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Sábado, 14 de Maio de 2011
MARIA CLARA DO MENINO JESUS VAI SER BEATIFICADA NO PRÓXIMO DIA 21 DE MAIO

A Eucaristia da Beatificação de Maria Clara do Menino Jesus está marcada para o próximo dia 21 de Maio, a partir das 11 horas, a ter lugar no Estádio do Restelo, em Lisboa. Esse dia vai ser de festa não apenas para as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição cuja Congregação foi por si fundada como ainda por todos quantos têm beneficiado da sua obra gigantesca ou com ela de algum modo se identificam.

Nos dias que antecedem aquela cerimónia vai decorrer um tríduo de preparação que terá lugar na Igreja de S. Miguel, em Queijas, no dia 18, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, no dia 19 e, uma Solene Vigília, na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, no dia 20 de Maio. No dia 21 de Maio, as portas do Estádio do Restelo abrem-se ao público às 9 horas da manhã para darem lugar às celebrações a partir das 10h30. Pelas 15 horas, haverá lugar a uma livre visita ao túmulo da Beata Maria Clara do Menino Jesus, o qual se encontra na Sede da CONFHIC, na localidade de Linda-a-Pastora, nos arredores de Lisboa. Por fim, no dia 22 de Maio, às 11h30, decorrerá na Sé de Lisboa uma Eucaristia de Acção de Graças.

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A Irmã Maria Clara do Menino Jesus fundou, conjuntamente com o Padre Raymundo dos Anjos Beirão, a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. Nasceu em 15 de Junho de 1843, no Palácio da Quinta do Bosque, actual Concelho da Amadora. Descendia de uma nobre família aparentada com os marqueses de Távora e os marqueses de Fronteira, aliás entrelaçada com quase toda a nobreza portuguesa. Recebeu, no século, o nome Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque e foi baptizada na Igreja de Benfica, onde aliás se encontra uma lápide a assinalar o facto. Porém, as vicissitudes da vida levaram-na a ficar órfã ainda muito nova, tendo perdido os seus pais vitimados pelas epidemias de cólera e de febre-amarela que grassaram em Portugal em meados do século XIX. Embora tendo família, em Outubro de 1857, ingressou no Asilo Real da Ajuda, junto das Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, religiosas francesas que vieram para Portugal, a pedido de D. Pedro V, a fim de cuidarem da educação dos órfãos de famílias nobres, vítimas daquelas epidemias.

A Irmã Maria Clara, aliás Libânia do Carmo, viveu no referido asilo até 1862, altura em que as Irmãs da Caridade francesas foram expulsas do país, passando a viver no Palácio dos Marqueses de Valada, a quem ainda lhe ligavam laços de parentesco, para além da amizade com a sua família. Porém, apesar dos cuidados em que vivia e do ambiente luxuoso que a rodeava, foi a miséria e a penúria que via à sua volta, num país flagelado por constantes conflitos, a que se juntavam as péssimas condições de higiene, causa natural de propagação de doenças e epidemias, que a fez entregar-se ao serviço de Deus e do próximo, erguendo uma obra social grandiosa e digna dos maiores louvores. O fascículo “Faces de Eva” nº. 7, inscreve-a no quadro das pioneiras da acção social do século XIX.

Em 1867 ingressou no Pensionato de S. Patrício onde, tempo mais tarde professou particularmente, como Terceira de Nossa Senhora da Conceição, recebendo o nome de Irmã Maria Clara do Menino Jesus. Uma vez proibida a profissão, em Portugal, foi a Calais, França, fazer o Novciado e votos públicos. Regressada a Portugal, fundou a Congregação das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus, dedicando-se as irmãs a todo o bem-fazer e tornando-se em primeiras missionárias a trabalhar em Angola, Goa, Guiné e Cabo Verde. O lema que escolheu foi o de “Onde houver o bem a fazer que se faça”.

A Irmã Maria Clara do Menino Jesus viveu uma vida intensa de entrega a Deus e ao próximo. Mas, para além da sua árdua missão, foi submetida a um intenso desgaste causado pelas perseguições de que foram alvo, fruto de um ambiente hostil fomentado na época por sectores republicanos que, entre outros aspectos, viam na Igreja Católica um aliado do regime monárquico. Veio a falecer em 1 de Dezembro de 1899 e encontra-se sepultada em Linda-a-Pastora, nos arredores de Lisboa. Em 2008, foi pelo Papa Bento XVI, proclamada “Venerável”. Tendo ficado concluído o estudo de um milagre, ocorrido em Baiona, Espanha, reconhecido pela consulta médica, em Roma, e concluídas as duas últimas etapas desse estudo efectuadas por Teólogos e por Cardeais e Bispos, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus foi proclamada Beata pelo que, no próximo dia 21 de Maio iremos assistir à cerimónia da sua beatificação.

