Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Domingo, 11 de Setembro de 2016
A INQUISIÇÃO EM OURÉM

A Âncora Editora acaba de publicar o livro “A Inquisição em Ourém”, da autoria do Dr. Jorge Martins, conceituado historiador, autor nomeadamente de obras de ficção e ensaio sobre história contemporânea, história local e estudos judaicos e inquisitoriais. O livro também traz a chancela da Câmara Municipal de Ourém.

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A obra teve hoje apresentação pública na Pousada Conde de Ourém em cerimónia que contou com a intervenção da Senhora Embaixadora de Israel em Portugal, Tzipora Rimon, e do Presidente da Direcção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt.

A apresentação feita no site da editora descreve o seguinte: “A Inquisição actuou em todo o território continental e Ourém não escapou à sua acção, que viu os seus habitantes – cristãos-novos e cristãos-velhos – serem perseguidos, condenado e até executados. O presente estudo permitiu-nos concluir que a maioria dos quarenta e um processos inquisitoriais sobre naturais e moradores da antiga vila de Ourém e seu Termo se referem a cristãos-novos acusados de judaísmo. A partir da análise destes processos, ficámos a conhecer os nomes de todas as vítimas, as profissões da maioria, a data da sua prisão, a idade, a naturalidade, a morada, a filiação, os cônjuges, as acusações e as sentenças. Trata-se de um primeiro contributo para a caracterização dos cristãos-novos de Ourém”

Colocando de parte a forma despudorada com que é afirmado que se trata de “um primeiro contributo para a caracterização dos cristãos-novos de Ourém”, interrogamo-nos até que ponto existe alguma relação do seu conteúdo com alguns artigos publicados em 2012 – já lá vão 4 anos! – no blogue AUREN, nomeadamente este que a seguir se republica, podendo ser acedido pelo link http://auren.blogs.sapo.pt/1005936.html

TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO JULGOU QUARENTA E SEIS OUREENSES ACUSADOS DE JUDAÍSMO, FEITIÇARIA, BIGAMIA E SODOMIA

A Inquisição foi estabelecida em Portugal, em 23 de Maio de 1536, a pedido do rei D. João III, em princípio destinada a combater a heresia no seio da Igreja Católica. Pelos tribunais do Santo Ofício passaram muitos oureenses, acusados dos mais diversos crimes, entre os quais a prática de judaísmo, mas também feitiçaria, bigamia e sodomia. Entre os acusados contam-se alguns de idade bastante jovem como é o caso de um réu, com apenas treze anos, acusado de judaísmo. E também membros do próprio Clero.

Estes processos encontram-se à guarda da Direcção-Geral de Arquivos e trata-se de uma matéria que nos ajuda a compreender, entre outros aspetos, a importância da comunidade judaica em Ourém, a problemática das divisões então existentes entre cristãos-novos e cristãos-velhos, os fenómenos migratórios que aqui se registaram e, sobretudo, o papel desempenhado pelo Santo Ofício. Trata-se, pois, de conhecer a História e o papel desempenhado pelas instituições no respetivo contexto e a mentalidade social da época, sem procurar fazer qualquer espécie de julgamento.

Lembramos que a comunidade judaica teve sempre uma assinalável presença em Ourém da qual ainda se guardam numerosos vestígios, entre os quais a entrada da Sinagoga. De resto, foi nela e no médico oureense Braz Luiz de Abreu que o escritor Camilo Castelo Branco se inspirou quando escreveu o seu romance “O Olho de Vidro”.

À exceção de dois processos que decorreram na Inquisição de Évora, todos os demais tiveram lugar no Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa.

 

Nome

Isabel Antunes

Data do Processo

22/3/1630

Conteúdo da acusação

Acusação -fuga ao Santo Oficio

Naturalidade –Ourém

Morada –Lisboa

Idade -60 anos

Filiação -José Antunes e Catarina Martins

Estado Civil -casado com Paulo de Serpa

 

Nome

Maria Jorge

Data do Processo

24/5/1633-21/5/1635

Conteúdo da acusação

Maria Jorge ou Maria Vieira, é natural e moradora na Ribeira do Olival, termo de Ourém, acusada de bigamia, tem mais de 50 anos de idade, filha de Domingos Fernandes e de Maria Vieira, casou primeira vez com Dionísio Malho, tendo casado segunda vez com António João. Foi sentenciada em Auto de Fé, no dia 20 de Maio de 1635.

 

Nome

Francisca Lopes

Data do Processo

24/11/1562-29/07/1563

Conteúdo da acusação

Acusada de feitiçaria, mourisca forra que foi de João Lopes, cónego de Ourém, é natural de Cafim e moradora em Lisboa, é casada com Diogo Dias. Não contém sentença, tendo sido solta a 29 de Julho de 1563.

 

Nome

Beatriz Álvares

Data do Processo

8/6/1558 - 15/6/1558

Conteúdo da acusação

Cristã-nova, acusada de Judaísmo, natural de Lisboa e moradora em Ourém, de 16 anos de idade, filha de Pêro Álvares e de Filipa Fernandes, solteira e sentenciada em Auto no dia 15 de Maio de 1558

 

Nome

Frei Manuel de Aveiro (Padre)

Data do Processo

24/6/1767 - 8/7/1787

Conteúdo da acusação

Denúncia. Acusado de proposições heréticas, religioso da Ordem de Santo António em Ourém

  

Nome

António Correa Girão

Data do Processo

14/4/1634-5/5/1648

Conteúdo da acusação

Acusação –Judaísmo

Profissão -vive de sua fazenda

Naturalidade -Torres Novas

Morada - Torres Novas

Idade -30 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Jerónimo Correa Girão, natural Ourém e Maria de Sousa que antes se chamava Maria Duarte, natural da Castanheira

Estado Civil –solteiro

Observação - Preso em 18 de Março de 1635 com cama e mais fato necessário uso e a seu confisco de dinheiro para seus alimento e despesas do Santo Oficio

Avós Paternos - Diogo Afonso Correa e Catarina ou Isabel Girão

Devido ao facto do réu mostrar nas sessões que não tem o juízo perfeito e que é confirmado pelo termo de capacidade do médico que não pode ser curado nos cárceres nem no hospital del Rei de Lisboa e também pelas diligências sobre a sua limpeza de sangue, estar muito duvidosa a Mesa em 9 de Maio de 1638 decide entregá-lo a algum parente seu sobre fiança de 500 cruzados para que o cure, e tornando a seu juízo perfeito será trazido aos cárceres e se correrá com seu processo até final conclusão, ordenando-se ao parente para entregar de 4 em 4 meses na Mesa certidão do estado do réu
Em 5 de Maio de Maio de 1648 ainda continuam a diligências para se confirmar se o réu é cristão ou como ele diz ser cristão velho

 

Nome

Francisco Correa da Silva

Data do Processo

10/9/1703-21/9/1706

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Profissão -caixeiro de Diogo Soares

Naturalidade - Vila de Ourém, Bispado de Leiria

Morada - Abrantes, Bispado da Guarda

Idade -28 anos

Filiação com a naturalidade dos pais - Pedro da Silva Correa, natural de Alter do Chão e Joana Frois, natural da Vila de Ourém

Estado Civil –solteiro

Sentença - Abjure seus heréticos erros em forma, terá cárcere a arbítrio dos inquisidores, será instruído nos mistérios da fé necessários para salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que excomunhão maior em que incorreu seja absoluto in forma ecclesia

