Espaço de informação e divulgação da História, Arte, Cultura, Usos e Costumes das gentes de Ourém.

Terça-feira, 11 de Junho de 2019
SANTUÁRIO DE FÁTIMA REALIZA FORMAÇÃO ACERCA DE FRANCSICO MARTO

Cursos de Verão vão aprofundar a biografia e contexto histórico de Francisco Marto. 4.ª edição desta proposta formativa do Santuário decorre entre 10 e 12 de julho, em Fátima

No ano em que se assinala o centenário de morte de São Francisco Marto”, o Santuário vai centrar a 4ª edição dos Cursos de Verão no santo vidente de Fátima. O encontro acontece a 10, 11 e 12 de julho, no Centro Pastoral de Paulo VI, em Fátima, e vai aprofundar a biografia e o contexto histórico deste importante protagonista de Fátima.

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Esta oferta formativa, que se destina a investigadores, estudantes, professores, formadores, catequistas e outros agentes pastorais que pretendam estudar o fenómeno de Fátima, propõe-se, durante três dias em que decorre, a: conhecer o contexto histórico-social em que viveu Francisco Marto; compreender o seu percurso biográfico e religioso; interpretar a figura do vidente nas fontes de Fátima; conhecer as leituras históricas, religiosas e espirituais do santo Pastorinho; identificar e analisar as representações artísticas consigo relacionadas e analisar em abordagens multidisciplinares aspetos específicos do fenómeno de Fátima.

programa do encontro arranca com a apresentação do contexto histórico entre o ano do nascimento e o ano da morte de Francisco Marto, a cargo de Fernando Rosas, do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. Na tarde do primeiro dia, o lugar da criança na sociedade portuguesa na transição entre o Antigo Regime e o mundo contemporâneo vai ser o tema analisado por António Gomes Ferreira, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, após o qual se segue uma visita à Casa das Candeias - Núcleo Museológico da Fundação  Francisco e Jacinta Marto.

O bispo de Aveiro, D. António Moiteiro Ramos, inaugura o segundo dia de formação, com a apresentação do tema “A educação religiosa da criança nos inícios do século XX”. Segue-se José Manuel Sobral, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que falará sobre “A Gripe Pneumónica em Portugal”. Depois do almoço, é oferecido um retrato de Francisco Marto nas fontes de Fátima, primeiro, nas Memórias de Lúcia de Jesus, a cargo de Agripina Vieira, do Centro de Tecnologia Restauro e Valorização das Artes do Instituto Politécnico de Tomar, e, de seguida, na documentação histórica e na cronística de Fátima, por André Melícias, do Departamento de Estudos do Santuário de Fátima (DE). O segundo dia termina com uma visita à casa de São Francisco e de Santa Jacinta Marto, em Aljustrel.

No último dia do encontro, “Os retratos espirituais de São Francisco Marto” serão trazidos por Pedro Valinho Gomes, do Centro de Investigação em Teologia e Estudos  de Religião, da Universidade Católica Portuguesa, seguindo-se uma abordagem aos retratos de Francisco Marto nas representações artísticas, trazida pelo diretor do DE, Marco Daniel Duarte. Durante a tarde, Sónia Vazão, responsável pelo Serviço de Investigação do Departamento de Estudos do Santuário de Fátima irá falar sobre “O processo de canonização de São Francisco Marto”, apresentação à qual se segue novamente o diretor do DE, que concluirá o curso com uma biografia de Francisco Marto.

A frequência nesta proposta é gratuita e a inscrição obrigatória, através de formulário disponível na internet ou através de congressos@fatima.pt.

O Departamento de Estudos do Santuário de Fátima promove, desde 2016, os Cursos de Verão, que, na edição do ano passado apresentou uma síntese das leituras do acontecimento centenário de Fátima. Na primeira edição, foram abordadas questões transversais e introdutórias a Fátima. Em 2017, cumpriu-se uma abordagem monográfica, a partir do qual se puderam aprofundar temáticas específicas como a relação entre os papas e Fátima e as biografias dos protagonistas do acontecimento centenário.



publicado por Carlos Gomes às 17:59
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Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
25 DE ABRIL NÃO FOI SÓ CRAVOS! – A CRÓNICA QUE NUNCA FOI PUBLICADA

O distanciamento temporal em relação aos acontecimentos nem sempre nos permitem preservar a memória histórica, levando-nos por vezes a esquecer uns factos, e a deturpar e até fantasiar sobre outros, não raras as vezes por conveniência política. De resto, o exercício da memória também pressupõe o esquecimento com vista à preservação da memória colectiva ou seja, a comemoração.

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Como acontecimento histórico, também a revolução de 25 de Abril de 1974 foi sujeita a alguns apagões como aqueles que a seguir se relatam e que convém lembrar apenas com interesse histórico.

Nesse dia, o Largo do Carmo encontrava-se apinhado de gente. Por volta das 18 horas, o General António de Spínola chega ao Quartel da Guarda Nacional Republicana para receber de Marcello Caetano a transmissão do poder a fim de que este não caia na rua. Empoleirado na guarita do sentinela e de megafone em punho, Francisco Sousa Tavares apelava à multidão para que se retirásse, garantindo que o General Spínola iria fazer uma comunicação ao povo no Terreiro do Paço… na realidade, destinado a garantir a saída em segurança de Marcello Caetano!

Com alguma insistência, consegue convencer grande parte do povo a retirar-se. Mas, o que se seguiu constituiu um verdadeiro vendaval que jamais ficou registado em qualquer crónica. Por todas as ruas da baixa lisboeta foram apedrejadas e partidas as fachadas em vidro das instituições bancárias, foram invadidos e saqueados os supermecados. No Largo Rafael Bordallo Pinheiro, a loja “Meia Hora” foi pilhada após ser partida a montra em vidro. O memso sucedeu à loja do Diário de Notícias, no Largo do Chiado.

Um pouco mais abaixo, a Polícia de Choque da PSP efectuava a sua primeira carga após o 25 de Abril, sobre as pessoas que destruíam e assaltavam. Por detrás destas acções, estariam grupos políticos radicais que nunca assumiram publicamente o seu envolvimento.

- No 25 de Abril não houve só cravos!

Carlos Gomes



publicado por Carlos Gomes às 13:32
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019
OURÉM ASSINALA DIA NACIONAL DOS CENTROS HISTÓRICOS

A Câmara Municipal de Ourém e o Centro do Património da Estremadura (CEPAE) levam a efeito a I Conferência do Projeto "7 Concelhos / 7 Patrimónios".

A primeira intervenção de Jaqueline Pereira e Seara Rei será intitulada "Arqueologia Preventiva e sua importância para a redescoberta da História de Ourém" e a segunda de Sandra Lourenço e Gertrudes Zambujo denominada "A Arqueologia na Reabilitação Urbana dos Centros Históricos: enquadramento legal, salvaguarda e valorização".

A Conferência insere-se na Comemoração do Dia Nacional dos Centros Históricos que terá lugar no Salão Nobre da Junta de Freguesia N.ª Sra. das Misericórdias - Ourém, no dia 28 de março, às16h00.

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publicado por Carlos Gomes às 10:54
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Quinta-feira, 14 de Março de 2019
ORDEM DE CRISTO FOI FUNDADA HÁ 700 ANOS!

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
PORTUGAL DIZ NÃO AO ÓDIO RACIAL E ÉTNICO: SOMOS TODOS JUDEUS!

Pese embora os esforços daqueles que a todo o custo procuram semear o ódio étnico e racial, não raras as vezes a pretexto de alegadas “justas causas”, a sociedade portuguesa é por natureza pacífica e resultado da convivência, ao longo de muitos séculos, com inúmeros povos de todos os continentes.

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A imagem mostra o local reservado ao culto na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão.

 

Não existe família em Portugal que não possua no seu seio pessoas oriundas do Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique… ou não tenha deixado algures um dos seus filhos misturados com uma família nos lugares mais recônditos do planeta!

Entre os portugueses contam-se inúmeros cidadãos de origem judaica e, durante a Segunda Guerra Mundial, serviu Portugal de abrigo – e de entreposto! – a milhares de famílias que escaparam ao holocausto, graças ao empenho de diplomatas e funcionários consulares como Aristides de Sousa Mendes, Teixeira Branquinho e Sampaio Garrido, de forma concertada com o regime que inclusivamente possibilitou a travessia da fronteira e a boa vontade da ditadura franquista.

De novo, está a ressuscitar nalguns países europeus o mesmo ódio que no passado levou ao extermínio milhões de pessoas – judeus, comunistas, ciganos, Testemunhas de Jeová e muitos outros! – algo que desde já rejeitamos liminarmente.

Somos portugueses e temos orgulho da nossa identidade e passado glorioso. Rejeitamos o ódio racial e étnico da mesma maneira que repudiamos os seus fomentadores. Perante a ascensão do antisemitismo, somos todos judeus!



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Domingo, 10 de Fevereiro de 2019
CASA DO CONCELHO DE TOMAR LEVA A LISBOA NOITE TEMPLÁRIA

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
CASA DO CONCELHO DE TOMAR REALIZA EM LISBOA NOITE TEMPLÁRIA

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Sábado, 1 de Dezembro de 2018
FILARMÓNICA DE VILAR DOS PRAZERES REPRESENTA OURÉM E O DISTRITO DE SANTARÉM NAS COMEMORAÇÕES EM LISBOA DO DIA DA RESTAURAÇÃO

A Associação Filarmónica 1º Dezembro Cultural e Artística Vilarense Reis Prazeres - (Ourém - Fátima) desfilou hoje em Lisboa nas comemorações do dia 1 de Dezembro de 1640 – Dia Reautauração da Independência Nacional face ao jugo espanhol.

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A iniciativa coube uma vez mais ao Movimento 1º de Dezembro que lançou a ideia deste grandioso Desfile e mobilizou por todo o país, com o apoio dos seus delegados e da Confederação Musical Portuguesa, diferentes bandas e municípios.

Foram 35 bandas filarmónicas, dois grupos de bombos e um grupo etnográfico que marcaram presença neste desfile e que teve transmissão directa através da RTP e cobertura noticiosa de outros órgãos de comunicação social.

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publicado por Carlos Gomes às 20:57
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FILARMÓNICA DE OLIVENÇA DESFILA NA CAPITAL SOB MARÉ DE APLAUSOS

Foi sob uma maré de aplausos do público que se perfilava ao longo da avenida da Liberdade que a Filarmónica de Olivença desfilou hoje rumo à Praça dos Restauradores, em Lisboa.

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A sua participação nas comemorações do dia 1 de Dezembro de 1640 – Dia da Restauração da Independência Nacional face ao jugo espanhol – encheu de entusiasmo e orgulho patriótico os portugueses que tiveram a oportunidade de ver desfilar a Filarmónica de Olivença, com os seus estandartes num dos quais, a heráldica acompanha a divisa “Muy nobre, notável e sempre leal Vila de Olivença”, atribuída por D. João II e D. Manuel I nos séculos XV e XVI.

Na realidade, sempre que Olivença nos é trazida à memória, aquele pedaço da nossa Pátria faz estremecer o coração dos portugueses, mesmo daqueles nos quais a esperança mais se desvanece!

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Fundada em 28 de marzo de 1851 pelo ilustre filántropo oliventino José María Marzal, é a decana das bandas de Extremadura espanhola e uma de las mais antigas de Espanha. Ostenta o privilégio de usar uniforme militar com espachim, concedido nos finais do Século XIX.

Ao longo da sua existência tem obtido importantes prémios e distinções:

– 1er Premio Certamen de Bandas Civiles (Badajoz 1929).

– Diploma de Honor Certamen de Bandas (Cazalla de la Sierra – Sevilla 1929).

– 2º Premio Certamen de Bandas Semana de las Fuerzas Armadas (Badajoz – 1987).

– 1er Premio Certamen de Bandas “Ciudad de la Música” (Villafranca de los Barros – Badajoz 2000).

– 1er Premio Certamen de Bandas “Ciudad de la Música” (Villafranca de los Barros – Badajoz 2001).

– Medalla de Extremadura 2001 por sus más de 150 años ininterrumpidos dedicados a la enseñanza y fomento de la cultura musical. Decreto 119/2001 de 25 de julio JUNTA DE EXTREMADURA.

– 2º Premio Concurso de Bandas Taurinas Féria del Toro (Santarem – Portugal 2003).

– Título de Comendadora de la Orden de “El Miájón de los Castúos” otorgado por el Centro de Iniciativas Turísticas de Almendralejo (2006).

Participou em muitos actos institucionais como a entrega de Medalhas de Extremadura en Mérida (dirigida por Miguel del Barco, autor do hino de Extremadura), na recepção aos Reis de Espanha en Zafra e Badajoz en 1992 o no bicentenário da fundação do Regimento de Castilla 16. Actuou no Teatro López de Ayala de Badajoz como no Gran Teatro de Cáceres. Esteve presente, en 1994 no Festival de Teatro Clásico de Alcántara.

Em 1995 gravou o seu primeiro CD con obras própias dol repertório para bandas e em 1998 o hino para o C.F. Exotremadura conjuntamente com o Coral de Almendralejo. Em 2008 editou o seu segundo CD denominado TOROS EN OLIVENZA, o qual recolhe alguns dos mais belos pasodobles toreiros que se escreveram, incluindo a primera gravação de ANTOÑITO FERRERA, escrito por Antonio Cotolí Ortiz e dedicado ao popular diestro extremenho.

En 2011, actuou como banda convidada na Asamblea Nacional de la Confederación Española de Sociedades Musicales celebrada en Llerena, oferecendo um concerto. A sua presença é frequente em numerosas localidades extremenhas e portuguesas (Alcácer do Sal, Silves, Tomar, Arrentela). Também tem realizado actuações en Barberá del Vallés (Barcelona), EXPO´92 y Realtem es Alcázares (Sevilla), Aracena y Trigueros (Huelva), Algimia de Alfara (Valencia), Cámara de Lobos (Isla de Madeira- Portugal) y Saturnia y Montemerano (Grosetto- Italia).

Desde a sua primeira aparição, é a banda responsável por animar os festejos taurinos na Feria Ibérica del Toro de Olivenza e participa em numerosas ediciones da Feria de San Juan de Badajoz. A Semana Santa oliventina não seria a mesma sem o acompanhamento musical da Filarmónica de Olivença, tendo estado também presente nas de Badajoz, Llerena, Jeréz de los Caballeros y Plasencia.

Pertenece à Federación Extremeña de Bandas de Música, comprotida de forma directa com o desenvolvimento musical da região. Actualmente é dirigida por Salvador Rojo Gamón.

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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018
BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM EM LISBOA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA EM 1640

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2018
BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM EM LISBOA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA EM 1640

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publicado por Carlos Gomes às 23:02
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2018
FALTA DE MEMÓRIA EM ESPANHA?

Agora, é oficial: A Espanha, através do seu Primeiro-Ministro Pedro Sánchez, ameaça não subscrever o acordo do Brexit por causa da Questão de Gibraltar. Sempre constante neste propósito, Madrid.

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Era de esperar. Um dia antes, o Governo espanhol, através de Josep Borrell, veio uma vez mais colocar na mesa a Questão de Gibraltar. No fundo, tudo isto reflete uma posição de há alguns dias, do antigo ministro JOSÉ MANUEL GARCÍA-MARGALLO (El País, 15 .novembro-2018). Convém debruçarmo-nos um pouco sobre essa posição, em si mesmo paradigmática. As considerações sobre as razões, e as críticas, abrangerão toda esta questão.

A Espanha reivindica Gibraltar. Desde a sua cedência à Inglaterra, em 1704 (conquista) e 1713/14 (Tratado de Utreque), Pode-se dizer que a Espanha, naturalmente, nunca se conformou com a presença britânica naquela território, tentando recuperá-lo várias vezes desde sempre, mesmo através de alianças militares contra-natura. O que não é de espantar, dada a humilhação sofrida, e a presença, contrária a qualquer lógica geográfica, dum enclave na sua costa.

Todavia, os acordos de cedência foram legalmente assinados. E nada mudou em 300 anos. E, no século XX, a saga continuou. Desde a criação das Nações Unidas, e, logo depois, do conceito de descolonização, e da necessidade de pôr fim a situação herdadas dum passado imperialista em todo o mundo, a tónica da política externa espanhola passou a ser a de considerar que, sendo Gibraltar uma colónia, havia que acabar com a sua existência, com o seu regresso à mãe-pátria. Isto enquanto a Grã-Bretanha dava autonomia legislativa ao território, deixando de ser propriamente uma colónia, e procedia a referendos, sempre com resultados esmagadores a favor de Londres.

A União Europeia facilitou um tanto o diálogo hispano-britânico, mas a saída da Grã-Bretanha da União ( o "Brexit") fez voltar o assunto à baila. E eis que, a 15 de novembro de 2018, o antigo ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros ("Relaciones Exteriores"), do tempo de José Maria Aznar , José Manuel García-Margallo, escreveu uma extensa crónica no El País, muito difundida de imediato, onde abordou, de novo, o problema dos direitos espanhóis a Gibraltar. Os argumentos baseiam-se num anticolonialismo apoiado nas regras da O.N.U., que é citada até à saciedade ("La situación colonial de Gibraltar quebranta la integridad territorial de España y es incompatible con la Resolución 1514 (XV) sobre descolonización."), e na recusa do direito dos gibraltenhos decidirem o seu futuro ("Sólo Naciones Unidas puede decidir cuándo ha concluido el proceso de descolonización de Gibraltar.")

Há uma crítica ao atula governo de Madrid, acusado de não estar a aproveitar bem a situação causada pelo "Brexit". García-Margallo defende algum tipo de soberania partilhada para Gibraltar ( "la única solución es la soberanía compartida del Reino Unido y de España. (...)Pondría fin a una controversia de 300 años entre dos países que son amigos y aliados.").

Diga-se que não faz apelos propriamente a conflitos com o Reino Unido (justiça lhe seja feita!), país que considera "amigo e aliado". Todavia, faz um apelo a uma mobilização contra o imobilismo do Governo de Madrid ("Ante esta insensibilidad ¿qué podemos hacer cada uno de nosotros? Pues podemos hacer una cosa: pedir la palabra y ponernos a gritar para exigir que los actuales gobernantes se vean obligados a poner los intereses permanentes de España por encima de sus intereses particulares. A decir la verdad en la hora de la verdad.").

O que continua a ser estranho, principalmente para os portugueses, é o seu (aparente?) desconhecimento da situação irregular, em termos internacionais, que se vive em Olivença, como aliás jornais franceses, britânicos e outros referem ( o que nunca é referido pela Imprensa espanhola ). Trata-se também duma posição oficial do Estado Português, que muitas vezes a Imprensa Portuguesa finge ignorar.

Vejamos: Olivença e o seu termo foram ocupados em 1801. Em 1814, em Paris, concluiu-se pela nulidade do Tratado de Badajoz (de ocupação) de 1801, e aceitou-se que esta nulidade tivesse a ver com a violação de tratados em 1793, violação consusbtanciada em tratados franco-espanhóis de 1795 e 1796. Em Viena de Áustria, em 1815, porque se falava de devolução de Olivença a Portugal, a Espanha negou-se a assinar os Tratados, fazendo-o , porém, em 1817. Depois, Madrid tentou jogar com ilegalidades na situação do moderno Uruguay, que acabou por não reocupar, não por culpa de Portugal, mas em virtude de acontecimentos internos espanhóis, o que significa que se mantêm válidos os acordos de 1815/17.

Durante duzentos anos, a Espanha tem mantido uma administração ilegal, à luz do Direito Internacional, em Olivença. Uma contínua descaracterização do território, com recurso a falsificações históricas constantes e perfeitamente intoleráveis, uma repressão notória (especialmente dura na época franquista, mas sempre presente, a vários níveis, desde 1805), uma política de ocultação da situação na própria Espanha, tentativas sucessivas de, por vias burocráticas, levar Portugal a aceitar a posse espanhola do território , a que Lisboa se tem firmemente oposto, tudo isto foi feito e, de certa maneira, se mantém.

