É Quinta-feira da Ascensão. Assim se denomina este dia em virtude de no calendário litúrgico se comemorar a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias que se seguem à Páscoa. Mas, este dia tem a particularidade de se celebrar também o "dia da espiga" ou "quinta-feira da espiga". Manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e flores campestres. Formam um ramo com espigas de trigo, rosmaninho, malmequeres e folhagem de oliveira que pode incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, pampilhos e papoilas. Depois, o ramo é guardado ao longo de um ano, pendurado algures dentro de casa.

Crê-se que este costume, com mais incidência nas regiões a sul de Portugal, tenha as suas raízes num antigo ritual cristão que consistia na bênção dos primeiros frutos, mas as suas características fazem-nos adivinhar origens bem mais remotas, muito provavelmente em antigas tradições pagãs naturalmente associadas às festas consagradas à deusa Flora que ocorriam por esta altura e a que a tradição dos maios e das maias também não é alheia.
É crença do povo que a espiga apanhada na quinta-feira da Ascensão proporciona felicidade e abundância no lar. Aliás, a espiga de trigo propriamente dita representa a abundância de pão, o ramo de oliveira simboliza a paz, as flores amarelas e brancas respectivamente o ouro e a prata que significam a fartura e a prosperidade.
Noutros tempos, era costume na cidade, as moças que estavam de criadas de servir, ainda arreigadas a antigas usanças das suas terras de origem, pedirem às patroas para que lhes concedessem licença nesse dia para irem apanhar a espiga ... não raras as vezes, um bom pretexto para irem ao encontro do namorico, pois quase sempre apenas tinham permissão de folga ao domingo. Aliás, devido em grande medida à liberdade que a festa proporcionava aos jovens nesse dia, a apanha da espiga adquiriu bem depressa um sentido mais malicioso sempre que as pessoas a ela se referem.
Actualmente, algumas ruas de Lisboa enchem-se de vendedeiras de ramos de espigas, as quais são cada vez mais solicitadas inclusivamente por pessoas cujas raízes culturais já nada têm a ver com tais costumes mais próprios do meio rural. Provavelmente, atraídas pela beleza com que se apresentam os ramos. Em todo o caso, procurando cumprir um ritual que ajuda a preservar uma tradição!
Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

Semana Santa em Ourém
24 a 31 de março
Via – Sacra ao vivo | 29 de março | 15.00H
Centro Histórico de Ourém
Domingo de Ramos, 24 de março
15.00H Celebração dos Ramos, Procissão dos Passos
Segunda-feira, dia 25 de março
21.00H Celebração Penitencial
Quinta-feira, dia 28 de março
20.30H Celebração da Ceia do Senhor, com rito do lava-pés.
22.00H Adoração do Senhor
Sexta-feira santa, 29 de março
09.00H Canto de Laudes
15.00H Via-sacra ao vivo e procissão do Senhor Morto, Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Distribuição da Sagrada Comunhão
Sábado Santo, dia 30 de março
09.00H Canto de Laudes
22.00H Celebração da solene Vigília Pascal
Domingo de Páscoa, dia 31de março
11.00H Celebração pascal seguida de procissão do Senhor Ressuscitado, com a presença de todas as confrarias da Paróquia de N. Srª das Misericórdias

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24 a 31 de março
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Domingo de Ramos, 24 de março
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Segunda-feira, dia 25 de março
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Domingo de Ramos, 24 de março
15.00H Celebração dos Ramos, Procissão dos Passos
Segunda-feira, dia 25 de março
21.00H Celebração Penitencial
Quinta-feira, dia 28 de março
20.30H Celebração da Ceia do Senhor, com rito do lava-pés.
22.00H Adoração do Senhor
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Sábado Santo, dia 30 de março
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Domingo de Páscoa, dia 31de março
11.00H Celebração pascal seguida de procissão do Senhor Ressuscitado, com a presença de todas as confrarias da Paróquia de N. Srª das Misericórdias
Este baile, também conhecido por Baile da Pinhata, vem de épocas antigas e realizava-se num espírito cristão litúrgico do domingo "Laetare", domingo em que sensivelmente ao meio da Quaresma a Igreja convidava os fiéis a porem de parte a penitência e celebrarem a alegria da antevisão da Ressurreição de Jesus na Páscoa que se aproximava. Enquadrava-se, portanto, no mesmo sentido em que se insere o "Demi-Carême" francês.

(…) O baile realiza-se normalmente na véspera da Páscoa, quadra em que as famílias que residem fora aqui se reencontram. Com a sala esplendorosamente decorada e repleta de gente, chega o momento solene da abertura do baile, com a chegada da corte real, Rei e Rainha do baile, acompanhados pelos respectivos vassalos e aias ou damas de honra. A fantasia e riqueza dos trajes dependem muito da imaginação, do brio e da bolsa dos pais dos eleitos do baile do ano anterior. Esta festa assemelha-se nalguns aspectos a um casamento.
O fotógrafo contratado desloca-se às casas do rei e da rainha fotografar estes com os seus pares de honra e familiares. O rei e a rainha depois de instalados no trono e de pousar para as objectivas, inauguram a pinhata, dançando só os dois, ao som de aplausos da multidão, a primeira peça do baile, enquanto o séquito faz círculo à sua volta.
A dança seguinte é executada pelas aias e pelos vassalos. Seguidamente dançam os vassalos com as respectivas aias e os reis. Só depois começa o baile para toda a gente. Dois grandes bolos oferecidos pelo par real são servidos com vinho do porto ou espumoso. Fazem-se leilões como em todos os bailes e dança-se alegremente até altas horas da noite.
Por volta das 4 horas da manhã, é chegado o momento de maior expectativa, de grande emoção. Trata-se da "dança da pinha" ou "dança da fita". Só os pares (solteiros) que compraram as fitas, que previamente foram numeradas por sorteio, é que podem dançar. (Noutros bailes as fitas são leiloadas). A enorme pinha de madeira encontra-se pendurada ao tecto no meio da sala, envolvida por dezenas de fitas que pendem. A dança da pinha pode durar uma hora e tem por finalidade abrir a pinha.
Os vassalos e aias também podem participar nesta dança, se para tal tiverem adquirido as respectivas fitas. Ao longo da dança, o animador do baile vai anunciando, por ordem, o número do par, a pinha é descida à altura de se puxar uma fita. A dança dura até que " a fita premiada" acciona um mecanismo de abertura da pinha, e nessa altura as luzes da sala apagam-se e acendem-se as luzes multicoloridas que se encontram no interior da pinha
É o momento de maior emoção, em que há gritos de alegria e se aplaude o novo rei e nova rainha, que abriram a pinha. É o fim de um reinado e o começo de outro. Depois os novos eleitos dão início a outra série de danças. Estes escolherão novos vassalos e novas aias e recebem a coroa que lhes dá “poderes reais" para a "pinhata" do ano seguinte.
Fonte: http://www.jf-aljustrel.pt/ Foto: http://bandadosamouco.blogspot.pt/
O carnaval de Ourém não competiu com nenhum outro município, mas com pé no chão e de maneira enxuta, sem grandes gastos, proporcionou um carnaval agradabilíssimo para seus munícipes e também para seus visitantes...

