Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Terça-feira, 10 de Julho de 2012
RÉPLICAS DAS LÂMPADAS PORTUGUESAS ROUBADAS POR NAPOLEÃO VÃO SER OFERECIDAS À CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Teve lugar no passado fim-de-semana uma peregrinação organizada pela Real Irmandade de San Miguel del Ala, uma associação de fiéis canonicamente ereta na Arquidiocese de Santiago de Compostela e que juntou membros espanhóis e portugueses e Damas e Cavaleiros das Ordens Dinásticas e também representantes das Ordens da Santa Sé; de São João de Malta e da Santa Maria Teutónica e do Laicado Carmelitano.

OSEIRA - SANTIAGO 2012 068

A Real Irmandade de São Miguel da Ala é uma de oito associações da mesma soberana invocação que desde 2001 têm vindo a ser criadas em várias Dioceses do mundo e reunidas em Federação. A Real Irmandade toma o nome e os símbolos da antiga Ordem de São Miguel da Ala, a primeira Ordem Militar Portuguesa fundada por D. Afonso Henriques após o auxílio prestado por Cavaleiros da Ordem de Santiago Espanhola na tomada de Santarém aos Mouros em 1147. A Ordem foi aprovada mais tarde pelo Papa Alexandre III em 1171 e manteve a sua sede no Mosteiro Cisterciense de Alcobaça com uma Comenda no Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Oseira, na Galiza. A antiga Ordem Monástica Militar teve atividade registada em Portugal até 1834 altura em que todas as ordens religiosas foram extintas no reinado da Rainha D. Maria II. Pouco depois, a Ordem foi refundado no Vaticano pelo Rei D. Miguel I como Ordem Dinástica condecorativa da Casa Real Portuguesa.

A peregrinação que teve início no Mosteiro de Santa Maria de Oseira onde os Confrades foram recebidos pelos Monges de Cister contou com uma Missa para grupo e almoço convívio no Claustro para os convidados que incluíram Sua Alteza Real, o Duque de Bragança, Dom Duarte Pio, um grupo de religiosas Portuguesas e vários nobres e grandes de Espanha além dos Confrades.

Antes de partirem o grupo visitou a biblioteca e a famosa Botica do Mosteiro onde existem armas esculpidas da Ordem de São Miguel e onde os principais mentores da restaurada Botica de São João no Castelo de Ourém, nomeadamente Carlos Evaristo, Paulo Falcão Tavares e José António da Cunha Coutinho puderam deixar um exemplar do catálogo da exposição Ouriense.

A Fundação Histórico – Cultural Oureana sediada em Ourém, em nome do grupo, ofereceu à Comunidade Cisterciense uma especial Custódia para expor o Santíssimo Sacramento desenhada em forma de Nossa Senhora do Leite, Padroeira do Mosteiro.

Depois da estadia em Oseira o grupo partiu para Compostela onde foi recebido pelo Chanceler da Arquidiocese na Igreja de São Fructuoso onde presidiu a uma Velada de Armas para os novos Confrades da Real Irmandade Diocesana e onde houve um memorial e Guarda de Honra ao Rei Dom Manuel II, no 80º Aniversário do seu falecimento.

A peregrinação culminou com uma Missa Solene presidida pelo Senhor Arcebispo de Santiago de Compostela D. Julian Barrio Barrio, logo após uma receção no Paço Episcopal onde teve lugar a celebração de um Protocolo ente a Real Irmandade e a Arquidiocese sob o Alto Patrocínio da Casa Real Portuguesa. O Protocolo destina-se ao patrocínio do restauro e conservação do património histórico da Catedral, de preferência o de origem Portuguesa, e ainda à angariação de fundos para obras liturgicas ou de arte sacra para o Santuário.

Carlos Evaristo, Presidente da Fundação Oureana e Secretário Geral da Federação das Reais Irmandades na presença do Deão da Catedral, do Vigário Geral e do Chanceler da Diocese, do Juiz da Real Irmandade Luís de Castro Valle e Vice-Juiz Juan de Castro Valle e dos membros da Real Irmandade, anunciou que o primeiro contributo seria a oferta de duas lâmpadas em prata para a Capela do Santíssimo Sacramento da Catedral, réplicas das que foram oferecidas pelo Rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel e pela Rainha D. Maria I. Ambas as lâmpadas originais foram roubadas pelas tropas Francesas de Napoleão e derretidas aquando das invasões.

As réplicas em prata elaboradas por Carlos Evaristo terão cada uma delas um medalhão com as Armas da Casa Real, da Real Irmandade e as efígies da Rainha Santa Isabel e do Santo Condestável, dois dos maiores devotos Portugueses do Apóstolo São Tiago.

