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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012
O BANQUETE DA REPÚBLICA NO ACAMPAMENTO DA ROTUNDA ACONTECEU HÁ 102 ANOS!

Passam precisamente 102 anos desde a realização do grande banquete que, após os confrontos que levaram à implantação do regime republicano, teve lugar no acampamento da Rotunda onde um punhado de soldados e meia centena de carbonários se entrincheiraram às ordens do Comissário Naval Machado dos Santos.

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A imagem mostra o reduzido número de militares e civis que permaneceram no acampamento da Rotunda nos dias da Revolução

Uma vez alcançado o cessar-fogo na manhã do dia 5 de outubro, as hostilidades republicanas dirigiram-se para alvos mais comestíveis e nutritivos. O acampamento manteve-se por mais cinco dias que foram preenchidos com a realização de um autêntico festim que, a avaliar pelas quantidades de alimentos digeridos, reuniu largas centenas de comensais que, não tendo embora participado nos combates, não quiseram deixar os seus créditos de bravura por mãos alheias.

Desse extraordinário sucesso que não deveria ser omitido nas páginas da nossa História contemporânea onde se inscrevem tão gloriosos feitos revolucionários, dá-nos conta a insuspeita revista “Ilustração Portugueza”, na sua edição de 7 de novembro de 1910, sob o curioso título “Subsídios photographicos para a História da Revolução”:

O reducto da Avenida, que foi o verdadeiro baluarte da republica, offereceu aspectos deveras curiosos, mesmo depois de passados os combates. Durante os dias que os soldados e os civis ali se encontraram foi montado um serviço regular de subsistências, confeccionando-se em improvisadas cosinhas, rancho de que partilharam todos os que lá se tinham juntado nos dias da revolta. Na manhã do dia seis foram cozinhadas no acampamento duas mil pescadas em nove fogões de campanha e desde que se estabeleceu o serviço regular até ao dia 10, em que se retiraram os militares e paisanos, consumiu-se dez mil kilos de carne de vacca e quarenta mil kilos de pão, não sendo possível averiguar o numero de pessoas que foram alimentadas durante esse tempo na rotunda que se tornou um logar histórico”.

- Não mencionou o cronista com quantos litros de vinho regaram tão lauto repasto !

Carlos Gomes

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A confeção do rancho no acampamento da Rotunda. O corneteiro, ao centro, aguardando ordens para tocar para o rancho...

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Os cestos com as duas mil pescadas. Um aspeto da confraternização. À esquerda vê-se um militar agarrado à sua namorada.



publicado por Carlos Gomes às 00:13
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Sábado, 27 de Agosto de 2011
MANUEL ANTÓNIO DAS NEVES PERTENCEU À CARBONÁRIA?

Em face do secretismo que caracterizava a Carbonária, torna-se particularmente difícil identificar os membros daquela organização. Afinal de contas, tratava-se do braço armado da Maçonaria e do Partido Republicano a quem se deveu essencialmente a implantação do regime republicano. Porém, entre as pistas que denunciam a identidade dos “bons primos”, designação pela qual se tratavam entre si, contam-se as petições apresentadas à Câmara dos Deputados para obter desta o reconhecimento como “revolucionários civis” a fim de poderem vir posteriormente a obter compensações pelo seu envolvimento na causa republicana ou reparos por eventuais perseguições sofridas em virtude da sua militância, sendo em geral traduzidas em colocações de emprego na Administração Pública.

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Manuel António das Neves, numa foto ostentando um gorro que sugere o revolucionário e membro da Carbonária Giuseppe Garibaldi.

Como já aqui nos referimos, Artur de Oliveira Santos foi um dos que viu reconhecido o seu estatuto de “revolucionário civil”. Também em relação a Manuel António das Neves esse reconhecimento foi feito pela Câmara dos Deputados, em 9 de Julho de 1917, em sessão presidida por António Maceira Júnior. Reza assim o parecer nº. 792, aprovado sem discussão:

“Senhores Deputados. - A vossa comissão de petições é de parecer que deverão ser reconhecidos como revolucionários civis os seguintes indivíduos:

Manuel Dias Chita, António dos Santos Serra, Augusto Duarte Correia, Aurélio Pires Ramos, David Alves Escusa, Emídio Jorge Quelhas da Silva, Henrique de Sousa Vidal, Hermenegildo Júlio Escobar, Inácio Veríssimo de Azevedo. Jacinto José Soares, João da Anunciação, Joaquim Dias Ferreira, Joaquim Lopes, Joaquim Parreira Branco, José de Albuquerque Júnior, José das Dores Gonçalves, José Gonçalves Carneiro, José Maria Augusto da Silva, José Maria Beirão, José de Sousa, José Zeferino dos Santos, Manuel Augusto, Manuel António das Neves, Rafael Luís da Silva, José Branco, João Fernandes David e Antonino Mateus.

Levi Marques da Costa - Pedro Chaves - Queiroz Vaz Guedes - Alfredo Soares - Evaristo de Carvalho.”

No âmbito das Comemorações do Centenário da República 1910-2010, realizou-se em Santarém a exposição “Caminhos da República” através da qual se pretendeu dar a conhecer a génese do republicanismo em Santarém e os seus principais actores. De entre eles destaca-se precisamente o oureense Manuel António das Neves em relação ao qual se refere, entre numerosos aspectos, as suas ligações à Carbonária. E, menciona o facto nos seguintes termos:

“…João Teixeira de Queiróz Vaz Guedes retratando-se em editorial de O Debate, de 1912 explicou que Manuel António das Neves fora contactado em 24 de Outubro de 1908 por um caixeiro-viajante, que pensamos ter identificado com Álvaro Mendes, para reorganizar a Carbonária em Santarém. Do grupo constituído, foram contactados: Jaime de Figueiredo, Paiva de Faria e o capitão Batista. Estamos em crer que este foi o grupo inicial e que as acções de Manuel António das Neves, director à data do jornal O Debate, foram muito marcadas por este facto, aproveitando os artigos para ir transmitindo: “…a semente da Ideia que em breve há-de fazer da nossa pátria uma nacionalidade próspera e feliz, vai frutificando nos terrenos mais (safados) e rebeldes ao influxo do Progresso”.

Atendendo a que Manuel António das Neves não foi o único oureense reconhecido como “revolucionário civil”, resta saber até que ponto a influência da Carbonária se estendeu até Vila Nova de Ourém.

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publicado por Carlos Gomes às 17:58
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QUEM FOI MANUEL ANTÓNIO DAS NEVES?

- Um Republicano de Vila Nova de Ourém

Manuel António das Neves nasceu a 1 de Dezembro de 1857, em Alburitel, Vila Nova de Ourém sendo filho de António das Neves e de Jacinta Maria. Muito novo fixou-se em Santarém onde começou a trabalhar como empregado comercial. Casou com Maria José Lopes Neves (Amiais de Cima, 1864 – Santarém, 9/1/1950) e passou a residir na freguesia de Marvila. Em 1885, aparecia referenciado como comerciante no ramo dos fanqueiros e modas.

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Em 1907, estabeleceu-se como comerciante e proprietário do Armazém Novo situado na Praça Visconde da Serra do Pilar, antigo estabelecimento de Neves & Fonseca. Esta casa de atacado e retalho aparecia publicitada como "um dos primeiros estabelecimentos da província, pela quantidade de variedade de seus artigos de vestuário ou de luxo, todos os artigos para roupa branca, de uso pessoal, de quarto, de casa de jantar, de cozinha. Tem de todas as fazendas das classes de fanqueiro, modas, retroseiro, mercador, chapelaria, camisaria, gravatas, malas, baús, leitos e lavatórios. Grande quantidade de guarda-sóis e sombrinhas, em todas as qualidades. Como a maior parte das suas compras são feitas directamente, pode vender nas melhores condições…". O Armazém Novo que fazia preços especiais para as modistas e enviava amostras para todos os locais, em 1908 era a casa "… depositária em Santarém, de Anjos & C.ª, para a venda de tripa, vendendo-a nas mesmas condições em que é vendida na origem.". Em 1917, o Armazém Novo já pertencia ao sucessor de Manuel António das Neves, Francisco Correia.

Em Abril de 1905, juntamente com Fernão Pires e Manuel Maria Oliveira adquiriu o Hotel Duarte por trespasse de cinco contos dando-lhe o nome de Hotel Central.