Nada tenho contra que a Espanha lute pelo que considera justo, e que, neste caso, é a situação de humilhação causada por um enclave estrangeiro no seu território. Compreendo. Mas era bom que Madrid não deixasse para trás "telhados de vidro", e não tentasse, de certa forma, fazer figura de ingénua e tentar fazer passar terceiros por incompetentes ou distraídos. Por aqui me fico, antes que me venham à memória Ceuta e Melilla, e um país chamado Marrocos...

Estremoz, 21 de novembro de 2018

Carlos Eduardo da Cruz Luna

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publicado por Carlos Gomes às 07:26
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
"O ANJO DE PORTUGAL" DA ESCULTORA CARVALHEIRA DA SILVA REGRESSA A VILA NOVA DE CERVEIRA

‘O Anjo de Portugal’ enriquece exposição de homenagem a Carvalheira da Silva

Depois de ter integrado as comemorações do Centenário das Aparições de Fátima, o molde da obra ‘O Anjo de Portugal’ de Carvalheira da Silva, regressou a ‘casa’ e encontra-se exposto, a partir de hoje, no Arquivo Municipal de Vila Nova de Cerveira. Peça emblemática acrescenta valor à exposição de homenagem que a Câmara Municipal inaugurou a 1 de outubro, intitulada ‘Contemplação de Arte Sacra’ - Vida e Obra de Carvalheira da Silva, e que pode ser visitada até março de 2019.

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Maria Amélia Carvalheira da Silva é considerada um dos expoentes máximos da arte sacra portuguesa, com raízes na freguesia de Gondarém. Vila Nova de Cerveira faz parte da sua história, pessoal e profissional, integrando o roteiro de obras espalhadas em locais tão icónicos como o Santuário de Fátima e o Vaticano, pelo que a Câmara Municipal concretizou uma vontade antiga de lhe dedicar uma exposição.

“Além de honrar a sua memória, a vida e obra da escultora cerveirense Carvalheira da Silva é demasiado valiosa para cair no esquecimento. Não podemos nem devemos privar os nossos filhos e netos de conhecer a pessoa e de contactar com o seu percurso artístico de sucesso”, realçou o autarca cerveirense Fernando Nogueira, no ato inaugural da exposição, no Dia do Município.

Patente no Arquivo Municipal até março de 2019, a mostra ‘Contemplação de Arte Sacra’ - Vida e Obra de Carvalheira da Silva - apresenta ao público cerca de 20 peças da escultora, um vasto registo informativo e fotográfico da sua carreira, bem como a condecoração "Pro Eclesia et Pontífice" atribuída pela Santa Sé e o Grau de Comendadora da Ordem de Mérito pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Escultora de arte sacra, é em Fátima que tem a parte mais significativa da sua obra, nomeadamente ‘O Anjo de Portugal’, a escultura de Nossa Senhora e todas as Estações da Via-Sacra existentes nos Valinhos, assim como demais esculturas de cariz religioso espalhadas de Norte a Sul de Portugal, bem como em vários países.

Pelas raízes pessoais e profissionais a Vila Nova de Cerveira, Carvalheira da Silva doou à Câmara Municipal o molde da obra em gesso modelado e madeira, ‘O Anjo de Portugal’, cujo original se encontra no monumento construído em 1958, na Loca do Cabeço, a dar a comunhão aos três Pastorinhos de joelhos.

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Quem foi Carvalheira da Silva?

Maria Amélia Carvalheira da Silva nasceu em Gondarém, Vila Nova de Cerveira, 4 de Setembro de 1904, e faleceu em Lisboa a 31 de Dezembro de 1998. Foi uma escultora portuguesa.

Foi discípula de Salvador Barata Feyo. Em 1949, venceu o Prémio de Artes Plásticas Mestre Manuel Pereira, com a obra S. João de Deus, em barro policromado, que está exposta na capela do Palácio da Cruz Vermelha. Marcou presença em várias exposições, a título individual, em Portugal e no estrangeiro.[1]

É autora da escultura O Anjo de Portugal, e ainda da escultura de Nossa Senhora e de todas as Estações da Via-Sacra existentes nos Valinhos, em Fátima, assim como demais esculturas de cariz religioso espalhadas de Norte a Sul de Portugal.

Em 1992, recebeu, das mãos do então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a condecoração da Santa Sé Pro Eclesia et Pontificia. Em 28 de maio de 1992, foi feita Comendadora da Ordem do Mérito pelo Presidente Mário Soares.

A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a um jardim na freguesia das Avenidas Novas.

Fonte: Wikipédia

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Fonte: https://bloguedominho.blogs.sapo.pt/



publicado por Carlos Gomes às 16:32
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018
BANDAS FILARMÓNICAS DESFILAM EM LISBOA NAS COMEMORAÇÕES DO DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA EM 1640

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O Movimento 1º de Dezembro lançou a ideia deste grandioso Desfile e mobilizou por todo o país, com o apoio dos seus delegados e da Confederação Musical Portuguesa, diferentes bandas e municípios. É possível realizá-lo graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa e à capacidade de organização da EGEAC.

A iniciativa conta também com o endosso da SHIP - Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que o incluiu no Programa Oficial das Comemorações do 1º de Dezembro, e com a colaboração da CMP – Confederação Musical Portuguesa. Agradecemos também o apoio facultado pelo "Recheio" e pelo "Amanhecer", assim como a cobertura e transmissão pela RTP.



publicado por Carlos Gomes às 09:17
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2018
ALVAIÁZERE HOMENAGEIA COMBATENTES NA GRANDE GUERRA

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publicado por Carlos Gomes às 15:24
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018
CEPAE ATRIBUI PRÉMIO DE HISTÓRIA LOCAL DA ESTREMADURA

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publicado por Carlos Gomes às 14:40
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
TOMAR COMEMORA 900 ANOS DO NASCIMENTO DE GUALDIM PAIS, MESTRE DA ORDEM DOS TEMPLÁRIOS EM PORTUGAL

Apresentação em Barcelos do programa comemorativo do 9.º Centenário do Nascimento de Dom Gualdim Pais

O 9.º Centenário do Nascimento de Dom Gualdim Pais, Mestre da Ordem do Templo de Portugal, será assinalado com um vasto programa ao qual se associam cinco municípios.

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As Jornadas Gualdinianas realizar-se-ão em Barcelos (22 de setembro), Braga (29 de setembro), Coimbra (6 de outubro), Tomar (13 de outubro) e Vila Verde (20 de outubro).

A apresentação do programa decorrerá amanhã, 4 de setembro, na Sala de Reuniões da Câmara Municipal de Barcelos, às 11h00, com a presença de Armandina Saleiro, Vereadora da Cultura da Câmara de Barcelos, e de Lídia Dias, Vereadora da Cultura da Câmara de Braga.

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QUEM FOI D. GUALDIM PAIS?

Gualdim Pais (1118-1195)

Gualdim Pais nasceu em Amares, região de Braga. Escudeiro de D. Afonso Henriques, combateu ao seu lado contra os mouros, vindo a ser ordenado cavaleiro pelo soberano no campo da batalha de Ourique, em 1139. Depois tornou-se cruzado e freire templário, partindo a seguir para a Palestina onde pelejou durante cinco anos. No seu regresso, em 1157, foi feito procurador do Templo em Portugal, sendo o seu 4.º Mestre desde que a Ordem se estabeleceu em Soure, em 1128.

Segundo uma lápide existente no Convento de Cristo, colocada junto à primitiva entrada na Rotunda Templária pelo Infante D. Henrique, Mestre Gualdim Pais além do castelo e vila de Tomar, fundou ainda, os castelos de Pombal, Zêzere (hoje desaparecido - no atual concelho de Vila Nova da Barquinha), Almourol, Idanha e Monsanto.

Deu foral à vila de Tomar, em 1162, que se tornou então a sede dos Templários no reino. Cercado este castelo em 1190, pelas forças Almóadas, sob o comando do califa Abu Yusuf Ya'qub al Mansur, os Templários conseguiram defendê-lo graças a uma estratégia eficaz, até que, ao fim de seis dias, o cerco foi levantado e os muçulmanos abandonaram a empresa.

Gualdim Pais faleceu em Tomar, no ano de 1195 e encontra-se sepultado na igreja de Santa Maria dos Olivais, que foi panteão dos mestres do Templo.

Fonte: http://www.conventocristo.gov.pt/

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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
TOMAR REGRESSA À IDADE MÉDIA

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publicado por Carlos Gomes às 19:30
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018
FOI A ATITUDE DO CÔNSUL ARISTIDES DE SOUSA MENDES UM CASO ISOLADO DE REBELDIA AO ESTADO NOVO?

Muito se tem falado acerca da iniciativa do Cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, mas sem o rigor histórico que o estudo do caso exige.

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A atitude do Cônsul é positiva e humana. Colocar isso em causa está fora de questão.

Porém, existe uma apreciação histórica que creio propositadamente errada acerca do caso porque motivada por preocupações de natureza política do que propriamente pelo interesse em compreender os factos.

À época, era ainda incerto o desfecho da guerra, nada garantindo a derrota alemã. Apesar da neutralidade portuguesa, a Alemanha e a Itália com o conluio da Espanha planearam a operação Félix para tomar Gibraltar e, como complemento, a Operação Isabela para invadir Portugal e tomar Lisboa, impondo aos nossos aliados ingleses o “bloqueio continental”. E, apenas com a ajuda e financiamento destes foi possível demover a Espanha do seu intento de anexar Portugal com a ajuda dos nazis.

Apesar das simpatias mais germanófilas da Espanha – lembremo-nos a propósito a participação da Divisão Azul da Falange na invasão à URSS – puderam milhares de judeus atravessar a Espanha sem serem incomodados e passar a fronteira portuguesa fortemente vigiada pela PIDE.

Esses milhares de judeus fixaram-se -se em Lisboa, Mafra, Ericeira e Torres Vedras. E, ainda inseguros do desfecho da guerra, foi a partir do porto de Lisboa que embarcaram para os EUA. E, à luz das crónicas situacionistas, tudo isto ocorre como se o regime de nada soubesse e o próprio Presidente do Conselho de Ministros, Prof. Doutor Oliveira Salazar – o ditador! – Ignorasse o que se passava debaixo dos seus próprios olhos… que raio de ditador que era ludibriado da forma mais ignóbil!

Mas vejamos: O que aconteceria a Portugal caso a Alemanha saísse vitoriosa?

E, que dizer da acção semelhante de diplomatas como Teixeira Branquinho e Sampaio Garrido?

Foi a acção de Aristides realmente um caso isolado?

Qual era verdadeiramente a origem da maior parte dos judeus que vieram para Portugal? Não eram eles descendentes dos judeus portugueses que, por pressão espanhola, foram forçados no século XVI a abandonar Portugal, fixando-se muitos deles na Flandres, precisamente os mesmos a quem Portugal concede agora a nacionalidade aos seus descendentes? E porque razão veio há cerca de vinte anos a Rainha da Holanda agradecer a Portugal o acolhimento dispensado aos judeus que viviam na Holanda?

Como se explica que, ao contrário de outras nações como a França, Portugal ao tempo do Estado Novo não criou campos de concentração para os judeus nem os entregou à morte, às mãos dos nazis?

E, uma vez que se teima em julgar a História aos olhos da actualidade, porque será que, antes do início da guerra, não aceitaram as “democracias ocidentais” receber os judeus que os alemães pretendiam expulsar do seu país? E, finalmente, porque não foram então os árabes e muçulmanos, agora tão idolatrados pelos países da União Europeia, perseguidos pelos nazis, não se registando a sua presença nos campos de concentração e de extermínio nem as suas mesquitas destruídas e incendiadas como se verificou com as sinagogas judaicas? E, entre tais minorias que, para além dos judeus, também foram sacrificadas nos campos de extermínio nazis, continuam os historiadores de serviço a apagar da História o sacrifício dos russelistas, actualmente mais conhecidas por Testemunhas de Jeová?

Conclui-se que a História continua ao serviço da política e, tal como no passado, os cronistas escrevem o que aos seus amos convém!



publicado por Carlos Gomes às 14:23
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
LEIRIA FAZ RECRIAÇÃO HISTÓRICA

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publicado por Carlos Gomes às 10:10
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018
TOMAR RECRIA ROMARIA TRADICIONAL DOS COMEÇOS DO SÉCULO PASSADO

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publicado por Carlos Gomes às 22:47
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2018
INTERVENÇÃO DO DEPUTADO MUNICIPAL AVELINO SUBTIL (PS) ALUSIVA AO 25 DE ABRIL

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“Amigos, companheiros e camaradas”, “hoje vem-me à memória uma frase batida”:

“Aprende a nadar, companheiro 
Que a maré se vai levantar 
Que a liberdade está a passar por aqui 
Maré alta 
Maré alta 
Maré alta”.

Começo esta minha intervenção, recordando versos de três canções do recorrentemente designado “escritor de canções” Sérgio Godinho, que ainda recentemente participou em Ourém no evento denominado “Tarde da Diferença”.

De facto, apesar dos mais de quarenta e cinco anos de distância, tenho bem presente a canção “Maré Alta”, do primeiro disco de Sérgio Godinho, denominado “Sobreviventes” lançado no ano de 1971, que durante os anos de 1972 e 1973, tantas vezes escutei na Cantina de “Económicas”.

Nesses anos, as Cantinas Universitárias e em especial as que eram geridas pelas Associações de Estudantes, eram espaços  de afrontamento à ditadura, procurando furar a rigorosa censura imposta aos portugueses, embora por vezes a ementa do dia fosse alterada para  “Cassetetes à portuguesa”, servidos pela polícia de choque.

A repressão sentia-se de forma muito acentuada na vida estudantil, altamente vigiada pela PIDE, que sistematicamente fazia levas de prisões, que eram silenciadas na imprensa, por imposição da censura, mas denunciadas através da imprensa associativa.

Talvez possam ficar com uma ideia mais clara do que era a censura se eu vos der conta do que escrevia o jornal “Expresso” no seu n.º 5, de 3 de fevereiro de 1973, num artigo intitulado “Sá Carneiro já não é deputado”. A certa altura do artigo pode ler-se:

“As razões da renúncia do deputado Sá Carneiro não foram tornadas públicas. O texto da sua declaração de renúncia circulou privadamente entre os deputados, por decisão do presidente da Assembleia, mas não foi publicado no “Diário das Sessões”, nem autorizada a transcrição para a Imprensa.”

Contudo, naqueles anos, o que mais atormentava a minha geração era o espetro da Guerra Colonial.

Assistíamos à incorporação nas fileiras das Forças Armadas e à sua subsequente partida para os teatros de guerra da Guiné, Angola e Moçambique, de onde se poderia voltar ou não, ou parafraseando Reinaldo Ferreira, num poema intitulado “Menina dos Olhos Tristes”, cantado pelo Zeca Afonso e  pelo Adriano Correia de Oliveira, poder-se-ia voltar “numa caixa de pinho”.

Para os jovens da minha geração o aproximar dos vintes anos era  um sufoco muito grande, principalmente os que estudavam no ensino superior e tinham acesso a mais informação.

Foi pois com enorme expetativa e ansiedade que na manhã de 25 de ABRIL nos apercebemos que algo se estava a passar e partimos à descoberta do que representavam os sinais que o Rádio Clube Português ia transmitindo através da leitura de comunicados do MFA.

Desse dia guardo um exemplar da 2.ª Edição do jornal “República”, adquirido a um ardina no final da tarde e que partilho aqui convosco, com a manchete:

As Forças Armadas tomaram o poder

No final da capa o seguinte destaque:

ESTE JORNAL NÃO FOI VISADO POR QUALQUER COMISSÃO DE CENSURA”

Terminava assim, por iniciativa dos jovens oficiais, marcados por 13 anos de guerra, para a qual não vislumbravam qualquer saída, prestando aqui a minha homenagem a todos eles, na pessoa do Capitão Salgueiro Maia, que assumiu um papel determinante na vitória dos revoltosos, comandando a coluna da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, que integrava no comando de um dos pelotões o tenente António Silva.

Seguiram-se dias de e xplosão coletiva, libertando as emoções recalcadas por décadas de opróbrio, um pouco por todo o país mas talvez de forma mais expressiva em Lisboa, com o Povo a encher as ruas e a envolver as tropas vitoriosas num misto de agradecimento e esperança num futuro melhor. Viveram-se dias inebriantes em que todos os sonhos nos pareciam possíveis.

Os acontecimentos sucederam-se em catadupa, destacando, pelo seu simbolismo, dois ocorridos no dia 26. O assalto à sede da PIDE, efetuado pelo corpo de Fuzileiros Navais e a tomada da cadeia política de Caxias por uma força de Para-quedistas.

A este propósito o jornal “Diário de Lisboa” do dia 26 de abril fez a seguinte manchete:

CAXIAS CAIU

LIBERTOS OS PRESOS

DETIDA A DGS/PIDE

Entre os presos libertados de Caxias estava um oureense bem conhecido de todos nós, que integrou esta Assembleia durante muitos anos. Refiro-me como todos já devem ter percebido a Sérgio Ribeiro, que saúdo como um combativo militante pela libertação de Portugal da ditadura.

Seguiram-se meses de movimentação social e de conflitualidade política, acabando por se atingir a estabilização social e a consolidação de uma democracia representativa.

Para isso contribuiu de forma determinante a realização no dia 25 de abril de 1975 das eleições para a Assembleia Constituinte, que tiveram uma participação superior a 90%.

Para a maioria esmagadora da população tratou-se da primeira vez que votaram, mas para quem já tinha votado em eleições sob o signo da ditadura terá sido seguramente também uma nova experiência.  

Não sei se saberão que a votação consistia no depósito na urna, muitas vezes improvisada, de uma lista que teria de ser previamente distribuída aos eleitores pelas forças candidatas.

Para a consolidação da Democracia teve um papel relevante a institucionalização do poder local democrático, com a realização em 12 de dezembro de 1976 das primeiras eleições autárquicas,  que possibilitaram a escolha dos diversos órgãos locais de forma direta por todos os cidadãos.

A nossa Democracia seguiu o seu caminho, cabendo ao Partido Socialista, que aqui represento um papel importante na sua consolidação, que culminou, na minha opinião, com a adesão à União Europeia, sob a visão estratégica de  Mário Soares.

Abril abriu portas a um Mundo novo, com especial incidência no domínio dos Direitos, Liberdades e Garantias.

Em particular, relevo a participação em todos os domínios da sociedade conseguida pelas mulheres, que no período da ditadura eram objeto de uma despudorada limitação dos seus direitos.

A título de curiosidade, recorro ao suplemento “Presença da Mulher”, do jornal “República”, de 17 de dezembro de 1973, que publicava sob o título “Um Exemplo de Discriminação”, cópia da proposta para admissão de sócio do Futebol Clube do Porto, na qual constava que “a mulher casada era obrigada à autorização do marido”.

Passados quarenta e quatro anos de altos e baixos neste caminhar enquanto Povo que dia a dia vai lutando para melhorar as suas condições de vida em termos coletivos,  considero que o 25 de ABRIL nos permitiu uma evolução positiva em  todos os domínios, destacando duas conquistas de grande dimensão: o alargamento da escolaridade e a criação do Serviço Nacional de Saúde.

Relativamente ao acesso ao ensino, hoje discutimos se o Estado  deve pagar as escolhas de estabelecimento que os alunos/pais façam, mas não se questiona a possibilidade de todos poderem aceder a todos os níveis de ensino.

De acordo com os dados divulgados pelo portal PORDATA, em 1970 a percentagem de alunos matriculados em idade normal de frequência do respetivo ciclo era de 2,4%  no Pré-escolar, 84,3% no 1.º Ciclo,  22,2%  no 2.º ciclo, 14,4% no 3.º Ciclo e 3,8% no Secundário.

Em 2016, os valores eram de 88,4%, 96,0%, 87,2%, 87,1% e 75,3% respetivamente.

Outra das grandes conquistas de Abril, para mim talvez a mais importante, trata-se do Serviço Nacional de Saúde, que teve na sua génese António Arnaut, um dos fundadores do Partido Socialista.

Apesar das recorrentes criticas ao funcionamento do SNS, quem tem memória do que era a assistência médica antes do 25 de abril e conhece minimamente as condições que hoje são proporcionadas a toda a população,  independentemente da sua condição, não pode deixar de dar valor a esta conquista de abril.

