dias 10 e 11 de setembro no Centro Histórico de Ourém. Durante dois dias, a Vila Medieval vai ter uma cenografia que transporta os públicos para a herança histórica e as marcas culturais deixadas pelos judeus em Ourém. Este projeto cultural parte da forte base identitária de Ourém, valorizando o património e a história da Vila Medieval, e cruza-se com outras culturas e trajetórias identitárias, no país e no mundo, através da diáspora e do transnacionalismo.

CartazFestivalSetembro2016-net.jpg

Rodrigo Leão, referência incontornável no panorama musical português, Melech Mechaya e Pás de Problème, são as bandas nacionais de uma vasta programação que inclui concertos, dança, cinema, literatura, conferências, gastronomia, caça ao tesouro para os mais novos e visitas guiadas pelos patrimónios da Vila Medieval.

Destacam-se as conferências sobre a herança judaica, por Saul António Gomes, Carlos Veloso e Gabriel Steinhardt (presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa); o lançamento do livro “A Inquisição em Ourém”, de Jorge Martins; a mostra de cinema e cultura "Judaica”, com a presença da sua diretora, Elena Piatok; e o espetáculo de dança contemporânea “diáspora e cultura judaica” pela Arabesque.

A dinamização nas ruas é contínua! À música antiga sefardita trazida pelas Louçanas, juntam-se os “dramaticamente rejubilantes” Drama e Beiço, e sucessivos concertos, em vários locais do burgo, que incluem participações das três bandas filarmónicas de Ourém, da AMBO e da Ourearte. Os restaurantes, as praças e o castelo vão ter gastronomia de inspiração judaica servida por restaurantes e coletividades.

A organização é do Município de Ourém. Associam-se várias parcerias, como as da OurémViva, Fundação da Casa de Bragança, Turismo do Centro, Instituto Politécnico de Tomar, Juntas de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias e Piedade, Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes no evento.

Trânsito condicionado na Vila Medieval

O Festival irá obrigar a medidas restritivas durante esse fim-de-semana, designadamente o corte de trânsito e restrições de estacionamento (salvaguardando emergências e situações fundamentadas). Os moradores/proprietários de estabelecimentos poderão levantar livros de trânsito na Galeria da Vila Medieval – Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias entre os dias 1 e 8 de setembro. Poderão utilizar estritamente o estacionamento municipal situado na encosta poente do castelo, excepto para cargas e descargas até 15 minutos para abastecimentos necessários no âmbito do evento.

Pedimos antecipadamente compreensão pelos constrangimentos que estas medidas possam causar, assim como solicitamos o melhor envolvimento nesta iniciativa que se propõe dinamizar a Vila Medieval potenciando as suas melhores qualidades patrimoniais e históricas e valorizando a comunidade de Ourém.

Neste contexto, o Município de Ourém disponibilizará transporte gratuito de passageiros nos dias 10 e 11 de setembro, a partir do Centro de Negócios de Ourém até à Vila Medieval.

PROGRAMA

DIA 10 – SÁBADO

11h00 - Visita encenada à cripta do Conde de Ourém

Local: Largo da Colegiada

15h00 - Abertura oficial

Sabores de inspiração judaica

Música - Drama e Beiço

Local: Largo da Colegiada

15h30 - Conferências sobre a herança judaica

Saul António Gomes: “A presença judaica em Terras de Ourém

Carlos Veloso (Instituto Politécnico de Tomar): “Imagem do Judeu na Cultura Portuguesa
Gabriela J. Benner: "A imagem do judeu na arte medieval na Península Ibérica"

Local: Galeria da Vila Medieval

16h30 - Música - Drama e Beiço

Local: Castelo

17h15 - Música - Associação Filarmónica 1.º de Dezembro

Local: Largo do Pelourinho

17h30 - Judaica, Mostra de Cinema e Cultura

Direção de Elena Piatok

Documentário: A Escandalosa Sophie Tucker

Realizador: William Gazecki

EUA I 2015 I 96’

Inglês; leg. Português

Local: Galeria da Vila Medieval

18h00 - Música - Drama e Beiço

Local: Largo da Colegiada

18h30 - Danças tradicionais da Europa

Local: Largo da Colegiada

20h00 - Música - Sociedade Filarmónica Ouriense

Local: Largo da Colegiada

21h00 Música - Drama e Beiço

Local: Largo do Pelourinho

22h00 - Concerto Melech Mechaya

23h30 - Concerto Pás de Problème

Local: Castelo

DIA 11 – DOMINGO

9h30 - Curto-circuito “As vinhas do Vale das Silveiras”

Local: Largo do Pelourinho

10h00 - Caça ao tesouro “Houve sinagoga em Ourém!”

Local: Largo da Colegiada

12h00 - Sabores de inspiração judaica (início)

14h00 - Música sefardita - As Louçanas

Local: Largo da Colegiada

15h00 - Espetáculo de dança contemporânea Diáspora e cultura judaica – Arabesque

Local: Castelo

15h45 - Música de inspiração judaica – AMBO

Local: Largo D. João Manso

16h00 - Lançamento do livro A Inquisição em Ourém, de Jorge Martins

Intervenção do Presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt
Local: Pousada Conde de Ourém

17h00- Música sefardita - As Louçanas

Local: Castelo

17h30 - Música Ourearte

Local: Largo do Pelourinho

18h00 - Judaica, Mostra de Cinema e Cultura

Direção de Elena Piatok

Documentário: Faça Hummus, Não Guerra

Realizador: Trevor Graham

Austrália | 2012 |77'

Inglês, árabe e hebraico; leg. português

18h30 - Danças tradicionais da Europa

Local: Largo da Colegiada

19h30 - Música sefardita - As Louçanas

Local: Largo da Colegiada

21h30 - Concerto Rodrigo Leão (Castelo)

Transfer entre o Centro de Negócios (cidade) e o Largo da Colegiada (Vila Medieval) durante o horário do festival

Organização: Município de Ourém

Parceiros:

- OurémViva

- Fundação da Casa de Bragança

- Turismo do Centro

- Rede Portuguesa de Judiarias

- Instituto Politécnico de Tomar

- JUDAICA

- Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias

- Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Piedade

- Pousada Conde de Ourém

- Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes

Agradecimentos: Menemsha Fils; Yarra Bank Films



publicado por Carlos Gomes às 22:59
link do post | favorito
|

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016
OURÉM REGRESSA À IDADE MÉDIA

Cartaz Festival Setembro 2016-meios (2).jpg

 



publicado por Carlos Gomes às 10:23
link do post | favorito
|

Terça-feira, 23 de Agosto de 2016
OURÉM GANHA NOVA VIDA COM FESTIVAL “VILA MEDIEVAL EM SETEMBRO”

Nos dias 10 e 11 de setembro Ourém vai receber o festival Vila Medieval em Setembro, este ano com o tema “Diáspora e Cultura Judaica”.

dia do município-20 junho2014.jpg

Durante dois dias, a Vila Medieval vai ter uma cenografia que transporta os públicos para a herança histórica e as marcas culturais deixadas pelos judeus em Ourém. Este projeto cultural parte da forte base identitária de Ourém, valorizando o património e a história do burgo medieval, e cruza-se com outras culturas e trajetórias identitárias, no país e no mundo, através da diáspora e do transnacionalismo.

O festival Vila Medieval em Setembro resulta de uma parceria desenvolvida pelo Município de Ourém e pela Fundação da Casa de Bragança, assinada há dois anos pelo então presidente da Fundação, Marcelo Rebelo de Sousa. (foto do momento da assinatura em anexo).

Para Paulo Fonseca, presidente da Câmara Municipal de Ourém, “esta parceria pretende dar um novo impulso de dinâmica naquilo que é a propriedade da Fundação e que se encontra sob a gestão municipal, através de um contrato de comodato.” Segundo o autarca, “a estratégia deste festival é dinamizar o encanto e a história da Vila Medieval, por um lado, e por outro trazer à luz do dia uma temática diferente. No ano passado foi o mediterrâneo e este ano vamos valorizar a temática judaica.” Neste contexto Paulo Fonseca adiantou que foram dadas instruções para que o Município adquira uma pretensa sinagoga que ali existiu, cujas ruínas ainda se encontram visíveis. Depois da aquisição, este imóvel passará para a propriedade do Município.

Sobre o Festival propriamente dito, Paulo Fonseca ambiciona que durante dois dias, a Vila Medieval de Ourém “seja um local de grande dinâmica, diversão e aprendizagem cultural”.

IMG_6434.JPG

Rodrigo Leão, Melech Mechaya e Pás de Problème

Rodrigo Leão, referência incontornável no panorama musical português, Melech Mechaya e Pás de Problème, são as bandas nacionais de uma vasta programação que inclui concertos, dança, cinema, literatura, conferências, gastronomia, caça ao tesouro para os mais novos e visitas guiadas pelos patrimónios da Vila Medieval.

Destacam-se as conferências sobre a herança judaica, por Saul António Gomes, Carlos Veloso e Gabriel Steinhardt (presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa); o lançamento do livro “A Inquisição em Ourém”, de Jorge Martins; a mostra de cinema e cultura "Judaica”, com a presença da sua diretora, Elena Piatok; e o espetáculo de dança contemporânea “diáspora e cultura judaica” pela Arabesque.

A dinamização nas ruas é contínua! À música antiga sefardita trazida pelas Louçanas, juntam-se os “dramaticamente rejubilantes” Drama e Beiço, e sucessivos concertos, em vários locais do burgo, que incluem participações das três bandas filarmónicas de Ourém, da AMBO e da Ourearte. Os restaurantes, as praças e o castelo vão ter gastronomia de inspiração judaica servida por restaurantes e coletividades.

A organização é do Município de Ourém. Associam-se várias parcerias, como as da OurémViva, Fundação da Casa de Bragança, Turismo do Centro, Instituto Politécnico de Tomar, Juntas de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias e Piedade, Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes no evento.

Trânsito condicionado na Vila Medieval

O Festival irá obrigar a medidas restritivas durante esse fim-de-semana, designadamente o corte de trânsito e restrições de estacionamento (salvaguardando emergências e situações fundamentadas). Os moradores/proprietários de estabelecimentos poderão levantar livros de trânsito na Galeria da Vila Medieval – Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias entre os dias 1 e 8 de setembro. Poderão utilizar estritamente o estacionamento municipal situado na encosta poente do castelo, excepto para cargas e descargas até 15 minutos para abastecimentos necessários no âmbito do evento. 

O Município de Ourém disponibilizará transporte gratuito de passageiros nos dias 10 e 11 de setembro, a partir do Centro de Negócios de Ourém até à Vila Medieval.

Cartaz Festival Setembro 2016-meios (1).jpg

 



publicado por Carlos Gomes às 10:18
link do post | favorito
|

Sábado, 9 de Julho de 2016
CEPAE DIVULGA PATRIMÓNIO DE OURÉM

No intuito de desenvolver o gosto pela investigação no âmbito da História Local e do Património do distrito de Leiria e do concelho de Ourém, que representam um património da mais elevada importância para a cultura nacional, Ricardo Charters d’ Azevedo instituiu e solicitou ao CEPAE | Centro do Património da Estremadura que promovesse, em parceria com a CML | Câmara Municipal de Leiria e o IPL | Instituto Politécnico de Leiria e ADLEI | Associação para o Desenvolvimento de Leiria, o Prémio ‘Villa Portela’ de que a edição de 2016 será a terceira, destinado a galardoar trabalhos naquele âmbito.

Com a instituição do Prémio Villa Portela, Ricardo Charters d’ Azevedo pretende homenagear os seus antepassados, que viveram na propriedade com aquele nome, lugar emblemático da cidade e da região.

zoulei.jpg



publicado por Carlos Gomes às 00:03
link do post | favorito
|

Terça-feira, 28 de Junho de 2016
CENTRO DO PATRIMÓNIO DA ESTREMADURA PROMOVE PRÉMIO DE INVESTIGAÇÃO EM HISTÓRIA LOCAL DEDICADO AO DISTRITO DE LEIRIA E CONCELHO DE OURÉM

vilaportela.jpg

vilaportela2.jpg

 



publicado por Carlos Gomes às 18:45
link do post | favorito
|

Sábado, 28 de Maio de 2016
HÁ 90 ANOS, TEVE INÍCIO EM BRAGA A REVOLUÇÃO NACIONAL QUE DERRUBOU A PRIMEIRA REPÚBLICA E ABRIU CAMINHO À INSTAURAÇÃO DO ESTADO NOVO

Passam precisamente 90 anos sobre a data em que um levantamento militar, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caraterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910 e que apostavam agora na regeneração do próprio regime. Pese embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as atuais circunstâncias não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.

“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.

Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.

A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).

A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.

A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.

A 28 de Maio, uma Sexta-feira é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.

Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.

No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas desde o Porto pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.

Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.

No Domingo, 30 de Maio o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.

O governo em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.

Na Segunda-feira dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.

Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.

O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.

No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.

No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.

A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.

O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.

No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”

Fonte: http://www.areamilitar.net

800px-Desfile_de_tropas_28_de_Maio_1926



publicado por Carlos Gomes às 00:44
link do post | favorito
|

Domingo, 8 de Maio de 2016
“A PENA E A LANÇA” – UM LIVRO DA AUTORIA DO VICE-ALMIRANTE ANTÓNIO SILVA RIBEIRO ATRAVÉS DO QUAL SE REALÇA A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA E DA LITERATURA NA CELEBRAÇÃO DOS GRANDES FEITOS MILITARES

Inspirado no Canto V d’Os Lusíadas, o livro “A Pena e a Lança” da autoria do Vice-almirante António Silva Ribeiro é um “Ensaio sobre o pouco conhecimento e a rara celebração dos feitos militares e dos heróis nacionais”. Trata-se de uma edição de autor e é dedicada ao Professor Doutor Adriano Moreira por “no Instituto Superior naval de Guerra (ISNG), no ano lectivo de 1989-1990, ter despertado em mim o gosto pelo estudo das Humanidades”.

Fundamentando os argumentos em acontecimentos históricos da antiguidade clássica ou mais modernamente nos feitos dos portugueses celebrados através do poema épico de Os Lusíadas, constitui esta obra um estudo da maior atualidade e pertinência porquanto procura realçar a importância da História e da Literatura na celebração dos grandes feitos bélicos protagonizados pelos portugueses. E, a comprovar a validade da sua tese, dá como exemplo a forma como passaram despercebidas as comemorações recentes do 6º Centenário da tomada de Ceuta, empreendimento no entanto considerado a todos os títulos notável.

Em forma de justificação, o autor recorre ao insigne poeta Luís Vaz de Camões quando este afirma através dos seus versos “Enfim não houve forte Capitão / Que não fosse também douto e ciente”, para concluir que “não basta ser um militar valoroso, capaz de cometer façanhas bélicas invulgares”, mas que “os líderes militares precisam de ter, igualmente, instrução e sabedoria para transmitirem essas ações através da escrita, como fazem os heróis dos outros países, a quem não falta eloquência. Em sua opinião, Portugal produz gente de enorme heroísmo e grande valia bélica, mas, por ser rude e inculta, dificilmente dai da penumbra da História”.

O Vice-almirante António Silva Ribeira é natural do concelho de Pombal e possui vasta obra publicada de entre a qual salientamos “A Hidrografia nos Descobrimentos Portugueses” e a “Cartografia Naútica Portuguesa dos Séculos XV a XVII”. É um académico especializado nas áreas de Estratégia, Ciência Politica e História, lecionando e supervisionando investigações em algumas das principais Universidades e Centros de Investigação de Portugal. Tem uma extensa obra publicada, e é orador habitual em conferências sobre Assuntos Militares e Políticos, Relações Internacionais e Estratégia.

É professor catedrático convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, professor militar da Escola Naval e professor coordenador do Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração. O seu principal tema de investigação é o planeamento estratégico, embora se interesse por estratégia marítima, estratégia militar, política internacional, sociologia militar, história militar, história marítima e história da hidrografia.

O Vice-almirante Silva Ribeiro é membro do Grupo de Estudos e Reflexão Estratégica de Marinha, da Academia de Marinha, do Centro de Estudos do Mar, da Liga dos Combatentes, do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, do Centro Português de Geopolítica, da Comissão Portuguesa de História Militar, da Revista Militar, da Revista Nação e Defesa, da Revista Segurança e Defesa, do Clube Militar Naval, do Clube Náutico de Oficiais e Cadetes da Armada, do Grupo de Amigos de Olivença, da Revista de Relações Internacionais e da Revista de Ciências Militares.

Foto: Revista da Armada



publicado por Carlos Gomes às 17:48
link do post | favorito
|

Sábado, 23 de Abril de 2016
HOJE É DIA DE S. JORGE

Hoje é o dia que os cristãos consagram a S. Jorge. De acordo com a tradição, terá sido um soldado romano do exército do Imperador Diocleciano, altura de grandes perseguições aos cristãos, mandado degolar por não ter renunciado à sua fé e, consequentemente, venerado como mártir cristão.

Durante a Idade Média surgiram à sua volta, diversas lendas, uma das quais relata ter existido em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia sacrifícios humanos. Tendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao Cristianismo.

Remonta ao século XII a introdução do culto a S. Jorge em Portugal, através dos cruzados que vinham combater nas hostes de D. Afonso Henriques nomeadamente a quando da tomada de Lisboa aos mouros. Porém, a sua invocação em forma de grito de guerra começou contudo durante o reinado de D. Afonso IV e teve como objetivo demarcar-se da invocação de S. Tiago Mata-mouros que era feita pelos exércitos leoneses. Até então, nas suas batalhas de Reconquista contra os mouros, os cavaleiros portugueses também invocavam: Por S. Tiago!

Mas foi sobretudo a partir do reinado de D. João I que este culto veio a adquirir verdadeira dimensão nacional, passando a partir de então a sua imagem a integrar a procissão do Corpo de Deus. Ainda hoje, a sua simbologia é empregue nos meios castrenses, principalmente para representar o exército português.