O dinheiro para as lâmpadas foi entregue na ocasião pela Real Irmandade ao Deão da Catedral que juntamente com o Presidente da Comissão do Património, irá supervisionar a fundição das mesmas em prata de lei.

Durante a Santa Missa presidida pelo Senhor Arcebispo, Carlos Evaristo, em nome do grupo, leu a invocação ao Senhor Santiago, pedindo por Portugal e os Portugueses nesta presente crise e pela Casa de Bragança, devota há séculos do Apóstolo e representada na celebração por Sua Alteza o Duque de Coimbra, D. Henrique de Bragança.

Já de regresso a Portugal os peregrinos visitaram o Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Pontevedra onde renovaram a consagração à Virgem Santa Maria dos membros do Exército Azul.

A acompanhar os peregrinos estiveram as Relíquias Insignes do Santo Condestável São Frei Nuno de Santa Maria Álvares Pereira e uma Relíquia de São Tiago Apóstolo da Lipsanoteca da Fundação Oureana.

Gabinete de Relações Públicas
Ourem Castle Information Centre

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publicado por Carlos Gomes às 13:21
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
Invasões francesas (III)

Túmulo partido

"Este Mausoleu (…) soffreu grandes estragos na desastrosa epocha da invasão franceza no anno de 1810: os Francezes, julgando talvez que ali estivessem occultas algumas preciosidades, levantaram a tampa do tumulo que ficou quebrado em todas as partes em que foi preciso empregar a alavanca para levantar o grande pezo da tampa, não respeitando as cinzas, que encerrava do Fundador da collegiada, nem o primor d’arte do mausoléu. Tempos depois, quando a collegiada comessou novamente a funcionar, foi reparado pelo cuidado e diligencia do cónego Joaquim Honorio Henriques d’Oliveira mandando renovar ainda que imperfeitamente com cimento de cal e areia a parte que faltava do epitaphio e arabescos."

 

- FLORES, Joaquim António de Oliveira. Anotações ao Esboço Histórico de Dr. José das Neves Gomes Elyseu

 

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publicado por Carlos Gomes às 08:05
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Sábado, 28 de Agosto de 2010
Relicário de Ourém

Relicário de prata dourada, oferecida por D. Affonso, IV Conde de Ourém, actualmente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Entretanto, foi-lhe recolocada a cruz em falta.

 

"A cruz de prata muito pesada, contendo preciosas relíquias é provavelmente um relicario de prata dourado, que ainda existe. esta peça é notável não so como objecto archeologico, mas pelos ornatos e lavores em alto relevo e vasados presedindo sempre o pensamento guerreiro, como praças d'armas, ameias, reductos, que apparecem em todas as suas partes, talvez, por ter sido a Ourem, praça d'armas formidavel no tempo em que o Marquez D. Affonso a considerava sua joia mais estimada, que ella foi destinada, querendo assim alliar o sentimento religioso com o espirito bellicoso do povo ouriense. A sua esculptura denuncia o estilo gothico, que se observa no templo da batalha.

(...)

Quando pela invasão franceza de 1810 as pratas de todas as egrejas foram mandadas recolher á casa da moeda pelo marechal francez Massena, este relicario, que fazia parte daquelle roubo, foi remido pelos conegos, subscrevendo cada um com uma certa quantia ate perfazer a que era exigida pelo resgate; d'este modo aquella peça secular, dadiva do conde d'Ourem, volveu à collegiada: ja não tem a cruz, que ornava o alto do zimborio, e está algum tanto dessoldada em algumas de suas partes: pesa 3550 granmas."

FLORES, Joaquim António de Oliveira. Anotações ao esboço histórico do Dr. José das Neves Gomes Elyseu.

 

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publicado por Carlos Gomes às 18:08
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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010
Ourém e as invasões francesas (II)

invasões francesas

 

"O inverno de 1810-1811 foi terrível para Portugal. Não só as violências praticadas pelos invasores, mas a falta de alimentos causados pelos saques e fuga das populações, bem como a política de terra queimada praticada pela aliança luso-britânica, causaram milhares de mortos entre o povo.

 

Onde passavam os franceses, de uma maneira geral, os sacerdotes fugiam. Por essa razão é difícil encontrar assentos de óbito de pessoas mortas por acção directa das tropas. A freguesia de Freixianda, Ourém, é uma excepção. Aqui, o Padre Cura, ao regressar para junto dos paroquianos, em Março de 1811, teve o cuidado de registar todos os óbitos que tinham ocorrido desde a sua fuga em Dezembro. Nestes registos estão incluidos 31 assassinados, homens e mulheres, de todas as idades.

 

Para memória, seguem os nomes.