Somos um País de recursos escassos e apesar disso conseguimos construir e manter em funcionamento um Serviço Universal de grande qualidade, com acesso a toda a população, o que não acontece com algumas potências económicas.

Termino agradecendo ao meu Grupo a possibilidade de fazer esta intervenção alusiva ao 25 de abril, esperando que embora refletindo a minha vivência direta possa ajudar a manter vivos os valores de ABRIL.

VIVA O 25 DE ABRIL

25 DE ABRIL SEMPRE

Avelino Subtil



publicado por Carlos Gomes às 19:36
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2018
MUSEU DE MARINHA EXPÕE SOBRE A GRANDE GUERRA

O Museu de Marinha vai inaugurar no próximo dia 18 de abril, às 17 horas, uma exposição dedicada à participação da Marinha Portuguesa na I Guerra Mundial, intitulada “A Marinha na Grande Guerra”.

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Com o deflagrar do conflito armado que se generalizou entre as principais potências europeias em 1914, Portugal viu-se perante o desafio de manter uma posição de não-beligerância, assegurando de igual modo a soberania sobre os territórios nacionais. À Marinha Portuguesa competiu a salvaguarda dos interesses do Estado nas águas nacionais, na metrópole e nas colónias, garantindo a defesa e vigilância dos portos, da navegação e das principais vias de comunicação marítima.

E, passados cem anos, o grande desafio da exposição passa por manter a memória de todos aqueles que, em terra e no mar, intervieram e participaram na Grande Guerra, entre 1914 e 1918, alguns inclusive com o sacrifício da própria vida, garantindo dessa forma a defesa de Portugal.

A exposição é temporária e estará em exibição entre 18 de abril e 11 de novembro de 2018. De salientar que a exposição é gratuita, na medida em que visitar a exposição permanente do Museu de Marinha, que custa entre 3,25€ e 6,50€, dará também acesso a visitar a exposição temporária, sem qualquer custo adicional.



publicado por Carlos Gomes às 09:53
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2018
ANTIGO COMBATENTE JAIME FROUFE ANDRADE PUBLICA LIVRO SOBRE A SUA EXPERIÊNCIA DE COMBATE EM MOÇAMBIQUE

Acaba de sair a décima segunda edição de um pequeno livro (86 páginas) que escrevi sobre a minha experiência de guerra durante a minha comissão em Moçambique como alferes miliciano.

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Infelizmente não posso oferecer um exemplar, como tanto gostaria, a cada camarada. Resta-me propor que me "comprem" esta obra-prima com o sombrio nome "Não sabes como vais morrer", editada pela AJHLP-Associação. dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e levada ao palco pela companhia profissional "TeatroEnsaio".

Outra boa novidade é eu poder disponibilizar livros a preço de custo ou seja a 2.50 Euros, quantia que decidi arredondar para os 3 (três) Euros por causa dos portes do correio. Gosto grande seria ter-te como leitor. Se o quiseres só terás de me facultar um endereço (não esqueças o código postal) para eu te poder enviar o livro pelo correio.

Depois do livro te chegar às mãos, a quitação seria através da transferência dos 3 Euros para o

NIB 0035 0651 0031 2990 2003 4, de CGD.

Jaime Froufe Andrade



publicado por Carlos Gomes às 15:30
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Sexta-feira, 9 de Março de 2018
SAUL ANTÓNIO GOMES APRESENTA EM LEIRIA O LIVRO "A REGIÃO DE LEIRIA E AS INVASÕES FRANCESAS"

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publicado por Carlos Gomes às 11:26
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Domingo, 11 de Setembro de 2016
A INQUISIÇÃO EM OURÉM

A Âncora Editora acaba de publicar o livro “A Inquisição em Ourém”, da autoria do Dr. Jorge Martins, conceituado historiador, autor nomeadamente de obras de ficção e ensaio sobre história contemporânea, história local e estudos judaicos e inquisitoriais. O livro também traz a chancela da Câmara Municipal de Ourém.

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A obra teve hoje apresentação pública na Pousada Conde de Ourém em cerimónia que contou com a intervenção da Senhora Embaixadora de Israel em Portugal, Tzipora Rimon, e do Presidente da Direcção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt.

A apresentação feita no site da editora descreve o seguinte: “A Inquisição actuou em todo o território continental e Ourém não escapou à sua acção, que viu os seus habitantes – cristãos-novos e cristãos-velhos – serem perseguidos, condenado e até executados. O presente estudo permitiu-nos concluir que a maioria dos quarenta e um processos inquisitoriais sobre naturais e moradores da antiga vila de Ourém e seu Termo se referem a cristãos-novos acusados de judaísmo. A partir da análise destes processos, ficámos a conhecer os nomes de todas as vítimas, as profissões da maioria, a data da sua prisão, a idade, a naturalidade, a morada, a filiação, os cônjuges, as acusações e as sentenças. Trata-se de um primeiro contributo para a caracterização dos cristãos-novos de Ourém”

Colocando de parte a forma despudorada com que é afirmado que se trata de “um primeiro contributo para a caracterização dos cristãos-novos de Ourém”, interrogamo-nos até que ponto existe alguma relação do seu conteúdo com alguns artigos publicados em 2012 – já lá vão 4 anos! – no blogue AUREN, nomeadamente este que a seguir se republica, podendo ser acedido pelo link http://auren.blogs.sapo.pt/1005936.html

TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO JULGOU QUARENTA E SEIS OUREENSES ACUSADOS DE JUDAÍSMO, FEITIÇARIA, BIGAMIA E SODOMIA

A Inquisição foi estabelecida em Portugal, em 23 de Maio de 1536, a pedido do rei D. João III, em princípio destinada a combater a heresia no seio da Igreja Católica. Pelos tribunais do Santo Ofício passaram muitos oureenses, acusados dos mais diversos crimes, entre os quais a prática de judaísmo, mas também feitiçaria, bigamia e sodomia. Entre os acusados contam-se alguns de idade bastante jovem como é o caso de um réu, com apenas treze anos, acusado de judaísmo. E também membros do próprio Clero.

Estes processos encontram-se à guarda da Direcção-Geral de Arquivos e trata-se de uma matéria que nos ajuda a compreender, entre outros aspetos, a importância da comunidade judaica em Ourém, a problemática das divisões então existentes entre cristãos-novos e cristãos-velhos, os fenómenos migratórios que aqui se registaram e, sobretudo, o papel desempenhado pelo Santo Ofício. Trata-se, pois, de conhecer a História e o papel desempenhado pelas instituições no respetivo contexto e a mentalidade social da época, sem procurar fazer qualquer espécie de julgamento.

Lembramos que a comunidade judaica teve sempre uma assinalável presença em Ourém da qual ainda se guardam numerosos vestígios, entre os quais a entrada da Sinagoga. De resto, foi nela e no médico oureense Braz Luiz de Abreu que o escritor Camilo Castelo Branco se inspirou quando escreveu o seu romance “O Olho de Vidro”.

À exceção de dois processos que decorreram na Inquisição de Évora, todos os demais tiveram lugar no Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa.

 

Nome

Isabel Antunes

Data do Processo

22/3/1630

Conteúdo da acusação

Acusação -fuga ao Santo Oficio

Naturalidade –Ourém

Morada –Lisboa

Idade -60 anos

Filiação -José Antunes e Catarina Martins

Estado Civil -casado com Paulo de Serpa

 

Nome

Maria Jorge

Data do Processo

24/5/1633-21/5/1635

Conteúdo da acusação

Maria Jorge ou Maria Vieira, é natural e moradora na Ribeira do Olival, termo de Ourém, acusada de bigamia, tem mais de 50 anos de idade, filha de Domingos Fernandes e de Maria Vieira, casou primeira vez com Dionísio Malho, tendo casado segunda vez com António João. Foi sentenciada em Auto de Fé, no dia 20 de Maio de 1635.

 

Nome

Francisca Lopes

Data do Processo

24/11/1562-29/07/1563

Conteúdo da acusação

Acusada de feitiçaria, mourisca forra que foi de João Lopes, cónego de Ourém, é natural de Cafim e moradora em Lisboa, é casada com Diogo Dias. Não contém sentença, tendo sido solta a 29 de Julho de 1563.

 

Nome

Beatriz Álvares

Data do Processo

8/6/1558 - 15/6/1558

Conteúdo da acusação

Cristã-nova, acusada de Judaísmo, natural de Lisboa e moradora em Ourém, de 16 anos de idade, filha de Pêro Álvares e de Filipa Fernandes, solteira e sentenciada em Auto no dia 15 de Maio de 1558

 

Nome

Frei Manuel de Aveiro (Padre)

Data do Processo

24/6/1767 - 8/7/1787

Conteúdo da acusação

Denúncia. Acusado de proposições heréticas, religioso da Ordem de Santo António em Ourém

  

Nome

António Correa Girão

Data do Processo

14/4/1634-5/5/1648

Conteúdo da acusação

Acusação –Judaísmo

Profissão -vive de sua fazenda

Naturalidade -Torres Novas

Morada - Torres Novas

Idade -30 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Jerónimo Correa Girão, natural Ourém e Maria de Sousa que antes se chamava Maria Duarte, natural da Castanheira

Estado Civil –solteiro

Observação - Preso em 18 de Março de 1635 com cama e mais fato necessário uso e a seu confisco de dinheiro para seus alimento e despesas do Santo Oficio

Avós Paternos - Diogo Afonso Correa e Catarina ou Isabel Girão

Devido ao facto do réu mostrar nas sessões que não tem o juízo perfeito e que é confirmado pelo termo de capacidade do médico que não pode ser curado nos cárceres nem no hospital del Rei de Lisboa e também pelas diligências sobre a sua limpeza de sangue, estar muito duvidosa a Mesa em 9 de Maio de 1638 decide entregá-lo a algum parente seu sobre fiança de 500 cruzados para que o cure, e tornando a seu juízo perfeito será trazido aos cárceres e se correrá com seu processo até final conclusão, ordenando-se ao parente para entregar de 4 em 4 meses na Mesa certidão do estado do réu
Em 5 de Maio de Maio de 1648 ainda continuam a diligências para se confirmar se o réu é cristão ou como ele diz ser cristão velho

 

Nome

Francisco Correa da Silva

Data do Processo

10/9/1703-21/9/1706

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Profissão -caixeiro de Diogo Soares

Naturalidade - Vila de Ourém, Bispado de Leiria

Morada - Abrantes, Bispado da Guarda

Idade -28 anos

Filiação com a naturalidade dos pais - Pedro da Silva Correa, natural de Alter do Chão e Joana Frois, natural da Vila de Ourém

Estado Civil –solteiro

Sentença - Abjure seus heréticos erros em forma, terá cárcere a arbítrio dos inquisidores, será instruído nos mistérios da fé necessários para salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que excomunhão maior em que incorreu seja absoluto in forma ecclesia

Data da sentença -12 de Setembro de 1706, lida em Auto

Nome

Martim Pinto

Data do Processo

15/2/1638-17/9/1638

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade - Vila de Ourém

Morada –Lisboa

Idade -21 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Pedro Fernandes de Oliveira e Isabel Pinta, naturais de Loulé

Estado Civil –solteiro

Sentença - Abjure publicamente seus heréticos erros em forma e em pena e penitência deles lhe assinam cárcere e hábito penitencial perpétuo onde será bem instruído nas coisas da fé necessárias para salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que da dita excomunhão maior em que incorreu seja absoluta informa ecclesia

Data da sentença - 5 de Setembro de 1638, lida em Auto

Observação - Preso 23 de Maio de 1638

Avó Paterno - Pedro Fernandes de Oliveira

 

Nome

Maria Vaz

Data do Processo

7/4/1641-11/8/1642

Conteúdo da acusação

Acusada de bruxaria e feitiçaria, é natural de Peniche e moradora em Ourém, tem 23 anos de idade e por ser menor de 25 foi-lhe nomeado Curador Agostinho de Góis, alcaide dos cárceres, filha de Sebastião Gomes, homem do mar, e de Mécia Gomes, moradores em Peniche, que os seus avós paternos se chamavam Antão Guisado e Maria Tomás, e os maternos, António Vaz e Mécia Gomes, é solteira, foi presa a 29 de Junho de 1641, faleceu nos cárceres a 20 de Novembro de 1641. Não contém sentença.

 

Nome

Bernardo Lopes Pereira

Data do Processo

4/1/1727-7/8/1728

Conteúdo da acusação

Acusado de Judaísmo, é médico, natural de Mogadouro e morador em Ourém, tem 45 anos de idade, filho de Domingos Pereira, cristão-novo, sem ofício, natural de Bragança, e de Clara Lopes, cristã-nova, natural de Mogadouro, onde foram moradores, é casada com Teresa Maria, cristã-nova, contém inventário de bens, foi preso a 21 de Outubro de 1726, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, realizado na igreja do Convento de São Domingos, em Lisboa, no dia 25 de Julho de 1728, com as penas de ir ao Auto de Fé na forma costumada, onde abjure em forma os seus erros heréticos, tenha cárcere e hábito penitencial perpétuo, sem remissão, tenha penas e penitências espirituais, instrução na Fé e da excomunhão de que incorre seja absolvido. A 26 de Agosto de 1728 recebeu termo de licença para se ausentar para Ourém.

  

Nome

Joana de Sousa

Data do Processo

15/4/1562-8/1/1564

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade -Vila de Ourém

Morada –Lisboa

Idade - 60 anos

Estado Civil -viúva de Mestre Jorge Lião

Sentença - Abjure publicamente seus heréticos erros em forma e em pena e penitência deles lhe assinam cárcere e hábito penitencial perpétuo, no qual cárcere será bem instruída nas coisas da fé necessárias para a salvação da sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e mandam que seja absoluta in forma ecclesia da excomunhão maior em que incorreu

Data da sentença - 16 de Maio de 1563, lida em Auto

Observação - Presa em 20 de Abril de 1562

Entregou uma petição para lhe ser perdoado o cárcere e o hábito penitencial, alegando estar bem doutrinada nas coisas da fé e ser pobre, o que teve um despacho favorável em 8 de Janeiro de 1564, sendo-lhe comutada a pena mas mantendo as penas e penitências espirituais que lhe foram impostas

 

Nome

Gracia Rodrigues

Data do Processo

21/7/1612

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade -Vila de Tomar

Morada -Oseixe, termo da Vila de Ourém

Idade -80 anos

Filiação-Gaspar Roiz i Isabel Roiz

Estado Civil -casada com Miguel Roiz

Data da sentença -11 de Março de 1640, lida em Auto

Data do óbito - 26 de Novembro de1613

 

Nome

Gançalo Picanço

Data do Processo

29/7/1631

Conteúdo da acusação

Acusação –judaísmo

Naturalidade –Leiria

Morada -Quinta de Nossa Senhora da Olalha termo da Vila de Ourém

Idade -24 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Mateus Lopes Ferreira, natural da Quinta da Olalha e Simoa de Oliveira, natural de Leiria

Estado Civil –solteiro

Data da sentença -25 de Março de 1636, lida em Auto

 

Nome

Onofre Rodrigues

Data do Processo

16/8/1636-18/10/1747

Conteúdo da acusação

Cristão-novo, acusado de Judaísmo, é criado de servir, natural de Avis e morador em Ourém, tem 13 anos de idade, filho de Manuel Rodrigues, natural de Avis, e de Catarina Gonçalves, natural das Gáveas, é solteiro, contém inventário de bens, tendo sido sentenciado em Mesa, no dia 14 de Outubro de 1747.

Nome

Jorge Dias Ribeiro

Data do Processo

20/11/1645-16/12/1647

Conteúdo da acusação

Acusado de bigamia, é trabalhador, natural de Outeiro de Seiça, termo de Ourém, e morador na Torre, termo de Alenquer, tem 56 anos de idade, filho de Pedro Anes, natural de Outeiro de Seiça, e de Maria Dias, natural do Furadouro, termo de Tomar, casou primeira vez com Mécia Jorge, tendo casado segunda vez com Maria Fialha, tendo sido sentenciado em Auto de Fé, no dia 15 de Dezembro de 1647.

 

Nome

Joaquina

Data do Processo

21/01/1786 - 27/01/1786

Conteúdo da acusação

Crime/Acusação: fingimento de visões, proposições heréticas

Morada: Peras Ruivas, freguesia de Ourém

Estado civil: viúva

Cônjuge: António Vieira

 

Nome

Manuel António Aranha

Data do Processo

12/12/1761 - 27/09/1768

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Francisco Alvares Bandeira

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 34 anos

Crime/Acusação: fingir-se passar por oficial do santo ofício, perturbar o recto ministério do santo ofício

Cargos, funções, actividades: lavrador e depois tratante

Naturalidade: Cabeça de Pederneira, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: Silves, Algarve

Pai: Manuel Gomes, trabalhador

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 04/01/1762

Sentença: auto-de-fé de 27/10/1765, ser açoutado publicamente, condenado por cinco anos a trabalhar sem soldo nas obras públicas da cidade, penitências espirituais, pagamento de custas.

O réu não têm domicilio certo.

 

Nome

Filipa Nunes

Data do Processo

15/08/1556 - 15/04/1561

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 70 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Viseu

Morada: Ourém

Pai: António Nunes

Mãe: Isabel Rodrigues

Estado civil: casada

Cônjuge: Jorge Veloso

Data da prisão: 15/08/1556

Sentença: auto-de-fé de 24/09/1559. Ser agravado o cárcere perpétuo e hábito penitencial, cárcere a arbítrio.

  

Nome

Simão Ribeiro

Data do Processo

15/03/1624 - 13/02/1625

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: António Pereira

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 17 anos

Crime/Acusação: bruxaria e feitiçaria

Cargos, funções, actividades: curandeiro

Naturalidade: Alqueidão, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: termo de Castelo Branco, bispado da Guarda

Pai: Francisco Jorge, cristão-velho, carpinteiro

Mãe: Maria Ribeiro, cristã-velha

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 15/03/1624

Sentença: auto-de-fé de 05/05/1624. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos inquisidores, instrução na fé católica, degredo para o Brasil, por quatro anos.

Por despacho de 13/02/1625, foi-lhe tirado o hábito penitencial e levantada a pena de degredo.

 

Nome

Maria Caetana da Silva

Data do Processo

27/05/1705 - 11/09/1705

Conteúdo da acusação

Estatuto social: 1/2 cristã-nova

Idade: 22 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Ourém

Morada: Lisboa

Pai: Pedro da Silva, mercador

Mãe: Joana Fróis

Estado civil: Solteira

Data da prisão: 28/05/1705

Sentença: auto-de-fé de 06/09/1705. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio, penitências espirituais

 

Nome

Pedro Álvares

Data do Processo

01/07/1556 - 15/05/1558

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: mercador

Naturalidade: Torres Novas

Morada: Ourém

Pai: Simão Álvares, cristão-novo

Mãe: Margarida Álvares, cristã-nova

Estado civil: casado

Cônjuge: Filipa Fernandes

Sentença: auto-de-fé de 15/05/1558. Confisco de bens, excomunhão maior, relaxado à justiça secular.

  

Nome

Garcia Barbosa

Data do Processo

28/08/1600 - 02/01/1604

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 21 ou 22 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: sirgueiro

Naturalidade: Ourém

Morada: Tomar

Pai: Bartolomeu Barbosa, sirgueiro

Mãe: Isabel Lopes

Estado civil: casado

Cônjuge: Páscoa Ferreira, cristã-nova

Data da prisão: 28/08/1600

Sentença: auto-de-fé de 03/08/1603. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, penitências espirituais, instrução na fé católica.

 

Nome

Catarina Lopes

Data do Processo

06/11/1760 - 26/11/1761

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-velha

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: proposições heréticas

Naturalidade: Cabeça da Pederneira, termo da vila de Ourém

Morada: lugar de Chãs, freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres de Fátima, bispado de Leiria

Pai: Manuel Domingues, lavrador, natural de Cabeça da Pederneira

Mãe: Maria Jorge, natural de Ramila, termo de Ourém

Estado civil: viúva

Cônjuge: António Lopes, trabalhador

Data da prisão: 19/11/1760

Sentença: auto-de-fé de 20/09/1761. Degredo, por cinco anos, para fora do bispado de Leiria, penitências espirituais, pagamento de custas.