O culto a S. Jorge adquiriu verdadeira feição popular e nacionalista, conservando-se nos dias que correm algumas manifestações culturais que evocam a lenda de S. Jorge e, por seu intermédio, as lutas travadas pelos portugueses contra o invasor castelhano-leonês, numa reconfiguração da luta entre o Bem e o Mal.

capture3

Nas margens do rio Minho onde as veigas verdejantes da Galiza se alcançam em duas braçadas, as gentes minhotas do concelho de Monção mantêm um velho costume que consiste em celebrar todos os anos, por ocasião dos festejos do Corpo de Deus, o lendário combate travado entre S. Jorge e o Dragão.

A luta tem lugar na Praça de Deu-La-Deu cujo nome consagrado na toponímia local evoca a heroína que com astúcia conseguiu que as forças leonesas levantassem o cerco que impunham àquela praça. Perante uma enorme assistência, a coca - nome pelo qual é aqui designado o dragão! - procura, pesadamente e com grande estardalhaço, escapar à perseguição que lhe é movida por S. Jorge que, envolto numa longa capa vermelha e empunhando alternadamente a lança e a espada, acaba invariavelmente por vencer o temível dragão.

O dragão é representado por um boneco que se move com a ajuda de rodízios, conduzido a partir do exterior por dois homens e transportando no seu bojo outros dois que lhe comandam os movimentos da cabeça. Depois de o guerreiro lhe arrancar os brincos que lhe retiram a força e o poder, a besta é vencida quando S. Jorge o conseguir ferir mortalmente introduzindo-lhe a lança ou a espada na garganta, altura em que de uma bolsa alojada do seu interior escorre uma tinta vermelha que simula o sangue da coca.

- Por S. Jorge!



publicado por Carlos Gomes às 10:30
link do post | favorito
|

Quinta-feira, 21 de Abril de 2016
MUSEU MUNICIPAL DE OURÉM PROMOVE RECOLHA DE FOTOS ANTIGAS DO CONCELHO

O Museu Municipal de Ourém promove uma campanha de recolha de fotos antigas de Ourém, Vila Medieval e Núcleo Histórico de Ourém, com vista a integrar uma exposição temporária retrospectiva de imagens que retratam a história de Ourém desde finais do Século XIX.

A exposição tem inauguração agendada para Julho de 2016, na Casa do Administrador. Todos os munícipes interessados em partilhar este tipo de material, poderão fazê-lo através da entrega de fotografias antigas.

A recolha será feita durante o mês de Abril, sendo que, os originais serão devolvidos aos respectivos proprietários e devidamente mencionados na exposição.

A entrega das imagens poderá ser feita, na Oficina do Património (edifício situado ao lado do café central) de 2ª a 6ª feira: 09-13h/14-17h.



publicado por Carlos Gomes às 15:11
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 20 de Abril de 2016
MUSEU DE ARTE SACRA E ETNOLOGIA DE FÁTIMA PROMOVE CURSO LIVRE SOBRE “O TEMPO DOS ESTILOS UNITÁRIOS: A ARTE EUROPEIA ENTRE A BAIXA IDADE MÉDIA E O INÍCIO DA ÉPOCA CONTEMORÂNEA”

O CONSOLATA MUSEU |Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, vai promover de 5 de maio a 16 de junho o Curso Livre “O tempo dos estilos unitários: a arte europeia entre a Baixa Idade Média e o início da Época Contemporânea”.

O curso decorrerá às quintas-feiras, das 18h45 às 20h15, onde se abordarão os diferentes contextos artísticos do Românico, Gótico, Renascimento, Maneirismo, Barroco, Rococó, Neoclássico e Romantismo.

O curso será orientado por Sónia Vazão, licenciada em História, Variante de História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Este curso encontra-se aberto a todos os que se interessam por esta área, independentemente da sua formação profissional.

A data limite de inscrição é 3 de maio, estando limitado a 25 vagas. Informações através do n.º de telefone 249 539 470 ou do e-mail museuartesacra@consolata.pt. Inscrições online através do endereço http://masefatima.blogspot.com

Temas:

- A renovação artística europeia: o Românico (5 de maio);

- O renascimento urbano e o novo olhar sobre o divino: o Gótico: (12 de maio);

- Da erudição elitista à erudição ao serviço do poder: o Renascimento e o Maneirismo (19 de maio);

- A celebração do triunfo: o Barroco (2 de junho);

- Da festa privada à festa cívica: o Rococó e o Neoclássico (9 de junho);

- A valorização do indivíduo e os alvores das nacionalidades: o Romantismo (16 de junho).

Síntese

Desde finais da Idade Média até meados do século XIX os vários estilos artísticos apresentaram características estéticas e morfológicas transversais aos vários territórios europeus, pese embora as particularidades geográficas próprias da assimilação das várias linguagens estilísticas.

Após a queda do Império Romano, acontecimento que tradicionalmente marca

o início da Idade Média, o território europeu desmembrou-se culturalmente, o que teve impacto na produção artística. Por exemplo, perante a dificuldade de categorizar a arte religiosa produzida na Alta Idade Média, optou-se pela designação de Paleocristã. No período medieval, o Românico foi o primeiro estilo transversal às várias disciplinas artísticas e cujos cânones estéticos característicos se difundiram por grande parte do território europeu, com diferentes impactos. Outro dos estilos medievais foi o Gótico, muito ligado ao renascimento urbano europeu e a um novo olhar sobre o divino.

Nos finais do século XV-XVI as mudanças sentidas no território europeu a nível cultural foram sintetizadas num estilo artístico designado de Renascimento, que reintroduz a gramática clássica na arte produzida. O entanto, as tensões religiosas do século XVI ditaram uma cisão na cristandade ocidental com repercussões culturais significativas que moldaram, de forma diferenciada, o Maneirismo e o Barroco. A estética do Rococó e a estética do Neoclássico, de características muito díspares entre si, dominaram parte do século XVIII e atestam as mudanças que se estavam a operar no território europeu neste período, sobretudo devido ao Iluminismo.

No século XIX o panorama artístico foi primeiramente dominado pelo Romantismo, que é considerado o último estilo artístico unitário. Posteriormente surgiram movimentos e correntes estéticas de diferentes implantações geográficas, mas que não atingiram a transversalidade e abrangência disciplinar de um estilo.

Nota curricular

Sónia Vazão é licenciada em História, Variante de História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Além da atividade de docente em várias escolas do ensino básico e secundário, colaborou com o Museu Grão Vasco e com a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais como técnica de inventário. Assegurou a disciplina de História da Cultura e das Artes do Curso Preparatório de Acesso ao Ensino Superior, promovido pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e a disciplina de História do Curso Preparatório para Provas M23 do mesmo estabelecimento de ensino superior. Atualmente integra a equipa do Museu do Santuário de Fátima, é responsável pela Secção de Investigação do Serviço de Estudos e Difusão da mesma instituição e pertence ao Departamento de Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima.

Horário: 18h45-20h15

Calendário: 6 sessões às quartas-feiras

05, 12, 19 de maio

2, 9, 16 de junho

Inscrições: €35 | €30 sócios da Liga dos Amigos do Museu

Número máximo: 25 inscritos

Número mínimo: 15 inscritos

Data limite de inscrições: 3 de maio

Informações e inscrições

CONSOLATA MUSEU|Arte Sacra e Etnologia

Rua Francisco Marto, 52 Apt. 5

2496-908 – FÁTIMA

Tel. 249 539 470

e.mail museuartesacra@consolata.pt

Inscrições ONLINE: http://masefatima.blogspot.com



publicado por Carlos Gomes às 10:50
link do post | favorito
|

Terça-feira, 19 de Abril de 2016
HÁ ÍNDIOS EM OURÉM… DO PARÁ!

Povo Tembé Tenetehara comemora hoje Dia do Índio

Em Ourém do Pará – o município homónimo de Ourém, de Portugal – habita o povo tembé, indígenas brasileiros que constituem um subgrupo dos tenetearas. Este povo comemora hoje o seu dia com tradicionais festejos.

1601392_4020055916209_643178754851273730_n

Os índios tembé encontram-se fixados no nordeste do Pará, nas reservas indígenas do Alto Rio Guamá onde se situa o município de Ourém e Turé-Mariquita; no noroeste do Maranhão e no Estado de Minas Gerais, respetivamente nas áreas indígenas do Alto Turiaçu e em Luísa do Vale. As fotos são de Arlindo Matos, animador cultural e proprietário da Eco-Pousada Luar Lindo.

1653267_4020065316444_7237918202918433289_n

Histórico do contato

Em meados do século XIX, uma parte dos Tenetehara dos rios Pindaré e Caru, no Maranhão, rumaram na direção do Pará, para os rios Gurupi, Guamá e Capim, dando origem aos hoje conhecidos como Tembé (deixando no Maranhão os Guajajara). Nesses rios, ficaram sob o novo regime indigenista que acabara de ser criado, em 1845, em que cada província tinha um diretor geral (não havia um órgão indigenista encarregado de todos os índios do Império), sob cuja jurisdição ficavam os diretores de aldeia. Engajaram-se então na extração do óleo de copaíba, que era negociado com os regatões (comerciantes que percorrem os rios de barco) conforme o sistema de aviamento, isto é, de adiantamento de mercadorias a serem pagas com produtos florestais. Os regatões também se valiam dos índios para a busca de ouro, borracha, madeira de lei e como remeiros. Na extração do óleo de copaíba, a unidade de produção era a família extensa. A extração se fazia na mata, acima do nível anual de inundação, em árvores que eram poucas e dispersas, que não podiam ser sangradas na estação seguinte, o que provocava uma constante necessidade de deslocamento das famílias extensas para novas áreas ainda não exploradas. As aldeias Tembé, conseqüentemente, ou eram pequenas com localização mais ou menos permanente, ou temporariamente grandes com forte tendência à cisão.

10690143_10200297433314898_8279405344686045115_n

Os abusos e extorsões dos regatões provocaram um conflito em 1861, no alto Gurupi, em que sete Tembé mataram nove regionais. O policial encarregado de apurar os fatos espancou os índios e lhes tomou nove crianças, remetidas a Vizeu. Os índios fugiram e abandonaram sua aldeia. O governo provincial retirou os regatões da área e reuniu os moradores dispersos da aldeia de Trocateua na nova aldeia de Santa Leopoldina. Em 1862, só no alto Gurupi, havia 16 aldeamentos e, no último decênio do século XIX, havia notícia de numerosos grupos Tembé não contatados.

11011467_10200294386798737_7162783213466396462_n

A assistência aos Tembé do Gurupi por parte do SPI parece ter sido conseqüência da atividade de atração dos Ka'apor. Entre 1911 e 1929 o SPI criou três postos de atração. Em 1911, instalou o posto Felipe Camarão, junto à foz do Jararaca, afluente da margem direita do Gurupi. Parte dos Tembé do alto curso deste rio desceram para viver junto ao posto e trabalhar como intermediários na atração dos Ka'apor. Por falta de recursos, a atividade do posto cessou em 1915, embora ele só tenha sido extinto em 1950. Entre 1927 e 1929, o SPI criou mais dois postos. O Posto Pedro Dantas foi instalado na ilha Canindé-Açu, próxima ao local onde os Ka'apor costumavam atravessar o Gurupi; e o Posto General Rondon, no rio Maracassumé. Este último foi fechado em 1940, enquanto o Pedro Dantas, onde finalmente foram contatados os Ka'apor em 1928, tornou-se o atual PI Canindé. Com a instalação dos postos do SPI, os Tembé foram paulatinamente abandonando as cabeceiras do Gurupi e se instalando no curso médio do mesmo rio. Serviram ao SPI como guias, remeiros, trabalhadores nas roças e na fabricação de farinha. Mas o SPI também favoreceu na década de 50 a entrada de regionais para trabalhar nas roças do posto. A falta de cidades próximas e a dificuldade de escoamento da produção agrícola levaram o SPI a estimular o comércio dos índios com os regatões, aos quais forneciam couros de onça, enormes quantidades de jabutis, de aves e resinas diversas.

11147028_10200294407719260_8312586308967823350_n

Na década de 70, já no tempo da Funai, boa parte dos homens Tembé do Gurupi em idade adulta foram levados a trabalhar na Transamazônica, em frentes de atração de outros grupos Tupi, como os Parakanã e os Asurini do médio Xingu, desfalcando as aldeias de elementos masculinos, provocando escassez de alimentos com base na carne e no peixe e um esvaziamento das práticas rituais. Em 1971, a Funai ordenou a transferência dos Tembé do Gurupi para o rio Guamá, mas eles se recusaram a migrar.

17198_10200296040080068_8148579888488814122_n

Quanto aos Tembé do rio Guamá, eles permaneceram sob a exploração dos regatões, dedicando-se sobretudo ao corte de madeiras. Em 1945, quando já mantinham intensos contatos com os civilizados, o SPI instalou o primeiro e único posto na região. O posto operou num regime de produção para venda e para o próprio consumo, engajando os índios nos serviços de lavoura, e também na abertura de uma estrada, nunca concluída, que deveria ligar o Guamá ao Gurupi. Uma cantina fornecia gêneros alimentícios, roupas e ferramentas aos índios, descontando-lhes as despesas na folha de pagamentos. Por volta de 1960, um chefe de posto, para aumentar a produção, facilitou a entrada de colonos oriundos de uma frente camponesa que alcançava a região, o que trouxe uma intensificação dos casamentos interétnicos e do uso da língua portuguesa. Esse regime durou até a extinção do SPI em 1967. Paralelamente às tarefas promovidas pelo posto, os índios extraíam e comercializavam madeira por conta própria, descendo com jangadas de toras até Ourém. Por outro lado, a presença de caçadores de peles, madeireiros e criação de gado fez decair a caça e a pesca.

11169419_10200297547677757_2492056593684315172_n

Em 1970, o posto já não mantinha nenhum dos antigos projetos e estava abandonado, o que levou os Tembé a voltarem a plantar suas próprias roças numa área bastante desmatada. A Terra Indígena foi invadida por empresários, fazendeiros e posseiros. Houve várias negociações para retirada dos invasores, mas todas frustradas. Em 1978, a Funai propôs o loteamento de parte da Terra Indígena para os posseiros. Auxiliados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Igreja Católica, os Tembé do rio Guamá fizeram uma reunião com os do Gurupi em 1983, quando fizeram um abaixo-assinado contra a redução da Terra Indígena. Simultaneamente, foram convidados pela Funai a mudarem-se para o Gurupi. Alguns migraram, mas parte deles retornou depois de serem atacados pela malária e o sarampo.

Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/

Fotos: Arlindo Matos

11173366_10200296035679958_5814461313687466718_n

1533715_10200297404914188_2016713612883539695_n

1395378_10200296032839887_6361826173472201464_n



publicado por Carlos Gomes às 15:22
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 13 de Abril de 2016
ACONTECE NO MUSEU – S. SEBASTIÃO: RESUSTADOS RECENTES DO SEU ESTUDO

O encontro de conferências sobre a capela de São Sebastião em Atouguia, Ourém, surgiu de um trabalho coletivo de estudos e obras de consolidação do templo levado a efeito nos últimos anos. A uma intervenção de emergência para estancar o processo de degradação mais acelerado, sucedeu a limpeza de entulhos e uma campanha arqueológica no templo, em 2014.

DSC00903

Em simultâneo, decorreram vários processos de estudo e outros projetos de valorização deste património imóvel, que o Museu Municipal acompanhou e reuniu em 10 de abril na Casa do Administrador. Cinco oradores dinamizaram um painel diverso de comunicações, que trouxeram novas informações a algumas conclusões sobre o templo.

A primeira comunicação, conduzida pelo Professor A. Cunha e Silva foi dedicada ao culto Sebastiano a nível nacional e a sua relação com o caso de Ourém. Foram discutidas diversas pistas que poderão encontrar relação com o culto e com a capela em Ourém, como o relicário que terá existido na Igreja Colegiada, o registo de mordomias e confrarias dedicadas a S. Sebastião, a Batalha de Alcácer-Quibir, as invasões francesas e as próprias fogaças características na região.

As comunicações prosseguiram com a intervenção da arqueóloga Seara Rei que apresentou os resultados das sondagens arqueológicas realizadas no interior da Capela e no seu adro. As escavações permitiram detetar diversos vestígios arqueológicos até então desconhecidos, como estruturas, cerâmicas, moedas e material osteológico humano o que permitiu aferir novos dados sob o aproveitamento deste espaço religioso e da comunidade onde estava inserido.

Os resultados antropológicos preliminares relativos ao estudo do espólio osteológico humano foram apresentados pela antropóloga forense Sandra Assis, que contextualizou os resultados obtidos na sondagem, descrevendo os materiais encontrados e a sua pertinência para a reconstrução das vivências associadas à capela.

Ana Luísa Ferreira, aluna na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, expos os principais resultados da investigação que se encontra a conduzir no âmbito da sua dissertação de mestrado. Depois de uma breve resenha histórica sobre os principais episódios históricos que se relacionam com a capela, a oradora conduziu o publico pelos diversos espaços, numa tentativa de interpretar a composição da estrutura, intervenções e alterações que sofreu ao longo dos séculos.

A componente de representação da capela para o público mais jovem ficou a cargo de Alexandre Ferreira, que apresentou o projeto multimédia de réplicas tridimensionais da capela em cinco momentos da sua história que permitem a realização de visitas virtuais à capela em tecnologia 3D.

O encontro não terminou sem a intervenção do Presidente da Junta de Freguesia de Atouguia que agradeceu os contributos e salientou a importância dos estudos apresentados para perpetuar a memória da capela.

Colaboração: Museu Municipal de Ourém



publicado por Carlos Gomes às 14:35
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016
MAÇÃS DE D. MARIA DEBATE A HISTÓRIA LOCAL



publicado por Carlos Gomes às 00:01
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016
MUNICÍPIO DE OURÉM REQUALIFICA CRUZEIRO DO REGATO

O Município de Ourém realizou trabalhos de conservação e restauro no Cruzeiro do Regato, restituindo o valor histórico deste elemento patrimonial enquanto símbolo na fundação da Aldeia da Cruz.