-8.11.1810 João Lourenço marido de Maria Domingas , do lugar de Fárrio. Faleceu com um tiro expedido pelos franceses
- 9.11.1810 Manuel Castelão viúvo de Maria Gonçalves dos Casais Galegos. Faleceu com um tiro francês.
- 10.11.1810 José Marques marido de Mariana Froes do lugar da Ruge de Água morreu com um tiro de espingarda atirado pelos franceses
-14.11.1810 Luís solteiro filho de Manuel João e de Maria Josefa, das Quintas. morto pelos franceses com um tiro
-15.11.1810 o Padre Patrício Henriques da Silva, do lugar de Cacinheira. morreu com um tiro dos franceses
-17.11.1810 Manuel Pereira marido de Maria Antunes, da Charneca. morto pelos franceses
-8.12.1810 Manuel de Oliveira Milheiro marido de Maria Gomes, da Perucha. morreu com um tiro que lhe deram os franceses
-12.12.1810 Josefa solteira filha de José Castelão e de Josefa Marques, do lugar de Aldeia da Serra fregª de Pelmá.(e moradora no lugar de Cumeada, Freixianda). “morreu..com um tiro de espingarda dado pelos franceses
- 20.12.1810 Vicência Maria viúva de Inácio Gonçalves, dos Camarões, foi morta com um tiro dado pelos inimigos franceses
-26.12.1810 José solteiro filho de Manuel Marques e Teresa Maria, do lugar de Reca. foi morto pelos inimigos franceses
-28.12.1810 Manuel solteiro filho de António Gomes e de Josefa Gonçalves, do lugar de Ruge de água. Foi morto pelos franceses
-10.1.1811 Venâncio Francisco marido de Maria Lourença, da Ladeira do Fárrio. morto pelos franceses
-13.1.1811 Manuel filho de Manuel da Costa e de Inácia Maria, do lugar do Suimo. morto a tiro pelos franceses
-14.1.1811 Domingos de Oliveira marido de Maria Lourença do lugar do Fárrio.  morto pelos franceses
-15.1,1811 Manuel Froes Rosa viúvo de Maria do lugar do Fárrio.por eles (franceses) foi morto
-17.1.1811 José António marido de Mariana de Oliveira, da Aldeia de Sta Teresa. morto pelos franceses
-17.1.1811 Francisco solteiro, de avançada idade, do lugar da Aldeia de Sta Teresa. morto pelos Franceses
- 20.1.1811 António solteiro filho de António da Costa e Maria Angélica, da Aldeia de Sta Teresa.  morto com um tiro dado pelos franceses
-25.1.1811 Bernardino solteiro filho de João Gonçalves e Teresa Luísa, do lugar da Ramalheira. e pelos mesmos (franceses) foi morto
-28.1.1811 Manuel Luís marido de Maria Josefa, do Vale do Carro. e pelos mesmos (franceses) foi morto
-4.2.1811 Simão Nunes marido de Mariana Simões do lugar de São Jorge e pelos mesmos (franceses) foi morto
-4.2.1811 Manuel Lourenço marido de Rosa Maria do lugar de São Jorge  e pelos mesmos (franceses) foi morto
-8.2.1811 Joaquim Simões marido de Joaquina Lourença do Casal dos Moleiros e pelos mesmos (franceses) foi morto
-16.2.1811 Isabel Simões mulher de João Gomes do lugar de São Jorge pelos mesmos (franceses) foi morta
-17.2.1811 Maria solteira , filha de Manuel de Almeida e Rosa Maria, do Vale de Carvalho. morta pelos franceses
-18.2.1811 Agostinho Pereira marido de Maria Marques do lugar da Cumeada ”pelos mesmos (franceses) foi morto
-18.2.1811 António solteiro filho de António Gomes e Josefa Gonçalves, da Ruge de Água pelos mesmos..foi morto com um tiro de espingarda
-21.2.1811 Francisco solteiro filho de Manuel Gomes e de Isabel Gomes, da Ladeira. morto..com um tiro de espingarda dado pela inimiga tropa francesa
-2.3.1811 Manuel de Almeida viúvo de Rosa Maria do lugar de Vale de Carvalho pelos mesmos franceses foi morto
-4.3.1811 Maria Rosa viúva de Manuel Gomes Plácido, do Cardal. pelos mesmos franceses foi morta
-4.3.1811 Mariana de Almeida, do lugar da Malaguarda. pelos mesmos franceses foi morta"

 

- SIMÕES, Edmundo Vieira. http://www.geneall.net

  

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 23:43
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010
Ourém e as invasões francesas (I)

tumulo

Em 1810, aquando das invasões francesas - e espanholas! - as tropas de Massena saquearam e destruíram a vila de Ourém, reduzindo-a a cinzas. Roubaram tudo por onde passaram... e, tal como a foto documenta, até o tampo do túmulo do IV Conde de Ourém foi danificado à cabeceira porque desconfiavam que no interior do túmulo se escondiam as jóias e o ouro da Colegiada!

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 00:10
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