Pudemos analisar e até encontrar algumas falhas, mas no geral, em tudo mesmo, houve boa intenção para acertar.
Tudo organizado, com a cidade melhor cuidada, enfeitada, com todas as manifestações carnavalescas conhecidas assistidas, inclusive do interior, investimento maciço na segurança e primeiros socorros, enfim, tudo foi olhado com carinho, inclusive alguns que por ventura estiveram torcendo para dar errado.
Não houve nenhum acontecimento grave e quem esteve aqui pode confirmar que havia uma atmosfera de harmonia e congraçamento... é muito difícil um ouremense passar por uma pessoa e não faça qualquer saudação cordial.
Esse espírito de Ourém é mais rico que os mais ricos carnavais... e uma conversa de dois ladrões sobre este carnaval foi assim captada: "Não roubei ninguém porque não tive coragem ao ver tanta gente boa e energia positiva"... e um outro disse: "Mas no Superpop nós lavamos a égua, lembra? parecia que todo mundo era da nossa laia"...
Texto e fotos: Arlindo Matos (Ourém – Pará)





Remontam muito provavelmente à Idade Média os tradicionais cantares ao desafio tão caraterísticos do Minho, filiando-se porventura nos cantares trovadorescos e principalmente nas cantigas de escárnio e maldizer da época, a um tempo em que o falar do povo não se distinguia ainda nas duas margens do rio Minho – Galiza e Portugal – e a Língua portuguesa florescia graças a um extraordinário movimento cultural a que certamente não era alheio as peregrinações a Santiago de Compostela e a tradição da poesia trovadoresca provençal que os peregrinos transportavam consigo pelo caminho que atravessava os Pirenéus. Estava então Portugal a dar os primeiros passos na sua formação como nação independente, fazendo tentativas várias para que também a Galiza o acompanhasse nesse projeto.

Aos cantares ao desafio, também conhecidos entre nós como desgarradas, chamam os galegos de regueifas, fato a que não é alheio o velho costume de, em ocasião de romaria, se consumir um pão doce em forma de rosca, com farinha de boa qualidade, também utilizado em ocasiões de boda. As migrações internas e sobretudo as vias de comunicação levaram esta especialidade gastronómica a outras regiões do país, adquirindo novas formas e denominações como fogaça e bolo-de-arco, sendo nalguns sítios se popularizado como “pão espanhol” numa clara alusão às suas origens minhotas e galegas.
À semelhança dos cantares ao desafio, a regueifa galega constitui uma cantiga improvisada na qual duas ou mais pessoas seguem um cantar ao despique sobre um tema determinado ou simplesmente tratando de saber qual deles logra obter o maior aplauso do público. A relação com o pão que na realidade dá o nome a esta forma de expressão musical reside na competição havida entre regueifeiros durante uma boda, cujo vencedor era distinguido pela noiva que lhe entregava a regueifa e dava a honra de reparti-la entre rapazes e raparigas solteiras presentes na festa. Com o decorrer do tempo, o costume vulgarizou-se e a designação de regueifa passou a denominar o cantar ao desafio mesmo fora da ocasião de uma boda, com ou sem o pão.
Tal como a regueifa feita de açúcar, ovos, manteiga e canela é apreciada noutras regiões do país e passou a marcar presença em ocasiões festivas, também o costume dos cantares ao desafio se propagaram por outras paragens, naturalmente adaptados às idiossincrasias de cada povo, como sucede com os repentistas no Brasil e na Colômbia e os desafios entre payadores na Argentina e no Uruguai. Em Portugal, a forma de cantar ao desafio adaptou-se ao fado sob a forma de desgarrada e encontramo-lo nos cantos das décimas do Alentejo e nos poetas repentistas algarvios.
Em consequência do abandono do mundo rural e das suas tradições em face do crescimento urbano e da perda do uso da língua galega, o género musical da regueifa tem vindo a cair em desuso na Galiza á semelhança de outras manifestações da cultura tradicional galega. Porém, os cantares ao desafio têm vindo a adquirir crescente notoriedade no nosso país graças sobretudo a exímios cantadores e tocadores de concertina, constituindo uma das principais atrações de muitas festas e romarias que competem entre si a sua preferência e fazendo dela uma das tradições mais apreciadas das nossas gentes.
Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/

Fotos: http://www.consellodacultura.org/; http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/

Recebemos da Real Associação do Médio Tejo o ofício que a seguir se publica:
Venho convidá-los para o Jantar de Reis que se realizará no dia 19 de Janeiro de 2013, sábado, no Sameiro Eventos, em Braga.
Iniciativa já com tradição na cidade de Braga assenta numa vontade transversal a associações monárquicas e individualidades com relevância política e social na região.
Uma oportunidade para promover a cultura e património da nossa terra, nomeadamente a gastronomia, o vinho e o artesanato e um momento solidário, com a receita do jantar a reverter a favor da Associação Famílias.
As inscrições encontram-se limitadas à capacidade da sala pelo que deverão ser efectuadas com a maior brevidade possível, para o e-mail manuel.beninger@gmail.com, sendo bastante a indicação do nome, ou nomes dos participantes e um telefone de contacto, acompanhadas do respectivo comprovativo de depósito ou transferência bancária para o nosso NIB 003503850000167700076, da Caixa Geral de Depósitos, impreterivelmente até ao dia 15 de Janeiro.
Despeço-me, respeitosamente, na expectativa de poder contar com a vossa presença.
Atenciosamente
Manuel Beninger
Pela Comissão Organizadora (969.685.260 / 918.566.110)
Contributo Solidário para o Jantar de Reis:
25 € (vinte e cinco euros) / pessoa
Coordenadas GPS:
Latitude: +41° 32' 31.05"
Longitude: -8° 22' 24.30"
O dia de S. Martinho voltou a ser assinalado na nossa Freguesia, com mais uma iniciativa conjunta das instituições da terra, Junta de Freguesia, Igreja Paroquial, Centro da 3ª Idade e União Desportiva de Gondemaria.