Os trabalhos foram executados pela equipa de Conservação e Restauro do Museu Municipal de Ourém e permitiram estabilizar os processos de degradação verificados. A intervenção consistiu na aplicação de um biocida para eliminação da colonização biológica, seguida de uma limpeza mecânica com escovas de nylon e água corrente.

O Cruzeiro do Regato está associado à lenda que envolve D. Nuno Álvares Pereira e o seu irmão Pedro Álvares Pereira, após a Batalha de Aljubarrota no ano de 1385.

A imagem mostra o aspecto do cruzeiro antes dos trabalhos de requalificação



publicado por Carlos Gomes às 21:14
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016
ENCONTRO EM CUBA ENTRE O PAPA FRANCISCO E O PATRIARCA KIRILL DE MOSCOVO É UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO PARA OS CRISTÃOS DO MUNDO INTEIRO

12742248_961139133921715_3079496820512523276_n

Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia

«A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13).

  1. Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história.

Com alegria, encontramo-nos como irmãos na fé cristã que se reúnem para «falar de viva voz» (2 Jo 12), coração a coração, e analisar as relações mútuas entre as Igrejas, os problemas essenciais de nossos fiéis e as perspectivas de progresso da civilização humana

  1. O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do «Novo Mundo» e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes.

Alegramo-nos por estar a crescer aqui, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia dum grande futuro para esta região.

  1. Encontrando-nos longe das antigas disputas do «Velho Mundo», sentimos mais fortemente a necessidade dum trabalho comum entre católicos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com mansidão e respeito, razão da esperança que está em nós(cf. 1 Ped3, 15).
  2. Damos graças a Deus pelos dons que recebemos da vinda ao mundo do seu único Filho. Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milénio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos. Entre eles, contam-se inúmeros mártires que testemunharam a sua fidelidade a Cristo e se tornaram «semente de cristãos».
  3. Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos dum passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequência da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Oração Sacerdotal de Cristo Salvador: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo17, 21).
  4. Conscientes da permanência de numerosos obstáculos, esperamos que o nosso encontro possa contribuir para o restabelecimento desta unidade querida por Deus, pela qual Cristo rezou. Que o nosso encontro inspire os cristãos do mundo inteiro a rezar ao Senhor, com renovado fervor, pela unidade plena de todos os seus discípulos. Num mundo que espera de nós não apenas palavras mas gestos concretos, possa este encontro ser um sinal de esperança para todos os homens de boa vontade!
  5. Determinados a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas que herdámos, queremos unir os nossos esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o património comum da Igreja do primeiro milénio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo. Ortodoxos e católicos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em áreas onde isso seja possível e necessário. A civilização humana entrou num período de mudança epocal. A nossa consciência cristã e a nossa responsabilidade pastoral não nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum.
  6. O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Médio Oriente e do Norte de África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo vêem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objectos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e noutros países do Médio Oriente, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas.
  7. Pedimos a acção urgente da comunidade internacional para prevenir nova expulsão dos cristãos do Médio Oriente. Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis doutras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.
  8. Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a comunidade internacional a unir-se para pôr termo à violência e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir através do diálogo para um rápido restabelecimento da paz civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.

Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as quais se contam os Metropolitas de Alepo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida libertação.

  1. Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo restabelecimento da paz no Médio Oriente, que é «fruto da justiça» (Is32, 17), a fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.

Com um ardente apelo, dirigimo-nos a todas as partes que possam estar envolvidas nos conflitos pedindo-lhes que dêem prova de boa vontade e se sentem à mesa das negociações. Ao mesmo tempo, é preciso que a comunidade internacional faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de acções comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os países envolvidos na luta contra o terrorismo, para que actuem de maneira responsável e prudente. Exortamos todos os cristãos e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a sua criação da destruição e não permita uma nova guerra mundial. Para que a paz seja duradoura e esperançosa, são necessários esforços específicos tendentes a redescobrir os valores comuns que nos unem, fundados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo. Acreditamos que estes mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas mas unidos por uma tribulação comum, são um penhor da unidade dos cristãos. É a vós, que sofreis por Cristo, que se dirige a palavra do Apóstolo: «Caríssimos, (...) alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória» (1 Ped4, 12-13).
  2. Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias actuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar acções criminosas com slôganes religiosos. Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, «porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz» (1 Cor14, 33).
  3. Ao afirmar o alto valor da liberdade religiosa, damos graças a Deus pela renovação sem precedentes da fé cristã que agora está a acontecer na Rússia e em muitos países da Europa Oriental, onde, durante algumas décadas, dominaram os regimes ateus. Hoje as cadeias do ateísmo militante estão quebradas e, em muitos lugares, os cristãos podem livremente confessar a sua fé. Num quarto de século, foram construídas dezenas de milhares de novas igrejas, e abertos centenas de mosteiros e escolas teológicas. As comunidades cristãs desenvolvem uma importante actividade socio-caritativa, prestando variada assistência aos necessitados. Muitas vezes trabalham lado a lado ortodoxos e católicos; atestam a existência dos fundamentos espirituais comuns da convivência humana, ao testemunhar os valores do Evangelho.
  4. Ao mesmo tempo, estamos preocupados com a situação em muitos países onde os cristãos se debatem cada vez mais frequentemente com uma restrição da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convicções e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transformação de alguns países em sociedades secularizadas, alheias a qualquer referência a Deus e à sua verdade, constitui uma grave ameaça à liberdade religiosa. É fonte de inquietação para nós a limitação actual dos direitos dos cristãos, se não mesmo a sua discriminação, quando algumas forças políticas, guiadas pela ideologia dum secularismo frequentemente muito agressivo, procuram relegá-los para a margem da vida pública.
  5. O processo de integração europeia, iniciado depois de séculos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperança, como uma garantia de paz e segurança. Todavia convidamos a manter-se vigilantes contra uma integração que não fosse respeitadora das identidades religiosas. Embora permanecendo abertos à contribuição doutras religiões para a nossa civilização, estamos convencidos de que a Europa deve permanecer fiel às suas raízes cristãs. Pedimos aos cristãos da Europa Oriental e Ocidental que se unam para testemunhar em conjunto Cristo e o Evangelho, de modo que a Europa conserve a própria alma formada por dois mil anos de tradição cristã.
  6. O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o sistema de relações internacionais que se estabeleceu.
  7. As Igrejas cristãs são chamadas a defender as exigências da justiça, o respeito pelas tradições dos povos e uma autêntica solidariedade com todos os que sofrem. Nós, cristãos, não devemos esquecer que «o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor1, 27-29).
  8. A família é o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com a crise da família em muitos países. Ortodoxos e católicos partilham a mesma concepção da família e são chamados a testemunhar que ela é um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas relações mútuas, a sua abertura à procriação e à educação dos filhos, a solidariedade entre as gerações e o respeito pelos mais vulneráveis.
  9. A família funda-se no matrimónio, acto de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. É o amor que sela a sua união e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrimónio é uma escola de amor e fidelidade. Lamentamos que outras formas de convivência já estejam postas ao mesmo nível desta união, ao passo que o conceito, santificado pela tradição bíblica, de paternidade e de maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimónio, seja banido da consciência pública.
  10. Pedimos a todos que respeitem o direito inalienável à vida. Milhões de crianças são privadas da própria possibilidade de nascer no mundo. A voz do sanguedas crianças não nascidas clama a Deus(cf. Gn 4, 10).

O desenvolvimento da chamada eutanásia faz com que as pessoas idosas e os doentes comecem a sentir-se um peso excessivo para as suas famílias e a sociedade em geral.

Estamos preocupados também com o desenvolvimento das tecnologias reprodutivas biomédicas, porque a manipulação da vida humana é um ataque aos fundamentos da existência do homem, criado à imagem de Deus. Consideramos nosso dever lembrar a imutabilidade dos princípios morais cristãos, baseados no respeito pela dignidade do homem chamado à vida, segundo o desígnio do Criador.

  1. Hoje, desejamos dirigir-nos de modo particular aos jovens cristãos. Vós, jovens, tendes o dever de não esconder o talento na terra(cf. Mt25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evangélicos do amor de Deus e do próximo. Não tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, à qual estão longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje.
  2. Deus ama-vos e espera de cada um de vós que sejais seus discípulos e apóstolos. Sede a luz do mundo, de modo que quantos vivem ao vosso redor, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está no Céu (cf. Mt5, 14.16). Haveis de educar os vossos filhos na fé cristã, transmitindo-lhes a pérola preciosada fé (cf. Mt 13, 46), que recebestes dos vossos pais e antepassados. Lembrai-vos que «fostes comprados por um alto preço» (1 Cor 6, 20), a custo da morte na cruz do Homem-Deus Jesus Cristo.
  3. Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milénio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo.

Não somos concorrentes, mas irmãos: por esta certeza, devem ser guiadas todas as nossas acções recíprocas e em benefício do mundo exterior. Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter «os mesmos sentimentos, uns com os outros» (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar duma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. Somos chamados a pôr em prática o preceito do apóstolo Paulo: «Tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio» (Rm 15, 20).

  1. Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do «uniatismo» do passado, entendido como a união duma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.
  2. Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade numa grave crise económica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à actividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.
  3. Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canónicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.
  4. No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, «para que o mundo creia» (Jo17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.
  5. Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova salvífica, possa sustentar-nos o Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a sua promessa infalível: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» (Lc12, 32).

Cristo é fonte de alegria e de esperança. A fé n’Ele transfigura a vida humana, enche-a de significado. Disto mesmo puderam convencer-se, por experiência própria, todos aqueles a quem é possível aplicar as palavras do apóstolo Pedro: «Vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia» (1 Ped 2, 10).

  1. Cheios de gratidão pelo dom da compreensão recíproca manifestada durante o nosso encontro, levantamos os olhos agradecidos para a Santíssima Mãe de Deus, invocando-A com as palavras desta antiga oração: «Sob o abrigo da vossa misericórdia, nos refugiamos, Santa Mãe de Deus». Que a bem-aventurada Virgem Maria, com a sua intercessão, encoraje à fraternidade aqueles que A veneram, para que, no tempo estabelecido por Deus, sejam reunidos em paz e harmonia num só povo de Deus para glória da Santíssima e indivisível Trindade!

Francisco
Bispo de Roma
Papa da Igreja Católica

Kirill 
Patriarca de Moscovo
e de toda a Rússia

Havana (Cuba), 12 de Fevereiro de 2016.



publicado por Carlos Gomes às 22:04
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016
VAI PORTUGAL SUBSTITUIR OS SEUS SÍMBOLOS NACIONAIS?

Esta é a ditosa Pátria Minha Amada! – Luís de Camões

As Armas nacionais de Portugal são “de prata, com cinco escudetes de azul, postos em cruz de Cristo, cada um carregado por cinco besantes de prata, postos em cruz de Santo André (ou quincunce); bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro; o escudo sobreposto a uma esfera armilar, rodeada por dois ramos de oliveira (ou loureiro) de ouro, atados por uma fita verde e vermelha

As Armas Nacionais que desde há muitos séculos figuram nas bandeiras nacionais de Portugal identificam um passado glorioso cujos elementos heráldicos testemunham a matriz Cristã de Portugal e o seu papel histórico na Reconquista Cristã.

Escudo_portugal

Entre tais símbolos, realce-se os escudetes azuis besantados de prata dispostos sob a forma de Cruz de Santo André e que, de acordo com explicação lendária, teriam origem no milagre da Batalha de Ourique segundo a qual, Jesus Cristo terá aparecido a D. Afonso Henriques garantindo-lhe a vitória, caso adotasse por armas as suas chagas. Com efeito, segundo algumas teorias, os escudetes referem-se às cinco chagas de Cristo ou às cinco feridas de D. Afonso Henriques na batalha de Ourique.

A bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro representa, segundo a tradição, o antigo reino do Algarve, conquistado por D. Afonso III aos mouros.

Por conseguinte, qualquer que seja o significado dos seus símbolos, é evidente que o Cristianismo constitui a matriz da Cultura e da Civilização portuguesa, da identidade do povo português, com raízes tão profundas que nenhuma ideologia defensora de um pretenso laicisismo será capaz de arrancar…

Numa altura em que outros povos da Europa parecem envergonhar-se da sua própria identidade, cobrem com um manto de ignomínia as suas obras de arte e vergam perante os ditames dos arautos de outras culturas a pretexto de uma falsa tolerância, importa saber se também Portugal renegará os seus valores e a sua identidade, porventura ao ponto de substituir os seus próprios símbolos nacionais?



publicado por Carlos Gomes às 16:16
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016
HOJE É DIA DE S. SEBASTIÃO, SANTO PROTETOR DA EPIDEMIA, A FOME E A GUERRA

Um pouco por todo o país, celebra-se hoje a festa litúrgica a S. Sebastião, advogado contra a epidemia, a fome e a guerra. Tais festividades, na maioria dos casos, tiveram origem precisamente em ocasiões que se verificaram a propagação de pestes muito recorrentes durante a Idade Média e que, quase sempre vitimavam uma parte considerável da população.

Em Portugal, foi sobretudo a partir do século XVI que o culto se desenvolveu, não sendo alheio o facto de seu nome ter sido atribuído ao Rei D. Sebastião por este ter nascido a 20 de Janeiro, dia que é consagrado ao mártir S. Sebastião.

Reza a lenda que S. Sebastião nasceu em Narbonne, no sul de França – ou terá sido em Milão – oriundo de uma família nobre. Atingida a idade adulta, terá ido viver para Roma onde se alistou no exército romano, ao tempo de Dioclesiano, altura em que se intensificaram as perseguições aos cristãos. Desconhecendo, porém, a sua fé cristã, o Imperador chegou a promovê-lo capitão da guarda pretoriana.

Mas, a sua fé e conduta branca em relação aos prisioneiros acabaram por atrair sobre si a ira do imperador que o julgou como traidor e condenou à morte, tendo sido cravado de flechas e o seu corpo lançado ao rio. No entanto, tendo sobrevivido, viria a ser de novo condenado à morte por espancamento e o seu corpo atirado aos esgotos de Roma. O seu corpo veio a ser resgatado por Santa Luciana que o depositou nas catacumbas da cidade.

Para além da data do seu martírio e local do seu sepultamento, a narrativa histórica é inexata e pouco consistente. Não deixa, contudo, do seu culto ser um dos mais celebrados entre os cristãos, tanto católicos como ortodoxos.

O-MataMunicipal 102



publicado por Carlos Gomes às 10:29
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016
OURÉM COMEMORA CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA COM CICLO DE CONFERÊNCIAS

“Internacionalização: Fátima no Mundo” na perspetiva de Paulo Fonseca e Guilherme d’Oliveira Martins

Fátima recebeu ontem o primeiro jantar conferência integrado no ciclo “Conversas de Fátima: Portugal 1917 - Estado, Sociedade - Razão e Fé”, no âmbito das comemorações do Centenário das Aparições – Contributo da Sociedade Civil. Esta primeira iniciativa com o tema “Internacionalização: Fátima no Mundo” contou com as intervenções de Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura e de Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal de Ourém.

jantar-conferencia 130

O evento teve lugar no Hotel D. Gonçalo e entre os muitos participantes marcaram presença a Presidente da Assembleia Municipal, Vereadores da Câmara Municipal, vários Presidentes de Juntas de Freguesia do concelho, D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, Bispo Emérito de Leiria–Fátima, representantes do Santuário de Fátima e da ACISO, além de vários empresários e interessados no assunto.

jantar-conferencia 170

Paulo Fonseca iniciou a sua intervenção com uma apresentação do contexto histórico das Aparições em 1917 e realçou a importância da mensagem de Fátima que “vai mais longe do que a marca Portugal”. “É necessário perceber a dimensão de Fátima no Mundo”, defendeu o Presidente da Câmara e “compreender o tempo em que vivemos e a importância que a religião tem na vida dos povos e na construção de um Mundo melhor”. Paulo Fonseca exaltou também o ecumenismo como o caminho a seguir, já que “a lógica do cristianismo deve ser agregadora e integradora”, tal como a mensagem de Fátima. “Nós temos que nos afirmar como um centro mundial da Paz, um centro mundial do diálogo multicultural” e a finalizar lançou o repto para que saibamos “cultivar a Paz e uma relação positiva entre os humanos”.

jantar-conferencia 078

O Presidente do Centro Nacional de Cultura começou por sublinhar que “a liberdade de consciência é que permite a espiritualidade” e a compreensão do fenómeno religioso. Guilherme d’Oliveira Martins acrescentou que “Fátima é hoje uma referência extremamente importante, não apenas de cariz religioso, mas também nos caminhos de peregrinação”. Neste contexto sublinhou que “a peregrinação é um caminho para a descoberta de si mesmo” e relevou o contributo do Centro Nacional de Cultura e dos seus voluntários na marcação e manutenção dos “Caminhos de Fátima”. Segundo Guilherme d’Oliveira Martins um dos destinos mais procurados são os caminhos da peregrinação que, juntamente com os “Caminhos de Santiago”, têm trazido “milhões de peregrinos de todo o Mundo” ao território nacional. Em relação à mensagem de Fátima, o Presidente do Centro Nacional de Cultura reafirma que “todos são bem vindos a Fátima, todos sem exceção” e que “esta é a verdadeira mensagem de paz e de respeito de que o Mundo necessita”.

A próxima iniciativa no âmbito do ciclo “Conversas de Fátima: Portugal 1917 - Estado, Sociedade - Razão e Fé” está agendada para dia 20 de abril e terá continuidade com mais quatro jantares conferência até abril de 2017.

jantar-conferencia 023



publicado por Carlos Gomes às 20:00
link do post | favorito
|

Sábado, 9 de Janeiro de 2016
OURÉM DÁ A CONHECER O LEGADO PORTUGUÊS NA MALÁSIA

Workshop "Conhecer o legado português na Malásia" 

23 e 30 de janeiro e 06 e 13 de fevereiro

Das 15h00 às 17h00

Na Casa do Administrador – Museu Municipal de Ourém

Temas que serão abordados: religião; língua; gastronomia e festividades.

Material de suporte: Videos, Fotografias, testemunho directo e projecções.

Situada no sudoeste asiático, a população da Malásia é constituída por malaicos, indinos, chineses e euroasiáticos. Venha descobrir quem são estes últimos, o que fazem e o que sentem em relação a Portugal.