 

Nome

Bartolomeu Barbosa

Data do Processo

6/3/1611 - 8/8/1612

Conteúdo da acusação

Meio cristão-novo, acusado de Judaísmo, sirgueiro, natural de Leiria e morador em Ourém, de 60 anos de idade, filho de Vicente Girão, natural de Ourém e de Gracia Ferreira, casado com Ágeda Antunes e sentenciado na Mesa no dia 8 de Agosto de 1612.

 

Nome

Luís Lopes de Oliveira (Padre)

Data do Processo

20/9/1741-24/10/1743

Conteúdo da acusação

Acusado de solicitação, sacerdote do hábito de S. Pedro e confessor, natural e morador em Setúbal de 63 anos de idade, filho de Bento Lopes, natural de Ourém e de Maria de Oliveira, natural de Palmela e sentenciado na Mesa no dia 20 de Novembro de 1742.

Acusação –Solicitação

Profissão -Sacerdote do hábito de S. Pedro e confessor

Naturalidade –Setúbal

Morada –Setúbal

Idade -63 anos

Filiação com a naturalidade dos pais -Bento Lopes, natural da vila de Ourém e Maria de oliveira, natural da vila de Palmela

Estado Civil –

Sentença - Faça abjuração de leve suspeito na fé e por tal o declaram e o privam para sempre de poder confessar e o suspendem do exercício das suas ordens por tempo de 8 anos e pelos mesmos o degradam para fora deste Patriarcado e não entrará mais na vila de Setúbal, será instruído nos mistérios da fé necessários para a salvação de sua alma e cumprirá as mais penas e penitências espirituais que lhe forem impostas e pague as custas.
Data da sentença -20 de Novembro de 1742, lida na Mesa
Observação - Preso a 27 de Setembro de 1741 e com cama e mais fato necessário a seu uso e confisco de dinheiro para seus alimento e despesas do Santo Oficio

Nome

Diogo Nabo Pessanha

Data do Processo

23/05/1657 - 05/12/1657

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 22 anos

Crime/Acusação: sodomia

Naturalidade: Lisboa

Morada: Ourém

Pai: Manuel Gomes Cardoso, licenciado, advogado

Mãe: D. Maria de Alcáçova

Estado civil: solteiro

Data da prisão: 23/05/1657

Sentença: auto-de-fé de 19/11/1657. Degredo por cinco anos para Angola, penitências espirituais, confisco de bens.

 

 

 

  

Nome

José Luís de Azevedo

Data do Processo

11/06/1740-10/11/1742

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: José Vaz Paixão

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 36 anos

Crime/Acusação: fautoria em judaísmo, revogar de acusações feitas no primeiro processo

Cargos, funções, actividades: criado de servir, feitor de Francisco Rouxinol

Naturalidade: Avis, arcebispado de Évora

Morada: Moçomedia, termo de Ourém

Pai: Manuel Vaz, almocreve

Mãe: Maria Dias

Estado civil: casado

Cônjuge: Maria da Conceição

Data da prisão: 10/11/1741

Sentença: auto-de-fé de 04/11/1742. Cárcere e hábito penitencial perpétuo sem remissão, ser açoitado publicamente, penitências espirituais, degredo por oito anos para Cabo Verde, pagamento de custas.

O réu era assistente em Coimbra.

  

Nome

Miguel Rodrigues

Data do Processo

27/07/1611 - 12/05/1614

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Miguel Rodrigues de Castro

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 80 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: vivia de sua fazenda

Naturalidade: Tancos

Morada: Seiça, termo de Ourém

Pai: Fernão Rodrigues, cristão-novo

Mãe: Susana de Castro

Estado civil: casado

Cônjuge: Grácia Rodrigues, cristã-nova

Data da prisão: 27/07/1611

Sentença: auto-de-fé de 16/02/1614. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito perpétuo, penitências espirituais.

 

Nome

José de Oliveira de Miranda

Data do Processo

29/12/1670 - 14/05/1671

Conteúdo da acusação

Idade: 35 anos

Crime/Acusação: bigamia

Naturalidade: Lisboa

Morada: Rua de São Boaventura, Bairro Aito, Lisboa

Pai: João de Oliveira de Miranda, ouvidor

Estado civil: casado

Cônjuge: D. Mariana de Meireles

Data de apresentação: 29/12/1670

O réu esteve em Cádiz, nas Canárias, na Galiza e em Ourém, casou pela segunda vez com Tomásia de Medina, sendo ainda viva a sua primeira mulher. O processo não tem sentença.

 

Nome

António de Oliveira

Data do Processo

16/08/1595 - 10/02/1598

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 55 anos

Crime/Acusação: Proposições heréticas

Cargos, funções, actividades: juíz dos órfãos em Ourém

Naturalidade: vila de Ourém

Morada: vila de Ourém

Pai: Álvaro de Oliveira, cristão-velho

Mãe: Margarida Nunes, cristã-velha

Estado civil: casado

Cônjuge: Joana Pereira, cristã-velha

Data da apresentação: 21/10/1595

Sentença na Mesa em 10/02/1598. Desdizer perante o prior de Ourém e pessoas diante de quem disse as ditas proposições, dar-lhes a satisfação necessária para ter certidão do dito prior, penas e penitências espirituais.

  

Nome

Maria de Sousa

Data do Processo

20/04/1562 - 20/09/1563

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Naturalidade: Ourém

Morada: Lisboa

Pai: Henrique de Sousa, cristão-novo

Mãe: Isabel de Sousa, cristã-nova

Estado civil: solteira

Data da prisão: 20/04/1562

Sentença: auto-de-fé de 15/05/1562. Abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuos.

 

Nome

Lucas Barbosa

Data do Processo

17/04/1732

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 21 anos

Crime/Acusação: feitiçaria

Cargos, funções, actividades: ex-soldado

Naturalidade: Ourém

Morada: Lumiar, Lisboa

Pai: António Barbosa Ferraz, que vivia de sua fazenda

Mãe: Maria Inácia de Carvalho

Estado civil: solteiro

Data da apresentação: 17/04/1732

 

Nome

António Pereira Leitão

Data do Processo

16/02/1761 - 16/03/1763

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 36 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: lavrador

Naturalidade: Pêra Ruiva, termo de Ourém, bispado de Leiria

Morada: São Luís do Maranhão, Brasil

Pai: Miguel Fernandes, homem de negócio

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: casado

Cônjuge: Mariana da Silva

Data da prisão: 16/02/1761

Sentença: auto-de-fé privado de 20/09/1761. Abjuração de leve, ser açoitado publicamente, degredo para as galés, por cinco anos, instrução na fé católica, penitências espirituais, pagamento de custas.

O réu foi casado pela segunda vez com D. Ângela Perpétua da Silva.

Por despacho de 16/03/1763, foi comutado ao réu o degredo nas galés para a vila de Torres Novas

Nome

Henrique da Silva Nunes

Data do Processo

04/11/1726 - 06/08/1728

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 32 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: advogado

Naturalidade: Portalegre

Morada: Ourém

Pai: Tomé da Silva Nunes, cristão-novo, mercador

Mãe: Antónia Bernarda, cristã-nova

Estado civil: casado

Cônjuge: Beatriz Nunes, cristã-nova

Data de apresentação: 04/11/1726

Sentença: 25/07/1728. Confisco de bens, abjuração em forma, cárcere a arbítrio, penitências espirituais.

Data do Processo

09/07/1727 - 06/08/1728

Conteúdo da acusação

Crime/Acusação: impedir o recto ministério do Santo Ofício

Sentença: Asperamente repreendido e advertido a não reincidir.

 

Nome

Diogo Pacheco de Mendonça

Data do Processo

13/02/1667-15/02/1667

Conteúdo da acusação

Estatuto Social: Cristão-Velho

Crime/Acusação: Sacrilégio; Impedir o recto ministério do stº ofício

Estatuto Profissional: Almoxarife; Juiz Dos Direitos Reais; Sargento-Mor

Naturalidade: Ourém

Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Leiria

Morada: Chão de Couce

Situação Geográfica (Morada): Bispado de Coimbra

Pai: Pedro Moniz Mascarenhas, Vivia de Sua Fazenda

Mãe: Maria Sodré

Estado Civil: Casado

Nome do Cônjuge: Catarina Raposo Bacelar

Data da Apresentação: 02/11/1665

Data da Prisão: 26/01/1666

Data da Sentença: 13/02/1667

Data do Auto de Fé: 13/02/1667

Outros Dados: M.C.; EM 1665-11-04, FOI DADA AO RÉU LICENÇA PARA IR PARA A SUA TERRA; EM 1667-02-15, FOI-LHE PASSADO TERMO DE SOLTURA E SEGREDO.

  

Nome

Manuel de Andrade

Data do Processo

02/01/1598 - 21/02/1598

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 43 anos

Crime/Acusação: blasfémia

Cargos, funções, actividades: vendeiro

Naturalidade: Penela

Morada: Ourém

Pai: Gaspar de Andrade, cristão-velho

Mãe: Maria, negra cativa

Estado civil: casado

Cônjuge: Domingas Malha, mulata

A mãe do réu era cativa de Martim Pires e de Joana Carvalho.

O réu foi enviado para Ourém e viria à Inquisição sempre que fosse chamado.

 

Nome

Manuel António de Évora

Data do Processo

07/11/1729 - 24/11/1730

Conteúdo da acusação

Idade: 19 anos

Crime/Acusação: feitiçaria, bruxaria

Cargos, funções, actividades: vive de sua fazenda

Naturalidade: Tomar

Morada: Nossa Senhora de Ceissa, Ourém

Pai: António de Évora Heitor, escrivão de prelasia de Tomar

Mãe: D. Guiomar da Fonseca Gameiro

Estado civil: casado

Cônjuge: D. Bernarda Joana Montarroio

Sentença: asperamente repreendido e advertido a não reincidir.

O réu foi repreendido asperamente pelos inquisitores em 1730-11-24, apresentação: 23-11-1730.

 

Nome

António Pereira Leitão

Data do Processo

04/01/1778 - 15/08/1779

Conteúdo da acusação

Idade: 60 anos

Crime/Acusação: bigamia/poligamia

Cargos, funções, actividades: lavrador de engenho de canas

Naturalidade: Ourém

Morada: Vila Real de Santa Luzia, Baía, Brasil

Pai: Miguel Fernandes, negociante

Mãe: Maria Pereira

Estado civil: casado

Cônjuge: Mariana da Silva; 2ª Ângela Perpétua

Data de prisão: 24/01/1778

Data da Sentença: 06/06/1778

Sentença: auto-de-fé de 06/06/1778 abjuração de veemente, ser açoitado publicamente, degredo por 10 anos para as galés, instruído na fé católica, penitências espirituais, pagamento de custas. Três casamentos, 2ª esposa: Ângela Perpétua ,3ª esposa: Francisca Teresa de Jesus.

  

Nome

Francisco de Santiago

Data do Processo

28/04/1704-12/09/1706

Conteúdo da acusação

Outras formas do nome: Francisco Santiago e Castro

Estatuto social: cristão-novo

Idade: 40 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: tecelão, fabricante de meias

Naturalidade: Bragança

Morada: Lisboa

Pai: António de Santiago, boticário

Mãe: Isabel Rodrigues

Estado civil: casado

Cônjuge: Isabel de Morais, cristã-nova

Data da prisão: 28/04/1704

Sentença: auto-de-fé de 12/09/1706. Confisco de bens, ir ao auto-de-fé, abjuração em forma, cárcere e hábito penitêncial a perpétuo, instruído da fé católica, penitências espirituais.

O réu aparece também como morador em Ourém

 

Nome

Filipa Fernandes

Data do Processo

01/07/1556 - 02/03/1559

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristã-nova

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: judaísmo

Cargos, funções, actividades: fanqueira

Naturalidade: Ourém

Morada: Ourém

Pai: João Fernandes

Mãe: Beatriz Vaz

Estado civil: casada

Cônjuge: Pedro Álvares

Data da prisão: 20/07/1556

Sentença: auto-de-fé de 28/02/1558. Abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuos, instruído na fé católica.

 

Nome

António Fernandes

Data do Processo

17/03/1616 - 20/06/1617

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 40 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: sapateiro e lavrador

Naturalidade: lugar do Sumo

Morada: Casinheira, freguesia das Casiandas, termo de Ourém, bispado de Leiria

Pai: Domingos Simão, lavrador

Mãe: Antónia Fernandes

Estado civil: casado

Cônjuge: Beatriz Dias, primeira mulher

Data da prisão: 17/03/1616

Sentença: auto-de-fé de 12/02/1617. Abjuração de leve, degredo por cinco anos para as galés, pagamento de custas, ser açoutado publicamente

  

Nome

António Nunes

Data do Processo

06/04/1627 - 28/09/1644

Conteúdo da acusação

Estatuto social: cristão-velho

Idade: 45 anos

Crime/Acusação: bigamia

Cargos, funções, actividades: oleiro

Naturalidade: lugar do Cidral, Ourém

Morada: Abrantes

Pai: António Nunes, lavrador

Mãe: Isabel Lopes

Estado civil: casado

Cônjuge: Maria Natália

Data da apresentação: 12/07/1627

Sentença: auto-de-fé de 10/07/1644. Abjuração de leve, degredo para o Brasil, por quatro anos, penitências, pagamento de custas.

O réu casou segunda vez com Isabel Fernandes.

 

Nome

João da Mota da Guarda

Data do Processo

23/03/1658-26/10/1664

Conteúdo da acusação

Estatuto Social: 1/8 de Cristão-Novo

Crime/Acusação: Judaísmo; Heresia; Apostasia

Estatuto Profissional: Escrivão da Almotaçaria de Vila Viçosa

Naturalidade: Ourém

Situação Geográfica (Naturalidade): Bispado de Leiria

Morada: Vila Viçosa

Situação Geográfica (Morada): Arcebispado de Évora

Pai: Manuel da Guarda, Moço de CÂmara do Duque

Mãe: Isabel Nobre

Estado Civil: Casado

Nome do Cônjuge: Ângela Monteiro

Data da Prisão: 23/03/1658

Data da Sentença: 26/10/1664

Data do Auto de Fé: 26/10/1664

Nome

Pedro Afonso

Data do Processo

Sem data

Conteúdo da acusação

Naturalidade: Ourém

Outros Dados: DENÚNCIA

 

 

 

 

Nome

Pedro Gonçalves

Data do Processo

Sem data

Conteúdo da acusação

Naturalidade: Ourém

Outros Dados: TRATA-SE DE UMA DENÚNCIA

Fonte: Direcção-Geral de Arquivos (Torre do Tombo), em http://ttonline.dgarq.gov.pt/



publicado por Carlos Gomes às 21:21
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
OURÉM: OS MISTÉRIOS DA SINAGOGA QUE ESTA SEMANA INSPIRA O FESTIVAL JUDAICO

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Cláudia Gameirohttp://www.mediotejo.net/

Os vestígios de uma antiga sinagoga em Ourém começaram a ser referidos por historiadores locais há cerca de 30 anos e chegaram a estar incluídos nos roteiros turísticos. O atual executivo municipal decidiu agora apostar no seu estudo, expropriando o terreno para fins públicos de investigação e dedicando o Festival de Setembro deste ano à diáspora e cultura judaica. Mas há mais dúvidas que certezas em torno destas ruínas, bem como da comunidade que a usaria, na antiga vila medieval.

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Edifício em ruínas evidencia a existência prévia de dois arcos em ogiva. Terá sido uma antiga sinagoga? Foto: mediotejo.net

 

São dois arcos ogivais incrustados num edifício em ruínas, que poderão fazer ter feito parte de uma antiga sinagoga. Os vestígios encontram-se por trás da Pousada Conde de Ourém e são há muito conhecidos de historiadores e instituições locais, mas não existem referências históricas sólidas da sua existência na vila medieval. Em tempos, alertou o historiador e blogger Carlos Gomes ao mediotejo.net, o Turismo chegou a ter uma brochura em que estes arcos vinham mencionados, mas o património foi completamente esquecido nas rotas turísticas, sem qualquer tipo de promoção.

Na sua segunda edição, o Festival de Setembro decidiu apostar na cultura judaica. Questionado a respeito da escolha deste tema, o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, explicou ao mediotejo.net ter-se devido à identificação recente de “uma antiga sinagoga em ruínas”, tendo-se decidido avançar na sua promoção e estudo. Na reunião camarária de 2 de setembro, sexta-feira, todo o elenco votou favoravelmente a expropriação do terreno para fins públicos.

Para Paulo Fonseca, esta será uma forma de fomentar a “valorização patrimonial” da vila e o turismo judaico. “Tínhamos indicação histórica da existência de uma sinagoga”, explicou, e quer-se agora apostar neste novo factor de atratividade, que conta com o apoio da Fundação Oureana.

Mas, apesar de serem recentes na memória do atual executivo municipal, estes vestígios foram descobertos por Carlos Evaristo, presidente da Fundação Oureana, há perto de 30 anos. Arqueólogo de formação, o responsável contou ao mediotejo.net que se apercebeu da importância das ruínas quando começaram a fazer as obras no antigo Hospital (do outro lado da mesma rua), para o converter na Pousada. As marcações e os movimentos de terras fizeram cair o estuque do edifício degradado próximo, que formava aparentemente uma porta quadrada, e surgiram os arcos.

“Ando a lutar por isto há mais de 25 anos”, comenta Carlos Evaristo, mas na época, inícios dos anos 90, reconhece que não foi levado a sério. Ainda assim, procurou consultar comunidades judaicas e a associação dos sefarditas nos EUA, em busca de apoios para a investigação, e adquirir o imóvel. Mas os proprietários, narra Carlos Evaristo, nunca quiseram vender. O projeto foi morrendo e caiu no esquecimento coletivo.

“Fui fortemente criticado porque diziam que não havia indícios de judiarias em Ourém”, explica. Segundo o arqueólogo, eram necessárias 10 famílias para que a comunidade fosse considerada uma judiaria e em Ourém (saliente-se, a comunidade que vivia junto ao Castelo) só existiriam sete. Pessoas que foram apadrinhadas por D. Afonso, IV Conde de Ourém (1400-1460), ao tornar-se senhor das judiarias, que estiveram ligadas, afirma Carlos Evaristo, à construção da Colegiada e ao Paço dos Condes (estrutura anexa ao Castelo medieval). “Sabemos que [D.Afonso] esteve envolvido na Sinagoga de Tomar e que albergava judeus foragidos de Castela”, relata, devido à perseguição pelos Reis Católicos. “Os judeus sentiam-se tão protegidos por ele que construíram a cripta, inspirada na sinagoga de Tomar”, relata.

Mas a existência desta comunidade judaica terá sido curta. No reinado de D.Manuel I (1495-1521), o Rei mandou expulsar os judeus e muitos foram obrigados a converter-se ao cristianismo (os chamados cristãos-novos). Uma das ações do reino foi destruir e/ou esconder os símbolos religiosos, sendo essa a razão, aponta Carlos Evaristo, para o segundo arco ogival estar emparedado (o primeiro é uma porta).

Carlos Evaristo está convicto da existência de uma judiaria, ainda que com poucas famílias, em Ourém. Um dos seus argumentos é uma antiga Botica (um dispensário ou farmácia) na entrada secundária da vila medieval. Num velho edifício em ruínas, encontrou vestígios de loiças ligadas a estas antigas farmácias e plantas que não são naturais de Ourém. Conhecedora de especiarias e ervas medicinais, terá sido a comunidade judaica fugida de Castela a trazer aquelas espécies. “No século XVII haviam Cristãos-Novos com a profissão de ‘Idiotas’ que eram barbeiros, sangradores, curandeiros e boticários”, adianta.

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Num velho edifício em ruínas, Carlos Evaristo encontrou artefatos de uma antiga farmácia. Reconstruiu o espaço e criou um museu com os seus achados na vila medieval de Ourém. Foto: mediotejo.net

 

No local, o arqueólogo reconstruiu o edifício e criou um museu com os seus achados na vila medieval. Um dos elementos mais interessantes é uma pedra esculpida com a Cruz de Cristo, que afirma ter encontrado perto dos vestígios da sinagoga, onde por trás descobriu uma estrela de David.