Foi nas instalações da UDG que este ano, a 11 de Novembro, a população se reuniu para saborear as castanhas assadas, o caldo verde e o bom vinho da terra. As castanhas oferecidas pela Junta de Freguesia, eram muito saborosas, e várias pessoas fizeram questão de o salientar.
Apesar do frio que se fazia sentir, as pessoas saíram das suas casas e aproveitaram a tarde para conviver e também para ouvir um pequeno grupo de concertinas e acordeões, que entretanto começou a tocar e a animar a festa. Só faltou o pé de dança para aquecer!
Venha mais um ano, e que muitos Magustos se repitam em união e amizade da população da nossa freguesia, que é pequena geograficamente mas grande em força, coesão, e dinamismo!

















As gentes de Caxarias viveram ontem o ambiente alegre de uma descamisada do milho como se fazia antigamente. A iniciativa pertenceu à jovem Liliete Simões e teve lugar na eira da casa de seu avô, o sr. Luís Simões, de Andrés, mais conhecido por “Ti Luís do Moinho”.

A festa foi animada com cantares ao desafio ao som das mais alegres rapsódias do nosso folclore tocadas em acordeão e não faltou a água-pé, o vinho abafado, as filhós e as linguas-de-gato.
Para além do convívio proporcionado às gentes da terra, a descamisada constituiu ainda uma oportunidade de dar a conhecer aos mais novos as tradições da nossa terra, no que respeita à forma como o milho era descamisado antigamente.
Fotos: António Ferraz






















Realizou-se ontem uma SOLENE PROCISSÃO DE VELAS, pelas ruas de Rio de Couros, como preparação para a FESTA DE NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE, padroeira de Rio de Couros (Ourém), que vai ter lugar nos próximos dias 7 e 8 de Setembro.

Foi a primeira vez que se realizou esta procissão de velas, muito participada pelos habitantes da nossa paróquia... uma cerimónia muito comovente. Composta de ritos iniciais no interior da igreja em que várias crianças fizeram a apresentação dos mistérios do rosário, colocando junto do andor de Nossa Senhora uma flor e uma vela. A procissão saiu depois para o exterior onde percorreu várias ruas do lugar de Rio de Couros.
Ao longo do percurso, o andor da padroeira foi transportado por dez equipas de 4 pessoas, dos diversos lugares da freguesia, que se iam substituindo em locais previamente definidos. Também, durante a procissão, foi rezado o terço, cujos mistérios iam sendo lidos e rezados por crianças e adultos. Nalgumas casas em Rio de Couros pudemos ver lindas colchas nas janelas e velinhas acesas, demonstrativas do carinho e respeito dos seus habitantes.
Nestas fotos, pretende-se dar uma ideia do que foi este evento religioso e da grande quantidade de público presente. Realça-se ainda a grande colaboração de todas as pessoas que, com o nosso presidente da Junta de Freguesia, participaram no controlo do trânsito, permitindo assim a realização da procissão em segurança. Ao longo de toda a procissão viveram-se momentos de muito sentimento e comoção...foi uma bonita manifestação religiosa!
Texto e fotos: António Ferraz











Geograficamente situado no centro do país ou melhor, do seu território continental, o Concelho de Ourém constitui também do ponto de vista etnográfico uma zona de transição entre regiões tão distintas como o Ribatejo, a Beira Litoral e a Alta Estremadura. Também o Alto Alentejo e a Beira Baixa se encontram cultural e geograficamente próximos de Ourém. Porventura, não existe no nosso país outro concelho em que, dentro dos seus limites geográficos, reúna uma tão grande diversidade de costumes e tradições como sucede com o Concelho de Ourém.

Distante vai o tempo em que as tradições populares eram catalogadas em províncias como se entre elas se erguessem barreiras culturalmente intransponíveis. Por conseguinte, Ourém beneficia não apenas de uma centralidade geográfica como ainda cultural, entendida na sua vertente etnográfica. E, a documentá-la, encontra-se a diversidade de costumes e tradições transmitida pelos seus grupos folclóricos nomeadamente através dos trajes que exibem e das suas danças e cantares.
É ainda no Concelho de Ourém que se situa o Santuário de Fátima, muito apropriadamente considerado o Altar do Mundo e para o qual convergem, todos os anos, centenas de grupos folclóricos provenientes das mais diversas regiões do país que ali vão em peregrinação.
Para além da sua vertente espiritual, as aparições na Cova da Iria proporcionaram a preservação de importantes fontes documentais que atualmente asseguram a autenticidade do nosso folclore, dos modos de vida das nossas gentes nos começos do século XX, da sua forma de vestir e da sua mentalidade. Com a maior probabilidade, o Concelho de Ourém constitui a região do país etnograficamente melhor documentada, o que lhe permite suportar um trabalho sério e rigoroso de representação folclórica.
Todos estes fatores concorrem para que Ourém se torne um grande palco das tradições folclóricas e etnográficas do povo português. Mais ainda, tirando partido da política de internacionalização que muito apropriadamente vem sendo seguida, Ourém reúne todas as condições para se constituir o ponto de encontro de todos os povos e culturas do mundo, abraçados num ideal de paz que o folclore promove e Fátima abençoa. Assim queiram os oureenses!
Carlos Gomes










Hoje é quinta-feira da Ascenção. Assim se denomina este dia em virtude de no calendário litúrgico se comemorar a ascenção de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias que se seguem à Páscoa. Mas, este dia tem a particularidade de se celebrar também o “dia da espiga” ou “quinta-feira da espiga”. Manhã cêdo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e flores campestres. Formam um ramo com espigas de trigo, rosmaninho, malmequeres e folhagem de oliveira que pode incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, pampilhos e papoilas. Depois, o ramo é guardado ao longo de um ano, pendurado algures dentro de casa.
Também em Ourém, os utentes da Santa casa de Misericórdia de Ourém-Fátima, a reviver os seus tempos da juventude, foram para o campo à procura da espiga e flores e delas fizeram magníficos ramos que retratam bem a beleza desta tradição.