Data da sentença -12 de Setembro de 1706, lida em Auto

Nome

Martim Pinto

Data do Processo

15/2/1638-17/9/1638

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade - Vila de Ourém

Morada –Lisboa

Idade -21 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Pedro Fernandes de Oliveira e Isabel Pinta, naturais de Loulé

Estado Civil –solteiro

Sentença - Abjure publicamente seus heréticos erros em forma e em pena e penitência deles lhe assinam cárcere e hábito penitencial perpétuo onde será bem instruído nas coisas da fé necessárias para salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que da dita excomunhão maior em que incorreu seja absoluta informa ecclesia

Data da sentença - 5 de Setembro de 1638, lida em Auto

Observação - Preso 23 de Maio de 1638

Avó Paterno - Pedro Fernandes de Oliveira

 

Nome

Maria Vaz

Data do Processo

7/4/1641-11/8/1642

Conteúdo da acusação

Acusada de bruxaria e feitiçaria, é natural de Peniche e moradora em Ourém, tem 23 anos de idade e por ser menor de 25 foi-lhe nomeado Curador Agostinho de Góis, alcaide dos cárceres, filha de Sebastião Gomes, homem do mar, e de Mécia Gomes, moradores em Peniche, que os seus avós paternos se chamavam Antão Guisado e Maria Tomás, e os maternos, António Vaz e Mécia Gomes, é solteira, foi presa a 29 de Junho de 1641, faleceu nos cárceres a 20 de Novembro de 1641. Não contém sentença.

 

Nome

Bernardo Lopes Pereira

Data do Processo

4/1/1727-7/8/1728

Conteúdo da acusação

Acusado de Judaísmo, é médico, natural de Mogadouro e morador em Ourém, tem 45 anos de idade, filho de Domingos Pereira, cristão-novo, sem ofício, natural de Bragança, e de Clara Lopes, cristã-nova, natural de Mogadouro, onde foram moradores, é casada com Teresa Maria, cristã-nova, contém inventário de bens, foi preso a 21 de Outubro de 1726, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, realizado na igreja do Convento de São Domingos, em Lisboa, no dia 25 de Julho de 1728, com as penas de ir ao Auto de Fé na forma costumada, onde abjure em forma os seus erros heréticos, tenha cárcere e hábito penitencial perpétuo, sem remissão, tenha penas e penitências espirituais, instrução na Fé e da excomunhão de que incorre seja absolvido. A 26 de Agosto de 1728 recebeu termo de licença para se ausentar para Ourém.

  

Nome

Joana de Sousa

Data do Processo

15/4/1562-8/1/1564

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade -Vila de Ourém

Morada –Lisboa

Idade - 60 anos

Estado Civil -viúva de Mestre Jorge Lião

Sentença - Abjure publicamente seus heréticos erros em forma e em pena e penitência deles lhe assinam cárcere e hábito penitencial perpétuo, no qual cárcere será bem instruída nas coisas da fé necessárias para a salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que seja absoluta in forma ecclesia da excomunhão maior em que incorreu

Data da sentença - 16 de Maio de 1563, lida em Auto

Observação - Presa em 20 de Abril de 1562

Entregou uma petição para lhe ser perdoado o cárcere e o hábito penitencial, alegando estar bem doutrinada nas coisas da fé e ser pobre, o que teve um despacho favorável em 8 de Janeiro de 1564, sendo-lhe comutada a pena mas mantendo as penas e penitências espirituais que lhe foram impostas

 

Nome

Gracia Rodrigues

Data do Processo

21/7/1612

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade -Vila de Tomar

Morada -Oseixe, termo da Vila de Ourém

Idade -80 anos

Filiação-Gaspar Roiz i Isabel Roiz

Estado Civil -casada com Miguel Roiz

Data da sentença -11 de Março de 1640, lida em Auto

Data do óbito - 26 de Novembro de1613

 

Nome

Gançalo Picanço

Data do Processo

29/7/1631

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade –Leiria

Morada -Quinta de Nossa Senhora da Olalha termo da Vila de Ourém

Idade -24 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Mateus Lopes Ferreira, natural da Quinta da Olalha e Simoa de Oliveira, natural de Leiria

Estado Civil –solteiro

Data da sentença -25 de Março de 1636, lida em Auto

 

Nome

Onofre Rodrigues

Data do Processo

16/8/1636-18/10/1747

Conteúdo da acusação

Cristão-novo, acusado de Judaísmo, é criado de servir, natural de Avis e morador em Ourém, tem 13 anos de idade, filho de Manuel Rodrigues, natural de Avis, e de Catarina Gonçalves, natural das Gáveas, é solteiro, contém inventário de bens, tendo sido sentenciado em Mesa, no dia 14 de Outubro de 1747.

Nome

Jorge Dias Ribeiro

Data do Processo

20/11/1645-16/12/1647

Conteúdo da acusação

Acusado de bigamia, é trabalhador, natural de Outeiro de Seiça, termo de Ourém, e morador na Torre, termo de Alenquer, tem 56 anos de idade, filho de Pedro Anes, natural de Outeiro de Seiça, e de Maria Dias, natural do Furadouro, termo de Tomar, casou primeira vez com Mécia Jorge, tendo casado segunda vez com Maria Fialha, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, no dia 15 de Dezembro de 1647.

 

Nome

Joaquina

Data do Processo

21/01/1786 - 27/01/1786

Conteúdo da acusação

Crime/Acusação: fingimento de visões, proposições heréticas

Morada: Peras Ruivas, freguesia de Ourém

Estado civil: viúva

Cônjuge: António Vieira

 

Nome

Manuel António Aranha

Data do Processo

12/12/1761 - 27/09/1768

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Francisco Alvares Bandeira

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 34 anos

Crime/Acusação: fingir-se passar por oficial do santo ofício, perturbar o recto ministério do santo ofício

Cargos, funções, actividades: lavrador e depois tratante

Naturalidade: Cabeça de Pederneira, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: Silves, Algarve

Pai: Manuel Gomes, trabalhador

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 04/01/1762

Sentença: auto-de-fé de 27/10/1765, ser açoutado publicamente, condenado por cinco anos a trabalhar sem soldo nas obras públicas da cidade, penitências espirituais, pagamento de custas.

O réu não têm domicilio certo.

 

Nome

Filipa Nunes

Data do Processo

15/08/1556 - 15/04/1561

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 70 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Viseu

Morada: Ourém

Pai: António Nunes

Mãe: Isabel Rodrigues

Estado civil: casada

Cônjuge: Jorge Veloso

Data da prisão: 15/08/1556

Sentença: auto-de-fé de 24/09/1559. Ser agravado o cárcere perpétuo e hábito penitencial, cárcere a arbítrio.

  

Nome

Simão Ribeiro

Data do Processo

15/03/1624 - 13/02/1625

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: António Pereira

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 17 anos

Crime/Acusação: bruxaria e feitiçaria

Cargos, funções, actividades: curandeiro

Naturalidade: Alqueidão, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: termo de Castelo Branco, bispado da Guarda

Pai: Francisco Jorge, cristão-velho, carpinteiro

Mãe: Maria Ribeiro, cristã-velha

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 15/03/1624

Sentença: auto-de-fé de 05/05/1624. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, degredo para o Brasil, por quatro anos.

Por despacho de 13/02/1625, foi-lhe tirado o hábito penitencial e levantada a pena de degredo.