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Numa pedra com a Cruz de Cristo, Carlos Evaristo descobriu por trás a estrela de David. Foto: mediotejo.net

 

A Fundação Oureana é uma instituição criada por John Haffert (fundador do Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima e grande amigo da Irmã Lúcia), que nos anos 40 se fixou na vila e procurou promover o seu património histórico. Presidente da instituição, Carlos Evaristo mostra-se satisfeito por a Câmara de Ourém ter finalmente decidido apostar na sinagoga.

Já Carlos Gomes refere que a sinagoga terá sido destruída no terremoto de 1755, e novamente nas invasões francesas, razão pela qual ambos os arcos ficaram totalmente escondidos. Indica inclusive dois livros que mencionam a existência da sinagoga e de uma comunidade judaica em Ourém: o “Olho de Vidro”, novela de Camilo Castelo Branco, e “Ourém – Três contributos para a sua história”, editado pelo município em 1988.

O historiador reflete sobre a importância dos judeus em Ourém e Portugal: “Os judeus constituíam uma comunidade, vivendo no burgo medieval, e integrada com êxito entre a população de cristãos-velhos. Hoje nada a distingue. São os Oliveiras, que há muito em Ourém, os Silvas, Pereiras, castelões, etc”.

Já o Professor universitário Paulo Mendes Pinto, especialista em Ciência das Religiões e coordenador do projeto “Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses”, mostra algumas reticências em comentar os vestígios, uma vez que desconhece o local e as suas características. “Há indícios de uma comunidade medieval” em Ourém, referiu ao mediotejo.net, e até processos de pessoas levadas ao Tribunal do Santo Ofício por “judaísmo”. Pelo que “é plausível que tenha havido” uma comunidade judaica na localidade, constata.

Há características que só podem ser identificadas conhecendo os vestígios pessoalmente, frisa o especialista. “O espaço de Tomar não levanta dúvida nenhuma”, afirma, uma vez que há vários documentos e inscrições que atestam ser aquela uma antiga sinagoga. Já em Castelo de Vida, comenta, é apenas um armário onde se guardaria a Torá. “Há coisas muitos variadas”, explica.

Não havendo estudos aprofundados em torno dos vestígios de Ourém, coloca dúvidas. “Na Península Ibérica, todos os espaços de antigas sinagogas não tinham essas portas”, refere. Além disso, “muitas das casas do século XV tinham uma porta grande e uma pequena”.

O mediotejo.net contactou a Rede de Judiarias de Portugal para pedir um comentário sobre o Festival de Setembro e a sinagoga de Ourém, mas a instituição informou que não tinha conhecimento nem dos vestígios nem da iniciativa.

Fundação Rothschild quer estudar vestígios judaicos

Durante a reunião de 2 de setembro, no momento da votação da expropriação, um morador da vila medieval, David Pereira, veio em nome da Fundação Rothschild apresentar a disponibilidade da instituição para estudar os vestígios. “É apenas uma proposta que ainda terá que ser discutida”, explicou ao mediotejo.net.

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Durante reunião camarária de 2 de setembro foi aprovada a expropriação para interesse público do imóvel onde se encontram vestígios de uma antiga sinagoga. Foto: mediotejo.net

 

Paulo Fonseca manteve a mesma postura, referindo que ainda é uma questão a ser analisada.

O nome Rothschild é de origem alemã e está associado a uma das mais poderosas famílias da revolução industrial, tendo no século XIX chegado a alcançar a maior fortuna privada do mundo e o título de Barão no Reino Unido. É neste país que a Fundação Rothschild está atualmente sediada, apesar de haver braços da família espalhados por toda a Europa, dedicada à filantropia e caridade. Considerada uma autêntica dinastia, os Rothschild estiveram também ligados ao movimento sionista que promoveu a criação do Estado de Israel.

Festival de Setembro traz Rodrigo Leão

Em 2014 a Fundação Casa de Bragança, na ocasião presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, passou a gestão do Castelo de Ourém para o município, procurando-se assim apostar na sua promoção. Foi ainda anunciada uma requalificação do Castelo, que está ainda a aguardar investimento comunitário. Das iniciativas nascidas deste protocolo está o Festival de Setembro.

O cabeça de cartaz deste ano é o compositor Rodrigo Leão, que vai atuar no palco do Castelo de Ourém às 21h30 de 11 de setembro, domingo. Mas o Festival vai decorrer ao longo do fim-de-semana, com uma conferência sobre a herança judaica a decorrer às 15h30 de dia 10, sábado, na Galeria da vila medieval, e os Melech Mechaya e Pás de Probléme a atuarem a partir das 22 horas. Música sefardita, gastronomia, o lançamento do livro “Inquisição em Ourém”, ou mostras de cinema com documentários são outras das propostas, todas gratuitas.



publicado por Carlos Gomes às 21:20
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Domingo, 4 de Setembro de 2016
AUTORIDADES DE OURÉM FELICITARAM AS CORTES DE 1821

Em 1821, as autoridades do Concelho de Ourém endereçaram às Cortes Geraes e Extraordinárias da Nação Portugueza, instituídas pela revolução liberal ocorrida no ano anterior, uma carta de felicitação e prestação de homenagem, a qual foi lida na sessão do sai 18 de abril e publicada no respetivo Diário em 24 de abril desse ano.

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Senhor. = A Camera da Villa de Ourém, juntamente com o Doutor Corregedor da mesma Comarca, levados dos sentimentos do respeito e gratidão, de que Vossa Magestade por tão relevantes Titulos se faz digno, vamos por este meio, como fieis, e gratos tributar a Vossa Magestade os nossos deveres. Não somos nós Cidadãos ineptos, que não conheçamos as vantagens, que vão cercar-nos, nem por outra parte assim inertes, que ignoremos a obrigação de o confessarmos. O desastroso quadro do passado, confrontado com os bens, que já sentimos, e que a illustrada intelecção de Vossa Magestade nos promette a mais e mais para o futuro, mediante as sabias Leys, que vai cimentando, fornece-nos invenciveis argumentos para convencer-nos, e põem-nos na estreita obrigação de reconhecello. Homens ha pouco só no nome, peores nos nossos direitos que as mesmas féras, nós éramos o alvo do poder, e do fanatismo, e quaes puros automatos sem ser algum, corriamos forçados a todo o instante para onde o capricho, e a ignorancia queria arrastar-nos. Agora porém já somos gente; já recuperámos os direitos de homem até aqui perdidos; já somos iguaes, somos já livres, e já não prendem nossas consciencias tantas algemas. E aquem Supremo Congresso, deve a Nação, devemos nós tantas venturas! He esta huma verdade mais que, quem sabida, huma questão, que descobre a mais curta esféra, o mais rude engenho. Sim he Vossa Magestade o nosso Bemfeitor, o que nos levanta do abysmo, e da sepultura. Quem por meio de novas Leys tão adequadas, de reformas, de Cortes tão necessarias, e sobre tudo por meio de huns principios de Constituição tão luminosos, tão sãos, tão proprios do homem civil, tão naturaes ha feito, e continúa a fazer a nossa dita. Mil graças pois vos sejão dadas por todo o homem: o Natural, e Estrangeiro vos bem diga, e louve; em quanto nós certos de tanto bem, e a elle gratos, confessamos reconhecidos nossa ventura, e tributamos assim reverentes a Vossa Magestade os nossos deveres. Ourém em Camera 12 de Abril de 1821. = O Corregedor da Comarca, Manoel da Fonceca Coelho - O Juiz de Fóra, Presidente, Antonio Gomes Ribeiro = O Vereador primeiro, Antonio Pereira Jorge. = O Vereador segundo, Vicente José Henriques de Oliveira Roza - O Vereador terceiro, Manoel Antonio Almeida = O Procurador, Joaquim da Silva de Frias.



publicado por Carlos Gomes às 10:38
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Sábado, 3 de Setembro de 2016
DEPUTADO MENDES CORREIA EXALTOU EM 1956, NA ASSEMBLEIA NACIONAL, AS VIRTUDES DO FOLCLORE PORTUGUÊS, REFERINDO-SE AO CONGRESSO REALIZADO EM BRAGA

Na sessão de 29 de junho de 1956 da VI Legislatura da Assembleia Nacional, o deputado Mendes Correia falou sobre o Congresso de Etnografia e Folclore que se realizou em Braga naquele ano, exaltando as suas virtualidades e qualidades artísticas. A sessão foi presidida por Albino dos Reis Júnior e secretariada por José Paulo Rodrigues e Alberto Pacheco Jorge.

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O Sr. Mendes Correia: - Sr. Presidente: na sessão de ontem o nosso colega Dr. Alberto Cruz referiu-se, a propósito das impressões que teriam deixado a terra e a gente bracarenses e o Minho em geral nos membros do recente Congresso de Etnografia e Folclore, realizado em Braga, as tradições regionais de hospitalidade e à necessidade de se apoiar o desenvolvimento do turismo naquela província.

Não precisa o nosso colega da minha solidariedade nas aspirações que formulou, e que naturalmente perfilho sem restrições, mas pedi a palavra para, ainda com um mandato que me permite traduzir o sentir de todos os congressistas, sublinhar a hospitalidade e a cortesia que todos encontrámos em Braga e na boa gente do Minho, aproveitando este ensejo para, mais uma vez, salientar o significado nacional e político da assembleia realizada e a importância - nos mesmos aspectos, além do cientifico- de muitas matérias nela versadas e de muitos dos votos finais ali adoptados.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Não trago, evidentemente, a esta Câmara um relato pormenorizado do que foi o Congresso e do que ele representa na vida cultural e social do Pais.

Mas acentuarei que a sua magnitude decorre do tema dos seus relatórios e das suas duzentas comunicações. Esse tema é o povo português, a sua psicologia, as suas tradições, a sua arte, os seus anseios, as suas tendências e as suas capacidades.

Tema que é hoje versado cientificamente, com métodos e técnicas adequados, de maneira sistemática, imparcial e objectiva, e não ao modo antigo, por coleccionadores

a esmo, por simples amadores sem preparação, por devaneadores e fantasistas, com maior ou menor brilho literário, maior ou menor sentimento e entusiasmo, mas numa ausência total, ou quase, de espirito cientifico. Há ainda quem suponha que etnografia e folclore são puras colectâneas amenas de temas pitorescos da vida popular.

Ora, o último Congresso definiu posições nítidas e úteis quanto à natureza dos objectos dessas disciplinas e quanto à maneira de os tratar e utilizar. Pôs em evidência o interesse de certas investigações. Salientou as ligações entre o âmbito das ditas disciplinas e a história, a filosofia, a religião, a arte, a sociologia, a política, a economia, etc. Pôs sobretudo em relevo o valor nacional daqueles estudos.

E a todos foi grato verificar que, a par das contribuições mais singelas sobre um ou outro facto local ou regional, surgiram naquela assembleia teses de conjunto ou de carácter genérico e doutrinário, como as de metafísica, do folclore e da ética dos provérbios populares, tratados pelos reverendos Drs. Bacelar e Oliveira e Craveiro da Silva, da Faculdade Pontifícia de Filosofia, de Braga.

Não faltaram outros elementos universitários e académicos, participantes do Brasil, Espanha e México, os temas mais variados. Mas desejo aqui congratular-me, sobretudo, com o apoio e interesse manifestados ao Congresso, não só por corpos administrativos, como as Camarás Municipais de Braga -a autora da iniciativa e sua grande realizadora-, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto, e algumas juntas de província, mas também por organizações como o Secretariado Nacional da Informação e Cultura Popular, a Mocidade Portuguesa, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho, etc.

O Governo da Nação, o Governo de Salazar, dispensou ao Congresso o apoio mais expressivo, sendo notáveis os discursos proferidos no mesmo pelos ilustres Ministro das Corporações e Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Verificou-se, assim, este facto altamente consolador: é que de sectores os mais variados da vida nacional, de todos os planos hierárquicos, dos domínios directamente ligados ao assunto como de outros, do Governo ao próprio povo - como o de Braga e como o que participou nos festivais folclóricos então realizados-, houve geral concordância no reconhecimento do vasto e profundo significado da bela iniciativa da Câmara de Braga, e especialmente do seu extraordinário presidente.

Como ó oportuna e confortante tal verificação, precisamente quando nesta Assembleia se está discutindo o Plano de Formação Social e Corporativa, marcando-se o desejo de, abrindo os braços a todos os progressos reais e fecundos, conservar as melhores e mais sãs tradições nacionais!

O Congresso emitiu numerosos votos, como em matéria de ensino, investigação, propaganda, museus, protecção, etc., de assuntos etnográficos e folclóricos. Sublinharei apenas, neste instante, os que dizem respeito às actividades ultramarinas nesse domínio e à recusa ao fado do título, tão correntemente usado, de canção nacional por excelência.
O estudo da etnografia e folclore das populações ultramarinas mereceu ao Congresso uma atenção especial, salientando-se a necessidade dessa matéria nos centros de estudos sociais e políticos e nos novos institutos de investigação cientifica de Luanda e Lourenço Marques, entre as ciências humanas ou sociais.

Quanto ao fado, proclamou-se o inconveniente nacional e folclórico da sua difusão excessiva, quer pela sua proveniência, quer pelo pessimismo e desanimo que traduz, em contradição com as fontes e as manifestações mais autenticas e construtivas da inspiração popular. O fado lembra as guitarras plangentes de Alcácer, não um brado de vitória ou de fé.

Não pretendo negar a beleza de alguns fados, das toadas mais melancólicas, de versos profundamente tristes. Mas não se chame canção nacional por excelência a uma canção folclòricamente tão discutível e tão distinta, em tudo, das belas, joviais e empolgantes canções de que é felizmente tão rico. O autentico folclore nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Vi um dia, num festival folclórico, no Porto, centenas de visitantes estrangeiros, como um só homem, perante uma exibição de ranchos de Viana, erguerem-se a aplaudir e a gritar: «Viva Portugal»! Em vez do fado depressivo, como não hão-de ser estimulantes e gratas para nós, Portugueses, essas manifestações da nossa música popular que tom assim o dom de arrebatar os próprios estrangeiros?

Sem recusar a possibilidade de introdução e adopção de factos novos, ou seja do processo chamado de aculturação pelos etnógrafos e sociólogos, o Congresso pronunciou-se pela definição do facto etnográfico e folclórico como caracterizado por serem tradicionais e de origem espontânea e anónima na alma popular.

A aculturação só pode dar-se quando esta alma lhe é favorável, quando nesta encontra eco, aceitação, concordância psicológica. Nos nossos territórios ultramarinos é do maior interesse o estudo da aculturação das populações nativas sob a influência da cultura que tenho chamado luso-cristã.

Por estas singelas considerações creio ter dado uma ideia da importância nacional e científica do Congresso de Braga. Mas o que sobretudo desejei sublinhar, usando da palavra, foi a gratíssima impressão que congressistas nacionais e estrangeiros trouxeram do convívio, da hospitalidade, da afabilidade, da cortesia, do trato, da doçura, do irradiante poder de simpatia, da boa gente de Braga e do Minho, daquele admirável povo em que se conservam e florescem tantas virtudes tradicionais de suavidade de alma, de bondade, de apego ao lar, de dedicação pelo trabalho, de amor pelo seu berço e de fidelidade aos altos valores espirituais que garantem a perenidade da Pátria e da civilização.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Posso depor com firmeza que na multidão que em avalancha jovial festejava o S. João, na noite de 23, em Braga, não vi senão atitudes simpáticas e dignas. Quem dava involuntariamente um encontrão pedia desculpa.

Ausência de palavrões, de qualquer grosseria, de brutalidade. Bom povo, admirável povo, que a dissolução tendenciosa de outros meios ainda não inquinou nem perverteu.

Tenho a certeza de que a acção de organizações como as que citei manterá indemnes a sua alma e as suas tradições sãs contra a vaga cosmopolita ou exótica de materialismo pretensamente científico e humano que ameaça subverter o que há de melhor e mais luminoso no património moral da nossa civilização. Bom povo de Portugal, porque creio em ti e nos valores espirituais que te animam, creio na eternidade da Pátria.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.



publicado por Carlos Gomes às 15:20
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016
QUANDO VISITA OFICIALMENTE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA O TERRITÓRIO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA?

À semelhança do que se verificou com as recentes celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, estas comemorações deverão ocorrer no futuro junto das comunidades portuguesas radicadas noutros países. Existe, porém, um território que, não obstante pertencer de jure a Portugal, encontra-se desde há mais de dois séculos sob administração de Espanha – trata-se do concelho de Olivença, Tálega incluída – que até ao momento não recebeu a visita oficial do Presidente da República.

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Apesar do tempo já percorrido desde a ridícula “guerra das laranjas” e das gerações que entretanto se sucederam ao longo de mais de duzentos anos, os oliventinos de origem portuguesa guardam com nostalgia a sua identidade como podem na esperança de que um dia a terra que os viu nascer regresse à Pátria a que verdadeiramente pertence: Portugal. A comprovar tal sentimento patriótico, basta referir o grande número de pedidos de atribuição da nacionalidade portuguesa que ultimamente se vem verificando, pese embora as alterações demográficas que se registaram ao longo do tempo.

Com uma área superior a 430 quilómetros quadrados – correspondendo ao triplo da área das cidades de Lisboa e Porto juntas! – Olivença faz parte de Portugal desde a celebração do tratado de Alcanizes celebrado em 1297.

À altura da ocupação, integravam o concelho de Olivença as freguesias de Santa Maria do Castelo, Santa Maria Madalena, São Jorge da Lor, São Domingos de Gusmão e Tálega. Vila Real, entretanto anexada a Olivença, fazia até então parte do concelho de Juromenha, localidade que agora integra o município do Alandroal.

O território português de Olivença, situado na margem esquerda do rio Guadiana, permanece ocupado por Espanha desde 1801. Em 1817, ao abrigo do Tratado de Viena, Espanha reconheceu a soberania portuguesa e comprometeu-se a devolver o território à soberania portuguesa, compromisso que nunca honrou até ao momento.

O Estado Português não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença, razão pela qual falta ainda demarcar a fronteira entre os dois países entre entre as confluências do Guadiana com o rio Caia (a norte) e a ribeira de Cuncos (a sul), não estando colocados os marcos fronteiriços entre o 801 e o 900, na zona adjacente ao território histórico de Olivença.

Não faltam as razões que fundamentem do ponto de vista jurídico a reclamação de Portugal relativamente a Olivença nem tão pouco os argumentos de ordem moral que lhe assistem: a Espanha deve honrar os seus compromissos e respeitar um país cujo relacionamento sempre se pautou pela amizade e boa vizinhança. E, em nome de Portugal, o Presidente da República jamais se deveria inibir a efetuar uma visita oficial a Olivença e ali celebrar o Dia de Portugal, levando aos oliventinos – Portugueses de Olivença! – uma palavra de afeto e esperança!

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publicado por Carlos Gomes às 19:14
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OURÉM EVOCA DIÁSPORA E CULTURA JUDAICA

Fora da Estante: Diáspora e Cultura Judaicas

01 a 30 de Setembro

Biblioteca Municipal de Ourém

No mês em que o Município de Ourém realiza o “Vila Medieval em Setembro” a Biblioteca Municipal destacará, durante todo o mês, obras sobre a Diáspora e a Cultura Judaicas (tema da edição de 2016) que integram o seu acervo bibliográfico.

De segunda a sexta-feira das 9h00 às 17h00 (horário ininterrupto)

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publicado por Carlos Gomes às 10:24
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2016
O ZOROASTRISMO E A SUA INFLUÊNCIA NO JUDAÍSMO E NO CRISTIANISMO

O zoroastrismo é a religião monoteísta viva mais antiga (apareceu entre 1550 AEC e 1200 AEC, numa altura em que o judaísmo tinha um caráter muito politeísta) e influenciou muito o islamismo (em especial o xiita), o judaísmo e o cristianismo.

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Dele provém por exemplo o conceito de paraíso (pairidaeza) e influenciou muito a religião judaica, durante o exílio na Mesopotâmia como por exemplo a proibição da adoração de imagens sagradas (todo o texto de Isaías na Bíblia é de raiz zoroastriana),o monoteísmo rigoroso (até então o judaísmo era confusamente politeísta) e o puritanismo austero (a purificação dos judeus apregoada por Esdras ter-se-á dado a partir da Pérsia) uma vez que o zoroastrismo era a religião oficial do império persa, sendo o imperador persa Ciro II visto como o “Messias de Jeová” ou o “ungido de Jeová”. O paradoxo é que o título é concedido a um soberano estrangeiro, que não conhece Jeová (“Embora não me conheças, eu te cinjo”, no Deuteronómio de Isaías).