Crê-se que este costume, com mais incidência nas regiões a sul de Portugal, tenha as suas raízes num antigo ritual cristão que consistia na benção dos primeiros frutos, mas as suas características fazem-nos advinhar origens bem mais remotas, muito provavelmente em antigas tradições pagãs naturalmente associadas às festas consagradas à deusa Flora que ocorriam por esta altura e a que a tradição dos maios e das maias também não é alheia.
É crença do povo que a espiga apanhada na quinta-feira da Ascenção proporciona felicidade e abundância no lar. Aliás, a espiga de trigo propriamente dita representa a abundância de pão, o ramo de oliveira simboliza a paz, as flores amarelas e brancas respectivamente o ouro e a prata que significam a fartura e a prosperidade.
Noutros tempos, era costume na cidade, as moças que estavam de criadas de servir, ainda arreigadas a antigas usanças das suas terras de origem, pedirem às patroas para que lhes concedessem licença nesse dia para irem apanhar a espiga ... não raras as vezes, um bom pretexto para irem ao encontro do namorico, pois quase sempre apenas tinham permissão de folga ao domingo. Aliás, devido em grande medida à liberdade que a festa proporcionava aos jovens nesse dia, a apanha da espiga adquiriu bem depressa um sentido mais malicioso sempre que as pessoas a ela se referem.
Actualmente, algumas ruas de Lisboa enchem-se de vendedeiras de ramos de espigas, as quais são cada vez mais solicitadas inclusivamente por pessoas cujas raízes culturais já nada têm a ver com tais costumes mais próprios do meio rural. Provavelmente, atraídas pela beleza com que se apresentam os ramos. Em todo o caso, procurando cumprir um ritual que ajuda a preservar uma tradição!
Carlos Gomes in http://www.folclore-online.com/ (Adaptado)
Fotos: Santa Casa da Misericórdia de Ourém-Fátima








Termina amanhã em Lisboa mais a VII edição do Festival Internacional Máscara Ibérica. Entre a Praça do Município e o Rossio, desfilaram hoje 24 grupos oriundos do Norte e Centro de Portugal, Galiza, León, Zamora, Cáceres, Astúrias, País Basco e Salamanca, pela primeira vez presente no desfile a par de Ílhavo, Piornal e Montehermoso de Cáceres.

A Mostra das Regiões apresentou-se mais uma vez em Lisboa, transformando-a durante quatro dias consecutivos numa montra de produtos regionais, artesanato e destinos turísticos. Os visitantes tiveram oportunidade de descobrir e adquirir algumas das mais tradicionais iguarias como o fumeiro, a doçaria regional e peças artesanais nacionais e espanholas, espalhadas por 25 espaços. Zamora e Cáceres (Patronatos de Turismo) são algumas das províncias de Espanha que trouxeram à capital os seus produtos típicos, a que se junta o espólio gastronómico, vinícola e artesanal da Serra da Estrela, Nordeste da Beira, Beira Interior Sul, Região Centro, Baião, Mirandela, Vales do Sousa e Tâmega, entre outras regiões.
O Rossio contou ainda com animação de rua, música e danças tradicionais, artesanato ao vivo, provas de produtos e, para os mais pequenos, um cantinho infantil, que inclui workshops de máscaras.
A organização aposta na componente musical. Concertos de música folk de raiz tradicional europeia com elementos de fusão entre o ska, reggae e rock. A animação de rua foi assegurada pela La Bandina e los Sidros de Valdesoto provenientes das Astúrias, as portuguesas Tradballs, Vaidecaja e Escola de ritmos Dumdumba, Altsasuko Inauteria do País Basco e Folión de Viana do Bolo da Galiza.

A tradição pagã dos rituais da máscara, raramente vistos fora dos seus contextos de origem, tem por objetivo a divulgação de um dos elementos mais característicos do folclore dos povos, concretamente as máscaras tradicionais, ajudando a compreender todo o ritual que lhe está associado, desde as suas origens pagãs às festividades do Entrudo tradicional. O costume da máscara é comum a todos os povos e a todas as regiões, embora em muitos casos tenha caído no esquecimento. A título de exemplo, no Minho perdura ainda a tradição dos cabeçudos e gigantones, fazendo-se acompanhar pelas arruadas dos zés-pereiras, dando alegria e colorido às romarias.
A utilização tradicional das máscaras está associada à religiosidade primitiva que encarava o ciclo da vida e dos vegetais num perpétuo renascimento. O rito celebra o mito e assegura a interrupção do ciclo da natureza e da vida. Assim, como á morte sucede a vida, também ao Inverno e à morte dos vegetais sucede invariavelmente o seu renascimento. Ao Inverno estão associados um conjunto de rituais que se iniciam com o culto dos mortos em Novembro, na crença de que estes podem interferir favoravelmente no ciclo da natureza, culminando com a Serração da Velha a anunciar o regresso da Primavera. Pelo meio fica o Entrudo celebrado com as suas máscaras e os seus instrumentos ruidosos como as sarroncas e os zaquelitraques com vista a expulsar os demónios do Inverno.
Toda a representação se destina a exorcizar os maus espíritos do Inverno e incidem no universo rural, desde a representação de figuras demoníacas aos animais que fazem parte do quotidiano do lavrador. As máscaras são construídas a partir dos materiais disponíveis no espaço rural e concebidas com base no imaginário popular.
Os chocalhos prendidos à cinta do careto, símbolo da virilidade e da posse demoníaca, destinam-se a chocalhar as raparigas que se perdem pelos caminhos da aldeia. Os mascarados estão autorizados a invadir as casas e tomar para si alvíssaras, em regra uma peça do fumeiro.
Estas tradições eram comuns a todas as regiões do país e o Concelho de Ourém não constituía uma exceção. Cabe às associações culturais, mormente aos ranchos folclóricos, pesquisar, recolher e divulgar tais tradições como meio de as preservar.