Manuel António das Neves abraçou o ideário republicano. A 17 de Julho de 1904, participou na recepção em Santarém a Bernardino Machado, organizada pela Associação dos Empregados do Comércio de Santarém. Para além de membro do Partido Republicano, fundou e dirigiu juntamente com o advogado José Montez o jornal republicano O Debate entre 5 de Dezembro de 1907 e 11 de Fevereiro de 1909, quando o tipógrafo José Avelino de Sousa o substituiu como proprietário do jornal. Posteriormente, tornou-se membro do Centro Eleitoral Republicano de Santarém que funcionou na sede de O Debate e que a partir de 1908 desempenhou intensa campanha contra o poder monárquico. Com base na sua biblioteca pessoal e nas suas relações de amizade com homens como Sebastião Magalhães Lima, pode concluir-se que Manuel António das Neves era maçon tendo sido membro da Loja Liberdade n.º 247, de Santarém, que praticava o rito francês transitando em 1908 para o rito escocês antigo e aceite. A Loja foi extinta em 1913.

A 6 de Outubro de 1910, um dia após a Revolução Republicana, Manuel António das Neves tomou posse como membro da Comissão Municipal Republicana juntamente com José Madeira Montez, Abílio Caldas Nobre da Veiga, José António Pereira, Artur Dionísio Figueiredo, António Madeira Cabral e Manuel Maria de Oliveira, na presença do presidente da Comissão Distrital Republicana, Anselmo Augusto da Costa Xavier. As calçadas na cidade, as freguesias de Alcanhões, S. Vicente do Paúl, Pombalinho, Vale de Figueira, Achete e Póvoa de Santarém constituíram os seus pelouros. Em 1918, Manuel António das Neves exerceu durante um ano o cargo de presidente da Câmara Municipal de Santarém, enquanto membro do Partido Nacionalista.

Durante anos, Manuel António das Neves colaborou com a imprensa nomeadamente com o Correio da Extremadura de João Arruda. As relações entre estes dois republicanos deterioraram-se "… por um deplorável equívoco, quando, como presidente duma comissão municipal, se julgou visado por este jornal, a propósito de uma doação feita à junta de freguesia de Casével duns baldios que eram do município, como depois se demonstrou pela sua venda, regulada pelas leis de desamortização. Isto deu motivo a um processo de imprensa em que este jornal saiu triunfante, porque lutava pela verdade e pela justiça.".

Manuel António das Neves foi sócio e dirigente de diversas colectividades da cidade de Santarém como a Associação Comercial, a Associação dos Empregados do Comércio, o Grémio Literário Guilherme de Azevedo e os Bombeiros Voluntários. Também foi membro dos Montepios Artístico de Santarém sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, Geral de Nossa Senhora do Carmo de Santarém e Geral de Santarém. A 16 de Junho de 1912 tornou-se irmão da Santa Casa da Misericórdia de Santarém.

Em Novembro de 1923, foi nomeado agente do Banco de Portugal em Faro, funções que desempenhou posteriormente em Setúbal.

Nos últimos anos de vida encontrava-se retirado da política "… pelo desânimo com que via caminhar as coisas públicas.". Para este estado de espírito terá contribuído a extinção de O Debate com o seu último número publicado a 28 de Outubro de 1926.

Manuel António das Neves faleceu em Marvila, Santarém, a 7 de Outubro de 1927, à uma hora da manhã em consequência da doença que o afligia desde Maio desse ano. O seu funeral realizou-se no dia seguinte, pelas 11 horas, para o Cemitério Público de Santarém com a presença de muitos amigos, correligionários e representantes do Partido Nacionalista, da Associação Comercial de Santarém e do Montepio Geral de Santarém. Junto ao jazigo de Silva Pereira, onde o corpo de Manuel António das Neves ficou provisoriamente depositado, foram ouvidos os discursos de Acácio Borges da Silva, Vaz de Sousa e Hermínio de Almeida.18 Nos seus Assuntos de Santarém, Laurentino Veríssimo escreveu "… eu com ele [Manuel António das Neves] muito convivi respeitando-o sempre e tendo-o na conta de homem sério, amigo e honrado. Paz à sua alma.".

O vereador capitão Lino Valente, na reunião da Câmara Municipal de Santarém de 5 de Janeiro de 1928, propôs "… que em homenagem às virtudes cívicas e morais do prestante cidadão e indefectível republicano que em vida se chamou Manuel António das Neves, seja dado o seu nome ao actual Largo dos Pasteleiros". A proposta foi aprovada por unanimidade e aclamada por outros cidadãos como Hermínio de Almeida. Este, em carta a João Arruda, datada de 18 de Janeiro desse ano aclamava a justiça da homenagem.

Os testamenteiros de Manuel António das Neves, Júlio Ferreira Alves, Ary Belchior Nunes Júnior e António Madeira Cabral, entregaram à Câmara Municipal de Santarém os bens legados: setenta e cinco acções da extinta Companhia das Águas de Santarém e os livros se encontravam na casa do falecido, no Largo dos Pasteleiros n.º 5. Estes integraram o espólio da Biblioteca Camões.

Teresa Lopes Moreira

Fonte: Correio do Ribatejo em http://www.correiodoribatejo.com/



publicado por Carlos Gomes às 10:15
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A PROPAGANDA REPUBLICANA EM VILA NOVA DE OURÉM

Xavier, Anselmo

António Pinto Leão de Oliveira, Sebastião de Magalhães Lima, João de Almeida Pinto, Joaquim Trigueiros de Martel e Anselmo Xavier, foram os fundadores do jornal O Século.

Este jornal, tornou-se no mais popular jornal em Portugal, nas duas últimas décadas do século XIX. O primeiro número é de 4-1-1881, embora tenha sido publicado um número-programa em 15 de Dezembro de 1880, que conseguiu despertar grande interesse junto da população. Nos primeiros tempos, este jornal teve como redactor principal Magalhães Lima e como gerente Anselmo Xavier. Este último manteve-se ligado ao jornal até 1896, quando José Joaquim da Silva Graça comprou a maior parte das quotas nas mãos dos sócios iniciais, em particular Magalhães Lima, mas também Anselmo Xavier e Leão de Oliveira.

Em 1882, encontramos Anselmo Xavier no Centro Republicano de Lisboa, presidido por Oliveira Marreca e onde participavam também Latino Coelho entre outras personalidades.

No ano seguinte é uma das personalidades eleitas no Congresso do Partido Republicano realizado entre 18 e 21 de Junho de 1883, em Lisboa, onde integrava o denominado corpo consultivo do partido. Encontramo-lo a participar de forma activa nas actividades de propaganda entretanto desencadeadas.

As visitas de propaganda política foram um mecanismo utilizado de forma recorrente pelos republicanos, em especial Sebastião de Magalhães Lima e outros líderes do partido desdobraram-se em viagens pelo País propagando o ideal republicano em muitas terras. Um dos seus acompanhantes habituais era Anselmo Xavier. Por exemplo encontramo-los em Maio de 1883, em Évora, acompanhados por José Jacinto Nunes, onde realizaram um comício juntamente com o operário eborense António Maria de Miranda e Brito, que foi o fundador do primeiro centro republicano em Évora, com a denominação de Biblioteca Democrática Eborense. Em Novembro de 1884, acompanhado pelas mesmas personalidades percorreu o Algarve, realizando comícios e conferências e organizando o Partido Republicano na região.

Em 3 de Fevereiro de 1907, realiza-se na Praça de Touros, da então vila de Abrantes, um grande comício, a que terão assistido alguns milhares de pessoas e onde discursaram algumas das figuras mais destacadas do republicanismo português: Bernardino Machado, António José de Almeida, Brito Camacho, José Maria Pereira e Anselmo Xavier. Tudo indica que nesse comício Bernardino Machado terá feito a promessa que uma vez implantada a República, Abrantes seria elevada à categoria de cidade. Assinale-se também que nesse mesmo dia, António José de Almeida e Anselmo Xavier estiveram também na freguesia das Mouriscas, onde a sua presença desencadeou enorme entusiasmo junto da população.

Durante alguns anos viveu na sua terra, exercendo as funções de presidente da Câmara Municipal, cargo para que foi eleito em sucessivas ocasiões, continuando a defender as suas ideias republicanas, mas sem grande envolvimento na vida pública nacional. Ocupou estas funções durante mais de vinte anos.

Em 1907, Anselmo Xavier era o presidente da comissão municipal republicana de Benavente.