Adotaram então a crença zoaroastrista da vida após a morte, os conceitos de céu e inferno e do julgamento final e do apocalipse muito diferentes do judaísmo de antes da invasão persa. O princípio dualista do zoroastrismo manifesta-se na doutrina das duas eras, uma era presente (de impiedade) que se opõe a uma era futura (de justiça). Com a invasão alexandrina e o helenismo, o judaísmo absorve novos conceitos: o conceito grego da imortalidade da alma e a ideia da ressurreição corporal do zoroastrismo.

Hoje em dia há duas seitas, geograficamente delimitadas (sem contar com os zoroastristas na diáspora, que devem ser tantos como o total dos que existem no Irão e na Índia, um dos quais era o vocalista dos Queen, Freddie Mercury, um zoroastrista parsi, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara. No Irão há 35.000 zoroastristas – segundo o governo iraniano – ou 60.000 segundo as autoridades religiosas zoroástricas.

Os zoroastristas iranianos, (cuja cidade sagrada é Yazd, se bem que haja muitos também em Teerão e Kerman) são mais abertos, aceitam casamentos com não-zoroastristas e tentam ativamente converter outras pessoas. Os zoroastristas indianos, concentrados no no Estado do Gujarate, chamados Parsis (de Persa), são mais fechados, só aceitam casamentos endógenos, porque se consideram uma raça “pura” e desencorajam o proselitismo e a conversão de estranhos. Isto é curioso: o ramo que procura conversões está num país onde 99% da população é muçulmana, na maioria xiitas duodecimanos, religião que não permite a saída para outra religião; o ramo parsi, que não admite a conversão de outros, está na Índia, país onde a conversão para outras religiões é livre, exceto para os muçulmano. Dá Ahura Mazda nozes a quem não tem dentes…

No Irão, além dos muçulmanos de várias confissões (incluindo os bahá’is, ramo divergente do xiismo, considerado herético e proibido mas que mesmo assim tem cerca de 350.000 fiéis), são reconhecidas pelo Estado e protegidas (com direito a um assento no parlamento cada uma, as religiões judaica (com 25.000 praticantes, a maior comunidade judaica num país muçulmanos), cristã (300.000, sendo 200.000 da igreja apostólica arménia, sendo os restantes protestantes e da igreja assíria; também são considerados cristãos, e como tal protegidos pela lei, os gnósticos mandeístas que porém não se reconhecem a si próprios como cristãos e por isso se consideram discriminados pelo governo – que não liga nenhuma às suas queixas e continua a classifica-los como cristãos; note-se uma coisa interessante: considera-se que o conceito de diabo nas igrejas cristãs provém do islamismo iraniano e não do judaísmo) e os zoroastristas.

Nuno Miranda

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publicado por Carlos Gomes às 11:41
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Domingo, 28 de Agosto de 2016
OURÉM REGRESSA À IDADE MÉDIA E EVOCA PRESENÇA JUDAICA

Diáspora e cultura judaica é o tema que inspira a próxima edição do Festival de Setembro de 2016,” que decorre nos dias 10 e 11 de setembro no Centro Histórico de Ourém. Durante dois dias, a Vila Medieval vai ter uma cenografia que transporta os públicos para a herança histórica e as marcas culturais deixadas pelos judeus em Ourém. Este projeto cultural parte da forte base identitária de Ourém, valorizando o património e a história da Vila Medieval, e cruza-se com outras culturas e trajetórias identitárias, no país e no mundo, através da diáspora e do transnacionalismo.

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Rodrigo Leão, referência incontornável no panorama musical português, Melech Mechaya e Pás de Problème, são as bandas nacionais de uma vasta programação que inclui concertos, dança, cinema, literatura, conferências, gastronomia, caça ao tesouro para os mais novos e visitas guiadas pelos patrimónios da Vila Medieval.

Destacam-se as conferências sobre a herança judaica, por Saul António Gomes, Carlos Veloso e Gabriel Steinhardt (presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa); o lançamento do livro “A Inquisição em Ourém”, de Jorge Martins; a mostra de cinema e cultura "Judaica”, com a presença da sua diretora, Elena Piatok; e o espetáculo de dança contemporânea “diáspora e cultura judaica” pela Arabesque.

A dinamização nas ruas é contínua! À música antiga sefardita trazida pelas Louçanas, juntam-se os “dramaticamente rejubilantes” Drama e Beiço, e sucessivos concertos, em vários locais do burgo, que incluem participações das três bandas filarmónicas de Ourém, da AMBO e da Ourearte. Os restaurantes, as praças e o castelo vão ter gastronomia de inspiração judaica servida por restaurantes e coletividades.

A organização é do Município de Ourém. Associam-se várias parcerias, como as da OurémViva, Fundação da Casa de Bragança, Turismo do Centro, Instituto Politécnico de Tomar, Juntas de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias e Piedade, Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes no evento.

Trânsito condicionado na Vila Medieval

O Festival irá obrigar a medidas restritivas durante esse fim-de-semana, designadamente o corte de trânsito e restrições de estacionamento (salvaguardando emergências e situações fundamentadas). Os moradores/proprietários de estabelecimentos poderão levantar livros de trânsito na Galeria da Vila Medieval – Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias entre os dias 1 e 8 de setembro. Poderão utilizar estritamente o estacionamento municipal situado na encosta poente do castelo, excepto para cargas e descargas até 15 minutos para abastecimentos necessários no âmbito do evento.

Pedimos antecipadamente compreensão pelos constrangimentos que estas medidas possam causar, assim como solicitamos o melhor envolvimento nesta iniciativa que se propõe dinamizar a Vila Medieval potenciando as suas melhores qualidades patrimoniais e históricas e valorizando a comunidade de Ourém.

Neste contexto, o Município de Ourém disponibilizará transporte gratuito de passageiros nos dias 10 e 11 de setembro, a partir do Centro de Negócios de Ourém até à Vila Medieval.

PROGRAMA

DIA 10 – SÁBADO

11h00 - Visita encenada à cripta do Conde de Ourém

Local: Largo da Colegiada

15h00 - Abertura oficial

Sabores de inspiração judaica

Música - Drama e Beiço

Local: Largo da Colegiada

15h30 - Conferências sobre a herança judaica

Saul António Gomes: “A presença judaica em Terras de Ourém

Carlos Veloso (Instituto Politécnico de Tomar): “Imagem do Judeu na Cultura Portuguesa
Gabriela J. Benner: "A imagem do judeu na arte medieval na Península Ibérica"

Local: Galeria da Vila Medieval

16h30 - Música - Drama e Beiço

Local: Castelo

17h15 - Música - Associação Filarmónica 1.º de Dezembro

Local: Largo do Pelourinho

17h30 - Judaica, Mostra de Cinema e Cultura

Direção de Elena Piatok

Documentário: A Escandalosa Sophie Tucker

Realizador: William Gazecki

EUA I 2015 I 96’

Inglês; leg. Português

Local: Galeria da Vila Medieval

18h00 - Música - Drama e Beiço

Local: Largo da Colegiada

18h30 - Danças tradicionais da Europa

Local: Largo da Colegiada

20h00 - Música - Sociedade Filarmónica Ouriense

Local: Largo da Colegiada

21h00 Música - Drama e Beiço

Local: Largo do Pelourinho

22h00 - Concerto Melech Mechaya

23h30 - Concerto Pás de Problème

Local: Castelo

DIA 11 – DOMINGO

9h30 - Curto-circuito “As vinhas do Vale das Silveiras”

Local: Largo do Pelourinho

10h00 - Caça ao tesouro “Houve sinagoga em Ourém!”

Local: Largo da Colegiada

12h00 - Sabores de inspiração judaica (início)

14h00 - Música sefardita - As Louçanas

Local: Largo da Colegiada

15h00 - Espetáculo de dança contemporânea Diáspora e cultura judaica – Arabesque

Local: Castelo

15h45 - Música de inspiração judaica – AMBO

Local: Largo D. João Manso

16h00 - Lançamento do livro A Inquisição em Ourém, de Jorge Martins

Intervenção do Presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa, Gabriel Steinhardt
Local: Pousada Conde de Ourém

17h00- Música sefardita - As Louçanas

Local: Castelo

17h30 - Música Ourearte

Local: Largo do Pelourinho

18h00 - Judaica, Mostra de Cinema e Cultura

Direção de Elena Piatok

Documentário: Faça Hummus, Não Guerra

Realizador: Trevor Graham

Austrália | 2012 |77'

Inglês, árabe e hebraico; leg. português

18h30 - Danças tradicionais da Europa

Local: Largo da Colegiada

19h30 - Música sefardita - As Louçanas

Local: Largo da Colegiada

21h30 - Concerto Rodrigo Leão (Castelo)

Transfer entre o Centro de Negócios (cidade) e o Largo da Colegiada (Vila Medieval) durante o horário do festival

Organização: Município de Ourém

Parceiros:

- OurémViva

- Fundação da Casa de Bragança

- Turismo do Centro

- Rede Portuguesa de Judiarias

- Instituto Politécnico de Tomar

- JUDAICA

- Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias

- Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Piedade

- Pousada Conde de Ourém

- Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes

Agradecimentos: Menemsha Fils; Yarra Bank Films



publicado por Carlos Gomes às 22:59
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2016
OURÉM REGRESSA À IDADE MÉDIA

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publicado por Carlos Gomes às 10:23
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Terça-feira, 23 de Agosto de 2016
OURÉM GANHA NOVA VIDA COM FESTIVAL “VILA MEDIEVAL EM SETEMBRO”

Nos dias 10 e 11 de setembro Ourém vai receber o festival Vila Medieval em Setembro, este ano com o tema “Diáspora e Cultura Judaica”.

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Durante dois dias, a Vila Medieval vai ter uma cenografia que transporta os públicos para a herança histórica e as marcas culturais deixadas pelos judeus em Ourém. Este projeto cultural parte da forte base identitária de Ourém, valorizando o património e a história do burgo medieval, e cruza-se com outras culturas e trajetórias identitárias, no país e no mundo, através da diáspora e do transnacionalismo.

O festival Vila Medieval em Setembro resulta de uma parceria desenvolvida pelo Município de Ourém e pela Fundação da Casa de Bragança, assinada há dois anos pelo então presidente da Fundação, Marcelo Rebelo de Sousa. (foto do momento da assinatura em anexo).

Para Paulo Fonseca, presidente da Câmara Municipal de Ourém, “esta parceria pretende dar um novo impulso de dinâmica naquilo que é a propriedade da Fundação e que se encontra sob a gestão municipal, através de um contrato de comodato.” Segundo o autarca, “a estratégia deste festival é dinamizar o encanto e a história da Vila Medieval, por um lado, e por outro trazer à luz do dia uma temática diferente. No ano passado foi o mediterrâneo e este ano vamos valorizar a temática judaica.” Neste contexto Paulo Fonseca adiantou que foram dadas instruções para que o Município adquira uma pretensa sinagoga que ali existiu, cujas ruínas ainda se encontram visíveis. Depois da aquisição, este imóvel passará para a propriedade do Município.

Sobre o Festival propriamente dito, Paulo Fonseca ambiciona que durante dois dias, a Vila Medieval de Ourém “seja um local de grande dinâmica, diversão e aprendizagem cultural”.

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Rodrigo Leão, Melech Mechaya e Pás de Problème

Rodrigo Leão, referência incontornável no panorama musical português, Melech Mechaya e Pás de Problème, são as bandas nacionais de uma vasta programação que inclui concertos, dança, cinema, literatura, conferências, gastronomia, caça ao tesouro para os mais novos e visitas guiadas pelos patrimónios da Vila Medieval.

Destacam-se as conferências sobre a herança judaica, por Saul António Gomes, Carlos Veloso e Gabriel Steinhardt (presidente da direção da Comunidade Israelita de Lisboa); o lançamento do livro “A Inquisição em Ourém”, de Jorge Martins; a mostra de cinema e cultura "Judaica”, com a presença da sua diretora, Elena Piatok; e o espetáculo de dança contemporânea “diáspora e cultura judaica” pela Arabesque.

A dinamização nas ruas é contínua! À música antiga sefardita trazida pelas Louçanas, juntam-se os “dramaticamente rejubilantes” Drama e Beiço, e sucessivos concertos, em vários locais do burgo, que incluem participações das três bandas filarmónicas de Ourém, da AMBO e da Ourearte. Os restaurantes, as praças e o castelo vão ter gastronomia de inspiração judaica servida por restaurantes e coletividades.

A organização é do Município de Ourém. Associam-se várias parcerias, como as da OurémViva, Fundação da Casa de Bragança, Turismo do Centro, Instituto Politécnico de Tomar, Juntas de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias e Piedade, Restaurantes da Vila Medieval e coletividades participantes no evento.

Trânsito condicionado na Vila Medieval

O Festival irá obrigar a medidas restritivas durante esse fim-de-semana, designadamente o corte de trânsito e restrições de estacionamento (salvaguardando emergências e situações fundamentadas). Os moradores/proprietários de estabelecimentos poderão levantar livros de trânsito na Galeria da Vila Medieval – Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias entre os dias 1 e 8 de setembro. Poderão utilizar estritamente o estacionamento municipal situado na encosta poente do castelo, excepto para cargas e descargas até 15 minutos para abastecimentos necessários no âmbito do evento. 

O Município de Ourém disponibilizará transporte gratuito de passageiros nos dias 10 e 11 de setembro, a partir do Centro de Negócios de Ourém até à Vila Medieval.

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publicado por Carlos Gomes às 10:18
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Sábado, 9 de Julho de 2016
CEPAE DIVULGA PATRIMÓNIO DE OURÉM

No intuito de desenvolver o gosto pela investigação no âmbito da História Local e do Património do distrito de Leiria e do concelho de Ourém, que representam um património da mais elevada importância para a cultura nacional, Ricardo Charters d’ Azevedo instituiu e solicitou ao CEPAE | Centro do Património da Estremadura que promovesse, em parceria com a CML | Câmara Municipal de Leiria e o IPL | Instituto Politécnico de Leiria e ADLEI | Associação para o Desenvolvimento de Leiria, o Prémio ‘Villa Portela’ de que a edição de 2016 será a terceira, destinado a galardoar trabalhos naquele âmbito.

Com a instituição do Prémio Villa Portela, Ricardo Charters d’ Azevedo pretende homenagear os seus antepassados, que viveram na propriedade com aquele nome, lugar emblemático da cidade e da região.

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Terça-feira, 28 de Junho de 2016
CENTRO DO PATRIMÓNIO DA ESTREMADURA PROMOVE PRÉMIO DE INVESTIGAÇÃO EM HISTÓRIA LOCAL DEDICADO AO DISTRITO DE LEIRIA E CONCELHO DE OURÉM

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publicado por Carlos Gomes às 18:45
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Sábado, 28 de Maio de 2016
HÁ 90 ANOS, TEVE INÍCIO EM BRAGA A REVOLUÇÃO NACIONAL QUE DERRUBOU A PRIMEIRA REPÚBLICA E ABRIU CAMINHO À INSTAURAÇÃO DO ESTADO NOVO

Passam precisamente 90 anos sobre a data em que um levantamento militar, então denominado por Revolução Nacional, derrubou o regime instaurado dezasseis anos antes e que, ao longo da sua curta existência, se caraterizou por uma grande instabilidade política e uma profunda crise económica.

Entre os protagonistas do movimento que em 1926 instaurou a ditadura militar contavam-se muitos republicanos que antes haviam participado na implantação da República, em 1910 e que apostavam agora na regeneração do próprio regime. Pese embora as semelhanças entre a situação vivida à época e as atuais circunstâncias não constituam mais do que meras coincidências, os acontecimentos que então se viveram não devem deixar de constituir um motivo de reflexão.

“Em 28 de Maio de 1926 ocorre um levantamento militar no norte de Portugal, com o objectivo de tentar repor a ordem no país, que durante os últimos dois anos (desde 1924) está continuamente à beira da guerra civil.

Com um movimento sindicalista completamente controlado por sectores da esquerda anarquista, que provoca incidentes violentos, criam-se condições para a instalação de um regime de terror, em que os assassinatos e os atentados terroristas se sucedem todas as semanas.

A instabilidade política atinge uma situação de pré guerra-civil com confrontos entre unidades militares e com a sublevação de unidades do exército, nomeadamente da aviação do exército (na altura não havia Força Aérea).

A instabilidade generalizada atinge um ponto de ruptura e leva alguns dos principais comandos militares a uma revolta.

A revolução propriamente dita tem origem em Braga, a capital da província do Minho, uma das regiões mais povoadas de Portugal. O comando das operações é assumido pelo General Gomes da Costa, que chega à cidade na noite do dia 27.

A 28 de Maio, uma Sexta-feira é proclamado o movimento militar e inicia-se a movimentação de forças desde Braga para Lisboa. Ao longo do dia seguinte, Sábado, 29 de Maio, unidades militares de todo o país declaram o seu apoio aos militares golpistas, enquanto que em Lisboa a chefia da polícia também adere ao golpe.

Gomes da Costa comanda em Braga as forças do Regimento de Infantaria nº 8.

No entanto, opõem-se-lhe as forças comandadas desde o Porto pelo comandante da III Divisão do exército, Gen. Adalberto Sousa Dias, que manda as suas tropas avançar em direcção a Braga e assumir posições defensivas em Famalicão, a meio caminho entre o Porto e a cidade revoltosa.

Mas no dia seguinte, 29 de Maio, são anunciadas adesões ao golpe por parte de divisões militares com base em Vila Real, Viseu, Coimbra, Tomar e Évora (4ª Divisão), isolando as forças do Porto.

No Domingo, 30 de Maio o comandante da III Divisão anuncia que as suas forças também aderem ao golpe, deixando assim o caminho livre para as tropas de Gomes da Costa que marcham pelo Porto sem oposição.

O governo em Lisboa, verificando não ter qualquer capacidade para controlar a situação, apresenta a demissão ao Presidente da República Bernardino Machado.

Na Segunda-feira dia 31, o poder está formalmente nas mãos de Mendes Cabeçadas, com a resignação oficial de Bernardino Machado, embora nesse mesmo dia ainda ocorra a última sessão da Câmara dos Deputados e do Senado. O palácio de S. Bento, será encerrado na tarde dessa Segunda-feira pela GNR, e só voltará a receber deputados eleitos, 49 anos depois, em 1975.

Na Terça-feira, dia 1 de Junho, quatro dias depois de a coluna de tropas revoltosas ter saído de Braga, encontra-se em Coimbra, onde o líder da revolta militar declara a formação de um triunvirato governativo ao qual presidirá e que será também constituído por Mendes Cabeçadas e Armando Ochoa.

O movimento militar, transforma-se então numa autêntica revolução com a adesão de inúmeros sectores da sociedade portuguesa, desejosos de acabar com o clima de terror e violência que se tinha instalado no país.

No dia 3 de Junho, Quinta-feira, as tropas de Gomes da Costa chegam a Sacavém, e a situação aparece confusa, pois não há exactamente a certeza de quem deverá formar parte do novo governo. Entre as novas figuras, surge a do crucial Ministro das Finanças, um professor de Coimbra, que mais tarde assumirá a chefia do Governo, Oliveira Salazar.

No dia seguinte, Sexta-feira, 4 de Junho, o comando é transferido para a Amadora, onde chegam também forças da 4ª Divisão vindas de Évora.

No dia 7 de Junho de 1926, as várias colunas militares que entretanto se formaram efectuam uma parada militar em Lisboa que serve também como afirmação de força, na qual participam 15.000 homens.

A revolução implantou um regime militar que duraria formalmente até 1933, sendo seguido pela aprovação de uma nova Constituição e pela institucionalização do «Estado Novo», um regime autocrático em parte inspirado no movimento fascista italiano que tinha acabado de despontar em Itália, mas controlado pelos sectores católicos conservadores portugueses.

O regime implantado com a revolução de 28 de Maio, conseguiu recuperar da situação económica absolutamente caótica a que a chamada «República Laica» o tinha feito chegar após o golpe de 5 de Outubro de 1910.