Público-alvo: adultos

Máx: 20 / Min: 10

Custo de inscrição e participação: 15,00€

Inscrições obrigatórias:

Museu Municipal de Ourém, de terça a domingo das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

Contactos: tel: 249 540 900 (ext. 6831), tlm: 919 585 003, e-mail: museu@mail.cm-ourem.pt



publicado por Carlos Gomes às 17:56
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2015
AS ORIGENS PAGÃS DO BOLO-REI

À semelhança do que sucede com a generalidade dos costumes atuais, perde-se no tempo a verdadeira origem do bolo-rei (ou bolo dos reis), da mesma forma que também este apresenta formas e designações variadas consoante as culturas. Assim, em Inglaterra mantém-se a tradição de comer e efetuar corridas com panquecas por ocasião da Terça-feira Gorda. Tratam-se, na realidade, de festividades de origem pagã que se encontram ligadas a rituais de fertilidade que outrora se realizavam por ocasião do Entrudo e visavam preparar a chegada da Primavera e, como ela, o renascimento dos vegetais.

Bolo-Rei

A própria designação de Terça-feira Gorda remete-nos para o antigo costume de fazer desfilar pela cidade um boi gordo antes de sacrificá-lo, prática cujas reminiscências ainda se preservam nomeadamente através das largadas de touros e na corrida da Vaca das Cordas. Da mesma forma que nos festejos carnavalescos se preserva a figura do respetivo Rei que cabia outrora àquele que no bolo encontrasse a fava ou o feijão dourado, sendo como tal tratado durante o ano inteiro.

Por seu turno, os romanos introduziram tal prática por ocasião das saturnais que eram as festividades que se realizavam em 25 de Dezembro, em celebração do solstício de Inverno, também eles elegendo um rei da festa escolhido á sorte pelo método da fava. À semelhança do que se verifica com a Coroa do Advento, a sua forma circular remete para antigos ritos solares perfeitamente enquadrados nas festividades solsticiais e nas saturnais romanas.

Com vista à conversão dos povos do Império Romano que preservavam em geral as suas crenças pagãs, o Cristianismo passou a identificar o “bolo-rei” com a celebração da Epifania e, consequentemente, aos Reis Magos. E, assim, aos seus enfeites e condimentos passaram a associar-se as prendas simbólicas oferecidas ao Messias ou seja, a côdea, as frutas secas e cristalizadas e o aroma significam respetivamente o ouro, a mirra e o incenso. Apesar disso e atendendo a que eram três os reis magos, esta iguaria não passou a ser identificada como “bolo dos reis”, conservando apenas a sua designação como “bolo-rei” ou seja, contrariando a sua própria conversão.

Durante a Idade Média, este costume enraizou-se na Europa devido à influência da Igreja a tal ponto que passou a ser celebrado na própria corte dos reis de França e a ser conhecido como Gâteau des Rois. Porém, com a revolução francesa, o mesmo veio a ser proibido em virtude da sua alusão á figura real, o mesmo tendo sucedido entre nós, imediatamente após a instauração da República, tendo alguns republicanos passado a designá-lo por “bolo-presidente” e até “bolo Arriaga”, em homenagem ao então Presidente da República.

Quanto aos seus condimentos e método de confeção, é usual associar-se à tradição da pastelaria francesa a sul do Loire, o que parece corroborar com a informação de que foi a Confeitaria Nacional a primeira casa que em Portugal produziu e vendeu o bolo-rei a partir de uma receita trazida de França, por volta de 1870. Resta-nos saber, até que ponto, também esta não terá buscado inspiração no tradicional bolo inglês.

Com a aproximação da Páscoa associada à chegada da Primavera e, com ela, o renascimento da Vida, o tradicional folar não trará favas escondidas no seu interior mas ovos que simbolizarão a fertilidade, de novo a evocar ritos ancestrais a um tempo anterior à nossa conversão ao Cristianismo.

Carlos Gomes / http://www.folclore-online.com/



publicado por Carlos Gomes às 00:01
link do post | favorito
|

Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015
AUREN TV TRANSMITE MISSA EM OURÉM DEDICADA A SÃO NUNO DE SANTA MARIA

No passado dia 6 de novembro, teve lugar Sé da Colegiada de Nossa Senhora das Misericórdias, na Vila Medieval de Ourém, uma celebração religiosa em dedicação a D. Nuno Álvares Pereira, III Conde de Ourém e agora São Nuno de Santa Maria.

O AUREN TV registou em vídeo a cerimónia que agora pode ser visionada na página do AUREN TV em https://www.facebook.com/aurentv/?fref=ts ou através do MEO Kanal, canal 585132, na televisão.



publicado por Carlos Gomes às 19:58
link do post | favorito
|

Sábado, 12 de Dezembro de 2015
QUAL É O TERRITÓRIO DE PORTUGAL NO CONTINENTE EUROPEU?

1. Portugal abrange o território historicamente definido no continente europeu e os arquipélagos dos Açores e da Madeira.

2. (…)

3. O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras.

- artigo 5.º da Constituição da República Portuguesa

4691311

Foto: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/home.do

Traité de délimitation de la frontière entre l'Espagne et le Portugal à partir de l'embouchure du Minho jusqu'au confluent du rio Caya et du Guadiana. Signé à Lisbonne le 29 septembre 1864

Acte final approuvant les annexes au Traité susmentionné.

Signé à Lisbonne le 4 novembre 1866

Textes authentiques : espagnol et portugais.

Classés et inscrits au répertoire à la demande de l'Espagne le 21 septembre 1982.

TRATADO DE LIMITES DESDE LA DESEMBOCADURA DEL MINO HASTA LA UNION DEL RIO CAYA CON EL GUADIANA ENTRE ESPANA Y PORTUGAL

Sua Magestade A Rainha das Hespanhas e Sua Magestade El Rei de Portugal e dos Algarves, tomando em consideraçâo o estado de desassocego em que se encontram muitos povos situados nos confins de ambos os Reinos por nâo existir uma demarcaçâo bem defïnida do territorio, nem Tratado algum internacional que a désigne; e desejando pôr termo de uma vez para sempre, aos desagradáveis conflictos que por tal motivo se suscitam en varios pontos de raia, estabelecer e consolidar a paz e harmonia entre os povos limitrophes, e finalmente, reconhecendo a necessidade de fazer dessapparecer a situaçâo anomala em que, à sombra de antigas tradiçôes feudaes tem permanecido até hoje alguns povos immédiates à linha divisoria de ambos os Estados com reconhecido e commun prejuizo destes, convieram en celebrar um Tratado especial que détermine clara e positivamente, tanto os direitos respectives dos povos confinantes, como os limites territoriaes de ambas as Soberanias na linha de fronteira que se estende desde a foz do rio Minho até à confluencia do Caya com o Guadiana.

Para este effeito nomearam seus Plenipotenciarios a saber:

Sua Magestade A Rainha das Hespanhas ao Senhor Dom Joào Jimenez de Sandoval, Marquez de la Rivera, Commendador de numéro da Real e distincta ordem de Carlos III, Commendador da de Izavel a Catholica, Caballeiro da de Sâo Joào de Jérusalem, Commendador da do Leâo Neerlandez, Officiai da Legiào d'Honra de França, Caballeiro de primeira classe da Aguila Vermelha da Prussia, Secretario com exercicio de Décrètes, Seu Enviado Extraordinario e Ministre Plenipotenciario na Côrte de Sua Magestade Fidelissima, etcetera, etc.; e ao Senhor Dom Facundo Goni, seu Ministre Résidente, Deputado que foi as Certes, etc., etc.

E Sua Magestade El Rei de Portugal e dos Algarves ao Senhor Nuno José Severo de Mendoça Rolim de Moura Barretto, Duque e Marquez de Loulé, Conde de Valle de Reis, Estribeiro Môr, Par do Reino, Conselheiro d'Estado, Grào Cruz da antiga e muito nobre ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Merito, Commendador da Ordem de Christo, condecorado com a Medalha numéro nove de Dom Pedro e Dona Maria, Caballeiro da Ordem Suprema da Santissima Annunciada e Grâo Cruz da Ordem de Sâo Mauricio e Sâo Lazaro de Italia, de Carlos III de Hespanha, da Coroa Verde e de Ernesto o Pio de Saxonia, de Leopoldo da Belgica, do Leâo Neerlandez, da Aguila Vermelha e da Aguila Negra da Prussia, do Danebrog de Dinamarca, de Pio IX, da Legiào d'Honra da França e de Santo Olavo de Suecia, Présidente do Conselho de Ministres, Ministre e Secretario de Estado dos Négocies Estrangeiros e interinamente dos do Reine, etc., etcetera, e o Senhor Jacinto da Selva Mengo, do seu Conselho, Caballeiro das Ordems de Christo, de Nossa Senhora de Conceiçâo de Villa Viçosa e da antiga e muito nobre Ordem da Torre e espada de Valor, Lealdade e Merito, condecorado com a medalha numéro nove de Don Pedro e Dona Maria, Commendador de numéro extraordinario da Real e distincta Ordem de Carlos III, e da de Izavel a Catholica de Espanha, das de Sâo Mauricio e Sâo Lazaro de Italia, de Leopoldo da Belgica, do Danebrog de Dinamarca e da Coroa de Carbalho dos Paises Baixos, Cavalleiro de segona classe da Ordem Impérial de Santa Anna de Russia, condecorado com o Nichani Iftijar em brilhantes de Turquïa, Officiai e Chefe da primeira repartiçâo da Secretaria d'Estade des Négocies Estrangeiros; os quaes, depois de haberem communicado os seus plenos poderes achados em boa e debida forma, tendo examinado minuciosa e detidamente varios e numerosos documentos, assim antigos como modernes, adducidos por ambas as partes em apoio de seus direitos e pretençôes, e tendo alem disto présentes os estudos e trabalhos da Comissào mista de limites que nos ultimos annos percorrera a linha de fronteira convieram nos artigos seguintes:

Artigo I. A linha de separaçào entre a Soberania do Reino de Hespanha e a de Portugal começarâ na foz do rio Minho entre a provincia hespanhola de Pontevedra e o distrito portugez de Vianna do Castello e se diiïgirâ pela principal veia fluida do dito rio até à confluencia de rio Barjas ou Troncoso.

A ilha Canosa situada perto da foz do Minho, a denominada Cancella, a Insua Grande que se encontra no grupo das ilhas de Verdoejo entre o povo hespanhol Caldelas e o portuguez Verdoejo, e o ilhote Filha Boa, situado perto da Salvatierra, pertençerâo a Hespanha.

As ilhas chamadas Canguedo e Ranha Gallega que forman parte do mesmo grupo de Verdoejo, pertençerâo a Portugal.

Artigo IL Desde a confluencia do rio Minho com o Troncoso a linha internacional subira pelo curso deste ultimo rio até ao Porto dos Caballeiros e d'aqui continuarâ pela serra do Lavoreiro, passando successivamente pelos altos Guntin e de Lavoreirâo; pelo marco das Rossadas e pela Portella do Pao.

O terreno comprehendido entre huma linha recta desde o marco das Rossadas à Portella de Pao e outra linha que passe pelo Châo das Passaras e alto da Basteira questionado por Gorgoa e Adufeira, sera dividido en duas partes eguaes.

Artigo III. Desde a Portella de Pao seguirâ a raia pela serra de Laboreiro, tocando no cerro chamado Outeiro de Ferro e Cabeço da Meda, e pasando em seguida pelo marco d'Antella, alto denominado Coto dos Cravos, Penedo de Homem e Penedo Redondo, descerâ a tomar o curso das aguas do rio de Castro, tresentos métros mais abaixo do ponto que no dito rio se conhece pelo nome de Porto de Pontes.

0 terreno questionado por Pereira e Meijoeiia, situado entre o Penedo Redondo e o rio de Castro, pertencerâ a Portugal.

Artigo IV. A linha divisoria partindo do ponto designado no rio de Castro continuarâ pela veia fluida deste rio e depois pela do Barcias ou Tibô até à sua junçào com o Lima, pela corrente do cual subira até à un ponto equidistante entre a confluencia do rio Cabril e a Pedra de Bousellos. Do referido ponto subira ao elevado rochedo da Serra de Gérez, chamado Cruz dos Touros.

O terreno questionado entre os (povos) hespanhoes da freguezia de Manin e os portuguezes de Lindoso sera dividido pela linha de fronteira em duas partes eguaes.

Artigo V. Da Cruz dos Touros o limite internacional, voltando a sua

direcçâo gérai para Nordeste, correrâ pelos eûmes das serras do Gérez e do Pisco, passando succesivamente pela Portella do Hommen, alto da Amoreira, Pico de, Nevosa, Portella da Cerdeirinha, Alto da Ourella do Cabalhinho, Coto de Fonte Pria, Pedra do Pisco na Portella de Pitoens, e marco do Pisco.

O terreno situado entre os dous ultimos pontos pretendido por Guntemil e Pitoens, sera dividido pela raia em duas partes eguaes.

Artigo VI. A partir do marco do Pisco seguirâ a linha de fronteira pela demarcaçâo actual, tocando na Buraca do Foxo; e atravesando o rio Sallas continuarâ pelo marco da Fonte-Fria até ao marco chamado Lage da Ovelha. Daqui ira pelo marco da Calveira até a capella portugueza de Sâo Lourenzo; e cortande segunda vez o rio Sallas, no sitio chamado a Fraga, seguirâ pelas penhas da Raposeira e Fonte da Devesa, e depois pelo ribeiro de Barjas que corre proximo a dita fonte até ao marco do Sapateiro na cumeada da serra do Pisco. Daqui se encaminharâ em direcçào Este e por aguas vertentes da serra da Penha até as pedras de Malrandin, passando pelo Cabeço do Româo, Outeiro do Borracho, Cabeço do Sabugueiro e Portella do Grito.

O terreno situado à direita do ribeiro de Barjas ja mencionado, e que pretendem Vilarinho e Tourem, pertencerâ a Hespahha. O terreno de dominio duvidoso entre Vilar e Sabuzedo ficarâ demarcado por aguas vertentes.

Artigo VU. Desde as pedras de Malrandin se dirigirâ a raia em direcçào Norte pela actual linha de separaçào entre o Couto misto e o termo de Vilar até ao ponto em que a corte un alinhamento recto tirado do Castello da Piconha ao Pico de Monte Agudo e deste ponto de encontre, voltando em direcçào Este continuarâ por outro alinhamento recto até ao Porto de Bancellos.

Portugal renuncia a favor de Hespanha todos os direitos que possa ter sobre o terreno do Couto misto e sobre os povos nelle situados, os quaes em virtude da direcçào determinada pela linha acima descripta ficam em territorio hespanhol.

Artigo VIII. Desde o Porto de Bancellos a linha de fronteira entre ambas as Naçôes dirigirse-ha pelo Penedo das Cruzes, Cabeço da Escusa, sitio denominado Capella de Sâo Fitorio, Penedo dos Bastos, ruinas do Castello portuguez de Portello ou de Sendim, Pedra Laça e marco da Roussiâ; depois subira a Serra do Larouco que atravessarâ pelas penhas da Cascalheira, Penedo Airoso ou Fraga da Eiroca, Vidoeiro do Extremo e continuarâ a meia distancia entre os ribeiros do Inferno e Cabana até a Cruz do Grou. Daqui seguirâ pelo Regueiro da Rega até à um ponto conveniente que deve fixar-se, e deste continuarâ em linha recta até ao Outeiro de Maria Sacra.

Os terrenos existentes entre Vidoeiro do Extremo e a Cruz de Grou e entre a Cruz de Grou e o Outeiro de Maria Sacra disputadas pelos povos da Gironda e de Santo André serâo divididos em partes eguaes.

Artigo IX. Do Outeiro de Maria Sacra ira a raia pelo Madorno das Terras até à Adega dos Palomares, e daqui em linha recta ao Penedo Grande de Modorno.

Depois continuarâ pela fonte de Codeceira, Pedras da Estiveira, Porto Cobil ou das Bestas, e entrando no rio Porto de Rei descerâ por este até um ponto que se ache proximamente a 150 métros do Pontào de Porto de Rei. Do dito ponto ira em linha recta as Cruzes do Marco de Porto de Rei, entrando no rio Assureira e subindo por elle até à ponte de Assureira.

En consequencia da demarcaçâo consignada neste artigo, a estrada directa de Sâo Milâo a Videfferre ficarâ toda em territorio hespanhol.

Artigo X. Da ponte d'Assureira a linha de separaçào entre as duas Monarchias se encaminharâ pelos marcos ora existentes até as inmediaçôes do povo promiscuo de Soutelinho, e passando pelos pontos que se demarcarâo perto do dito povo, que ficarâ em territorio portuguez, tornarâ a encontrar o limite actual da fronteira e continuarâ por elle, tocando na Cruz da Fonte do Asno, Porto-Caballo de Cima e de Baixo, Penedo dos Machados e marco da Fecha, seguindo pelo ribeiro de Cambedo até à sua confluencia com o de Valle de Ladera, O povo promiscuo de Soutelinho pertenecerâ a Portugal, demarcandose-lhe em territorio de Hespanha uma zona de 90 a 100 métros de largo, contigua à povoaçào.

Artigo XL A raia partindo do ribeiro de Valle de Ladera seguirâ o leito deste e continuarâ pelo limite do terme municipal hespanhol de Cambedo até Portella de Vamba para dirigirse à Penha ou Fraga da Raia. Deste ponto ira atravessando o valle do rio Tamega pelos marcos que hoje determinan a fronteira, tocarâ no Pontâo de Lama, e logo passando proxima dos povos portuguezes de Villarelho e Villarinho, entrarâ no rio Tamega pela Fraga de Bigode ou Porto de Villarinho. Daqui seguirâ pela veia principal do Tamega até à confluência do rio Pequenho ou de Fezes, por onde subira até à Fraga de Maria Aloes, prosseguindo depois pelo limite do termo municipal hespanhol de Lama d'Arcos até ao Outeiro de Castello Ancho.

Os dous povos promiscuos Cambedo e Lama d'Arcos com sens actuâes termes municipaes ficam pertendo a Portugal.