No dia 8 de Março de 1908, foi eleita a Comissão Distrital Republicana de Santarém que integrava os nomes de José Relvas, Dr. Anselmo Xavier, Dr. Guilherme Nunes Godinho, Dr. Ramiro Guedes e Dr. José Montez.

Em 25 de Março de 1910, realizou-se um comício em Vila Nova de Ourém, onde discursaram José Relvas, João Chagas e Anselmo Xavier. Presidiu a este comício Manuel António das Neves, natural em Alburitel, que foi um activo republicano em Ourém e mais tarde em Santarém. Os republicanos deste concelho, não sendo numerosos, desenvolveram algumas iniciativas como a criação uma escola mista gratuita e uma Liga Republicana.

Com a implantação da República, Anselmo Xavier foi nomeado Governador Civil de Santarém, cargo que ocupou por curto espaço de tempo. Foi depois deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1911, pelo círculo de Santarém, passando depois para o Senado.

Na Assembleia Constituinte de 1911, Anselmo Xavier propôs na sessão de 4 de Julho de 1911, alguns aditamentos a um dos artigos da Constituição sobre o funcionamento das comissões parlamentares, para que os prazos fossem cumpridos na República, ao contrário do que acontecia na Monarquia.

Enquanto senador teve uma intervenção muito centrada nos temas da educação e do poder municipal, dedicando algumas intervenções aos problemas da sua terra, Benavente, como na sessão de 8 de Dezembro de 1911, em que pede esclarecimentos sobre a situação em que se encontrava a câmara municipal que tão bem conhecia. Foi também ele que fez o elogio fúnebre de Eduardo de Abreu no Senado da República, na sessão de cinco de Fevereiro de 1912. Foram dezenas de intervenções sobre os mais variados temas que seria importante fazer um levantamento das mesmas para se compreender melhor o seu pensamento.

Com a cisão do Partido Republicano, acompanhou Brito Camacho, em 1912, na criação da União Republicana.

Foi depois nomeado comissário do Governo junto da Companhia do Niassa. Foi também o responsável pela instalação do registo civil em Santarém, tendo ainda sido colocado nessa função, mas rapidamente pediu a exoneração. Após a implantação da República existia um centro com o seu nome em Alcanena.

Anselmo Xavier foi também um forte combatente do regime monárquico através da escrita. Não só no jornal O Século de que já se falou mas também através de outros jornais como a Vanguarda e mais tarde a Luta. Mas colaborou ainda no Diário da Tarde, Porto, onde fez a sua estreia literária e no Diário da Manhã, na Galeria Republicana e em outros periódicos da época. Manifestou sempre gosto e interesse pelas letras publicando ainda poesia e deixou também uma peça de teatro O Reino de Pantana, tendo também desempenhado actividade como empresário teatral.

Surge também arrolado como uma das testemunhas de defesa de António de Albuquerque, o autor do famoso Marquês da Bacalhoa que foi julgado no tribunal de Santa Clara, em Lisboa, tendo sido defendido por Gomes Mota, qe indicou ainda como outras testemunhas Machado Santos, João Gonçalves, Leão Azedo e Alfredo Leal, depois de ter sido acusado de participar nos acontecimentos de 27 de Abril de 1913, mas acabou por ser absolvido das acusações.

Deixou várias publicações escritas, revistas, canções ligeiras, peças de teatro. Era conhecido o seu sentido de humor, escrevia habitualmente a gazetilha política do jornal A Luta, com as suas situações humorísticas, tarefa que cumpriu quase até ao fim dos seus dias.

Pertenceu à Maçonaria, embora tenho sido iniciado em data e loja desconhecida. Pertenceu à loja Companheiros do Segredo, nº 273, de Benavente, de que foi venerável, que contava com 7 maçons em actividade em 1912.

Apreciadíssimo pela sua bondade, referem-se-lhe os mais extraordinários elogios, em especial durante os acontecimentos que sucederam ao terramoto de 1908 e que provocou avultados prejuízos na sua região, mas onde Anselmo Augusto da Costa Xavier demonstrou, através das suas acções, que constituem por certo a melhor parcela da sua existência e da sua razão de ser republicano.

Faleceu em 23 de Maio de 1915.

A.A.B.M.

Fonte: Almanaque Republicano em http://arepublicano.blogspot.com/



publicado por Carlos Gomes às 09:23
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
FÁTIMA RECONSTITUI AMANHÃ “FEIRA NA I REPÚBLICA”

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A Freguesia de Fátima vai amanhã, dia 2 de Abril, em Boleiros, proceder à reconstituição de uma feira centenária, concretamente a “Feira na I República”. A iniciativa é da Junta de Freguesia de Fátima e conta com a colaboração dos colégios da Freguesia, do Externato de S. Domingos e do Agrupamento de Escolas de Ourém e insere-se nas comemorações do Centenário da República.

No âmbito daquele evento vai proceder-se a uma recriação da revolta do 31 de Janeiro de 1891, do Regicídio e da Implantação do República propriamente dita. A feira terá início a partir das 15 horas, no largo da igreja de Boleiros, onde vai ser possível comprar e provar produtos tradicionais. Ao longo da tarde os visitantes podem contar ainda com a dinamização de jogos e actuações de músicas tradicionais. A Orquestra Típica de Ourém actuará naquela iniciativa que, ao que tudo indica, vai ser bastante concorrida



publicado por Carlos Gomes às 03:00
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Sexta-feira, 18 de Março de 2011
FÁTIMA RECONSTITUI A “FEIRA NA I REPÚBLICA”

CARTAZ~3

A Freguesia de Fátima vai no próximo dia 2 de Abril, em Boleiros, proceder à reconstituição de uma feira centenária, concretamente a “Feira na I República”. A iniciativa é da Junta de Freguesia de Fátima e conta com a colaboração dos colégios da Freguesia, do Externato de S. Domingos e do Agrupamento de Escolas de Ourém e insere-se nas comemorações do Centenário da República.

No âmbito daquele evento vai proceder-se a uma recriação da revolta do 31 de Janeiro de 1891, do Regicídio e da Implantação do República propriamente dita. A feira terá início a partir das 15 horas, no largo da igreja de Boleiros, onde vai ser possível comprar e provar produtos tradicionais. Ao longo da tarde os visitantes podem contar ainda com a dinamização de jogos e actuações de músicas tradicionais. A Orquestra Típica de Ourém actuará naquela iniciativa que, ao que tudo indica, vai ser bastante concorrida.



publicado por Carlos Gomes às 10:29
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
Ourém evoca Artur Oliveira Santos

A figura de Artur Oliveira Santos, antigo Administrador do Concelho de Ourém à época em que tiveram lugar as aparições na Cova da Iria, foi evocada em mais uma edição do “Acontece no Museu”, precisamente o local onde viveu. A sessão que teve lugar no no passado dia 13 de Novembro foi dedicada à temática da Implantação da República em Portugal e à personalidade de Artur Oliveira Santos, tendo como oradores o Dr. José Manuel Poças e o Dr. Sérgio Ribeiro.

artur oliveira santos

Perante uma sala repleta de público, o Vice-presidente da Câmara Municipal de Ourém, Dr. José Alho felicitou a equipa liderada pela Drª Ana Saraiva, Chefe da Divisão de Acção Cultural da Câmara Municipal de Ourém, salientando o “programa interessante e diversificado que tem levado a cabo”, aproveitando ainda para agradecer o contributo dos dois oradores participantes.

Com uma apresentação subordinada ao tema “Vila Nova de Ourém e a Implantação da República”, o Dr. Poças das Neves centrou o seu discurso numa caracterização do concelho de Ourém nos finais do séc. XIX e começos do século XX, caracterizando algumas personagens políticas desta época, realçando a figura de Artur Oliveira Santos e a sua ligação ao fenómeno religioso de Fátima.

Por seu turno, o Dr. Sérgio Ribeiro proporcionou aos presentes a oportunidade de assistir a um “testemunho pessoal” na medida em que conviveu com o antigo administrador do concelho, “podendo falar dele como poucos nesta sala”. Procedendo a uma comparação com outras figuras nacionais e internacionais que já teve oportunidade de conhecer, o Dr. Sérgio Ribeiro não tem dúvidas de que, “se tivesse que escolher uma, seria Artur Oliveira Santos”.