No entanto, embora tivesse recuperado a economia do país, o regime implantado em 28 de Maio de 1926, entrou por sua vez (após o final da II Guerra) num lento processo de apodrecimento que acabaria por conduzir a um outro movimento de contornos idênticos, também dirigido pelos militares em 25 de Abril de 1974, que como o movimento de 28 de Maio, triunfaria por causa do enorme apoio que teve nas ruas.”

Fonte: http://www.areamilitar.net

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publicado por Carlos Gomes às 00:44
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Domingo, 8 de Maio de 2016
“A PENA E A LANÇA” – UM LIVRO DA AUTORIA DO VICE-ALMIRANTE ANTÓNIO SILVA RIBEIRO ATRAVÉS DO QUAL SE REALÇA A IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA E DA LITERATURA NA CELEBRAÇÃO DOS GRANDES FEITOS MILITARES

Inspirado no Canto V d’Os Lusíadas, o livro “A Pena e a Lança” da autoria do Vice-almirante António Silva Ribeiro é um “Ensaio sobre o pouco conhecimento e a rara celebração dos feitos militares e dos heróis nacionais”. Trata-se de uma edição de autor e é dedicada ao Professor Doutor Adriano Moreira por “no Instituto Superior naval de Guerra (ISNG), no ano lectivo de 1989-1990, ter despertado em mim o gosto pelo estudo das Humanidades”.

Fundamentando os argumentos em acontecimentos históricos da antiguidade clássica ou mais modernamente nos feitos dos portugueses celebrados através do poema épico de Os Lusíadas, constitui esta obra um estudo da maior atualidade e pertinência porquanto procura realçar a importância da História e da Literatura na celebração dos grandes feitos bélicos protagonizados pelos portugueses. E, a comprovar a validade da sua tese, dá como exemplo a forma como passaram despercebidas as comemorações recentes do 6º Centenário da tomada de Ceuta, empreendimento no entanto considerado a todos os títulos notável.

Em forma de justificação, o autor recorre ao insigne poeta Luís Vaz de Camões quando este afirma através dos seus versos “Enfim não houve forte Capitão / Que não fosse também douto e ciente”, para concluir que “não basta ser um militar valoroso, capaz de cometer façanhas bélicas invulgares”, mas que “os líderes militares precisam de ter, igualmente, instrução e sabedoria para transmitirem essas ações através da escrita, como fazem os heróis dos outros países, a quem não falta eloquência. Em sua opinião, Portugal produz gente de enorme heroísmo e grande valia bélica, mas, por ser rude e inculta, dificilmente dai da penumbra da História”.

O Vice-almirante António Silva Ribeira é natural do concelho de Pombal e possui vasta obra publicada de entre a qual salientamos “A Hidrografia nos Descobrimentos Portugueses” e a “Cartografia Naútica Portuguesa dos Séculos XV a XVII”. É um académico especializado nas áreas de Estratégia, Ciência Politica e História, lecionando e supervisionando investigações em algumas das principais Universidades e Centros de Investigação de Portugal. Tem uma extensa obra publicada, e é orador habitual em conferências sobre Assuntos Militares e Políticos, Relações Internacionais e Estratégia.

É professor catedrático convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, professor militar da Escola Naval e professor coordenador do Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração. O seu principal tema de investigação é o planeamento estratégico, embora se interesse por estratégia marítima, estratégia militar, política internacional, sociologia militar, história militar, história marítima e história da hidrografia.

O Vice-almirante Silva Ribeiro é membro do Grupo de Estudos e Reflexão Estratégica de Marinha, da Academia de Marinha, do Centro de Estudos do Mar, da Liga dos Combatentes, do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, do Centro Português de Geopolítica, da Comissão Portuguesa de História Militar, da Revista Militar, da Revista Nação e Defesa, da Revista Segurança e Defesa, do Clube Militar Naval, do Clube Náutico de Oficiais e Cadetes da Armada, do Grupo de Amigos de Olivença, da Revista de Relações Internacionais e da Revista de Ciências Militares.

Foto: Revista da Armada



publicado por Carlos Gomes às 17:48
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Sábado, 23 de Abril de 2016
HOJE É DIA DE S. JORGE

Hoje é o dia que os cristãos consagram a S. Jorge. De acordo com a tradição, terá sido um soldado romano do exército do Imperador Diocleciano, altura de grandes perseguições aos cristãos, mandado degolar por não ter renunciado à sua fé e, consequentemente, venerado como mártir cristão.

Durante a Idade Média surgiram à sua volta, diversas lendas, uma das quais relata ter existido em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia sacrifícios humanos. Tendo em dada altura caído a sorte à filha única do rei, S. Jorge, que acabava de chegar àquela cidade na altura precisa em que a vítima ia ser imolada, prestou-se para a libertar, o que conseguiu. Uma vez derrotado o dragão, rei e povo converteram-se de imediato ao Cristianismo.

Remonta ao século XII a introdução do culto a S. Jorge em Portugal, através dos cruzados que vinham combater nas hostes de D. Afonso Henriques nomeadamente a quando da tomada de Lisboa aos mouros. Porém, a sua invocação em forma de grito de guerra começou contudo durante o reinado de D. Afonso IV e teve como objetivo demarcar-se da invocação de S. Tiago Mata-mouros que era feita pelos exércitos leoneses. Até então, nas suas batalhas de Reconquista contra os mouros, os cavaleiros portugueses também invocavam: Por S. Tiago!

Mas foi sobretudo a partir do reinado de D. João I que este culto veio a adquirir verdadeira dimensão nacional, passando a partir de então a sua imagem a integrar a procissão do Corpo de Deus. Ainda hoje, a sua simbologia é empregue nos meios castrenses, principalmente para representar o exército português.

O culto a S. Jorge adquiriu verdadeira feição popular e nacionalista, conservando-se nos dias que correm algumas manifestações culturais que evocam a lenda de S. Jorge e, por seu intermédio, as lutas travadas pelos portugueses contra o invasor castelhano-leonês, numa reconfiguração da luta entre o Bem e o Mal.

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Nas margens do rio Minho onde as veigas verdejantes da Galiza se alcançam em duas braçadas, as gentes minhotas do concelho de Monção mantêm um velho costume que consiste em celebrar todos os anos, por ocasião dos festejos do Corpo de Deus, o lendário combate travado entre S. Jorge e o Dragão.

A luta tem lugar na Praça de Deu-La-Deu cujo nome consagrado na toponímia local evoca a heroína que com astúcia conseguiu que as forças leonesas levantassem o cerco que impunham àquela praça. Perante uma enorme assistência, a coca - nome pelo qual é aqui designado o dragão! - procura, pesadamente e com grande estardalhaço, escapar à perseguição que lhe é movida por S. Jorge que, envolto numa longa capa vermelha e empunhando alternadamente a lança e a espada, acaba invariavelmente por vencer o temível dragão.

O dragão é representado por um boneco que se move com a ajuda de rodízios, conduzido a partir do exterior por dois homens e transportando no seu bojo outros dois que lhe comandam os movimentos da cabeça. Depois de o guerreiro lhe arrancar os brincos que lhe retiram a força e o poder, a besta é vencida quando S. Jorge o conseguir ferir mortalmente introduzindo-lhe a lança ou a espada na garganta, altura em que de uma bolsa alojada do seu interior escorre uma tinta vermelha que simula o sangue da coca.

- Por S. Jorge!



publicado por Carlos Gomes às 10:30
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016
MUSEU MUNICIPAL DE OURÉM PROMOVE RECOLHA DE FOTOS ANTIGAS DO CONCELHO

O Museu Municipal de Ourém promove uma campanha de recolha de fotos antigas de Ourém, Vila Medieval e Núcleo Histórico de Ourém, com vista a integrar uma exposição temporária retrospectiva de imagens que retratam a história de Ourém desde finais do Século XIX.

A exposição tem inauguração agendada para Julho de 2016, na Casa do Administrador. Todos os munícipes interessados em partilhar este tipo de material, poderão fazê-lo através da entrega de fotografias antigas.

A recolha será feita durante o mês de Abril, sendo que, os originais serão devolvidos aos respectivos proprietários e devidamente mencionados na exposição.

A entrega das imagens poderá ser feita, na Oficina do Património (edifício situado ao lado do café central) de 2ª a 6ª feira: 09-13h/14-17h.



publicado por Carlos Gomes às 15:11
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016
MUSEU DE ARTE SACRA E ETNOLOGIA DE FÁTIMA PROMOVE CURSO LIVRE SOBRE “O TEMPO DOS ESTILOS UNITÁRIOS: A ARTE EUROPEIA ENTRE A BAIXA IDADE MÉDIA E O INÍCIO DA ÉPOCA CONTEMORÂNEA”

O CONSOLATA MUSEU |Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, vai promover de 5 de maio a 16 de junho o Curso Livre “O tempo dos estilos unitários: a arte europeia entre a Baixa Idade Média e o início da Época Contemporânea”.

O curso decorrerá às quintas-feiras, das 18h45 às 20h15, onde se abordarão os diferentes contextos artísticos do Românico, Gótico, Renascimento, Maneirismo, Barroco, Rococó, Neoclássico e Romantismo.

O curso será orientado por Sónia Vazão, licenciada em História, Variante de História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Este curso encontra-se aberto a todos os que se interessam por esta área, independentemente da sua formação profissional.

A data limite de inscrição é 3 de maio, estando limitado a 25 vagas. Informações através do n.º de telefone 249 539 470 ou do e-mail museuartesacra@consolata.pt. Inscrições online através do endereço http://masefatima.blogspot.com

Temas:

- A renovação artística europeia: o Românico (5 de maio);

- O renascimento urbano e o novo olhar sobre o divino: o Gótico: (12 de maio);

- Da erudição elitista à erudição ao serviço do poder: o Renascimento e o Maneirismo (19 de maio);

- A celebração do triunfo: o Barroco (2 de junho);

- Da festa privada à festa cívica: o Rococó e o Neoclássico (9 de junho);

- A valorização do indivíduo e os alvores das nacionalidades: o Romantismo (16 de junho).

Síntese

Desde finais da Idade Média até meados do século XIX os vários estilos artísticos apresentaram características estéticas e morfológicas transversais aos vários territórios europeus, pese embora as particularidades geográficas próprias da assimilação das várias linguagens estilísticas.

Após a queda do Império Romano, acontecimento que tradicionalmente marca

o início da Idade Média, o território europeu desmembrou-se culturalmente, o que teve impacto na produção artística. Por exemplo, perante a dificuldade de categorizar a arte religiosa produzida na Alta Idade Média, optou-se pela designação de Paleocristã. No período medieval, o Românico foi o primeiro estilo transversal às várias disciplinas artísticas e cujos cânones estéticos característicos se difundiram por grande parte do território europeu, com diferentes impactos. Outro dos estilos medievais foi o Gótico, muito ligado ao renascimento urbano europeu e a um novo olhar sobre o divino.

Nos finais do século XV-XVI as mudanças sentidas no território europeu a nível cultural foram sintetizadas num estilo artístico designado de Renascimento, que reintroduz a gramática clássica na arte produzida. O entanto, as tensões religiosas do século XVI ditaram uma cisão na cristandade ocidental com repercussões culturais significativas que moldaram, de forma diferenciada, o Maneirismo e o Barroco. A estética do Rococó e a estética do Neoclássico, de características muito díspares entre si, dominaram parte do século XVIII e atestam as mudanças que se estavam a operar no território europeu neste período, sobretudo devido ao Iluminismo.

No século XIX o panorama artístico foi primeiramente dominado pelo Romantismo, que é considerado o último estilo artístico unitário. Posteriormente surgiram movimentos e correntes estéticas de diferentes implantações geográficas, mas que não atingiram a transversalidade e abrangência disciplinar de um estilo.

Nota curricular

Sónia Vazão é licenciada em História, Variante de História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Além da atividade de docente em várias escolas do ensino básico e secundário, colaborou com o Museu Grão Vasco e com a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais como técnica de inventário. Assegurou a disciplina de História da Cultura e das Artes do Curso Preparatório de Acesso ao Ensino Superior, promovido pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e a disciplina de História do Curso Preparatório para Provas M23 do mesmo estabelecimento de ensino superior. Atualmente integra a equipa do Museu do Santuário de Fátima, é responsável pela Secção de Investigação do Serviço de Estudos e Difusão da mesma instituição e pertence ao Departamento de Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima.

Horário: 18h45-20h15

Calendário: 6 sessões às quartas-feiras

05, 12, 19 de maio

2, 9, 16 de junho

Inscrições: €35 | €30 sócios da Liga dos Amigos do Museu

Número máximo: 25 inscritos

Número mínimo: 15 inscritos

Data limite de inscrições: 3 de maio

Informações e inscrições

CONSOLATA MUSEU|Arte Sacra e Etnologia

Rua Francisco Marto, 52 Apt. 5

2496-908 – FÁTIMA

Tel. 249 539 470

e.mail museuartesacra@consolata.pt

Inscrições ONLINE: http://masefatima.blogspot.com



publicado por Carlos Gomes às 10:50
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016
HÁ ÍNDIOS EM OURÉM… DO PARÁ!

Povo Tembé Tenetehara comemora hoje Dia do Índio

Em Ourém do Pará – o município homónimo de Ourém, de Portugal – habita o povo tembé, indígenas brasileiros que constituem um subgrupo dos tenetearas. Este povo comemora hoje o seu dia com tradicionais festejos.

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Os índios tembé encontram-se fixados no nordeste do Pará, nas reservas indígenas do Alto Rio Guamá onde se situa o município de Ourém e Turé-Mariquita; no noroeste do Maranhão e no Estado de Minas Gerais, respetivamente nas áreas indígenas do Alto Turiaçu e em Luísa do Vale. As fotos são de Arlindo Matos, animador cultural e proprietário da Eco-Pousada Luar Lindo.

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Histórico do contato

Em meados do século XIX, uma parte dos Tenetehara dos rios Pindaré e Caru, no Maranhão, rumaram na direção do Pará, para os rios Gurupi, Guamá e Capim, dando origem aos hoje conhecidos como Tembé (deixando no Maranhão os Guajajara). Nesses rios, ficaram sob o novo regime indigenista que acabara de ser criado, em 1845, em que cada província tinha um diretor geral (não havia um órgão indigenista encarregado de todos os índios do Império), sob cuja jurisdição ficavam os diretores de aldeia. Engajaram-se então na extração do óleo de copaíba, que era negociado com os regatões (comerciantes que percorrem os rios de barco) conforme o sistema de aviamento, isto é, de adiantamento de mercadorias a serem pagas com produtos florestais. Os regatões também se valiam dos índios para a busca de ouro, borracha, madeira de lei e como remeiros. Na extração do óleo de copaíba, a unidade de produção era a família extensa. A extração se fazia na mata, acima do nível anual de inundação, em árvores que eram poucas e dispersas, que não podiam ser sangradas na estação seguinte, o que provocava uma constante necessidade de deslocamento das famílias extensas para novas áreas ainda não exploradas. As aldeias Tembé, conseqüentemente, ou eram pequenas com localização mais ou menos permanente, ou temporariamente grandes com forte tendência à cisão.

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Os abusos e extorsões dos regatões provocaram um conflito em 1861, no alto Gurupi, em que sete Tembé mataram nove regionais. O policial encarregado de apurar os fatos espancou os índios e lhes tomou nove crianças, remetidas a Vizeu. Os índios fugiram e abandonaram sua aldeia. O governo provincial retirou os regatões da área e reuniu os moradores dispersos da aldeia de Trocateua na nova aldeia de Santa Leopoldina. Em 1862, só no alto Gurupi, havia 16 aldeamentos e, no último decênio do século XIX, havia notícia de numerosos grupos Tembé não contatados.

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A assistência aos Tembé do Gurupi por parte do SPI parece ter sido conseqüência da atividade de atração dos Ka'apor. Entre 1911 e 1929 o SPI criou três postos de atração. Em 1911, instalou o posto Felipe Camarão, junto à foz do Jararaca, afluente da margem direita do Gurupi. Parte dos Tembé do alto curso deste rio desceram para viver junto ao posto e trabalhar como intermediários na atração dos Ka'apor. Por falta de recursos, a atividade do posto cessou em 1915, embora ele só tenha sido extinto em 1950. Entre 1927 e 1929, o SPI criou mais dois postos. O Posto Pedro Dantas foi instalado na ilha Canindé-Açu, próxima ao local onde os Ka'apor costumavam atravessar o Gurupi; e o Posto General Rondon, no rio Maracassumé. Este último foi fechado em 1940, enquanto o Pedro Dantas, onde finalmente foram contatados os Ka'apor em 1928, tornou-se o atual PI Canindé. Com a instalação dos postos do SPI, os Tembé foram paulatinamente abandonando as cabeceiras do Gurupi e se instalando no curso médio do mesmo rio. Serviram ao SPI como guias, remeiros, trabalhadores nas roças e na fabricação de farinha. Mas o SPI também favoreceu na década de 50 a entrada de regionais para trabalhar nas roças do posto. A falta de cidades próximas e a dificuldade de escoamento da produção agrícola levaram o SPI a estimular o comércio dos índios com os regatões, aos quais forneciam couros de onça, enormes quantidades de jabutis, de aves e resinas diversas.

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Na década de 70, já no tempo da Funai, boa parte dos homens Tembé do Gurupi em idade adulta foram levados a trabalhar na Transamazônica, em frentes de atração de outros grupos Tupi, como os Parakanã e os Asurini do médio Xingu, desfalcando as aldeias de elementos masculinos, provocando escassez de alimentos com base na carne e no peixe e um esvaziamento das práticas rituais. Em 1971, a Funai ordenou a transferência dos Tembé do Gurupi para o rio Guamá, mas eles se recusaram a migrar.

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Quanto aos Tembé do rio Guamá, eles permaneceram sob a exploração dos regatões, dedicando-se sobretudo ao corte de madeiras. Em 1945, quando já mantinham intensos contatos com os civilizados, o SPI instalou o primeiro e único posto na região. O posto operou num regime de produção para venda e para o próprio consumo, engajando os índios nos serviços de lavoura, e também na abertura de uma estrada, nunca concluída, que deveria ligar o Guamá ao Gurupi. Uma cantina fornecia gêneros alimentícios, roupas e ferramentas aos índios, descontando-lhes as despesas na folha de pagamentos. Por volta de 1960, um chefe de posto, para aumentar a produção, facilitou a entrada de colonos oriundos de uma frente camponesa que alcançava a região, o que trouxe uma intensificação dos casamentos interétnicos e do uso da língua portuguesa. Esse regime durou até a extinção do SPI em 1967. Paralelamente às tarefas promovidas pelo posto, os índios extraíam e comercializavam madeira por conta própria, descendo com jangadas de toras até Ourém. Por outro lado, a presença de caçadores de peles, madeireiros e criação de gado fez decair a caça e a pesca.

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Em 1970, o posto já não mantinha nenhum dos antigos projetos e estava abandonado, o que levou os Tembé a voltarem a plantar suas próprias roças numa área bastante desmatada. A Terra Indígena foi invadida por empresários, fazendeiros e posseiros. Houve várias negociações para retirada dos invasores, mas todas frustradas. Em 1978, a Funai propôs o loteamento de parte da Terra Indígena para os posseiros. Auxiliados pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), da Igreja Católica, os Tembé do rio Guamá fizeram uma reunião com os do Gurupi em 1983, quando fizeram um abaixo-assinado contra a redução da Terra Indígena. Simultaneamente, foram convidados pela Funai a mudarem-se para o Gurupi. Alguns migraram, mas parte deles retornou depois de serem atacados pela malária e o sarampo.

Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/

Fotos: Arlindo Matos

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publicado por Carlos Gomes às 15:22
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2016
ACONTECE NO MUSEU – S. SEBASTIÃO: RESUSTADOS RECENTES DO SEU ESTUDO

O encontro de conferências sobre a capela de São Sebastião em Atouguia, Ourém, surgiu de um trabalho coletivo de estudos e obras de consolidação do templo levado a efeito nos últimos anos. A uma intervenção de emergência para estancar o processo de degradação mais acelerado, sucedeu a limpeza de entulhos e uma campanha arqueológica no templo, em 2014.