Artigo XII. Desde o Outeiro de Castello Ancho ira a raia atravessando a serra de Mairos ou Penhas livres pelo Outeiro da Teixogueira; Pedra Lastra e Fonte Pria, e descerâ pelo ribeiro de Palheiros até à Fraga da Maceira e Laga do Frade. Continuarâ depois pela demarcaçào practicada en 1857 até à Fonte de Gamoal ou de Talhavalles, da quai ira ao marco de Valle de Gargalo, e dirigiendose por um ribeiro que tem sua origen perto do dito marco até à sua uniào com o rio Valle de Madeiros, descerâ por este até um ponto proximo do primeiro regato que se Ihe junta pela esquerda e continuarâ daqui en linhas rectas inmediatas ao caminho de Sào Vicente a Sigirey, o quai deverâ ficar todo em território portuguez, até ao marco do caminho de Soutechao.

Desde este marco seguirâ a raia invariavelmente a demarcaçào feita en 1857 até à Pedra Negra, d'onde se encaminharâ a um ponto equidistante entre o marco de Cabeça de Peixe e o sitio designado pelos portuguezes com egual nome.

Artigo Xlll. Desde o ponto de Cabeça do Peixe a linha divisoria ira pela demarcaçào existente, passando pela Igrejinha de Mosteirô à confluencia dos rios Arçoâ e Mente, e subindo pelo curso deste até ao ribeiro dos Cabrées, seguirâ pelo dito ribeiro até perto de sua origem, dexando-o para ir passar entre os dous sitios que os hespanhoes e os portuguezes chaman Cruz de Carapainho e chegar à confluencia do ribeiro Valle de Souto com o rio Diabredo ou Moâs. Daqui seguirâ pelo dito rio um curto espace, subindo logo pelo Covanco do Diabredo: depois dirigirse-ha ao Penedo de Pé de Meda, e, atravessando as Antas de Pinheiro, correrâ por aguas vertentes até ao Portello do Cerro de Esqulqueira.

Os terrenos de dominio duvidoso entre Barja é Cisterna a entre Esqulqueira e Pinheiro Novo e Pinheiro Velho serâo divididos segundo o determinha a linha de fronteira descripta no présente artigo.

Artigo XIV. Do Portello do Cerro da Esqulqueira ira a raia pela cumeada deste até ao penedo mais elevado dos do dito cerro, situado quasi a meia distancia da descida domesmo, de fronte do Monte do Castro, d'onde se dirigirâ, seguindo un alinhamento recto, a tocar no primeiro ribeiro que conflue com o rio Assureira, mais abaixo do Porto do Vinho, e em um ponto distante 450 métros do dito rio. D'aqui ira a raia seguindo em linha recta até terminar no ponto em que o rio Assureira muda de direcçào de Sul para Oeste, pouco mais acima do Pontào de Cerdedo. Desde o dito ponto, ou antes, desde a volta do Assureira, subira a raia por este rio até à um ponto equidistante entra a uniâo do ribeiro das Carvalhas e o sitio chamado Cova d'Assureira, indo d'aqui em linha recta a terminar na Cavanca dos Ferreiros junto do caminho de Manzalvos a Tioselo. Continuar pelo marco das Carvalhas ou Pedra da Vista e pela vereda chamada Verea Velha até ao Penedo dos très Reinos, donde termina a provincia de Orense.

Os terrenos questionados respectivamente entre Chaguazoso e Pinheiro Velho, Villarinho das Touças e Cerdedo e entre Manzalvos e Casares e Carvalhas ficarâo divididos segundo détermina a linha de fronteira descripta no presente artigo.

Artigo XV. Desde o Penedo dos très Reinos ira a raia a Pedra Carbalhosa, atravessarâ depois o rio Tuella no porto da Barreira, e subindo até proximo ao Forno de Cal, voltarâ em direcçào Este, passando pelos sitios chamados. Escusenha, Valle de Carvalhas, marco de Roi e Pedra Estante ou Pedra dos Très Rispos na serra de Gamoneda e continuarâ pela Fonte Grande, Pedra Negra e Penha da Formiga.

O terreno questionado por Castromil e Moimenta situado entre o Penedo dos très Reinos, Penedo do Moço e Fraga ou Pedra Carvalhosa sera dividido en duas partes eguaes.

Artigo XVI. Da Penha da Formiga continuarâ a linha internacional pelo Valle das Porfias até atravessar o rio de Calabor. D'aqui seguirâ pelo marco da Campiça e em alinhamentos rectos pelo Cabeço ou Cerro da Pedra Pousadeira, marco da Trapilha ou de Ervancede e marco de Rio d'Honor, subindo pelo ribeiro que corre entre Rio d'Honor de Cima e Rio d'Honor de Baixo. Passarâ depois pelos marcos de Leixo e de Ripas na serra de Barreiras Brancas, e ira encontrar proximo do povo hespanhol de Santa Cruz o rio Maçans, cujo curso seguirâ até ao marco situado mais abaixo do moinho da Ribeira grande. D'aqui se encaminharâ ao marco de Candena ou de Picào, e voltando para Este ira encontrar outra vez o rio Maçans na Penha Furada, a corrente do quai marcarâ a fronteira até à Pedra ou Poço da Olha.

Artigo XVII. Desde o Poço da Olha subira a linha de fronteira para o Castello do Mao-Visinho, e correndo pelo cume da serra de Rompe Barcas seguirâ tocando successivamente no alto da Manchona, Alto da Urrieta del Cerro ou da Lameira, marco de Valle de Frades, marco de Valle de Madeiros e marco da Cazica na serra desde nome, e moinho da Raya no ribeiro d'Avelanoso, serra de Cerdeira até ao sitio das Très Marras.

Artigo XVIII. Do sitio das Très Marras ira a raia por aguas vertentes da serra de Bouzas ao moinho da raia no rio d'Alcanhiças subira d'aqui ao alto do Canhiço na serra de Sâo Adriào; e passando depois pela pyramide geodesica, marcos de Nossa Senhora da Luz, da Appariçao, de Prado Pegado ou da ponte de Pâo, da Prateira e da Nogueira, entrarâ no rio Douro proximo da confluência do ribeiro do Castro. Deste ponto a linha internacional ira pelo centro da corrente principal do Douro até à sua confluencia com o Agueda, subindo por este até à sua juncçào com o Ribeiro dos Toirôes, que a seu turno demarcarâ a fronteira até um ponto proximo do moinho de Nave Cerdeira.

Artigo XIX. Do ponto indicado perto do moinho de Nave Cerdeira continuarâ a raia pelo valle das Meias para subir ao Alto das Vinhas da Alameda, d'onde se dirigirâ pela direita do caminho hespanhol que da Aldea do Bispo conduz a Fuentes d'Onor, a encontrar o Valle de Golpina ou de Provejo passando depois perto da Cruz da Raia, e mais adiante pela parede da Tapada de la Huerta de la Calzada. ira pela Hermida do Espiritu Santo ao Alto ou Teso da Polida, atravessarâ o ribeiro del Campo, e voltando ao Sul se encaminharâ pelo monte de Cabeça de Caballo ao Alto dos Campanarios. Daqui ira entrar no caminho que conduz de Nave de Aver a Alamedilla, pelo quai continuarâ até Alto Redondo, seguindo depois pelo Cabeço da Atalaia, Cruz da Raia, Monte Guardado e Barrocal das Andorinhas.

O terreno de dominio duvidoso situado entre o Monte Guardado e o Barrocal das Andorinhas sera dividido em duas partes eguaes entre ambas as Naçôes.

Artigo XX. Do Barrocal das Andorinhas a linha divisoria, passando pela parede Este da Tapada do Manso, e voltando pela do Sul seguirâ pelos penedos marcados com cruzes antigas até ao ponto chamado pelos portuguezes Canchal da Raia. Daqui pasarâ junto da Tapada do Piâo d'Ouro, e atravessando o Ribeiro da Lagiosa e Canchal do Freixo seguirâ pelo ribeiro de Codeçal, tocando no Cabeço das Barreras ou Vermelho, d'onde se encaminharâ a Penha de Navas Molhadas, situada na serra das Mesas. Continuarâ pelo cume desta serra, que aqui sépara as aguas dos rios Douro e Tejo, e passando pelo Cabeço de Clerigo, correrâ tambien por aguas vertentes da serra da Marvana, e descerâ a encontrar o rio Torto ou Ribeira Grande no sitio da Ginjeira ou Curral das Colmeas.

Artigo XXI. Desde o sitio da Ginjeira a linha internacional seguirâ pelo riu Torto até à sua juncçâo com o Basabiga, o quai formarâ a fronteira até à sua confluencia com o Erjas, que a seo turno a demarcarâ até desembocar no Tejo.

Depois seguirâ a raia principal veia fluida do Tejo abandonando-lo no ponto em que recebe as aguas do Sever, pelo quai subira até à presa do moinho da Negra, no sitio chamado Pego da Negra.

Artigo XXII. Desde o Pego da Negra ira à raia ao Canchal de Crença e por aguas vertentes ao da Cova do Ouro, encaminhandose pelas Penhas da Limpa e recorrendo a cumeada da Serra Pria, seguirâ logo pela Serra da Palha, passando pelo Cerro Mallon e Portello da Xola, descendu depois a cortar o rio Xebora no Pego da Raia, continuando pelo Cabeço de Valdemouros e o dos Très Termos até entrar no ribeiro Abrilongo. Depois de seguir certo espaço o leito do dito ribeiro, abandona-lo-ha para atravesar a Referta de Arronches, cuyo terreno dividirâ, deixando a terça parte deste em Portugal, e continuarâ pelo limite que separa de Hespanha a primeira Referta de Onguella, até ao moinho de Rozinha sobre o rio Xebora. D'aqui seguirâ pelo alto da Dessezinha e pelos marcos existentes até ao da Garrota, e passando logo pelo limite que sépara de Portugal a segunda Referta de Onguella ou de Baixo, ira tocar no primeiro rrtarco de terme de

Badajoz.

O terreno que comprehendem as Refertas, e que disfructam em comum o povo hespanhol de Alburquerque e os portuguezes de Arronches e Onguella sera dividido em partes eguaes entre ambos os Estados do seguinte modo: a segunda Referta de Onguella ou de Baixo pertenecerâ integralmente à Hespanha; a primera Referta de Onguella ou de Cima pertenecerâ integralmente a Portugal; a Referta de Arronches sera dividida ficando para Portugal a terça parte do terreno contiguo à primeira Referta de Onguella e para Hespanha as duas terças partes restantes.

Artigo XXIII. Desde o primeiro marco de Badajoz seguirâ a raia a demarcação existente, cortando o _Xebora e proseguindo ira entrar no rio Caia, pela corrente do quai continuarâ até à sua juncçào com o Guadiana, entre a provincia hespanhola de Badajoz e o distrito portuguez de Portalegre. Na confluencia do Caia com o Guadiana termina a fronteira internacional, cuya demarcaçâo tem sido objecte do présente Tratado.

Artigo XXIV. Para fixar com exactidào e de modo que nào dé logar a duvidas a linha divisoria internacional cujos pontos principaes ficam mencionados nos artigos précédentes, convieram as duas Partes contractantes em que se pro céda com a brevidade possivel à collocaçâo dos marcos necessaries e a sua descripçào geometrica; para levar a efeito estas operaçôes, os dous Gobernos nomerâo os Commissaries compétentes.

A collocaçâo dos marcos assistirào delegados das respectivas Municipalidades hespanholas e portuguezas interessadas em cada porçâo de fronteira. A fim de que a mesma collocaçâo nos pontos da referida linha divisoria, nâo ïndicados neste Tratado, se faça justa e dividamente, serào consultadas em casos de divergencia as actas da Comissào mixta de limites. A acta da collocaçâo dos marcos e a sua descripçào geometrica. feita em duplicado e devidamente legalizada se juntarâ ao présente Tratado e as suas disposiçôes terào a mesma força e vigor como se n'elle se houvessem literalmente inserido.

Artigo XXV. A fim de assegurar a permanencia dos marcos que designam a linha internacional conveio-se-em que as Municipalidades limitrophes dos dous Reinos empreguem na parte que Ihes respeite, e de accorde com as Autoridades compétentes as providencias que julguem necessarias para a conservaçào dos marcos collocados, reposiçào dos destruidos e castigo dos delinquentes. Para este effeito no mez de agosto de cada anno se farâ un reconhecimiento da raia por delegados das Municipalidades confinantes com assistencia dos Alcaides hespanhoes e dos Administradores dos concelhos portuguezes. Desse reconhecimento se lavrarâ auto, do quai se remetterâ uma copia as Autoridades superiores administrativas para que estas possam conhecer o estado da demarcaçâo da fronteira, e procéder segundo exigam as circumstancias.

Artigo XXVI. Os povos de ambos os Paizes que desde muito tempo gozam o direito de colher en commun as herbagens na ilha Canosa, situada no rio Minho, continuarâo como até agora e em conformidade dos seus regulamentos municipaes no gozo commun d'aquelle aproveitamento.

Considerando os perjuicios que soffren varies povos situados nas margens de alguns rios limitrophes e designadamente nos do Minho, assim como os embaraços para a navegaçâo, em consecuencia de construcçôes nas margens dos ditos rios e d'alteraçâo résultante no curso de suas aguas, e desejando obstar aos abuses e regular o exercicio dos legitimos dereitos, convem ambas as Partes contractantes em que depois de feitos os estudos previos se forme um regulamento especial, que tendo em dévida conta os damnos produzidos anteriormente estabeleça e fixe para o future as regras convenientes con respeito à construcçào d'obras de cualquier classe nas margens dos rios confinantes e particularmente nas do Minho e suas ilhas.

Artigo XXVII. Havendo passade integralmente ao dominio e soberania de Portugal em virtude dos artigos decimo e undecimo os très povos promíscuos denominados Soutelinho, Cambedo e Lamadarcos, e ficando egualmente sob o dominio e soberania de Hespanha en virtude do artigo septimo, os très povos do Couto misto chamados Santa Maria de Rubiâs, San Thiago e Meaus, convem ambas as Partes contractantes em que tanto os habitantes dos povos promíscuos que sejam realmente subditos hespanhoes, como os habitantes do Couto misto que sejan realmente subditos portuguezes, possam, si assim Ihes convier, conservar a sua respect!va nacionalidade. Para este fin tanto ums como outros declararão a sua decisào ante as Autoridades locaes no termo de un anno, contado desde o dia en que se ponha em execuçào o présente Tratado.

Artigo XXVIII. Attendendo a que a linha internacional segue em varias partes cursos d'agua, a direçâo dos caminhos e toca em algumas fontes, conveiose-em que caminhos, cursos d'agua e fontes que se achen no caso indicado sejam de uso commum para os povos d'ambos os Reines.

As pontes construidas sobre os rios que limitam a fronteira pertençerâo por metade aos duos Estados, salva a justa indemnizaçâo entre os duos Governos, proveniente das despesas feitas na construcçào das mesmas pontes.

Artigo XXIX. A fim de evitar, quanto possivel, os damnos que possam provir aos povos arraianos por causa de apprehensôes de gados e para manter a melhor harmonia entre aquelles conveio-se:

1.° Que pelo facto de emtrarem gados a pastar indevidamente no territorio de outra Naçâo, se imponham tào sômente penas pecuniarias.

Que para responder pelas penas e gastos occasionados com as ditas apre hensôes nào possa reter-se mais do que uma rez de cada dez das apprehendidas.

3.° Que se se considerem legaes as apprehensôes verificadas pelos guardas dos povos ou pela força pûblica, devendo-se entregar os gados apprehendidos à Autoridade no termo jurisdiccional da quai se tenham encontrado. Para por em practica as bases que ficam establecidas adoptarâo de com mum accorde ambos os Governos as disposiçôes que julguem necessarias.

Artigo XXX. Todos os contractes, sentenças arbitraes e quaesquer outros accordes que existam relatives à demarcaçâo da fronteira desde a desembocadura do Minho no mar até à do Caia no Guadiana se declaram nulos de facto e de direito em quanto se opponham ao que se estipula nos artigos do presente Tratado desde o dia em que se achem em execuçào.

Artigo XXXI. O présente Tratado sera ratificado o mais brève possivel por Sua Magestade A Rainha das Hespanhas e por Sua Magestade El Rey de Portugal, e as ratificaçôes serâo trocadas en Lisboa um mez depois.

EN FE DE LO CUAL los infrascrïtos Plenipotenciarios respectives han firmado el présente Tratado por duplicado, y lo han sellado con el sello de sus armas en Lisboa a veinte y nueve de setiembre de mil ochocientos sessenta y cuatro.

El Marqués DE LA RIBERA

FACUNDO GONI

EM FE DO QUE os abaixo assignados Plenipotenciarios respectives assignaram o présente Tratado em duplicado e o sellaram com o sello de suas armas em Lisboa aos vinte e nove dias do mez de setembro de mil oitocentos sessenta e cuatro.

Duque DE LOULÉ

JACINTO DA SILVA MENGO



publicado por Carlos Gomes às 11:23
link do post | favorito
|

Terça-feira, 1 de Dezembro de 2015
PORTUGAL CELEBRA HOJE O DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL EM 1640!


publicado por Carlos Gomes às 00:01
link do post | favorito
|

Domingo, 29 de Novembro de 2015
BANDA DA SOCIEDADE FILARMÓNICA OURIENSE DESFILA EM LISBOA EM REPRESENTAÇÃO DO DISTRITO DE SANTARÉM E EVOCA DATA HISTÓRICA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL

Cerca de milhar e meio de músicos integrando perto de três dezenas de bandas filarmónicas e outros grupos de música tradicional provenientes das mais diversas regiões do país, desfilaram hoje na avenida da Liberdade em direção à Praça dos Restauradores, aplaudidos ao longo de todo o percurso por milhares de pessoas anónimas que dessa forma quiseram manifestar o seu apoio e participar nesta grandiosa jornada patriótica que evoca a data histórica da Restauração da Independência de Portugal em 1640.