A sessão contou também com a presença de alguns familiares de Artur oliveira Santos, entre os quais Isabel Oliveira Santos que agradeceu “a iniciativa da Câmara”, e “as palavras que se disseram aqui sobre o meu avô”, sublinhando que “o meu pai (Henrique Oliveira Santos), que lutou toda a vida para reabilitar o seu nome, ficaria muito orgulhoso com tudo o que estão a fazer pelo meu avô”.

A terminar a sessão, a Presidente da Assembleia Municipal de Ourém, Drª Deolinda Simões, reforçou a importância desta sessão, porque “permitiu conhecer melhor o oureense que tão maltratado tem sido”, concluindo que, “com a investigação de Poças das Neves, a familiaridade de Sérgio Ribeiro e os testemunhos dos próprios familiares, levamos connosco uma verdade mais segura”.

No final da sessão, Isabel Oliveira Santos ofereceu dois quadros à autarquia, concretamente o retrato dos avós e um quadro pintado que descreve uma cena que relata o conhecido episódio dos pastorinhos a jantarem na casa do administrador, em Ourém, precisamente o local onde se realizou esta conferência.

artur oliveira santos

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010
A República... no Museu Municipal de Ourém!

Artur Oliveira Santos

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



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Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010
A organização republicana em Ourém

Em 1 de Novembro de 1907, os republicanos de Vila Nova de Ourém procederam à reorganização da Comissão Municipal Republicana. Passaram então a integrar aquele órgão, na realidade a célula local do Partido Republicano Português, os seguintes elementos:

Efectivos:

Presidente – Álvaro Mendes

Secretário – João Cordeiro

Tesoureiro – João Nicolau

Vogais – Artur de Oliveira Santos e Sotero Caio da Silva Neves

Suplentes: Manuel Joaquim de Oliveira, Joaquim Pereira, António Barbosa, José Francisco dos Reis e António Duarte

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



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Sábado, 9 de Outubro de 2010
Cédulas fiduciárias de Villa Nova de Ourém (I)

cédula

Foto in http://www.megaleiloes.pt/

 

As cédulas fiduciárias constituem desde há muito tempo um dos objectos de interesse de coleccionadores e estudiosos, nomeadamente por rodos quantos se interessam pela numismática e notafilia, a nossa histórica económica ou simplesmente os aspectos da vida regional. Apesar disso, estamos convencidos de que as cédulas produzidas em Ourém não mereceram ainda a atenção devida e são inclusive pouco conhecidas, apesar de surgirem alguns exemplares em leilões de coleccionismo. É o caso do exemplar de uma cédula de dois centavos que junto reproduzimos, o qual se encontra neste momento em leilão com uma base de licitação de 27,50 euros.
Regra geral, o aparecimento de tais cédulas verificou-se em momentos particilarmente difíceis , de grave crise económica ou convulsão social, mormente durante a primeira guerra mundial, em resultado do encarecimento dos metais e consequente escassez de moeda corrente de baixo valor indispensável a pequenas transacções. Esta situação era particularmente sentida fora dos grandes centros urbanos, situação que levou ao aparecimento do chamado "dinheiro de emergência" constituído por cédulas, cuja emissão fora a princípio apenas autorizada à Casa da Moeda mas que acabou por generalizar-se a inúmeras instituições oficiais e particulares, como câmaras municipais, misericórdias e até estabelecimentos comerciais.
Na cunhagem de moedas de reduzido valor facial, como sucede com as divisionárias geralmente utilizadas na realização de trocos, são empregues metais menos valiosos como o cobre, o alumínio, o níquel ou ligas constituídas por aqueles a fim de que mantenham um valor nominal superior ao seu valor intrínseco ou seja, em relação aos metais empregues na sua feitura. Sucede, porém, que quando ocorre uma subia do custo daqueles metais, recorre-se à emissão de cédulas fiduciárias a fim de evitar os elevados custos que a cunhagem das moedas implica em relação ao seu baixo valor nominal. Foi precisamente o que sucedeu nos finais do século XIX por ocasião da crise financeira resultante sobretudo da baixa do câmbio brasileiro, facto que gerou uma situação de pânico traduzida em falências, suspensão de pagamentos, corridas aos bancos e o quase desaparecimento de circulação das moedas em ouro e também em consequência da desvalorização da prata que levou quase à falência do banco londrino Baring Brothers que tinha acabado de conceder um empréstimo de oitocentas mil libras ao Estado português, facto que determinou a depreciação da moeda.
Também, durante a Primeira República, o crescimento da dívida externa com a Inglaterra resultante da participação na guerra e a inflacção daí resultante associada à especulação com as divisas constituíram factores que determinaram a depreciação da moeda, mau grado as diversas tentativas feitas no sentido do seu controlo que levou nomeadamente à criação da Junta Reguladora da Situação Cambial que acabaria por ter existência efémera.
O historiador Oliveira Marques deu-nos o panorama da crise financeira verificada com a implantação do regime republicano no nosso país. Descreveu-nos ele o seguinte: "Em 1911, o Governo Provisório introduziu o escudo, equivalente a 1000 réis e dividido em 100 centavos. Começaram logo os problemas com a estabilidade da nova moeda. O valor oficial de origem - 1 libra de ouro = 4$50 - nunca pôde ser mantido. Na verdade, já nos últimos anos da monarquias se iniciara a desvalorização da moeda nacional, com o 1$000 réis aproximando-se mais da quinta parte da libra do que do valor estabelecido. As desvalorizações atingiam 17 % quando começou a guerra. Daí em diante o escudo foi descendo gradualmente: 6$35 (1915), 11$57 (1919). Escasseavam as moedas, particularmente as de trocos, que se substituíam por cédulas de papel e cartão, dos mais variados tipos e feitios, emitidas pelas câmaras municipais, pelas misericórdias e outras instituições, e até por entidades particulares para seu uso privativo".
Com efeito, a partir de 1914, o governo autorizou a Casa da Moeda a emitir cédulas que se destinavam a substituir as moedas de cinco, dez e vinte centavos. Contudo, verificando-se que esta medida não era suficiente para suprir a escassez de moeda então verificada, acabaram por ser autorizadas as câmaras municipais a proceder à sua emissão com curso legal dentro da área dos respectivos concelhos. Esta prática viria contudo a generalizar-se com a emissão das referidas cédulas por parte de outras entidades. Citando ainda Oliveira Marques, "durante 1917, a escassez de moeda era já tanta que começaram a aparecer cédulas improvisadas, emitidas aqui e ali por todo o país, que a tentavam substituir. Frente ao abuso, o Ministério das Finanças decidiu ir ao encontro das realidades, determinando que a Casa da Moeda emitisse cédulas de 2 e 10 centavos e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa de 5 centavos. Simultaneamente, ordenava a retirada de circulação e a recolha de toda a moeda de prata do tempo da Monarquia,com a qual passou a dispor de reserva. Apareceram, pouco depois, as primeiras cédulas. A partir de 1918, o privilégio concedido à Santa Casa da Misericórdia cessou, cabendo também à Casa da Moeda a emissão de cédulas de 5 centavos. Mais tarde (1922) surgiram ainda cédulas de 20 centavos".
De aspecto bastante rudimentar, produzidas a princípio em simples pedaços de papel ou de cartão com as mais variadas dimensões, manuscritas ou impressas, com ou sem preocupação estética, as cédulas foram progressivamente melhorando a sua apresentação gráfica, acabando por revelar-se meios de propaganda turística e regional e, nos casos em que eram emitidos por estabelecimentos particulares, meios expeditos de publicidade comercial. Acerca da sua importância e aspecto, retemos a descrição feita pelo Professor Marcello Caetano: "...as emissões privadas continuaram, inundando o país de pequenos farrapos de papel, de formas e dimensões variadas, impressos ou litografados, com ou sem vinhetas, simples pedaços de cartão com o carimbo ou com a assinatura do comerciante e às vezes até, discos de lata com figuras e dizeres estampados a cores. Eram de um, dois, cinco, dez e mesmo vinte centavos, e até 1922 circulavam num meio mais ou menos restrito, conforme a importância do emissor, no concelho se era uma câmara, na clientela do estabelecimento se se tratava de um negociante: verdadeira Notgeld cuja importância total se desconhece e é, já agora, impossível apurar".
Apenas a partir de 1924 foi possível travar a depreciação do valor da moeda e, desse modo, ir progressivamente reduzindo a utilização das cédulas. De acordo com Oliveira Marques, "Em 1924, Álvaro de Castro que juntara a Presidência das Finanças, conseguiu finalmente deter a marcha do escudo. (...) A legislação de 1924 reformou também a moeda metálica, aumentando o teor da liga e reduzindo o valor real das moedas. A pouco e pouco, foi sendo possível acabar com as cédulas de papel de ínfimo valor".
Também em Vila Nova de Ourém certamente não se fugiu à regra e aqui circularam cédulas de dois centavos emitidas pela Câmara Municipal e devidamente numeradas. Provavelmente terão também circulado outras de diferente valor. Até ao momento apenas nos foi possível localizar este espécime mas poderá suceder que algum dos leitores deste blog detenha outros exemplares e queira partilhar connosco a informação, enviando-nos nomeadamente uma cópia digitalizada.
Bibliografia
- História de Portugal. Edição Monumental de Portucalense Editora, Suplemento I. Porto, 1935;
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia. Lisboa, Rio de Janeiro;
- MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal Contemporâneo. Economia e Sociedade. Universidade Aberta. Lisboa;
- MARQUES, A. H. de Oliveira. Breve História de Portugal. Editorial Presença. Lisboa, 1995;
- História de Portugal. Vol XIV. Edita Ediclube Ldª. Amadora. 2004.
 