 

Nome

Maria Caetana da Silva

Data do Processo

27/05/1705 - 11/09/1705

Conteúdo da acusação

Estatuto social: 1/2 cristã-nova

Idade: 22 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Ourém

Morada: Lisboa

Pai: Pedro da Silva, mercador

Mãe: Joana Fróis

Estado civil: Solteira

Data da prisão: 28/05/1705

Sentença: auto-de-fé de 06/09/1705. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio, penitências espirituais

 

Nome

Pedro Álvares

Data do Processo

01/07/1556 - 15/05/1558

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: mercador

Naturalidade: Torres Novas

Morada: Ourém

Pai: Simão Álvares, cristão-novo

Mãe: Margarida Álvares, cristã-nova

Estado civil: casado

Cônjuge: Filipa Fernandes

Sentença: auto-de-fé de 15/05/1558. Confisco de bens, excomunhão maior, relaxado à justiça secular.

  

Nome

Garcia Barbosa

Data do Processo

28/08/1600 - 02/01/1604

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 21 ou 22 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: sirgueiro

Naturalidade: Ourém

Morada: Tomar

Pai: Bartolomeu Barbosa, sirgueiro

Mãe: Isabel Lopes

Estado civil: casado

Cônjuge: Páscoa Ferreira, cristã-nova

Data da prisão: 28/08/1600

Sentença: auto-de-fé de 03/08/1603. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, penitências espirituais, instrução na fé católica.

 

Nome

Catarina Lopes

Data do Processo

06/11/1760 - 26/11/1761

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-velha

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: proposições heréticas

Naturalidade: Cabeça da Pederneira, termo da vila de Ourém

Morada: lugar de Chãs, freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Fátima, bispado de Leiria

Pai: Manuel Domingues, lavrador, natural de Cabeça da Pederneira

Mãe: Maria Jorge, natural de Ramila, termo de Ourém

Estado civil: viúva

Cônjuge: António Lopes, trabalhador

Data da prisão: 19/11/1760

Sentença: auto-de-fé de 20/09/1761. Degredo, por cinco anos, para fora do bispado de Leiria, penitências espirituais, pagamento de custas.

 

Nome

Bartolomeu Barbosa

Data do Processo

6/3/1611 - 8/8/1612

Conteúdo da acusação

Meio cristão-novo, acusado de Judaísmo, sirgueiro, natural de Leiria e morador em Ourém, de 60 anos de idade, filho de Vicente Girão, natural de Ourém e de Gracia Ferreira, casado com Ágeda Antunes e sentenciado na Mesa no dia 8 de Agosto de 1612.

 

Nome

Luís Lopes de Oliveira (Padre)

Data do Processo

20/9/1741-24/10/1743

Conteúdo da acusação

Acusado de solicitação, sacerdote do hábito de S. Pedro e confessor, natural e morador em Setúbal de 63 anos de idade, filho de Bento Lopes, natural de Ourém e de Maria de Oliveira, natural de Palmela e sentenciado na Mesa no dia 20 de Novembro de 1742.

Acusação –Solicitação

Profissão -Sacerdote do hábito de S. Pedro e confessor

Naturalidade –Setúbal

Morada –Setúbal

Idade -63 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Bento Lopes, natural da vila de Ourém e Maria de oliveira, natural da vila de Palmela

Estado Civil –

Sentença - Faça abjuração de leve suspeito na fé e por tal o declaram e o privam para sempre de poder confessar e o suspendem do exercício das suas ordens por tempo de 8 anos e pelos mesmos o degradam para fora deste Patriarcado e não entrará mais na vila de Setúbal, será instruído nos mistérios da fé necessários para a salvação de sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e pague as custas.
Data da sentença -20 de Novembro de 1742, lida na Mesa
Observação - Preso a 27 de Setembro de 1741 e com cama e mais fato necessário a seu uso e confisco de dinheiro para seus alimento e despesas do Santo Oficio

Nome

Diogo Nabo Pessanha

Data do Processo

23/05/1657 - 05/12/1657

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 22 anos

Crime/Acusação: sodomia

Naturalidade: Lisboa

Morada: Ourém

Pai: Manuel Gomes Cardoso, licenciado, advogado

Mãe: D. Maria de Alcáçova

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 23/05/1657

Sentença: auto-de-fé de 19/11/1657. Degredo por cinco anos para Angola, penitências espirituais, confisco de bens.

 

 

 

  

Nome

José Luís de Azevedo

Data do Processo

11/06/1740-10/11/1742

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: José Vaz Paixão

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 36 anos

Crime/Acusação: fautoria em judaísmo, revogar de acusações feitas no primeiro processo

Cargos, funções, actividades: criado de servir, feitor de Francisco Rouxinol

Naturalidade: Avis, arcebispado de Évora

Morada: Moçomedia, termo de Ourém

Pai: Manuel Vaz, almocreve

Mãe: Maria Dias

Estado civil: casado

Cônjuge: Maria da Conceição

Data da prisão: 10/11/1741

Sentença: auto-de-fé de 04/11/1742. Cárcere e hábito penitencial perpétuo sem remissão, ser açoitado publicamente, penitências espirituais, degredo por oito anos para Cabo Verde, pagamento de custas.

O réu era assistente em Coimbra.

  

Nome

Miguel Rodrigues

Data do Processo

27/07/1611 - 12/05/1614

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Miguel Rodrigues de Castro

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 80 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: vivia de sua fazenda

Naturalidade: Tancos

Morada: Seiça, termo de Ourém

Pai: Fernão Rodrigues, cristão-novo

Mãe: Susana de Castro

Estado civil: casado

Cônjuge: Grácia Rodrigues, cristã-nova

Data da prisão: 27/07/1611

Sentença: auto-de-fé de 16/02/1614. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito perpétuo, penitências espirituais.

 

Nome

José de Oliveira de Miranda

Data do Processo

29/12/1670 - 14/05/1671

Conteúdo da acusação

Idade: 35 anos

Crime/Acusação: bigamia

Naturalidade: Lisboa

Morada: Rua de São Boaventura, Bairro Aito, Lisboa

Pai: João de Oliveira de Miranda, ouvidor

Estado civil: casado

Cônjuge: D. Mariana de Meireles

Data de apresentação: 29/12/1670

O réu esteve em Cádiz, nas Canárias, na Galiza e em Ourém, casou pela segunda vez com Tomásia de Medina, sendo ainda viva a sua primeira mulher. O processo não tem sentença.

 

Nome

António de Oliveira

Data do Processo

16/08/1595 - 10/02/1598

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 55 anos

Crime/Acusação: Proposições heréticas

Cargos, funções, actividades: juíz dos órfãos em Ourém

Naturalidade: vila de Ourém

Morada: vila de Ourém

Pai: Álvaro de Oliveira, cristão-velho

Mãe: Margarida Nunes, cristã-velha

Estado civil: casado

Cônjuge: Joana Pereira, cristã-velha

Data da apresentação: 21/10/1595

Sentença na Mesa em 10/02/1598. Desdizer perante o prior de Ourém e pessoas diante de quem disse as ditas proposições, dar-lhes a satisfação necessária para ter certidão do dito prior, penas e penitências espirituais.

  

Nome

Maria de Sousa

Data do Processo

20/04/1562 - 20/09/1563

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Ourém

Morada: Lisboa

Pai: Henrique de Sousa, cristão-novo

Mãe: Isabel de Sousa, cristã-nova

Estado civil: solteira

Data da prisão: 20/04/1562

Sentença: auto-de-fé de 15/05/1562. Abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuos.