Restauração 2015 076

Esta manifestação de cultura constitui simultaneamente uma forma de protesto pela forma prepotente com que foi pelo anterior governo eliminado o feriado do dia 1 de dezembro, porventura a data simbólica mais consensual entre todos os portugueses, aguardando-se que no próximo ano o mesmo seja restabelecido de modo a poder ser comemorado no dia correto.

Restauração 2015 073

Em representação do Distrito de Santarém desfilou a Sociedade Filarmónica Ouriense, sempre muito aplaudida ao longo de todo o desfile. Muitas pessoas interrogavam-se acerca do concelho de Ourém, associando-o como era de esperar à cidade de Fátima e ao incontornável Santuário Mariano considerado “Altar do Mundo”. É, pois, importante que mais representações do concelho de Ourém participem em grandes eventos como este que teve lugar em Lisboa, sejam elas bandas filarmónicas, coletividades desportivas ou ranchos folclóricos.

Como é habitual, o Dr José Ribeiro e Castro, Presidente do Movimento 1º de Dezembro, deslocou-se ao longo da avenida da Liberdade para cumprimentar os maestros das bandas filarmónicas participantes.

O desfile teve como ponto de partida o monumento aos Mortos da Grande Guerra e desceu até à Praça dos Restauradores para uma interpretação conjunta final das Bandas participantes sob a direção do Maestro Tenente-Coronel Élio Salsinha Murcho, da Banda da Força Aérea.

Ao longo do desfile, foram interpretadas diversas marchas, bem como o Hino da Restauração. O alinhamento do momento colectivo conta também, além do Hino da Restauração, com a interpretação dos Hino da Maria da Fonte e Hino Nacional.

A RTP-Internacional transmitiu em direto esta grande manifestação cultural, cívica e patriótica. A RTP-2 transmitirá, em diferido, no próprio dia 1 de Dezembro, em horário a anunciar.

Para além da importante ação formativa e cívica das bandas filarmónicas ao ponto de serem considerados os verdadeiros conservatórios de música, refira-se ainda que estas possuem uma ligação histórica aos movimentos patrióticos e republicanos que instituíram o feriado do dia 1 de dezembro.

A organização desta iniciativa é da iniciativa do Movimento 1º de Dezembro e conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da EGEAC e da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Restauração 2015 167

Restauração 2015 039

Restauração 2015 213

Restauração 2015 169

Restauração 2015 151

Restauração 2015 136



publicado por Carlos Gomes às 21:14
link do post | favorito
|

Sábado, 28 de Novembro de 2015
BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM AMANHÃ EM LISBOA

Sociedade Filarmónica Ouriense participa em lisboa nas comemorações do 1º de Dezembro

O Movimento 1º de Dezembro lançou a ideia deste desfile e mobilizou por todo o país diferentes bandas e municípios para o efeito, sendo possível realizá-lo graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa e à capacidade de organização da EGEAC. A iniciativa conta também com o endosso da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que o incluiu no Programa Oficial das Comemorações do 1º de Dezembro.

1238089_513371085397672_1815816298_n

Foi um êxito em 2012, em 2013 e em 2014. Será êxito maior em 2015.

14h30 - Concentração junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade (ao Cinema S. Jorge)

15h00 - Início do Desfile

16h30 - Concentração final, na Praça dos Restauradores, e Apoteose Final com interpretação conjunta por 1.500 músicos dos três hinos: Hino da Maria da Fonte, Hino da Restauração e Hino Nacional.

17h00 - Fecho e desmobilização das bandas

12196113_903057633134692_7164868301328386771_n

Nesta 4ª edição, desfilarão as seguintes bandas e grupos, aqui ordenados por géneros e por ordem alfabética dos distritos e concelhos respectivos:

GRUPO DE PERCUSSÃO

Tocá Rufar

CANTE ALENTEJANO:

Grupo Coral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira

BANDA NACIONAL:

Banda da Força Aérea

BANDAS FILARMÓNICAS:

Sociedade Artística Banda Vale de Cambra

Banda Filarmónica de Odemira

Sociedade Filarmónica de Vilarchão

Banda Filarmónica Retaxense

Banda Filarmónica do Paúl

Banda de Música da Liga dos Amigos de Castelo Novo

Filarmónica Idanhense e Adufeiras de Idanha-a-Nova

Banda Filarmónica da União de Aldeia de João Pires (Sociedade Recreativa e Musical)

Sociedade Filarmónica de Educação e Beneficência Fratelense

Sociedade Filarmónica Sangianense

SUA - Sociedade União Alcaçovense

Sociedade Filarmónica Portimonense

Banda Academia de Santa Cecília (de S. Romão)

Sociedade Filarmónica Maceirense

Banda Recreativa Portomosense

Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora

Banda Musical e Artística da Charneca (Lisboa)

Banda Municipal Alterense

Sociedade Filarmónica União Maçaense

Sociedade Filarmónica Ouriense

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro (Montijo)

Sociedade Filarmónica Palmelense os Loureiros

Grupo de Cultura Musical de Ponte de Lima

Banda Filarmónica da Associação Musical de Vila Nova de Anha

Banda Musical da Torre de Ervededo

Será um total de 30 entidades, integrando 1 grupo de percussão, 1 coral de Cante Alentejano, 1 banda nacional militar e 27 bandas filarmónicas civis.

Serão cerca de 1500 músicos, provenientes dos mais diversos pontos do país que irão descer a Avenida da Liberdade, para celebrar Portugal, a Independência e a Restauração através de uma merecida homenagem a esta prática musical e à importante acção formativa e cívica das bandas filarmónicas.

Tendo como ponto de partida o monumento aos Mortos da Grande Guerra, o desfile descerá até à Praça dos Restauradores para uma interpretação conjunta final das Bandas participantes sob a direcção do Maestro Tenente-Coronel Élio Salsinha Murcho, da Banda da Força Aérea.

Ao longo do desfile serão interpretadas várias marchas, bem como o Hino da Restauração. O alinhamento do momento colectivo conta também, além do Hino da Restauração, com a interpretação dos Hino da Maria da Fonte e Hino Nacional.

A RTP-Internacional transmitirá em directo esta grande manifestação cultural, cívica e patriótica. A RTP-2 transmitirá, em diferido, no próprio dia 1 de Dezembro, em horário a anunciar.



publicado por Carlos Gomes às 13:38
link do post | favorito
|

Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
APELO AOS OUREENSES QUE VIVEM NA REGIÃO DE LISBOA

A banda da Sociedade Filarmónica Ouriense vai no próximo dia 29 de novembro, desfilar na avenida da Liberdade, em Lisboa, rumo à Praça dos Restauradores, no âmbito das comemorações do dia 1º de dezembro, dia da Restauração da Independência Nacional.

12196113_903057633134692_7164868301328386771_n

A Sociedade Filarmónica Ouriense participa nestas celebrações em representação de Ourém e do Distrito de Santarém. A iniciativa que conta com mais de mil e quinhentos músicos, integrando um total de 30 entidades, incluindo 1 grupo de percussão, 1 coral de Cante Alentejano, 1 banda nacional militar e 27 bandas filarmónicas civis, é uma iniciativa do Movimento 1º de Dezembro que conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da EGEAC e da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Vivem na região de Lisboa cerca de um milhar de oureenses e seus descendentes que, naquela tarde de domingo, numa manifestação de patriotismo e apego às suas origens, têm uma oportunidade de acolher em Lisboa com o seu aplauso o desfile e a atuação da Sociedade Filarmónica Ouriense.

Apela-se, pois, a que todos os ourienses se concentrem no lado direito, no sentido descendente, do último quarteirão da avenida da Liberdade, antes da entrada da Praça dos Restauradores, levando consigo elementos identificadores do concelho de Ourém.

- Vamos dar o nosso apoio à Sociedade Filarmónica Ouriense!

1238089_513371085397672_1815816298_n



publicado por Carlos Gomes às 21:44
link do post | favorito
|

Sábado, 14 de Novembro de 2015
APELO AOS OUREENSES QUE VIVEM NA REGIÃO DE LISBOA

A banda da Sociedade Filarmónica Ouriense vai no próximo dia 29 de novembro, desfilar na avenida da Liberdade, em Lisboa, rumo à Praça dos Restauradores, no âmbito das comemorações do dia 1º de dezembro, dia da Restauração da Independência Nacional.

12196113_903057633134692_7164868301328386771_n

A Sociedade Filarmónica Ouriense participa nestas celebrações em representação de Ourém e do Distrito de Santarém. A iniciativa que conta com mais de mil e quinhentos músicos, integrando um total de 30 entidades, incluindo 1 grupo de percussão, 1 coral de Cante Alentejano, 1 banda nacional militar e 27 bandas filarmónicas civis, é uma iniciativa do Movimento 1º de Dezembro que conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da EGEAC e da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Vivem na região de Lisboa cerca de um milhar de oureenses e seus descendentes que, naquela tarde de domingo, numa manifestação de patriotismo e apego às suas origens, têm uma oportunidade de acolher em Lisboa com o seu aplauso o desfile e a atuação da Sociedade Filarmónica Ouriense.

Apela-se, pois, a que todos os ourienses se concentrem no lado direito, no sentido descendente, do último quarteirão da avenida da Liberdade, antes da entrada da Praça dos Restauradores, levando consigo elementos identificadores do concelho de Ourém.

- Vamos dar o nosso apoio à Sociedade Filarmónica Ouriense!

1238089_513371085397672_1815816298_n



publicado por Carlos Gomes às 17:15
link do post | favorito
|

BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM EM LISBOA

Sociedade Filarmónica Ourienses participa em lisboa nas comemorações do 1º de Dezembro

O Movimento 1º de Dezembro lançou a ideia deste desfile e mobilizou por todo o país diferentes bandas e municípios para o efeito, sendo possível realizá-lo graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa e à capacidade de organização da EGEAC. A iniciativa conta também com o endosso da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que o incluiu no Programa Oficial das Comemorações do 1º de Dezembro.

1238089_513371085397672_1815816298_n

 

Foi um êxito em 2012, em 2013 e em 2014. Será êxito maior em 2015.

14h30 - Concentração junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade (ao Cinema S. Jorge)

15h00 - Início do Desfile

16h30 - Concentração final, na Praça dos Restauradores, e Apoteose Final com interpretação conjunta por 1.500 músicos dos três hinos: Hino da Maria da Fonte, Hino da Restauração e Hino Nacional.

17h00 - Fecho e desmobilização das bandas

Nesta 4ª edição, desfilarão as seguintes bandas e grupos, aqui ordenados por géneros e por ordem alfabética dos distritos e concelhos respectivos:

GRUPO DE PERCUSSÃO

Tocá Rufar

CANTE ALENTEJANO:

Grupo Coral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira

BANDA NACIONAL:

Banda da Força Aérea

BANDAS FILARMÓNICAS:

Sociedade Artística Banda Vale de Cambra

Banda Filarmónica de Odemira

Sociedade Filarmónica de Vieira do Minho

Banda Filarmónica Retaxense

Banda Filarmónica do Paúl

Banda de Música da Liga dos Amigos de Castelo Novo

Filarmónica Idanhense e Adufeiras de Idanha-a-Nova

Banda Filarmónica da União de Aldeia de João Pires (Sociedade Recreativa e Musical)

Sociedade Filarmónica de Educação e Beneficência Fratelense

Sociedade Filarmónica Sangianense

SUA - Sociedade União Alcaçovense

Sociedade Filarmónica Portimonense

Banda Academia de Santa Cecília (de S. Romão)

Sociedade Filarmónica Maceirense

Banda Recreativa Portomosense

Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora

Banda Musical e Artística da Charneca (Lisboa)

Banda Municipal Alterense

Sociedade Filarmónica União Maçaense

Sociedade Filarmónica Ouriense

Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro (Montijo)

Sociedade Filarmónica Palmelense os Loureiros

Grupo de Cultura Musical de Ponte de Lima

Banda Filarmónica da Associação Musical de Vila Nova de Anha

Banda Musical da Torre de Ervededo

Será um total de 30 entidades, integrando 1 grupo de percussão, 1 coral de Cante Alentejano, 1 banda nacional militar e 27 bandas filarmónicas civis.

Serão cerca de 1500 músicos, provenientes dos mais diversos pontos do país que irão descer a Avenida da Liberdade, para celebrar Portugal, a Independência e a Restauração através de uma merecida homenagem a esta prática musical e à importante acção formativa e cívica das bandas filarmónicas.

Tendo como ponto de partida o monumento aos Mortos da Grande Guerra, o desfile descerá até à Praça dos Restauradores para uma interpretação conjunta final das Bandas participantes sob a direcção do Maestro Tenente-Coronel Élio Salsinha Murcho, da Banda da Força Aérea.

Ao longo do desfile serão interpretadas várias marchas, bem como o Hino da Restauração. O alinhamento do momento colectivo conta também, além do Hino da Restauração, com a interpretação dos Hino da Maria da Fonte e Hino Nacional.

A RTP-Internacional transmitirá em directo esta grande manifestação cultural, cívica e patriótica. A RTP-2 transmitirá, em diferido, no próprio dia 1 de Dezembro, em horário a anunciar.

12196113_903057633134692_7164868301328386771_n



publicado por Carlos Gomes às 07:12
link do post | favorito
|

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015
SOCIEDADE FILARMÓNICA OURIENSE DESFILA EM LISBOA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA 1º DE DEZEMBRO

Oureenses em Lisboa vão apoiar a banda da Sociedade Filarmónica Ouriense

A Sociedade Filarmónica Ouriense é uma das orquestras filarmónicas que vai representar o Distrito de Santarém no desfile de bandas que vai decorrer no próximo dia 29 de novembro, na avenida da Liberdade.

1238089_513371085397672_1815816298_n

Trata-se de uma grandiosa jornada patriótica evocativa da data da Restauração da Independência Nacional em 1640, cujas comemorações devem manter-se vivas sob a forma de celebrações populares.

A organização é da iniciativa do Movimento 1º de Dezembro e conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da EGEAC e da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

As gentes do concelho de Ourém que vivem na região de Lisboa vão seguramente concentrar-se na avenida da Liberdade para aplaudir a banda da Sociedade Filarmónica Ouriense à sua passagem rumo à Praça dos Restauradores.

12196113_903057633134692_7164868301328386771_n



publicado por Carlos Gomes às 15:12
link do post | favorito
|

Terça-feira, 10 de Novembro de 2015
BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM EM LISBOA

O Movimento 1º de Dezembro lançou a ideia deste desfile e mobilizou por todo o país diferentes bandas e municípios para o efeito, sendo possível realizá-lo graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa e à capacidade de organização da EGEAC. A iniciativa conta também com o endosso da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que o incluiu no Programa Oficial das Comemorações do 1º de Dezembro.

Restauração 2014 059

Foi um êxito em 2012, em 2013 e em 2014. Será êxito maior em 2015.

14h30 - Concentração junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade (ao Cinema S. Jorge)

15h00 - Início do Desfile

16h30 - Concentração final, na Praça dos Restauradores, e Apoteose Final com interpretação conjunta por 1.500 músicos dos três hinos: Hino da Maria da Fonte, Hino da Restauração e Hino Nacional.

17h00 - Fecho e desmobilização das bandas

Nesta 4ª edição, desfilarão as seguintes bandas e grupos, aqui ordenados por géneros e por ordem alfabética dos distritos e concelhos respectivos:

GRUPO DE PERCUSSÃO

Tocá Rufar

CANTE ALENTEJANO:

Grupo Coral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira

BANDA NACIONAL:

Banda da Força Aérea

BANDAS FILARMÓNICAS:

Sociedade Artística Banda Vale de Cambra

Banda Filarmónica de Odemira

Sociedade Filarmónica de Vieira do Minho

Banda Filarmónica Retaxense

Banda Filarmónica do Paúl

Banda de Música da Liga dos Amigos de Castelo Novo

Filarmónica Idanhense e Adufeiras de Idanha-a-Nova

Banda Filarmónica da União de Aldeia de João Pires (Sociedade Recreativa e Musical)

Sociedade Filarmónica de Educação e Beneficência Fratelense

Sociedade Filarmónica Sangianense

Banda Filarmónica Simão da Veiga da Casa do Povo de Lavre

SUA - Sociedade União Alcaçovense

Sociedade Filarmónica Portimonense

Sociedade Filarmónica Maceirense

Banda Recreativa Portomosense

Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora

Banda Municipal Alterense

SIC - Sociedade Instrução Coruchense

Sociedade Filarmónica União Maçaense

Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Sociedade Filarmónica 1º de Dezembro (Montijo)

Grupo de Cultura Musical de Ponte de Lima

Banda Filarmónica da Associação Musical de Vila Nova de Anha

Banda Musical de Torre de Ervededo

Será um total de 29 entidades, integrando 1 grupo de percussão, 1 coral de Cante Alentejano, 1 banda nacional militar e 26 bandas filarmónicas civis.

Serão cerca de 1500 músicos, provenientes dos mais diversos pontos do país que irão descer a Avenida da Liberdade, para celebrar Portugal, a Independência e a Restauração através de uma merecida homenagem a esta prática musical e à importante acção formativa e cívica das bandas filarmónicas.

Tendo como ponto de partida o monumento aos Mortos da Grande Guerra, o desfile descerá até à Praça dos Restauradores para uma interpretação conjunta final das Bandas participantes sob a direcção do Maestro Tenente-Coronel Élio Salsinha Murcho, da Banda da Força Aérea.

Ao longo do desfile serão interpretadas várias marchas, bem como o Hino da Restauração. O alinhamento do momento colectivo conta também, além do Hino da Restauração, com a interpretação dos Hino da Maria da Fonte e Hino Nacional.

A RTP-Internacional transmitirá em directo esta grande manifestação cultural, cívica e patriótica. A RTP-2 transmitirá, em diferido, no próprio dia 1 de Dezembro, em horário a anunciar.



publicado por Carlos Gomes às 00:53
link do post | favorito
|

Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015
BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM EM LISBOA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL

12196113_903057633134692_7164868301328386771_n



publicado por Carlos Gomes às 22:24
link do post | favorito
|

Domingo, 8 de Novembro de 2015
PORTUGAL VOLTA A ESQUECER TIMOR-LESTE

A República Democrática de Timor-Leste comemora os 500 anos da chegada dos primeiros missionários portugueses ao território, mais concretamente a Oe-Cusse Ambeno, onde será feita uma recriação histórica do primeiro encontro dos missionários com as populações de Timor e seus chefes.