publicado por Carlos Gomes às 02:00
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
No Centenário da Implantação da República

REITOR DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA REFLECTE SOBRE OS CRISTÃOS E A VIDA POLÍTICA

“É urgente criar-se um clima de justiça” - afirmou o Padre Virgílio Antunes, Reitor do Santuário de Fátima, durante as missas que ontem, dia 5 de Outubro, foram celebradas em Fátima pela Paz e pela Justiça.

Reitor Santuário Fátima

Ontem, dia 5 de Outubro, dia festivo para Portugal, o dia da celebração do centenário da implantação da República, celebraram-se no Santuário de Fátima missas pela paz e pela justiça.
A propósito da efeméride, o Reitor do Santuário de Fátima, durante a eucaristia internacional celebrada às 11:00, reflectiu sobre aquilo que considera ser o modo correcto de agir em sociedade. Aos cristãos lembrou o dever da cidadania e aos políticos a necessidade da sabedoria ao serviço da verdade e do bem comum. Em tempos difíceis, este responsável apelou ao fomento de “leis justas, que protejam os mais débeis e ajudem a uma mais equitativa distribuição dos bens” e à “conversão do coração aos valores da fraternidade”.
“É dia de agradecermos a Deus o facto de sermos um país e um povo, com capacidade para se reger e com liberdade para agir, um povo a viver em relativa paz e relativa justiça. Se comparamos a nossa situação com o que ainda se vive noutras regiões do planeta ou com o que já vivemos noutros períodos da história, concluímos que estamos num oásis de bem-estar, que temos de agradecer ao Senhor de todo o coração”, começou por afirmar o Padre Virgílio Antunes, no início da homilia da missa celebrada no Recinto de Oração.
“Ponto assente é que o cristão tem o direito e o dever da cidadania, responsavelmente assumida, e não pode ser discriminado num mundo em que se fala de liberdade religiosa e de tolerância, mas onde elas tantas vezes são atingidas. Animado pela sua fé e pela sua condição de membro da Igreja, sentindo-se irmão de todos os homens, o cristão sabe que não é uma ilha no meio do mundo, mas um membro vivo de um corpo, pelo qual também é responsável”, disse.
Ao reiterar a palavra do Evangelho lida naquela celebração, “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, o Reitor sublinhou que “de facto, a Igreja não tem um partido político, e os cristãos podem pertencer a qualquer partido, desde que ele lute pelos ideais cristãos de sociedade e de vida; desde que ele não proponha formas de viver que contrariam a verdade da fé e da moral, que se depreendem do Evangelho e da doutrina da Igreja”.
“Mais ainda, o facto de a Igreja não estar na política enquanto instituição, não significa que os cristãos não devam estar lá em nome da sua condição de cidadãos e de cristãos”, sublinhou este responsável que considera que a Igreja Católica e as outras confissões religiosas “devem gozar de autonomia no desenvolvimento das suas acções de carácter religioso e espiritual, mas também na sua acção assistencial, educativa e social”.
A quem exerce cargos políticos, “tanto tanto nos mais altos cargos da nação, como no serviço das autarquias, das associações e dos grupos, ou mesmo no âmbito laboral e familiar”, o Reitor também deixou algumas advertências.
“O Apóstolo (São Paulo) fala da sabedoria e da inteligência, que se supõe em todos os que, num regime democrático, são eleitos para servir a nação. (…) Ao fazer o elogio da sabedoria que vem do alto e deve ser interiorizada por todos os homens de boa vontade, o Apóstolo afirma que ela é ‘pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia’”.
Na raiz do mal-estar que hoje se vive, na raiz da falta de paz existente no mundo, considera o Padre Virgílio Antunes, está a falta de justiça. “Mesmo que as armas se calem, se não houver pão para todos e condições de vida que possam chamar-se humanas, não há paz sobre a terra. É urgente criar-se um clima de justiça na distribuição dos bens, no cumprimento das obrigações perante o Estado e do Estado face aos cidadãos, no respeito pelas pessoas e instituições, na defesa escrupulosa da verdade”.
A tarefa é enorme e é necessária a colaboração de todos.
“As leis justas, que protejam os mais débeis e ajudem a uma mais equitativa distribuição dos bens, são uma parte fundamental no contexto da organização social moderna. A iniciativa privada, do pequeno grupo, da família, da Igreja, das associações… é importantíssima, por estar mais próxima dos lugares e das pessoas mais desfavorecidas. Acima de tudo, a conversão do coração aos valores da fraternidade, da dádiva de si mesmo, do serviço e do amor, são condições sem as quais se não alcança a paz nem a justiça, pois elas nascem do coração e passam para a acção e para a vida”.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 20:09
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As cores da República no barrete tradicional

Videntes de Fátima

As imagens dos videntes de Fátima constituem interessantes documentos etnográficos.

 

O barrete constitui um dos assessórios da indumentária tradicional de quase todas as regiões do nosso país, incluindo o Concelho de Ourém. Produzido artesanalmente, o barrete antecede o próprio chapéu cuja origem remete para a indústria emergente em meados do século XIX. Situado numa área geográfica que regista as influências da Estremadura, da Beira Litoral e do Ribatejo a que não são alheias os fenóenos migratórios para as terra da Borda d'Água, o folclore do Concelho de Ourém revela um certo hibridismo onde predominam as marcas etnográficas da Alta Estremadura. Distante das influências dos  políticos republicanos, o traje característico das gentes desta região não sofreu a influência política que levou a serem adoptadas as cores verde-rubra no barrete do campino ribatejano. A comprová-lo, estão as imagens captadas na época, mormente aos videntes por ocasião das aparições na Cova da Iria. Trata-se de um precioso documento etnográfico que nos ajuda a compreender as adulterações a que o folclore e a etnografia do povo português têm sido sujeitas para satisfação de objectivos que lhe são estranhos.

campinos

O traje e as cores do barrete do campino reflectem a estilização do traje tradicional em função da ideologia republicana.
 

O campino do Ribatejo tal como actualmente o conhecemos, altivo na sua montada, com o seu pampilho, apresenta-se invariavelmente com o seu colete encarnado, faixa vermelha à cintura, calça azul e meias brancas até ao joelho, jaqueta e sapato de prateleira com esporas. Ao invés de outros trabalhadores rurais da mesma região, usa barrete verde com orla a vermelho, sugerindo as cores da actual bandeira nacional.

O barrete é, desde tempos muito recuados usual em diversas regiões do nosso país, quer no meio rural como ainda entre as comunidades de pescadores. No Minho, apesar da indústria de chapelaria que se desenvolveu em Braga nos meados do século XIX, a qual levou à difusão em toda aquela do característico chapéu braguês, o barrete continuava a ser utilizado nas tarefas diárias da lavoura.

Originariamente, todos os barretes eram pretos ou cinzento-escuro, independentemente do grupo social ou a região do país em que eram utilizados. Ainda hoje os podemos encontrar com relativa facilidade entre os pescadores da Nazaré e da Póvoa do Varzim ou até na região saloia. Porém, apesar de se pretender preservar aquilo que foram os usos e costumes de uma determinada época, geralmente dos finais do século XIX e começos do século XX, também o traje tradicional tem sido permeável às modas e a outros interesses que o levam a registar modificações que, não raras as vezes chegam até nós como o que existe de mais genuíno.

