As origens da arte de encadernar perdem-se nos tempos e estão diretamente relacionadas com o aparecimento da escrita. Foi, porém, com os frades copistas durante a Idade Média e no período do Renascimento que a encadernação adquiriu uma maior importância. Mais do que propriamente responder à necessidade de proteger o livro, dotando-o de capas protetoras, a encadernação adquiriu um objetivo artístico, tornando o livro um objeto de luxo.

As capas dos livros passaram a ser revestidas a veludo e a couro com proveniência em peles de diferentes animais, decorados com elementos decorativos dourados e, por vezes, dotados de elementos de metal como cantos e fechos de latão e até argolas nos casos em que eram destinados a bibliotecas de consulta pública.
A encadernação é, em regra, uma atividade manual que requere um número reduzido de ferramentas simples que não vão além da prensa, bastidor, guilhotina, maço, serrote, tesoura, dobradeira, agulhas e cola. Trata-se resumidamente de unir os cadernos de forma ordenada, proceder à serrotagem de sulcos no dorso onde são colocados os cordões verticais no bastidor onde os cadernos são levados, um a um, para a costura, a qual pode ser feita de diferentes técnicas, sendo à portuguesa, à espanhola e à francesa as mais usuais. Com o cartão cortado à medida, são aplicadas as capas e a lombada, as quais são geralmente revestidas com papel, pano ou couro, unindo-se as mesmas ao volume usando-se folhas de guarda.
Uma vez concluída a encadernação, procede-se à aplicação de dourados que fazem a sua ornamentação, tarefa que por vezes é realizada por um artista especializado que é o dourador.
Com o avento da era industrial e o desenvolvimento das artes gráficas surgiram os processos de encadernação industrial que vieram responder à necessidade de proceder ao acabamento da produção de grandes tiragens. Por outro lado, também o processo de blocagem através nomeadamente da colocação de argolas plásticas e metálicas e de colagem térmica passou erradamente a ser confundida com encadernação. Porém, a mecanização não atinge o requinte da encadernação manual em termos artísticos, constituindo esta uma das razões que explicam a sobrevivência de uma arte com séculos de história.
Outro aspeto não menos importante que faz da encadernação uma arte com futuro consiste na necessidade cada vez maior de se proceder ao restauro e conservação de livros e documentos antigos, ofício que exige um conhecimento muito pormenorizado dos materiais e das técnicas a utilizar. Existem inúmeros arquivos históricos e bibliotecas, mormente nos municípios, que carecem de mão-de-obra especializada neste domínio, a qual já não é compatível com uma formação técnica e literária rudimentar como sucedia frequentemente em relação ao encadernador. Este tornou-se um técnico especializado em cujas mãos são frequentemente depositados livros e outros documentos de incalculável valor histórico, esperando-se dele o procedimento adequado para que os mesmos não venham a ser irremediavelmente perdidos.
Enquanto o Homem preservar os seus lugares de memória que constituem os arquivos e as bibliotecas, o mesmo é dizer a sua cultura e civilização, haverá sempre livros e documentos a restaurar e conservar e a arte do encadernador, dourador e restaurador jamais deixará de existir.
O Museu Municipal de Ourém vai levar a efeito uma ação de formação relacionada com a arte da encadernação. Pese embora não se tratar de uma especialização, a aprendizagem pode eventualmente abrir aos participantes novos horizontes, despertando-lhes talentos ainda não revelados e, quem sabe, proporcionando-lhes novos meios para vencer as dificuldades que a crise e o desemprego nos obrigam. Esta iniciativa constitui, pois, uma oportunidade a não perder!
Carlos Gomes
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