215568_112522118830016_100002166858257_110953_4020

Em Portugal, não estão previstas quaisquer cerimónias ou outras iniciativas que visem assinalar esta importante efeméride ligada aos Descobrimentos Portugueses. Uma vez mais, as entidades oficiais promovem o esquecimento dos momentos mais marcantes da História de Portugal e, quatro décadas após os trágicos acontecimentos que levaram à invasão indonésia daquele território então sob soberania portuguesa, eis que voltam a virar as costas ao povo irmão timorense.

O ponto alto das comemorações terá lugar no próximo dia 28 de novembro, a assinalar o Dia da Proclamação da Independência como marco simbólico da afirmação da identidade timorense.

De acordo com o site oficial do Governo da República Democrática de Timor-Leste, estão a ser programadas atividades em todo o país, centralizadas na Comissão Organizadora das comemorações, a qual é coordenada pelo Ministério da Administração Estatal.

Ao longo destes 500 anos, a Igreja Católica prestou um grande apoio espiritual, humano e material ao povo, destacando-se o papel desempenhado durante a ocupação indonésia, em que contribuiu decisivamente para a legitimação e credibilização internacional da Resistência.



publicado por Carlos Gomes às 13:51
link do post | favorito
|

Sábado, 7 de Novembro de 2015
ARTE POPULAR E NAÇÃO NO ESTADO NOVO – A POLÍTICA FOLCLORISTA DO SECRETARIADO DE PROPAGANDA NACIONAL

- Um livro da investigadora Vera Marques Alves que se recomenda a todos quantos se decidam ao estudo do folclore e etnografia

“A generalidade da investigação tem olhado para o conjunto das práticas e dos discursos etnográficos promovidos pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) entre 1933 e 1950 como um epifenómeno da ideologia conservadora e ruralista, dominante no pensamento de Salazar.

Este livro mostra-nos como tais análises deixam de fora aspetos decisivos da intervenção folclorista do SPN/SNI.

A partir das teorias desenvolvidas pela antropologia e outras ciências sociais em torno dos usos nacionalistas da cultura popular, Vera Marques Alves relaciona os contornos de tal política com os caminhos que a etnografia portuguesa vinha seguindo nas décadas anteriores à institucionalização do Estado Novo, ao mesmo tempo que revela que o seu desenho deve muito ao próprio trajeto modernista e cosmopolita do primeiro diretor do SPN, António Ferro.

A autora defende, ainda, que é impossível explicar a campanha etnográfica do SPN, sem dar atenção ao contexto internacional de circulação de ideias em que as mesmas se enquadram. De resto, este livro torna bem patente a insistência de Ferro na exibição da «arte rústica portuguesa» em palcos internacionais, revelando assim que as iniciativas folcloristas desenvolvidas por este organismo não podem ser compreendidas sem considerarmos a sua configuração enquanto instrumento de reafirmação simbólica das fronteiras da nação, num período em que os processos de utilização identitária do folclore e da cultura popular são comuns” *

1459258_10203751923942628_2712486984117553710_n

Vera Marques Alves, a autora, é Investigadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e Professora Auxiliar Convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Nasceu em Lisboa, no dia 16 de Maio de 1969 e, em 1993, licenciou-se em Antropologia Social no ISCTE. Em 2008, doutorou-se em Antropologia pelo mesmo Instituto. Fez investigação sobre os usos nacionalistas da «arte popular portuguesa» durante o Estado Novo e continua a estudar a construção moderna desta categoria de objetos.

Colaborou nas obras coletivas “Vozes do povo. A folclorização em Portugal” (2003), ”Enciclopédia da música em Portugal no século XX” (2010) e “Como se faz um Povo” (2010).

É autora de”Arte popular e nação no Estado Novo. A política folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional, (Imprensa de Ciências Socais (2013).

* https://www.imprensa.ics.ulisboa.pt/



publicado por Carlos Gomes às 14:08
link do post | favorito
|

MOVIMENTO 1º DE DEZEMBRO PREPARA DESFILE DAS BANDAS FILARMÓNICAS EM LISBOA

Desfile vai ter lugar em Lisboa no próximo dia 29 de novembro

Dezenas de bandas filarmónicas em representação de todos os distritos do país vão desfilar em Lisboa, no próximo dia 29 de novembro, no âmbito das comemorações do Dia da Restauração que se assinala a 1 de Dezembro. Entretanto, o Movimento 1º de Dezembro já entregou na Assembleia da República a petição nacional para a “Restauração imediata do feriado nacional do 1º de Dezembro”.

Restauração 2014 059

A data histórica que assinala a recuperação da liberdade nacional é seguramente a que maior consenso gera entre os portugueses, promovendo a sua unidade, independentemente das suas convicções políticas e opções partidárias.

As celebrações em Lisboa da data evocativa da Restauração da Independência Nacional em 1640 adquiriram um especial significado num momento de particular crise como a que atualmente se vive, traduzindo-se ainda numa reivindicação pelo restabelecimento do feriado nacional. Aliás, a sua supressão teve o condão de transformar estas comemorações numa verdadeira manifestação popular de cariz patriótico que contrasta com o rumo político que nas últimas décadas tem vindo a ser imposto ao país.



publicado por Carlos Gomes às 11:53
link do post | favorito
|

Terça-feira, 3 de Novembro de 2015
RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL FOI HÁ 375 ANOS!

Portugal e a Catalunha estão nações unidas por laços históricos!

Passam 375 anos desde a data histórica da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio dos reis de Espanha. Um punhado de portugueses tomou de assalto o Paço da Ribeira, aprisionaram a Duquesa de Mântua e defenestraram o traidor Miguel de Vasconcelos. Estava proclamada a restauração da independência.

jsi20019

Seguiu-se a aclamação de D. João IV, Duque de Bragança, como rei de Portugal e dava-se início a uma sucessão de batalhas militares que duraram 28 anos, com vista a consolidar a independência, as quais culminaram com a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668. Este tratado, celebrado entre Afonso VI, de Portugal e Carlos II, de Espanha, pôs fim à Guerra da Restauração, dando lugar nomeadamente à devolução de Olivença que esteve durante 11 anos sob ocupação espanhola. Apenas a praça de Ceuta ficou na posse de Espanha.

Para o sucesso do golpe palaciano contribuíram diversos fatores internos como o descontentamento dos nobres que haviam perdido os seus privilégios e eram preteridos relativamente à nobreza castelhana; a burguesia que via o seu negócio prejudicado pela concorrência dos comerciantes ingleses, holandeses e franceses e também os constantes ataques aos navios que transportavam os seus produtos e, finalmente, o povo sobre quem recaíam cada vez mais pesados impostos.

Mas, puderam os conjurados de 1640 também contar com diversos fatores externos que se revelaram favoráveis, de entre os quais se salienta a revolta que eclodira na Catalunha em 7 de junho daquele ano, contra o centralismo imposto pelo Conde-Duque de Olivares e a presença de tropas castelhanas em território catalão. Tratou-se da “Guerra dos Segadores”, assim denominada por ter tido origem imediata na morte de um ceifeiro, a qual teve lugar entre 1640 e 1652.

corpus-de-sangre--644x362--644x362

Os catalães proclamam a República Catalã em 26 de janeiro de 1641. Porém, o falecimento do seu principal chefe Pau Claris, leva a um desenvolvimento do conflito do qual resulta na incorporação de parte da Catalunha no território da França.

Tanto a revolta da Catalunha como a Restauração da Independência de Portugal contaram com o apoio do Cardeal Richelieu, o que aliás explica a defenestração – termo originado de fenêtre – de Miguel de Vasconcelos, prática muito em voga à época em todas as revoltas que ocorreram noutros países europeus. Deste modo, conseguia a França alargar as suas fronteiras políticas, fazendo-as coincidir com acidentes naturais como os Pirinéus a ocidente, o rio Reno e os Alpes a oriente, de maneira a melhor defender-se do poderio da Casa de Áustria de onde descendiam os reis de Espanha cujos domínios, no continente europeu, incluía Portugal, Nápoles, Sicília, Milão, Sardenha, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Ilhas Canárias, Maiorca, Rossilhão, Franco-Condado, para além dos reinos de Castela, Leão, Valência, Aragão e a Catalunha propriamente dita.

Com o casamento em 1469, do rei Fernando II de Aragão com Isabel I de Castela, a Catalunha vinha perdendo as suas liberdades enquanto nação soberana e jogava agora a sua oportunidade de recuperar a independência política.

Dando prioridade ao esmagamento da revolta catalã, o rei Filipe IV, de Espanha, ordena ao Duque de Bragança e a muitos nobres portugueses que o acompanhem na repressão à Catalunha, tendo-se a maior parte deles recusado a obedecer.

Enquanto a Catalunha sucumbiu perante o poderio castelhano, Portugal conseguiu sair vitorioso da guerra travada contra a Espanha que durou 28 anos e veio a confirmar a nossa independência como nação soberana, em grande medida graças à revolta catalã. Por conseguinte, possuem os portugueses uma dívida histórica aos catalães na medida em que a sua sublevação foi bem-sucedida em grande medida devido à revolta dos segadores da Catalunha.

É a privação da liberdade nacional que nos leva a atribuir-lhe maior valor, parecendo por vezes que a desprezamos sempre que a damos como garantida!

Decorridos que são 375 anos sobre tais acontecimentos históricos, eis que a Catalunha volta a aspirar à sua própria independência política. Em coerência, não podemos nós, portugueses, deixarmos de reconhecer à Catalunha e ao povo catalão o direito à liberdade que em 1 de dezembro de 1640 lográmos alcançar. Portugal e a Catalunha estão unidas por laços históricos!

177210ed46e77eab488b19579158aacd



publicado por Carlos Gomes às 13:47
link do post | favorito
|

Sábado, 31 de Outubro de 2015
GALIZA E PORTUGAL: UM SÓ POVO E UMA SÓ NAÇÃO!

Por um compreensível desconhecimento, grande parte dos folcloristas portugueses possui um entendimento errado em relação ao folclore das gentes galegas, classificando-o de "espanhol" e confundindo-o com os usos e costumes dos demais povos peninsulares. Aliás, tal como sucede em relação à língua portuguesa que é o idioma da Galiza e que também é erradamente confundida com o castelhano que é a língua oficial de Espanha, também ela impropriamente por vezes designada por "espanhol".

Guimarães (24)

Na realidade e para além dos portugueses, a Península Ibérica é habitada por gentes de culturas e idiomas tão distintos como os vascos, os catalães, os asturianos e finalmente, os galegos e portugueses que possuem uma língua e uma identidade cultural comum, apenas separados em consequência das vicissitudes da História. A Espanha, afinal de contas, não representa mais do que uma realidade supranacional, cada vez mais ameaçada pelas aspirações independentistas dos povos que a integram.

Com as suas quatro províncias - Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra - e ainda alguns concelhos integrados na vizinha Astúrias, a Galiza constitui com Portugal a mesma unidade geográfica, cultural e linguística, o que as tornam numa única nação, embora ainda por concretizar a sua unidade política. Entre ambas existe uma homogeneidade que vai desde a cultura megalítica e da tradição céltica à vetusta Gallaécia e ao conventus bracarensis, passando pelo reino suevo, a lírica galaico-portuguesa, o condado portucalense e as sucessivas alianças com os reis portugueses, as raízes étnicas e, sobretudo, o idioma que nos é comum - a língua portuguesa. Ramon Otero Pedrayo, considerado um dos maiores escritores do reintegracionismo galego, afirmou um dia na sua qualidade de deputado do parlamento espanhol que "a Galiza, tanto etnográfica como geograficamente e desde o aspeto linguístico, é um prolongamento de Portugal; ou Portugal um prolongamento da Galiza, tanto faz". Teixeira de Pascoaes foi ainda mais longe quando disse que "...a Galiza é um bocado de Portugal sob as patas do leão de Castela". Não nos esqueçamos que foi precisamente na altura em que as naus portuguesas partiam à descoberta do mundo que a Galiza viveu a sua maior repressão, tendo-lhe inclusivamente sido negada o uso da língua galaico-portuguesa em toda a sua vida social, incluindo na liturgia, naturalmente pelo receio de Castela em perder o seu domínio e poder assistir à sua aproximação a Portugal.

No que respeita à sua caracterização geográfica e parafraseando o historiador Oliveira Martins, "A Galiza d'Aquém e d'além Minho" possui a mesma morfologia, o que naturalmente determinou uma espiritualidade e modos de vida social diferenciados em relação ao resto da Península, bem assim como uma diferenciação linguística evidente. Desse modo, a faixa atlântica e a meseta ibérica deram lugar a duas civilizações diferentes, dando a primeira origem ao galaico-português de onde derivou o português moderno e a segunda ao leonês de onde proveio o castelhano, atualmente designado por "espanhol" por ter sido imposta como língua oficial de Espanha, mas consignado na constituição espanhola como "castelhano". Não foi naturalmente por acaso que Luís Vaz de Camões, justamente considerado o nosso maior poeta possuía as suas raízes na Galiza. Também não é sem sentido que também o poeta Fernando Pessoa que defendeu abertamente a "anexação da Galiza", afirmou que "A minha Pátria é a Língua Portuguesa".

De igual modo, também do ponto de vista étnico as raízes são comuns a todo o território que compreende a Galiza e o nosso país, com as naturais variantes regionais que criam os seus particularismos, obviamente mais próximas do Minho, do Douro Litoral e em parte de Trás-os-Montes do que em relação ao Alentejo e ao Algarve, mas infinitamente mais distanciados relativamente a Castela e outras regiões de Espanha.

No seu livro "A Galiza, o galego e Portugal", Manuel Rodrigues Lapa afirma que "Portugal não pára nas margens do Minho: estende-se naturalmente, nos domínios da língua e da cultura, até às costas do Cantábrico. O mesmo se pode dizer da Galiza: que não acaba no Minho, mas se prolonga, suavemente, até às margens do Mondego". Torna-se, pois, incompreensível que continuemos a tratar o folclore e a etnografia galega como se de "espanhola" se tratasse, conferindo-lhe estatuto de representação estrangeira em festivais de folclore que se pretendem de âmbito internacional, quando na realidade deveria constituir uma participação assídua nos denominados festivais nacionais. Mais ainda, vai sendo tempo das estruturas representativas do folclore português e galego se entenderem, contribuindo para um melhor conhecimento mútuo e uma maior aproximação entre as gentes irmãs da Galiza e de Portugal. O mesmo princípio aliás, deve ser seguido pelos nossos compatriotas radicados no estrangeiro, nomeadamente nos países da América do Sul onde as comunidades portuguesas e galegas possuem uma considerável representatividade numérica. Uma aproximação e um entendimento que passa inclusivamente pelo cyberespaço e para a qual a comunidade folclórica na internet pode e deve prestar um inestimável contributo.

Afirmou o escritor galego Vilar Ponte na revista literária "A Nossa Terra" que "os galegos que não amarem Portugal tão pouco amarão a Galiza". Amemos, pois, também nós, portugueses, como um pedaço do nosso sagrado solo pátrio, essa ridente terra que se exprime na Língua de Camões - a Galiza!

Carlos Gomes / www.folclore-online.com



publicado por Carlos Gomes às 16:53
link do post | favorito
|

Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015
MOVIMENTO 1º DE DEZEMBRO PREPARA DESFILE DAS BANDAS FILARMÓNICAS EM LISBOA

Desfile vai ter lugar em Lisboa no próximo dia 29 de novembro

Dezenas de bandas filarmónicas em representação de todos os distritos do país vão desfilar em Lisboa, no próximo dia 29 de novembro, no âmbito das comemorações do Dia da Restauração que se assinala a 1 de Dezembro. Entretanto, o Movimento 1º de Dezembro já entregou na Assembleia da República a petição nacional para a “Restauração imediata do feriado nacional do 1º de Dezembro”.

Restauração 2014 112

A data histórica que assinala a recuperação da liberdade nacional é seguramente a que maior consenso gera entre os portugueses, promovendo a sua unidade, independentemente das suas convicções políticas e opções partidárias.

As celebrações em Lisboa da data evocativa da Restauração da Independência Nacional em 1640 adquiriram um especial significado num momento de particular crise como a que atualmente se vive, traduzindo-se ainda numa reivindicação pelo restabelecimento do feriado nacional. Aliás, a sua supressão teve o condão de transformar estas comemorações numa verdadeira manifestação popular de cariz patriótico que contrasta com o rumo político que nas últimas décadas tem vindo a ser imposto ao país.



publicado por Carlos Gomes às 08:55
link do post | favorito
|

Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015
HORA LEGAL MUDA NO PRÓXIMO DOMINGO

No próximo Domingo, dia 25 de Outubro, às 0100 UTC (0200 no Continente/Madeira e 0100 nos Açores) a hora legal será alterada, devendo os relógios ser atrasados em 60 minutos. Passaremos ao fuso 0 no Continente/Madeira e ao fuso +1 nos Açores.

Assim, a noite de Sábado para Domingo será uma hora mais longa, pelo que se sugere atenção a este facto para qualquer compromisso que exista para a manhã de Domingo.

A Hora Legal em Portugal é definida pelo Observatório Astronómico de Lisboa, instituição criada por Carta de Lei em 6 de maio de 1878, no reinado de D. Luís.

Discutia-se então entre os astrónomos sobre a paralaxe da estrela de Argelander ou seja, a diferença na posição aparente em virtude da necessidade de medição da sua distância. Com o objetivo de promover a nova Astronomia Sideral e efetuar o mapeamento do céu e medir o tamanho do universo, foi então decidido edificar o Observatório Astronómico de Lisboa por ser a capital portuguesa o único local do continente europeu onde era possível observar a estrela de Argelander utilizando uma luneta zenital.

O edifício do observatório foi construído à semelhança do Observatório de Pulkovo, na Rússia, sob a orientação do arquiteto francês Jean-François Colson.