Junto se reproduz a intervenção do Vereador Dr. José Alho, acerca da recriação da Via Sacra no Centro Histórico, na reunião da Câmara Municipal de Ourém que ontem se realizou.

Recriação da Via-Sacra no Centro Histórico
A recriação da Via Sacra no Centro Histórico reveste-se de uma vivência muito particular. Trata-se de um acontecimento marcante do ponto de vista cultural e religioso, de projeção nacional, que se realiza pelo 14º ano consecutivo. Apesar do tempo que se fez sentir, o público acorreu em grande número e a encenação que contou com 80 figurantes teve uma vez mais, o brilho que lhe empresta o realismo da representação, mas também as condições excecionais do local.
Percorrer as ruas do Castelo e acompanhar os passos e quadros desta Via Sacra que integra as celebrações da Semana Santa, permite-nos viver um espetáculo de singular significado que só é possível pelo envolvimento de um conjunto de entidades que ano após ano dão as mãos para que tudo dê certo: Junta de Freguesia e Paróquia de N.ª Sr.ª das Misericórdias, Sociedade Filarmónica Ouriense, Escuteiros, Câmara Municipal e Ourém Viva. Mas também a população residente e outros parceiros locais, entre os quais, a Pousada Conde de Ourém, GNR e Bombeiros, contribuem para a grandeza do evento.
A todos os que mais diretamente se envolveram neste trabalho de ensaios, de limpeza e ornamentação de ruas e janelas, na representação propriamente dita, o nosso obrigado. Por último, deixo também uma palavra de agradecimento ao Dr. Mário Catarino que aceitou o nosso convite para dirigir a encenação num trabalho de continuidade que nos apraz registar.
O Vice-Presidente da Câmara
José Manuel Alho
A tradição da visita pascal regressou à freguesia de Rio de Couros. Após vários anos de interrupção, a cruz voltou a percorrer as ruas e os caminhos da localidade e entrou nas casas onde foi dada a beijar, abençoando a família e o lar.

À entrada das habitações, um tapete de alecrim, funcho e rosmaninho emprestavam um ambiente colorido e perfumado de grande beleza. Os mordomos, envergando as opas vermelhas, seguiam o Padre David Barreirinhas levando a cruz. Aqui e além, o toque da sineta indicava o local onde se encontrava o Compasso.
- O Senhor ressuscitou! Aleluia! Aleluia!
Fotos: Mensageiro de Rio de Couros





O Natal é a festa da noite, a Paschoa e festa do dia!
Pelos caminhos da aldeia o parocho revestido de sobrepeliz e estola vae acompanhado pelo mordomo da cruz, pelo caldeirinha de agua benta, pelo campainha, pelo creado encarregado de receber os folares. Partem sol nado.
São muitos e distantes os logares, e a cruz, enfeitada com belos cordões de ouro e laços de fita coloridos, aromatisada com essência de cravo ou rosmaninho, tem de ser beijada por todos os freguezes.
Os vizinhos invadem uns as casas dos outros; os parentes teem de ir beijal-a a casa dos parentes, embora a distancia seja longa.
Avista-se além a Cruz, n’uma volta da azinhage. A campainha vibra no ar ambalsamado pelo perfume das macieiras em flôr, e então todos se dão pressa em juncar de flores e plantas aromaticas a entrada do seu lar, e estender sobre a mesa a alva toalha de rendas, onde o folar é depositado.
O padre chega. Enche-se a casa.
Alleluia, boas festas.
E a todos ajoelhados o parocho dá a Cruz para beijar, correndo assim a freguesia inteira.
Os ausentes teem vindo de fora, esquecem-se antigos ódios, visitam-se amigos velhos; a panella é gorda n’esse dia, o vinho espuma alegremente. É a natureza que ressurge, e quando a seiva ascende exhuberante e fecunda, não é para admirar que o espírito se vivifique pela alegria.
J. Augusto Vieira, in “Branco e Negro” (Semanario Illustrado), nº.1 de 5 de Abril de 1896
A Paróquia de Rio de Couros reconstituiu a Via Sacra. Centenas de pessoas participaram nas cerimónias que lembram o trajeto de Jesus do Pretório ao Calvário onde foi crucificado. A sua celebração constitui um exercício de meditação e fé da Paixão de Cristo.

Na recriação da Via Sacra, Jesus é conduzido ao Calvário e, com orações e cânticos religiosos, são recriadas as 14 estações da Via-Sacra tal como é descrito na Bíblia, é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado. O cortejo tem o seu início na Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias e conta com a participação ativa da comunidade local.
Fotos: António Ferraz/Rio de Couros


























Ourém reconstituiu ontem o trajeto seguido por Jesus, do Pretório ao Calvário, carregando a cruz na qual haveria de ser crucificado. As celebrações, integradas na Semana Santa, atraíram ao burgo medieval inúmeros visitantes, constituindo já uma referência a nível nacional e uma das melhores ocasiões para dar a conhecer o centro histórico.

Na recriação da Via Crúcis, vulgo Via Sacra, Jesus é conduzido ao Calvário e, com orações e cânticos religiosos, são recriadas as 14 estações da Via-Sacra tal como é descrito na Bíblia, é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado. O cortejo tem o seu início na Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias e conta com a participação ativa da comunidade local.
A Semana Santa em Ourém é ainda assinalada com várias manifestações, desde a Procissão dos Ramos, passando pela cerimónia do Lava-pés, culminando com a Visita Pascal no Domingo de Páscoa, dia em que também é celebrada a missa da ressurreição. Neste dia, os párocos de cada igreja, auxiliados pelos seus acólitos usando opas com as cores paroquiais, visitam os fiéis nas suas casas num cortejo em que se integra o Crucifixo e se faz anunciar pelo toque de uma sineta.
A tradição de celebrar a Via Sacra remonta à época das Cruzadas a Jerusalém entre os séculos XI e XIII, altura em que os cristãos aí chegados percorriam os lugares sagrados da Terra Santa. De regresso ao Ocidente, procuraram reconstituir o trajeto percorrido por Jesus até ao Calvário, fazendo desse ritual um exercício de meditação da Paixão de Cristo.
Fotos: Câmara Municipal de Ourém



















Um milhar de pessoas resistiu hoje ao frio, ao vento e à chuva para testemunhar a encenação do último dia de vida terrena de Jesus Cristo, que é recriado há 14 anos consecutivos no concelho de Ourém.