Seria extensa a lista de exemplos que poderíamos enumerar para descrever as alterações que ao longo dos tempos se tem registado no traje tradicional, para já não falarmos de outros aspectos relacionados com o folclore como as coreografias, os instrumentos utilizados e os próprios cantares. Bastará, apenas, referir o tamanho das saias que outrora se usavam comparados com o que por vezes é exibido actualmente, as formas estilizadas e os tecidos. Muitas dessas alterações não estão apenas relacionadas com as influências exercidas pela moda mas ainda com a sua utilização para fins de propaganda turística e até política, como sucedeu em grande medida durante o período do Estado Novo.

Sucede que, faz precisamente cem anos que foi instaurado em Portugal o regime republicano. E, como é sabido, o Ribatejo constituía uma das regiões de maior implantação política dos republicanos da altura. De resto, foi um ribatejano de seu nome José Relvas, quem hasteou a bandeira do novo regime nos Paços do Concelho, em Lisboa. Na verdade, a bandeira hasteada pertencia a um pequeno grupo político, o Centro Democrático Federal, pois a bandeira tal como a conhecemos só viria a ser concebida e aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte no ano seguinte.

Inspirados pelo famoso quadro “A Liberdade guiando o Povo” de Eugène Delacroix, os republicanos criaram uma figura alegórica para representar a República, um tanto à semelhança do que fizeram os franceses ao conceberem a sua Marianne. O modelo então escolhido foi uma jovem alentejana de Arraiolos, de seu nome Irene Pulga. E, tal como os franceses fizeram com a Mariana, colocaram-lhe sobre a cabeça um barrete frígio.

O barrete frígio é assim designado por ter sido primitivamente usado pelos habitantes da Frígia que constituía uma região da Ásia Menor, sensivelmente onde actualmente se encontra a Turquia. Os republicanos franceses adoptaram-no, sob a cor vermelha, como símbolo de liberdade. Aliás, da mesma forma que, nos finais do século XIX, foram os caçadores alpinos franceses os primeiros a adoptar a boina basca, alterando-lhe a cor para azul-escuro, tendo passado a constituir um acessório dos uniformes de inúmeras forças militares sob as mais diversas cores. De forma algo idêntica, também os republicanos portugueses viram certamente no barrete do campino ribatejano uma espécie de barrete frígio, genuinamente português, podendo ser-lhe introduzidas as cores da República.

Com o decorrer do tempo e a divulgação do folclore, mormente ao tempo do Estado Novo, a ideia do barrete verde viria a enraizar-se nos costumes ribatejanos e a tornar-se uma peça considerada genuína do traje do campino.

 

GOMES, Carlos. As cores republicanas no barrete do campino ribatejano. http://www.folclore-online.com

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 13:06
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OURÉM COMEMORA CENTENÁRIO DA REPÚBLICA
... e Homenageia Artur de Oliveira Santos!
Descerramento da bandeira
O centenário da Implantação da República foi assinalado em Ourém com o descerramento de uma obra escultórica alusivo à efeméride. O monumento, erigido em frente ao Museu Municipal, precisamente a casa que foi do Administrador do Concelho, Artur de Oliveira Santos, constituiu ainda uma homenagem àquele que, nas palavras do Presidente da edilidade, Dr. Paulo Fonseca, "foi um dos maiores republicanos" e, como tal, representa "este memorial a justiça e perpetuar da vida deste ilustre oureense no futuro de todos".
O Presidente da Câmara Municipal afirmou ainda ser este "um dia de festa, para Ourém, para Portugal e para cada um de nós, onde devemos procurar, na génese da República, os valores pelos quais nos devemos reger no dia a dia: a tolerância, a união", acrescentando "serem estes os valores que nos unem, os valores do nosso passado, da nossa história, para que todos possamos somar algo para construirmos um futuro melhor".
A escultura é da autoria do pintor moçambicano Roberto Chichorro que agora se fixou no Concelho de Ourém.
A ocasião foi ainda aproveitada para apresentar o catálogo "A República em Ourém" e a plataforma digital do Arquivo Histórico Municipal.
A animação esteve a cargo do grupo de teatro Apollo que recriou o mercado de 1910 e colocou em cena figurantes alusivos às personagens históricas da época.
monumento
A inauguração do monumento à República, em Ourém, constitui um acontecimento de significado histórico.
Monumento
A inauguração deste monumento corresponde a um velho sonho de Artur de Oliveira Santos.

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publicado por Carlos Gomes às 01:25
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A propósito da eventual mudança do busto...

Vai a República Portuguesa mudar o visual?

Delacroix

A acreditar na representação que dela fez o artista, tratava-se com efeito de uma mulher jovem e bela, robusta e saudável, com olhar altivo e seios fartos, transmitindo vigor e energia. À semelhança da francesa Marianne, também a sua imagem foi considerada um dos símbolos nacionais e a sua presença tornou-se obrigatória, mormente nas repartições públicas e outros edifícios do Estado, a par da bandeira e do retrato do Presidente da República. Coroada de louros, a sua efígie pareceu também representada nas moedas cunhadas no Banco de Portugal.

Porém, à medida que os anos passaram e a República foi perdendo a sua jovialidade, também a sua imagem foi caindo em desuso. A sua presença meio decomposta deixou de ser notada pelos cidadãos que acorrem aos serviços públicos para tratar de alguma formalidade porque, simplesmente, deixou de ali estar presente. A propósito, quem sabe se a sua ausência se deve a um certo estiolamento e excessiva burocratização do aparelho de Estado. Em todo o caso, a sua presença deixou de ser obrigatória e a sua imagem deixou de ser venerada como sucedia ao tempo da sua juventude.

Numa altura em que se assinala o centenário da República Portuguesa, o escultor João Cutileiro veio a público defender a criação de um novo busto alegórico da República porque o atual constitui “uma cópia do francês e não é apropriado para representar Portugal”. Desde logo porque utiliza elementos que nada têm a ver com Portugal, como sucede com o barrete frígio, considerado um símbolo da Liberdade e que era utilizado na antiguidade pelos habitantes da Frígia, na Ásia Menor, onde actualmente se situa a Turquia.

A ideia de mudar a imagem que representa a República Portuguesa não é consensual. Apesar da francesa Marianne ter sido retratada a partir de sucessivos modelos, a possibilidade da República Portuguesa vir a modificar o seu visual parece não colher muitos adeptos. Por outro lado, quem sabe o que o autor do polémico “pirilau” erguido ao cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa, e que dizem tratar-se de uma homenagem ao 25 de Abril, reservaria para a nossa “Mariana”, atendendo a que se trata de uma moça que atingiu já a proveta idade de cem anos? Reconhecendo a sua irreverência artística, poderia ser ele capaz de despir ainda mais o busto ou mesmo a inspirar-se na legislação recentemente aprovada na Assembleia da República que veio a instituir o casamento entre indivíduos do mesmo sexo…

Na realidade, a nossa República já não corresponde àquela imagem robusta e bela que a jovem alentejana nos transmitiu através do escultor – ela é presentemente um espectro que a todos nos repelaria. Não bastavam as dificuldades do quotidiano, passou a envolver-se em toda a espécie de escândalos e a consumir drogas. De aspeto tísico e desfigurado, com o rosto envelhecido e os olhos vidrados, não admira que os seus amantes prefiram recordá-la como ela foi no passado!

Em todo o caso, sempre será preferível manter o atual busto da República e preservar uma bela imagem. Parafraseando Eça de Queirós, “sobre a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia”!

 

GOMES, Carlos. in http://www.falcaodominho.pt/

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 01:00
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
Descubra as diferenças...

Bandeira Portuguesa

A Bandeira da República Portuguesa.

Bandeira da Carbonária Portuguesa

A Bandeira da Carbonária Portuguesa.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 22:07
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Artur de Oliveira Santos e a implantação da República

Pelo interesse que representa transcrevemos, com a devida vénia, este artigo do jornal "Notícias de Fátima":

 

Qualquer artigo que se escreva sobre os 100 anos da implantação da República, visando o concelho, pecará por defeito. É impossível condensar uma história que, ao contrário do que muitos possam imaginar, é riquíssima em pormenores, situações caricatas e actores políticos.

Em 1907 fundava-se, na então Vila Nova de Ourém o Centro Repu­blicano.  Concorrendo às eleições durante os últimos anos da Monarquia, obteria em 1908, 32 votos e em 1910, 60.