 

Nome

Lucas Barbosa

Data do Processo

17/04/1732

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 21 anos

Crime/Acusação: feitiçaria

Cargos, funções, actividades: ex-soldado

Naturalidade: Ourém

Morada: Lumiar, Lisboa

Pai: António Barbosa Ferraz, que vivia de sua fazenda

Mãe: Maria Inácia de Carvalho

Estado civil: solteiro

Data da apresentação: 17/04/1732

 

Nome

António Pereira Leitão

Data do Processo

16/02/1761 - 16/03/1763

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 36 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: lavrador

Naturalidade: Pêra Ruiva, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: São Luís do Maranhão, Brasil

Pai: Miguel Fernandes, homem de negócio

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: casado

Cônjuge: Mariana da Silva

Data da prisão: 16/02/1761

Sentença: auto-de-fé privado de 20/09/1761. Abjuração de leve, ser açoitado publicamente, degredo para as galés, por cinco anos, instrução na fé católica, penitências espirituais, pagamento de custas.

O réu foi casado pela segunda vez com D. Ângela Perpétua da Silva.

Por despacho de 16/03/1763, foi comutado ao réu o degredo nas galés para a vila de Torres Novas

Nome

Henrique da Silva Nunes

Data do Processo

04/11/1726 - 06/08/1728

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 32 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: advogado

Naturalidade: Portalegre

Morada: Ourém

Pai: Tomé da Silva Nunes, cristão-novo, mercador

Mãe: Antónia Bernarda, cristã-nova

Estado civil: casado

Cônjuge: Beatriz Nunes, cristã-nova

Data de apresentação: 04/11/1726

Sentença: 25/07/1728. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere a arbítrio, penitências espirituais.

Data do Processo

09/07/1727 - 06/08/1728

Conteúdo da acusação

Crime/Acusação: impedir o recto ministério do Santo Ofício

Sentença: Asperamente repreendido e advertido a não reincidir.

 

Nome

Diogo Pacheco de Mendonça

Data do Processo

13/02/1667-15/02/1667

Conteúdo da acusação

Estatuto Social: Cristão-Velho

Crime/Acusação: Sacrilégio; Impedir o recto ministério do stº ofício

Estatuto Profissional: Almoxarife; Juiz Dos Direitos Reais; Sargento-Mor

Naturalidade: Ourém

Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Leiria

Morada: Chão de Couce

Situação Geográfica (Morada): Bispado de Coimbra

Pai: Pedro Moniz Mascarenhas, Vivia de Sua Fazenda

Mãe: Maria Sodré

Estado Civil: Casado

Nome do Cônjuge: Catarina Raposo Bacelar

Data da Apresentação: 02/11/1665

Data da Prisão: 26/01/1666

Data da Sentença: 13/02/1667

Data do Auto de Fé: 13/02/1667

Outros Dados: M.C.; EM 1665-11-04, FOI DADA AO RÉU LICENÇA PARA IR PARA A SUA TERRA; EM 1667-02-15, FOI-LHE PASSADO TERMO DE SOLTURA E SEGREDO.

  

Nome

Manuel de Andrade

Data do Processo

02/01/1598 - 21/02/1598

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 43 anos

Crime/Acusação: blasfémia

Cargos, funções, actividades: vendeiro

Naturalidade: Penela

Morada: Ourém

Pai: Gaspar de Andrade, cristão-velho

Mãe: Maria, negra cativa

Estado civil: casado

Cônjuge: Domingas Malha, mulata

A mãe do réu era cativa de Martim Pires e de Joana Carvalho.

O réu foi enviado para Ourém e viria à Inquisição sempre que fosse chamado.

 

Nome

Manuel António de Évora

Data do Processo

07/11/1729 - 24/11/1730

Conteúdo da acusação

Idade: 19 anos

Crime/Acusação: feitiçaria, bruxaria

Cargos, funções, actividades: vive de sua fazenda

Naturalidade: Tomar

Morada: Nossa Senhora de Ceissa, Ourém

Pai: António de Évora Heitor, escrivão de prelasia de Tomar

Mãe: D. Guiomar da Fonseca Gameiro

Estado civil: casado

Cônjuge: D. Bernarda Joana Montarroio

Sentença: asperamente repreendido e advertido a não reincidir.

O réu foi repreendido asperamente pelos inquisitores em 1730-11-24, apresentação: 23-11-1730.

 

Nome

António Pereira Leitão

Data do Processo

04/01/1778 - 15/08/1779

Conteúdo da acusação

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: bigamia/poligamia

Cargos, funções, actividades: lavrador de engenho de canas

Naturalidade: Ourém

Morada: Vila Real de Santa Luzia, Baía, Brasil

Pai: Miguel Fernandes, negociante

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: casado

Cônjuge: Mariana da Silva; 2ª Ângela Perpétua

Data de prisão: 24/01/1778

Data da Sentença: 06/06/1778

Sentença: auto-de-fé de 06/06/1778 abjuração de veemente, ser açoitado publicamente, degredo por 10 anos para as galés, instruído na fé católica, penitências espirituais, pagamento de custas. Três casamentos, 2ª esposa: Ângela Perpétua ,3ª esposa: Francisca Teresa de Jesus.

  

Nome

Francisco de Santiago

Data do Processo

28/04/1704-12/09/1706

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Francisco Santiago e Castro

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 40 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: tecelão, fabricante de meias

Naturalidade: Bragança

Morada: Lisboa

Pai: António de Santiago, boticário

Mãe: Isabel Rodrigues

Estado civil: casado

Cônjuge: Isabel de Morais, cristã-nova

Data da prisão: 28/04/1704

Sentença: auto-de-fé de 12/09/1706. Confisco de bens, ir ao auto-de-fé, abjuração em forma, cárcere e hábito penitêncial a perpétuo, instruído da fé católica, penitências espirituais.

O réu aparece também como morador em Ourém

 

Nome

Filipa Fernandes

Data do Processo

01/07/1556 - 02/03/1559

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: fanqueira

Naturalidade: Ourém

Morada: Ourém

Pai: João Fernandes

Mãe: Beatriz Vaz

Estado civil: casada

Cônjuge: Pedro Álvares

Data da prisão: 20/07/1556

Sentença: auto-de-fé de 28/02/1558. Abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuos, instruído na fé católica.

 

Nome

António Fernandes

Data do Processo

17/03/1616 - 20/06/1617

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 40 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: sapateiro e lavrador

Naturalidade: lugar do Sumo

Morada: Casinheira, freguesia das Casiandas, termo de Ourém, bispado de Leiria

Pai: Domingos Simão, lavrador

Mãe: Antónia Fernandes

Estado civil: casado

Cônjuge: Beatriz Dias, primeira mulher

Data da prisão: 17/03/1616

Sentença: auto-de-fé de 12/02/1617. Abjuração de leve, degredo por cinco anos para as galés, pagamento de custas, ser açoutado publicamente

  

Nome

António Nunes

Data do Processo

06/04/1627 - 28/09/1644

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: oleiro

Naturalidade: lugar do Cidral, Ourém

Morada: Abrantes

Pai: António Nunes, lavrador

Mãe: Isabel Lopes

Estado civil: casado

Cônjuge: Maria Natália

Data da apresentação: 12/07/1627

Sentença: auto-de-fé de 10/07/1644. Abjuração de leve, degredo para o Brasil, por quatro anos, penitências, pagamento de custas.

O réu casou segunda vez com Isabel Fernandes.