De saco plástico na cabeça, junto à sua banca onde vende tremoços, Irene Lopes disse à Lusa que o negócio estava "molhado" como o tempo. "O ano passado [o evento] trouxe pouco povo e hoje ainda está menos do que o ano passado. Com o frio e a chuva ainda é pior", explicou, enquanto lembrava os dias em que "até se via gente estrangeira".
Um metro acima do empedrado do centro histórico, o presidente da Câmara de Ourém mostrou-se resignado pelas condições meteorológicas que tinham deixado muita gente em casa, mas salientava a devoção das pessoas que se tinham deslocado a uma iniciativa "que tem uma expressão bíblica muito enraizada, quer chova, quer faça sol".
Paulo Fonseca sublinhou, contudo, que a Via Sacra, "um elemento que já está consolidado", é mais um dos fatores, durante todo o ano, de atração da "vila medieval de Ourém, pelo seu conteúdo histórico, pela sua beleza, pelo seu encanto e multiplicidade de oferta".
Pelo 14.º ano consecutivo, cerca de 80 figurantes, acompanhados pela Sociedade Filarmónica Ouriense deram corpo à recriação dos últimos momentos de vida de Jesus Cristo.
Abrigados da chuva, do frio e do vento, num salão, antes de iniciarem o espetáculo, atores e figurantes faziam os últimos preparativos e explicavam a razão pela qual todos os anos participam: a fé que os une.
Manuel Lopes, que vestiu a ‘pele' e a armadura de um romano salienta que é também "o amor que tem à freguesia".
António Gonçalves, que acabará por ser crucificado pela 14.ª vez consecutiva - ele que veste a personagem de Jesus Cristo - sustenta que não é da recriação que se podem esperar mudanças, mas do público. "De ano para ano, as pessoas trazem outras pessoas, e o público acaba por nunca ser o mesmo", justifica.
Jeremias Gaspar, junto à porta onde se pode espreitar a chuva e o vento, vai esfregando as mãos, ele que interpreta pela 8.ª vez o papel de Pilatos. Católico praticante, destaca "o gosto por estes ambientes e pela representação" e garante que o facto de todos os anos ‘lavar as mãos' na condenação de Cristo nunca o deixou com remorsos na hora de ir para casa.
Com orações e cânticos religiosos, as 14 estações da Via Sacra são recriadas como indica o relato bíblico: Jesus Cristo é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado.
A procissão termina na parte mais alta da zona do castelo de Ourém, onde o povo se aglomera diante das três cruzes, uma delas reservada para António Gonçalves, que durante todos estes anos dá corpo à figura de Cristo.
Ali junto, apenas um pouco mais abaixo desse largo no qual se juntou o milhar de pessoas, há uma inscrição à porta do cemitério que bem pode servir de epitáfio à recriação: "Aqui findam as vaidades/Com que o mundo nos seduz/Aqui há paz e descanso/À sombra da eterna cruz".
À semelhança do que se verificou em todas as paróquias do Concelho de Ourém, Rio de Couros festejou a quinta-feira com a celebração da missa vesperina da Ceia do Senhor com a cerimónia de Lava-Pés. As cerimónias tiveram lugar ontem à noite e foram presididas pelo padre David Barreirinhas, pároco de Rio de Couros, Formigais e Ribeira do Fárrio.

Este dia marca o termo da Quaresma e o início do tríduo pascal na celebração que comemora a última ceia de Jesus com os apóstolos. Seguindo a tradição judaica do Sêder de Pessach que recorda o êxodo dos judeus do Egito, Jesus ceou com os apóstolos, incarnando a figura do cordeiro pascal assim sacrificado pelos pecados da humanidade.







Fotos: António Ferraz / Rio de Couros
Desde 2005, a bilharda começou a ter um carácter desportivo na Galiza. As pessoas que fomentaram a aparição da Liga Nacional de Bilharda (LNB) modernizaram o sistema de jogo conferindo-lhe um novo atrativo. O que sempre foi considerado como um jogo de crianças convertia-se em mais uma modalidade desportiva.

Fez-se um regulamento e criou-se a liga, que teve o seu início no nordeste galaico: na marinha lucense, onde se jogou principalmente as primeiras temporadas, onde se estabeleceu um título individual e um por equipas. Com o decurso do tempo foi-se espalhando por todo o país e chegou-se ao sistema de competição por conferências que abrangem diferentes comarcas, emulando sistemas doutros desportos como o basquetebol ou o futebol americano nos Estados Unidos de América.
Destas conferências, após vários meses de competição, saem as equipas, também conhecidas como franquias, e as jogadoras e jogadores individuais que disputam num único dia a final nacional.
Na Liga Nacional de Bilharda compete-se em cada uma das jornadas sem fazer separação entre sexos e idades. Pode-se ver numa mesma jornada de liga pais, mães, filhas, filhos, netas e netos competir com um mesmo objetivo.
Alguns dos campeonatos são amenizados por música galega, chegando incluso a ter algumas vezes atuações musicais ao vivo. É importante também a implicação e participação de diversas associações culturais e de centros sociais autogeridos.