Era também a partir do Observatório Astronómico de Lisboa que, antes de existir sinal de rádio, os navios recebiam em Lisboa a hora legal, através de um sistema semafórico instalado ao longo da costa, até Belém, a partir de um posto situado perto do cais do Sodré, equipado com um relógio mecânico que se encontrava ligado ao Observatório de Lisboa através de um cabo elétrico. A partir de 2009, a emissão da hora legal é assegurada através dos relógios atómicos do Observatório Astronómico de Lisboa.

A decisão mudar a hora legal remonta a 1916, no contexto da primeira grande guerra e teve como objetivo proceder à poupança do consumo de energia. A ideia foi recuperada em 1973, devido à crise petrolífera provocada pelo embargo imposto pelos países da OPEP aos Estados Unidos da América e países europeus em virtude do apoio concedido a Israel e, finalmente, em 1981, a mudança da hora legal foi estabelecido através de uma diretiva da CEE.

Pulkovo_observatory_2004

Observatório de Pulkovo. Foto: Vladimir Ivanov



publicado por Carlos Gomes às 11:55
link do post | favorito
|

Sábado, 10 de Outubro de 2015
INATEL FOI FUNDADO HÁ 80 ANOS!

Sob a designação Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), o INATEL foi criado há 80 anos, pelo Decreto-Lei nº. 21 495, de 13 de junho

Passam 80 anos desde a criação da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), entretanto transformada em Fundação INATEL, entidade que tem prestado um precioso contributo à cultura e ao associativismo popular, nomeadamente apoiando os coletividades de cultura, desporto e recreio, inscritos naquela entidade como Centros de Cultura e Desporto (CCD’s), categoria de associado coletivo que corresponde aos Centros de Alegria no Trabalho (CAT’s) em vigor durante o regime corporativo.

O INATEL atua na prestação de serviços sociais, com especial destaque nas áreas da cultura, desporto e turismo social, mantendo uma extensa rede de pousadas e ainda o parque de Jogos 1º de Maio e o Teatro da Trindade, em Lisboa, e o Parque de Ramalde, no Porto.

Ainda, no âmbito da cultura popular, são incontáveis os apoios prestados por esta entidade a orquestras filarmónicas, bandas de música, grupos de teatro e ranchos folclóricos de todo o país, tendo aliás contribuído para o aparecimento de muitos agrupamentos folclóricos durante o período do Estado Novo.

Inspirada no modelo da “Obra Nacional dos Tempos-livres” - “Opera Nazionale Dopolavoro” criada em 1925 pelo fascismo italiano, a FNAT teve como objetivo a promoção do turismo social e o preenchimento útil dos tempos livres dos trabalhadores. A sua orientação foi ao encontro da recomendação feita no ano anterior pela Organização Internacional do Trabalho na implementação de um novo conceito de férias e lazer.

Até então, o turismo era encarado como uma ocupação de luxo apenas acessível às camadas sociais mais abastadas. Às classes trabalhadoras apenas estava reservado o convívio nas agremiações culturais e recreativas ou através de grupos excursionistas formados nas tabernas dos bairros populares, principalmente nos centros urbanos.

Em 1925, Benito Mussolini incorporou na Carta do Trabalho a Obra Nacional dos Tempos Livres (Dopolavoro), destinada a organizar as férias dos trabalhadores italianos. Esta iniciativa do fascismo italiano veio a reproduzir-se em muitos países, dando origem áquilo que então se designou por Movimento Internacional Alegria e Trabalho. O modelo foi em 1933 reproduzido na Alemanha com a denominação “Força pela Alegria” - “Kraft durch freude”, em 1935 em Portugal através da FNAT, em 1937 na Grécia sob a designação “Saúde dos Trabalhadores”, “Ergatixi Estia” e, em 1940, em Espanha com o nome “Educação e Descanso”, “Educación y Descanso”.

Após o golpe militar do 25 de abril, mais concretamente em 3 de abril de 1975, a FNAT altera a sua denominação para Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores (INATEL), deixando em 25 de junho de 2008 de pertencer á Administração Central do Estado, transformando-se em fundação privada de utilidade pública sob a designação de Fundação INATEL.

A ação da FNAT estendia-se a todo o território nacional por intermédio das suas delegações provinciais e subdelegações nos concelhos, competindo-lhes cooperar na avaliação de todos os assuntos e na execução de todas as iniciativas. Nas freguesias rurais a FNAT era representada pelas Casas do Povo e Casas de Pescadores.

Os beneficiários da FNAT eram obrigatoriamente sócios de um dos elementos da organização corporativista do trabalho, concretamente de um sindicato Nacional, de uma Casa do povo ou Casa de pescadores; sendo que os Centros de Alegria no Trabalho (CATs) constituíam as estruturas de base nas empresas. Nas zonas de residência urbana os Centros de Recreio Popular (CRPs) cumpriam essa função.

Atualmente, a Fundação INATEL é tutelada pelo Ministério do trabalho e da Solidariedade Social, desenvolvendo a sua atividade nas áreas do turismo social e sénior, no termalismo e na organização dos tempos livres e do desporto populares.

FNAT.25



publicado por Carlos Gomes às 19:24
link do post | favorito
|

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015
O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM OS FERIADOS?

Os feriados são os dias em que, por prescrição civil ou religiosa, se suspende o trabalho a fim de comemorar algo que se pretende seja preservado na memória de uma comunidade. A sua manutenção apenas faz sentido na medida em que os mesmos são celebrados.

Desde os tempos mais remotos, o homem celebrava através do rito a ação criadora dos deuses, assegurando assim a sua continuidade. Integram-se nesse conceito os festejos dos ciclos da Natureza, mormente o solstício do inverno e da primavera, o entrudo e a serração da velha. Uma vez cristianizadas muitas das celebrações outrora pagãs e instituídos os feriados religiosos, destinam-se eles a celebrar os principais acontecimentos da vida de Jesus como marcos fundamentais da Fé cristã.

Por seu turno, a sociedade passou de igual modo a assinalar efemérides consideradas importantes na vida das respetivas comunidades, as quais se destinam a preservar a sua memória coletiva ou seja, a comemorar os acontecimentos mais marcantes da História, a exaltar os seus feitos e a venerar os seus heróis e poetas.

Trata-se de uma espécie de religião cívica que possui o seu panteão, os seus símbolos, as suas datas de celebração e uma liturgia própria. Desse modo, os feriados cívicos destinam-se a serem celebrados pela comunidade com vista à preservação da memória e, por conseguinte, da respetiva identidade, seja ela de um município ou da Nação no seu todo!

A necessidade de preservação da memória pressupõe de igual modo o esquecimento. A título de exemplo, a comemoração da implantação da República apenas faz sentido no contexto do regime republicano como forma de garantir a identificação do povo com o significado e os símbolos que lhe estão subjacentes. Por seu turno, a supressão dos feriados cívicos, seja a que pretexto for, visa sempre promover o esquecimento em relação àquilo que os mesmos representam.

A supressão do feriado do dia 1 de dezembro que evoca a data da Restauração da Independência de Portugal em 1640, mais não representa do que a tentativa de fazer os portugueses esquecerem a sua condição de povo livre e soberano, criando as condições com vista a submetê-lo a novos jugos do estrangeiro. É por essa razão que os cidadãos jamais devem deixar de celebrar a sua liberdade, impondo o restabelecimento dos feriados religiosos e civis que foram suprimidos e comemorando o feito heroico dos seus antepassados que nos legaram uma Pátria livre e soberana!



publicado por Carlos Gomes às 22:33
link do post | favorito
|

REPÚBLICA EM PORTUGAL FOI IMPLANTADA HÁ 105 ANOS!

Há 105 anos, José Relvas proclamou a implantação da República a partir da varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa. O novo regime político resultou de um golpe revolucionário executado pela Carbonária, braço armado do Partido Republicano Português, secretamente dirigido através da Loja Montanha da Maçonaria Portuguesa.

12107157_1062989690387647_4426576477019469262_n

Após duas tentativas falhadas – o levantamento do 31 de janeiro de 1891 na cidade do Porto e o plano que envolveu o regicídio de 1 de fevereiro de 1908 – eis que a revolta republicana logra sair vitoriosa na sequência de vários incidentes e equívocos, de entre os quais sobressai o que resulta do armistício destinado a proteger a retirada dos cidadãos estrangeiros, quando os revoltosos confundiram a bandeira branca que aqueles empunhavam com uma inexistente rendição das forças monárquicas instaladas no Rossio.

As imagens da época retratam algumas centenas de pessoas concentradas na Praça do Município, no momento da proclamação do regime republicano, sinal evidente de que a maioria da população recolheu a suas casas durante os confrontos.

12140765_1062989693720980_2216914116404084541_n

Entre as causas habilidosamente exploradas pelos republicanos salienta-se a humilhação britânica resultante do Ultimatum, a crise económica e financeira da monarquia constitucional, a instabilidade política e social resultante do sistema do rotativismo entre o Partido Progressista e o Partido Regenerador, e ainda as acusações que eram feitas em relação ao poder do Clero e os gastos da Família Real constituíram os condimentos do levantamento revolucionário então verificado,

A deslocação para a capital nos dias anteriores à insurreição de centenas de membros da Carbonária, vulgo “revolucionários civis”, as manobras de diversão traduzidas nas proclamações ocorridas no dia anterior, nas localidades de Loures e Montijo, as ações de sabotagem do telégrafo e da linha férrea, constituíram apenas alguns aspetos de uma revolução que foi inclusivamente seguida com atenção pelo revolucionário russo Vladimir Ilitch Ulianov (Lenine), da qual extraiu por certo ensinamentos para a revolução que haveria de desencadear na Rússia apenas sete anos mais tarde.

A hipótese de proclamação do regime monárquico em Portugal é todavia muito anterior à ocorrida em 1910: aquando da restauração da soberania face ao domínio filipino, os conjurados de 1640, confrontados com a hesitação demonstrada por D. João, Duque de Bragança, ameaçaram-no com a possibilidade de virem a implantar uma república de nobres, à semelhança da que existia em Veneza, o que colocava em causa o seu próprio poderio e as propriedades que detinha em todo o país, as quais faziam dele o homem mais rico de toda a Península Ibérica.

12144738_1062989797054303_8588558194019843868_n



publicado por Carlos Gomes às 09:41
link do post | favorito
|

TRATADO DE ZAMORA FOI CELEBRADO HÁ 872 ANOS!

Passam precisamente 872 anos desde a celebração do Tratado de Paz de Zamora entre D. Afonso Henriques e o seu primo, Afonso VII de Leão e Castela, através do qual este reconhece o Reino de Portugal e o uso do título de Rex por parte de D. Afonso.

Na realidade, graças à ação diplomática desenvolvida pelo Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, este tratado apenas veio confirmar o poder conquistado pelos portuguesos através das armas, na Batalha de Ourique, em 1139.

Pese embora a sua confirmação pelo Papa Alexandre III apenas em 1179, a data histórica do 5 de outubro de 1143 ficou, a partir de então, simbolicamente estabelecida como o dia da Independência de Portugal.

Quaisquer que sejam as efemérides históricas que desde então ocorreram nesta data – como sucedeu com a implantação da República – ou que venham a ocorrer, nenhuma alcançará tão profundo significado como aquela que regista o nascimento da nossa Nacionalidade e que deveria ser celebrada por todos os portugueses, quaisquer que sejam as suas convicções políticas e ideológicas, porque a Pátria sobrepõe-se às próprias preferências de regime político. Isto porque, acima de tudo, todos somos portugueses!



publicado por Carlos Gomes às 00:00
link do post | favorito
|

Terça-feira, 15 de Setembro de 2015
OUREENSES REGRESSAM À VILA MEDIEVAL

Festival de Setembro, música e outras artes 2015

Chegou ao fim o “Festival de Setembro, música e outras artes”, iniciativa promovida pelo Município de Ourém e pela Fundação da Casa de Bragança e que decorreu na Vila Medieval de Ourém, nos dias 11, 12 e 13 de setembro.

Imagem 036

Nas praças, largos e jardins da Vila Medieval, coletividades e restaurantes locais proporcionaram aos visitantes uma degustação com “Sabores do Mediterrâneo”, realçando-se o conceito de que a “dieta mediterrânica constitui uma herança cultural dos países banhados pelo Mediterrâneo, ou que são por ele influenciados, representando um padrão alimentar saudável e sustentável para o mundo e, em especial, para a zona mediterrânica”. Do cruzamento desta premissa com o itinerário da viagem de D. Afonso, 4.º Conde de Ourém, por vários países do Mediterrâneo, foram servidos nos restaurantes, terreiros e praças da Vila Medieval petiscos e refeições típicas de Portugal, Espanha, França, Itália e Marrocos.

IMG_5870

A componente musical e cénica também integraram de forma marcante o Festival, com a programação a incluir uma Visita Guiada ao Paço dos Condes e a Recriação Histórica no Castelo, destacando-se ainda o espetáculo de teatro “D. Afonso, Conde de Ourém, Príncipe de Portugal”, um espetáculo que retrata a viagem de D. Afonso, 4º Conde de Ourém, para Lisboa, de onde partiria como Embaixador do Rei D. Duarte para Basileia. “D. Afonso, Conde de Ourém, Príncipe de Portugal” concilia a história da viagem com a monumentalidade da Vila Medieval de Ourém, numa coprodução do Nariz – Teatro de Grupo e o Grupo de Teatro Apollo. O Festival recebeu ainda as participações musicais de Dead Combo e Lula Pena, duas referências incontornáveis no panorama musical português.

IMG_6075

Em vertente complementar, o cinema assumiu-se como outra das manifestações artísticas presentes no “Festival de Setembro, música e outras artes”. Numa parceria com o cinANTROP - Festival Internacional de Cinema Etnográfico, foram exibidos os documentários a concurso pelo concelho de Ourém na edição de 2015: “Ao Redol da Tijomel” (vencedor do Grande Prémio Regional António Campos), “Pelos Cantos de Ourém” (vencedor do prémio Melhor Curta-Metragem do Concelho de Ourém) e “Labuta e Uma Ginja Diferente”. A problemática dos refugiados oriundos do norte de África seria alvo de reflexão no filme “Respiro”, seguindo-se a exibição de “Terra Firme”.

IMG_6086

Complementarmente refira-se que o Município de Ourém disponibilizou transporte gratuito de passageiros nos dias do Festival, a partir do Mercado Municipal Manuel Prazeres Durão (junto ao Centro de Negócios de Ourém) até à Vila Medieval, estando e entidade promotora já a trabalhar com vista à edição de 2016, procurando superar algumas lacunas que sempre se evidenciam em cada ano e no sentido de projetar o Festival para uma dimensão mais alargada, quer nos propósitos culturais do evento, quer no que respeita à escala do público-alvo.

IMG_6119

A organização do evento foi da responsabilidade do Município de Ourém e da Fundação da Casa de Bragança, em parceria com a empresa municipal OurémViva, Junta de Freguesia de Nª. Srª. das Misericórdias e ADIRN e com o apoio do Grupo Lux Hotels e da APORFEST - Associação Portuguesa de Festivais de Música.

DSC01159

DSC01244

IMG_5980

IMG_6136

IMG_6242

IMG_6308

IMG_6434

IMG_6459

IMG_6785

IMG_6950

IMG_7018

IMG_7115

IMG_7154



publicado por Carlos Gomes às 13:40
link do post | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Setembro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


posts recentes

A INQUISIÇÃO EM OURÉM

OURÉM: OS MISTÉRIOS DA SI...

AUTORIDADES DE OURÉM FELI...

DEPUTADO MENDES CORREIA E...

QUANDO VISITA OFICIALMENT...

OURÉM EVOCA DIÁSPORA E CU...

O ZOROASTRISMO E A SUA IN...

OURÉM REGRESSA À IDADE MÉ...

OURÉM REGRESSA À IDADE MÉ...

OURÉM GANHA NOVA VIDA COM...

CEPAE DIVULGA PATRIMÓNIO ...

CENTRO DO PATRIMÓNIO DA E...

HÁ 90 ANOS, TEVE INÍCIO E...

“A PENA E A LANÇA” – UM L...

HOJE É DIA DE S. JORGE

MUSEU MUNICIPAL DE OURÉM ...

MUSEU DE ARTE SACRA E ETN...

HÁ ÍNDIOS EM OURÉM… DO PA...

ACONTECE NO MUSEU – S. SE...

MAÇÃS DE D. MARIA DEBATE ...

MUNICÍPIO DE OURÉM REQUAL...

ENCONTRO EM CUBA ENTRE O ...

VAI PORTUGAL SUBSTITUIR O...

HOJE É DIA DE S. SEBASTIÃ...

OURÉM COMEMORA CENTENÁRIO...

OURÉM DÁ A CONHECER O LEG...

AS ORIGENS PAGÃS DO BOLO-...

AUREN TV TRANSMITE MISSA ...

QUAL É O TERRITÓRIO DE PO...

PORTUGAL CELEBRA HOJE O D...

BANDA DA SOCIEDADE FILARM...

BANDAS FILARMÓNICAS DESFI...

APELO AOS OUREENSES QUE V...

APELO AOS OUREENSES QUE V...

BANDAS FILARMÓNICAS DESFI...

SOCIEDADE FILARMÓNICA OUR...

BANDAS FILARMÓNICAS DESFI...

BANDAS FILARMÓNICAS DESFI...

PORTUGAL VOLTA A ESQUECER...

ARTE POPULAR E NAÇÃO NO E...

MOVIMENTO 1º DE DEZEMBRO ...

RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊN...

GALIZA E PORTUGAL: UM SÓ ...

MOVIMENTO 1º DE DEZEMBRO ...

HORA LEGAL MUDA NO PRÓXIM...

INATEL FOI FUNDADO HÁ 80 ...

O QUE SÃO E PARA QUE SERV...

REPÚBLICA EM PORTUGAL FOI...

TRATADO DE ZAMORA FOI CEL...

OUREENSES REGRESSAM À VIL...

arquivos

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

tags

todas as tags

links
Twitter
blogs SAPO
subscrever feeds