 

Nome

João da Mota da Guarda

Data do Processo

23/03/1658-26/10/1664

Conteúdo da acusação

Estatuto Social: 1/8 de Cristão-Novo

Crime/Acusação: Judaísmo; Heresia; Apostasia

Estatuto Profissional: Escrivão da Almotaçaria de Vila Viçosa

Naturalidade: Ourém

Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Leiria

Morada: Vila Viçosa

Situação Geográfica (Morada): Arcebispado de Évora

Pai: Manuel da Guarda, Moço de CÂmara do Duque

Mãe: Isabel Nobre

Estado Civil: Casado

Nome do Cônjuge: Ângela Monteiro

Data da Prisão: 23/03/1658

Data da Sentença: 26/10/1664

Data do Auto de Fé: 26/10/1664

Nome

Pedro Afonso

Data do Processo

Sem data

Conteúdo da acusação

Naturalidade: Ourém

Outros Dados: DENÚNCIA

 

 

 

 

Nome

Pedro Gonçalves

Data do Processo

Sem data

Conteúdo da acusação

Naturalidade: Ourém

Outros Dados: TRATA-SE DE UMA DENÚNCIA

Fonte: Direcção-Geral de Arquivos (Torre do Tombo), em http://ttonline.dgarq.gov.pt/



publicado por Carlos Gomes às 21:21
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
OURÉM: OS MISTÉRIOS DA SINAGOGA QUE ESTA SEMANA INSPIRA O FESTIVAL JUDAICO

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Cláudia Gameirohttp://www.mediotejo.net/

Os vestígios de uma antiga sinagoga em Ourém começaram a ser referidos por historiadores locais há cerca de 30 anos e chegaram a estar incluídos nos roteiros turísticos. O atual executivo municipal decidiu agora apostar no seu estudo, expropriando o terreno para fins públicos de investigação e dedicando o Festival de Setembro deste ano à diáspora e cultura judaica. Mas há mais dúvidas que certezas em torno destas ruínas, bem como da comunidade que a usaria, na antiga vila medieval.

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Edifício em ruínas evidencia a existência prévia de dois arcos em ogiva. Terá sido uma antiga sinagoga? Foto: mediotejo.net

 

São dois arcos ogivais incrustados num edifício em ruínas, que poderão fazer ter feito parte de uma antiga sinagoga. Os vestígios encontram-se por trás da Pousada Conde de Ourém e são há muito conhecidos de historiadores e instituições locais, mas não existem referências históricas sólidas da sua existência na vila medieval. Em tempos, alertou o historiador e blogger Carlos Gomes ao mediotejo.net, o Turismo chegou a ter uma brochura em que estes arcos vinham mencionados, mas o património foi completamente esquecido nas rotas turísticas, sem qualquer tipo de promoção.

Na sua segunda edição, o Festival de Setembro decidiu apostar na cultura judaica. Questionado a respeito da escolha deste tema, o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, explicou ao mediotejo.net ter-se devido à identificação recente de “uma antiga sinagoga em ruínas”, tendo-se decidido avançar na sua promoção e estudo. Na reunião camarária de 2 de setembro, sexta-feira, todo o elenco votou favoravelmente a expropriação do terreno para fins públicos.

Para Paulo Fonseca, esta será uma forma de fomentar a “valorização patrimonial” da vila e o turismo judaico. “Tínhamos indicação histórica da existência de uma sinagoga”, explicou, e quer-se agora apostar neste novo factor de atratividade, que conta com o apoio da Fundação Oureana.

Mas, apesar de serem recentes na memória do atual executivo municipal, estes vestígios foram descobertos por Carlos Evaristo, presidente da Fundação Oureana, há perto de 30 anos. Arqueólogo de formação, o responsável contou ao mediotejo.net que se apercebeu da importância das ruínas quando começaram a fazer as obras no antigo Hospital (do outro lado da mesma rua), para o converter na Pousada. As marcações e os movimentos de terras fizeram cair o estuque do edifício degradado próximo, que formava aparentemente uma porta quadrada, e surgiram os arcos.

“Ando a lutar por isto há mais de 25 anos”, comenta Carlos Evaristo, mas na época, inícios dos anos 90, reconhece que não foi levado a sério. Ainda assim, procurou consultar comunidades judaicas e a associação dos sefarditas nos EUA, em busca de apoios para a investigação, e adquirir o imóvel. Mas os proprietários, narra Carlos Evaristo, nunca quiseram vender. O projeto foi morrendo e caiu no esquecimento coletivo.

“Fui fortemente criticado porque diziam que não havia indícios de judiarias em Ourém”, explica. Segundo o arqueólogo, eram necessárias 10 famílias para que a comunidade fosse considerada uma judiaria e em Ourém (saliente-se, a comunidade que vivia junto ao Castelo) só existiriam sete. Pessoas que foram apadrinhadas por D. Afonso, IV Conde de Ourém (1400-1460), ao tornar-se senhor das judiarias, que estiveram ligadas, afirma Carlos Evaristo, à construção da Colegiada e ao Paço dos Condes (estrutura anexa ao Castelo medieval). “Sabemos que [D.Afonso] esteve envolvido na Sinagoga de Tomar e que albergava judeus foragidos de Castela”, relata, devido à perseguição pelos Reis Católicos. “Os judeus sentiam-se tão protegidos por ele que construíram a cripta, inspirada na sinagoga de Tomar”, relata.

Mas a existência desta comunidade judaica terá sido curta. No reinado de D.Manuel I (1495-1521), o Rei mandou expulsar os judeus e muitos foram obrigados a converter-se ao cristianismo (os chamados cristãos-novos). Uma das ações do reino foi destruir e/ou esconder os símbolos religiosos, sendo essa a razão, aponta Carlos Evaristo, para o segundo arco ogival estar emparedado (o primeiro é uma porta).

Carlos Evaristo está convicto da existência de uma judiaria, ainda que com poucas famílias, em Ourém. Um dos seus argumentos é uma antiga Botica (um dispensário ou farmácia) na entrada secundária da vila medieval. Num velho edifício em ruínas, encontrou vestígios de loiças ligadas a estas antigas farmácias e plantas que não são naturais de Ourém. Conhecedora de especiarias e ervas medicinais, terá sido a comunidade judaica fugida de Castela a trazer aquelas espécies. “No século XVII haviam Cristãos-Novos com a profissão de ‘Idiotas’ que eram barbeiros, sangradores, curandeiros e boticários”, adianta.

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Num velho edifício em ruínas, Carlos Evaristo encontrou artefatos de uma antiga farmácia. Reconstruiu o espaço e criou um museu com os seus achados na vila medieval de Ourém. Foto: mediotejo.net

 

No local, o arqueólogo reconstruiu o edifício e criou um museu com os seus achados na vila medieval. Um dos elementos mais interessantes é uma pedra esculpida com a Cruz de Cristo, que afirma ter encontrado perto dos vestígios da sinagoga, onde por trás descobriu uma estrela de David.

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Numa pedra com a Cruz de Cristo, Carlos Evaristo descobriu por trás a estrela de David. Foto: mediotejo.net

 

A Fundação Oureana é uma instituição criada por John Haffert (fundador do Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima e grande amigo da Irmã Lúcia), que nos anos 40 se fixou na vila e procurou promover o seu património histórico. Presidente da instituição, Carlos Evaristo mostra-se satisfeito por a Câmara de Ourém ter finalmente decidido apostar na sinagoga.

Já Carlos Gomes refere que a sinagoga terá sido destruída no terremoto de 1755, e novamente nas invasões francesas, razão pela qual ambos os arcos ficaram totalmente escondidos. Indica inclusive dois livros que mencionam a existência da sinagoga e de uma comunidade judaica em Ourém: o “Olho de Vidro”, novela de Camilo Castelo Branco, e “Ourém – Três contributos para a sua história”, editado pelo município em 1988.

