Sessão Comemorativa do 45º Aniversário do 25 de Abril
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Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Primeiro Ministro, ilustres entidades, altas autoridades, distintas e distintos convidados, Sras. e Srs. Deputados
Hoje, com imensa gratidão, prestamos homenagem a todos aqueles que lutaram e resistiram a um regime autoritário de partido único, que há 45 anos libertaram o povo e ao povo devolveram a liberdade e a condução dos destinos de Portugal. Evocar o 25 de Abril constitui também um momento de lembrar e pedir desculpa por todos os que morreram e foram atingidos pela violência da guerra colonial e agradecer aos que lhe puseram fim.
É inegável que vivemos melhor que há 45 anos. Nesses tempos, falar de igualdade de género era inconcebível, com diferenças e desigualdades que iam desde a permissão para casar até aos salários – ou falta deles. Não se podia ler todos os livros e autores, a miséria e a iliteracia da população eram enormes, a assistência médica não estava assegurada para todos, a mortalidade infantil era elevada, a esperança de vida reduzida, os níveis de desigualdade e de emigração forçada eram avassaladores.
Hoje, o desenvolvimento, aferido por uma série de indicadores sociais e económicos, é inquestionável.
E refiro-me a estes indicadores com um propósito. É que, enquanto sociedade, temos por hábito congratularmo-nos com os indicadores sociais e enfatizar os que versam sobre a avaliação e o desempenho económico. Mas nunca, nunca demos atenção, e continuamos a não dar, aos indicadores que alertam para os défices ambientais e que expõem uma antevisão clara dos graves problemas humanitários com que seremos confrontados num futuro próximo e que podem comprometer, inclusivamente, a nossa sobrevivência enquanto espécie. O Antropoceno, o período que vivemos, pode mesmo ser a última idade do Ser Humano.
O ar, a água, o solo e os recursos minerais são dádivas que enquanto Humanidade temos estado a desperdiçar e desrespeitar, na procura de obter ganhos económicos de curto prazo. Dos anos 70 aos dias de hoje, a extracção de recursos e a produção de matérias-primas mais que triplicou, a emissão de gases com efeito de estufa duplicou, e perdemos 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis. Em Portugal, necessitamos de 2 planetas para suportar o nosso actual modelo de produção e consumo. Cada um de nós, nesta sala, gasta em média 12 toneladas de recursos naturais para viver num ano, o que é manifestamente incomportável e excessivo para o peso de um ser humano.
Estamos a viver acima das capacidades do Planeta. Vivemos a crédito, a bancarrota ambiental está anunciada, e quem tem poderes de supervisão e de intervenção continua em modo negligente.
A elite política continua a decidir segundo as leis do modelo económico linear. Dominar, Explorar, Extrair, Transformar, Produzir, Vender, Comprar, Usar, Descartar e Extinguir: são os 10 mandamentos do crescimento ilimitado, sem o qual, dizem-nos, não pode existir desenvolvimento.
Mais do que a coragem e visão que têm faltado aos decisores políticos, falta-lhes o básico: a empatia. Empatia pelo nosso semelhante, pelas outras formas de vida, pelo planeta, a nossa casa comum. Da esquerda extrativista à direita produtivista, apenas podemos esperar guerrilha partidária, tecnocracia e discursos redondos e vagos.
A elite política está de costas voltadas para o futuro das pessoas. Os jovens, movidos pela urgência climática e pela desesperança na classe política que não os ouve, têm-se manifestado na rua e à rua vão voltar. As gerações que vão receber um planeta esgotado sentem-se cada vez mais ignoradas e abandonadas pelos partidos do regime que apenas pensam e agem em função de interesses económicos de curto prazo.
É urgente reduzir e repensar os nossos padrões de consumo e fazer a transição para um modelo económico circular, que exige mudanças profundas no sector energético, na indústria, na mobilidade de pessoas e bens, na construção civil e no sector agro-alimentar. Sim, trata-se de transformar a forma como vivemos neste planeta. E trata-se – não tenhamos dúvidas – de uma questão de sobrevivência da nossa espécie que exige uma alteração consistente e consciente do comportamento individual e social, sempre acompanhada de medidas políticas eficientes.
O prazo para salvar a Terra tem uma data: 2030. E Hoje, a partir deste momento, faltam 10 anos, 8 meses, 5 dias e 13 horas para o ponto de não retorno. Se todos e todas quisermos, se todas e todos nos unirmos tal como fizemos há 45 anos, ainda vamos a tempo. Temos de ser corajosos e competentes para que em 2030 a temperatura média do planeta não suba 1 grau e meio, o limite a partir do qual os fenómenos meteorológicos extremos são imprevisíveis e a nossa vida neste planeta se tornará mais difícil de suportar.
Devemos também ao 25 de Abril o fim do ciclo de isolamento internacional. O sonho de cumprir Portugal e de cumprir o Planeta faz-se também na Europa. A União dos povos irmãos europeus faz-nos mais fortes e capazes de liderar o grande combate das nossas vidas: o das Alterações Climáticas. O Ambiente pede Revolução. Ao PAN, seja na rua, em São bento ou em Bruxelas, não nos faltará a voz, a determinação, ou a coragem para enfrentarmos a crise ambiental.
Obrigado Capitães e Viva o 25 de Abril!
Palácio de São Bento, 25 de Abril de 2019
Foto: DN
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