Em 25 de Março de 1910 realizou-se um comício em Vila Nova de Ourém em que falaram José Relvas (que proclamaria a instauração da República em Lisboa e seria primeiro-ministro em 1919), João Chagas (primeiro-ministro em 1911) e An­selmo Xavier (Presidente da Câmara Municipal de Benavente). Presidiu Manuel António das Ne­ves (nascido em Alburitel, foi um activo republicano, quer em Ourém quer na cidade onde se fixou, Santarém. Entre outros cargos foi vice-presidente da Câmara Municipal e senador do Congresso da República).

Os republicanos do concelho, apesar de pouco numerosos, destacavam-se pelas suas iniciativas, criando uma escola mista gratuita, orientada pela professora Alice da Conceição Mendes e uma Liga Republicana, que organizou um Partido Mé­dico Particular, a cargo do Dr. Raul Ribeiro Abranches.

João Chagas  no jornal nacional O Mundo, de 28 de Março de 1908, escrevia:

«Ao terminar este artigo, eu prati­caria uma grave injustiça se não en­viasse das colunas deste jornal uma calorosa saudação aos republicanos de Ourém, porque - meus amigos:- a República entrou em toda a parte mesmo em Ourém. Mas ser republicano em Ourém, não é ser republicano em toda a parte, em Tomar, por exemplo, onde a Re­pública se proclamou ontem; ser re­publicano ali, é ser a Fé abrazadora na sua pura expressão apostólica, a Fé abrazadora que combate sempre e que não renuncia a vencer nem mes­mo o Dragão. A esses republicanos, a esses verdadeiros apóstolos da Democracia, o meu salvé!»

Não cabe aqui (por manifesta falta de espaço) descrever o afã revolucionário de Artur de Oliveira Santos que no dia 2 de Outubro de 1910, de manhã, partia para Lisboa, onde se encontrou com o líder republicano, António José de Al­meida (futuro Presidente da República de 1918 a 1925). Na posse da senha do movimento republicano - «Mandou-me procurar? Passe, cidadão» - foi uma testemunha ocular da revolução do 5 de Outubro, no que descreveria como “um dos momentos mais felizes da vi­da”, confessando que “durante trinta e duas horas não dormi e pouco comi”.

Também significativo é o telegrama enviado para Ourém no dia 3, à tarde, dirigido a Álvaro Mendes, dando conta, em código, do inicio da revolução - «o tio entra amanhã no Hospital».

Artur de Oliveira Santos só regressará ao concelho no dia 7 de madru­gada, de comboio. Sem descansar e acompanhado por Ál­varo Mendes e demais apaniguados, foi içar a bandeira republicana no castelo da velha Ourém. Concretizava-se assim o seu  sonho político, a vitória do ideal republicano.

 

POÇAS, José. Notícias de Fátima. http://www.noticiasdefatima.pt/

 

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publicado por Carlos Gomes às 10:50
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Entre a Rotunda e a Proclamação da República

No dia 5 de Outubro, encontravam-se as tropas monárquicas estacionadas no Rossio quando, o embaixador alemão decidiu negociar tréguas para que os cidadãos estrangeiros e o pessoal do corpo diplomático pudessem retirar-se da cidade. Após ter parlamentado com os comandos das forças fiéis ao regime, dirige-se à Rotunda para negociar com os revoltosos republicanos ali barricados.

Depois de horas de grande indecisão em que chegaram a julgar a causa como perdida ao ponto do seu chefe, o Almirante Cândido dos Reis praticar o suicídio, numerosos carbonários, vulgo populares, concentravam-se à esquina das ruas que davam acesso à Avenida da Liberdade.

Ao verem o embaixador alemão subir a avenida empunhando a bandeira branca e julgando tratar-se da rendição das tropas monárquicas, os revoltosos abandonam as barricadas e descem a avenida em direcção ao Rossio onde, o general Gorjão Henriques, comandante das tropas realistas, é apanhado de surpresa e já nada pode fazer. Pouco tempo depois, foi proclamada a instauração da República na varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa.

 

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publicado por Carlos Gomes às 08:00
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A República faz 100 anos!

No dia em que a Implantação da República assinala o seu centenário, o blog AUREN faz a reportagem dos acontecimentos que tiveram lugar nesse dia através de uma série de imagens captadas na altura.

rotunda

A imagem mostra o acampamento na Rotunda onde se entricheiram militares e civis armados.

rotunda

Militares e civis do acampamento da Rotunda.

rotunda

Outro aspecto da trincheira na Rotunda.

carbonários

Um grupo de carbonários passando junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.

eléctrico

Revolucionários civis procurando imobilizar um carro eléctrico.

Palácio das Necessidades

Estragos causados pela explosão de uma bomba na fachada do Palácio das Necessidades.

manif

Manifestação de apoio aos republicanos

desfile

Soldados e civis desfilando.

josé relvas

José Relvas proclama a República da varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa. 

apoiando a republica

A revolução republicana, o povo em frente à Câmara Municipal aclama a proclamação da República

carbonários

Militares e civis junto à Câmara Municipal de Lisboa.

proclamação

Um aspecto da Praça do Município, em Lisboa, na ocasião da proclamação da República. 

 

Fonte: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/



publicado por Carlos Gomes às 00:10
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
Bandeira da Monarquia... em Ourém!

Bandeira

A bandeira portuguesa referente ao período da Monarquia Constitucional que antes da Implantação da República era hasteada nos Paços do Concelho, em Vila Nova de Ourém, encontra-se actualmente exposta ao público no Museu Municipal de Ourém.

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro



publicado por Carlos Gomes às 11:40
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Artur de Oliveira Santos - um "revolucionário civil"

Artur Oliveira Santos

Em 9 de Julho de 1917, deu entrada na Câmara dos Deputados um parecer referente a uma petição através da qual se pedia que os indivíduos constantes da mesma, os quais aliás formavam uma extensa lista e entre os quais figurava o nome do Administrador do Concelho de Ourém, Artur de Oliveira Santos, fossem reconhecidos como "revolucionários civis". Esta petição, aliás à semelhança de muitas outras do género, foi aprovada pelo parlamento e encontra-se publicada no "Diário da Câmara dos Deputados".

Em regra, os denominados "revolucionários civis" eram membros da Carbonária Portuguesa que, uma vez implantada a República, endereçaram petições à Câmara dos Deputados para que lhes fosse reconhecido tal estatuto e, em função disso, pudessem obter colocação na administração pública como forma de compensação pelos serviços prestados à causa revolucionária, alegando-se nalguns casos dificuldades de ordem económica.
Como se sabe, a Carbonária Portuguesa constituiu o braço armado do Partido Republicano Português em estreita ligação com o Grande Oriente Lusitano Unido, vulgo Maçonaria, através da Loja Montanha. O reconhecimento de Artur de Oliveira Santos como "revolucionário civil" identifica-o também como membro da Carbonária Portuguesa.

Transcreve-se seguidamente a acta da referida sessão, publicada no "Diário da Câmara dos Deputados", na parte respeitante à referida petição. 

 

 

"Entrou em discussão o parecer n.° 776. É o seguinte:

Parecer n.° 776

Senhores Deputados. - A vossa comissão de petições é de parecer que deverão ser reconhecidos como revolucionários civis os seguintes indivíduos:

Abel Amadeu Gustavo de Mendonça, Abel de Paiva, Abílio da Cunha Santos, Adelino Joaquim Correia Vilar, Afonso Martins, Agostinho Lourenço, Alberto de Sousa Ferreira, Alberto Pinto, Alfredo Dias Pereira Delgado, Alfredo José Loureiro, Alfredo Nunes Relvas, Alfredo da Silva Martins, Amadeu Filipe da Silva, António Afonso, António de Almeida, António de Almeida Pinto, António Alves David, António Augusto Louro, António Baptista Cloto, António da Costa Machado, António Hermenegildo dos Santos, António Gonçalves Enes, António Lopes dos Santos, António Manuel Pereira, António Marcelino Lopes, António Maria Fernandes, António Maria Ferro, António Maria Veríssimo, António Máximo Lopes e Silva Barros, António Nunes Rodrigues, António Pereira, António Pereira Pina, António Pires, António Pedro, António Rodrigues dos Santos Júnior, António dos Santos, António Soares Pinto, Artur Hermógenes Ferreira, Artur de Oliveira Santos, Artur Rodrigues Cunha, Augusto Afonso Colarinho, Augusto António Ferraz, Augusto Moreira, Augusto dos Santos, Benjamim da Costa Alves, Benjamim Costa Gonçalves, Bernardino de Oliveira Rocha, Carlos António Porteiro Júnior, Carlos António Porteiro Sénior, Carlos Ferreira da Silva, Carlos Gomes Fino e Sousa, Carlos da Silva Santos, Cassiano de Abreu Sequeira Paixão, Custódio Ferreira, Daniel José dos Santos, Emílio Augusto Pina, Emílio Augusto da Silva Braga, Ernesto Nunes da Silva, Eurico Augusto dos Santos, Fernando Aguas, Fernando da Luz Mesquita de Carvalho, Filipe Augusto Morais, Francisco Antunes, Francisco Antunes Júnior, Francisco Antunes Marcos, Francisco Augusto Delmas Simões, Francisco Ferreira Godinho, Francisco Mora Domingues, Francisco Palhim, Francisco Rodrigues Jacob, Francisco de Sant'Ana, Francisco Sobral, Gabriel da Costa Roma, Guilherme Brás, Henrique de Almeida Cardoso, Henrique Roque da Silva, Henrique Vicente Andrade Ferreira de Castro Franco, Inocêncio Ribeiro Ferreira, Henrique Pereira Trindade, Jacinto Eduardo Barreiros, Jaime do Carmo Gouveia Castelo Branco, Jerónimo Costa, Josué dos Santos Júnior, João Adriano, João Alexandre de Carvalho, João Alves Matias, João Augusto Guerreiro, João Caramelo Arriaga, João Cesário da Costa, João Dias Júnior, João Maria de Sá, João do Nascimento Cunha, João das Neves, João Pereira dos Santos Maia, João Ramos, João de Sousa Reis, Joaquim António Fernandes Júnior, Joaquim Bento Trindade, Joaquim Duarte da Luz, Joaquim Gonzaga, Joaquim Graça dos Santos, Joaquim Maria Macedo, Joaquim Martins, Joaquim Ribeiro Panças, Joaquim Rodrigues de Avó, Joaquim dos Santos, José António Marques, José Antunes de Sousa Pinto, José Augusto dos Santos, José de Barros, José Baptista da Costa, José Bernardino Aires Pereira, José Caramelo, José Cipriano Salgado Júnior, José Correia Nunes, José Elias Afonso Colarinha, José da Conceição Silva, José do Espírito Santo da Silva Quilho, José Ferreira da Silva, José Filipe, José Francisco, José Francisco Machado, José Gomes de Oliveira, José Isidro Filipe Fragoso, José Joaquim Dias, José Lopes Júnior, José Lopes Paula, José Maria Holbeche, José Maria Mendes, José Mora Domingues, José Nasi, José Nunes, José Nunes (farmacêutico), José de Sequeira, José da Silva Loureiro, José Valentim, Júlio Augusto Rosa, Júlio de Matos Júnior, Lourenço das Neves Ferreira, Luís Augusto Ramos, Luís da Costa Pessoa, Luís Sequeira, Manuel Álvaro Fernandes, Manuel Augusto Bebiano, Manuel Ferreira Barroca, Manuel Gomes Tavares, Manuel Henrique Carlos, Manuel Mário Bento, Manuel José Vicente, Manuel Marques, Manuel Mendes, Manuel Pereira, Manuel Pereira Ramos, Manuel Policarpo Torres, Manuel Rodrigues, Manuel Rodrigues, Manuel Rodrigues Pereira, Manuel da Silva, Manuel José Vieira, Marcelino Gonçalves, Martinho Lourenço, Narciso dos Santos, Nicolas Francisco, Oscar de Resende, Pedro Ciríaco Machado, Raul Diogo Guerreiro, Raul Gonçalves Sestelo, Raul Pereira Pedroso, Robert de Matos, Sebastião Raimundo dos Santos, Serafim de Jesus Silveira, Tomás de Figueiredo Xavier, Tomás Ribeiro de Liz Dionísio de Almeida, Venâncio Moreira Marques, Vítor Filipe dos Santos, Júlio Carlos Simões, António Pereira, Carlos Augusto Mendes, José Maria da Fonseca.

Queiroz Vaz Guedes -Henrique de Vasconcelos - Alfredo Soares - Pedro Chaves - Evaristo de Carvalho.

O Sr. Luís Derouet: - Sr. Presidente: eu pedi a palavra apenas para que o Sr. relator me elucidasse sôbre a natureza dos documentos apresentados por Carlos da Silva Santos.

O Sr. Evaristo de Carvalho: - Não estou bem certo, mas parece-me que quem atestou a condição de revolucionário civil dêsse cidadão foi o Sr. Machado Santos.

O orador não reviu.

O Sr. Luís Derouet: - Eu pergunto ainda ao Sr. relator se todos os indivíduos de que consta o parecer apresentaram certificado de registo criminal.

O orador não reviu.

O Sr. Evaristo de Carvalho: - Nenhum dêsses indivíduos apresentou tal certificado, porque, para o caso, não era preciso, mas sê-lo há quando êsses cidadãos requererem qualquer colocação.

O orador não reviu.

O Sr. Germano Martins: - Eu julgo que a comissão não tem de exigir êsse certificado; apenas os Ministros que os nomearem para qualquer cargo público é que lho devem exigir.

O orador não reviu.

O Sr. Luís Derouet: - Lembro a V. Exa. que seria conveniente que o cidadão Carlos da Silva Santos apresentasse êsse documento, para não se confundir com um seu homónimo.

O orador não reviu.

Foi aprovado o parecer 776,º, sendo em seguida aprovado sem discussão o parecer 792..."

 

citações: http://o.castelo.vai.nu/miradouro/ 



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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010
Conferências de Agostinho Fortes em Ourém

"Constituíram um verdadeiro triunfo para o Partido Republicano» as duas conferências que Agostinho Fortes, Professor e vereador da Câmara de Lisboa realizou em Ourém, a 27 de Setembro.

Em ambos os eventos, decorridos no lugar da Urqueira e no Centro Republicano António José de Almeida, Agostinho Fortes criticou a desatenção dos dirigentes monarcas relativamente aos portugueses, «que só por ocasião das eleições se lembram do povo», e retratou a República como sendo «um regime tolerante, respeitando todas as crenças políticas e religiosas». Para inverter o estado de coisas nacional, apelou ainda Agostinho Fortes a que todos os portugueses, independentemente da cor partidária, se unissem «numa luta sem tréguas contra o Jesuitismo (…) máximo entrave ao rejuvenescimento do nosso País, suprema aspiração de todos os verdadeiros patriotas".

- in jornal "O Século", nº. 9983, de 30 de Setembro de 1909

 

 

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Santuário de Fátima promove reflexão sobre o centenário da República

Auto de Proclamação

O “100º Aniversário da Implantação da República em Portugal” é o tema da conferência que se realiza no próximo dia 10 de Outubro, na Basílica do Santuário de Fátima. O tema é apresentado por António Teixeira Fernandes, considerado um dos mais importantes cientistas sociais portugueses. A iniciativa é promovida pelo Santuário de Fátima.

 

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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
Ourém comemora Centenário da República

Cartaz5Outubro

 

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A propaganda republicana em Ourém

Em 27 de Setembro de 1909, o político republicano Agostinho Fortes realizou duas conferências no Concelho de Vila Nova de Ourém, uma das quais na freguesia da Urqueira. Anunciou então o início da publicação de um periódico de cariz republicano – O Povo de Ourém.

Agostinho Fortes foi um destacado dirigente do Partido Republicano a cujo Directório pertenceu. Em 1919 aderiu ao Partido Socialista Português. Nasceu em Mourão, no Alentejo e foi um dos fundadores do Grémio Alentejano, a actual Casa do Alentejo. A ele se deveu também a criação da Escola Agrícola da Paiã.

 

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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
Quem fez a República

Proclamação da República

A proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, em frente aos Paços do Concelho de Lisboa.

 

EXPOSIÇÃO

"QUEM FEZ A REPÚBLICA"

 

BIBLIOTECA MUNICIPAL DE OURÉM

 

De 2 a 24 de Setembro

das 9h às 18 h

 

Organização: Câmara Municipal de Ourém

 

Através de quinze quadros, pretende-se dar um panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República em 5 de Outubro de 1910, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes.

Foto: Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa

 

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publicado por Carlos Gomes às 12:50
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