O historiador reflete sobre a importância dos judeus em Ourém e Portugal: “Os judeus constituíam uma comunidade, vivendo no burgo medieval, e integrada com êxito entre a população de cristãos-velhos. Hoje nada a distingue. São os Oliveiras, que há muito em Ourém, os Silvas, Pereiras, castelões, etc”.

Já o Professor universitário Paulo Mendes Pinto, especialista em Ciência das Religiões e coordenador do projeto “Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses”, mostra algumas reticências em comentar os vestígios, uma vez que desconhece o local e as suas características. “Há indícios de uma comunidade medieval” em Ourém, referiu ao mediotejo.net, e até processos de pessoas levadas ao Tribunal do Santo Ofício por “judaísmo”. Pelo que “é plausível que tenha havido” uma comunidade judaica na localidade, constata.

Há características que só podem ser identificadas conhecendo os vestígios pessoalmente, frisa o especialista. “O espaço de Tomar não levanta dúvida nenhuma”, afirma, uma vez que há vários documentos e inscrições que atestam ser aquela uma antiga sinagoga. Já em Castelo de Vida, comenta, é apenas um armário onde se guardaria a Torá. “Há coisas muitos variadas”, explica.

Não havendo estudos aprofundados em torno dos vestígios de Ourém, coloca dúvidas. “Na Península Ibérica, todos os espaços de antigas sinagogas não tinham essas portas”, refere. Além disso, “muitas das casas do século XV tinham uma porta grande e uma pequena”.

O mediotejo.net contactou a Rede de Judiarias de Portugal para pedir um comentário sobre o Festival de Setembro e a sinagoga de Ourém, mas a instituição informou que não tinha conhecimento nem dos vestígios nem da iniciativa.

Fundação Rothschild quer estudar vestígios judaicos

Durante a reunião de 2 de setembro, no momento da votação da expropriação, um morador da vila medieval, David Pereira, veio em nome da Fundação Rothschild apresentar a disponibilidade da instituição para estudar os vestígios. “É apenas uma proposta que ainda terá que ser discutida”, explicou ao mediotejo.net.

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Durante reunião camarária de 2 de setembro foi aprovada a expropriação para interesse público do imóvel onde se encontram vestígios de uma antiga sinagoga. Foto: mediotejo.net

 

Paulo Fonseca manteve a mesma postura, referindo que ainda é uma questão a ser analisada.

O nome Rothschild é de origem alemã e está associado a uma das mais poderosas famílias da revolução industrial, tendo no século XIX chegado a alcançar a maior fortuna privada do mundo e o título de Barão no Reino Unido. É neste país que a Fundação Rothschild está atualmente sediada, apesar de haver braços da família espalhados por toda a Europa, dedicada à filantropia e caridade. Considerada uma autêntica dinastia, os Rothschild estiveram também ligados ao movimento sionista que promoveu a criação do Estado de Israel.

Festival de Setembro traz Rodrigo Leão

Em 2014 a Fundação Casa de Bragança, na ocasião presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, passou a gestão do Castelo de Ourém para o município, procurando-se assim apostar na sua promoção. Foi ainda anunciada uma requalificação do Castelo, que está ainda a aguardar investimento comunitário. Das iniciativas nascidas deste protocolo está o Festival de Setembro.

O cabeça de cartaz deste ano é o compositor Rodrigo Leão, que vai atuar no palco do Castelo de Ourém às 21h30 de 11 de setembro, domingo. Mas o Festival vai decorrer ao longo do fim-de-semana, com uma conferência sobre a herança judaica a decorrer às 15h30 de dia 10, sábado, na Galeria da vila medieval, e os Melech Mechaya e Pás de Probléme a atuarem a partir das 22 horas. Música sefardita, gastronomia, o lançamento do livro “Inquisição em Ourém”, ou mostras de cinema com documentários são outras das propostas, todas gratuitas.



publicado por Carlos Gomes às 21:20
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016
OURÉM EVOCA DIÁSPORA E CULTURA JUDAICA

Fora da Estante: Diáspora e Cultura Judaicas

01 a 30 de Setembro

Biblioteca Municipal de Ourém

No mês em que o Município de Ourém realiza o “Vila Medieval em Setembro” a Biblioteca Municipal destacará, durante todo o mês, obras sobre a Diáspora e a Cultura Judaicas (tema da edição de 2016) que integram o seu acervo bibliográfico.

De segunda a sexta-feira das 9h00 às 17h00 (horário ininterrupto)

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publicado por Carlos Gomes às 10:24
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016
O ZOROASTRISMO E A SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO E NO CRISTIANISMO

O zoroastrismo é a religião monoteísta viva mais antiga (apareceu entre 1550 AEC e 1200 AEC, numa altura em que o judaísmo tinha um caráter muito politeísta) e influenciou muito o islamismo (em especial o xiita), o judaísmo e o cristianismo.

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Dele provém por exemplo o conceito de paraíso (pairidaeza) e influenciou muito a religião judaica, durante o exílio na Mesopotâmia como por exemplo a proibição da adoração de imagens sagradas (todo o texto de Isaías na Bíblia é de raiz zoroastriana),o monoteísmo rigoroso (até então o judaísmo era confusamente politeísta) e o puritanismo austero (a purificação dos judeus apregoada por Esdras ter-se-á dado a partir da Pérsia) uma vez que o zoroastrismo era a religião oficial do império persa, sendo o imperador persa Ciro II visto como o “Messias de Jeová” ou o “ungido de Jeová”. O paradoxo é que o título é concedido a um soberano estrangeiro, que não conhece Jeová (“Embora não me conheças, eu te cinjo”, no Deuteronómio de Isaías).

Adotaram então a crença zoaroastrista da vida após a morte, os conceitos de céu e inferno e do julgamento final e do apocalipse muito diferentes do judaísmo de antes da invasão persa. O princípio dualista do zoroastrismo manifesta-se na doutrina das duas eras, uma era presente (de impiedade) que se opõe a uma era futura (de justiça). Com a invasão alexandrina e o helenismo, o judaísmo absorve novos conceitos: o conceito grego da imortalidade da alma e a ideia da ressurreição corporal do zoroastrismo.

Hoje em dia há duas seitas, geograficamente delimitadas (sem contar com os zoroastristas na diáspora, que devem ser tantos como o total dos que existem no Irão e na Índia, um dos quais era o vocalista dos Queen, Freddie Mercury, um zoroastrista parsi, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. No Irão há 35.000 zoroastristas – segundo o governo iraniano – ou 60.000 segundo as autoridades religiosas zoroástricas.