Ilustração Portugueza

Ilustração Portuguesa, de 7 de Novembro de 1910, reproduziu uma gravura do Illustred London News, retratando a prisão das irmãs franciscanas, com a seguinte legenda: “Religiosas conduzidas para o Arsenal da Marinha, escoltadas por forças do exército e da marinha”.

 

A Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição foi fundada em 3 de Maio de 1871 e teve o Convento de S. Patrício como primeira casa-mãe. Este convento situava-se junto à Sé Catedral de Lisboa, onde actualmente funciona o Tribunal de Menores. Alguns anos mais tarde, verificando-se a eminência da extinção do Convento das Trinas, a qual chegou a ser decretada e, perante a probabilidade do imóvel e terrenos anexos passarem para a posse do Estado ou reverterem para a Casa do Cadaval, cujos direitos então reclamava, pediram as Irmãs Hospitaleiras da Ordem Terceira Regular de S. Francisco de Assis para se instalarem na cerca do Convento. Corria à altura um processo contra as freiras trinitárias sobre um embargo à penhora, feita aos bens do Convento das Trinas do Mocambo, pertencentes à Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos e as irmãs hospitaleiras tiveram de aguardar a decisão judicial. Estas acabaram finalmente por nele virem a habitar até 1910, altura em que o governo da República decretou a extinção de todas as ordens religiosas.

As religiosas que aqui residiram passaram por momentos particularmente difíceis e grandes provações, resultantes de uma época de grande agitação política, caracterizada por um acentuado anti-clericalismo que incluiu várias situações de perseguição religiosa. O ministro Joaquim António de Aguiar havia decretado em 1834 a secularização das ordens religiosas e, em 1864, veio a ser determinada a extinção do Convento das Trinas. Recrudescia o ódio e sucediam-se as manifestações contra as ordens religiosas, as quais vieram a agravar-se na sequência de um acidente mortal, ocorrido com a educanda Sara de Matos e que levou as freiras à barra do tribunal. E, imediatamente após a implantação da República, o Convento das Trinas foi invadido e as religiosas obrigadas a retirarem-se do local. Foram todas presas no Arsenal da Marinha. Dispersas, depois, após alguns meses, foram afluindo a Tui, na Galiza, donde partiram para o Brasil.

Como referiu o Papa João Paulo II na carta que em 2001 enviou à Superiora Geral das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, Maria Isilda de Freitas, por ocasião da passagem dos cento e vinte e cinco anos da concessão pelo Papa Pio IX da aprovação pontifícia da Congregação, feita através do rescrito “Sanctissimus Dominus”, “Na segunda metade do século XIX, os ventos da história sopravam contrários e borrascosos, com naufrágio de esperanças sem conta e o bom Deus a fazer dos próprios náufragos salva-vidas, como no caso da Irmã Maria Clara” E, aludindo a uma passagem bíblica, do tempo dos Patriarcas, acrescenta: “O texto traz à mente a força de Deus que moveu a Irmã Maria Clara a tirar do estado de abandono em que se encontrava a comunidade das Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição elevando-as a Instituto, “a fim de se unirem mais intimamente a Deus, que as chamava a coisas mais altas”ou (…) quando, após a morte da última Religiosa Trinitária no Convento das Trinas, Irmã Maria Clara tem de lutar pela posse do mesmo, como aliás lhe estava prometido pelo Governo, vindo a tornar-se a segunda Casa-Mãe da Congregação”.

Ao longo da sua existência, a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição ergueu uma importante obra social, não apenas em Portugal como noutros países, em diversos continentes, possuindo inclusive missões em Angola, Goa, Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Moçambique, Timor, Brasil, Malawi, Suazilândia, Filipinas, México e Califórnia. Com efeito, a sua actuação foi sempre orientada para os mais pobres e desfavorecidos, nomeadamente as populações dos antigos territórios ultramarinos.

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O Convento de Santa Maria que constitui a sua Sede Provincial encontra-se localizado em Fátima, na rua Padre Raimundo dos Anjos Beirão, junto à Rotunda Norte.



publicado por Carlos Gomes às 00:03
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