Regulamento básico da LNB
Fundamento do jogo:
O jogo consiste em tratar de chegar coa bilharda até o varal antes que o rival. A bilharda tem que estar inicialmente no chão. Em cada tirada recebe um primeiro golpe com o palão para levantá-la no ar, onde é de novo golpeada em direção ao varal, que seria uma espécie de baliza. Se a bilharda não é golpeada antes de cair no chão há que voltar ao ponto de partida. Uma vez no ar a bilharda pode ser golpeada tantas vezes como for possível antes de tocar o chão.
Normas do jogo:
As partidas realizam-se num campo de forma retangular e com umas medidas de 50 metros de longo por 20 metros de largo. O campo tem marcadas as medidas do mesmo com uma linha que une todos os pontos do mesmo. Ao mesmo tempo num dos laterais de 20 metros tem marcado no centro um quadrado de 60 cm x 60 cm denominado zona de saída. No outro lateral está marcado o varal que tem uma medida de 3,60 metros de longitude. O varal não tem uma altura delimitada. Se a bilharda sair pela linha de fundo há que voltar para o lugar de onde se efetuou o lançamento. O mesmo acontecerá se a bilharda sair pela linha de 50 metros sem tocar o chão. Em caso de tocar o chão antes de ir fora, o seguinte golpe será do lugar por onde a bilharda saiu.

bilharda
(francês billard, taco para bilhar)
1. Antigo jogo de rapazes que consiste em fazer saltar com um pau comprido, outro mais pequeno aguçado nas duas extremidades, procurando-se que este não caia dentro de um círculo que se traçou no chão.
2. O pau mais pequeno que entra nesse jogo.
Realiza-se amanhã em Ourém as celebração da Via Cacra, integrada nas comemorações da Semana Santa. A recriação da Via Sacra, no Centro Histórico de Ourém, constitui momento alto das celebrações pascais e atrai habitualmente a Ourém muitas centenas de forasteiros, sendo uma das encenações mais bem conseguidas a nível nacional relacionadas com esta quadra festiva.

Jesus é conduzido ao Calvário e, com orações e cânticos religiosos, são recriadas as 14 estações da Via-Sacra tal como é descrito na Bíblia, é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado. O cortejo tem o seu início na Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias e conta com a participação ativa da comunidade local.
A Semana Santa é ainda assinalada com várias manifestações, desde a Procissão dos Ramos, passando pela cerimónia do Lava-pés e pela Via Sacra, culminando com a Visita Pascal no Domingo de Páscoa, dia em que também é celebrada a missa da ressurreição. Neste dia, os párocos de cada igreja, auxiliados pelos seus acólitos usando opas com as cores paroquiais, visitam os fiéis nas suas casas num cortejo em que se integra o Crucifixo e se faz anunciar pelo toque de uma sineta.




CADA TERRA COM SEU USO
ENCOMENDAR AS ALMAS. UMA TRADIÇÃO EM VIAS DE EXTINÇÃO
Ainda há pouco mais de meia dúzia de anos, numa das já raras visitas (por motivos alheios á minha vontade) que fiz á minha terra, Avidagos, na Semana Santa, fui com a minha já falecida mãe e mais algumas pessoas, Encomendar as Almas como lá se diz.
Era uma quarta-feira e depois de amassar os folares enquanto os mesmos ficaram a levedar, saímos á meia-noite do forno comunitário (que já não existe) e fomos silenciosamente postar-nos na primeira encruzilhada das demais onde faríamos paragens obrigatórias onde cantava-mos alto e rezava-mos, em silêncio: Por cada quadra cantada, rezava-se um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. Geralmente, cantavam-se três quadras em cada encruzilhada das ruas. As pessoas que acordavam, acendiam e voltavam a apagar uma luz para nos comunicar que também iriam rezar mas não abriam portas nem janelas porque a par da devoção, andava a superstição de que alguma alma penada podia entrar em casa e assombrar alguém.
Era uma piedosa tradição que se perdia na bruma dos tempos e julgo não estar enganada ao julgá-la de raiz popular pois não tenho conhecimento de que tivesse sido algum poeta de renome que escrevesse as estrofes que se cantavam e que eu vou descrever algumas que ainda recordo na íntegra.
A voz inconfundível, cristalina e bem timbrada da senhora Adelina “minha mãe”começava, e os outros acompanhavam como sabiam e podiam.
Então era assim:
Acordai ó irmãos meus
Desse sono tão profundo
É bom que nós nos lembremos
Das Almas do outro mundo
Ó quantas Almas clamam
E dão gritos no inferno
Pelas nulas Confissões
Que neste mundo fizeram
Irmãos meus, cuidai na morte
E no dia de Juízo
O inferno é mui feio
Deus nos leve ao paraíso
Quem quiser ganhar o Céu
Faça como São Francisco
Lembre-se uma vez ao dia
Das cinco chagas de Cristo
Acordai ó irmãos meus
Não vos fiqueis a dormir
Que as almas do outro mundo
Orações, ‘stão a pedir
Quem quiser ganhar o Céu
Faça como São Gregório
Lembre-se uma vez ao dia
Das almas do Purgatório
Rezem a Salve rainha
Á Virgem Nossa Senhora
Seja a nossa salvação
Seja a nossa protectora
Á porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora
As almas lhe responderam
Ó meu Deus que quereis agora
Quero que deixeis o mundo
Vinde pró Reino da Glória.
Isto é só uma pequena amostra do vasto reportório da senhora Adelina que ultimamente, já com os sintomas da terrível doença que a vitimou, só já encomendava as Almas na Semana Santa, mas quando eu e meus irmãos éramos pequenos, desde Quarta-feira de Cinzas até Sexta-feira santa, todas as noites á meia noite, nos ia arrancar aos braços de “Morfeu”, fizesse frio, chuva, vento ou neve, nada a demovia de cumprir o ritual, sobretudo porque acreditava piamente que encomendando as Almas, tirava muitas do Purgatório e salvava as nossas.
Foi com tristeza e alguma nostalgia que tomei conhecimento de que a última vez que se encomendaram as Almas nos Avidagos,Freguesia de Mirandela, foi quando eu participei também pela última vez há pouco mais de seis ou sete anos, não sei precisar a data ao certo.
Que Deus tenha a senhora Adelinaem Sua Glória!
Encomendou tantas almas, e agora não há quem encomende a dela a não ser as orações dos familiares.
É a mudança dos tempos, ou dos Homens?
Ourém, 2005-02-24
Graziela Vieira
Domingo de Ramos foi dia de festa em Rio de Couros. O povo saiu à rua em procissão de ramos para celebrar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, após a qual se celebrou a eucaristia. No final, realizou-se o almoço pascal que constituiu um agradável momento de confraternização e amizade.

O Domingo de Ramos é uma festividade cristã que ocorre invariavelmente no domingo que antecede a Páscoa e comemora o evento bíblico, mencionado nos quatro evangelhos, que se refere à entrada de Jesus em Jerusalém, qual “príncipe da paz” montado num jumento e recebido pelo povo com palmas a cobrir o caminho em sinal de triunfo.
As fotos que se reproduzem são gentileza do “Mensageiro de Rio de Couros e Formigais” a quem se agradece.
