Os zoroastristas iranianos, (cuja cidade sagrada é Yazd, se bem que haja muitos também em Teerão e Kerman) são mais abertos, aceitam casamentos com não-zoroastristas e tentam ativamente converter outras pessoas. Os zoroastristas indianos, concentrados no no Estado do Gujarate, chamados Parsis (de Persa), são mais fechados, só aceitam casamentos endógenos, porque se consideram uma raça “pura” e desencorajam o proselitismo e a conversão de estranhos. Isto é curioso: o ramo que procura conversões está num país onde 99% da população é muçulmana, na maioria xiitas duodecimanos, religião que não permite a saída para outra religião; o ramo parsi, que não admite a conversão de outros, está na Índia, país onde a conversão para outras religiões é livre, exceto para os muçulmano. Dá Ahura Mazda nozes a quem não tem dentes…

No Irão, além dos muçulmanos de várias confissões (incluindo os bahá’is, ramo divergente do xiismo, considerado herético e proibido mas que mesmo assim tem cerca de 350.000 fiéis), são reconhecidas pelo Estado e protegidas (com direito a um assento no parlamento cada uma, as religiões judaica (com 25.000 praticantes, a maior comunidade judaica num país muçulmanos), cristã (300.000, sendo 200.000 da igreja apostólica arménia, sendo os restantes protestantes e da igreja assíria; também são considerados cristãos, e como tal protegidos pela lei, os gnósticos mandeístas que porém não se reconhecem a si próprios como cristãos e por isso se consideram discriminados pelo governo – que não liga nenhuma às suas queixas e continua a classifica-los como cristãos; note-se uma coisa interessante: considera-se que o conceito de diabo nas igrejas cristãs provém do islamismo iraniano e não do judaísmo) e os zoroastristas.

Nuno Miranda

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publicado por Carlos Gomes às 11:41
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Domingo, 28 de Agosto de 2016
OURÉM REGRESSA À IDADE MÉDIA E EVOCA PRESENÇA JUDAICA

Diáspora e cultura judaica é o tema que inspira a próxima edição do Festival de Setembro de 2016,” que decorre nos dias 10 e 11 de setembro no Centro Histórico de Ourém. Durante dois dias, a Vila Medieval vai ter uma cenografia que transporta os públicos para a herança histórica e as marcas culturais deixadas pelos judeus em Ourém. Este projeto cultural parte da forte base identitária de Ourém, valorizando o património e a história da Vila Medieval, e cruza-se com outras culturas e trajetórias identitárias, no país e no mundo, através da diáspora e do transnacionalismo.

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Rodrigo Leão, referência incontornável no panorama musical português, Melech Mechaya e Pás de Problème, são as bandas nacionais de uma vasta programação que inclui concertos, dança, cinema, literatura, conferências, gastronomia, caça ao tesouro para os mais novos e visitas guiadas pelos patrimónios da Vila Medieval.

Destacam-se as conferências sobre a herança judaica, por Saul António Gomes, Carlos Veloso e Gabriel Steinhardt (presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa); o lançamento do livro “A Inquisição em Ourém”, de Jorge Martins; a mostra de cinema e cultura "Judaica”, com a presença da sua diretora, Elena Piatok; e o espetáculo de dança contemporânea “diáspora e cultura judaica” pela Arabesque.

A dinamização nas ruas é contínua! À música antiga sefardita trazida pelas Louçanas, juntam-se os “dramaticamente rejubilantes” Drama e Beiço, e sucessivos concertos, em vários locais do burgo, que incluem participações das três bandas filarmónicas de Ourém, da AMBO e da Ourearte. Os restaurantes, as praças e o castelo vão ter gastronomia de inspiração judaica servida por restaurantes e coletividades.

A organização é do Município de Ourém. Associam-se várias parcerias, como as da OurémViva, Fundação da Casa de Bragança, Turismo do Centro, Instituto Politécnico de Tomar, Juntas de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias e Piedade, Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes no evento.

Trânsito condicionado na Vila Medieval

O Festival irá obrigar a medidas restritivas durante esse fim-de-semana, designadamente o corte de trânsito e restrições de estacionamento (salvaguardando emergências e situações fundamentadas). Os moradores/proprietários de estabelecimentos poderão levantar livros de trânsito na Galeria da Vila Medieval – Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias entre os dias 1 e 8 de setembro. Poderão utilizar estritamente o estacionamento municipal situado na encosta poente do castelo, excepto para cargas e descargas até 15 minutos para abastecimentos necessários no âmbito do evento.

Pedimos antecipadamente compreensão pelos constrangimentos que estas medidas possam causar, assim como solicitamos o melhor envolvimento nesta iniciativa que se propõe dinamizar a Vila Medieval potenciando as suas melhores qualidades patrimoniais e históricas e valorizando a comunidade de Ourém.

Neste contexto, o Município de Ourém disponibilizará transporte gratuito de passageiros nos dias 10 e 11 de setembro, a partir do Centro de Negócios de Ourém até à Vila Medieval.

PROGRAMA

DIA 10 – SÁBADO

11h00 - Visita encenada à cripta do Conde de Ourém

Local: Largo da Colegiada

15h00 - Abertura oficial

Sabores de inspiração judaica

Música - Drama e Beiço

Local: Largo da Colegiada

15h30 - Conferências sobre a herança judaica

Saul António Gomes: “A presença judaica em Terras de Ourém

Carlos Veloso (Instituto Politécnico de Tomar): “Imagem do Judeu na Cultura Portuguesa
Gabriela J. Benner: "A imagem do judeu na arte medieval na Península Ibérica"

Local: Galeria da Vila Medieval

16h30 - Música - Drama e Beiço

Local: Castelo

17h15 - Música - Associação Filarmónica 1.º de Dezembro

Local: Largo do Pelourinho

17h30 - Judaica, Mostra de Cinema e Cultura

Direção de Elena Piatok

Documentário: A Escandalosa Sophie Tucker

Realizador: William Gazecki

EUA I 2015 I 96’

Inglês; leg. Português

Local: Galeria da Vila Medieval

18h00 - Música - Drama e Beiço

Local: Largo da Colegiada

18h30 - Danças tradicionais da Europa

Local: Largo da Colegiada

20h00 - Música - Sociedade Filarmónica Ouriense

Local: Largo da Colegiada

21h00 Música - Drama e Beiço

Local: Largo do Pelourinho

22h00 - Concerto Melech Mechaya

23h30 - Concerto Pás de Problème

Local: Castelo

DIA 11 – DOMINGO

9h30 - Curto-circuito “As vinhas do Vale das Silveiras”

Local: Largo do Pelourinho

10h00 - Caça ao tesouro “Houve sinagoga em Ourém!”

Local: Largo da Colegiada

12h00 - Sabores de inspiração judaica (início)

14h00 - Música sefardita - As Louçanas

Local: Largo da Colegiada

15h00 - Espetáculo de dança contemporânea Diáspora e cultura judaica – Arabesque

Local: Castelo

15h45 - Música de inspiração judaica – AMBO

Local: Largo D. João Manso

16h00 - Lançamento do livro A Inquisição em Ourém, de Jorge Martins

Intervenção do Presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt
Local: Pousada Conde de Ourém

17h00- Música sefardita - As Louçanas

Local: Castelo

17h30 - Música Ourearte

Local: Largo do Pelourinho

18h00 - Judaica, Mostra de Cinema e Cultura

Direção de Elena Piatok

Documentário: Faça Hummus, Não Guerra

Realizador: Trevor Graham

Austrália | 2012 |77'

Inglês, árabe e hebraico; leg. português

18h30 - Danças tradicionais da Europa

Local: Largo da Colegiada

19h30 - Música sefardita - As Louçanas

Local: Largo da Colegiada

21h30 - Concerto Rodrigo Leão (Castelo)

Transfer entre o Centro de Negócios (cidade) e o Largo da Colegiada (Vila Medieval) durante o horário do festival

Organização: Município de Ourém

Parceiros:

- OurémViva

- Fundação da Casa de Bragança

- Turismo do Centro

- Rede Portuguesa de Judiarias

- Instituto Politécnico de Tomar

- JUDAICA

- Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias

- Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Piedade

- Pousada Conde de Ourém

- Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes

Agradecimentos: Menemsha Fils; Yarra Bank Films



publicado por Carlos Gomes às 22:59
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015
DESCENDIA ESTALINE DE JUDEUS PORTUGUESES?