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Em simultâneo, decorreram vários processos de estudo e outros projetos de valorização deste património imóvel, que o Museu Municipal acompanhou e reuniu em 10 de abril na Casa do Administrador. Cinco oradores dinamizaram um painel diverso de comunicações, que trouxeram novas informações a algumas conclusões sobre o templo.

A primeira comunicação, conduzida pelo Professor A. Cunha e Silva foi dedicada ao culto Sebastiano a nível nacional e a sua relação com o caso de Ourém. Foram discutidas diversas pistas que poderão encontrar relação com o culto e com a capela em Ourém, como o relicário que terá existido na Igreja Colegiada, o registo de mordomias e confrarias dedicadas a S. Sebastião, a Batalha de Alcácer-Quibir, as invasões francesas e as próprias fogaças características na região.

As comunicações prosseguiram com a intervenção da arqueóloga Seara Rei que apresentou os resultados das sondagens arqueológicas realizadas no interior da Capela e no seu adro. As escavações permitiram detetar diversos vestígios arqueológicos até então desconhecidos, como estruturas, cerâmicas, moedas e material osteológico humano o que permitiu aferir novos dados sob o aproveitamento deste espaço religioso e da comunidade onde estava inserido.

Os resultados antropológicos preliminares relativos ao estudo do espólio osteológico humano foram apresentados pela antropóloga forense Sandra Assis, que contextualizou os resultados obtidos na sondagem, descrevendo os materiais encontrados e a sua pertinência para a reconstrução das vivências associadas à capela.

Ana Luísa Ferreira, aluna na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, expos os principais resultados da investigação que se encontra a conduzir no âmbito da sua dissertação de mestrado. Depois de uma breve resenha histórica sobre os principais episódios históricos que se relacionam com a capela, a oradora conduziu o publico pelos diversos espaços, numa tentativa de interpretar a composição da estrutura, intervenções e alterações que sofreu ao longo dos séculos.

A componente de representação da capela para o público mais jovem ficou a cargo de Alexandre Ferreira, que apresentou o projeto multimédia de réplicas tridimensionais da capela em cinco momentos da sua história que permitem a realização de visitas virtuais à capela em tecnologia 3D.

O encontro não terminou sem a intervenção do Presidente da Junta de Freguesia de Atouguia que agradeceu os contributos e salientou a importância dos estudos apresentados para perpetuar a memória da capela.

Colaboração: Museu Municipal de Ourém



publicado por Carlos Gomes às 14:35
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016
MAÇÃS DE D. MARIA DEBATE A HISTÓRIA LOCAL



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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016
MUNICÍPIO DE OURÉM REQUALIFICA CRUZEIRO DO REGATO

O Município de Ourém realizou trabalhos de conservação e restauro no Cruzeiro do Regato, restituindo o valor histórico deste elemento patrimonial enquanto símbolo na fundação da Aldeia da Cruz.

Os trabalhos foram executados pela equipa de Conservação e Restauro do Museu Municipal de Ourém e permitiram estabilizar os processos de degradação verificados. A intervenção consistiu na aplicação de um biocida para eliminação da colonização biológica, seguida de uma limpeza mecânica com escovas de nylon e água corrente.

O Cruzeiro do Regato está associado à lenda que envolve D. Nuno Álvares Pereira e o seu irmão Pedro Álvares Pereira, após a Batalha de Aljubarrota no ano de 1385.

A imagem mostra o aspecto do cruzeiro antes dos trabalhos de requalificação



publicado por Carlos Gomes às 21:14
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016
ENCONTRO EM CUBA ENTRE O PAPA FRANCISCO E O PATRIARCA KIRILL DE MOSCOVO É UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO PARA OS CRISTÃOS DO MUNDO INTEIRO

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Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia

«A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13).

  1. Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história.

Com alegria, encontramo-nos como irmãos na fé cristã que se reúnem para «falar de viva voz» (2 Jo 12), coração a coração, e analisar as relações mútuas entre as Igrejas, os problemas essenciais de nossos fiéis e as perspectivas de progresso da civilização humana

  1. O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do «Novo Mundo» e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes.

Alegramo-nos por estar a crescer aqui, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia dum grande futuro para esta região.

  1. Encontrando-nos longe das antigas disputas do «Velho Mundo», sentimos mais fortemente a necessidade dum trabalho comum entre católicos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com mansidão e respeito, razão da esperança que está em nós(cf. 1 Ped3, 15).
  2. Damos graças a Deus pelos dons que recebemos da vinda ao mundo do seu único Filho. Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milénio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos. Entre eles, contam-se inúmeros mártires que testemunharam a sua fidelidade a Cristo e se tornaram «semente de cristãos».
  3. Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos dum passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequência da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Oração Sacerdotal de Cristo Salvador: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo17, 21).
  4. Conscientes da permanência de numerosos obstáculos, esperamos que o nosso encontro possa contribuir para o restabelecimento desta unidade querida por Deus, pela qual Cristo rezou. Que o nosso encontro inspire os cristãos do mundo inteiro a rezar ao Senhor, com renovado fervor, pela unidade plena de todos os seus discípulos. Num mundo que espera de nós não apenas palavras mas gestos concretos, possa este encontro ser um sinal de esperança para todos os homens de boa vontade!
  5. Determinados a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas que herdámos, queremos unir os nossos esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o património comum da Igreja do primeiro milénio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo. Ortodoxos e católicos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em áreas onde isso seja possível e necessário. A civilização humana entrou num período de mudança epocal. A nossa consciência cristã e a nossa responsabilidade pastoral não nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum.
  6. O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Médio Oriente e do Norte de África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo vêem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objectos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e noutros países do Médio Oriente, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas.
  7. Pedimos a acção urgente da comunidade internacional para prevenir nova expulsão dos cristãos do Médio Oriente. Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis doutras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.
  8. Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a comunidade internacional a unir-se para pôr termo à violência e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir através do diálogo para um rápido restabelecimento da paz civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.

Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as quais se contam os Metropolitas de Alepo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida libertação.

  1. Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo restabelecimento da paz no Médio Oriente, que é «fruto da justiça» (Is32, 17), a fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.

Com um ardente apelo, dirigimo-nos a todas as partes que possam estar envolvidas nos conflitos pedindo-lhes que dêem prova de boa vontade e se sentem à mesa das negociações. Ao mesmo tempo, é preciso que a comunidade internacional faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de acções comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os países envolvidos na luta contra o terrorismo, para que actuem de maneira responsável e prudente. Exortamos todos os cristãos e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a sua criação da destruição e não permita uma nova guerra mundial. Para que a paz seja duradoura e esperançosa, são necessários esforços específicos tendentes a redescobrir os valores comuns que nos unem, fundados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo. Acreditamos que estes mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas mas unidos por uma tribulação comum, são um penhor da unidade dos cristãos. É a vós, que sofreis por Cristo, que se dirige a palavra do Apóstolo: «Caríssimos, (...) alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória» (1 Ped4, 12-13).
  2. Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias actuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar acções criminosas com slôganes religiosos. Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, «porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz» (1 Cor14, 33).
  3. Ao afirmar o alto valor da liberdade religiosa, damos graças a Deus pela renovação sem precedentes da fé cristã que agora está a acontecer na Rússia e em muitos países da Europa Oriental, onde, durante algumas décadas, dominaram os regimes ateus. Hoje as cadeias do ateísmo militante estão quebradas e, em muitos lugares, os cristãos podem livremente confessar a sua fé. Num quarto de século, foram construídas dezenas de milhares de novas igrejas, e abertos centenas de mosteiros e escolas teológicas. As comunidades cristãs desenvolvem uma importante actividade socio-caritativa, prestando variada assistência aos necessitados. Muitas vezes trabalham lado a lado ortodoxos e católicos; atestam a existência dos fundamentos espirituais comuns da convivência humana, ao testemunhar os valores do Evangelho.
  4. Ao mesmo tempo, estamos preocupados com a situação em muitos países onde os cristãos se debatem cada vez mais frequentemente com uma restrição da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convicções e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transformação de alguns países em sociedades secularizadas, alheias a qualquer referência a Deus e à sua verdade, constitui uma grave ameaça à liberdade religiosa. É fonte de inquietação para nós a limitação actual dos direitos dos cristãos, se não mesmo a sua discriminação, quando algumas forças políticas, guiadas pela ideologia dum secularismo frequentemente muito agressivo, procuram relegá-los para a margem da vida pública.
  5. O processo de integração europeia, iniciado depois de séculos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperança, como uma garantia de paz e segurança. Todavia convidamos a manter-se vigilantes contra uma integração que não fosse respeitadora das identidades religiosas. Embora permanecendo abertos à contribuição doutras religiões para a nossa civilização, estamos convencidos de que a Europa deve permanecer fiel às suas raízes cristãs. Pedimos aos cristãos da Europa Oriental e Ocidental que se unam para testemunhar em conjunto Cristo e o Evangelho, de modo que a Europa conserve a própria alma formada por dois mil anos de tradição cristã.
  6. O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o sistema de relações internacionais que se estabeleceu.
  7. As Igrejas cristãs são chamadas a defender as exigências da justiça, o respeito pelas tradições dos povos e uma autêntica solidariedade com todos os que sofrem. Nós, cristãos, não devemos esquecer que «o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor1, 27-29).
  8. A família é o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com a crise da família em muitos países. Ortodoxos e católicos partilham a mesma concepção da família e são chamados a testemunhar que ela é um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas relações mútuas, a sua abertura à procriação e à educação dos filhos, a solidariedade entre as gerações e o respeito pelos mais vulneráveis.
  9. A família funda-se no matrimónio, acto de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. É o amor que sela a sua união e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrimónio é uma escola de amor e fidelidade. Lamentamos que outras formas de convivência já estejam postas ao mesmo nível desta união, ao passo que o conceito, santificado pela tradição bíblica, de paternidade e de maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimónio, seja banido da consciência pública.
  10. Pedimos a todos que respeitem o direito inalienável à vida. Milhões de crianças são privadas da própria possibilidade de nascer no mundo. A voz do sanguedas crianças não nascidas clama a Deus(cf. Gn 4, 10).

O desenvolvimento da chamada eutanásia faz com que as pessoas idosas e os doentes comecem a sentir-se um peso excessivo para as suas famílias e a sociedade em geral.

Estamos preocupados também com o desenvolvimento das tecnologias reprodutivas biomédicas, porque a manipulação da vida humana é um ataque aos fundamentos da existência do homem, criado à imagem de Deus. Consideramos nosso dever lembrar a imutabilidade dos princípios morais cristãos, baseados no respeito pela dignidade do homem chamado à vida, segundo o desígnio do Criador.

  1. Hoje, desejamos dirigir-nos de modo particular aos jovens cristãos. Vós, jovens, tendes o dever de não esconder o talento na terra(cf. Mt25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evangélicos do amor de Deus e do próximo. Não tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, à qual estão longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje.
  2. Deus ama-vos e espera de cada um de vós que sejais seus discípulos e apóstolos. Sede a luz do mundo, de modo que quantos vivem ao vosso redor, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está no Céu (cf. Mt5, 14.16). Haveis de educar os vossos filhos na fé cristã, transmitindo-lhes a pérola preciosada fé (cf. Mt 13, 46), que recebestes dos vossos pais e antepassados. Lembrai-vos que «fostes comprados por um alto preço» (1 Cor 6, 20), a custo da morte na cruz do Homem-Deus Jesus Cristo.
  3. Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milénio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo.

Não somos concorrentes, mas irmãos: por esta certeza, devem ser guiadas todas as nossas acções recíprocas e em benefício do mundo exterior. Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter «os mesmos sentimentos, uns com os outros» (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar duma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. Somos chamados a pôr em prática o preceito do apóstolo Paulo: «Tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio» (Rm 15, 20).

  1. Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do «uniatismo» do passado, entendido como a união duma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.
  2. Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade numa grave crise económica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à actividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.
  3. Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canónicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.
  4. No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, «para que o mundo creia» (Jo17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.
  5. Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova salvífica, possa sustentar-nos o Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a sua promessa infalível: «Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino» (Lc12, 32).

Cristo é fonte de alegria e de esperança. A fé n’Ele transfigura a vida humana, enche-a de significado. Disto mesmo puderam convencer-se, por experiência própria, todos aqueles a quem é possível aplicar as palavras do apóstolo Pedro: «Vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia» (1 Ped 2, 10).

  1. Cheios de gratidão pelo dom da compreensão recíproca manifestada durante o nosso encontro, levantamos os olhos agradecidos para a Santíssima Mãe de Deus, invocando-A com as palavras desta antiga oração: «Sob o abrigo da vossa misericórdia, nos refugiamos, Santa Mãe de Deus». Que a bem-aventurada Virgem Maria, com a sua intercessão, encoraje à fraternidade aqueles que A veneram, para que, no tempo estabelecido por Deus, sejam reunidos em paz e harmonia num só povo de Deus para glória da Santíssima e indivisível Trindade!

Francisco
Bispo de Roma
Papa da Igreja Católica

Kirill 
Patriarca de Moscovo
e de toda a Rússia

Havana (Cuba), 12 de Fevereiro de 2016.



publicado por Carlos Gomes às 22:04
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016
VAI PORTUGAL SUBSTITUIR OS SEUS SÍMBOLOS NACIONAIS?

Esta é a ditosa Pátria Minha Amada! – Luís de Camões

As Armas nacionais de Portugal são “de prata, com cinco escudetes de azul, postos em cruz de Cristo, cada um carregado por cinco besantes de prata, postos em cruz de Santo André (ou quincunce); bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro; o escudo sobreposto a uma esfera armilar, rodeada por dois ramos de oliveira (ou loureiro) de ouro, atados por uma fita verde e vermelha

As Armas Nacionais que desde há muitos séculos figuram nas bandeiras nacionais de Portugal identificam um passado glorioso cujos elementos heráldicos testemunham a matriz Cristã de Portugal e o seu papel histórico na Reconquista Cristã.

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Entre tais símbolos, realce-se os escudetes azuis besantados de prata dispostos sob a forma de Cruz de Santo André e que, de acordo com explicação lendária, teriam origem no milagre da Batalha de Ourique segundo a qual, Jesus Cristo terá aparecido a D. Afonso Henriques garantindo-lhe a vitória, caso adotasse por armas as suas chagas. Com efeito, segundo algumas teorias, os escudetes referem-se às cinco chagas de Cristo ou às cinco feridas de D. Afonso Henriques na batalha de Ourique.

A bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro representa, segundo a tradição, o antigo reino do Algarve, conquistado por D. Afonso III aos mouros.

Por conseguinte, qualquer que seja o significado dos seus símbolos, é evidente que o Cristianismo constitui a matriz da Cultura e da Civilização portuguesa, da identidade do povo português, com raízes tão profundas que nenhuma ideologia defensora de um pretenso laicisismo será capaz de arrancar…

Numa altura em que outros povos da Europa parecem envergonhar-se da sua própria identidade, cobrem com um manto de ignomínia as suas obras de arte e vergam perante os ditames dos arautos de outras culturas a pretexto de uma falsa tolerância, importa saber se também Portugal renegará os seus valores e a sua identidade, porventura ao ponto de substituir os seus próprios símbolos nacionais?



publicado por Carlos Gomes às 16:16
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016
HOJE É DIA DE S. SEBASTIÃO, SANTO PROTETOR DA EPIDEMIA, A FOME E A GUERRA

Um pouco por todo o país, celebra-se hoje a festa litúrgica a S. Sebastião, advogado contra a epidemia, a fome e a guerra. Tais festividades, na maioria dos casos, tiveram origem precisamente em ocasiões que se verificaram a propagação de pestes muito recorrentes durante a Idade Média e que, quase sempre vitimavam uma parte considerável da população.

Em Portugal, foi sobretudo a partir do século XVI que o culto se desenvolveu, não sendo alheio o facto de seu nome ter sido atribuído ao Rei D. Sebastião por este ter nascido a 20 de Janeiro, dia que é consagrado ao mártir S. Sebastião.

Reza a lenda que S. Sebastião nasceu em Narbonne, no sul de França – ou terá sido em Milão – oriundo de uma família nobre. Atingida a idade adulta, terá ido viver para Roma onde se alistou no exército romano, ao tempo de Dioclesiano, altura em que se intensificaram as perseguições aos cristãos. Desconhecendo, porém, a sua fé cristã, o Imperador chegou a promovê-lo capitão da guarda pretoriana.

Mas, a sua fé e conduta branca em relação aos prisioneiros acabaram por atrair sobre si a ira do imperador que o julgou como traidor e condenou à morte, tendo sido cravado de flechas e o seu corpo lançado ao rio. No entanto, tendo sobrevivido, viria a ser de novo condenado à morte por espancamento e o seu corpo atirado aos esgotos de Roma. O seu corpo veio a ser resgatado por Santa Luciana que o depositou nas catacumbas da cidade.

Para além da data do seu martírio e local do seu sepultamento, a narrativa histórica é inexata e pouco consistente. Não deixa, contudo, do seu culto ser um dos mais celebrados entre os cristãos, tanto católicos como ortodoxos.

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publicado por Carlos Gomes às 10:29
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016
OURÉM COMEMORA CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA COM CICLO DE CONFERÊNCIAS

“Internacionalização: Fátima no Mundo” na perspetiva de Paulo Fonseca e Guilherme d’Oliveira Martins

Fátima recebeu ontem o primeiro jantar conferência integrado no ciclo “Conversas de Fátima: Portugal 1917 - Estado, Sociedade - Razão e Fé”, no âmbito das comemorações do Centenário das Aparições – Contributo da Sociedade Civil. Esta primeira iniciativa com o tema “Internacionalização: Fátima no Mundo” contou com as intervenções de Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura e de Paulo Fonseca, Presidente da Câmara Municipal de Ourém.

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O evento teve lugar no Hotel D. Gonçalo e entre os muitos participantes marcaram presença a Presidente da Assembleia Municipal, Vereadores da Câmara Municipal, vários Presidentes de Juntas de Freguesia do concelho, D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, Bispo Emérito de Leiria–Fátima, representantes do Santuário de Fátima e da ACISO, além de vários empresários e interessados no assunto.

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Paulo Fonseca iniciou a sua intervenção com uma apresentação do contexto histórico das Aparições em 1917 e realçou a importância da mensagem de Fátima que “vai mais longe do que a marca Portugal”. “É necessário perceber a dimensão de Fátima no Mundo”, defendeu o Presidente da Câmara e “compreender o tempo em que vivemos e a importância que a religião tem na vida dos povos e na construção de um Mundo melhor”. Paulo Fonseca exaltou também o ecumenismo como o caminho a seguir, já que “a lógica do cristianismo deve ser agregadora e integradora”, tal como a mensagem de Fátima. “Nós temos que nos afirmar como um centro mundial da Paz, um centro mundial do diálogo multicultural” e a finalizar lançou o repto para que saibamos “cultivar a Paz e uma relação positiva entre os humanos”.

jantar-conferencia 078

O Presidente do Centro Nacional de Cultura começou por sublinhar que “a liberdade de consciência é que permite a espiritualidade” e a compreensão do fenómeno religioso. Guilherme d’Oliveira Martins acrescentou que “Fátima é hoje uma referência extremamente importante, não apenas de cariz religioso, mas também nos caminhos de peregrinação”. Neste contexto sublinhou que “a peregrinação é um caminho para a descoberta de si mesmo” e relevou o contributo do Centro Nacional de Cultura e dos seus voluntários na marcação e manutenção dos “Caminhos de Fátima”. Segundo Guilherme d’Oliveira Martins um dos destinos mais procurados são os caminhos da peregrinação que, juntamente com os “Caminhos de Santiago”, têm trazido “milhões de peregrinos de todo o Mundo” ao território nacional. Em relação à mensagem de Fátima, o Presidente do Centro Nacional de Cultura reafirma que “todos são bem vindos a Fátima, todos sem exceção” e que “esta é a verdadeira mensagem de paz e de respeito de que o Mundo necessita”.

A próxima iniciativa no âmbito do ciclo “Conversas de Fátima: Portugal 1917 - Estado, Sociedade - Razão e Fé” está agendada para dia 20 de abril e terá continuidade com mais quatro jantares conferência até abril de 2017.

jantar-conferencia 023



publicado por Carlos Gomes às 20:00
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