Começam amanhã em Ourém as comemorações da Semana Santa que culminam no próximo dia 6 de abril, com a recriação da Via Sacra, no Centro Histórico de Ourém. Este constitui momento alto das celebrações pascais. A reconstituição da Via Sacra, em Ourém, constitui uma das encenações mais bem conseguidas a nível nacional relacionadas com esta quadra festiva, atraindo todos os anos ao velho burgo medieval muitos milhares de forasteiros.

Jesus é conduzido ao Calvário e, com orações e cânticos religiosos, são recriadas as 14 estações da Via-Sacra tal como é descrito na Bíblia, é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado. O cortejo tem o seu início na Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias e conta com a participação ativa da comunidade local.
A Semana Santa é ainda assinalada com várias manifestações, desde a Procissão dos Ramos, passando pela cerimónia do Lava-pés e pela Via Sacra, culminando com a Visita Pascal no Domingo de Páscoa, dia em que também é celebrada a missa da ressurreição. Neste dia, os párocos de cada igreja, auxiliados pelos seus acólitos usando opas com as cores paroquiais, visitam os fiéis nas suas casas num cortejo em que se integra o Crucifixo e se faz anunciar pelo toque de uma sineta.




Ourém inicia no próximo dia 1 de abril as comemorações da Semana Santa que culminam no próximo dia 6 de abril, com a recriação da Via Sacra, no Centro Histórico de Ourém. Este constitui momento alto das celebrações pascais. A reconstituição da Via Sacra, em Ourém, constitui uma das encenações mais bem conseguidas a nível nacional relacionadas com esta quadra festiva, atraindo todos os anos ao velho burgo medieval muitos milhares de forasteiros.

Jesus é conduzido ao Calvário e, com orações e cânticos religiosos, são recriadas as 14 estações da Via-Sacra tal como é descrito na Bíblia, é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado. O cortejo tem o seu início na Igreja de Nossa Senhora das Misericórdias e conta com a participação ativa da comunidade local.
A Semana Santa é ainda assinalada com várias manifestações, desde a Procissão dos Ramos, passando pela cerimónia do Lava-pés e pela Via Sacra, culminando com a Visita Pascal no Domingo de Páscoa, dia em que também é celebrada a missa da ressurreição. Neste dia, os párocos de cada igreja, auxiliados pelos seus acólitos usando opas com as cores paroquiais, visitam os fiéis nas suas casas num cortejo em que se integra o Crucifixo e se faz anunciar pelo toque de uma sineta.












A quadra pascal é vivida intensamente em Ourém. De 1 a 8 de Abril, o centro histórico vai ser palco de um conjunto de cerimónias que culminam com a encenação da Paixão e Morte de Cristo.

O momento alto das celebrações acontece na sexta-feira santa, com a recriação da Via-Sacra, considerada a nível nacional como uma das encenações mais bem conseguidas.
Pelo 14º ano consecutivo, cerca de 80 figurantes, acompanhados pela Sociedade Filarmónica Ouriense, vão dar corpo à recriação do último dia da vida terrena de Jesus Cristo, personificado, mais uma vez, por António Gonçalves.
Com a ajuda da comunidade local, dos paroquianos e da autarquia, a Via-Sacra é um dos pontos altos das atividades culturais oureenses. Milhares de pessoas assistem anualmente a esta emotiva cerimónia.
Com orações e cânticos religiosos, as 14 estações da Via-Sacra são recriadas tal como indica o relato bíblico – é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado.
Programa da Semana Santa
01 de Abril – 08 de Abril de 2012
Domingo de Ramos: dia 01 de Abril
11h00: Comunhão Pascal dos Jovens
Igreja Nª Sr.ª das Misericórdias
Segunda-feira, dia 02 de Abril
21h00: Celebração Penitencial
Igreja Nª Sr.ª das Misericórdias
Quinta-feira: dia 05 de Abril
20h30: Celebração da Ceia do Senhor, com rito do lava-pés.
Adoração do Senhor
Igreja Nª Srª das Misericórdias
Sexta-feira santa, dia 06 de Abril
09h00: Canto de Laudes
15h00: Via-sacra ao vivo e procissão do Senhor Morto, Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Distribuição da Sagrada Comunhão
Igreja Nª Srª das Misericórdias
Sábado Santo, dia 07 de Abril
09h00: Canto de Laudes
22h00: Celebração da solene Vigília Pascal
Igreja Nª Sr.ª das Misericórdias
Domingo de Páscoa, dia 08 de Abril
11h00: Celebração pascal seguida de procissão do Senhor Ressuscitado, com a presença de todas as confrarias da Paróquia de N.Srª das Misericórdias
Igreja Nª Srª das Misericórdias


Do livro “Aljustrel. Uma Aldeia de Fátima” transcreve-se as passagens que se referem a uma curiosa tradição já desaparecida que, segundo os seus autores, remonta ao século XIX. A referência à “presença árabe” é, sem rigor, uma alusão ao domínio muçulmano estabelecido pelos mouros ou seja, povos oriundos dos antigos reinos da Mauritânia.

No Covão do Coelho, situado a 12 km desta aldeia, havia uma tradição muito antiga que, ainda neste século, foi mantida pelo “Ti Vicente”. Todos os sábados da Quaresma, à noite, um homem subia a um ponto cimeiro do lugar ou à varanda de uma casa mais elevada e daí, entoando uma melopeia “tipo mourisco”, convidava os crentes a rezar pelas almas. As pessoas, em casa ou na rua, deixavam de conversar para o ouvir e rezavam piedosamente por aqueles que Deus já lá tinha.
É possível que esta tradição seja um reflexo da presença dos Árabes nesta região. De facto, os Muçulmanos, ainda hoje, são convidados várias vezes por dia à oração, por um mensageiro – o muezzim – que sobe a um minarete (torre estreita de três ou quatro andares situada junto da mesquita) e, daí, anuncia akutba, ou seja, o convite à oração.
Fonte: ABRANTES, Joaquim Roque; PINTO, Manuel Serafim e CARVALHO, Maria Palmira. Aljustrel, Uma Aldeia de Fátima. Fátima. 1983
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