Existe uma tese segundo a qual o ditador soviético Iosif Vissaniorovich Djugachvili (Estaline) teria ascendência judaica portuguesa ou seja, judeu sefardita.

Em 1496, D. Manuel I assinou o decreto de expulsão do reino de todos os hereges, categoria na qual se incluíam mouros e judeus. Contrariado na sua vontade, o rei limitava-se a cumprir o contrato de casamento com Isabel de Aragão e Castela. Procurou, no entanto, a conversão forçada dos judeus ao catolicismo, concedendo-lhes a possibilidade de permanecerem no reino sob essa condição. Contudo, a desconfiança dos cristãos-velhos em relação á sua sinceridade deu origem a perseguições violentas.

Em consequência de tais perseguições, alguns judeus de origem portuguesa ter-se-ão fixado no Estado Português da Índia.

Com o estabelecimento da Inquisição naquele território, essas famílias terão deixado aquele território e rumado para outras paragens mais a norte, acabando por se fixarem na Geórgia, terra natal de Iosif Vissaniorovich Djugachvili.

Como é sabido, em cirílico o j corresponde ao i das línguas latinas. Por conseguinte, o apelido Djugachvili significará “filho de Diu” segundo uns e, “filho de judeu” segundo outros. Quanto à sua origem judaica, parece não restarem grandes dúvidas, até porque o seu nome próprio – Iosif – é claramente de origem judaica, não sendo utilizados pela população ortodoxa. Recorde-se que Estaline era também conhecido por Kochba ou Koba em evocação do chefe judeu que comandou a terceira revolta judaica contra o Império Romano ao tempo do imperador Adriano.

Finalmente, refira-se como curiosidade que José Estaline terá na sua juventude composto um poema intitulado “Ivéria”, aludindo muito provavelmente à região da Abecasia, na Geórgia, onde existiu um reino independente com esse nome e que na geografia greco-romana era identificado como Península Ibérica, sendo os seus habitantes conhecidos por “caucasianos ibéricos”. Ou terá pretendido evocar a terra de origem dos seus ancestrais e a sua identidade sefardita?



publicado por Carlos Gomes às 23:56
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PARLAMENTO APROVA ATRIBUIÇÃO DA NACIONALIDADE AOS JUDEUS SEFARDITAS DE ORIGEM PORTUGUESA

Parlamento Português acaba de aprovar a atribuição de nacionalidade portuguesa a descendentes dos judeus sefarditas expulsos de Portugal a partir do século XV.

O projeto aprovado prevê a atribuição da nacionalidade portuguesa por naturalização aos descendentes de judeus sefarditas portugueses que demonstrem “tradição de pertença a uma comunidade sefardita de origem portuguesa, com base em requisitos objetivos comprovados de ligação a Portugal, designadamente apelidos, idioma familiar, descendência direta ou colateral”.

Designam-se de judeus sefarditas os judeus descendentes das tradicionais comunidades judaicas da Península Ibérica (Sefarad).

A lei 43/2013 terá ainda um período de regulamentação antes de poder ser aplicada.

Sinagoga Portuguesa de Amesterão

A imagem mostra o local reservado ao culto na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão. 



publicado por Carlos Gomes às 21:44
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JUDEUS SEFARDITAS RECUPERAM NACIONALIDADE PORTUGUESA



publicado por Carlos Gomes às 16:57
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Domingo, 20 de Julho de 2014
JUDAÍSMO E CRISTÃOS-NOVOS NO CONCELHO DE OURÉM

Ourém e o seu concelho é uma das localidades do país onde a influência judaica mais teima em resistir nomeadamente nos hábitos das suas gentes. Da antiga Sinagoga não restam mais do que as ruínas que sobreviveram ao terramoto de 1755 e às mãos criminosas das tropas de Massena que incendiaram a vila medieval de Ourém. Mas, imortalizou o escritor Camilo Castelo Branco, na sua novela “Olho de Vidro”, a vida da comunidade judia de Ourém, retratando a vida do famoso médico oureense Braz Luiz de Abreu.

Ourém Judaica (7)

De acordo com documentos á guarda da Direção-Geral de Arquivos, foram entre 1561 e 1787 julgados pelo Tribunal do Santo Ofício quarenta e seis pessoas residentes em Ourém, de entre as quais contam-se 23 cristãos-novos, quase todos acusados da prática de judaísmo.

Apesar das perseguições de que foram alvo, conservam ainda muitos oureenses nomes de família que denunciam claramente as suas origens judaicas e a respetiva conversão forçada ao cristianismo, tornando-se cristãos-novos, na sequência do édito que o rei D. Manuel I publicou em 1496. Albuquerque, Castelão, Esteves, Fernandes, Ferraz, Freire, Furtado, Gonçalves, Mendes, Pereira, Oliveira, Saraiva e Silva são apenas alguns dos inúmeros apelidos adotados pelos cristãos-novos bastante usuais na nossa região. De resto, segundo reza a tradição, os cristãos-novos adotaram como apelidos, na maior parte dos casos, nomes associados a árvores, flores e outros vegetais.

Também a nossa cozinha tradicional onde pontificam os enchidos como as chouriças, farinheiras e a morcela de arroz, forma expedita empregue pelos judeus de fingir o consumo de carne de suíno, constitui um traço de identidade de uma comunidade que foi culturalmente assimilada ao longo de vários séculos e encontra-se plenamente integrada.

Porém, uma das marcas mais visíveis da influência judaica encontra-se patente nas constantes inscrições que surgem nas paredes de casas e barracões agrícolas constituídas por cruzes e pentagramas frequentemente acompanhados por ferraduras. Tidos geralmente como simples amuletos, trata-se de representações que nos remetem para cultos ancestrais que vieram a ser adotados pelas diferentes religiões, como sucede com a cruz inicialmente associada a ritos pagãos em torno de divindades solares.

Geralmente mais utilizada em regiões onde a presença islâmica foi mais acentuada como sucede no Alentejo, a ferradura encontrava-se mais associada aos cultos em torno da lua. No entanto, alguns investigadores sugerem que o símbolo que a ferradura representa é originário da Fenícia, tendo sido adotado pelos árabes e por estes transmitido aos judeus, encontrando-se relacionado com o chamsa que representa os cinco dedos de uma mão estendida, também identificado com a “mão de Miriam” ou “olho de Fátima”.

Não obstante, o pentagrama é talvez o mais curioso de todos os símbolos que aparecem no concelho de Ourém na medida que é menos usual ver-se noutras regiões do país. Trata-se de um símbolo de origem pagã que representa os cinco elementos da Natureza – Ar, Fogo, Terra, Água e Espírito – associado a uma cosmogonia do universo. Porém, o pentagrama é aqui invariavelmente identificado como sendo o Signo de Salomão, o que pode indicar uma forma disfarçada de identificar os membros de uma comunidade sem correr o risco que a sua representação correta naturalmente acarretaria, pois trata-se da Estrela de David, claramente identificada com o Judaísmo e presentemente com o Estado de Israel.

O que parece não restar dúvidas são as referências históricas e as marcas culturais que atestam a identidade de uma comunidade de cristãos-novos que se confunde com o próprio concelho de Ourém.

Carlos Gomes: http://www.folclore-online.com/

Ourém Judaica (6)



publicado por Carlos Gomes às 20:52
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